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Quiosque da Joana

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06
Out16

Manel...

Joana Marques

Conheci o Manel na faculdade.

Depois de no liceu ter tido dois grandes amigos, o Gui e o Marc.

Este último o meu primeiro namorado.

O Manel foi o meu amigo da faculdade.

O melhor amigo.

Aquele que contamos tudo e mais alguma coisa. O amigo que nos faz rir até doer a barriga. Era e é uma amizade sem qualquer tipo de segundas intenções.

Eu tinha namorado.

Ele tinha namorada.

O meu namoro acabou aos 26 anos.

O dele continua até hoje. Tem 3 filhas. E casaram este Verão. Foi um dos casamentos mais bonitos que já assisti. 

 

O Manel era e é advogado.

Como não gostou do curso embora exercesse inscreveu-se em Gestão.

E foi aí que o conheci.

Nós os dois eramos diferentes do resto dos colegas. Ele era mais velho e eu embora tivesse a mesma idade dos outros já trabalhava. O Manel tinha contas para pagar ao fim do mês. Eu também porque já morava sózinha.

 

Durante o curso tive quatro cadeiras de direito que quase me mataram. Detestei. Deprimente, deprimente!

Ele como era advogado ajudou-me a estudar e passar com a nota minima.

Tive duas ou três cadeiras de informática.

E o Manel descobriu a sua vocação.

Adorava programar, inventar e inovar. Eu não percebia NADA!

 

A minha estratégia passava por ter a melhor nota que conseguisse na parte teórica para na prática que era programação propriamente dita...poder esbardalhar-me com estilo....

 

Comecei a fazer os trabalhos práticos com o Manel.

Ele programava e eu fazia o relatório...lindo e espectacular. O pior era a oral. A defesa do trabalho. E aí o Manel, pacientemente, pegava em mim e explicava-me como e porquê tinha feito aquilo de uma maneira e não da outra. Mais. O Manel dizia-me:

- Se te perguntarem...x, respondes y. Atenção se te perguntarem Z, não podes responder y tens de responder x.

Fazia que sim com a cabeça. Num interesse aparente mas sem perceber nada...de nada.

 

No quarto ano tivemos que fazer um trabalho de simulação. A cadeira tinha uma parte teórica dada por um Professor Doutor competente, nem simpático nem antipático. A parte prática, em que tinhamos o trabalho, era dada por um professor mais novo, assistente do Professor Doutor.

Já não me lembro muito bem, como era o trabalho mas sei que tinha uns camiões carregados de cereais.

Apareciam os camiões em movimento.

Tinhamos de depositar os cereais nuns silos.

De lado, tinha um contador, inicialmente a zeros, cada vez que os camiões depositavam os cereais nos silos, fazia aumentar o contador.

 

Ninguém da minha turma conseguiu terminar tal coisa.

À excepção do Manel.

Era ver os camiões pretos a circular alegremente e a largar os cereais e o contador a aumentar.

Tal como das outras vezes fiz o relatório.

Espectacular. Uma apresentação, top!

No dia antes da apresentação oral o Manel envia-me por email o trabalho. Olho para o trabalho, revejo o relatório.

Olho para o contador e tenho a brilhante ideia de mudar a cor.

Está a preto.

E se mudar de cor quando está a zeros?

Espectacular ideia, grande cabeça, Joana!!

Pensei em encarnado. Desisti.

E se fosse rosa? Boa! Vou ao código, escrito pelo Manel e mudo "black" para "pink".

Envio uma mensagem ao Manel a dizer o que tinha feito. Boa ideia, diz o Manel.

 

Dia da apresentação.

Anfiteatro. Tinha projector fixo.

Alguns colegas desistiram do trabalho. Outros aparecem com esperança de conseguir passar com a nota da parte teórica.

Começam as apresentações.

Lá aparecem a preto os camiões...

 

Eu e o Manel somos chamados.

Colocamos o nosso trabalho.

O Manel clica no iniciar.

E qual não é o espanto de todo o auditório e dos dois professores quando começam a aparecer camiões rosa choque...

Eu fico em choque como o rosa.

O Manel olha para a tela sem acreditar no que vê.

O professor assistente olha incrédulo e com horror. Foi seguindo o nosso trabalho nas aulas e os camiões estiveram sempre a preto.

E o Professor Doutor diz:

-Parece uma parada gay...

 

Eu desato a rir. O Manel desata a rir. O auditório inteiro ri....

Nunca me ri tanto em toda a minha vida. Saímos dali passados à cadeira. Eu tinha tido 18 na teórica fiquei com 14. O Manel ficou com 19. Muito merecido.

O Manel acabou a licenciatura nesse dia. Fomos comemorar. Acabámos a noite às 21h em Santos a comer caldo-verde. Deixou-me no aeroporto porque era assistente de bordo e tinha um voo para Nova York pela noite dentro.

 

Sempre que estamos juntos falamos dos camiões rosa choque. E como fizemos um anfiteatro vir abaixo...

Dizemos sempre que o Manel acabou a licenciatura na parada gay 2002!

 

O meu querido amigo faz hoje anos! Parabéns!

 

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