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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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24
Jan17

eu avario coisas...

Joana Marques

Trabalho no último piso do edifício.

Terceiro piso.

Não trabalha muita gente neste piso.

Existe o gabinete do diretor.

Um open space onde trabalham meia dúzia de pessoas.

Uns 4 ou 5 gabinetes.

Os horários são flexíveis e por isso, em certas horas do dia quase não está ninguém.

Muitas pessoas trabalham a partir de casa.

Só aparecem para reunir.

 

Ontem, o diretor disse-me para lhe passar uns dados para o computador dele.

Eu, ia a sair, para almoçar.

Tinha combinado com uma colega do segundo piso e já estava atrasada.

Disse-lhe que quando chegasse lhe passava os dados.

 

Estava de manga curta.

Graças a Deus!

No terceiro piso as pessoas gostam de calor.

É normal, ter temperaturas acima dos 30.

Ia sair.

Toca de me vestir muito.

Ele é camisola de manga comprida de algodão.

Camisola de lã de gola alta.

Mais um casaco de lã.

Cachecol.

Gorro.

Luvas.

Casaco grosso comprido.

 

Tinha tanta roupa.

Tanta roupa.

Ia vestida de carro funerário.

Todos os apetrechos e mais algum.

 

Almocei.

Sempre com cuidado para não entornar nada.

Sentia-me um elefante numa loja de porcelanas.

 

Voltei.

Nos mesmos preparos que tinha saído.

O diretor avista-me ao longe e diz-me:

- Não se esqueça de me passar os dados.

Entro no meu gabinete.

Pego na pen que tem os dados.

O diretor está no gabinete de um colega.

Dirijo-me com a pen até ele.

- Joana, deixe no meu computador.

 

Entro no gabinete do senhor.

Vou até ao computador.

A cadeira é daquelas enormes e com rodinhas.

E é muito alta.

A cadeira está entre a secretária e a parede.

Vou para me sentar.

E apercebo-me que não está bem ao meu nível.

A cadeira recua.

Com tanta roupa não conseguia ter sensibilidade para perceber se já estava convenientemente sentada ou não.

Dou uns passos para trás.

Para ver se encontro a cadeira.

Sento-me.

A cadeira recua.

Caio com a cabeça na cadeira, os braços abertos, rabo no chão.

Ao mesmo tempo empurro a cadeira.

Que vai com estrondo contra a parede.

Com tanta roupa nem sinto a queda.

 

Ouço a voz do diretor.

Linda figura Joana.

Estatelada no chão.

Tento levantar-me.

Um salto prende-se no casaco comprido.

Uma luta entre mim, o salto e o casaco.

A voz do diretor aproxima-se.

Levanto-me.

Sento-me na cadeira. Com força.

Ouço um estalinho.

 

O diretor entra no gabinete.

Dou-lhe o lugar.

Passo-lhe a pen.

A segurar-me para não me escangalhar a rir.

Na minha mente não pára de passar a Joana completamente esbodegada. No chão.

 

Entra um colega.

O Sr. diretor senta-se na cadeira.

Entra outro colega.

A cadeira estala.

E só vejo o homem a baixar repentinamente na cadeira.

Parecia sentado na sanita.

Por trás da secretária via-se pouco mais do que a cabeça.

 

Sou inundada por uma vontade de rir.

Os meus olhos quase saltam cá para fora.

Contorço-me.

Não olho para ninguém.

Seria o meu fim.

 

Alguém pergunta:

- Sr. Diretor, está bem?

Ele diz que sim. Que está tudo bem. Mas que estranho. A cadeira parece que partiu. Uma cadeira tão boa.

Peço licença.

Um telefonema que não posso deixar de fazer.

- Depois dá-me a pen. Não tenha pressa. Pode ficar com a pen. Tenho cópias. Várias até...

 

E Joana fecha-se no gabinete.

E Joana ri.

Joana ri.

......e sim, sou uma pessoa horrível...

 

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