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Quiosque da Joana

handmade life

03.12.17

a perna partida. O Vasco. E o pior de tudo...

Joana Marques

A verdade, verdadinha é que a perna partida entrou na minha rotina.

Tomar banho é chato. De resto uma pessoa vai ajustando ao dia a dia.

Tento descansar mais do que o normal.

Tenho trabalhado mas sempre com a preocupação de ter a perna em repouso.

Todos os dias dou pequenos passeios na rua.

Embora a perna se ressinta. E reclame.

Logo que acontece volto para o repouso.

A perna manda na minha vida. Neste momento é assim.

Primeiro a perna, logo a seguir o Vasco e depois a Joana.

 

O Vasco está a adorar.

Este cão percebe num instante.

E sabe que eu não vou aparecer equipada e obriga-lo a correr 10km.

Passo mais tempo que o normal deitada na cama e lá está ele.

Sempre ao meu lado.

O melhor é que quando alguém me visita. Nem pensar em sentar-se na minha cama.

Corre toda a gente à focinhada. E ladra se a pessoa tiver compreensão lenta.

 

A minha mãe bem montou a cama dele num corredor perto da cozinha.

- Dorme tu, Dona Mariana. Eu durmo com a Joana.

Foi o que ele lhe respondeu ainda que não tivesse sido em português.

O dia em que parti a perna foi difícil. O dia seguinte também. Pelo menos uma parte dele.

A partir do momento em que cheguei a Portugal.

E comecei a reencontrar todas as pessoas que fazem parte da minha vida. Tudo mudou.

 

Só há uma coisa excecionalmente má nisto tudo.

Com a perna partida, os golos do Sporting ficam por comemorar devidamente.

 

02.12.17

um chá com uma rodela de limão....

Joana Marques

Os meus pais sempre fizeram uma a duas viagens ao estrangeiro a cada ano.

A primeira era feita na primavera e a segunda mais para o verão, outono.

Quando a minha irmã fez dez anos, o meu irmão tinha 5 e eu tinha nascido nesse ano, teve o privilégio de acompanhar os meus pais numa dessas viagens.

Aconteceu o mesmo com meu irmão quando atingiu os 10 anos. E mais tarde comigo.

Eu comecei a ir aos 8 anos. Porque, já se sabe, eu era chata. E tanto insisti que os meus pais lá me levaram.

Tive de sobreviver aos olhares mortíferos dos meus irmãos mas ainda assim..fui.

 

Gostei de tudo.

Eu queria ser um avião e por isso andar de avião foi o melhor que me aconteceu.

Fomos a Madrid.

Mais tarde, seguiu-se Paris. Londres. Roma. Amesterdão. Enfim, Europa. Voltámos a França, a Inglaterra e Itália para explorar mais cidades e recantos.

Também demos um salto a Cuba, porque estava na moda. E com os meus pais e irmãos fomos várias vezes esquiar a Andorra.

Eu e os meus irmãos fomos uns privilegiados.

 

O bichinho ficou cá.

Tantas vezes que passei pela Bertrand do Chiado para comprar guias de viagem.

O mal destas viagens em família é que não podia escolher o itinerário.

Pois, uma pessoa é pobre e mal agradecida.

 

Quando eu fiz 17 anos. Exatamente na minha festa de anos. O meu tio Nuno disse-me que uma companhia aérea estava à procura de hospedeiras. Deu-me o contacto.

Eu fiquei com o número de telefone no bolso durante uns dias. Passaram do bolso das calças, para o bolso do casaco. E depois para o estojo.

E depois liguei.

Deram uma morada na Avenida da República, a hora e o dia.

Fui. Sem um pingo de nervos.

Estavam lá umas 40 pessoas. Mais mulheres do que homens.

Carregadas de maquilhagem e com saltos de 10 cm.

Eu. Ao natural. Calças de ganga. E ténis.

Caiu-me a ficha. E percebi para o que ia.

Fizeram-me uma entrevista em francês.

E outra em Inglês.

Era fluente em ambas as línguas.

Porque a minha mãe fez questão de me pôr a aprender francês e inglês desde miúda.

 

Fizeram-me uma entrevista em português. Onde me colocaram várias situações que poderiam acontecer num avião e como resolveria.

A única experiência que tinha era de viajar. Lá fui respondendo.

Perguntaram-me também sobre a vida. E sobre tudo e sobre nada.

Com esta brincadeira faltei às aulas nesse dia.

E tive de contar em casa.

Se a minha mãe descobrisse através do diretor de turma nem queria pensar...

Quando souberam em casa. O meu pai achou graça. A minha mãe comeu-me o fígado.

 

Passados uns dias ligaram-me.

- Joana, é para lhe dizer que a formação começa segunda feira.

- Formação?

- Sim, para assistentes de bordo.

Quase tive um avc. Caneco. Como era possível.

Foi difícil esse período. Conciliar um 12º ano e uma formação. Foi tudo menos fácil.

Mais tarde percebi que só entrei porque tinha bom aspeto. E porque sabia falar francês e inglês.

Tinha uns centímetros a menos. E quase não entrei por isso.

A formação terminou. E eu comecei a aprender alemão. Isto porque de repente achei que tinha encontrado uma profissão de futuro.

Era menor. E em casa só autorizaram porque prometi que iria para a faculdade e só podia sair de lá com o diploma. Cumpri.

 

Foram anos espetaculares.

Por tudo. Pelas viagens. Pelos aviões. Pelas viagens gratuitas a que tinha direito. Pelo mundo todo que percorri.

Por perceber que sou uma gotinha minúscula sem importância. Viajar põe-nos no devido lugar em 3 tempos.

E sobretudo pelas pessoas que conheci.

Famosos, ou anónimos. Aprendi muito com eles. A querer ser como eles ou a não querer.

Aprendi a gostar de pessoas que achava que detestava. E também o contrário.

Saí porque me apareceu uma boa oportunidade na minha área de formação. Gestão.

Achei que devia crescer. E tentar alcançar outros objetivos.

 

Hoje entrei, num café. Perto da casa dos meus pais. No Estoril.

Com gesso. E muletas.

E ouvi.

- Joana! É a Joana, não é?

Virei-me. Mobilidade reduzida é assim. Olhei.

E dou de caras com um senhor. E uma senhora. As caras não me eram estranhas.

E veio-me à memória.

Lisboa-Rio de Janeiro.

Nem sei quando.

Ele tinha medo de voar. Muito medo.

A viagem foi calma. E estava um banco vago junto a eles.

E eu juntei-me. Aos dois.

Servi-lhe um chá com uma rodela de limão por cima.

Uma viagem longa que passou num segundo porque estava em boa companhia.

 

 

Hoje, parece que o tempo não tinha passado e conversámos como há 20 anos atrás.

Falaram-me das viagens todas que já fizeram.

Das vezes que falaram de mim.

Falaram-me dos filhos. E dos netos.

E da vida.

- Joana, foi por sua causa que eu perdi o medo de voar.

 

Pedi no café. Sem eles darem conta.

E voltei a servi-los....um chá com uma rodela de limão por cima...

...é um privilégio tremendo servir pessoas especiais....

 

 

01.12.17

uma história de Natal...

Joana Marques

Tinha 8 anos.

E o meu pai tinha tirado a semana do Natal para irmos todos ao Alentejo.

Mal chegámos a casa da minha avó pus os olhos num gato.

A minha avó lá explicou que tinha aparecido um gato lá em casa.

Os meus avós tinham um cão. Que o meu avô adorava. E o gato chateava demasiado o cão.

O meu avô já tinha dito à minha avó para não alimentar o gato.

Mas a minha avó lá ia dando às escondidas comida ao gato.

O gato era pouco simpático. Medroso. E arisco.

O aspeto também não ajudava. Era o gato mais feio que alguma vez já tinha visto.

Esqueçam os gatos amorosos. Este parecia o anti-cristo.

- Joana não toques no gato que te arranha. E doenças. E pulgas.

Avisou-me a minha mãe.

 

É claro que não dei ouvidos à minha mãe.

E passadas duas horas de lá ter chegado, estava irreconhecível.

Tal era o nível de arranhanço.

 

Não me dei por vencida.

Claro, que não.

Comecei a roubar leite aos poucos. Via quando estava livre a cozinha e cá vai disto...

Depois, meus amigos. Os horizontes abriram-se para mim...quando percebi que a minha avó guardava na despensa, leite para alimentar todos os gatos de Portugal continental...

Entrar pela cozinha e seguir para a despensa era perigoso. Podia ser apanhada.

E convenhamos...era pouco elaborado para mim....

Um dia entrei na despensa e deixei a janela aberta. Uma fresta. Não se via. Não se notava.

Foi fácil. Comecei a entrar na despensa pela janela.

Ao fim de dois dias, eu Joana, não andava pelo quintal da minha avó.

Desfilava com uns 5 ou 6 súbditos atrás de mim.

Para além do gato da minha avó, tinham aparecido mais, não sei bem de onde...

 

Nunca fui apanhada. Embora a minha avó começasse a achar que nós os 5, bebíamos demasiado leite.

Também estranharam lá por casa o facto dos gatos de um momento para o outro me adorarem...

 

Algo não batia certo. Nem em casa da minha avó. Nem nas redondezas.

Um dia, fui à mercearia com a minha avó, e uma vizinha queixava-se:

- O meu tareco desapareceu, há 5 dias que não o vejo....

- Também o meu. Já o tenho há 10 anos e é a primeira vez que desaparece...

 

Lembro-me de ver a minha avó. De repente com os olhos postos em mim. E a juntar as peças.

E percebeu.

Claro que percebeu.

A minha avó chegou a casa e arranjou um canto na cozinha para o gato.

O gato aos poucos foi-se adaptando.

Quando voltei lá pelo Carnaval o gato já passava os serões na sala com os meus avós.

A minha avó morreu 5 anos depois. O meu avô morreu logo a seguir. E o gato foi adotado pela minha tia Luz.

Jacaré, o gato. Morreu 5 semanas depois da minha avó ter morrido.

 

A minha avó nunca me denunciou pelo roubo.

Ficou um segredo só nosso. Até hoje..

 

29.11.17

as compras de Natal. E o efeito borboleta...

Joana Marques

Nasci perto do estádio de Alvalade.

Mas vivi até aos 17 anos no Bairro de Campo de Ourique em Lisboa.

Campo de Ourique teve sempre muitos espaços comerciais. Pelo menos na altura.

A última vez que lá fui constatei que com a crise muitas lojas tradicionais fecharam. Algumas permanecem fechadas. Outras foram resgatadas por marcas internacionais.

Não é a mesma coisa.

 

Quando era pequena uma parte da minha família fazia compras no estrangeiro.

Paris. Londres. Ou até Milão.

 

Lembro-me de ir a Paris com os meus pais e os meus irmãos e passar por uma loja com carrinhos.

E a minha mãe dizer:

- Olha tão giro para dar no Natal ao António e ao Filipe.

E o meu pai responder:

- Não, compramos lá.

Eu miúda, não percebia. E é claro que perguntava ao meu pai.

E o meu dizia-me sempre o mesmo.

- Temos de ajudar os nossos. Os do pé da porta. É muito importante que existam.

 

Hoje concordo com o meu pai. E para além de concordar faço o que ele faz. Compro ao pé da porta. O mais possível.

Comprar na loja que está no nosso bairro trás muitas vantagens.

A verdade é que como consumidores temos direito de escolha. E a loja do nosso bairro pode não corresponder às expectativas. De certeza que alguma no país corresponderá.

Temos lojas onlines de marcas portuguesas por todo o lado.

Trabalhos de qualidade. E únicos.

Porque não neste Natal comprar português?

Voltar a dar vida aos nossos bairros. Aos nossos vizinhos. Ou aos nossos conterrâneos.

 

Ao longo de 2017 divulguei vários projetos.

Eu sou suspeita.

Sendo "madrinha" dos projetos acho que são espetaculares.

Podem dar uma vista de olhos. E tirar as próprias conclusões.

E pode ser que algum deles se enquadre no que estão a pensar dar no Natal.

 

- Cutchi:

cutchi (1).jpg- Feltro Linhas e Cia

feltro.jpg

 

- Os Pitinhos.

marta.jpg

 - ClaudYcostura

 

claudycostura.jpg

Quatro exemplos de peças que podem fazer a diferença na nossa árvore de Natal. 

O efeito borboleta existe...está nas nossas mãos que ele funcione.

Uma compra não faz a diferença. Mas muitas compras podem fazer. Uma revolução no país...

 

 

 

Se tiverem algum projeto que precise ser divulgado podem contar com o quiosque para fazer essa divulgação.

 joanatmarqueshr@sapo.pt

A divulgação é totalmente gratuíta!!


 

Não se esqueçam de acompanhar o nosso grupo  handmade life  no facebook!

 


 

 

28.11.17

sapos do ano 2017..

Joana Marques

Devem saber que existem uns prémios tipo globos de ouro mas para blogs.

A verdade é que os nomeados do ano passado foram mais ou menos os mesmos deste ano.

Alguns nomeados nem são bem blogs. Pelo menos não os considero como tal.

Para mim um blog é outra coisa. Mas eu sou novata. Só tenho um ano e pouco disto. E posso não ter percebido bem o que é um blog.

 

Os prémios blogs do ano. E o esquecimento de nomear blogs de verdade. Fez com que a Magda do blog Stoneart criasse um concurso para blogs do sapo ou não. Blogs, blogs.

Durante um tempo tivemos de nomear os nossos favoritos.

E hoje, a Magda colocou os 5 primeiros nomeados de cada categoria.

Votem. Podem votar mesmo se não tiverem blog no sapo. Já confirmei com a Magda.

Votem, a sério.

 

Antes de ter o Quiosque não fazia ideia. Um blog escrito diariamente dá muito trabalho.

Muitas vezes, pergunto-me porque raio ainda o faço. E nunca encontro resposta.

Por isso vos peço para votarem.

Se gostam de blogs, como eu. Votem. É um incentivo para quem escreve e dá um bocadinho de si todos os dias.

As votações decorrem no blog da Magda.

Parabéns a todos os nomeados.

São todos merecidos. São todos excelentes blogs.

E obrigada Magda, pela ideia.

 

Não vão encontrar lá o Quiosque.

Só o encontram aqui.....

....mais vale um quiosque na mão que uma perna a voar*!

 

* uma piada parva sobre a minha perna entrevada....

 

27.11.17

a visita do Sr. Ludovino...

Joana Marques

Estou em casa dos meus pais.

Ontem, quando cheguei, liguei ao Sr. Ludovino, a contar a minha desgraça.

 

Hoje, apareceu cá em casa. Para me ver.

Numa mão trazia uma violeta. Que é a minha flor preferida.

Na outra, um saco plástico do Pingo Doce.

Cheio.

Entregou-me o saco.

Quando abri o saco. Apeteceu-me cortar os pulsos.

Dentro dele. Papelada.

Tudo ao molho e fé em Deus.

Comecei a escavar. E comecei a encontrar.

Tudo e qualquer papel referente à administração do prédio.

No meio de extratos bancários. Contas da água. Da luz. E outra correspondência mais ou menos importante.

Estava isto:

umar.jpg

Chorei a rir.

Só este homem e o seu timming...

 

Já agora, Umar, grande médium curandeiro....se me estás a ouvir...

...era o Sporting campeão.

...envia a conta aqui para o quiosque....em Maio.

 

 

26.11.17

Por favor! Evitem partir pernas...

Joana Marques

A sério.

Tenham cuidado. E não facilitem.

Não acontece só aos outros.

Aconteceu-me a mim. E não estou a gostar. Nada.

As dores são horríveis. Sobretudo, porque só comecei a repousar há menos de uma hora.

Ainda estou a tentar perceber como é que vou encaixar a falta de mobilidade na minha vida.

Mas vou conseguir. Porque conseguimos tudo, na verdade.

 

Já cheguei a Portugal.

Mal saí do avião. Uma temperatura amena convidava ao passeio.

Lembrei-me que tinha uma perna partida e desisti da ideia.

Mas.....

....fiz um choradinho aos meus pais e levaram-me a Belém.

Antes de ficar aprisionada em repouso queria ter um mimo diferente.

Como aquelas pessoas que estão no corredor da morte. E pedem uma última refeição.

E onde fui?

Aqui.

pasteidebelem.jpg

E não. Não cheguei a Portugal para esquecer a dieta e começar a comer que nem uma selvagem.

Foi um delito pequeno.

De quem teve um azar ontem e precisa de um ânimo extra.

 

Depois passei pelo hospital. Onde trabalha o meu tio.

Só para ter a certeza que estava tudo no sítio.

Está.

30 dias de gesso. Um pouco mais porque calha no Natal. 26 de Dezembro.

Repousar o mais possível. E em principio não haverá sequelas.

Perónio, sem problemas. Atenção especial à tíbia. A probabilidade de correr mal é maior...

Ainda tive de fazer um exame qualquer que o meu tio achou necessário.

Porque achou que se dois ossos partiram, sobretudo a tíbia que é um osso muito resistente, podia ter alguma fragilidade óssea. Importante a ser detetada.

Está tudo bem.

Tenho uns ossos maravilhosos tal como eu lhe disse, antes de fazer o exame.

- Como é que foi a queda?

É a pergunta que tenho respondido mais vezes.

- Foi uma queda como deve ser....

Respondo eu.

 

Depois foi a minha vez de fazer perguntas.

Correr?

O médico olhou para mim com cara de:

- Estás parva?? Não aprendeste nada de nada...

Claro que aprendi...Nunca mais voltar a correr com uma japonesa, australiana...

Vou ter de ter paciência. Poderei voltar. Não se sabe bem quando.

 

Aqui estou. No meu quartinho, em casa dos meus pais.

Aqui ficarei no próximos tempos....

A propósito, ainda falta muito para 26 de Dezembro??

 

25.11.17

cuidado com aquilo que desejas....

Joana Marques

Amesterdão é completamente diferente de Oslo.

Estou a referir-me essencialmente ao meu local de trabalho.

Se em Oslo tinha de enviar um email ao colega do gabinete ao lado, para comunicar com ele.

Em Amesterdão tudo é uma festa. As pessoas são super simpáticas e acessíveis.

 

Em Oslo os meus vizinhos não me cumprimentavam. Nem bom dia, nem boa tarde.

Aqui, a minha vizinha do lado quando soube que tinha chegado tocou-me à campainha para me dar as boas vindas. E ofereceu-me bombons. O outro vizinho do lado, apresentou-me o gato. E ofereceu-me um bolo.

O prédio inteiro adora o Vasco. E alguns vizinhos dão-lhe biscoitos.

E acabei de chegar.

Se ficasse por cá. Ainda corria o risco de ser adotada, por alguém.

 

No meu trabalho todos os dias há jantares. E aos fins de semana festas. E as pessoas convivem todas.

E dão-se bem.

Se estas pessoas fossem estagiar a Oslo morriam de tédio. De véspera.

Por aqui. Há música por todos os lados. E as pessoas são felizes. Pelo menos parecem.

 

Uma colega minha.

Filha de pais japoneses.

Australiana de nascimento.

Holandesa no papel porque chegou com um ano de idade.

Descobriu que eu corria. E fez-se convidada.

 

Eu detesto correr acompanhada.

Em primeiro lugar porque tenho o meu ritmo próprio e enerva-me ter de correr mais devagar ou mais depressa.

A australiana japonesa iria correr devagar e cansar-se nos primeiros 5 minutos. Porque nunca correu na vida.

Em segundo lugar porque as pessoas falam. E eu gosto de correr a ouvir música selecionada por mim. E que me dê alento.

E, senhores. A japonesa australiana é palradora. Se é!

 

Tanto insistiu. Que eu, coração de manteiga de coco, aceitei.

Para a dissuadir marquei para as 7h da manhã de sábado.

Sim, foi hoje.

Pontual, a japonesa, australiana tocou-me à campainha às 7h da manhã.

Vasco resmungou. Estava a dormir. E era uma hora imprópria para se tocar campaínhas!

 

Começámos a correr.

E a trôpega da japonesa, australiana tropeçou. E agarrou-se a mim.

Não sei bem o que aconteceu, depois.

Só sei que foi épico.

Ficará para a história, como um dos mais espetaculares esbardalhanços que este planeta já viu.

Duplo mortal. Com dupla pirueta.

Tinha-me esquecido das asas em casa.

E pumba.

Não sei bem como. Aterrei de barriga para cima.

Senti um estalo na perna. E em seguida a dor mais forte que já tive na vida.

Foi horrível.

E claro fiquei ali. Estendidinha. Uma perna com o dobro do volume da outra. É óbvio que estava partida.

 

Vieram pessoas. Ajudaram.

A japonesa, australiana estava em pranto. Ligou para a mãe a pedir ajuda.

Chamaram uma ambulância e fui para o hospital.

Pouco depois apareceu a família toda da japonesa, australiana. Pai, mãe e dois irmãos. E ela própria.

Percebi que eram todos da mesma família. Para além, de terem feições japonesas. Eram faladores como o caneco.

Não percebi se falavam japonês ou holandês. Sei que falavam. Muito. E depressa.

 

Tinha dores. Mesmo, mesmo dores. De cortar a respiração.

Fui imediatamente atendida. Sempre com a família japonesa atrás de mim.

No hospital devem ter pensado que era filha do casal mas que teria sido trocada na maternidade.

Nunca me largaram. E aos meus gemidos correspondiam com festinhas na cabeça.

 

Fui tratada maravilhosamente bem. Pelos enfermeiros, médicos. Mas também pela minha nova família. 

Depois do raio x.

A maravilhosa notícia.

Perónio e tíbia.

Se é para partir. Que seja em condições. Dois ossos partidos. Apenas um gesso. Bem pensado, Joana!

Deus guarde o plantel do Sporting de tal coisa.

 

socorro.jpg

Não é possível continuar aqui desta forma. Eu e o cão.

Os meus pais chegam amanhã para me ajudarem no regresso.

Vou continuar o meu trabalho, em Portugal.

Seria preferível estar aqui, mas paciência.

Em Janeiro devo de voltar cá. Por uns dias.

 

Sempre ouvi dizer. Cuidado com aquilo que desejas.

Pois. A partir de agora tem outro significado.

Tanto desejei voltar a Portugal.

Voltarei sim, mas escangalhada.

O universo é mais ou menos como eu, às vezes tem um sentido de humor estrambólico. 

24.11.17

follow this blog #14

Joana Marques

Este seria o meu follow friday número 13.

Mas para não dar azar, no título coloquei 14!

 

Já se sabe que...

....os melhores dias do mês são as follow friday!

Hoje é follow friday!

 

Das muitas pessoas especiais que encontrei aqui no sapo blogs. Esta é uma delas.

Foi por aqui que conheci José da Xã.

Para além de pertencer à família verde e branca! E de frequentar o melhor spot. Estádio de Alvalade!

Tem também um blog. Visitem!!

Joana Marques

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