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Quiosque da Joana

handmade life

18.04.17

last weekend...

Joana Marques

Estava na iminência de passar a Páscoa sozinha. Numa cidade que ainda não domino.

Os meus pais e irmãos vêm cá no próximo fim de semana.

Não podiam vir nos dois.

Fui salva pela minha amiga Maria que me convidou.

- Fim de semana em Berlim? Queres?

Estranhei. Berlim?

Afinal o fim de semana, não era um fim de semana de lazer. Tinha como objetivo assistir a um seminário sobre agricultura biológica. Podendo o sábado estender-se até domingo. E domingo sim, podíamos pôr em prática tudo o que aprendemos.

 

quintabio1.jpg

(a entrada da quinta, muito discreta)

 

A quinta de agricultura biológica não é muito grande. Tudo o que tem faz sentido naquele propósito.

Algumas coisas chamaram-me à atenção.

 

- As Joaninhas são bichinhos preciosos na agricultura biológica.

Porque combatem animais nocivos, como o piolho.

E por isso não têm de usar pesticidas.

Por acaso, sempre achei que quem tem uma Joaninha tem tudo, quem não tem arranje!

 

- Usam muitas ervas de cheiro no meio das mais variadas culturas.

Também elas ajudam a afastar a bicheza má.

 

- As abelhas são super importantes e por isso são muito estimadas.

A abelha está para eles como a vaca está para a Índia.

 

- Fazem criação de minhocas. Epígea Eisenia.

Com elas fazem compostagem a sério.

Segundo eles, este bichinho nojento como o caneco, transforma todo o tipo de matéria, em terra espetacular.

Vendem para fora.

Se estiverem interessados são baratinhas e nojentas. Muitas a 5€!

 

- Fizeram um lago artificial no meio da quinta.

Porque tinham pragas de caracóis e lesmas.

O lago atraiu sapos.

E os sapos são como o Sebastião, comem tudo, tudo, tudo...

 

- Recebem voluntários do mundo todo para aprender os conceitos.

Têm mão de obra gratuita o ano inteiro.

Tudo na quinta é feito com trabalho voluntário.

 

- As construções da quinta são feitas com lama.

Um método antigo.

O telhado é coberto de palha.

E aguentam-se com chuva e tudo.

Enquanto lá estive, choveu.

Refugiámos-nos na tenda de meditação e não entrou nem um pingo.

 

- As casas de banho. Temos mesmo de falar das casas de banho?

Vou falar das casas de banho.

Chamam-se casas de banho secas.

Não têm autoclismo como as casas de banho normais.

Situam-se no equivalente a um primeiro andar.

Têm sanita.

Mas os dejetos vão parar ao rés do chão.

Em vez de puxar o autoclismo cobre-se com serradura.

Apanha-se e põe-se dentro de um contentor.

Junta-se à festa a bela Epígea Eisenia. Em quantidades industriais.

Um ano depois têm terra boa. Aplicam-na nos produtos biológicos que vendem.

Nesta parte aqui, fiquei com vontade de me agarrar forte e feio aos produtos industrializados e aos pesticidas.

 

Também têm casas de banho normais. Para pessoas que tomam a pílula ou antibióticos.

Segundo eles, neste caso as Epígea Eisenia não dão conta do recado e a terra proveniente pode contaminar os solos.

Também aprendi que a pílula está a deixar os peixes do mar estéreis.

Apeteceu-me regurgitar o peixe que tinha comido ao almoço.

 

- A quinta tem porcos. Especiais.

Porque, este tipo de porco consegue arrancar e comer raízes indesejáveis. São prestáveis e trabalhadores enquanto fazem o que mais gostam, comer!

Fizeram-me lembrar a celebre frase de Confúcio:

 

"Escolhe um trabalho de que gostes e não terás de trabalhar um único dia da tua vida".

 

 - O lago e os dois pontos de água estão cobertos com plantas que filtram as impurezas da água e por isso a água é muito límpida.

 

- Os pontos de água estão em locais estratégicos da quinta e foram feitos quando retiraram a lama para construirem a loja biológica, a tenda da meditação e um pequeno local onde as pessoas se podem juntar e conviver. Só funciona aos fins de semana. Não sei se é um café ou uma tasca. É qualquer coisa entre os dois.

Como tinha um sofá.

Este foi o local preferido do Vasco.

Passou lá o domingo todo.

 

- A quinta parece caótica.

Muito desarrumada.

Cheia de erva e com culturas aqui e ali. É mesmo assim.

Quem vem de fora tem medo de pisar alguma coisa importante.

Às tantas não se percebe onde acaba o pousio e começam as culturas propriamente ditas.

 

- Os produtos da loja são caros. Mas segundo eles, vendem tudo. Para além dos hortícolas produzidos na quinta, vendem pão. Têm muitas variedades de pão: batata doce, azeite, beterraba, etc. E o pão é um dos produtos mais vendidos. As pessoas deslocam-se à quinta pelo pão e acabam por comprar muito mais.

 

quintabio2.jpg

(eu em exercício de funções, a plantar uma árvore)

 

É um conceito, no qual me identifico mas ainda não me sinto preparada para abraçar um projeto desta natureza.

Tenho andado a pensar no que vou fazer quando voltar a Portugal.

Algo deste tipo?

Acho que não.

A parte das casas de banho deu cabo de mim. E também não me estou a ver, criar Epígea Eisenia.

Vasquinhos sim, Epígea Eisenia, não!

Se valeu a pena? Claro que valeu a pena.

Um fim de semana diferente. E proveitoso.

15 comentários

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Joana Marques

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