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handmade life

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18
Abr17

a amizade. Segundo Vinicius de Moraes...

Joana Marques

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto

e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, 

eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, 

enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

 

E eu poderia suportar, embora não sem dor, 

que tivessem morrido todos os meus amores, 

mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

 

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos 

e o quanto minha vida depende de suas existências ... 

 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. 

 

Mas, porque não os procuro com assiduidade, 

não posso lhes dizer o quanto gosto deles. 

Eles não iriam acreditar. 

 

Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem

que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. 

 

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, 

embora não declare e não os procure. 

 

E às vezes, quando os procuro, 

noto que eles não tem noção de como me são necessários,

de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, 

porque eles fazem parte do mundo que eu, 

tremulamente, construí,

e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

 

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

 

E me envergonho, porque essa minha prece é, 

em síntese, dirigida ao meu bem estar. 

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

 

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,

cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,

compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece 

é que a roda furiosa da vida 

não me permite ter sempre ao meu lado,

morando comigo, andando comigo, 

falando comigo, vivendo comigo, 

todos os meus amigos, e, principalmente, 

os que só desconfiam 

- ou talvez nunca vão saber -

que são meus amigos!

 

A gente não faz amigos, reconhece-os.

 


Vinicius de Moraes

 

para o J. que não quis ser meu amigo.

18
Abr17

last weekend...

Joana Marques

Estava na iminência de passar a Páscoa sozinha. Numa cidade que ainda não domino.

Os meus pais e irmãos vêm cá no próximo fim de semana.

Não podiam vir nos dois.

Fui salva pela minha amiga Maria que me convidou.

- Fim de semana em Berlim? Queres?

Estranhei. Berlim?

Afinal o fim de semana, não era um fim de semana de lazer. Tinha como objetivo assistir a um seminário sobre agricultura biológica. Podendo o sábado estender-se até domingo. E domingo sim, podíamos pôr em prática tudo o que aprendemos.

 

quintabio1.jpg

(a entrada da quinta, muito discreta)

 

A quinta de agricultura biológica não é muito grande. Tudo o que tem faz sentido naquele propósito.

Algumas coisas chamaram-me à atenção.

 

- As Joaninhas são bichinhos preciosos na agricultura biológica.

Porque combatem animais nocivos, como o piolho.

E por isso não têm de usar pesticidas.

Por acaso, sempre achei que quem tem uma Joaninha tem tudo, quem não tem arranje!

 

- Usam muitas ervas de cheiro no meio das mais variadas culturas.

Também elas ajudam a afastar a bicheza má.

 

- As abelhas são super importantes e por isso são muito estimadas.

A abelha está para eles como a vaca está para a Índia.

 

- Fazem criação de minhocas. Epígea Eisenia.

Com elas fazem compostagem a sério.

Segundo eles, este bichinho nojento como o caneco, transforma todo o tipo de matéria, em terra espetacular.

Vendem para fora.

Se estiverem interessados são baratinhas e nojentas. Muitas a 5€!

 

- Fizeram um lago artificial no meio da quinta.

Porque tinham pragas de caracóis e lesmas.

O lago atraiu sapos.

E os sapos são como o Sebastião, comem tudo, tudo, tudo...

 

- Recebem voluntários do mundo todo para aprender os conceitos.

Têm mão de obra gratuita o ano inteiro.

Tudo na quinta é feito com trabalho voluntário.

 

- As construções da quinta são feitas com lama.

Um método antigo.

O telhado é coberto de palha.

E aguentam-se com chuva e tudo.

Enquanto lá estive, choveu.

Refugiámos-nos na tenda de meditação e não entrou nem um pingo.

 

- As casas de banho. Temos mesmo de falar das casas de banho?

Vou falar das casas de banho.

Chamam-se casas de banho secas.

Não têm autoclismo como as casas de banho normais.

Situam-se no equivalente a um primeiro andar.

Têm sanita.

Mas os dejetos vão parar ao rés do chão.

Em vez de puxar o autoclismo cobre-se com serradura.

Apanha-se e põe-se dentro de um contentor.

Junta-se à festa a bela Epígea Eisenia. Em quantidades industriais.

Um ano depois têm terra boa. Aplicam-na nos produtos biológicos que vendem.

Nesta parte aqui, fiquei com vontade de me agarrar forte e feio aos produtos industrializados e aos pesticidas.

 

Também têm casas de banho normais. Para pessoas que tomam a pílula ou antibióticos.

Segundo eles, neste caso as Epígea Eisenia não dão conta do recado e a terra proveniente pode contaminar os solos.

Também aprendi que a pílula está a deixar os peixes do mar estéreis.

Apeteceu-me regurgitar o peixe que tinha comido ao almoço.

 

- A quinta tem porcos. Especiais.

Porque, este tipo de porco consegue arrancar e comer raízes indesejáveis. São prestáveis e trabalhadores enquanto fazem o que mais gostam, comer!

Fizeram-me lembrar a celebre frase de Confúcio:

 

"Escolhe um trabalho de que gostes e não terás de trabalhar um único dia da tua vida".

 

 - O lago e os dois pontos de água estão cobertos com plantas que filtram as impurezas da água e por isso a água é muito límpida.

 

- Os pontos de água estão em locais estratégicos da quinta e foram feitos quando retiraram a lama para construirem a loja biológica, a tenda da meditação e um pequeno local onde as pessoas se podem juntar e conviver. Só funciona aos fins de semana. Não sei se é um café ou uma tasca. É qualquer coisa entre os dois.

Como tinha um sofá.

Este foi o local preferido do Vasco.

Passou lá o domingo todo.

 

- A quinta parece caótica.

Muito desarrumada.

Cheia de erva e com culturas aqui e ali. É mesmo assim.

Quem vem de fora tem medo de pisar alguma coisa importante.

Às tantas não se percebe onde acaba o pousio e começam as culturas propriamente ditas.

 

- Os produtos da loja são caros. Mas segundo eles, vendem tudo. Para além dos hortícolas produzidos na quinta, vendem pão. Têm muitas variedades de pão: batata doce, azeite, beterraba, etc. E o pão é um dos produtos mais vendidos. As pessoas deslocam-se à quinta pelo pão e acabam por comprar muito mais.

 

quintabio2.jpg

(eu em exercício de funções, a plantar uma árvore)

 

É um conceito, no qual me identifico mas ainda não me sinto preparada para abraçar um projeto desta natureza.

Tenho andado a pensar no que vou fazer quando voltar a Portugal.

Algo deste tipo?

Acho que não.

A parte das casas de banho deu cabo de mim. E também não me estou a ver, criar Epígea Eisenia.

Vasquinhos sim, Epígea Eisenia, não!

Se valeu a pena? Claro que valeu a pena.

Um fim de semana diferente. E proveitoso.

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