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Quiosque da Joana

14.02.18

happy! Is the new rich...

Joana Marques

A engenheira ligou-me.

Para ir até Carcavelos. Queria que eu visse o chão de madeira, dos quartos.

Confirmar se era mesmo, mesmo o que eu queria.

- Não pode ser amanhã?

Não podia.

Tinha mesmo de ser hoje. Já. Imediatamente.

Logo hoje que estou com a Alice.

Ando a trabalhar aos bocadinhos. Comecei às 6h. Parei às 7h30.

Recomecei às 10h. E parei às 11h30.

Voltei a pegar no trabalho às 16h.

E agora a francesa.

- Já vou. Quando a Alice acordar, vou para aí.

Ainda lhe dei o lanche.

O que vale é que o cão tem colaborado. Com quase 4 anos. Pode ser que esteja mais maduro. Mais crescido.

O dia até está a correr bem.

 

Lá segui para Carcavelos.

Eu e a Alice.

Cheguei ao prédio.

Sr. Ludovino.

- Estás cá outra vez?

- Estou. Querem que eu vá ver o chão.

- Já vi. Está a ficar bom.

Senhor Ludovino, não pode subir escadas porque segundo ele, está muito velho para isso, mas não perde uma oportunidade de ir espreitar as obras. Dar opinião. E aconselhar a fazer as coisas de outra forma.

 

Deixei a Alice cá em baixo com a dona Helena, a mulher do Sr. Ludovino. E subi. Com ele.

Cumprimentei as pessoas que estavam em minha casa. Incluindo a engenheira.

Olhei para o chão.

- É mesmo isto. Está muito bom.

Mas....

....um cheiro. A tintas, ou qualquer coisa similar. Invadiu as minhas narinas.

Digo para a engenheira que terminamos a conversa cá fora.

Sempre com o Sr. Ludovino ao meu lado.

 

A engenheira dá ares de não perceber a minha pressa em sair dali. E eu digo:

- Je suis asmatique.

O Sr. Ludovino olha para mim com o ar mais incrédulo de sempre e diz.

- O que raio é que disseste à francesa??? És um asno rico??

 

O ar do Sr. Ludovino quando comecei a rir.

O ar da francesa quando comecei a rir.

O ar dos senhores, que estavam lá em casa, quando comecei a rir.

Foi impagável.

O rótulo de destrambelhada já ninguém me tira. E o de pateta alegre também não.

 

happy1.jpg

mais histórias do Sr. Ludovino aqui.

 

11.02.18

o poder de um espirro

Joana Marques

Passei o fim de semana na Sertã. Na casa que agora é da minha irmã.

O tempo ajudou. Ontem esteve um dia muito bom.

O Vasco correu que se fartou. E a Alice brincou cá fora.

Dormiu a sesta da tarde na rua e tudo. Ao nosso lado.

 

A minha irmã, o marido e a Inês ficaram lá. A aproveitar o fim de semana prolongado.

Mas eu não. Não podia.

Não me posso dar ao luxo de não trabalhar amanhã.

Estou com trabalho até ao pescoço.

 

Passei por Carcavelos.

Para deixar uma fatura.

Amanhã, vão entregar o chão dos quartos. E convém confirmar se vem mesmo aquilo que foi encomendado.

Já tive más experiências outras vezes.

 

Mal entrei no prédio.

Apareceu o Sr. Ludovino.

Muito combalido.

Muito queixoso.

-Nem sabes, acho que desloquei a bacia.

- A sério? Então? Caiu.

- Não. Espirrei...

 

Não me contive.

Comecei a rir. E não consegui parar.

- Faz pouco, Joana. Quando tiveres a minha idade vais ver como é.

Não consegui parar.

Continuei a rir.

Com a Alice ao colo. O Vasco ao lado.

Ria que nem uma perdida.

Fui a casa deixar a fatura. Sem conseguir parar de rir.

Fiz a viagem para casa, a rir.

E cada vez que me lembro do ar do Sr. Ludovino. Não consigo parar.

 

O pior.

Ri-me tanto. Sem parar. Por tanto tempo.

Acho que desloquei o maxilar. 

 

O efeito de um espirro. Anca e maxilar abatidos.

Imaginem, quando este homem se constipar...

  

 

mais histórias do Sr. Ludovino aqui.

 

10.02.18

se eu tivesse um aneurisma. Tinha rebentado. Ontem.

Joana Marques

Ontem, passei à tardinha por Carcavelos.

Tinha combinado com a engenheira. Decidir algumas coisas. Para começarmos a ver a luz ao fundo do túnel.

 

Entro no prédio.

E Sr. Ludovino aparece.

Em ponto de rebuçado.

- Nem sabes! A minha televisão avariou.

Sr. Ludovino é o maior consumidor de novelas que Portugal já viu.

Acho que a TVI e a SIC juntas trabalham diretamente só para ele.

Entro em casa dele.

 

Experimento o comando. Nada.

Verifico os cabos. Parecia tudo em ordem.

- Deve ter avariado mesmo.

Sr. Ludovino. Tão infeliz.

- Não fique assim, tem uma na varanda.

- Está muito frio na varanda.

Ainda me ofereci para mudar a televisão da varanda para a sala. mas não aceitou.

- Se quiser vamos os dois comprar uma televisão nova.

- O Miguel (o filho) trata disso.

 

A engenheira deve ter ouvido a minha voz e apareceu.

Pediu licença para entrar. E entrou na sala.

Nisto. Olho para a televisão e vejo que estão duas saquetas de cromos na parte da frente da televisão.

- É para os miúdos. (os netos)

Ao que parece um supermercado anda a oferecer cromos.

Tiro os cromos.

E com o comando. Ligo a televisão.

O Sr. Ludovino olha para mim como se eu fosse a santa protetora dos idosos sem televisão.

- Ah! Joana...

A dona Helena é apanhada de surpresa.

- Ó Helena! Os cromos naquele sitio não deixam o comando ligar a televisão. É como se o comando tivesse um preservativo. Percebes??? Um preservativo!!

 

A engenheira com um ar impávido e sereno.

A dona Helena sem perceber bem o que se tinha passado.

O Sr. Ludovino demasiado entusiasmado.

 

Ó Meu Deus.

Apoderou-se de mim uma vontade de rir.

Mas não podia.

Com esforço que fiz. As lágrimas escorriam pela cara abaixo.

- É das alergias. É das alergias.

 

Se eu tivesse um aneurisma. Tinha rebentado. Ontem.

 

mais histórias do Sr. Ludovino aqui.

07.02.18

a falar francês

Joana Marques

As obras em minha casa já começaram.

E eu tento acompanhar como posso.

Tento lá ir pelo menos dia sim, dia não.

A obra está a cargo da empresa do meu irmão.

Não é a especialidade deles mas eu fiz um choradinho tão grande que acabaram por aceitar.

 

A empresa do meu irmão tem dois sócios. Ele e um grande amigo, colega de faculdade.

Com a crise, o meu irmão e o sócio acabaram por emigrar para Angola.

Depois, ficou só o sócio e o meu irmão voltou.

Mas concorreu a uma obra na Noruega e emigrou outra vez.

Neste momento, o sócio continua em Angola. O meu irmão na Noruega e cá têm à frente da empresa uma engenheira.

Nasceu em França. Filha de pais portugueses.

Ainda pouco fala português.

 

Combinei com ela depois de almoço. Em Carcavelos. Em minha casa.

Quando cheguei.

Ouvi ao longe a voz do Sr. Ludovino.

- Ó diabo. Não me digas que está a ralhar com a engenheira...

Voei até à entrada do prédio.

- SERÁ QUE PODIAM...

- Boa tarde! O que é que se passa? Perguntei eu...

- Ela não percebe patavina do que eu digo...

- Eu sei, não sabe português...só fala francês...

- POR ISSO É QUE EU ESTOU A FALAR ASSIM....

Disse ele muito alto e a gesticular...para mim e para a engenheira...

- Para ver se ela percebe alguma coisa...por CAUSA DAQUELA TORNEIRA DA GARAGEM, PODIAM IR LÁ DAR UMA VISTA DE OLHOS..

- Sr. Ludovino, Sr Ludovino...francês não é falar português em voz alta...

- MAS EU ESTOU A ARTICULAR AS PALAVRAS TÃO BEM...

- Sim, mas a senhora não é surda...é só francesa...

 

E convencê-lo??

 

mais histórias do Sr. Ludovino aqui.

27.11.17

a visita do Sr. Ludovino...

Joana Marques

Estou em casa dos meus pais.

Ontem, quando cheguei, liguei ao Sr. Ludovino, a contar a minha desgraça.

 

Hoje, apareceu cá em casa. Para me ver.

Numa mão trazia uma violeta. Que é a minha flor preferida.

Na outra, um saco plástico do Pingo Doce.

Cheio.

Entregou-me o saco.

Quando abri o saco. Apeteceu-me cortar os pulsos.

Dentro dele. Papelada.

Tudo ao molho e fé em Deus.

Comecei a escavar. E comecei a encontrar.

Tudo e qualquer papel referente à administração do prédio.

No meio de extratos bancários. Contas da água. Da luz. E outra correspondência mais ou menos importante.

Estava isto:

umar.jpg

Chorei a rir.

Só este homem e o seu timming...

 

Já agora, Umar, grande médium curandeiro....se me estás a ouvir...

...era o Sporting campeão.

...envia a conta aqui para o quiosque....em Maio.

 

 

25.01.17

a chamar o Gregório...

Joana Marques

O Sr. Ludovino liga-me muitas vezes.

Às vezes estou a pensar em ligar-lhe mas antecipa-se sempre.

 

- Joana, tens de voltar!

- Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

- Ainda não mas pode acontecer.

-

 

-Joana, quando é que voltas?

- No fim de Fevereiro, princípio de Março.

- E a reunião? Quando fazes a reunião? E as contas do prédio?

- Não se preocupe. Está tudo organizado.

- Estou para ver quando o prédio for à falência.

-

 

- Joana, hoje esteve alguém em tua casa..

- Deve ter sido o meu irmão.

- Era uma mulher..

- Deve ter sido a minha cunhada.

- E tu deixas?

- Claro! Vai dar uma vista de olhos à casa, rega as plantas e tira o correio. Vê se há alguma coisa importante.

- E ela é de confiança?

-

 

 Um dia destes liga-me. Em pânico.

- Joana tens MESMO de voltar!

- Então, porquê?

- Está um intruso a morar no prédio..

- Um intruso? Como assim? Um gato? Um rato?

- UM HOMEM!

- Um homem??

- Sim, está a morar na casa dos Alvarez.

- Ah!

 

O meu prédio tem desde há muito tempo um andar vago no primeiro andar.

No direito mora a dona Cândida e o senhor Manel no esquerdo morou em tempos um casal com dois filhos.

Os filhos casaram e mudaram-se.

O casal reformou-se e foi morar para perto da Guarda.

Entretanto, já lá morou uma sobrinha durante um curto espaço de tempo.

No verão a casa também é ocupada por familiares.

Só os vi umas 3 vezes.

Pagam o condomínio por transferência bancária.

Envio-lhe as contas do prédio todos os anos.

Sempre me pareceram pessoas simples e do bem.

 

No dia seguinte ao telefonema, Sr. Ludovino liga-me outra vez.

- Joana, tens de vir para cá.

- Estamos à mercê de um desconhecido. Pode ser um ladrão.

- Já falou com ele?

- Não posso falar com ele.

- Não pode!?

- Ele não me responde. É o que te digo. Ele é esquisito. É estranho.

 

Achei um exagero, mas...

...por via das dúvidas liguei para a dona Cândida.

- Ah! Não te preocupes. É sobrinho dos Alvarez. É filho da irmã mais nova da dona Albertina. É americano. Chama-se Gregory e está cá a fazer uma especialização. Parece que é médico.

 

Fiquei mais descansada.

 

Liga-me o Sr Ludovino.

- Quando é que voltas?

- Ó Sr. Ludovino, já lhe disse lá para finais de Fevereiro.

- Ó Joana, espera aí...que já falamos...

 

E ouço lá ao fundo a voz do Sr. Ludovino..

- Ó Gregório...Ó GREGÓOOOOOOORIO! Rais partam o homem que não me responde....Ó Gregóoooooooooorio..........tu não me vires as costas....ouviste??

 

06.12.16

um cântico de Natal...

Joana Marques

Quarta-feira da semana passada...o meu último dia em Lisboa..

Acordo muito cedo....saio da cama antes das 5 horas da manhã..

Podia não acordar tão cedo mas preciso de ir correr..

..se não começar o dia a correr..não é dia!

Está a chover muito..

Quero lá saber...corro mesmo assim!

 

Chego ao trabalho antes das sete..

Despacho trabalho..muito trabalho..

Almoço.

 

Vou para Faro para uma reunião.

Volto de Faro.

Vou a correr para casa porque tenho um jantar de Natal da empresa e preciso de me vestir em condições.

Chego a Carcavelos chove torrencialmente.

Fico pronta para o jantar.

Chove, chove, troveja...parece o fim do mundo..

 

Chego ao restaurante e fico dentro do carro à espera que passe a chuva...

Janto.

 

Volto para casa.

Já não chove.

22h!

Encontro a Dona Helena.

- O Ludovino saiu para despejar o lixo. Ainda não voltou. Estou preocupada. Já liguei. Não atende o telemóvel.

 

Sr. Ludovino tinha um telemóvel há muitos anos.

Igual a este..

nokia.jpg

 

Liga-me um dia:

- Quando chegares passa por cá. O meu telemóvel não dá nada.

- Se calhar avariou..

- Não digas asneiras, Joana. Claro que não avariou...

Avariou...

 

O filho mais velho do Sr. Ludovino deu-lhe o dele. Um smartphone. Samsung.

Sr. Ludovino andava louco.

-Isto não é um telefone. Onde é que estão os números??

Por um lado irritado porque não conseguia ligar a ninguém...por outro lado vaidoso porque tinha um telemóvel top!

- É melhor do que o teu Joana!

 

22h.

Carcavelos.

Fui ver do Sr. Ludovino.

O espetacular deste homem é que não deita o lixo fora nos contentores que temos mesmo em frente ao prédio.

- Nunca! Ainda sabem coisas...

Também não tem cartão do continente porque podem saber alguma coisa sobre a vida dele...

 

Big brother is watching you!!

 

Começo a percorrer todas as capelinhas de Carcavelos...neste caso todos os caixotes do lixo...de Carcavelos...

Avistei o Sr Ludovino!

- Então?? Por onde é que anda. A Dona Helena está preocupada......

- Tonterias. Saí de casa agora..

- Ela já lhe ligou montes de vezes!

- Ligou?

Tira o telemóvel...

- Não ouviu?? Se calhar está no silêncio..

Tiro o meu telemóvel e ligo-lhe...

Ouve-se o toque do Sr. Ludovino..

- Ah! Então é isto!

-

- Fartei-me de ouvir esta música de Natal todo o caminho..

- E não atendeu?

- Pensei que a música vinha da casa das pessoas. Até disse para mim mesmo....olha!...está toda a gente a ouvir..... a mesma música...

 

O toque do telemóvel é este:

 

23.11.16

o pão nosso de cada dia....

Joana Marques

E Joana, este ser iluminado percebeu que não tem tido tempo de fazer pão.

Há uma infinidade de tempo que anda a comer pão feito pelos outros.

E a Joana não gosta muito do pão de compra.

Porque acha que o melhor pão é o dela. (presunção e água benta cada um toma a que quer....)

E como não tem mais nada para fazer, Joana, este ser sobredotado que Deus deu ao mundo, quer muito comer pão feito por si.

- E se o mundo acaba amanhã e eu não chego a comer o meu pão nunca mais na vida?

Pensa, Joana obra-prima de sua mãe e de seu pai.

E Joana vê que tem fermento em casa.

E Joana percebe que não tem farinha em casa.

São 18h30.

Se for depressa ainda consegue chegar à mercearia aqui do bairro e comprar todo o stock de farinha.

E Joana sai de casa.

E está a chover canivetes.

E Joana não tem chapéu.

 

Joana entra que nem um pintaínho na mercearia.

Toda a gente olha.

Joana está-se nas tintas.

Joana compra a farinha e mais uma centena de coisas que precisa mesmo de comprar. Tipo cotonetes e cenas...

Joana paga a conta e compra um saco.

E como os sacos custam 10 cêntimos.

Compra só um saco.

O saco está cheio, cheio.

 

Então Joana pega num pacote de leite de arroz e põe dentro da mala.

O saco continua cheio. Muito cheio.

Já não chovem canivetes.

Os pingos são do tamanho de vacas leiteiras.

E Joana vai formosa e não segura para casa.

 

E de repente repara que os pacotes de farinha se estão a molhar e entra no prédio e vai ajeitá-los e um explode.

E como está tudo molhado...fica assim uma nhanha....nas mãos....

 

 

E Joana, este ser digno de um prémio nobel...da estupidez..sobe até ao segundo andar..e vai espalhando farinha por onde passa...e nhanha.....

Não contente com todo este cenário, toda ela é farinha..e nhanha...

E chega a casa aflita com o peso. E prepara-se para ir buscar os utensílios de limpeza para limpar o que sujou...

 

Tocam à campaínha!

- Joana, o nosso prédio está cheio de pó branco.

- Sim, eu sei....

Interrompe-me.

- Deve ser carbúnculo.. (anthrax...para as pessoas normais, carbúnculo para o Sr Ludovino...que era oficial da Marianha...e diz palavras como carbúnculo...)

- Car...quê??

- Algo que nos pode matar em horas..

- Não, é far...

Interrompe-me.

- Acho que foram os russos.

- Os russos?? Não! Fui...

Interrompe-me.

- Achas que foram os da Nato?? (temos a Nato relativamente perto de casa...)

Desisti de explicar...e desci..

Joana, a branca de neve.....em modo nhanha...

 
E o pão?

Espetáculo!!

pao1.jpg

 (o Quiosque está no instagram e no facebook)

21.11.16

o meu prédio... #8

Joana Marques

Tendo em conta que sou administradora do prédio...cargo de alto gabarito.

Sou muito solicitada para resolver problemas.

Mas só uma pessoa do prédio me solicita para tal....Sr. Ludovino, obviamente!

 

Chego eu, um dia do trabalho, em cima de uns sapatos de salto muito alto...diz me ele:

- Joana, liga para a câmara, Carcavelos está infestada de baratas.

Dei um grito, um salto e ia despencando de cima dos meus sapatos...

Começo a olhar em redor para ver se via alguma barata.

- Sr. Ludovino, aqui no prédio?

- Não, por aqui ainda não as vi. O meu amigo Pombo diz que viu uma morta à porta do prédio dele.

Respirei de alívio.

O amigo Pombo vive perto da igreja de Carcavelos.

Eu moro cá para baixo, perto do mar.

Quem conhece Carcavelos percebe a grande distância que separa um local de outro!!

- Vai lá telefonar para a câmara. Se elas se espalham estamos arruinados. As casas ficam a valer um terço do que valiam...percebes?? Um terço.

-

Lá lhe disse que sim que ia ligar.

Aqui entre nós...não liguei.

O que ia dizer:

- Ó da câmara, faz favor! Um exterminador já! Apareceu uma barata morta em Carcavelos..

 

Por outra vez, chego eu a desfazer-me de cansaço:

- Joana, liga para a câmara.

-

- Estás a ver aquele candeeiro?

- Estou. O que é que tem?

- Estive a olhar para ele e inclinou cerca de 10 graus durante o dia. Mais dia menos dia cai.

-

- Liga para a câmara. Ainda nos responsabilizam por não dizer nada, se cai e parte um carro?

- Pode ser só dos meus olhos mas parece-me perfeitamente bem.

- És mulher. Nenhuma mulher se apercebe destes pormenores. Liga...

Então não liguei?

- Ó da câmara pode vir até aqui..temos um candeeiro perfeitamente bom e funcional mas tem a mania de inclinar 10 graus para a direita...mandem um homem....só a testosterona em estado puro é que vai conseguir resolver o problema...

 

A última do Sr. Ludovino!

Uma paragem de autocarro não tem vidro.

Não sei se alguém o partiu propositadamente.

Se foi algum acidente de automóvel.

- Joana, liga para a câmara. Não pode estar assim.

- O Sr. Ludovino apanha lá o autocarro?

- Joana, como é que és assim tão egoísta?? Não apanho eu mas apanha muita gente. E um dia também podes precisar. E se estiver a chover??

-

 

Passa lá todos os dias e quando me vê diz:

- Já fiz a minha gincana diária.

Isto porque a paragem tem um ferro que segura o vidro. Como não há vidro ele salta o ferro.

 

Ontem, domingo, fui trabalhar de manhã.

Saí às 11h30 e fui até ao Amoreiras almoçar com a minha amiga Maria.

A conversa são como as cerejas e só saímos de lá já passava das 15h.

Regresso a casa.

Nada de Sr. Ludovino.

Toco para ver se estava tudo bem.

Aparece a Dona Helena.

- O Ludovino partiu o nariz.

-

- Entra. Está muito queixoso.

Entro.

Está o Sr. Ludovino deitado na cama.

A cara cheia de hematomas.

Penso no nariz.

Muito abatido.

- OMG! O que é que aconteceu?

 

 O Sr. Ludovino saiu de manhã para comprar o pão.

Estava a chover.

Sr. Ludovino já não vê muito bem.

Sr. Ludovino não viu o vidro novo na paragem de autocarro.

Sr. Ludovino esbardalhou-se com estilo contra o vidro da paragem.

 

E uma pessoa só se ri do mal.

E comecei a rir, sem conseguir parar.

Tive de me sentar ou caía para o chão.

 

E uma pessoa só se ri do mal e o riso é contagioso.

E a dona Helena começa-se a rir.

 

E uma pessoa só se ri do mal, o riso é contagioso e uma pessoa percebe que não se deve rir de uma situação destas e tenta conter o riso....e ainda ri mais...

 

E o Sr. Ludovino começa-se a rir...mas dói-lhe tudo..

- A culpa é tua Joana, foste tu que ligaste para a câmara, não foste?

 

E uma pessoa só se ri do mal, o riso é contagioso e uma pessoa percebe que não se deve rir de uma situação destas e tenta conter o riso....e ainda ri mais...e as lágrimas escorrem pela cara abaixo....

 

É assim no meu prédio!

(o Sr. Ludovino vai ficar bem....foi mais o susto!)

home-heart.jpg(o Quiosque está no instagram e no facebook)

 

 

16.11.16

O meu prédio..#7

Joana Marques

O Sr. Ludovino é viciado em novelas. Vê todas e em todos os canais.

A mulher pelo contrário vê uma novela mas gosta de ver notícias.

Existe aqui um conflito de interesses no que toca à televisão.

Têm duas televisões uma na sala e outra no quarto.

Os dois querem ver televisão na sala durante o dia e depois de jantar.

O Sr. Ludovino normalmente vence e a Dona Helena tem que gramar com as novelas.

Depois de muitos desentendimentos chegaram a uma conclusão, fecharam uma varanda.

 

O objetivo era colocarem um sofá e uma televisão na varanda e assim podiam os dois ver os programas preferidos sem grandes questões.

Fecharam-na há mais de um ano.

A varanda precisava de estores ou cortinados.

Vivem no rés do chão. As pessoas passam e olham.

Ofereci-me por diversas vezes para ir com eles a uma loja para escolherem um tecido.

Em casa, fazia-lhe os cortinados num instante.

Desde que comprei a minha máquina de costura que me sinto...ia dizer o Ayrton Senna da costura...mas não é adequado....Schumacher....também não...como se vê, não sigo fórmula um há já algum tempo.....

 

O Sr. Ludovino ia chutando para canto.

- Não é preciso, eu trato disso.

- Por seres tu a tratar disso...dizia a Dona Helena

 

Ontem, saí de casa cedo, como é costume.

A meio da manhã percebo que me tinha esquecido da pen em casa.

Ainda pensei largar tudo e voltar a Carcavelos...mas logo me passou essa ideia.

Saí depois de almoço.

A ideia era continuar a trabalhar em casa...durante a tarde. Ia doer...mas o dever acima de tudo!

 

Entro no prédio.

- Joana, Joana já comprei o cortinado!!! Vem ver, vem ver!!

E eu fui.

Qual não é o meu espanto quando olho e vejo que o cortinado é daqueles que se usam nas banheiras.

Plastificado.

 

- Sr. Ludovino, este tipo de cortinado usa-se na casa de banho.

- Já lhe disse isso.

- Balelas. Posso usa-lo onde eu quiser.

- Sim, poder pode. Acha que fica bem??? Tire o cortinado. Vamos todos a Campo de Ourique comprar alguma coisa de jeito.

- Olhe Joana, aceito. Se ele não concordar vamos só as duas.

Ficou combinado. Ignorámos o Sr. Ludovino.

Fui para casa.

Toca a campainha.

- Desce. Estou pronto.

Estavam os dois à minha espera.

 

Fomos a Campo de Ourique.

Entramos na loja.

Somos atendidos por um rapazinho de uns 30 anos.

Explico ao que vimos.

O funcionário vai apontando para os tecidos com um apontador laser, daqueles que se usam para as apresentações..

 

- Gosto deste.

- É impressão sua, Sr Ludovino.

- Este.

- Não.

- Olha, este tão catita. (é uma expressão que o Sr. Ludovino usa muitas vezes)

- Não.

- Ó espertalhona, e este??

- Jamais, em tempo algum...

 

- Continua..Dona Joana, com esse feitio....e nunca mais na vida vais ter um homem...os homens, Joana gostam de ser apaparicados...que lhe sejam feitas as vontades...mulheres com opinião...guarda-as para ti.

Olho para ele com os olhos revirados...

 

- Escuta o que eu te digo..Joana, não é com vinagre que se apanham moscas..

- Está enganado. Diz o rapazinho da loja.

- Enganado??

- Sim, hoje em dia um homem gosta de ter a seu lado uma mulher que tenha as suas própias convições. Se for gira ainda melhor! E pisca-me o olho..

Ó diabo.....o Sr. Ludovino tem tanto de Vasco em algumas alturas!

Sr. Ludovino, olha para ele como se tivesse engolido umas 30 moscas de uma vez....

 

Puxa-me e diz..muito alto

- Vamos embora daqui...NUNCA, JOANA! NUNCA confies num homem que tenha um ponteiro com luzinhas...

Eu devia ficar calada mas não me contive...

- E se for Natal???

 

Saímos de lá com um tecido escolhido por mim e pela Dona Helena. Aos quadradinhos que dá bem com o cadeirão que já está na varanda. Tudo em tons de castanho.

 

Até estou com medo de passar lá, aposto que a loja tem à porta isto:

proibida.jpg

...e por causa desta brincadeira quando me deitei era quase uma da manhã...o trabalho acima de tudo!

(o Quiosque está no instagram e no facebook)

 

 

Joana Marques

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