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Quiosque da Joana

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11
Mai17

a segunda aula de norueguês...

Joana Marques

Saí diretamente do trabalho para a aula.

Cheguei muito cedo.

Sinto alguém a correr atrás de mim.

São os irmãos nepaleses da minha primeira aula. A eles juntam-se os gregos.

Dão-me beijinhos. E mostram-me as mochilas novas que receberam.

Um deles mostra-me contente um carrinho miniatura que um amiguinho norueguês lhe tinha dado.

Um pequeno tesouro. Lembrei-me dos meus sobrinhos que têm um quarto cheio de bugigangas que não ligam nenhuma...

Na relva do jardim. Acabamos os cinco a comer framboesas e nozes que eu tinha para comer antes da aula começar.

 

Quando faltavam 10 minutos para a aula, despedi-me deles e subi.

Fiquei à porta.

Lá nos deixaram entrar. Sentei-me do lado da janela na segunda carteira.

O mais atenta possível. Tenho mesmo, mesmo de passar no exame.

Não me está nada a apetecer pagar as aulas de História de Arte. As coisas onde eu me meto...

 

Somos 16.

Tenho ideia que na maioria são refugiados que estão a recomeçar a vida na Noruega.

Duas brasileiras.

Um americano.

Não sei nada sobre ninguém porque na aula das apresentações estava na turma errada.

E um professor. Muito amigável.

 

Agora quem está confusa sou eu.

Já me tinha conformado a tratar os homens como pedras da calçada.

Este parece uma pessoa normal.

Deu-me as boas vindas. Verificou o dossier que me tinham dado. Tinha exercícios para putos. Trocou algumas folhas.

Eu com um ar de poucos amigos. Porque fiquei traumatizada com a história do Hans.

 

O professor iniciou a aula. Muito mais dinâmico que a professora que tive a semana passada.

15 alunos concentradíssimos.

Eu incluída.

Eu não quero pagar as aulas de História de Arte.

Eu não quero pagar as aulas de História de Arte.

Eu não quero pagar as aulas de História de Arte.....

Os outros 14 porque devem querer ficar no país em definitivo e por isso têm de passar no exame. Têm 5 anos para o fazer mas segundo percebi as duas brasileiras já lá estão há algum tempo.

E depois temos a barbie. A barbie americana.

Chama-se Sam e deve achar que é a última bolacha do pacote.

Burro.

De todos nós foi o único que falhou exercícios. É claro que fomos ajudados. Mas estávamos nos a esforçar.

Ele, ao contrário. Como não conseguia.

Abanava o cabelo.

Ria-se.

E gozava com o professor.

E começou a gozar com um dos refugiados.

Tivemos a aprender palavras com várias vogais para começarmos a perceber quando se usa um som curto e um longo.

A criatura sabotou completamente a aula.

O professor falou com ele. E ele ainda se ria mais.

 

É claro que dá vontade de rir.

Uma pessoa para ali a fazer...

...em voz alta e em público uns sons...parece que saídos de um estômago que acabou de levar com meio litro de uma bebida qualquer gaseificada, made in China..

E rimos. Todos. E o professor também se riu. Mas nenhum de nós se rio do colega do lado.

Rimos de nós próprios de uma forma normal.

 

Fizemos exercícios escritos. E a aula acabou.

E a barbie. Abanou o cabelo. Riu-se. Pavoneou-se mais uma vez. E diz em voz alta...

- Olha tu, que és gira, queres sair?

E eu olho para ele e digo.

- No. Sorry. I don't go out with stupid people...

Desapareceu que foi uma beleza. Pode ser que não volte....

 

E sim, eu sou bruta muitas vezes...

 

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