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Quiosque da Joana

handmade life

21.09.16

Sr Cão #7

Joana Marques

Há algum tempo que faço voluntariado num canil.

Neste últimos tempos tenho sido menos assídua mas tento passar por lá pelo uma vez por semana.

Mais ou menos há dois anos e meio fui chamada para resgatar uma ninhada de cães. Fui eu, a Sónia e o Rui.

Quando lá chegámos eram 6 cachorros +1.

Este +1 era o meu cão!

 

O Rui, veterinário disse-nos que embora estivessem esfomeados e em mau estado tinham salvação, aquele outro cachorro...o Rui, encolheu os ombros...
Para além de esfomeado, suspeitava-se que tivesse sido atropelado, tinha um fungo na pele, quase não tinha pêlo.

O prognóstico era negro...

 

Fiquei com ele.

Se é para morrer que não morra sozinho.

Levei-o para casa e passei a noite toda, sentada no chão da cozinha, a mimar o cão.

O Rui tinha-me preparado duas seringas grandes com leite, uma com antibiótico e mais qualquer coisa, outra com vitaminas.

Ia-lhe dando o preparado mas não parecia ficar lá nada.

De manhã ainda estava vivo e eu comecei a acalentar alguma esperança.

O Rui dizia-me que era tonta.

 

Liguei para o trabalho a dizer que ia de férias.

Fiquei uma semana em casa.

Fui despachando trabalho em casa mas as minhas horas e minutos eram dele.

Uns dias depois abriu os olhos e começou a comer melhor.

O pêlo melhorou.

Começou a fazer barulhinhos.

 

Não tinha nome.

Estava sentada no chão da cozinha com o cão ao meu colo. Ele dormitava. Liguei a televisão. Estavam a falar de um locutor antigo da televisão, Vasco Granja.

E eu disse:

-Granja!

Nada.

Depois disse:

- Vasco.

E ele abriu os olhos.

- Olha! És Vasco!

 

A partir dali foi sempre a melhorar.

Ou a piorar, depende do ponto de vista.

A melhorar no que diz respeito à saúde.

A piorar no que toca ao comportamento.

Para não ficar sozinho levava-o para o trabalho.

Foi mimado até mais não.

Ainda hoje é.

Tem um feitiozinho...

Mas é o senhor simpatia e vive todos os dias como se fosse o último.

 

vasco456.jpg

A prova de que basta uma pequena ajuda para nos erguermos de novo.

Eu ajudei-o uma vez.

Ele ajuda-me todos os dias.

 

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