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Quiosque da Joana

handmade life

04.08.17

a segurança. E as suas falhas!

Joana Marques

Já esta semana num outro post escrevi que estou em Londres.

Foi no post que contei como o Vasco foi roubado. Por um pássaro.

 

A minha empresa tem apresentado ao longo do tempo algumas falhas de segurança. Algumas graves.

Decidiram tratar do assunto. E fomos todos chamados para fazer formação.

Não ao mesmo tempo, claro.

Esta semana calhou-me a mim.

 

Antes, entrava e saía de alguns sectores da minha empresa com um cartão.

Em Oslo, a minha empresa sou eu. Só eu.

Mas mesmo assim, tinha um cartão que estava de acordo com o sistema de Oslo.

 

Em Barcelona já somos mais. E lá tinha eu e os outros, o cartão.

O cartão dava-nos acesso a todos os sectores para os quais tinhamos permissão para entrar.

 

Tudo mudou.

A impressão digital lidera.

Um sistema moderno. Feito por grandes génios do século XXI.

Um leitor capaz de ler as impressões digitais, os números do euromilhões de Janeiro de 2032 e o número de pedras nos rins que eu terei na próxima reencarnação.

No primeiro dia, apareceu o engenheiro número 1.

Que nos explicou tudo e tudo.

Como é que funciona.

As vantagens.

E é infalível.

O engenheiro número 1 não previu que no meio da multidão estivesse a rapariga portuguesa.

Com mãos de camionista.

Mentira!

Até tenho umas mãos macias. 

Só que de tanto trabalhar com estas mãos.

Pintar.

Aplicar tintas.

Solventes.

Diluentes.

Lixar madeiras...etc.

As mãos pelos vistos recentem-se de alguma forma.

  

O engenheiro número 1 não acredita na falha do sistema e inspeciona as mãos da rapariga portuguesa.

E pede para mais uma vez colocar os indicadores no sensor.

Nada.

O engenheiro número 1, chama o engenheiro número 2.

O engenheiro número 2 não acredita.

E diz para a rapariga portuguesa passar com os indicadores no sensor.

A rapariga portuguesa passa os indicadores no sensor.

O sensor fica vermelho.

Quer dizer que leu tanto as impressões digitais da rapariga portuguesa como as do Pai Natal.

Passa outra vez.

Vermelho.

O engenheiro número 2 não quer acreditar.

Pega nas mãos da rapariga portuguesa e olha atentamente.

O engenheiro número 2 diz para o engenheiro número 1 que as mãos são normais.

A rapariga portuguesa está a morder partes da boca para não se desmanchar a rir.

O engenheiro número 2 pede para a rapariga portuguesa pôr os indicadores.

Vermelho.

A máquina foi a arranjar.

 

Novo dia. Novo amanhecer.

Pequena multidão passa pelo sensor.

Verde!

Engenheiro número 1 contente da vida.

Rapariga portuguesa passa pelo sensor.

Vermelho.

Engenheiro número 1, chama engenheiro número 2.

Engenheiro número 2 pede para a rapariga portuguesa colocar os indicadores.

Vermelho.

Engenheiro número 2 em desespero pede para a rapariga portuguesa colocar os dedos do meio no sensor. Os dedos da asneira.

Vermelho.

Engenheiro número 2 pede à rapariga portuguesa para lavar as mãos com um liquido que cheira a mofo.

Rapariga portuguesa lava as mãos.

Engenheiro número 2 pede à rapariga portuguesa para colocar os indicadores.

Vermelho.

Dedos da asneira.

Vermelho.

Engenheiro número 2 chama engenheiro número 3.

Engenheiro número 3 não acredita. E rapariga portuguesa volta a pôr os indicadores.

Vermelho.

Dedos da asneira.

Vermelho.

Anelares.

Vermelho.

Mindinhos.

Vermelho.

Fui salva pelo polegar esquerdo.

O engenheiro número 1 sorri.

O engenheiro número 2 faz um ar competente.

E o engenheiro número 3 acha que foi ele que salvou a situação.

A semana vai correndo.

E a rapariga portuguesa entra na empresa o resto dos dias com o polegar esquerdo.

 

Só que...a rapariga portuguesa está em casa dos tios.

E os tios têm uma sapateira descolada.

Rapariga portuguesa telefona à tia e pergunta se pode colar a sapateira.

Porque rapariga portuguesa não consegue viver assim...

Com o aval da tia, rapariga portuguesa compra super cola 3.

E cola a sapateira. E os dedos.

E não consegue tirar a cola com água. E liga à tia para saber onde tem o álcool.

A tia diz que não há. Há acetona.

Rapariga portuguesa tenta acetona. Não sai.

Rapariga portuguesa compra álcool. E usa-o.

Não sai tudo com o álcool mas disfarça.

Mas rapariga portuguesa sente a cola no polegar e indicador esquerdos.

Rapariga portuguesa vai trabalhar.

 

A multidão passa pelo sensor.

Verde.

O polegar esquerdo da rapariga portuguesa passa pelo sensor.

Vermelho.

O engenheiro número 1 chama o engenheiro número 2.

O engenheiro número 2 chama o engenheiro número 3.

O engenheiro número 3 chama Deus.

A máquina foi a arranjar.

...estou mesmo a ver que para a semana vou ter de entrar com os pés....

 

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