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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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30
Jan17

a primeira vez! Que fiz pão....

Joana Marques

Depois de ter descoberto que a minha vida alimentar ia mudar.

De ter estado cerca de um ano sem tocar em pão e noutras iguarias.

De ter passado fome, muita fome.

Decidi que tinha de mudar alguma coisa.

Não podia passar o resto da vida doente mas também não podia passar o resto da vida com fome.

Comecei a aprender a cozinhar de forma diferente.

E a adaptar-me a novos sabores.

 

Voltei a experimentar comer pão. Continuava a fazer reação.

Comecei a pensar seriamente em fazer o meu próprio pão.

Que não me fizesse mal mas que fosse bom, também!

 

Tinha visto muitas vezes a minha avó Maria fazer pão.

Ficava horas e horas a acompanhar o processo.

A minha avó que só tinha duas netas raparigas (eu e a minha irmã) deixava-me experimentar tudo.

Amassava.

Punha farinha.

Tirava massa e fazia pão com chouriço.

Ficava horas em frente ao forno à espera do pão.

Comia o pão com chouriço, a escaldar, mesmo a sair do forno.

 

- Mariana, tens tanta sorte! Esta menina porta-se tão bem. Dizia a minha avó para a minha mãe.

A minha mãe olhava para mim com um ar meio espantado.

E eu, Joana, fazia um olhar de gato do shrek.

o-gato-de-botas.jpg

A minha mãe continha-se, para não contar tudo o que sabia sobre a minha existência, à minha avó.

 

Comecei a dar atenção aos rótulos.

Nunca tinha reparado. Para mim o pão era farinha, água, fermento e sal. Certo?

Errado. Há pão que contém conservantes e outro tipo de aditivos.

Aproveitei um almoço familiar num restaurante perto de Santarém. Um local onde toda a gente gaba o pãozinho bom, incluindo eu própria, para perguntar como faziam o pão.

- Não fazemos. Só cozemos. Vem congelado de Espanha.

Quase morri. De Espanha?

Pedi para ver o rótulo. Fermento aos molhos. Farinha com aditivos. Sal. Muito sal.

A minha sobrinha era pequena. Até me arrepiei de a ver comer aquele pão.

- Queria aprender a fazer pão. Sabe onde?

Não sabiam.

Dias depois, o Sr. Almerindo dono do restaurante ligou ao meu pai.

O filho estava na escola de hotelaria e turismo do Estoril e sabia onde podia aprender a fazer pão.

Indicou-me vários locais.

Depois de alguma pesquisa. Agradava-me Paris.

 

Contactei a escola.

Enviaram-me um formulário para preencher.

E lá fui chamada.

Uma semana de formação.

8 horas por dia.

O formador chamava-se François Degas. Que eu apelidei de Sr. Bodegas.

Pretensioso, arrogante e muito pouco acessível.

Ainda coloquei várias vezes o dedo no ar para questionar. Que eu sou sempre uma pessoa com muitas dúvidas!

Era sempre ignorada. Eu e os meus colegas de turma.

Uma semana. De aulas teóricas.

 

Os tipos de farinha.

Os tipos de fornos.

Os tipos de fermento.

Os vários processos de fermentação.

Os vários tipos de massa.

O Sr. lá fazia a massa.

Sem sujar as mãos.

Ainda nos quis impingir um tipo de batedeira.

No primeiro dia não queria nem ver a batedeira, afinal já tinha uma em casa.

Nos dias seguintes comecei a olhar de forma diferente para ela.

E no final já só queria ter uma batedeira igual...

Nunca tocámos na massa. No final comiamos o que tinha sido feito nessa aula.

Algumas vezes fazia reação outras nem tanto.

 

Se fizer uma proporção entre os dias que passei em Paris com todas as outras férias que fiz ao longo da minha vida. Estas foram as férias mais caras de sempre.

No último dia da formação faltei. Fui à Torre Eiffel, passear.

Outro dia a aturar o Sr. Bodegas e quem fermentava era eu.

 

Cheguei a Portugal.

A formação foi uma tamanha seca mas na minha cabeça já estava a projetar como iria fazer o meu pão.

Uma mistura entre Sr. Bodegas e avó Maria.

 

Estava quase a fazer anos.

Como era e é habitual os meus pais perguntaram-me que prenda é que queria.

- Uma batedeira, daquelas!

A minha avó Maria sempre amassou o pão à mão. Mas comecei a achar que Sr. Bodegas podia ter alguma razão.

No dia dos meus anos, recebi eu a minha prenda.

Comprei farinha. Comprei fermento.

Estava pronta!

 

.......e o resto da história...

........amanhã!

 ...que eu não quero enfadar-vos mais!!

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