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Quiosque da Joana

handmade life

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06
Out17

liquidificador. E a magia acontece...

Joana Marques

2 (12).JPG

Nunca. Na vida dela. Precisou de um liquidificador. A minha avó Maria.

Fazia pratos deliciosos.

Ser alimentada por ela, era um privilégio.

E nunca precisou dele. Do liquidificador. Simplesmente, fazia magia.

 

Também a minha avó Adélia. Fazia magia. Por mais que tente chegar às fatias douradas que fazia no Natal. Não consigo.

E liquidificador. Claro que não.

É certo que passei menos tempo com ela. Mas não me parece que tivesse um, nas entranhas, da sua casa no Porto.

Quando morreu, herdei o livro de receitas dela. E em nenhuma delas fala neste objeto.

 

A minha mãe. Que cozinha como ninguém. E tem um saber que ninguém lhe tira.

Só o cheirinho que sai da cozinha quando lá está. É logo diferente. E é sempre melhor....

Não tem nenhum. Já lho apresentei. Olhou para ele. E disse-me que não. Não precisava.

- Mais coisas para encher a cozinha?? Não...

 

Eu. Joana. Durante muitos anos não tive. Até porque não precisava. Cozinhava pouco. Ou nada.

Depois. Fui frequentando workshops e fui ficando convencida.

E decidi comprar um.

Comprei o mais barato do mercado. Convencida sim, mas não estava rendida.

Até porque o bicho que comprei tinha menos capacidade motora que eu quando estou com um ataque de asma...

Simplesmente, mudava de som. O cheiro. Era esquisito. E desligava.

Recuperava o fôlego.

E lá começava ele. Mudava de som. Cheiro esquisito. E, puff...

-Oh! Céus...

 

Até que um dia.

Mudou de som. Cheiro esquisito.

Cheiro esquisito intenso.

Muito intenso.

Muito, muito intenso.

Fumo.

Morreu.

(um minuto de silêncio )

 

Comprei outro. Desta vez. Já estava 100% convencida e rendida.

Apostei num que tivesse capacidade para picar gelo. Foi carote. Mas fiz bem.

Pico tudo.

Carne incluída. E por isso faço almôndegas e hambúrgueres em casa. Por exemplo.

 

De um momento para o outro o liquidificador passou a ser um bem de primeira necessidade.

Faço tudo lá.

Sopas. Bolos. Smoothies. Bolachas. Farinhas.

Todos os dias o uso.

Embora olhe para ele, quase sempre com um sorriso amarelo.

Limpar o liquidificador é uma seca.

Mesmo na máquina de lavar.

 

Ontem ao folhear o livro de receitas da minha avó Adélia.

Encontrei o bolo de cenoura que ela fazia.

Tantas recordações na minha cabeça.

Tentei fazer uma versão.

O dela leva farinha de trigo. Que tem glúten. E por isso estava fora de questão...

 

 

Juntei:

raspa de uma laranja

sumo de uma laranja

duas colheres de sopa de óleo de coco

400 g de cenoura cozida (aproximadamente)

quatro colheres de sopa de farinha de amêndoa

uma colher de sopa de trigo sarraceno

uma colher de chá de fermento

3 ovos

3 a 4 colheres de açúcar de coco (ou mais, depende da gulodice...)

Tudo no liquidificador. Pois claro! 

Untei uma forma de bolo inglês.

Este é um passo importante.

Untem e besuntem a lata...este bolinho é tipo lombriga em intestino doce....agarra-se que é uma festa...

(também podemos optar por forminhas de queques)

Deixei no forno durante 30 a 40 minutos a 180º.

Servi com uma calda de chocolate

(um quadradinho de chocolate derretido numa colher de chá de óleo de coco)

 

 

2 (2) (2).JPG

É bom quente ou frio. E faz mesmo lembrar o da minha avó.

Vou-lhe chamar bolo de cenoura da avó Adélia.

Só porque sim. 

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