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Quiosque da Joana

30.10.17

fim de semana. Com o Vasco...

Joana Marques

Acordei cedo, cedo. No sábado.

Tinha tanta coisa para fazer.

Fui correr. Tomei banho.

Fui passear o cão.

Sentei-me e despachei coisas do trabalho.

Fui às compras. Arrumei tudo.

Fui passear o cão.

Fiz o almoço. E mais 10 refeições que me vão dar para uma boa parte da semana.

Congelei algumas.

Almocei.

E fiz-me à estrada.

 

A vizinha do meu chefe, a dona Albertina, tinha-me convidado para almoçar. Em casa da filha. Fora de Londres.

Recusei. Porque achei que era demasiado. Mas disse-lhe que lhe fazia uma visita à tarde.

Duas horas e meio de caminho depois, cheguei. Eu e o Vasco.

Abençoado GPS. Ou ainda agora estaria à procura da casa.

 

Fica no campo. A casa é pequena mas o terreno envolvente é enorme.

Os olhos do Vasco brilharam. De felicidade.

Um campo. A perder de vista. Para correr.

A filha da dona Albertina é professora primária. O genro. Inglês. É militar.

Herdaram a casa. O padrinho do genro. Deixou-lha em testamento.

 

Disseram-me logo para ficar descansada. Para soltar o Vasco. Porque o terreno estava todo murado. E ele, cão da cidade precisava de desentorpecer as pernas.

Entrei para casa, com eles.

Deixei o Vasco solto. Cá fora.

A porta de casa ficou aberta. Para o Vasco poder entrar, se quisesse.

Era uma típica casa de campo. Daquelas todo o terreno. Confortável. E feita para se viver lá dentro.

Muito simpáticos. Numa conversa meio bipolar lá nos fomos entendendo.

Eu a falar português com a Albertina. A Albertina a falar português comigo e com a filha. A filha a falar inglês com o marido e português com a mãe.

E inglês com as duas filhas gémeas.

Chá. Conversa boa. Muitas gargalhadas. Especialmente com as gémeas que têm 4 anos. E são maravilhosas.

Só que...

Eu, Joana. Estava à beira de uma embolia pulmonar.

O jardim deles em frente da casa. Lindo e bem tratado. Fazia temer o pior.

Lá fora. Estava a arma mais mortífera que um jardim pode ter. O Vasco.

Só um ruído que fosse.

E tenho a certeza que um coágulo. Se soltaria do dedo pequenino do pé. E voaria até ao meu pulmão..e záaaaas...

 

O que se passou a seguir. Prova. Que anos de sofrimento Sportinguista fizeram de mim uma mulher extremamente forte.

Primeiro ouvi um queixume do Vasco. E depois.

Ouvi um barulho à entrada de casa.

Levantei-me de imediato. Pensei no pior.

 

- Espremeu-se na lama. E vai sujar a casa da senhora.

- Encontrou a porta para o estrume de cavalo. E vai sujar a casa da senhora.

-Cheirou-lhe a comer e vai atacar a cozinha sem dó nem piedade.

Olhei para a porta mas não era o Vasco.

 

Era a Angélica.

Angélica, a cabra.

cabra.jpg

Ao fundo, estava o Vasco. Todo contorcido. Todo ele era lamuria.

Já tinha dado a sua volta.

Queria voltar para o pé de mim.

Mas algo o impedia.

Angélica, a cabra.

Cheio de medo de um bicho feroz. Vasco. Estava sem coragem de passar perto da cabra.

Uma cabra velha. Estrábica. E domesticada.

Tive de o ir buscar ao colo.

E fomos embora.

No caminho nem se ouviu. Esteve sempre encolhido no banco de trás do carro.

A Albertina já me ligou a perguntar pelo Vasco.

A filha da Albertina também me ligou por causa do Vasco.

Acham que é algo grave. Não é possível, um cão do tamanho do Vasco ter medo de uma cabra...

Para elas, no  mínimo, o cão, deve estar à beira de enfartar.

Não acreditam. Que é desparafusamento sério. Daqueles que só Vasco tem.

 

Depois de ter estado frente a frente com a aranha kardashian. Saiu-lhe na rifa a cabra Angélica.

Já está bom.

Já voltou ao mesmo.

Depois de uma noite bem dormida. Já voltou a sorrir!

 

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