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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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19
Jan17

a cabeça a prémio.....

Joana Marques

Com 4 anos fui para o infantário.

Em Campo de Ourique, perto de casa.

Adaptei-me logo.

Gostei do primeiro dia e de todos os restantes.

 

Todos os dias a minha irmã saía das aulas e passava para me ir buscar.

Todos os dias eu corria que nem uma desvairada para chegar depressa a casa e contar todas as novidades.

Monopolizava o tempo de tudo e de todos.

Contava a história do dia à minha mãe, ao meu irmão e à minha irmã.

E ao jantar contava outra vez.

Afinal o meu pai ainda não tinha ouvido e precisava urgentemente de saber.

 

Um dia, qual não foi o meu espanto, quando vi a minha mãe à minha espera em vez da minha irmã.

Tinham-lhe telefonado.

A minha mãe estava com um ar francamente abatido e arreliado.

Até me benzi.

Na minha cabeça comecei a imaginar que raio é que tinha feito para ela me ter ido buscar.

Na minha cabeça apareceram mil e uma possibilidades.

E isso não foi bom.

 

- Será que foi porque aprendi a lançar ervilhas com o nariz? 

- Se calhar foi porque descobriu que ando a pôr caracóis nas cadeiras dos meus colegas.

- Ou será que lhe contaram que ando a enterrar o bife do almoço dentro dos vasos das plantas.

- Ah! Não posso! Ela sabe que eu ando a imitar a professora Zelda?

 

 

Faltou-me o ar quando a minha mãe abriu a boca...

- Joana, há uma epidemia de pediculose no infantário.

Até me nasceu uma alma nova mas durou pouco tempo...

Pediculose? Caneco, não me digas que é o nome que dão a pessoas que atiram ervilhas pelo nariz...

 

Pediculose para Campo de Ourique!

Piolhos para o resto do mundo.

 

Entre as Carolinas, as Beneditas, os Bernardos e os Lourenços.

A fina flor de Campo de Ourique.

Havia agora a pairar, naquelas cabeças, indivíduos que não tinham sido convidados para a festa.

Cheguei a casa, a minha mãe confirmou o pior.

Eu tinha piolhos.

Daqueles fofinhos!

Granjolas...

Um império a ser construído na minha cabeça!

 

A minha mãe foi à farmácia do Sr. Gilberto.

A minha mãe suplicou ao Sr. Gilberto que lhe vendesse o remédio mais potente que tinha contra tais criaturas.

A minha mãe ligou ao meu pai para passar numa farmácia perto da empresa que de certeza teria outro tipo de produtos.

A minha mãe ligou ao irmão médico para passar por lá.

A minha mãe ligou para toda a gente que conhecia e que tinha filhos que já tinham tido piolhos.

Eu estava a adorar toda a movimentação extra na nossa casa.

 

A minha cabeça foi molhada.

Esfregada.

Penteada.

Molhada outra vez.

Eu estava a divertir-me tanto! Tanto!

Tinha desde sempre os minutos contados no banho.

Desta vez foi um banho de imersão e peras!

Tive de ficar com um produto mal cheiroso e uma touca na cabeça.

E passado um bocado.

A cabeça molhada.

Esfregada.

Estrafegada.

Esmiuçada. E sufocada.

Penteada.

Ó boa vida!

 

Sou uma pessoa generosa....

No dia seguinte de manhã a minha mãe quase teve uma apoplexia.

Também ela tinha piolhos.

 

Toda a gente sabe que quando as coisas estão más, podem sempre piorar mais um pouco.

E nesse dia à tarde, também a minha irmã apareceu com brindes em forma de ovo e em forma de bicho.

 

A nossa casa parecia um cenário de guerra.

Onde as armas químicas imperavam...

A minha mãe teve a um passo de incendiar a casa só para se ver livre dos piolhos.

 

O meu pai deve ter-se rebolado a rir.

Às escondidas....

Às claras dava direito a levar uma facada.....

 

E em pouco menos de nada lá se foi todo um império...

...e a nossa vida voltou à normalidade..

...ainda tentei a todo o custo reabilitá-lo...

mas nada..

...nunca mais voltei a ter a cabeça a prémio..

....ou prémio na cabeça.

 

piolho.jpg

 

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