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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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22
Ago17

quiosquianos. Atenção!

Joana Marques

Adoro este espaço.

O sapo blogs tem sido a minha casa desde há um ano e pouco.

E desde o primeiro dia que me sinto bem....

Tem sido perfeito. Tudo funciona bem!

Para além de ter o blog. Se tiver alguma dúvida ou algum problema temos uma equipa que nos ajuda a resolver aqueles pormenores...que para nós são importantes.

 

Logo no inicio aparecia no final dos meus posts a palavra "gravar". Era estranho. Muito estranho.

E quem me ajudou nessa altura?

A equipa do sapo blogs.

E! Resultou...claro!

Esta ajuda faz a diferença entre esta plataforma e as outras.

 

Pois bem, esta equipa não satisfeita e insatisfeita, não dorme em serviço.

E por isso, volta e meia tem novidades.

Boas.

Facilitam-nos a vida. A nós que escrevemos o blog. E a vocês que passam por cá.

Se quiserem comentar algum post vão perceber que o formulário, aqui do Quiosque, está alterado.

Está mais simples.

Com bom aspecto.

Muito funcional.

Quem não tem conta no sapo pode a partir de agora comentar os posts a partir do perfil de facebook.

 

Podem ler aqui o post escrito pelo Pedro do sapo.blogs para ficarem a par das novidades.

 

Espero sinceramente que usem e abusem do novo formulário.

Sem vocês isto não tem graça nenhuma....a sério!!

Pode acontecer, nesta primeira fase detetarem alguma anomalia.

Se assim for por favor, digam-me para eu poder reportar a quem percebe mesmo disto.

 

Como forma de testar o novo formulário, dar-lhe as boas vindas e honrar o trabalho da equipa do sapo.

Aqui está um desafio!

 

Numa palavra, como descrevem o indivíduo que aparece na fotografia??

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22
Ago17

beijos de algodão! Quem os não quer??

Joana Marques

Principalmente estes!

Beijos de Algodão é o projeto da Sandra.

A Sandra tem 43 anos. E é licenciada em Design de Comunicação Visual. Casada. Uma filha.

Em 2008 nasceu este projeto. E a Sandra faz tudo. É a responsável pela criação, ilustração e design de todas as peças.

A ilustração faz parte de quase todos os minutos da sua vida. E é assim que se sente bem...

O seu trabalho e em especial a marca que criou tem várias valências:

Artigos de Papelaria. Postais. Marcadores de livros. Cartões de prendas. Pins.

Ilustrações personalizadas. Convites de casamento. Batizado. Comunhão. Aniversário.

Aguarelas personalizadas.

Todo um mundo de cor. De beijos. E de algodão.

O que se segue é uma pequena. Muito pequena amostra. Foi difícil escolher. Gosto de tudo!

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E o meu preferido de todos os preferidos.

Ena! Tantos....

 

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Muitas vezes questiono-me. Porque raio andamos nós a comprar produtos no exterior. Quando em Portugal temos pessoas a trabalhar como a Sandra trabalha. Parabéns!

Podem conhecer todo o trabalho da Sandra.

No blog.

No Instagram.

No Facebook.

E não se esqueçam de espreitar os produtos disponíveis na sua loja online.

 

 

Têm ou conhecem algum projeto. Querem que apareça por aqui? enviem um email para: joanatmarqueshr@sapo.pt

 

Não se esqueçam de acompanhar o nosso grupo handmade life no facebook!

 

 Nesta rubrica do Quiosque:

conheçam. A Cutchi

conheçam. A Feltros Linhas e Cia

conheçam. A Marta e o seu projeto.

21
Ago17

ao serviço de sua magestade...

Joana Marques

Cheguei a Oslo no Sábado. A meio da manhã.

Trazia comigo uma mala, com rodinhas. E, claro. O Vasco.

Quando o fui buscar. Contente da vida. Pregou-me uma lambidela na cara. E quando me apanhou distraída quase me fez despenhar dos meus saltos. E toma lá outro beijinho.

 

Fui a pé para casa.

15 minutos do aeroporto até casa.

O trauma da primeira vez que aqui estive. Ainda não foi superado. Os preços dos táxis são proibitivos.

Pensei. 15 minutinhos. A passear por Oslo. Com calma. É mesmo disto que preciso.

Sim?

Não!

 

O Vasco gosta de Oslo. Pelo menos parece. E quando se apanhou fora do aeroporto.

Corre. Corre. E corre.

E Joana. Corre. Corre. E corre.

E a mala com rodinhas?

Corre. Tropeça. Faz barulho. Corre. Tropeça. Corre.

E onde estão a rodas??

Esquece as rodas, mas é....corre atrás do cão. Ainda chegas a casa sem ele....

E foi assim....

 

Deveriam ser 15 minutos. Foram uns 10....

Nada mau. Precisava mesmo de chegar a casa. Arrumar o mais urgente. E descansar.

A semana passada. Aquela viagem a Edimburgo. Acabou comigo.

O atentado em Barcelona deixou-me sem dormir. Precisava MESMO descansar. Relaxar.

 

 

Vasco entra em casa tresloucado e atira-se para cima das almofadas da minha cama.

Prepara-se para dormir. Só que nitidamente precisa de alguma coisa.

Guincha. Gane. Pede-me...

..Ah! Pois. Nestas alturas não dorme sem o ursinho dele.

Este Vasco. Não é bem um cão. É mais um filho.

Desfaço a mala.

Tiro tudo cá para fora.

E toma lá o peluche.

 vasco (3).jpg

Dorme.

Arrumo tudo.

Como qualquer coisa. Sentada no sofá. Nem televisão. Porque nem consigo ouvir nada. Só silêncio.

Ouço passos.

Na cozinha.

E depois ....

...uma lambidela na cara. Com um ganido. Puxa-me. Até à cozinha.

Percebo que algo se passa com a tigela da água.

Estranho. Água acabada de pôr.

Nitidamente não está ao gosto de sua excelência.

Deito a água fora. Ponho água nova.

Não.

Deito a água fora. Arranjo outra tigela. Deito água.

Não.

Fez-se luz. Em Barcelona. Estava calor. E eu, colocava-lhe umas pedras de gelo na água.

MAS EM OSLO NÃO ESTÁ CALOR...

Seja feita a vossa vontade. Saiem dois cubos de gelo para a tigela do cão.

..........water on the rocks.

 

Volto para a sala.

Ele volta para o aconchego da cama. A minha.

Ressona.

E sonha.

Ouço passos.

Lá vem ele.

Puxa-me para a cozinha.

E fica voltado de frente para a porta do frigorifico.

Já sei. Quer uma cenoura.

Romeu, o coelho não gosta de cenouras. Vasco, o cão gosta de as roer. O mundo está virado do avesso, é o que é.

Tiro a cenoura. Lavo a cenoura. Dou-lhe a cenoura. E ele fica feliz da vida com a cenoura.

Volto para a sala.

O cão, depois de roer a cenoura, volta para os seus aposentos. Que por acaso são meus.

 

 

Quando volto a entrar na cozinha. Ó jaaaaaasus.

Parecia que tinha sido marcada para a minha cozinha o sacrificio anual das cenouras.

O chão da cozinha estava todo laranja.

Toca de limpar. Esfregar. Até o chão voltar à cor original.

 

Comecei a fazer o almoço.

O cão dorme.

Vou começar a comer.

O cão aparece com a trela na boca.

Parece ser uma emergência. Liquida ou sólida. Ou as duas.

Pego no cão. Desço as escadas.

O cão despacha-se. Mas ainda damos uma volta.

 

Voltamos para casa.

O cão dorme.

Eu como.

Arrumo a cozinha.

Vou ler. Pensei eu.

Pois pensei mal. O cão acordou e tem uma bola na boca.

Yeah!

Não jogo à bola em casa.

Decidi descer.

O jardim do prédio está cheio de Noruegueses que consideram 15º uma temperatura espetacular para apanhar sol.

Vou até a um parque.

Atiro bola.

Ele apanha a bola.

Corre. Para eu correr atrás dele.

Tiro-lhe a bola. Atiro a bola.

Ele corre para a bola. Corro eu também.

Ele diverte-se. Eu também...tristezas não pagam dividas. E como estou quase em coma. É provavel que faleça nos próximos minutos. E por isso é melhor aproveitar...

 

Chegamos a casa.

Faço o jantar.

Ele dorme.

Ressona. E sonha.

Janto.

Ele acorda. Come também.

Sento-me no sofá.

Preciso de silêncio. Aproveito e começo a crochetar uma rendinha que quero colocar aqui no meu quarto.

Senta-se mesmo ao meu lado.

Cá beijinho. Joana.

E puxa o comando. Dog TV. Quer ver a Dog TV.

Não cedo. Não me apetece. Não quero. Socorro.

Chinfrineira. Choro. O Drama na vida do cão. O horror de morar com a Joana. A tragédia de lhe ter batido à porta uma dona maléfica.

........liguei a televisão. Na dog tv.

Fica hipnotisado durante vários minutos.

De repente. Salta do sofá.

E aparece de trela na boca.

 

Cá vou eu. Desço as escadas. Dou uma volta. Apanho cocó. Dou outra volta. E 35 minutos depois voltamos para casa.

Estava frio. Estava cansada.

Voltamos para casa. E acaba o dia para nós.

 

Excelência. Isabel. Rainha de Inglaterra. Se tens por aí uma vaga. Uma vaguinha...pequenina.

Pode ser para ti. Ou para o puto...

Pensa em mim...

Estou pronta! Estou mesmo....

 

20
Ago17

por favor!

Joana Marques

Por favor, deixem de culpar o desempregado que põe fogo.

O bêbado.

E o ex bombeiro frustrado.

Não é só a falta de limpeza.

Não é só o abandono dos campos.

Não é só do calor. E do vento.

Encontrem os verdadeiros culpados.

 

Por favor, falem com as pessoas.

Vão dizer-vos dos engenhos que aparecem.

De onde aparecem.

E como aparecem.

Do fogo a horas tardias.

As populações sabem.

Por favor ouçam as pessoas. São elas que vivem lá. Conhecem a sua terra. Como a palma das suas mãos.

Levantem o rabo da cadeira. Saiam de Lisboa. E passem pelo terreno. E percebam do que se trata.

Ah! E falem com as pessoas. Já tinha dito?

 

As pessoas do interior.

São pessoas.

E são mais pessoas que muitas pessoas.

São pessoas que já passaram por muito e sobreviveram.

 

Heróis são os autarcas que nada podem fazer mas lutam lado a lado com as suas gentes.

Heróis são os bombeiros que são colocados um pouco por todo o lado.

A darem a vida pelos outros.

A fazerem o possível e o impossível.

E são enormes.

 

....mas os verdadeiros heróis são as pessoas.

Que vivem.

E vão sobreviver mais uma vez.

O mundo delas a desaparecer. Num segundo. Ao sabor de um fogo.

 

Quando isto acabar. Ninguém se vai lembrar delas.

As promessas leva-as o vento e as chuvas de Outono.

Por favor! Não se esqueçam do interior. Não se esqueçam do país.

 

interior.jpg

(foto gentilmente cedida por António Colaço, do blog Ânimo )

 

18
Ago17

um bom aconchego...

Joana Marques

Queria tricotar ou crochetar uma manta para a minha sobrinha Margarida.

Pequena.

Daquelas. Para embalar. E aconchegar.

 

A Margarida nasce no fim de Outubro. Podia ter escolhido um fio mais "quente".

Escolhi algodão. O algodão é imbatível.

Nada bate um algodão de boa qualidade. E para bebés muito pequeninos, é a escolha certa.

Queria um algodão. De boa qualidade. Médio. Nada de fio muito grosso, nem muito fininho.

 

Perguntei a várias pessoas e uma amiga sugeriu-me o algodão "panamá" da Kátia.

Escolhi branco.

É um fio muito macio. Muito fácil de trabalhar. O acabamento fica muito bonito.

Acabei por escolher crochet.

E escolhi este granny square.

grannys.jpg

Fiz 81 quadrados. Ficou uma mantinha 9x9.

Apliquei uns pompons. Verdes.

Uma mantinha verde e branca.

Nem sei como cheguei a tal....

O resultado final.

 

10 (31).JPG

Espero que a Margarida se sinta aconchegada...quando chegar...

......

17
Ago17

estes dias. Também são dias de amor

Joana Marques

Estávamos numa reunião.

Alguém vê, qualquer coisa no telemóvel.

Choque. Horror.

Sabíamos que existia.

Na teoria.

Tem acontecido. Aos outros.

Impossível de deter.

O terrorismo.

Nas Ramblas. No coração. Em Barcelona.

Somos peões. Nas mãos deles.

 

Estava no trabalho. Longe do local.

O que se seguiu foi um frenesim que nunca vou esquecer.

A cabeça a mil.

Avisar. E procurar.

Avisar que estamos bem.

E procurar quem gostamos.

Mães e pais à procura de filhos.

Mulheres à procura de maridos. E vice versa.

Filhos à procura dos pais.

Irmãos que procuram irmãos.

Deixar mensagens a quem não atende.

Estamos bem.

Dizer que se gosta.

Que se tem saudades.

E que tivemos sorte.

Há indignação. Terror e horror. No ar.

Mas sobretudo amor. E amizade.

E é assim que se combate.

 

E depois...

...o silêncio. 

 

17
Ago17

eu não posso.

Joana Marques

Tenho estado por Barcelona.

Umas colegas minhas do trabalho gabaram muito uma quinta de produtos biológicos. Nos arredores de Barcelona.

Encomendamos por email e depois vamos lá buscar.

Um engano. Não gostei nada. A qualidade deixa muito a desejar.

 

O Vasco foi comigo.

 

Na volta do caminho.....

Ia numa estrada com 2 faixas.

A da direita, onde eu estava, ia ter a Barcelona.

A da esquerda, a outro lado qualquer. Não faço a mínima ideia.

Quem queria chegar a Barcelona tinha de, obviamente, ficar na faixa da direita.

 

Estavam 3 carros à minha frente.

O primeiro, um branquinho, estava na faixa da esquerda. Fez pisca. À ultima hora. Entrou na faixa da direita.

O carrinho do meio. Entrou no tempo certo na faixa da direita.

O carro que ia à minha frente. E que estava já na faixa da direita.

Fez pisca e saiu.

E fez pisca novamente e entrou.

Devia estar perdido.

Ou arrependeu-se.

 

Tive de travar.

Nada de especial.

A minha distância para o último carro era grande.

 

Atrás de mim.

Um carro. Quase me abalroou.

Olhei pelo retrovisor e estava a criatura a gesticular feito totó. E a buzinar.

"Buzino, logo existo"...

Nitidamente deve ter faltado às aulas de filosofia ou então é tão totó que não percebeu corretamente a mensagem de Descarte.

 

Continuei o caminho.

E fui ter a uma estrada com 3 faixas.

A minha faixa da direita converteu-se na faixa do meio.

Eis que aparece a criatura. Pela direita. A buzinar. A gritar.

Chamou-me de maluca para cima.

E insultou desde a minha mãe, pai, tias, tios e provavelmente o presidente da junta de freguesia de Carcavelos. 

 

Enganou-se. Se pensava que lhe ia responder.

Eu, não. Mas o cão passou-se.

Se o tivesse soltado. O Vasco tinha comido o homem. 

Continuei na minha vidinha. A tentar acalmar o cão.

O Vasco já tinha chamado o homem de maluco para cima.

 E tinha insultado a mãe, o pai, as tias, os tios e o presidente da junta de freguesia de totozisse de baixo.

 

Entretanto.

Buzina ao rubro. Do senhor totó.

Insultos de toda a espécie.

Ultrapassou-me pela direita.

Pôs-se à frente do meu carro. E travou a fundo.

É claro, que eu já estava preparada para isso.

Os inergúmeros são muito previsíveis. 

O cão estava doido. 

O cão já estava rouco.

Ia preso e comecei a ter medo que arrancasse o banco com o tamanho do protesto.

 

Infelizmente, não decorei a matricula.

Era um mercedes preto.

Matrícula portuguesa.

Uma criatura do sexo masculino. 40 anos. 45. Por aí.

 

Se teve tal comportamento.

É provável que o volte a ter.

Normalmente, a falta de inteligência e discernimento não é falha momentânea.

É para a vida. Digo eu.

Ou então é falta de atenção. E de amor...

Pobre totó. Ninguém gosta dele.

 

Peço-vos por favor.

Se encontrarem alguém no vosso caminho. Com esta descrição.

Abracem-no.

Peguem-lhe pela cintura.

E espetem-lhe um beijo na boca.

Eu infelizmente não posso. O Vasco arranca-lhe a cabeça.

 

16
Ago17

conheçam. A Marta e o seu projeto...

Joana Marques

A Marta tem 46 anos. Casada. Dois filhos.

Mora e trabalha em Alverca. 

Para além de todas as tarefas que uma mulher e uma mãe tem de despachar todos os dias. O que lhe dá mesmo prazer é o projeto que iniciou há 12 anos.

Desde sempre. Se dedicou a todo o tipo de manualidades. Fimo. Madeiras. Telas. Etc.

Mas foi com umas camisolas que pintou para os filhos que começou mais a sério.

Com esses trabalhos vieram as encomendas. E parecendo que não faz toda a diferença.

Foi por esta altura que começou também a participar em feiras de artesanato.

 

Neste momento trabalha essencialmente com tecido.

Faz peças. Personalizadas.

Daquelas que fazem a diferença num enxoval de um bebé.

Se for menina...

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Se for menino...

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Na nossa cozinha.

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Na nossa carteira.

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 E na organização dos nossos pequenos tesouros...

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A Marta é:

- autodidata. 

- perfecionista.

- persistente.

Nota-se! Só assim se justifica o resultado final!

 

Confesso que tive muita dificuldade em escolher as fotos para colocar no post.

É só uma pequena amostra. Muito, muito pequena.

Desafio-vos a conhecer a obra na sua totalidade.

Podem visitar o blog. O facebook. O instagram.

 

 

Têm ou conhecem algum projeto. Querem que apareça por aqui? enviem um email para: joanatmarqueshr@sapo.pt

 

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 Nesta rubrica do Quiosque:

conheçam. A Cutchi

conheçam. A Feltros Linhas e Cia

 

 

15
Ago17

Jaqueline. Mas podem chamar-me Jaq...

Joana Marques

Com todas as mudanças na minha alimentação.

Aos poucos fui descobrindo novos sabores. Mas também substitutos.

Se uma pessoa der um jantar em casa convém ter uma sobremesa à altura.

E fiquei muito feliz quando cheguei à receita do Grão Vasco.

 

E quando uma pessoa tem daquelas fomes?

Precisa de um doce ou mata a primeira pessoa que passa à frente.

Antigamente era fácil. 

Um chocolate. Milka. KitKat. Snickers.

Ou, bolachas.

 

E agora? Um quadrado de chocolate negro.

Apazigua um pouco mas há dias em que não é suficiente.

Não é. Não senhor!

 

Fiz-me à estrada. Ou melhor ao forno...e toca de experimentar 1001 combinações.

E comer bolachas. E mais bolachas. 

Umas melhores.

Outras piores.

Outras ainda, intragáveis.

 

O objetivo era simples. 

Encontrar uma receita. Com ingredientes bons. Com calorias, claro! Mas não calorias ocas. Daquelas com zero nutrientes.

Que fossem boas. Muito boas. Daquelas bolachas que comer uma é pouco. Porque são espetaculares.

E, passados uns dias ainda fossem comestíveis. 

 

E descobri. 

Chamam-se Jaquelines. Mas para os quiosquianos, amigos do peito são Jaq's.

E são assim...

jaq.jpgE a receita?

Simples. Muito simples.

Ingredientes:

2 ovos
120 g de óleo de coco
100 g de açúcar de coco
140 g de farinha de amêndoa
160 g de farinha de grão de bico. 
1 colher de chá de fermento 
Sal(opcional)
60 g de pedaços de chocolate (+75% de cacau)
(Coloquei no liquidificador, ficou em pó e por isso ficaram tão escuras.
Podem usar como pepitas.)
 
Bater os ovos com o óleo de coco.

Juntar todos os secos.
Juntar os secos com os ovos e o óleo de coco.
 
Colocar num tabuleiro, forrado com papel vegetal.
Untado com óleo de coco.
 
Bolinhas de massa.
Achatem-nas.
Forno.

7 minutos de forno a 180º .

Desligar o forno e deixar estar uns 10 a 15 minutos.

(no meu forno é assim..mas cose muito rápido)

 

O João já testou a receita.

Asseguro-vos. Está vivo. De boa saúde.

Continua do Benfica.

E diz que gostou.

E as dele ficaram assim:

jaqjoao.jpg

Sim.

Ficaram muito mais bonitas que as minhas! 

14
Ago17

a caçadora de heranças...

Joana Marques

Convivo muito mal com a morte.

Com a minha mas sobretudo com a morte dos que me estão mais próximos.

Estremeço quando o telefone toca a horas estranhas.

E quando alguma coisa de diferente acontece. Acho que pode ser um sinal.

Eu sei que é parvo. Muito parvo.

A minha parte racional não compreende. É mais forte do que eu.

Tenho medo. Reajo mal. E volto a ter medo. 

Sou super, hiper hipocondríaca em relação aos meus.

E aviso-os.  E ralho com eles quando cometem erros gastronómicos por exemplo.

Sou mesmo, mesmo neurótica. E não há nada a fazer.

 

 

Quando tinha 13 anos. A minha avó Maria morreu.

De repente.

Num momento estava connosco. No outro seguinte já não.

Este acontecimento marcou a minha vida para sempre. E eu nunca mais fui a mesma.

Não superei. Nunca consegui.

Passado pouco tempo morreu o meu avô. E eu percebi que se pode morrer de amor.

E isso convive comigo todos os dias.

 

Para mim, ir a um funeral ou a um velório é horrível.

É claro que ninguém gosta.

E provavelmente sofrem tanto ou mais do que eu.

 

Mas de alguma maneira ou de outra, são menos expressivos.

Mesmo com pessoas que não me são próximas choro sempre baba e ranho.

Sem conseguir controlar o que quer que seja.

 

Na sexta feira. Foi um dia muito intenso no meu trabalho.

A meio do dia recebi um telefonema da minha tia Luz a dizer que o pai de um amigo tinha morrido.

Nos anos 70 os meus tios conheceram um casal de ingleses no Estoril. Ficaram amigos. 

A minha tia fez durante muitos anos parte da administração de uma instituição de solidariedade social.

Estes amigos ingleses contribuiram muito para a tal instituição.

Tinha estado umas 3 vezes com eles. Em casa dos meus tios. A última vez, há uns 15 anos.

 

Os meus tios estão de férias no Algarve. 

Os filhos foram de férias para fora do país e eles ficaram a tomar conta dos netos.

Para eles, seria dificil ir a Inglaterra ao funeral. E pediram-me a mim....

É claro. Disse que sim. 

Ao mesmo tempo. Disse sim. Ao mesmo tempo. Já tinha as lágrimas nos olhos. 

Fiquei logo ansiosa.

O funeral era em Edimburgo. Estava em Londres.

- Compra flores. Disse-me a minha tia.

Consegui sair do trabalho por uns minutos para ver das flores.

Segui o conselho de uns colegas e lá fui a uma loja indicada por eles.

Como não sei qual é a moda verão 2017. Funeralmente falando.

Segui as indicações da senhora da loja.

Saí de lá com uma palma. Cheirosa. Com umas fitas azuis.

Sou do Sporting. Não sou do FCP. Mas já estava por tudo...

 

No dia seguinte.

Saí às 4h da manhã de casa.

Eu e o cão.

A viagem era longa.

Fui fazendo o caminho com calma. Parei de hora em hora. Conforme podia.

Passeava o cão. 

Comia qualquer coisa.

Tudo sem pressas. Tinha tempo de chegar.

Mas sempre com o stress de ter de ir a um funeral.

Muito ansiosa. 

 

Já passava das 13h quando o GPS me diz que cheguei.

Parei em frente de um palacete.

Olhei para a propriedade. Murada. Um campo imenso. Tive tanta pena de não ser rica.

Já sabia que eram muito ricos. 

Confirmei que são muito, muito ricos.

Antes de entrar ainda passeei o Vasco. Que voltou para dentro do carro. E iniciou a sua querida e adorada sesta.

Tirei as flores do carro.

 

Dei o meu nome ao porteiro.

Os meus tios já tinham avisado que eu estaria lá a representá-los.

Indicou-me a entrada.

Eu linda e transtornada. Com as flores na mão.

Entrei na capela quando alguém me diz que não aceitam flores.

O senhor que morreu era ecologista e obviamente era contra este tipo de prática.

Disseram-me que o dinheiro devia ser canalizado para uma das muitas obras de solidariedade que o senhor patrocinava.

Pois claro! O que é que eu podia fazer??

Podia tentar vendê-las no OLX.

Ou pô-las no prego.

- Alguém quer comprar flores??? 

Não disse isso. Só pensei. Dei meia volta.

 

Voltei ao carro para deixar as flores.

Voltei a entrar.

Mais uma vez. Desgraçadamente infeliz. A explodir de tristeza.

Estava muita gente.

Tentei ver se encontrava os amigos dos meus tios.

Já não os via há uns bons anos. Deviam estar mudados. 

 

Lá dei com eles. 

Quando consegui chegar a eles já eu chorava desalmadamente. Entre fungadelas. Assoadelas.

Apresentei-me.

Quando disse quem eu era. Não devem ter percebido nada.

Lá me encostei a uma parede.

A chorar. Disfarçadamente.

Era a única pessoa a choramingar.

 

O senhor tinha 97 anos.

Vários problemas de saúde.

E por isso, foi uma morte mais ou menos previsível.

 

É claro que me tentei conter mas não deu. 

Nestas alturas. Nem pensar.

Choro ainda mais.

Choro por quem morreu.

Choro pelos familiares.

Choro pelo aquecimento global.

Choro pelos passarinhos órfãos.

Choro pelo estupor da Coreia do Norte que é feio como a morte.

Choro por isto e por aquilo.

Choro por tudo e por nada.

Choro. Ponto.

 

De repente sinto alguém a puxar-me o braço.

Um homem mais ou menos da minha idade puxa-me e arrasta-me para dentro de um cubículo.

E no meio do meu vale de lágrimas:

- Ouve lá. Aqui não há nada para ti. Vai-te embora ou chamo a polícia.

- O que o meu avô fazia era lá com ele. A nossa família não vai embarcar em nada do que possas dizer ou fazer. Não cedemos a chantagem.

Até que se fez luz. 

O rapazinho, neto do velhote.

Viu-me arranjadinha.

Ainda jovem.

Bonitinha.

Chorosa. 

2+2= 4.

Achou que eu era amante do velhinho. 

Aquele choro todo, só podia querer dizer isso.

A fingida, da Joana. Chorava. Para amolecer os corações. E depois.

ZZZZZZZZZZZZás...

Apanhava toda a gente desprevenida. E pumba. Escandaleira. 

- Onde é que está a minha herança???

 

 

Ainda assisti ao funeral e a todas as exéquias.

É claro que ficou tudo esclarecido.

E o neto pediu-me desculpa.

No final peguei no carro e fui para Manchester onde apanhei o avião para Barcelona.

E quando já estava no ar. Lembrei-me.

- Ó caneco! Esqueci-me das flores no porta bagagem.

 

Só espero que a pessoa que encontre as flores seja mais descontraída do que eu. 

Se fosse comigo ia achar que era um sinal.

E não iria dormir pelo menos durante um mês.

 

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