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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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23
Mai17

um prego, um martelo e 3 olhos perfurados...

Joana Marques

O coco! É um dos alimentos mais saudáveis do mundo!

A gordura do coco tem propriedades medicinais.

Antigamente, pensava-se que esta gordura contribuia para um colesterol elevado e doenças cardíacas.

No entanto, percebeu-se que não.

Pelo contrário são usadas pelo corpo para prevenção de algumas doenças por exemplo: Alzheimer.

 

Para muita gente é considerado um alimento exótico e estranho.

E ainda predomina o mito que faz mal.

Temos o exemplo de uma população no pacífico sul, Tokelauanos que desmente o que tanto tempo se propagou.

A sua alimentação é 60% coco ou derivados e por isso deviam estar a cair que nem tordos.

Enfartes, ataques cardíacos e quem sabe ventrículos explosivos....mas nada disso acontece.

Diz que são das populações mais saudáveis do mundo.

Viver numa ilha do pacífico é capaz de ajudar...sol, mar e alguém para amar!

É o sonho de muito boa gente!

Não há stress que resista. Isso e consumir coco!

 

O óleo de coco ajuda a queimar gordura e por isso ajuda-nos a ter o peso certo!

Possuí uma substância chamada ácido láurico que ajuda a combater fungos, vírus e bactérias no nosso corpo.

É saciante e por isso temos menos fome para comer.....pasteis de nata, por exemplo!

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Tudo o que é bom dá trabalho. E abrir um coco pode não ser tarefa fácil.

Precisam de armas à altura!

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Um martelo e um prego!

Juro! É mesmo verdade.

Como podem ver tanto o martelo, como o prego já não vão para novos.

Comprei-os a um boliviano que faz manutenção na minha empresa.

 

Primeiro passo: encontrar os olhinhos do coco.

Sim, o coco tem olhos!

Não um. Não dois...mas três!

E é aí que começa toda a aventura.

Perfurar os olhinhos do coco.

Usam o martelo e o prego.

Um de cada vez, sem dó nem piedade!

E logo aqui o coco dá-nos a sua maravilhosa água. (pode acontecer o coco não ter)

Podem começar por aproveitar esta água. Não deitem fora!

Experimentem bebê-la.

Esta água é muito rica em potássio, cálcio e magnésio.

Previne doenças cardíacas, alguns tipos de cancro e a aterosclerose.

Faz muito bem à pele.

E preserva todas as bactérias boas que temos.

 

Em seguida temos de abrir o coco.

Como se costuma dizer o que conta é o interior.

E o do coco é top!

Nesta fase convém afastarem-se da humanidade.

Partir um coco pode ser uma atividade violenta.

Escolham um local...enfim...uma varanda por exemplo e atirem-no ao chão.

A força a usar?? Vão perceber por vocês mesmos....

Não tenham pena dele, afinal já lhe furaram os olhos....

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Quando o coco estiver estalado devem conseguir parti-lo.

E nesta fase começam por ver a polpa.

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Com a ajuda de uma faca devem conseguir separar a polpa da casca.

E podem começar a cortá-la.

Se tiverem dificuldade em separar a casca da polpa, antes de atirarem o coco ao chão, podem tê-lo no forno durante 15 minutos a 150º.

Embora seja muito mais fácil de tirar a polpa, deixei de usar este método porque tenho receio que o coco perca alguma propriedade com o calor.

 

A polpa do coco é muito rica em flavonoides.

Os flavonoides previnem e ajudam a combater tumores, reduzem o risco de cancro, têm uma ação anti-bacteriana, anti-viral e anti-inflamatória.

Estimulam o fígado e reforçam o sistema imunitário.

 

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Não é preciso tirar a parte castanha da polpa.

É um excelente snack para levar para o trabalho.

Para um lanche. Ou até para acompanhar uma refeição. É muito refrescante...

É tudo de bom.

Experimentem!! E vão ficar surpreendidos com o sabor que é diferente daquele que associamos ao coco.

 

22
Mai17

por terras de sua majestade....

Joana Marques

Em Fevereiro deixei o meu emprego numa empresa Portuguesa.

E aceitei trabalhar para uma empresa Inglesa.

Já sabia que ia trabalhar entre Oslo e Barcelona.

Acabei por me sediar em Oslo. O trabalho rende mais...

Terei de ir a Londres de vez em quando.....e isso é mesmo, mesmo chato!

Não é nada!

Adoro Londres...

Uma cidade cheia de vida.

Onde estuda e mora a minha sobrinha Madalena.

 

Estou em Londres. Cheguei ontem à noite.

E amanhã pelo entardecer regresso a Oslo.

O Vasco está comigo....pois claro!

Ficou em casa da minha sobrinha. E tanto quanto sei ainda não há nenhuma surpresa desagradável!

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Aqui está um poster alusivo à nossa passagem por Londres.

Obrigada, João!

Já viram o post hoje, do João?

Da raposa que encontrou em Boston?? Vejam lá!

22
Mai17

Vasco, o cão bipolar...

Joana Marques

Quando os meus tios chegaram e o Vasco os viu, foi só amor e carinho.

Ele deu beijinhos, deixou que lhe fizessem festinhas, deu a pata. Um querido!

A minha tia em pleno parque disse para o meu tio:

- Nem sei porque não temos um cão!

Tal foi o amor à primeira vista pelo Vasco.

Ao que o meu tio respondeu.

- Realmente, bem que podíamos ter um.

- É só chato quando saímos. Disse a minha tia.

- Deixamos com um dos miúdos. Respondeu o meu tio.

Dizer que os miúdos são os meus primos, um tem 40 anos e o outro 42.

 

Chegámos a casa.

Preparei o jantar.

Vasco, o amoroso e bem disposto.

Durante o jantar, esteve sempre em local estratégico.

A ver se lhe chegava alguma coisa.

Como sabe que eu não dou.

Vagueou entre a minha tia e o meu tio. Caíram que nem uns patinhos.

- Tão querido o teu cão, Joana! Disse um e depois o outro, sempre babados com a receção.

 

No dia seguinte, eu fui trabalhar e os meus tios já tinham o dia todo planeado.

Dei-lhes uma chave que tinha a mais. Para o caso de quererem voltar antes de mim.

Quando cheguei a casa nem vestígio dos meus tios.

 

Até que chegaram.

Com uma história para contar.

Tinham tentado ir a casa. Para lanchar e descansar um bocado.

O Vasco, apareceu do outro lado com um tom ameaçador.

Rosnava e ladrava.

Acabaram por desistir.

- Para a próxima, entrem à mesma. Nem sei o que lhe deu. Ele não faz mal a uma mosca.

- Talvez. Mas tivemos mesmo medo.

Dizer que por esta altura já o Vasco andava a fazer olhinhos de cão aos meus tios.

Um fofo. Este cão.

- Realmente, ele é tão querido. Fomos mesmo medricas. Disse a minha tia.

Jantar. Pedinchou comida ou não se chamasse Vasco João Marques!

 

No dia seguinte, sexta-feira. Acordei cedo como de costume. Fui ao ginásio do meu prédio.

Subi as escadas novamente.

Reinava a paz em minha casa.

Vasco no seu sofá. Todo estendido.

Os meus tios a acordar.

Tomei banho.

Eles também.

Eu com mais pressa porque ia trabalhar.

Tomei o pequeno almoço.

Lavei os dentes.

E depois vesti-me.

Estava pronta.

 

Saí. Quando saí os meus tios ficaram a tomar o pequeno almoço.

Passados uns 3 minutos recebo uma chamada.

O meu tio:

- Podes voltar a casa Joana, o Vasco encurralou-nos na cozinha.

- Como?

- Estamos fechados na cozinha.

- Como assim? Não conseguem abrir a porta??

- O Vasco encostou a porta e não conseguimos sair da cozinha. Mostra-nos os dentes e rosna. Podes vir cá?

Voltei.

Estavam as três almas na cozinha.

Não cheguei a ver o Vasco a rosnar.

Quando sentiu a minha presença ficou outra vez doce.

Para não haver mais contratempos e para os meus tios estarem à vontade fez-me companhia no trabalho.

 

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Querem amolecer o coração de um norueguês.

Sejam simpáticos? Não.

Ofereçam mousse de manga? Melhora um pouco mas não..

....Tenham um cão querido, fofo e amoroso para lhes apresentar!

Vasco João Marques foi uma simpatia no trabalho! E toda a gente gostou de um conhecer!

Um experiência a repetir.

20
Mai17

a importância de ler um rótulo...

Joana Marques

Durante anos e anos andei ao sabor do vento...

Como quem diz, despreocupada com o que comia, com o que comprava.

Quando fiz o meu teste de intolerância alimentar comecei a ter de ler os rótulos.

Nos primeiros tempos passava horas no supermercado a lê-los.

E comecei a perceber, que às vezes compramos presunto que tem ovo. Ovo??

E a gelatina de sempre, afinal tem leite.

Tantas surpresas desagradáveis que tive na altura.

Depois de várias sessões a ler rótulos passei a saber o que comprar.

 

Muitos alimentos parecem saudáveis.

Muitos alimentos são-nos apresentados como saudáveis.

E como passaporte para a felicidade, juventude e vida eterna.

É claro que isso é impossível.

Se tudo correr bem vamos ficar velhos. É a vida!

Ao contrário do que os mais jovens possam pensar, ser velho não é sinónimo de ser infeliz, pelo contrário.

Se for saudável, tiver interesses na vida poderá ser uma fase muito boa. Não ter de picar o ponto é outro nível.

Chegar a velho, tomar 12 comprimidos por dia, ter diabetes e osteoporose se calhar já não é assim tão bom.

 

É, enquanto jovens que devemos pensar nisto.

Tal como fazemos um PPR para assegurar a reforma.

Que tal fazer um seguro de saúde a sério.

Exercício físico, boa alimentação e um estilo de vida saudável. Estar atento, ler muito e obter toda a informação possível é o caminho.

E sim, ter saúde dá trabalho. Mas com o tempo e com a prática começamos a simplificar os processos.

 

 

Agora que mudei novamente a minha alimentação.

Estilo paleo.

Deixei de comer alimentos processados.

Ou quase.

Tento comprar alimentos apenas com um ingrediente, só em casos especiais dois ingredientes.

Um alimento é como um casamento, 3 é demais!

Por exemplo: manteiga de coco que tenha como ingredientes: coco, agave e óleo de palma, já não compro.

Prefiro fazer em casa.

Comprar o coco, só coco. E fazer eu.

 

Façam o exercício, na próxima vez que forem ao supermercado, leiam o rótulo do chocolate que costumam comprar. Se tiver muitos ingredientes, desconfiem.

 

Uma amiga minha, esta semana esteve numa conhecida loja de produtos naturais e saudáveis e enviou-me alguns rótulos.

Alimentos caros, caríssimos.

Se lermos os rótulos, percebemos que são pobres nutricionalmente.

Não é por estar naquela loja ou na área saudável do supermercado que é saudável.

É claro que a loja também tem produtos bons.

Temos de ler os rótulos.

E decidir.

 

E o preço? Caro não é sinónimo de bom!

Uma laranja é mais barata que o nectar empacotado. A laranja é mais saudável!

Lembrem-se de descascar mais e desembalar menos.

 

O mais escandaloso rótulo foi este: uma bebida vegetal de amêndoa.

O chamado leite de amêndoa.

Com 2% de amêndoa.

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Se formos criteriosos nas nossas escolhas as marcas e as lojas também se adaptam.

E teremos melhores produtos.

19
Mai17

sabiam que...#2

Joana Marques

A banana!

Tem níveis de potássio elevados que contribuem para uma tensão arterial equilibrada.

Tem fibra e por isso está indicada para digestões mais fáceis. Sacia.

Faz com que os intestinos funcionem como relógios suíços.

Até porque é uma fonte generosa de prebióticos que ajudam a manter as bactérias fofinhas que vivem nas nossas entranhas.

 

Se quiserem  estar acompanhados de bactérias demoníacas comam açúcar.

Se quiserem estar acompanhados de  bactérias queridas, fofas e amorosas comam bananas. E não só!

 

A banana contém frutooligossacarídeos, que nos ajuda, a absorver alguns nutrientes como o cálcio e o magnésio.

Contém vitamina A que nos protege a visão. E uma pessoa não vai para nova.

Diz que comer uma banana por dia pode liquidar o stress, porque tem triptofano que no nosso corpo é convertido em serotonina.

Comer uma banana é dar ao nosso corpo uma energia sem fim.

Fortalece o sistema imunitário porque tem vitamina c.

Tem uma outra grande vantagem.

É uma fruta arrumadinha e sossegada.

Pode ir connosco para qualquer lado.

É só descascar e comer...

 

Panquecas de banana

2 ovos

uma banana

5 a 6 colheres de sopa de farinha de amêndoa

(se não gostarem do sabor da farinha de amêndoa substituam por outra mas tenham atenção às quantidades que podem não ser as mesmas)

Juntar tudo. Podem passar pelo liquidificador.

Colocar pequenas porções de massa numa frigideira anti-aderente.

Deixar cozinhar lentamente.

Se apressarem as panquecas, vingam-se!

Desfazem-se, ficam feias e queimam....

 

À parte:

Uma colher de chá de óleo de coco.

Cortar um pêssego aos bocadinhos.

Reduzir.

Podem polvilhar com canela.

Colocar este preparado entre as panquecas.

E o que sobrar por cima.

Decorei com frutos vermelhos.

 panquecasbanana.jpg

Foi o meu pequeno almoço na quarta-feira!

E gostei!

 

Se fazem receitas espetaculares, ou qualquer outro trabalho a nível manual: tricot, costura, pintura, etc; o grupo handmade life é para vocês!

Não se esqueçam de aderir!

Tem graça se formos muitos....

18
Mai17

aconteceu mesmo.....

Joana Marques

O meu tio João, irmão da minha mãe morou muitos anos nos EUA.

Foi para lá estudar gestão. E ficou.

Apaixonou-se. Casou-se. E teve dois filhos.

 

Em 1986, o meu avô materno decidiu que já era tempo de se retirar das empresas.

Falou com os filhos todos e ninguém manifestou interesse em ficar no lugar dele.

Eram empresas da família que ninguém queria ver geridas por estranhos.

Vender? Também não era solução. Ninguém via com muito bons olhos a venda das empresas.

Estávamos num impasse. O que fazer?

Fomos salvos pelo meu tio João.

Voltou para Portugal com a mulher, a minha tia Ingrid e com os meus primos.

 

Chegaram em Abril de 86.

Primeiramente, ficaram em casa dos meus avós mas pouco depois arranjaram casa própria no Porto.

A minha avó Adélia, conservadora e 100% devota descobriu que o filho tinha casado apenas pelo civil.

E não, os meus avós não tinham ido ao casamento. Primeiro porque as viagens eram um pouco diferentes do que são hoje mas principalmente porque a minha avó não entrava num avião nem que estivesse em coma.

 

A descoberta de que o filho e a nora, já com dois filhos, não estavam casados pela igreja foi como se lhe tivessem arrancado um rim, a sangue frio. E tratou logo disso.

Nem se preocupou em perguntar ao casal, se por acaso estariam interessados em casar pela igreja. Não!

Arranjou tudo por ela e comunicou-lhes: dia 17 de Maio têm casamento marcado na Igreja de Santa Luzia em Viana do Castelo.

A minha avó já tinha organizado tudo. A parte religiosa, o copo de água e os convites.

O meu tio João e a minha tia Ingrid estavam-se nas tintas se casavam ou não. E não quiseram entrar em confronto. Aceitaram.

 

 

No dia 17 de Maio de 1986 tinha 5 anos.

Estava numa fase muito glamourosa da minha vida.

O meu pai tinha-me levado ao aeroporto, uns meses antes, para ver os aviões levantar voo.

A partir daquele dia comecei a dizer que queria ser um avião.

 

Três dias antes do casamento, Joaninha experimentou voar.

Em plena rua Ferreira Borges, em Campo de Ourique, atirei-me do cimo de uma árvore.

Foi a primeira experiência que fiz do género.

Mal sucedida.

Joaninha não voou.

Por acaso até voei mas não da forma como estava a imaginar.

O meu irmão que assistiu a todo este espetáculo levou-me para casa.

A minha mãe quase teve um ataque cardíaco.

Nas vésperas do casamento do irmão, a menina das alianças, eu, estava assim. Sem ponta por onde pegar.

Um galo na cabeça. Os joelhos esfolados. Os cotovelos todos raspados.

- O que raio é que te aconteceu?

- A Joana caiu. Respondeu o meu irmão. Sem referir que tinha caído de uma árvore.

Eu chorava. Tudo me doía...

Ou melhor. Eu não chorava. Eu berrava....

- Ai Deus mas como é que a Joana vai entrar na igreja neste estado. Atirava a minha irmã.

Tudo tem solução, menos a morte e eu ainda estava viva.

Aliás, até estava muito viva, pelo menos sentia muito bem as dores.

A minha mãe passou a noite a baixar a baínha do meu vestido. Branco. De princesa.

Eu a experimentá-lo para ver se se via os joelhos esfolados.

E a minha irmã passou a noite a aplicar-me gelo na cabeça.

Pomada às toneladas.

E mais gelo.

E pomada.

O galo acabou por ceder.

Sexta-feira quando rumámos até ao norte, mal se notava. E o vestido tapava os joelhos.

Mau, mesmo, é que a minha mãe não tirava os olhos de mim.

Medo que eu fosse contra uma árvore ou um poste de eletricidade.

 

O casamento era às 10h.

Chegámos um pouco antes.

A noiva atrasou-se imenso.

Não por ser noiva mas porque a minha tia Ingrid era mãe.

E uma mãe é uma mãe, mesmo no dia do casamento.

A minha avó Adélia espumava.

E a minha mãe sempre a controlar-me.

Quase morri de tédio.

Eu era a mais nova dos meu primos.

Eram todos rapazes excepto a minha irmã que já tinha 15 anos.

Ninguém me ligava.

Estava vestida de branco para levar as alianças.

E com a minha mãe sempre a olhar para mim.

Só que Deus é grande. E é meu amigo.

A minha avó Adélia chamou a minha mãe.

- João toma conta da Joana. Disse a minha mãe ao meu pai.

Ah! Estava entregue aos cuidados do meu pai. E queria ser um avião.

Não me dava por vencida.

Falhei à primeira mas não ia falhar à segunda.

Já tinha debaixo de olho um muro, capaz de testemunhar tamanha façanha. Aquele muro ia ver-me voar!

E sem o meu pai dar conta. Afastei-me. Subi ao muro. E atirei-me.

Voei??? Podemos falar sobre isso noutra altura?

 

Em menos de nada tinha ao meu lado a minha família toda.

A minha mãe desvairada.

- JOOOOOOOÃO foi só por um minuto! O que raio é que estavas a fazer??? Esta miúda precisa de 20 olhos nela..

Tentaram levantar-me mas tinha dores horríveis.

Estava paralisada do lado direito. Não me conseguia mexer.

Chamaram uma ambulância. Não havia telemóveis e foi também todo um filme.

Fui para o hospital.

Tinha a clavícula partida.

Escusado será dizer que a minha mãe, o meu pai e os meus irmãos não foram ao casamento do meu tio João.

Fiquei em observação mais um tempo. Como tinha ficado meia paralisada queriam ter a certeza que não era nada.

 

À tarde. À tardinha.

Apareceu o meu tio João e a minha tia Ingrid. Já casados.

Trouxeram-me uma fatia de bolo. Partiram o bolo de noiva mais cedo para eu poder comer.

E o meu tio João para me reconfortar disse-me assim:

- Joaninha, não estejas triste. Fica aqui combinado. No dia 17 de Maio de 2017 vamos todos comer bolo.

-?

- Em 2016 fazemos 30 anos de casados é uma data redondinha. Em 2017 fazemos 31. Comemoramos contigo...

- Ainda falta tanto!

Ao longo da nossa vida fomos falando sobre isso. Sempre a rir.

- Não se esqueça, tio, 17 de Maio de 2017!! Disse-lhe eu quando tinha 10, 15, 20 ...30 anos.

- Então Joaninha, não te esqueças dia 17 de Maio de 2017!! Dizia-me o meu tio pelos Natais, anos e sempre que falávamos ao telefone ou estávamos juntos.

Parecia algo inatingível.

Parecia impossível de alcançar. Tal e qual como eu querer ser um avião.

 

Ontem já passava das 16h e estava num parque aqui de Oslo. Para quem conhece Oslo estava no parque das esculturas. Recebo uma mensagem do meu tio João.

- Então Joana, como estás? Por onde andas?

- Estou bem.

- E onde estás?

- Estou em Oslo.

- Eu sei que estás em Oslo! Estás em casa?

- Não. Estou num parque.

- Como se chama o parque?

- Vigeland.

Estranhei...mas...

 

Qual não é o meu espanto quando passado uns 20 minutos recebo um telefonema.

- Ainda estás no parque?

- Estou.

- Nós estamos aqui junto a umas escadas que estão rodeadas de estátuas. Sabes onde é?

- Na Noruega?? Têm a certeza? Vocês estão em Oslo?

Respondi eu. Mesmo não acreditando já ia a caminho.

Com passo apressado a puxar o Vasco. Lento. Lentinho. O meu caracolinho....

- Joaninha. Hoje é dia 17 de Maio de 2017. Esqueceste-te?

 

E pronto.

Era uma vez, uma Joana que nunca conseguiu ser um avião. Mas que por ter tentado ser um, estava prestes a viver um momento tantas vezes falado mas assim mesmo...muito inesperado!

E ao longe avistei o meu tio João e a minha tia Ingrid.

E só tive tempo de me atirar para cima deles. Ninguém partiu a clavícula desta vez...

Comemorámos juntos os 31 anos de casados.

Comemos uma iguaria norueguesa que tem todo o aspeto de ser uma porcaria feita de batata mas era um dia especial!

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E depois jantámos em minha casa.

 

Ontem foi a prova de que os milagres podem acontecer.

Mas para acontecerem temos de lhes dar uma mão?

Uma clavícula?

Não. Não!

Temos de querer ser um avião!

17
Mai17

como um camião TIR. Desgovernado...

Joana Marques

Desde que sou pessoa que tento organizar a vida de toda a gente.

Tenho uma parte. Uma parte grande. Que pensa que a felicidade do mundo depende de mim.

Nasci controladora.

Se o nível de controlo fosse medido em monumentos. Eu seria a Capela Sistina.

 

Lembro-me da minha mãe separar a roupa do meu irmão e eu lhe dizer:

- Essas calças ficam mal com essa camisola.

E o pobre do meu irmão ficava meio aparvalhado...

- Ó mãe não quero estas calças..

A minha mãe tentava convencer o meu irmão...

E eu olhava para ele, sem a minha mãe ver, e abanava a cabeça.

- Mãe não posso ir assim..

Era impossível para mim ver o meu irmão mal vestido e não intervir...

E instalava-se o caos de manhã. Devia ter uns 4, 5 anos...

 

Ia para o infantário.

E claro, era a porta voz de todos os miúdos.

Mais depressa vinham ter comigo porque precisavam de ir à casa de banho do que com a educadora.

A Mariana não gostava de sopa.

Eu, Joana resolvia o problema.

Comia a dela e a minha. Nunca ninguém desconfiou.

 

Na escola primária era mais do mesmo.

Esta minha forma controladora de ser nunca me deixou.

As melhores alunas da turma era eu e a Maria João.

Eu tirava melhores notas mas ela portava-se melhor.

Antes das aulas começarem, todos os dias, partilhava o meu trabalho de casa com os meus colegas.

Um de nós ficava feito suricata à espreita da Maria João. Se ela soubesse acusava a turma toda.

Quando alguém não sabia responder.

Cá vai! Respondia eu. A professora ralhava.

Se fosse preciso logo de seguida fazia o mesmo.

Não para brilhar.

Ou para a professora achar que eu era um génio. Nunca fui.

Era para tirar a pressão dos meus colegas.

Se eu respondesse, o foco vinha para mim e eles podiam respirar.

 

Quando cresci e mudei de escola continuava a partilhar os trabalhos de casa e não só.

Aqueles colegas desprovidos de qualquer espírito artístico e que se viam à nora nas aulas de Educação Visual podiam contar comigo.

Fazia desenhos em série em casa.

Todos diferentes para o professor não desconfiar.

 

E assim foi sendo a minha vida.

Tens um problema?

A Joana resolve. A Joana faz. A Joana decide.

O não puder ajudar corrói-me. Não é fácil ser a Capela Sistina...

É claro que com a idade uma pessoa vai aprendendo a gerir melhor.

Mas a controladora, está cá!

 

Cheguei, à Noruega. Aqui no trabalho, o que é que eu encontro?

Pessoas que se alimentam mal.

Ó diabo.

Respirei fundo várias vezes.

- Joana, finge que não vês...

- Ok! Eu estou a fingir que não vejo.

- O que é aquilo??? Uma sandes ao almoço, outra vez??

- Não é da tua conta...

- Eu sei que não é da minha conta...coitadinhos..credo! O que é aquilo?? Uma panqueca de batata???

- Não te interessa. Come e não olhes para a comida dos outros. Não és mãe deles...

- E será que estas pobres almas têm mãe??? Ia jurar que nasceram de geração espontânea. Sem pai, sem mãe. Das pedras da calçada...ou das couves.....só assim se explica...

 

Fiz das tripas coração....

A sério...

Eu tentei....controlar a fera que há em mim...

 

Deus é testemunha em como tentei...

Mas não deu....

A minha natureza controladora, apareceu.

E apareceu de forma imparável...

...em modo camião tir desgovernado....a 200 km/hora...

 

Na segunda à noite fiz mousse de manga a contar com os meus colegas.

Ofereci a todos.

Ficaram meio aparvalhados. Já se sabe que os noruegueses são bichos do mato...

No meio da conversa deixei escapar que em Portugal é comum as pessoas falarem umas com as outras.

Chama-se conviver.

Sem acharem que queremos casar com elas. Disse isto a olhar para o Hans!

 

A minha chefe perguntou-me como se fazia a mousse.

- Para cada manga, 10 cl de leite de coco.

- coco??

- Sim, coco...

- Ah!

Sai confusa. Entra com um creme.

Num país onde se vendem ovos em pacotinhos tipo leite pasteurizado, em que duas colheres de sopa equivale a um ovo.

É perfeitamente plausível que o coco para eles seja uma bisnaga de creme para as mãos.

Trouxe-lhes um coco. Verdadeiro.

Tive medo que pegassem na manga e a besuntassem com creme de mãos....isto é se souberem o que é uma manga.

 

E percebi porque é que tinha de vir trabalhar aqui.

- Esta gente estava mesmo a precisar de uma mãe.

.....digo eu...Capela Sistina...

Quem será a próxima vítima...o camião Tir anda por aqui e por aí.....

16
Mai17

bem-vinda. Joana.

Joana Marques

Sexta-feira passada foi um dia enorme.

Fui trabalhar.

Saí do trabalho a pensar que me ia pôr à estrada.

Só que estava à espera de uma amiga para me acompanhar e o avião dela atrasou para níveis nunca esperados.

Quando estava a preparar tudo para levar para a cabana o Vasco deu o ar de sua graça.

Só vejo a voar 3 garrafinhas com leite de coco.

Vidro por todo o lado.

Leite de coco atirado num raio de 200 000 km.

Toda a cozinha cheira a coco...o que não era nada desagradável!

Tive de pegar nos 30 kg de Vasco e fechá-lo no quarto. Tinha medo que se cortasse nos vidros.

Depois de ter passado a cozinha toda a pano, soltei a fera que passa a cozinha toda a língua.

 

Já tarde vou buscar a minha amiga ao aeroporto. Ainda lhe pergunto se quer só ir de manhã. Diz que não.

Seguimos para o fim do mundo.

 

O carro tinha gps e eu decorei: direita e esquerda em norueguês.

Detesto gps's. Odeio-os.

Têm a mania que sabem tudo.

E ainda por cima nunca se calam.

E isso é insuportável!

Para falar pelos cotovelos estou lá eu.....

 

Tinha dito à minha amiga e a todas as pessoas que tinha falado nesse dia que ia demorar uma hora e meia...afinal tinha-me enganado. Demorámos quase 6.

Chegámos de madrugada. Ao fim do mundo. A uma cabana sem luz. E temperaturas negativas. Foi lindo...

Tinha levado lanternas porque na imobiliária onde aluguei a cabana deram-me uma lista de coisas que eram imprescindíveis.

E a lanterna constava em primeiro.

O Vasco mal chegou apoderou-se do sofá. Aconchegou-se. E dormiu.

 

Eu e a Mafalda andámos um bocado à nora.

Em baixo era a sala e a cozinha.

Em cima os quartos.

A cabana tem um sistema de aquecimento. Uma lareira na sala. E está preparada para enviar calor para toda a casa.

Estava frio. Muito frio.

- Joana, e se acendêssemos a lareira. Disse a Mafalda.

Não concordei.

Ainda não dominava o local.

Tive medo de morrer de noite por inalação de monóxido de carbono.

E não era fixe morrer ali. No fim do mundo.

Ainda por cima agora, que sou paleo, e que vendo saúde.

Morrer não estava definitivamente nos meus planos.

- Não. Os edredons são bons! embrulha-te toda. Deixa o nariz de fora!

E assim foi. Eu num quarto. A Mafalda noutro. O Vasco no sofá.

 

Entretanto no meio do meu sono. Ouço um barulho. Meio estremunhada acordo. Sem saber bem onde estava.

Alguém batia à porta da cabana.

Lá desço as escadas.

Vasco tem apenas um olho aberto. Grande guarda.

Completamente a dormir, desgrenhada e a sonhar, abro a porta.

 

Atiro um grito. Ou vários.

Acho mesmo que foram muitos gritos.

Não sei o que estava a sonhar.

Apanhei o susto maior da minha vida

Estava um homem à minha porta e eu achei que era o Trump.

 

Nem percebi o que se passou a seguir.

O homem assustou-se com a minha reação.

E atirou-me um cesto para as mãos.

Eu falava em português e ele em norueguês.

E foi-se embora. Entrou no carro e foi.

E de repente..sai da minha porta um cão...elouquecido e a rosnar. Atrás do homem...

Sim Vasco...ainda vais a tempo. Corre, Vasco! Corre....

 

Mais tarde encontro o senhor no café onde vi a eurovisão. Fartamos-nos de rir....

E quando lhe contei que me tinha assustado porque tinha achado que ele era o Trump...o café quase veio abaixo.

O senhor só me queria entregar um cesto de boas vindas.

E eu também lhe dei as boas vindas....mas de uma forma diferente.

 

15
Mai17

cuidado! Estou armada...

Joana Marques

No final do mês de Abril, os meus pais, irmão, cunhada e sobrinhos estiveram aqui em Oslo.

O meu pai fazia anos e aproveitámos para estar juntos.

O meu irmão, cunhada e sobrinhos ficaram só o fim de semana porque os pequenos têm aulas e faltar não é opção.

No dia em que chegaram demos por aqui uma volta e levei-os a um centro comercial.

Nada como o Colombo. Nada disso. Muito mais pequenino e familiar.

O meu pai disse aos meus sobrinhos algo que me fez viajar no tempo:

- Escolham lá o que quiserem.

Quando nós íamos de férias. O meu pai dizia-nos isso às vezes:

- Escolham o gelado que quiserem.

Os meus sobrinhos obviamente não se fizeram rogados mas o meu pirolito mais pequeno respondeu ao meu pai:

- E a tia Joana? Não pode escolher o que quiser?

Até me faltou o ar. E disse-lhe:

- Eu sou adulta. Quando era pequena também escolhia, agora é a tua vez e da mana...

O pirolito não se conformou. E não descansou até o meu pai dizer:

- Pronto! Escolham todos qualquer coisa....

 

A minha mãe escolheu uma caixinha para colocar anéis muito gira.

A minha cunhada escolheu um colar muito giro.

O meu irmão escolheu um carrinho muito giro

E eu.....escolhi uma pistola de cola quente, muito gira!

 

colaquente.jpg

Andava-me a fazer tanta falta para organizar as gavetas aqui de casa.

As gavetas a abarrotar e que ameaçam vomitar este mundo e o outro e mais um par de botas. Tiram-me do sério.

O primeiro segredo é não ter conteúdo a mais.

Se só usar 10 pares de meias por semana.

Tenho na gaveta 11, para uma eventualidade e o resto está noutro lado.

 

O segundo segredo é:

- cortar tiras de feltro.

- com a pistola de cola quente colar as laterais e o meio.

- depois é só colocar na gaveta e arrumar o conteúdo nestas pequenas bolsas.

 

gaveta.jpg

Aqui está a minha gaveta de camisolas de alcinhas.

Também uso este método na gaveta das meias e na roupa interior.

Podem ver neste vídeo uma demonstração.

É parecido com o que fiz.

Só que eu fiz dois a dois e neste caso colam várias folhas de feltro juntas.

Não uso o feltro com 20 cm de altura como no vídeo. Uso conforme as peças.

Aqui para as camisolas sim. Se forem peças mais lingrinhas 10 cm é suficiente.

O meu método é mais flexível e dá para adaptar a várias gavetas e a várias peças.

Como podem ver, estou mesmo armada.

Em parva!

Nada de novo....na quiosquolândia!

 

14
Mai17

da Noruega para Portugal. Com Amor!

Joana Marques

Segunda feira não trabalho e por isso aproveitei para passar o meu primeiro fim-de-semana fora.

Combinei com uma amiga, portuguesa, que chegou na sexta.

Alugámos uma cabana.

Para podermos viver a Noruega tal como ela é.

Num local sem eletricidade.

E sem televisão.

Sem internet.

 

Para me ligar ao mundo tenho de ir ao café local. Um pouco distante da cabana. Uns 15 minutos de carro.

Depois de termos passado um dia a explorar e a viver o local passámos pelo tal café para dar notícias.

Ligámos à família, trocámos sms com amigos, etc.

No café, muito mais afáveis que as pessoas de Oslo, convidaram-nos para nos juntarmos a eles à noite, para vermos a Eurovisão.

Falámos uma com a outra, perguntei se o Vasco podia estar com connosco. Resposta afirmativa.

 

Já não via a Eurovisão há demasiados anos.

E este ano só tive vontade porque estava fora.

E quando estamos fora sentimos o país de forma diferente.

 

Ouvi pela primeira vez a música do Salvador esta semana. Lá está, porque a Eurovisão já não me dizia nada.

Quando ouvi a música achei o arranjo musical muito bom.

A letra muito bonita.

É tudo muito simples.

A voz enquadra-se na perfeição, na música.

Achei o Salvador muito peculiar.

No início estranhei mesmo...

 

Vi a Eurovisão, aqui, no fim do mundo, acompanhada de uma portuguesa, a minha amiga e de muitos noruegueses.

Quando o Salvador cantou chorei que nem uma Madalena.

Afinal estou longe. E as saudades são tantas!

Vibrámos todos com a canção portuguesa e claro com a da casa. Que também se ouve bem.

Votámos em peso, em Portugal.

Neste café, norueguês, onde ainda estou, a escrever este post, votámos apenas e só em Portugal.

 

Sofremos todos.

No fim do mundo, numa terrinha perdida na Noruega, gritámos por Portugal.

Foi um dos dias mais emocionantes da minha vida!

Rimos.

Chorámos.

E no fim ganhámos.

 

 

Obrigada!

Gil Vicente!

Camões!

Fernando Pessoa!

Obrigada, Luísa Sobral!

A língua portuguesa é a mais bonita do mundo....

 

Festejámos diante de travessas cheias de bacalhau!

Senti-me em casa.

Fomos um país só....Portugal!

bac.jpg

 

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