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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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31
Jul17

Isto não é uma cenoura!

Joana Marques

Estava eu a passear-me por um mercado local.

Daqueles que eu gosto.

Cheio de legumes, frutos e cores.

Quando no meio do colorido, vejo isto:

1 (3) (3).JPG

-Ai! Credo! Coitadinha da cenoura...será albina?

Fui-me embora.

Voltei.

Olhei outra vez.

Aquela cenoura.

Que não era cenoura, intrigou-me.

Ou seria uma cenoura.....com um problema...

Não, não era uma cenoura...

Até podia ser uma cenoura...com um défice de cor....

 

Fiquei a olhar para ela.

Até que a senhora dona da cenoura albina:

- Quantas quer?

- Uma....

 

E pronto!

Lá fui eu para casa acompanhada por uma cenoura que não era uma cenoura.

Resolvi enviar uma foto, para algumas pessoas, com a pergunta:

- O que é isto?

 

Queridos quiosquianos...

...estão bem sentados?

Isto, não é fácil de ler....

 

 

(a minha cunhada)

- É uma cenoura anémica??

- É...claro!

 

(o meu pai)

- Não sei.

- Nem eu!

 

(o meu sobrinho Pedro) 

- Oh! Puseste a cenoura na lixívia???

(sem comentários)

 

(a minha sobrinha Inês)

- Ah! Eu sei o que isso é!

- Boa! Como se chama?

- Acho que é um rabanete.

-

- Rábano?

- Não. É uma beringela...

- Ah! tens razão. É uma beringela.

 

(o meu irmão?)

- É um brinquedo do Vasco?

- Ainda não é....mas pode vir a ser...

 

(o meu primo António)

- É um doce do Algarve. Mas tu não estás na Noruega?? Há doces do Algarve na Noruega?

- Há. Tens é de saber pedir em Norueguês!

 

- É uma Pastinaca? Parece-me uma pastinaca. Ou então é uma cenoura mas a fotografia ficou sem cor.....

- Óbvio! Uma Pastinaca.....

 

 

E esta resposta certa veio da minha amiga Maria que sabe tudo e mais alguma coisa.

Pelo menos sobre legumes, frutos e todo o mundo agrícola.

 

Pastinaca ou cherovia é o nome da dita cuja.

Prima da cenoura.

Chegam a ser mais ricas que a cenoura em certos nutrientes.

Contém pequenas quantidades de ferro e vitamina C mas são muito ricas em potássio.

São uma excelente fonte de fibras. E nós precisamos de muitas fibras para alimentar as bactérias boas.

Tem cálcio. E tem magnésio. E ter magnésio é espetacular. O magnésio é um dos nutrientes que nos dão energia...

 

O que é que podemos fazer com esta cenoura deslavada....

Neste momento gosto de ralar e colocar na salada por exemplo mas estou fã deste petisco.

 

Descasca-se.

Corta-se em rodelas muito fininhas.

Dispõem-se num tabuleiro.

Acrescentei banana porque ainda tinha espaço no tabuleiro.

Borrifei com óleo de abacate. Podem usar de coco ou azeite. O que preferirem.

1 (11) (1).JPG

 

Forno pré-aquecido.

170º a 180º.

10 a 15 minutos.

Desligar o forno. E esperar mais 10 minutos.

Verificar se já estão estaladiças.

Repetir o processo até estarem estaladiças.

Chips! Tão bom! Enquanto se vê um filme ou para levar para o trabalho!

Coloquei canela e açafrão. É ao gosto de cada um...claro!

1 (14) (2).JPG

Podem usar outros frutos ou legumes: maçã, ananás, batata doce...

Se gostarem deste tipo de petisco podem optar por algo mais profissional.

Um desidratador. Parece-me um bom investimento.

 

 

É tão bom.

Descobrir novos alimentos.

Novos sabores.

Experimentar novas receitas.

Estou a adorar, mudar a minha vida alimentar. Só coisas boas!!

 

 

27
Jul17

a quem julgar o meu caminho...

Joana Marques

A minha irmã mais velha tinha acabado de ter a Inês.

Já tinha a Madalena com 8 anos, o Pedro com 2 e agora a Inês.

Andava exausta.

O meu cunhado estava a trabalhar.

A minha mãe ajudava no que podia mas mesmo assim...

Estávamos em férias escolares e tanto o Pedro como a Madalena estavam em casa.

 

Eu, com 21 anos, achava que sabia tudo. 

Olhava para os três.

Não percebia porque raio se queixava tanto a minha irmã.

Três anjos. Que sorte!

Não dão trabalho nenhum...

 

A minha mãe sugeriu que podia ficar a tomar conta da Madalena e do Pedro.

-A Madalena pode ir.....mas o Pedro...

O Pedro ainda era pequeno...

.....e a minha irmã não estava pronta para abdicar dele. Nem que fosse por um dia.

 

Eu sabia tudo. Tudo era canja.

- A mãe leva a Madalena e eu vou passear com o Pedro. Não te preocupes com o jantar. E não te preocupes que o entrego a horas decentes.

A minha irmã olhou para mim.

Muito calma.

Sempre calma. Disse que sim...

 

Peguei no puto. Toda a confiança do mundo e fui com ele passear para o Cascais Shopping.

Viagem até lá espetacular.

Os dois a cantar no carro. Quando me pede para pôr uma música qualquer que eu desconhecia...

- Oh, Pedro! Não conheço. Podemos ouvir antes esta?

Disse eu confiante...

- NÃO!

E começa uma berraria no carro.

Chego ao parque de estacionamento e tento acalmar o puto.

A coisa ficou por ali...

 

Sou um espetáculo.

Tenho mesmo jeito para crianças.

Fazem tudo aquilo que eu quero...

Adoram-me...

 

Pois, pois presunção e água benta cada qual toma a que quer.....

Entro numa loja de roupa e o puto atira-se para chão.

Pedro, em modo ovo estrelado.

Ainda fiquei na dúvida.

Fujo e finjo que não o conheço....uma possibilidade!

Não me parece que alguém me obrigue a fazer um teste de ADN.

Ou, digo que me pertence?

 

Fiquei. Que remédio.

Lá tentei persuadir o puto. Esticadinho no chão. Num berreiro.

Montes de gente a olhar. E com um ar...

- Oh!

- Tão triste quando não sabem educar uma criança.

- Os putos de hoje em dia não têm regras...

- Coitada, que mãe tão incompetente.

- Se fosse meu filho não fazia nada disto.

- Tão nova e já tem um filho.

 

Vários minutos de negociação.

A promessa de um carro telecomandado, um gelado, um bolo, um chupa-chupa e um rim.

Os dois rins. Em caso de tragédia, a sério!

Certificados de aforro. Um PPR. Um par de patins.

Ah! E uma pista de comboios.

Um cão, um gato e um canguru.

E foi só!

O puto fez o favor de se levantar.

 

O puto parecia bem disposto.

Continuámos o nosso passeio.

Os meus níveis de confiança já não estavam assim tão altos.

Mas também não estavam baixos.

 

Ok! Já tinham passado 5 minutos.

A minha irmã. Que exagerada.

O Pedro fez uma birra e depois? É uma criança. É normal...

Alguma vez este fofo é cansativo? Nunca...

Ó! É tão fofo este sobrinho. Dá cá um beijinho....

 

 

Entro na Chicco.

Ó....grande erro!

Mesmo, um grande erro....

Por instantes, larga-me a mão. E em meio segundo, perco-o.

Ouço um barulho!

- Credo. Parece que estão a destruir a loja.

- Ehhhhh! Eu conheço aquela pessoa que está dentro da montra...

- C'um caneco! É O PEDRO QUE ESTÁ DENTRO DA MONTRA!

Só tive tempo de o puxar.

Um manequim da montra veio junto com ele.

Eu só queria sair dali...pronto! Fugir!

Pedi muita desculpa. Peguei no Pedro. E adeuzinho...

Nem tive tempo de ver, como deve ser, os olhares reprovadores das pessoas.

Adoro esses olhares...daqueles que tudo sabem.

Também eu, tinha saído de casa da minha irmã com esse olhar...

...mal eu sabia, que nunca mais o iria fazer.....

 

O dia ainda não tinha acabado.

Ainda tinha de lhe dar o jantar.

- MAS PORQUE RAIO É QUE EU DISSE QUE LHE DAVA O JANTAR???

Durante o jantar.

Recusou-se a comer.

Embodegou-se todo com a sopa.

Embodegou-me a mim com a sopa.

Chorou.

Ameaçou vomitar.

Esperneou.

Andei eu, pela minha casa toda, a correr atrás dele com a colher de sopa. Embodeguei a casa toda.

Carpetes. Tapetes. Chão. Teria sido mais fácil se já tivesse um cão....comilão...

De um momento para o outro ficou todo ranhoso.

Assoou-se ao casaco.

 

Entreguei-o à minha irmã. Uma hora mais cedo que o combinado.

A minha irmã calma como sempre.

Pegou no filho e começou a tratar dos danos. Não sei muito bem se aquela roupa serviu mais alguma vez....

Eu fiquei com nódoas que nunca mais saíram...

Para não falar do trauma....Não vamos falar do trauma...

E da lição que aprendi? Sim, isso podemos falar...

 

"..a quem julgar o meu caminho, empresto os meus sapatos...."

 

A minha irmã Sofia faz hoje 46 anos.

...tem sido desde o dia que nasci uma referência para mim.

Sem grandes julgamentos ou palavras.

Apenas está....

.... a indicar-nos o caminho certo...

 

21
Jul17

64,43€ vezes dois...

Joana Marques

Não sou pessoa de hotéis. Detesto hotéis.

Para me sentir feliz preciso de me sentir em casa.

E sentir-me em casa nem sempre é fácil.

Pelo menos para mim que estive em Barcelona a viver, passei um mês na Grécia, de repente estava em Oslo.

Uma semana em Formentera, Barcelona novamente e aqui estou eu em Oslo outra vez.

 

A sensação de conforto que só uma casa sabe dar vai-se construindo.

Uma almofada aqui, uma mantinha ali. Um quadro na parede. Uma aguarela, etc.

Ao longo dos dias, semanas, meses vamos compondo o espaço.

E nem me demove saber que em finais de Outubro devo sair daqui.

E que até Outubro ainda devo passar por Barcelona várias vezes.

Não me demove porque a sensação de casa é muito importante para mim.

Ter as coisas dentro de malas e sacos à espera de me ir embora não funciona comigo.

Tem tudo de estar no lugar. No sitio que idealizei.

 

Ora a minha cozinha, aqui de Oslo, não tinha tudo o que precisava.

Faltava-lhe organização. E arrumação.

Uma cozinha tem de ser funcional.

Comecei por organizar o armário das panelas. Depois o dos pratos. Passei para as chávenas.

Dei uma volta nas caixas plásticas e nas tampas.

Um dos truques que aprendi ao longo do tempo é que a vida é muito curta para desesperar com caixas plásticas e tampas.

Se tivermos as caixas todas iguais.

Todas as tampas dão.

Fui ao Ikea comprar:

- pequenas: tampa azul.

- médias: tampa transparente.

- grande, só uma, para a sopa, tampa branca.

 

E depois faltava-me a arrumação.

A cozinha tem armários e duas prateleiras que não chegam para tudo o que preciso.

Comecei a pensar seriamente em adquirir mais duas prateleiras.

Só que a casa não é minha.

Quando fui ao Ikea andei por lá a ver prateleiras mas com as medidas que eu queria não encontrei.

 

Entretanto falei com a senhoria e perguntei se podia pôr duas prateleiras na cozinha.

Um dia apareceu aqui em casa porque não tinha percebido onde é que eu queria pôr as prateleiras.

O inglês dela, enfim.

O meu norueguês.....é uma maravilha mas não sei porquê ninguém percebe...

Estava um bocado indecisa.

Mostrei-lhe o meu sistema de arrumação de panelas. Pratos. Chávenas. E acabou por concordar.

 

Andei por aqui a ver. Perguntei. E fui parar a uma loja como o Aki. A diferença é que tem um nome impronunciável.

Lá comprei as prateleiras.

64,43€. Cada uma.

64,43€. Vezes dois.

Não contando com os 6 parafusos. Precisava de dez mas 4 estavam incluídos nas prateleiras.

Ah! E uma coisa muito glamourosa chamada bucha. Precisei de 6.

 

Pedi mais uma vez ajuda ao senhor boliviano que faz a manutenção lá no meu trabalho.

Emprestou-me um berbequim. Uma chave de fendas. E foi tudo o que precisei.

Umas medições. Um bocado de força. E uma tarde bem passada.

E um trabalho impecável!

Sou tão espetacular nestas coisas e tão fraquinha em spa's. E em compras. E zaras e cenas.

prat.JPG

A senhoria já cá veio ver a obra.

Ficou contente.

Reembolsou-me.

Os 64,43€ vezes dois, mais parafusos, mais buchas. É tudo por conta dela.

O melhor de dois mundos. É como ir à Disney e não pagar bilhete.

E sim, pegas verdes e brancas.

É a primeira coisa que faço quando chego a uma casa nova.

É o primeiro passo para me sentir em casa...

 

19
Jul17

overnight. O pequeno almoço..

Joana Marques

Quando publiquei este post, percebi que o pequeno almoço deve ser uma dor de cabeça para muita gente.

Até hoje foi um dos post's com mais visualizações. Não tendo destaque. É porque foi mesmo importante.

 

Aqui há uns dias chegou-me aqui a casa este livro.

cs.JPG

Quando olhei para o titulo achei que podia não se adaptar a mim...

Eu não sou uma criança. Nem vivo com uma grande família. O livro é tudo de bom.

Comecei por folhear o livro. À pressa. E gostei logo muito dele.

Adapta-se perfeitamente ao meu estilo de vida.

Cheio de dicas e ideias.

Muitas receitas que aproveito. Praticamente todas. E muitas ideias para eu própria inventar as minhas receitas.

 

Uma das sugestões que mais gostei chama-se overnight.

E o que é um overnight?

É algo espetacular.

Resumidamente: já não há desculpas para comer mal porque não temos tempo de manhã, para fazer isto ou aquilo.

Este pequeno almoço faz-se na véspera.

Não vou deixar a receita do livro. Obviamente.

Vou deixar-vos com a minha versão que é diferente da do livro. Bastante diferente.

 

Na noite anterior, coloquei num copo uma dose de iogurte de coco.

Juntei-lhe granola. E frutos vermelhos.

Misturei tudo muito bem e esmaguei alguns frutos vermelhos.

No dia seguinte de manhã. Uma explosão de sabores. O doce da granola e da fruta sentia-se por toda a parte.

Para mim foi suficiente, mas para os mais comilões podem acrescentar um pão sem glúten barrado com manteiga de amêndoa, por exemplo.

Ou um ovo cozido. Não ao overnight, ao pequeno almoço...

Ou simplesmente duplicar a dose. Triplicar?

Se rebentarem...não me denunciem, se faz favor...

Rápido. Muito rápido.

Saudável. Muito saudável.

 

P7180539.JPG

E pensem em todas as conjugações que podem fazer.

Frutas.

Muitas frutas à disposição.

Granola.

E sementes.

Iogurtes de coco, amêndoa, cabra, kéfir, leite de coco.

O céu é o limite...

Vale tudo menos tirar olhos e usar iogurtes.....daqueles cheios de açúcar. BLHEC!

 

18
Jul17

os noruegueses. Não percebem norueguês....

Joana Marques

Quando comecei a trabalhar tinha uma colega que era celíaca.

Nos anos 90, ser celíaco era mau.

Hoje em dia também é. Claro!

Mas hoje, há todo um mundo de alternativas.

Na altura as alternativas eram poucas e muito caras.

A Luísa, era assim que se chamava a minha colega, aproveitava todas as cidades por onde passávamos para procurar alternativas.

A grande luta da Luísa era conseguir fazer um bom pão.

Sem glúten e que tivesse sabor a pão.

 

Quase todas as semanas nos dava a provar um novo pão.

Variava o tamanho, a cor, a textura.

Uns melhores, outros piores mas a Luísa não desistia.

Infelizmente, perdi o rasto à Luísa.

Na altura não ligava muito.

Hoje dava-me muito jeito partilhar e conversar com a Luísa.

 

Contei aqui a receita que estava a usar no que diz respeito ao pão.

Fiz várias vezes.

Optei por fazer bolinhas e congelar.

Mas....não me satisfaz totalmente.

É diferente do pão, pão.

E um bom pão é imbatível.

A verdade é que cada vez sinto menos necessidade de comer pão.

Mas, há dias e dias. E há dias em que apetece.

 

Andava com uma ideia na cabeça.

Tentar cozinhar outros pães.

Outras receitas.

E tinha na minha cabeça um ingrediente que a Luísa falava muito: Goma Xantana.

Goma xantana serve para dar consistência à massa tal e qual como faz o glúten.

A ideia andava a vaguear na minha cabeça.

Ia e vinha.

E depois apoderou-se de mim.

Tarde demais. Já não estava em Barcelona. Tinha voltado para Oslo.

 

Fui ao supermercado.

E andei a ver os pães sem glúten.

Podia ser que se fizesse luz.

Não, não fez...

Não fazia ideia de como se dizia goma xantana em norueguês.

 

Quando na semana passada, estive na minha aula de norueguês, perguntei ao professor.

- Como se diz goma xantana em norueguês??

-

 

Resolvi ir ao tradutor do google.

E goma xantana em norueguês, é segundo o Google: xantangummi.

 

Saí de casa para passear o Vasco e passei numa loja, entrei e perguntei no meu melhor norueguês:

- Boa tarde. Tem xantangummi??

O Vasco.

- Uff?

A senhora da loja.

-

Ainda disse em inglês e em português.

Mas desatei-me a rir.

O ar da senhora da loja era demasiado cómico para eu ficar séria.

Saí da loja.

Insatisfeita? Não totalmente.

A norueguesa não percebeu o que eu disse, é certo.

Saí de lá sem goma xantana. Mas....

....alguém tinha percebido qualquer coisa do que eu tinha dito. Alguém tinha feito: Uff.

Nada mau...nem tudo estava perdido.

Bastava-me ir a uma loja e pedir para ser atendida por um cão...

 

Continuei a passear o Vasco.

E aparece à minha frente uma loja de produtos naturais.

Ou qualquer coisa do género.

Pelo que percebi em vez de venderem salsichas de carne.

Têm em stock montes de salsichas de soja, se procuramos bem....devemos encontrar com aloé vera...e assim.

 

Entrei.

Vi um homem.

Caneco...precisava mesmo era de um cão. Seja o que Deus quiser...

Preparei-me.

Respirei fundo.

E.

Perguntei, com o melhor norueguês de sempre.

Juro!

Melhor norueguês alguma vez falado na Noruega! Incluindo, Suécia e arredores....

- Boa tarde. Tem xantangummi??

Vasco.

- Uff!

- Não.

Ainda arrisquei e perguntei:

- Sabe onde se vende xantangummi?

- Não.

Foi um não, tão NÃO. Um não do tipo...

Se não vens comprar salsichas....não temos nada. Por favor, sai daqui. Sai daqui. Sai daqui.

 

 

Será que não percebeu o que lhe perguntei. Impossível.

Tinha falado na perfeição norueguês.

Também não saí insatisfeita de todo.

Se precisar de salsichas de soja, já sei onde há.

Acreditem....têm tantas!

Aquilo é coisa para render até ao Natal.......de 2034..

E....

Fiquei com a certeza que garantidamente eu e o Vasco partilhamos a mesma frequência.

Aquele uff, já não foi um uff de interrogação, foi um uff...estou-te a perceber.

Continua assim.

Estás no bom caminho.

 

Continuei o meu passeio.

E dou de caras com uma loja onde já fui.

Tem montes de coisas exóticas.

E é lá que consigo arranjar cocos e polvilho.

Tenho de pedir com antecedência. Mas dias depois tenho tudo à minha espera.

 

O Vasco não entrou. Não deixam. Ficou preso a um candeeiro.

- Boa tarde. Tem xantangummi??

O senhor sorriu e ausentou-se.

O meu coração explodiu de alegria. Goma Xantana, olé!

 

Falso alarme.

O senhor trouxe-me um saquinho de gomas em formato de urso.

Disse que não. Não era aquilo.

Peguei no Vasco e fui para casa.

Peguei no telefone e liguei para Lisboa.

Já vem a caminho....

 

Os noruegueses. Não percebem nada de norueguês.

Estou desconfiada que o Vasco percebe tudo.....

 

 

- Uff!

 

 

17
Jul17

outlier....

Joana Marques

É um termo usado em Estatística.

É um valor atípico. Que difere muito. Para mais ou para menos. Sai completamente da norma.

Todos os gestores, como eu, conhecem-no bem. E não gostam muito dele.

 

Outlier.

Obriga-me a alterar. A mudar decisões que me roubaram horas e horas de trabalho.

Essa é a beleza do meu trabalho, também.

Adrenalina. Caos. E algumas vezes superação. Outras, só frustração.

Se pelo menos avisassem. Podiam enviar um sms!

- Jota, querida. Vou aparecer amanhã entre as 10h e as 11h..

Não. Aparecem simplesmente. E muitas vezes disfarçados. Para ver se passam despercebidos.

-Como eu vos odeio...outliers...

 

 

Há uns dias atrás, recebi um convite: de Pedro Correia.

Convidava-me a escrever um texto sobre o que eu quisesse. Com a dimensão que eu quisesse.

Para ser publicado no blog: "delito de opinião".

Sou seguidora do blog. Desde os primeiros tempos.

Gosto de o ler mas é muito diferente do Quiosque.

 

Nesse dia li-o com bastante mais atenção.

No lado direito do blog, estão o nome dos autores que lá escrevem.

O meu estado de alma mudou umas 50 vezes naquele dia.

Senti-me honrada, claro. Mas e o medo?

 

Comecei a pensar no que ia escrever.

Optei por algo com que me identifico.

Só que eu sou um outlier.

Sempre fui.

Estou sempre fora. Nunca sou a norma.

Por mais que tente.

Às vezes até me estou estou a encaixar. Um camaleão que acertou na cor. 

Só que é sol de pouca dura. Um interruptor que se liga. Ou desliga.

 

E pronto!

Fechem as portas à chave. Escondam o serviço de jantar...que aí vem ela. Eu!

 

 

Enviei ao Pedro, cheia de medo, o que tinha feito.

Diferente. Tão diferente.

Perdido por cem, perdido por mil.....

Podem espreitar.

E espero que gostem..

.....nem que seja um bocadinho pequenino....

 

Obrigada, Pedro!

Pelo convite e por abrir as portas a este outlier.....

... Saudações Leoninas!

 

13
Jul17

serendipity....

Joana Marques

"finding something beautiful without looking for it"

 

Vamos esquecer um livro?

Ou vários?

No restaurante.

No café.

Numa paragem de autocarro.

Numa estação de comboio. Num banco de jardim...

Não interessa o local. O importante é deixar o livro.

E esperar que alguém o encontre.

 

Este é o mote para uma ideia maravilhosa.

Não é minha, tenho pena.

Mas é tão boa, tão boa que tenho de fazer parte.

 

Deixei-o, num parque aqui perto da minha casa...

12 (5).JPG

12 (16).JPG

Espero que quem o encontre fique feliz com o acaso deste dia.

Tenho esperança que vá parar às mãos certas.

Nunca o saberei. Faz parte do encanto.

 

 

Esqueça um livro. Espalhe conhecimento.

É um projeto a decorrer em alguns estados brasileiros. Com muitas participações.

E na Noruega....com a minha!

 

12
Jul17

um dia destes. Quem sabe....

Joana Marques

Tinha 4 anos.

O meu tio perguntou-me o que queria ser quando fosse grande. 

Respondi com um ar de "tenho a certeza absoluta" que vou ser:

- Padeira.

- Padeira?

- Sim, padeira.

O meu tio riu-se, o meu pai riu-se, a minha mãe não achou graça.

Sei esta história pela minha família, não me lembro deste episódio.

 

É claro que fui crescendo e à medida que o tempo passou fui querendo ser muitas outras coisas.

 

Estava no nono ano e fiz, juntamente com a minha turma, testes vocacionais.

O mais extraordinário é que o resultado do meu teste foi diferente do de toda a gente.

Os meus colegas tinham uma área ou vocação muito forte. E tudo o resto a meio da tabela.

O meu não. Tinha muitas áreas onde "supostamente" era muito forte.

E depois lá muito, muito, muito para baixo.

Na terra de ninguém.

"Joana, por amor da Santa está quieta ou o mundo corre perigo". Mecânica.

 

A Diretora de Turma notificou os pais e deu a conhecer os resultados.

A minha mãe comparou os meus resultados com os de alguns colegas e achou que estavam errados.

Economia, Direito, Área de Saúde, Artes....enfim tudo. Excepto, mecânica...

-João, isto deve estar mal. Como é possível? A Joana não tem jeito para nada???

- Para alguma coisa deve ter.

- Para tantas áreas?? Ou foi engano ou não levou a sério os testes. Joana, fizeste os testes com cabeça?? Ou foi ao calhas??

- Claro que fiz!

- Não é possível...há aqui qualquer coisa errada...

 

Acabei num consultório de um psicólogo chatíssimo, primo de uma amiga da minha mãe.

Lá para os lados da Avenida de Roma.

As vezes que eu corri para lá.

Quase me fez enveredar pela carreira de homicida....

 

E para quê?

Os resultados foram exatamente iguais.

Mecânica, não. Não toques em mecânica.... E o mundo é um lugar belíssimo...

 

Acabei a escolher economia no secundário.

E porquê?

Para não me separar do meu melhor amigo. Se não fosse ele, provavelmente teria ido para artes.

 

Quando o secundário terminou.

Acabei por escolher gestão.

Muito por influência do meu pai que também é gestor.

Pensando bem, acho que só por influência dele, mesmo.

 

A verdade é que a licenciatura me fez bem.

Não gostei, é certo. Demasiados assuntos terrenos para mim.

Mas precisava disso na minha vida.

Tenho uma capacidade incrível para voar. Deixar o pensamento ir.....

...em dias maus, posso não voar mas mesmo assim passo dia a planar....baixinho que seja..

A minha profissão faz-me aterrar. E se estiver em terra 8 horas por dia já não é nada mau...

 

Quem me conhece fica de pé atrás quando percebe que sou gestora.

- Gestora? E o que geres tu?? Nem o guarda roupa da barbie te confiava...

Deve ser pelo meu aspeto. Ou pela idade... Digo eu...

....depois habituam-se.

 

Profissionalismo.

Costuma falar por si.

Pelo menos na maioria dos casos resolve as desconfianças...

Nunca deixo nada ao acaso.

Controlo tudo o que posso e tento controlar o que não posso.

A minha profissão pode não ser daquelas que salvam vidas.

Mas tem influência na vida de muita gente. Uma má decisão e.....

Às vezes é muito angustiante...mesmo, mesmo angustiante.

 

Escolhi.

Arrependi-me, alguma vez?

Não, propriamente.

Muitas vezes penso que me tenho de reinventar.

Que já não quero mais.

Que posso fazer melhor.

Posso fazer outra coisa qualquer. Se calhar não....mas às vezes acho que sim.

A vantagem é que é uma profissão tão abrangente.

Que se adapta a tudo.

 

Se um dia quiser mudar.

Mesmo, mudar.

Sei que o vou fazer....

...mas jamais deixarei de ser gestora...

...porque tudo é melhor bem gerido. E bem planeado.

Incluindo a vida!

 

E o que que esperamos nós da vida...

.....é o mesmo que ela espera de nós?

Um dia destes quem sabe....

...se as vontades se juntam....um dia destes....

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