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Quiosque

handmade life

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31
Mar17

olá. Abril

Joana Marques

Março de 2017. Já lá vai.

O mês mais intenso da minha vida.

Em todos os sentidos.

Mudou-me para sempre.

Ensinou-me a relativizar. E a dar valor.

A não dar nada por garantido.

É agora muito presente na minha cabeça que a vida muda. Num segundo. Num minuto. Num ano. 

Às vezes para o bem. Outras vezes para o mal.

 

Abril está a chegar.

 

Hoje, lá mais para a tarde vou chegar a Oslo.

Cansada. Febril. Exausta.

E vou iniciar uma nova etapa. Importante.

Preciso estar nas melhores condições.

Ninguém tem sucesso nem supera desafios se estiver doente ou fragilizada.

No entanto é assim que me sinto.

 

Mas.......

.....a minha saúde está sobretudo nas minhas mãos.

Somos o que comemos. Uma máxima 100% certa.

Agora que vou voltar a ter controlo na minha alimentação vou recuperar num instante.

Podia voltar ao meu regime alimentar anterior. Mas não....

Investiguei vários regimes alimentares.

Quero experimentar pelo menos durante 3 meses um regime sem glúten.

Com 80% de refeições Paleo.

Quero tirar as minhas conclusões.

E depois decidir se o mantenho ou não.

Também quero apostar mais em produtos bio.

 

Por incrível que pareça o cão não quer aderir....

...parece que comer abacate, coisas e cenas...não é a onda dele...

 

30
Mar17

cansaço

Joana Marques

O que há em mim é sobretudo cansaço.
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

 

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto em alguém,
Essas coisas todas.
Essas e o que falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

 

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada.
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

 

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...

Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço,
Íssimno, íssimo, íssimo,
Cansaço...

 

Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa

 

costapinheiro.jpg

Costa Pinheiro.

Os óculos do poeta Álvaro de Campos, heterónimo de Fernando Pessoa, 1980.

Óleo sobre tela, 79x110cm.

Coleção CAM - Fundação Calouste Gulbenkian

 

29
Mar17

uma conversa. Em português de Portugal!

Joana Marques

Estou em Atenas.

Depois de três semanas na ilha de Lesbos. Rumei até à capital. Porque estou de saída. E a última paragem é aqui.

As condições são precárias. E dolorosas.

A paciência e o discernimento já se foram. Há muito tempo.

Febril há duas semanas.

Passo os tempos mortos num parque. Porque tem wi-fi. E não me sinto tão longe do mundo.

 

Na segunda-feira estava eu no parque com o Vasco. Sozinhos.

Alguns voluntários que vieram comigo ainda estão em Lesbos. Porque ficam dois e alguns três meses.

Outros, que permanecem um mês como eu, ficaram a trabalhar.

Eu e o Vasco. Mais uma vez...

 

 

Ouço falar português. Português de Portugal...

Até me saltaram as lágrimas.

Viro-me. Estava um casal e um rapaz.

Meto conversa. Porque são portugueses. E me fazem sentir em casa.

Porque já estava há um par de horas a vagabundear pelo parque. E precisava de conversar com alguém.

E a razão principal. Eu tinha fome. E eles tinham bananas.

 

Alberto, 50 anos. Luísa, 48 anos. Paulo, 18 anos.

Uma família portuguesa. Na Grécia.

Alberto já tinha estado na Grécia quando era novo. Voltou a Portugal. Com a crise ficou sem emprego. Regressou à Grécia.

Deixou Luísa e o filho.

Entretanto, o filho acabou o 12º ano em Portugal. Não arranjou emprego e juntou-se ao pai na Grécia.

Vai começar a trabalhar no início de Abril.

 

Palavra puxa palavra. E as conversas são como as cerejas e convidaram-me para jantar em casa deles.

Lá fui.

Deparo-me com um jantar com tudo aquilo que não posso comer.

Se não estivesse doente. Tudo bem.

Febril há duas semanas. Não é boa ideia.

 

Queijo por todos os lados. Não!

Bifes com natas e cogumelos. Oh! Não! Não!

 

Lá tento comer qualquer coisa.

- Então Joana, não gosta?

- Gosto, sim. Mas.....

Lá lhe expliquei todo o meu historial de alergias e intolerâncias. E de como estava praticamente a desfazer-me desde que tinha chegado à Grécia...

 

- Ah! Pois, diz que isso tem a ver com a genérica! Diz a Luísa.

Achei que tinha ouvido mal....

- Genética???

- Não, não! Genérica, com o género da pessoa.

- Género? Feminino..

-

- Bem, a última vez que verifiquei eu era mulher...

- Não, não. A Joana não está a perceber. Tem a ver com a genérica familiar...

- Do tipo hereditário?

- Não, não é quem é otário...tem a ver com a propagação de uma pessoa para pessoa.

(tive de interromper a conversa e sacar da bombinha da asma....) 

E prossegui...

- Propensão? Tendência para ter uma determinada doença.

-Não. É assim....

Interrompo..

- Ok! Já percebi, já percebi...

 

Perdido por 100 perdido por mil....

...agarro-me aos bifinhos, às natas e aos cogumelos e mudo de assunto...

- E o tempo??

- Ai, estava tão bom...teve logo de aparecer uma neve fria...

- Névoa??

-Não, já viu o frio que está? Neve fria..

-

 

 .......desisti....

28
Mar17

o cão. Sempre o cão...

Joana Marques

Chegaram novos voluntários.

Três eram brasileiros. E eu fiquei de lhes mostrar os cantos e os recantos da ilha.

Peguei no carro da associação e começámos a visita.

Um deles, o Marcelo, senta-se à frente.

O Vasco não concorda nada com isso.

Entra pelo banco de trás e aparece com cara de poucos amigos à frente.

Começa a dar focinhadas no ombro do Marcelo.

- Que quer o cão?

-

O cão queria o lugar dele, claro!

Como Marcelo não se mexia. O cão muda de estratégia.

Rosna-lhe ao ouvido.

E abocanha-lhe um braço.

Nada de especial. Fez sem doer.

Marcelo sai do carro aterrorizado.

O Vasco ocupa o lugar de Marcelo.

- Podes entrar. Lá para trás. Ele só queria o teu lugar!

Marcelo entra com um ar infeliz e lá ocupa um lugar no banco de trás.

 

Estaciono o carro cá em baixo, perto do porto.

As pessoas, olham. E comentam.

Da frente do carro, saio eu e um cão.

De trás saem três pessoas.

Entre elas Marcelo.

Cheio de medo.

Já foi abocanhado por um cão.

E tem medo do que possa vir aí...

- Ele vai solto? Não tem trela, não?

- Sim, tem trela mas confio nele...

-

 

Dou início à visita guiada.

Dou-lhe todo o tipo de conselhos que considero úteis.

Alguns foram-me passados por outros voluntários, pelo meu supervisor, por locais ou então aprendi por experiência própria.

Passamos por sítios irresistíveis da ilha.

A ilha é linda. Nota-se a degradação dos tempos de crise. Vê-se que não tem sido fácil.

Mas não deixa de ser linda.

Subimos uma colina.

Para verem a vista.

E nisto. Vasco. Continua a subir. Também ele estava com atenção às vistas. Um gato!

E corre, corre atrás do gato.

E eu corro atrás dele.

- VASCOOOOOOOO! VASCOOOOOOO!

E os voluntários cá em baixo. A assistir à cena...

E de repente....o gato corre e desce a colina....

E o Vasco corre atrás dele....

E eu corro atrás dos dois....

- VASCOOOOOOOO! VASCOOOOOOO!

E os voluntários cá em cima. A assistir à cena...

 

E o gato sobe a uma árvore...

...e o Vasco fica em baixo à espera...

E os voluntários abanam a cabeça....

E eu ponho a trela ao cão. Puxo-o. E ele vem. Sempre a olhar de lado para ver se vê o gato.

 

A cara dos voluntários diz tudo. Nem é preciso falarem. Falo eu:

- tenham calma, as outras pessoas são normais! 

 

27
Mar17

vai chegar. Não tarda nada.

Joana Marques

Quando cheguei andava por aqui a rondar uma virose...

Uma virose é tipo um Magnum de Frutos Vermelho. Só que em vez de ser uma explosão de sabores...é uma explosão de fluídos e cenas...e coisas...e blhec...

 

Algumas pessoas estavam em recuperação. Tanto voluntários como locais.

Comigo tudo normal. Tinha era uma dorzinha chata nas costas. Aquela que tenho quando começo a ter asma.

 

Com o passar dos dias os voluntários que tinham vindo comigo começaram a cair que nem tordos.

Comigo tudo normal. Tinha era uma dorzinha de cabeça. Uma moinha e mais a dor nas costas.

 

Um destes dias, já nem sei quando, porque entretanto perdi um pouco a noção do tempo, o Vasco colapsou.

Estava sempre deitado.

Tinha dores de barriga.

Tremelicava.

Não comia.

Vomitou.

Uma noite em claro a vigiar o sono dele. No dia seguinte já estava melhor. Começou a beber água.

 

Ainda o levei a um veterinário.

Que falava grego.

Muitas recomendações.

Eu disse que sim com a cabeça sem perceber nada.

Liguei ao veterinário dele.

Que me deu algumas indicações, em português!

No dia seguinte estava como novo. Percebi isso porque roubou uma banana a uma colega minha.

 

Comigo tudo normal.

Tirando o facto de andar cheia de tonturas, com dor nas costas e dor de cabeça.

Nada se passava.

 

Tenho impressão que se um dia acordar num estábulo, rodeada de palha por todos os lados, não tiver força nas pernas e me chamarem Cornélia.

Vou achar normal. Nada se passa.

 

E quando o veterinário me aplicar uma dose qualquer para ir desta para melhor.

Vou estar assim.

Porque nada se passa.

vacaqueri.png

 

Quando eu já estava com o estômago completamente alterado, cheia de tonturas, com uma dor de cabeça do tamanho da Austrália e uma dor de costas considerável, chamaram o médico.

Não para mim, porque comigo nada se passava.

Para uns quantos que estavam num estado lastimoso. Não era o meu caso. Obviamente.

Ainda fui espreitar o médico mas tinha um ar de, sei lá... capador de porcos...no mínimo....

 

Até que:

- Acho que estou com uma virose. Disse eu ao meu supervisor.

E pronto. Lá fui eu entregar-me nas mãos do médico. Um grego enorme. Com cara de poucos amigos.

Que me espetou uma seringada de qualquer coisa que me fez despertar para a vida.

 

Agora nada se passa.

Só uma dorzinha chata nas costas. 

A cabeça a estoirar. 

Um estômago que deve estar virado do avesso.

Uma dor no lado direito da barriga.

Muita tristeza.

Cansaço extremo.

E tonturas, já tinha falado das tonturas???

 

...aguardo pacientemente, a chegada da Joana....alguém viu a minha pessoa, por aí?

Pode demorar um bocadinho. Mas vai chegar....

Não tarda nada.

 

25
Mar17

um granny por dia....

Joana Marques

Em Carcavelos tenho tanto fio que posso a qualquer momento abrir uma loja.

Quando me mudei para Barcelona levei alguma coisa. Pouco.

Só que descobri uma loja espetacular. Com preços do outro mundo.

Ainda fiz algumas coisas. Porque o tempo escasseava, contam-se pelos dedos de uma mão.

Neste momento em Barcelona tenho tanto fio que posso a qualquer momento abrir uma loja.

Se juntar Barcelona e Carcavelos posso abrir uma MegaStore.

 

Quando vim para a Grécia. Vim órfã de projeto.

E estar órfã de projeto. Entristece-me.

Mal cheguei percebi que tinha de arranjar qualquer coisa para fazer.

Encontrei uma loja da especialidade e comprei uma agulha nº3 e algodão fininho.

E comecei um novo projeto.

É um projeto longo. 

Deve estar acabado daqui a uns 6 meses. Porque é feito lentamente. Exatamente como eu gosto.

Todos os dias faço um granny square. Básico. Simples. E diferente. Pelo menos nas cores.

No fim de cada semana tenho de ter feito 7.

Ao fim do mês tenho de ter 30.

E só paro quando decidir o tamanho da manta. Ainda não sei. Logo se vê.

1 (1) (2).JPG

É assim que eu gosto de viver a vida.

Construída um pouco todos os dias. Acrescentada.

Flexível.

Resiliente.

Não é para desistir.

Nem trocar.

Porque quando achamos que vale a pena não se troca.

Nem se passa à frente.

 

Sem pressas e sem pressões.

Com tempo. O que vale a pena é demorado.

E já não estou órfã de projeto.

 

24
Mar17

livro de receitas..

Joana Marques

Não tenho livro de receitas.

Ou melhor tenho um livro de receitas que herdei da minha avó Adélia.

Já experimentei praticamente todas as receitas.

Alterei muitas.

 

Já tive um caderno onde escrevia todas as receitas.

Com o tempo foi ficando manchado com o uso e com os desastres culinários que lhe caíam em cima.

Com a alteração de receitas era um caderno manchado e riscado.

Optei por arrancar as páginas. E o caderno começou a ficar mais magrinho.

Comprei outro. Aconteceu o mesmo. Desisti.

 

Agora imprimo uma espécie de formulário que criei.

Passo a receita.

E plastifico a receita. Nunca se suja.

Se a alterar faço de novo.

Furo a folha e ponho num dossier.

É muito funcional...

23
Mar17

também posso participar??

Joana Marques

Começo este post por dizer que estou francamente desiludida com vocês.

Sim senhor! Apanham a Joana pelas costas e pimba!

Rambóia, atrás de rambóia??

Ninguém me avisa??

 

Temos gasto o orçamento do estado em copos e mulheres e ninguém me convida?

 

Afinal ainda há vagas??

Ainda posso participar?

Ainda vou a tempo??

 

Reparem bem. Neste momento sinto-me uma portuguesa de segunda.

Já me estou a ver dia 3 de Abril a chegar ao meu trabalho em Oslo e olharem para mim de lado.

- Olha, olha....é a portuguesa. A Maria Norueguesa do departamento x já me disse. Aquilo lá em casa é só copos e mulheres!!

Ter a fama e não ter o proveito??? Não acho bem....

 

Também pode acontecer outra coisa. Igualmente deprimente...

- Ó coitadinha. É a Joana. Vê lá tu ó Maria do quinto esquerdo que esta é a única portuguesa que não teve direito a copos e mulheres.

E a Maria do quinto esquerdo até vai verter uma lágrima ou duas pela discriminação a que tenho sido sujeita.

 

Posto isto.

Acho que mereço o meu quinhão.

Não acham?

E este país que é o meu, não me vai desiludir. Tenho a certeza. Absoluta.

Não sei se deva chamar pelo ministro da segurança social, ou das finanças ou se não será mesmo caso para a justiça...

Aqui vai!

 

Por partes:

Mulheres:

...era isto!

cante1.jpg

( imagem retirada daqui)

Como sou uma cidadã pouco exigente abdico da miúda.

Fico só com o fato de banho.

Quem é amiga, quem é??

 

Na parte dos copos  é que está mais difícil.

Não bebo.

Mas já que tenho direito a eles....

Abro uma exceção se for aqui....Seychelles...

seychelles.jpg

(imagem retirada daqui)

 

...e faço um pequeno sacrifício. Posso até beber uma água de coco ou duas...na loucura!

Tem é de ser nas Seychelles.

Já abdiquei da miúda...não posso abrir mão de tudo!! Certo?

 

Podem enviar o fato-de-banho e o bilhete para as Seychelles em meu nome, correio registado e aviso de receção.

Não vá um holandês invejoso deitar-lhe a mão....

ze povinho.jpg

 (imagem retirada daqui)

 

22
Mar17

escravos. Dos tempos modernos...

Joana Marques

Amigo de longa data.

Conheço-o há mais de 20 anos.

Trabalhava numa empresa há 17 anos. Uma média empresa.

Era diretor de um departamento.

Trabalhava de dia e de noite. Não tinha férias como deve ser. Feriados só às vezes. Fins de semana só quando calhava

Tinha um horário de trabalho. 8 horas por dia. Nunca era cumprido. Dava todos os dias mais horas à empresa.

Dedicado. Muito dedicado.

 

Este meu amigo é casado e tem dois filhos.

O Afonso tem 13 anos e o António tem 5.

Os fins de semana, feriados e férias que dedicou à empresa tirou-os à família. Aos filhos.

 

Um dos poucos fins de semana que não trabalhou foi passá-lo com a família.

Escolheu a casa que herdou dos pais.

Perto da barragem de Montargil.

Não tinha rede de telemóvel.

Na empresa houve um stress qualquer.

Ligaram-lhe. Não atendeu. Porque não tinha rede.

 

Quando se apresentou na segunda-feira para trabalhar foi despedido.

 

E é neste tempo que vivemos.

Um tempo que devia ser bom e para todos...

 

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