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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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19
Mar17

olá! Pai...

Joana Marques

Espero que já tenhas recebido a minha prenda do dia do pai.

Se já recebeste deves ter pensado:

- Não assinou outra vez. Mas será possível que nunca assina os quadros??

 

E de certeza absoluta que vais tirar o quadro da moldura. Porque sabes que eu às vezes assino atrás.

E vais encontrar isto!

pai (6).JPG

E por isso, acho que vais passar por aqui hoje...

 

É o meu primeiro abstrato e não está perfeito. Prometo melhorar!

No canto superior direito aparecem 5 figuras.

pai1 (16).JPG

E não, não foi para encher...

Essas 5 figuras têm sempre três linhas.

Representam os teus três filhos.

Que se juntam sempre no mesmo ponto.

Que és tu. O nosso ponto de encontro.

 

Acabei?

Não!

36 anos disto...não podia ser assim tão simples, pois não?

 

Cada figura é uma letra.

E cada cor representa também uma letra.

Essas cinco letras formam uma palavra.

P3180219 (1).JPG

E é essa mensagem que te deixo hoje aqui..hoje e sempre!

Como só tu tens o original vai ser extremamente fácil chegar lá...acho eu!

Beijinhos...

Um dia feliz!

15
Mar17

também é a minha história...

Joana Marques

Sexta-Feira, 15 de Março de 1963..

 

João.

Vivia e estudava em Lisboa.

Os pais estavam a maior parte do tempo no Alentejo.

João vivia com dois irmãos.

No fim de semana anterior tinha estado no Alentejo.

Adoentado.

A mãe preocupada fez-lhe uma canja de galinha e mimou-o.

O pai mais pragmático não ligou. Achou que era uma desculpa. Para não ir ao Porto. Ao aniversário da tia.

Os irmãos não podiam ir, a mãe não tinha paciência para este convívios.

O marido, pai de João fazia-lhe a vontade.

Ficavam pelo Alentejo.

 

João lá foi. Nauseado. Febril. Chateado e amarelado. 

Chegou ao Porto, a casa dos tios, à sexta-feira.

Sábado era dia de festa. Maria do Rosário fazia 50 anos.

- Os teus pais?

- Não puderam vir.

- E os teus irmãos?

- O José e o Joaquim estão fora. O Luís e o Nuno estão com exames.

- Que pena. Fica para a próxima.

João nada disse. Tinha pena era de ter de estar ali. Nauseado. Febril. Chateado e amarelado.

 

20h.

O jantar foi servido.

À mesa. O tio Joaquim e a tia Maria do Rosário. O primo António Diogo. A prima Catarina. Ao lado de Catarina, mesmo em frente ao João ficou Mariana, melhor amiga da prima.

João não tirou os olhos de Mariana.

 

Nauseado. Febril e amarelado.

Deixou de estar chateado.

E começou a achar que tinha sido uma boa ideia ter ido ao Porto.

Mal tocou na comida.

- Não me sinto muito bem.

- Deve ter sido da viagem e da mudança de ares.

- Deve ser isso.

 

 

A meio da sobremesa, João sentiu-se pior. 

Uma dor forte na barriga. Muito, muito forte.

 

O apêndice deu de si...

Primeiro esperneou.

Depois regorgitou.

E depois....depois fez buuuummmm!

E era uma vez um apêndice!

 

(um minuto de silêncio pelo apêndice falecido.....) 

 

60, 59, 58, 57, 56, 55, 54, 53, 52, 51, 50, 49, 48, 47, 46, 45, 44, 43, 42, 41, 40, 39, 38, 37, 36, 35, 34, 33, 32, 31, 30, 29, 28, 27, 26, 25, 24, 23, 22, 21, 20, 19, 18, 17, 16, 15, 14, 13, 12, 11,  10, 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2, 1....

 

 

João desmaiou. 

E acordou no dia seguinte no hospital.

Tinha sido operado. Tinha corrido bem. 

Os seus pais já estavam a caminho.

 

E às 15h teve visitas.

A família inteira que vivia no Porto.

Incluíndo Catarina. Acompanhada da sua melhor amiga. Mariana. 

 

Depois deste fim de semana, muitos mais se seguiram. Muitos mesmo...

Namoraram 7 anos! 

 

As idas ao Porto tornaram-se semanais.

Para ver Mariana. 

Para lhe dar a mão.

Para passear no jardim.

E até hoje não houve arrependimento de parte a parte..

 

Mariana e João.

Esta é a história dos meus pais. Também é a minha história...

....e dura há 54 anos...

06
Mar17

dia mundial do catano!

Joana Marques

Tinha tirado a carta há pouco tempo.

Não gostava muito de conduzir. Aliás continuo a não gostar. Conduzo por necessidade.

Para Março, estava um dia muito quente.

Estava a subir uma rua na Graça.

Daquelas ruas ingremes que Lisboa nos oferece.

 

O meu ponto de embraiagem era o mais manhoso possível. Ou melhor, não sabia fazê-lo.

Péssimo requisito para subir uma rua.

Se não tivesse de travar. Espectacular!

É claro que tive de travar.

Na minha faixa estavam carros estacionados e vinham carros a descer.

O carro à minha frente travou e eu que remédio.

Travei também com o travão de mão.

 

Atrás de mim, outro carro.

- Bonito!

O carro da frente avança.

E eu não.

Tinha acabado de tirar a carta. Muita coisa em que pensar. Aqueles piscas, o travão...dois ainda por cima. Três pedais, dois pés....

 

Aparece outro carro a descer.

- Fixe. Tenho de o deixar passar!

O carro de trás começa a dar sinais de quem está a dizer impropérios contra a minha pessoa, em voz baixa.

Antes que os impropérios começassem a ser em voz alta. Saí do carro!

Dirijo-me ao senhor que estava atrás.

- Se faz favor.

-

- Tirei a carta a semana passada e não estou a conseguir tirar dali o carro.

-

(os homens fazem sempre um sorriso parvo quando as mulheres são azelhas....comigo sorriem muito porque eu continuo uma nódoa!)

- Está a ver aquela rua com aqueles carros todos estacionados?

-

(continuou com o sorriso parvo....)

- Pode estacionar-me o carro lá? E fiz o meu melhor sorriso para ver se convencia o senhor...

- Não quer que o estacione já aqui? E apontou para um lugar vago.

- Acha? E depois como é que eu o ia tirar daí? Se faz favor onde eu pedi...que é uma rua plana.

 

É claro, que nesta altura do campeonato estava formado um casamento.

Montes e montes de carros.

Só faltava aquele bocadinho de tule na antena...

Buzinas por todos os lados.

Impropérios. Vários...e dos simpáticos!

O senhor fresco e fofo desviou o carro dele para o tal lugar vago e enquanto fazia isso eu andava a avisar as pessoas que era só mais um bocadinho que o meu carro ia já sair do caminho.

 

Nervosa? Claro que não....sou um poço de calmaria.

Pode o mundo estar a acabar que eu continuo zen.

Nervos de ferro!

zen11.jpgO senhor lá estacionou o meu carro.

E eu convidei-o para beber um café. Ele aceitou.

Chamava-se Zé!

E eu percebi que ele dizia "catano" muitas vezes.

Estivemos duas horas à conversa. Duas horas do catano.

 

O café era do catano. Lisboa era do catano. As férias dele iam ser do catano. Até eu era do catano!

 

E hoje faz exactamente 15 anos. Que eu parei o trânsito em Lisboa!

Nunca me esqueci porque umas horas mais tarde nascia a Inês, a minha sobrinha!

Desde esse dia que o dia 6 de Março é para mim o DMC. Dia Mundial do Catano!

 

Querida Inês,

Muitos Parabéns!

Que todos os teus dias sejam felizes e especiais! 

 

Zé, se leres este post!

Obrigada!

Se não fosses tu...ainda agora estava entre o travão de mão e o de pé a decidir o que ia fazer.....mas sempre com muita calma...que eu sou neta de uma alentejana!

Olha Zé! Foi do catano....

01
Mar17

um shot de vitamina c!

Joana Marques

Provavelmente muita gente já pensou nisto.

E se calhar já fazem isto.

E eu acho que estou aqui a pensar que inventei a roda.

Ninguém me ensinou a fazer.

Nem vi em lado nenhum.

Comecei a fazer sozinha.

 

O meu pai por herança ficou com a casa dos pais no Alentejo. E com a casa um campo com algumas árvores de fruto.

O meu pai passa a vida a dizer mal das laranjeiras.

Que vai arrancá-las. Que não prestam. Que quer de outra qualidade.

E eu que fico de coração desfeito a pensar que um dia vou lá e as minhas queridas laranjeiras já lá não estão... e resolvi dar uso às laranjas.

E torna-las apetecíveis aos olhos da família.

 

E o que é que eu fiz?

Fiz gomas.

- Gomas??

Sim! Gomas carregadas de vitamina C.

 

Precisamos de:

- 150 ml de sumo de laranja.

- duas colheres de açúcar de coco diluído em 50 ml de água quente ou outro tipo de adoçante. (se acharem que não precisam de adoçar esqueçam este passo)

A esta água quente juntar, aos poucos, 50g de gelatina em pó (a gelatina em pó pode ser substituída por 4/5 folhas de gelatina previamente demolhada ou por agar agar). Mexer tudo muito bem. 

Misturar com o sumo de laranja.

Colocar em forminhas.

Gosto de polvilhar as forminhas com canela.

Frigorífico.

......esperar, esperar, esperar.......

 

E aqui têm um snack espectacular para comer entre refeições. Não para todos os dias...mas para os especiais!

26 (2).JPG

Podem usar laranjas ou outra fruta. Também fica bem com ananás. E pêssego. E manga. E papaia...OMG! tantas possibilidades!

 

Por enquanto tenho conseguido salvar as laranjeiras...alentejanas!

Mas...nunca é demais implorar!

 

porfavor.jpg

 

26
Jan17

tia Luz...

Joana Marques

A minha tia Luzinha é uma das minhas pessoas.

Quando for grande quero ser como ela.

Conheceu o meu tio José com 16 anos no liceu.

Apaixonou-se por ele e ele por ela.

Casaram-se.

Ela com 17, ele com 18 anos.

O meu tio com 18 anos trabalhava na empresa do pai e prosseguiu os estudos na universidade.

A minha tia ficou em casa.

E um ano depois de estar casada nasceu o primeiro filho, o meu primo Francisco.

Teve 5 filhos.

Todos rapazes.

Nunca trabalhou fora.

Outros tempos!

Os meus primos entraram na escola e foram ficando cada vez mais independentes e a minha tia Luz voltou ao liceu.

Fez o 12º ano, quase com 40 anos.

O meu primo Francisco e o meu primo António (os mais velhos) terminaram as suas licenciaturas.

Os meus primos mais novos estavam na faculdade e a minha tia Luz inscreveu-se também.

Fez a sua licenciatura de 5 anos ao mesmo tempo que os filhos mais novos.

Ficou habilitada a dar aulas de Educação Visual.

O meu tio reformou-se.

Os meus primos já tinham saído de casa e alguns até já tinham casado.

A minha tia concorreu ao país todo e ficou colocada no Minho

Foram os dois para o Minho.

Estiveram no Algarve.

E também em Peniche.

No ano seguinte foram para a Madeira.

Passaram pelos Açores também.

Foram trocando de região conforme a minha tia ia sendo colocada.

E é preciso ser uma grande pessoa para fazer isto.

E é preciso ter uma grande pessoa ao lado para poder fazer isto.

 

 

A minha Luzinha faz hoje 65 anos!

E está cheia de planos...

Não sei se é pelo nome..mas é uma pessoa carregadinha de Luz!

O tempo é o que fazemos com ele e não importa a altura...nem a idade..

 

19
Jan17

a cabeça a prémio.....

Joana Marques

Com 4 anos fui para o infantário.

Em Campo de Ourique, perto de casa.

Adaptei-me logo.

Gostei do primeiro dia e de todos os restantes.

 

Todos os dias a minha irmã saía das aulas e passava para me ir buscar.

Todos os dias eu corria que nem uma desvairada para chegar depressa a casa e contar todas as novidades.

Monopolizava o tempo de tudo e de todos.

Contava a história do dia à minha mãe, ao meu irmão e à minha irmã.

E ao jantar contava outra vez.

Afinal o meu pai ainda não tinha ouvido e precisava urgentemente de saber.

 

Um dia, qual não foi o meu espanto, quando vi a minha mãe à minha espera em vez da minha irmã.

Tinham-lhe telefonado.

A minha mãe estava com um ar francamente abatido e arreliado.

Até me benzi.

Na minha cabeça comecei a imaginar que raio é que tinha feito para ela me ter ido buscar.

Na minha cabeça apareceram mil e uma possibilidades.

E isso não foi bom.

 

- Será que foi porque aprendi a lançar ervilhas com o nariz? 

- Se calhar foi porque descobriu que ando a pôr caracóis nas cadeiras dos meus colegas.

- Ou será que lhe contaram que ando a enterrar o bife do almoço dentro dos vasos das plantas.

- Ah! Não posso! Ela sabe que eu ando a imitar a professora Zelda?

 

 

Faltou-me o ar quando a minha mãe abriu a boca...

- Joana, há uma epidemia de pediculose no infantário.

Até me nasceu uma alma nova mas durou pouco tempo...

Pediculose? Caneco, não me digas que é o nome que dão a pessoas que atiram ervilhas pelo nariz...

 

Pediculose para Campo de Ourique!

Piolhos para o resto do mundo.

 

Entre as Carolinas, as Beneditas, os Bernardos e os Lourenços.

A fina flor de Campo de Ourique.

Havia agora a pairar, naquelas cabeças, indivíduos que não tinham sido convidados para a festa.

Cheguei a casa, a minha mãe confirmou o pior.

Eu tinha piolhos.

Daqueles fofinhos!

Granjolas...

Um império a ser construído na minha cabeça!

 

A minha mãe foi à farmácia do Sr. Gilberto.

A minha mãe suplicou ao Sr. Gilberto que lhe vendesse o remédio mais potente que tinha contra tais criaturas.

A minha mãe ligou ao meu pai para passar numa farmácia perto da empresa que de certeza teria outro tipo de produtos.

A minha mãe ligou ao irmão médico para passar por lá.

A minha mãe ligou para toda a gente que conhecia e que tinha filhos que já tinham tido piolhos.

Eu estava a adorar toda a movimentação extra na nossa casa.

 

A minha cabeça foi molhada.

Esfregada.

Penteada.

Molhada outra vez.

Eu estava a divertir-me tanto! Tanto!

Tinha desde sempre os minutos contados no banho.

Desta vez foi um banho de imersão e peras!

Tive de ficar com um produto mal cheiroso e uma touca na cabeça.

E passado um bocado.

A cabeça molhada.

Esfregada.

Estrafegada.

Esmiuçada. E sufocada.

Penteada.

Ó boa vida!

 

Sou uma pessoa generosa....

No dia seguinte de manhã a minha mãe quase teve uma apoplexia.

Também ela tinha piolhos.

 

Toda a gente sabe que quando as coisas estão más, podem sempre piorar mais um pouco.

E nesse dia à tarde, também a minha irmã apareceu com brindes em forma de ovo e em forma de bicho.

 

A nossa casa parecia um cenário de guerra.

Onde as armas químicas imperavam...

A minha mãe teve a um passo de incendiar a casa só para se ver livre dos piolhos.

 

O meu pai deve ter-se rebolado a rir.

Às escondidas....

Às claras dava direito a levar uma facada.....

 

E em pouco menos de nada lá se foi todo um império...

...e a nossa vida voltou à normalidade..

...ainda tentei a todo o custo reabilitá-lo...

mas nada..

...nunca mais voltei a ter a cabeça a prémio..

....ou prémio na cabeça.

 

piolho.jpg

 

21
Dez16

Natal! estou pronta...

Joana Marques

Já tenho árvore de Natal.

Muito pouco tradicional mas tenho!

Improvisei também um presépio.

Com uns preguinhos e uma linha de algodão.

Ficará como centro de mesa.

presepio2.jpg

Já tenho as prendas todas compradas e não vejo a hora de ver a reação de quem as vai receber.

 

Já comprei tudo o que precisava para a ceia e para o dia de Natal.

O cabrito para a noite de Natal como fazia a avó Maria.

Só falta pô-lo num molhinho bom 12 horas antes de ser assado.

Para ir ao forno 4 horas antes de ser comido.

 

O peru assado para o dia de Natal como fazia a avó Adélia.

E o seu famoso recheio de castanhas que eu tento imitar todos anos mas que nunca fica tão bom.

Algum segredo que não está no livro de receitas que herdei!

 

O pão é feito sexta-feira.

E os bolos e bolachas também.

O arroz doce como a avó Maria fazia é feito sábado que é bom é quentinho.

E as fatias douradas da avó Adélia também.

 

O Natal também é isto.

É recordar os nossos que já cá não estão fisicamente.

Continuam vivos, bem vivos nos nossos corações.

 

A minha família chegou há 15 minutos atrás.

 

Por isso podes chegar, Natal!

Estou pronta!

12
Dez16

...afinal havia outra...

Joana Marques

A minha prima Joana!

Não é minha prima verdadeira, daquelas que nos são incutidas pela via sanguínea.

É prima por afinidade.

 

Só conheci a Joana porque o tio dela, Luís, casou (depois de se ter divorciado da primeira mulher) com a minha tia Elisa (irmã da minha mãe).

Se não tivesse havido um divórcio e consequentemente um segundo casamento provavelmente nunca a tinha conhecido.

 

Ou então sim, porque as nossas vidas têm alguma tendência a cruzar-se.

Não sendo nós de família muitas pessoas perguntam se somos irmãs porque nos acham parecidas.

A Joana tem 42 anos, mas é tão gira, tão gira que parece que tem 30!

Ou menos ainda...

 

Conheci-a em casa dos meus tios e ficámos amigas.

É sportinguista como eu.

Isso é tudo o que precisamos para ter muitas conversas.

Mas não partilhamos só gostos, afinidades e até a forma de estar.

Às vezes tenho a sensação que a minha história, a minha vida é parecida com a dela, o que é extremamente estranho e inexplicável.

A verdade é que ela acaba por ser uma inspiração para mim e por isso há sempre a tentação de lhe seguir os passos.

 

Em 2014, com 40 anos reencontrou um colega de escola, o João.

Apaixonaram-se.

Depois de um namoro de 2 meses..

Casaram-se de repente a 6 de Setembro.

Se foi um choque para todos, esse choque passou quando os vimos juntos.

Foram feitos um para o outro.

O casamento foi lindo!

Fartei-me de chorar....claro!

No final do mês de Setembro de 2014, a Joana estava grávida.

O Francisco nasceu no ano seguinte em Junho.

O João, recebeu uma proposta para fazer doutoramento nos EUA, em Santa Fé.

Pegaram em tudo e em todos e partiram à aventura com um bebé de poucos meses.

Nada que atormentasse a Joana que é e sempre será uma guerreira.

No final de Agosto a Joana descobriu que estava novamente grávida.

De gémeos!

O Tiago e o Tomás nasceram no fim de Março.

E a história de amor deles, primeiro da Joana e do João e agora da Joana, João, Francisco, Tiago e Tomás...inspira-me todos os dias.

 

No ano passado estive nos EUA.

Aproveitei para conhecer um pouco mais o país mas também para matar saudades.

Ainda os gémeos não tinham nascido mas a Joana já tinha uma senhora barriga.

 

Este blog só existe graças à Joana que também tem um e me disse:

- Ter um blog é uma grande ideia, escreve, escreve, escreve! Faz tão bem! Mas se fizeres um blog que seja no Sapo ! Estive lá e gostei muito.

 

E eu, bem mandada, aqui estou!

 

Não sei, porque raio é que me deu para escrever sobre ela. Quer-me parecer que passar muito tempo com um coelho e um cão dá nisto!

A verdade é que com o aproximar do Natal começo a sentir falta dos que mais gosto e estão longe.

 

As saudades que eu tenho de sair com ela:

- Esta é a Joana! Apresentava-me a Joana a uma qualquer pessoa...

Alguém me olhava de alto a baixo e dizia..

- Ah! Afinal havia outra...

 

 

 

03
Nov16

tio Nuno...

Joana Marques

De todas as pessoas da minha família existem duas que me fazem concorrência na loucura e destrambelhamento:

- o meu sobrinho Rodrigo, tem 6 anos e toda a gente tem esperança que seja uma fase...

- o meu tio Nuno.

 

É uma pessoa leve, de bem com a vida e com o mundo....

É casado com a minha tia Milita, o que ajuda muito.

A minha tia Milita é feita de sol! E o meu tio Nuno também!

Olho para eles e acho que não podiam ter casado com mais ninguém, só um com o outro porque ao mesmo tempo que são iguais também se completam...

 

Quando tinha 16 anos e era uma deslumbrada mimada e imprestável foi o meu tio Nuno que me disse: 

- Olha lá porque não tentas ser hospedeira? Tem tudo a ver contigo!

E eu, que queria ser um avião há vários anos, nunca me tinha lembrado de tal coisa.

Foi a partir daqui que tudo mudou na minha vida.

Comecei a bater a várias portas e acabei por começar a trabalhar uns 6 meses depois.

E fez-me bem, muito bem!

Fez-me ver que a vida nem sempre é fácil. Fez-me olhar para além do meu umbigo e fez-me sair de Campo de Ourique. Fez-me crescer.

Não se enganem, continuei a ser uma deslumbrada mimada e imprestável mas viajada...

 

O meu tio é arquitecto. Um bom arquitecto.

Tem uma cultura geral espantosa.

Apetece ficar a falar horas e horas com ele.

Nada nele é aborrecido!

Tem um jeito brutal para as artes.

Em Portugal viver de arte (salvo raras excepções) é o mesmo que passar fome e por isso é arquitecto.

Ás vezes olho para ele e acho que deve ter pena de não ter seguido o sonho.

Às vezes olho para ele e vejo-me a mim própria daqui a uns anos. 

 

Sempre que vai fora ou até cá dentro e vê alguma coisa relacionada com os meus múltiplos hobbies, lembra-se de mim.

Desta vez trouxe-me de Itália um aparo antigo que eu simplesmente adorei!

 

Faz hoje 75 anos!

Olho para ele e acho que é mentira...parece um puto de 20! 

Parabéns! 

É muito, muito especial para mim!

coracao-verde (1).jpg

 (o Quiosque está no instagram e no facebook)

31
Out16

o dia em que fui cardiologista....

Joana Marques

Aos domingos é dia de almoço de família. Em casa dos meus pais.

Não estamos sempre os 3 filhos, genro, nora e os 5 netos...

Vai sempre alguém mas nem sempre estamos todos.

O meu cunhado fez anos na semana passada e por isso era um almoço especial, daqueles que dura o dia inteiro e só acaba perto da hora do jantar....

Não foi em casa dos meus pais, foi em casa da minha irmã...

Fui acompanhada. O Vasco. Faz parte da família mas também porque vou para Barcelona esta semana e precisava de o deixar na tia.

 

Uma refeição em família é demasiado bom!

É aqui que me sinto bem e que percebo onde pertenço.

Por mais amigos que tenha, a minha família é o meu porto de abrigo........

Os almoços acabam sempre por recordar histórias...antigas.

Não sei bem porquê mas entro sempre nelas...


 

Há muitos anos atrás...

Também um domingo.

Também em Outubro.

Tinha eu 7 anos.

Estávamos todos no Alentejo, em casa da avó Maria.

Em vez de sobrinhos tinha primos. O meu primo Filipe era o meu melhor amigo.

Tinha mais dois anos que eu. (Tinha e tem!)

Naquele tempo as crianças não eram de vidro, pelo menos as que já tinham irmãos mais velhos e eram arraçadas de pit bull cruzado com um caniche.....(tipo eu!)

Andávamos à solta, quais cavalos selvagens. Sem horas. Sem destino.

 

Eu e o Filipe chegámos atrasados, muito atrasados ao almoço. Sujos. Muito sujos. Eu disfarcei mas vinha a coxear...e trazíamos uma caixa de cartão...

 

A minha mãe estava possuída.

Quando nos viu chegar:

- Onde é que vocês estiveram??? Faltaram à missa.

Olhei para a minha mãe à beira de um ataque de nervos.

Faltar à missa e chegar atrasada ao almoço de domingo tudo num só dia! Dava direito a pelo menos um ano no inferno. Traduzido, um ano sem televisão e sem sobremesa, tudo ao MESMO tempo!

 

Antes de responder olho para o meu pai para ver se estava com um ar sério. Respiro fundo, estava normal..

- Estivemos a brincar aos médicos. Respondo eu.

 

Toda a sala se calou. Toda a gente olhou para nós. Não percebi...

 

O meu pai, lá viu que eu tinha 7 anos e o Filipe 9. Não devia ser nada de preocupante.

- Explica-nos lá, o que é brincar aos médicos? Perguntou ele, divertido.

Viro-me para o Filipe e digo:

- Eu explico! E expliquei.

- Eu e o Filipe apanhamos lagartixas.

lagartixa.jpg

 

O ar horrorizado da minha mãe e da minha irmã.

 

Eu prossegui...

- Seguro na lagartixa. O Filipe abre a lagartixa e vemos o coração a bater...

 

Continuei..

- A seguir, o Filipe segura na lagartixa e eu coso a lagartixa. É assim que brincamos aos médicos...

 

O ar perplexo da sala. Nunca me vou esquecer do olhar:

- da minha avó,

- do meu avô,

- da minha mãe,

- do meu pai 

- dos meus tios

 

- é mentira, não acreditem! Deve ter visto nos desenhos animados. Diz a minha irmã...

Toda a gente se ri.  Dizem que sim com a cabeça e concordam com ela...

 

E eu, Joana, abro a caixa de cartão e tiro lá de dentro, uma lagartixa, espetacularmente cosida, com pontos e contrapontos..

De dentro da caixa sai também:

- um carrinho de linhas e uma agulha que eu tinha tirado discretamente da caixa de costura da avó Maria,

- a navalhinha do meu avô que foi roubada por mim, no dia anterior, enquanto estava a dormir no sofá. Foi só ter a mão leve, fazer pouco barulho e tirar com cuidado de dentro do bolso!

 

Já não me lembro bem mas alguém quase desmaiou naquela sala...

- Não gritem que assustam a lagartixa. Dizia eu com um ar zangado, a quem ameaçava ter uma síncope...

 

- Não sei o que te fazer, Joana. Dizia a minha mãe.

- Achas que isso são brincadeiras? Dizia a minha tia..

 

A minha irmã tinha fugido...com medo da lagartixa.

O meu irmão Tiago quis pegar na lagartixa.

O meu primo António também.

 

- Afastem esse bicho. Gritava a minha tia.

- NÃO ASSUSTE A LAGARTIXA. Dizia eu...

...claro que apanhar a lagartixa, abrir a lagartixa e coser a lagartixa não assustaram o bicho...os gritos sim...toda a gente sabe que estraçalham os nervos da melhor das lagartixas..

 

-  Ai, João, onde é que nós errámos? Dizia a minha mãe ao meu pai.

 

A minha avó Maria ria. E perguntou-me...

- E porque é que estás coxa?? E o Filipe tem as pernas todas esgadanhadas?

- Quisemos fazer o mesmo ao galo....e fomos atacados...

 

galo.png

 

E sim, a ideia tinha sido minha...

Nunca mais apanhei lagartixas na vida.

No ano seguinte, eu e o Filipe mudámos o foco e começámos a apanhar borboletas...com um camaroeiro que ele desviou da casa de férias do tio Luís...

A ideia do roubo do camaroeiro foi minha.

A ideia de caçar borboletas, também!

E sim, fiquei de castigo.

Das duas vezes!!

 

....e ontem, quase trinta anos depois....chorámos a rir com a história......

olhei para os meus sobrinhos e tive pena...que não tenham sido crianças nos anos 80..

 

 

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