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Quiosque da Joana

20.01.18

o juramento...

Joana Marques

Quando tinha 8 anos.

Na escola. Tinha dois grandes amigos.

A Cátia e o Miguel.

Andávamos sempre juntos. Éramos unha com carne.

O pai do Miguel trabalhava numa empresa espanhola e passava cada vez mais tempo em Espanha.

Um sábado de manhã fui às compras com a minha mãe e encontrámos a mãe do Miguel.

Em conversa com a minha mãe disse-lhe que era provável daí a uns tempos irem todos viver para Espanha porque o marido passava a maior parte do tempo lá.

Não disse nada ao Miguel. Mas ele sabia.

 

Dividíamos os trabalhos de casa. E antes da escola começar encontrava-me com eles e trocávamos os tpc's.

Se tínhamos 3 contas para fazer, cada um fazia uma e depois era só copiar.

Uma tática infalível. Só usada pelos melhores amigos, os que podemos confiar.

Sabemos que no quinto aperto não contam nada a ninguém quanto mais no primeiro.

E nós sabíamos que em caso de desconfiança, os adultos não tinham tempo de nos apertar até à morte...

 

Entre a cópia, a conta de multiplicar e a de dividir o Miguel disse-nos que ia morar para Espanha.

Chorámos os três.

E nesse dia chorámos outra vez. Porque não fizemos os trabalhos de casa como deve ser e a professora contou aos nossos pais.

Foi um dia dos diabos.

 

No dia seguinte o Miguel disse-nos que tínhamos de jurar que íamos ficar sempre amigos.

-Sim, juramos. Respondi eu e a Cátia.

- Não é assim que se jura. Disse o Miguel.

- Como é que se jura?

 

O Miguel explicou-nos. Tínhamos de cuspir na mão. E com um aperto de mão, como faziam os homens, selar o juramento.

Numa fase em que tudo me dava volta ao estômago, incluindo os beijos na boca.

Tive de me abstrair bastante para fazer tal coisa.

- Tens a certeza que é assim?

- Tenho. Vi num filme com o meu irmão.

O Miguel tinha um irmão fixe. O meu só servia para me roubar o tulicreme do pão.

 

O juramento funcionou. Somos amigos até hoje.

A Cátia nunca saiu da minha beira.

O Miguel foi para Espanha. E depois para Inglaterra. Mas acabava sempre por vê-lo nas férias de Natal. Vivíamos próximo.

Perdi contacto com o Miguel quando comecei a trabalhar e saí de casa. E os meus pais saíram de Campo de Ourique e mudaram de telefone fixo.

Só que a vida dá voltas e voltas. E quando eu pensava que nunca mais o ia ver.

No Natal de 2012 em pleno Colombo. E com milhares de pessoas lá dentro. Alguém me bate no ombro. Era o Miguel.

Jantámos, nesse dia. E ele contou-me que estava a viver na Nova Zelândia. E que ia ficar por um mês em Portugal, depois voltaria.

Convidei-o para jantar em minha casa. Convidei a Cátia, claro! E uma outra amiga minha, a Raquel.

Nesse dia o Miguel apaixonou-se pela Raquel e a Raquel pelo Miguel.

Nunca mais se largaram.

Ele voltou para a Nova Zelândia. Mas regressou três meses depois. Casaram. E são felizes.

Actualmente, vivem na Nova Zelândia, e têm dois filhos...Sportinguistas.

 

 

Hoje de manhã. Acordei.

E fiz o que tenho feito neste último mês.

Vou espreitar o berço da Alice.

Gosto de olhar para ela.

 

Olho para ela.

Sinto-me uma sortuda.

E agradecida.

Alguém que eu não conheço.  Achou que merecia ser abençoada desta maneira.

Não mudava nada nela.

Porque é perfeita.

 

Desperto.

Os meus pensamentos são interrompidos por um bafo quente e húmido.

Enquanto eu olhava para ela por cima do berço.

O Vasco olhava para ela pelas grades da cama.

Os dois em silêncio a zelar pelo sono dela.

 

Acordou.

Viu-nos.

Riu-se tanto que até os olhos se fecharam outra vez.

Deu-me os braços para a tirar da cama.

 

Peguei nela.

E sentei-me num cadeirão.

Com ela ao colo.

O Vasco pôs a cabeça no meu colo em cima dos pés da Alice.

Com o braço esquerdo segurei a Alice.

Com o direito fiz festas ao cão.

 

Os 3.

Geneticamente diferentes.

Unidos pelo amor. Para sempre.

Um juramento selado....

 .....por aquele ribeiro de cuspo...saido diretamente da boca do cão.

 

 

18.01.18

Alice. Report! #2

Joana Marques

Não tem dentes. Ainda não tem dentes.

Nem vestígios de que virá a ter dentes.

 

Ri-se muito. Muito.

Sorri a toda a gente mas colo só quer de quem conhece.

E diz adeus.

Quando na rua se metem com ela, ela sorri e depois diz adeus.

Parece que as quer ver pelas costas.

 

Parece que é feita de borracha.

Começou a gatinhar. E gatinha a toda a velocidade quando é para ir atrás do Vasco.

Com a pressa e falta de coordenação. Desfaz-se no chão.

Rapidamente volta à base. E retoma o rumo. E lá vai ela atrás do cão.

O Vasco ganha sempre.

Ela bem refila. E tenta. Não desiste. E nunca chora.

 

Ainda chora quando a deixo em casa dos meus pais.

Ou quando está ao colo e a passo para colos menos conhecidos.

De resto pouco chora.

Mais para a noite quando está mais cansada é capaz de dar o ar de sua graça.

 

Adora cor de rosa. Ou a mãe adora vesti-la de cor de rosa.

Não sei bem.

Gosto mesmo de a ver de cor de rosa com um laço na cabeça.

 

Come bem. E dorme muito bem.

O que para mim é uma dádiva dos céus.

Adianto muita coisa quando está a dormir.

Porque as tarefas aumentaram bastante.

Mas continuo com tempo para as minhas coisas. Porque trabalho menos horas, também.

 

Gosta muito de música.

De folhear um livro comigo.

Adora o Vasco.

Não tem noção da força e às vezes o cão apanha.

Nunca se chateia porque é o melhor amigo dela.

 

Têm sido dias bons...

 

16.01.18

a competição mais dura de todas. Ser mãe...

Joana Marques

Quando era miúda a minha mãe queria que eu fosse para o ballet.

A minha irmã praticava desde os cinco.

O meu irmão era rapaz escolheu karaté. E eu rapariga estava confinada ao ballet.

Tinha 4/5 anos e bem disse à minha mãe que não queria. Queria antes karaté como o meu irmão.

Pois, sim...e alguém ouvia o que eu dizia?

Claro que não.

A minha irmã bem me tentou convencer e conseguiu em certa parte porque me mostrou uma bailado.

E nesse bailado o bailarino levantava a bailarina. E a bailarina levantava voo como se fosse um avião..

E eu queria ser um avião.

 

Aulas e aulas de ballet e ninguém fez de mim um avião.

Pior, a postura rígida do ballet quase me matou.

Eu, hiperativa. E aquela coisa de levantar a perna 1000 vezes até ficar perfeito, deixava-me em estado de chaleira borbulhante.

Comecei a fugir da aula e a ir espreitar a aula do meu irmão.

Muito mais gira. Muito mais ação. Aquilo sim, era coisa para mim...

Os senhores do ginásio combinaram comigo. Deixavam-me fazer uma aula de karaté por semana se a outra fosse de ballet.

Devo ter sido a única pessoa do mundo que praticou karaté com uma fatiota cor de rosa...de ballet!

 

A minha mãe descobriu. Porque o meu irmão deu com a língua nos dentes.

Falou comigo. E lá conseguimos encontrar um meio termo...naquele tempo, karaté era demasiado para uma menina. Pelo menos para a minha mãe.

E com 7 anos comecei a praticar ginástica desportiva.

A minha mãe ainda tentou negociar a rítmica...mas tinha floreados a mais para mim.

 

Enquanto pratiquei ginástica nunca senti na pele o lado negro da competição. Havia competição, sim, mas boa, saudável.

O que me lembro destes tempos era o espírito de entreajuda.

Ainda tenho muitas amizades desses tempos. Tenho mais amizades de pessoas que conheci na ginástica do que na escola.

 

A competição má vinha dos pais.

Os pais que vinham falar connosco a dizer que tinhamos feito isto ou aquilo e que deviamos ter sido desclassificadas.

Os pais que falavam com os juízes porque o filho deveria ter mais uma décima milésima.

Os pais que iam pedir satisfações aos treinadores porque o filho deveria ter sido escolhido para um certo aparelho e não o outro.

Os pais. Os pais dos outros.

Os meus, estavam sempre caladinhos que nem ratos.

Às vezes nem estavam. Tinham 3 filhos e não podiam estar em todo o lado ao mesmo tempo.

Nunca me lembro de terem entrado neste tipo de competição.

Nunca nos compararam a ninguém. Nem nas notas escolares. Nem na altura. Nem na estupidez.

 

Foi por isso que demorei a encaixar um encontro imediato que tive ontem...

No pediatra, assisti a uma cena caricata.

Duas mães, discutiam qual das duas tinha tido um parto pior.

Uma tinha feito cesariana. Os pontos tinham infetado. E só conseguiu ter uma vida normal passado um trilião de meses.

Outra tinha tido a cria de parto normal e tinha levado pontos até ao cocuruto da cabeça.

 

Começaram a comparar o peso dos miúdos.

Com um mês. Com dois meses......graças a Deus que os putos tinham 6 meses.

Se tivessem 50 anos, ainda lá estavam a comparar grama com grama.

 

 

Seguiu-se a comparação das façanhas dos dois pequenos.

E no final, mesmo antes de entrar, comparavam os tamanhos de Gabriel e Bruno.

Depois, fui chamada e não assisti ao resto.

E pensei no desgaste que é ser mãe assim.

Ter de competir grama com grama. Centímetro com centímetro.

 

Não escolhi ser mãe para perder.

Vou dar o meu melhor todos os dias da minha vida.

Vou adoptar o estilo dos meus pais. Com uma pequenina diferença...

Vou ensiná-la a voar sozinha...no tempo dela, ao ritmo dela...

..e tanto me faz se quiser escolher karaté ou ser lutadora de sumo...

...quero é que seja feliz! Muito feliz.

 

E que ao fim do dia se sinta leve, leve como um avião....a voar.....

 

 

 

 

15.01.18

mães! Como é que conseguem...#2

Joana Marques

Fui com a Alice às vacinas.

 

A Alice tem quase 9 meses e não tenho qualquer indicação se já levou ou não alguma vacina.

Provavelmente não.

O pediatra achou por bem começar.

Deixámos passar estes primeiros tempos. 

Para vermos como seria a adaptação dela.

Na minha opinião adaptou-se bem. Parece que está connosco desde o primeiro dia.

É uma miúda rija. Não é de chorar muito. Mas é de rir muito, muito...quando está bem disposta.

À noite, quando está muito cansada só o Vasco a faz rir. Isso e se dançarmos as duas. Irresistível!

 

Hoje demos inicio a essa fase. Vacinas.

Lá fui eu.

Com ela.

 

Alice!

Levou a vacina. Ficou muito séria. Meio espantada.

- O que é isto. O que é que está a acontecer?? O que é que me estão a fazer...ah! pronto já passou...

 

Mãe da Alice!

-Não façam isso.

- Vou chorar..

- Já estou a chorar..

-Estou a ver tudo a andar à roda!

- Estou a ver tudo numa névoa...

 

- CUIDADO! Disse a enfermeira...

Alguém me agarrou.

Alguém me sentou num banco.

Alguém me obrigou a beber uma água com açúcar...

 

E não. Não foi por causa do sismo....

 

 

 

 

14.01.18

porque escolhi fraldas reutilizáveis...

Joana Marques

Tento ao máximo preservar o planeta. Não sei se estarei sempre à altura mas tento...

Faço reciclagem desde o início.

Ensinei os meus pais a fazerem.

Os meus vizinhos, não tendo sido nada bem sucedida com o Sr. Ludovino.

Tenho em atenção o consumo de água, por exemplo.

No meu terraço instalei umas caleiras para apanhar a água da chuva.

Essa água serve para regar plantas, lavar o chão do terraço, etc.

Consumo, a maioria das vezes apenas os produtos do país onde estou.

É óbvio que é pouco. E se calhar podia fazer mais...

A verdade é que tento juntar o útil ao agradável.

Ou seja, fazer o máximo possível sem mexer muito com a minha comodidade.

Ponho muitas vezes a minha comodidade à frente...

 

A Alice usa fraldas como todos os bebés.

De noite, a Alice usa fraldas descartáveis de uma boa marca.

É uma bebé que dorme muito bem e muitas horas. E acho importante que esteja confortável.

 

De dia, também quero que esteja confortável mas é diferente.

Eu, a minha mãe ou o meu pai, estamos sempre por perto e por isso a fralda é logo mudada.

E optei por fraldas reutilizáveis.

Não são fraldas, horríveis de pano, usadas por mim e pelos meus irmãos.

Eu, nascida em 1981 já usei algumas descartáveis mas a maioria eram de pano.

 

Um bebé gasta cerca de 8000 fraldas.

Um atentado!

Hoje em dia temos opções confortáveis para os bebés, mais baratas para os pais e amigas do ambiente.

Estas fraldas, parecem mais caras mas ficam pagas ao fim de pouco tempo.

São impermeáveis e têm uma parte absorvente. Esta parte absorvente deita-se fora depois de suja.

 

A parte exterior da fralda vai-se lavando. Sem grande drama...

Podem ser lavadas cerca de oitocentas vezes.

As que a Alice está a usar já foram usadas pelo meu sobrinho e ainda estão em perfeitas condições.

Tenho cuidado ao lavá-las. 

Lavo-as na máquina, claro! Mas com um detergente ecológico.

Tal como também lavo o resto da roupa da Alice.

Até agora tem corrido bem.

Temos a Alice em perfeitas condições.

 

E sim, dá um pouco mais de trabalho que as descartáveis.

Para mim é um preço justo a pagar....

O planeta agradece!

E prepara-se para receber daqui a alguns anos os filhos da Alice. 

E os seus netos...

 

Oh! Socorro...um dia destes vou ser avó...

 

11.01.18

Aretha esta é a Alice. Alice esta é a Aretha.

Joana Marques

Tive de ir a Amesterdão acabar o que estava por acabar.

Ponto final.

Está morto e enterrado!!

 

A Alice ficou com os meus pais.

E ficou bem. Correu tudo bem.

Eu morri de saudades mas as notícias de Portugal foram-me deixando descansada.

Quando falava ao telefone com o meu pai ou com a minha mãe ouvi-a ao longe a falar...e a falar.

A miúda fala pelos cotovelos num dialecto que só o Vasco percebe.

 

Quando cheguei ficou tão contente.

Abriu os braços. E convidou-me para dançar.

Dançamos todos os dias. E ontem deixei-a sem par....

 

Hoje!

Dançámos até cair para o lado. Foi épico.

Cantei. Porque é incontrolável na minha pessoa.

No duche. A cozinhar. A correr (nos bons velhos tempos). A conduzir...

E a dançar com a Alice. A miúda já deve ter percebido que a mãe é destrambelhada e desafina.

 

Já lhe apresentei. Frank Sinatra. E outros moços e moças...

E hoje?

Hoje foi a vez de Aretha Franklin!

 

E músicas infantis??

Ainda não.

Não estou para aí virada.

Aliás....juro que corto os pulsos e choro se alguém me fizer cantar isto.

 

09.01.18

mães! Como é que conseguem??

Joana Marques

Mudei-me para casa do meu irmão.

Agora só sou eu, a Alice e o Vasco.

Ontem de manhã, preparei a Alice e fui deixá-la a casa dos meus pais.

É uma bebé que acorda quase sempre bem humorada.

Fez a viagem toda a rir que nem uma perdida. Quem tem um Vasco tem tudo, quem não tem arranje.

 

Cheguei a casa dos meus pais.

Tirei-a da cadeirinha.

E entreguei-a ao meu pai.

Sempre bem disposta e a rir.

Quando me viu ir embora, começou num berreiro...desgraçado.

Ainda, voltei. Peguei nela. Calou-se. Foi sol de pouca dura....mal virei costas, só a ouvia chorar....

Resultado. Fiz a viagem de volta a Cascais a chorar.

É a chamada solidariedade!

Sou uma chorona profissional. E não aguentei.

Cheguei a casa. Peguei no telemóvel e tinha uma mensagem do meu pai.

Uma foto da Alice, fresca e fofa, com o Vasco ao lado.

Liguei, para o meu pai, que confirmou.

- Não foi nada. Chorou um bocadinho mas passou-lhe logo. Fica descansada.

 

Hoje.

A mesma coisa.

Só que hoje a choradeira começou mais cedo.

Mal a sentei na cadeirinha do carro começou a rezingar.

E quando a deixei ao colo da minha mãe. Foi o fim....

É provável que vocês que me estão a ler em Trás os Montes, tenham ouvido por aí qualquer coisa: berros da Alice.

Uma coisa é certa a pequena tem uns belos pulmões.

Outra coisa certinha! A infelicidade dela mexe muito com a minha.

Fiz novamente o caminho Estoril-Cascais lavada em lágrimas...sou uma triste.

Tal como ontem, recebi uma mensagem do meu pai, com uma foto da Alice.

Parecia um sportinguista depois de ganhar o campeonato. A extravasar felicidade por todos os poros....

 

Conheço muitas mulheres que são mães...e não me parece que passem o dia a chorar...

Como é que conseguem, mesmo??

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08.01.18

antes da Alice. Depois da Alice!

Joana Marques

Antes da Alice, o Vasco comia o seu pequeno almoço e ia dormir outra vez.

Depois da Alice, o Vasco toma o seu pequeno almoço e fica à espera.

À espera da comida que cai das mãos da Alice.

Costumo dar-lhe  a comida mas gosto que ela também coma por ela. E deixo sempre fruta numa tigela.

A Alice agarra no bocadinho de banana e às vezes cai.

Às vezes nem chega ao chão! Entra logo para a boca do cão.

A Alice não gosta de perder comida e reclama. Nada a fazer.

 

Hoje, quando deixei a Alice em casa dos meus pais, o Vasco foi connosco.

Ia cheio de pressa.

Quase me atropelou à saída de casa.

E só não entrou no carro, primeiro do que eu, porque não tinha as chaves.

Antes da Alice, o Vasco costumava ir no banco da frente ao meu lado.

Depois da Alice, vai no banco de trás ao lado da cadeira.

Com a boca aberta e a língua de fora faz a Alice rir que nem uma perdida.

 

Antes da Alice, o Vasco gostava sempre de ir à janela.

E se apanhava alguém desprevenido, ladrava que nem um perdido.

Depois da Alice, só tem olhos para ela!

 

Antes da Alice, o Vasco nunca queria ficar.

Hoje, quis ficar em casa dos meus pais.

Deixei, porque os meus pais concordaram.

Ainda que coma as plantas da minha mãe, escave túneis no quintal e corra que nem um perdido entre os canteiros.

Achámos que podia ser um conforto para a Alice. E lá ficou.

 

Antes da Alice, sempre que chegávamos a casa, o Vasco ia descansar.

A vida de cão é dura. E aquela beleza toda vem das longas sestas que faz por dia.

Depois da Alice, chegamos a casa e Vasco está onde está a Alice.

A Alice gosta muito de uns cubos que eram do seu padrinho Pedro.

Costumamos construir torres.

A Alice gosta de deitar tudo abaixo. O Vasco também. E também gosta de roubar cubos...

...e acha que a Alice tem de os ir buscar.

Por causa disso, a Alice já quase gatinha. Ainda falta o quase.

 

Antes da Alice, gostava deste cão. Mais do que consigo escrever.

Depois da Alice, gosto deste cão. Muito mais do que antes.

Este cão é assim como um recheio que se põe numa sanduiche.

É a marmelada saudável. O queijinho fresco, fresquinho. A manteiga de amêndoa acabada de fazer.

Ele que não saiba que escrevi isto.

Ou ainda come este post!

vasco1 (2).jpg

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07.01.18

Tal mãe. Tal filha.

Joana Marques

 

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Adoro o conforto da minha casa. E adoro sair de casa.

Sinto-me bem nos dois locais. É só pena não poder estar nos dois ao mesmo tempo.

Agora que tenho a Alice gosto de sair de casa com ela.

Já conduzo o carrinho dela na perfeição. E ai, vamos nós rua fora.

Quando o tempo permite gosto de passear aqui pelo paredão.

Gosto do cheiro a maresia.

 

Sou friorenta. Muito.

E acho que a Alice também é.

Por isso antes de sair de casa, toca de lhe vestir tudo aquilo que consigo.

A pobre da cachopa vai tão vestida que parece o abominável homem das neves.

Se olharmos com atenção podemos vislumbrar, uma criança, no meio de uma pilha de roupa.

Lá bem no meio, estão dois olhos, uma boca e um nariz. Nada mais fica de fora.

 

Hoje de manhã andava por aqui a passear com ela. E com o Vasco.

A Alice é muito curiosa. E olha para tudo com atenção. Parece absorver cada centímetro.

Sentei-me num banco, tirei-a do carrinho e dei-lhe colo.

Passa uma senhora que a vê. E faz-lhe festas.

Alice, é uma miúda simpática e mostra o seu melhor sorriso.

- Que sorte que tem! É a sua cara. Tive 3 filhos, 3 cesarianas dolorosas e nasceram os 3 com a cara do pai.

Tal mãe.

Tal filha.

 

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