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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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10
Mai17

lost in translation...

Joana Marques

Trabalho no departamento financeiro.

Os departamentos estão divididos e onde trabalho, somos 11 pessoas, a contar com a minha chefe e comigo.

São 6 homens e 5 mulheres. Todos casados, excepto o Hans e eu.

 

Chego à Noruega. A pensar que estou em casa...

E no primeiro dia de trabalho trato de falar com toda a gente.

Sorrir a toda a gente.

Contar piadas a toda a gente. E a rir-me. Que é algo que eu sei fazer bem...

 

No final do dia 1, o Hans convidou-me para sair.

Estranhei. Disse que não.

 

A minha vidinha continuou. A tentar adaptar-me.

Continuei a ser eu própria. A falar com as pessoas. A tentar quebrar o gelo na hora de almoço.

No dia 3, Hans oferece-me chocolates.

- Não vais abrir e experimentar?

Claro que não. Sou paleo, meu amigo. Lá como bombons...que não sejam feitos por mim...

 

No dia seguinte convidou-me para sair outra vez. Voltei a dizer que não.

Que seca.

Que chato.

Pensei. Será que este homem se anda a picar com a água da sanita??

 

Joana, sempre a dar o ar de sua graça no trabalho.

A falar. A falar muito. A dizer olá. E adeus. E coisas....

Hans oferece-me flores.

Não queria acreditar. Flores???

Estava enganada.

Este homem não se anda a picar com a água da sanita, este homem anda-se a picar com a água da ETAR de Alcântara....

 

Peguei no Hans e disse-lhe para parar. Não estava interessada.

- Por favor, não insistas. Não vai acontecer.

Fez um ar. Parece que lhe tinha dito: olha a Noruega ficou pobre e a partir de agora vais ter de te governar com 600€ por mês.

 

Um dia, estava eu no supermercado e vi o Hans.

Olha o Hans!

Voltei a ser eu própria.

- Olá! Está tudo bem. Digo alto e a gesticular.

Hans virou as costas.

- Não me viu. Pensei.

 

Não faço mais nada. Encurralo o Hans entre a arca dos congelados e o armário das garrafas.

- Olá, como estás?

-

O pobre Hans fez um ar confuso.

Que feitiozinho que este homem tem. Credo!

 

No dia seguinte, no trabalho, Hans aparece-me no gabinete. Oferece-me um bonequinho de peluche.

- Ó valha me Deus. Será que eu irritei assim tanto São Pedro que mereço???

Voltei a dizer ao Hans. Que não. Não valia a pena.

-

Outra vez um ar completamente incrédulo.

 

Daí a uns dias, contei a história a uma colombiana que trabalha aqui.

- Joana. Já viste como falas com as pessoas? A maneira como falas, olhas nos olhos e sorris estás a dar a indicação de que estás disponível. Aqui os homens avançam se as mulheres se mostrarem disponíveis. E mostrar disponível aqui é falar, sorrir ou olhar diretamente para a pessoa. A não ser que estejam bêbados. O Hans estava bêbado?

Bêbado? Não. Duvido que a ETAR de Alcântara proporcione aos seus clientes aguardente canalizada.

 

Percebi porque é que aqui só se fala o mínimo indispensável. E só de trabalho. Ninguém está interessado em ninguém.

A não ser eu que pelos vistos estou a pensar em arranjar um harém....

 

E a partir de agora não falo com ninguém.

Quando preciso de alguma coisa...recorro ao email.

Tudo por escrito.

T-U-D-O   P-O-R    E-S-C-R-I-T-O!

 

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