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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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25
Jan17

a chamar o Gregório...

Joana Marques

O Sr. Ludovino liga-me muitas vezes.

Às vezes estou a pensar em ligar-lhe mas antecipa-se sempre.

 

- Joana, tens de voltar!

- Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

- Ainda não mas pode acontecer.

-

 

-Joana, quando é que voltas?

- No fim de Fevereiro, princípio de Março.

- E a reunião? Quando fazes a reunião? E as contas do prédio?

- Não se preocupe. Está tudo organizado.

- Estou para ver quando o prédio for à falência.

-

 

- Joana, hoje esteve alguém em tua casa..

- Deve ter sido o meu irmão.

- Era uma mulher..

- Deve ter sido a minha cunhada.

- E tu deixas?

- Claro! Vai dar uma vista de olhos à casa, rega as plantas e tira o correio. Vê se há alguma coisa importante.

- E ela é de confiança?

-

 

 Um dia destes liga-me. Em pânico.

- Joana tens MESMO de voltar!

- Então, porquê?

- Está um intruso a morar no prédio..

- Um intruso? Como assim? Um gato? Um rato?

- UM HOMEM!

- Um homem??

- Sim, está a morar na casa dos Alvarez.

- Ah!

 

O meu prédio tem desde há muito tempo um andar vago no primeiro andar.

No direito mora a dona Cândida e o senhor Manel no esquerdo morou em tempos um casal com dois filhos.

Os filhos casaram e mudaram-se.

O casal reformou-se e foi morar para perto da Guarda.

Entretanto, já lá morou uma sobrinha durante um curto espaço de tempo.

No verão a casa também é ocupada por familiares.

Só os vi umas 3 vezes.

Pagam o condomínio por transferência bancária.

Envio-lhe as contas do prédio todos os anos.

Sempre me pareceram pessoas simples e do bem.

 

No dia seguinte ao telefonema, Sr. Ludovino liga-me outra vez.

- Joana, tens de vir para cá.

- Estamos à mercê de um desconhecido. Pode ser um ladrão.

- Já falou com ele?

- Não posso falar com ele.

- Não pode!?

- Ele não me responde. É o que te digo. Ele é esquisito. É estranho.

 

Achei um exagero, mas...

...por via das dúvidas liguei para a dona Cândida.

- Ah! Não te preocupes. É sobrinho dos Alvarez. É filho da irmã mais nova da dona Albertina. É americano. Chama-se Gregory e está cá a fazer uma especialização. Parece que é médico.

 

Fiquei mais descansada.

 

Liga-me o Sr Ludovino.

- Quando é que voltas?

- Ó Sr. Ludovino, já lhe disse lá para finais de Fevereiro.

- Ó Joana, espera aí...que já falamos...

 

E ouço lá ao fundo a voz do Sr. Ludovino..

- Ó Gregório...Ó GREGÓOOOOOOORIO! Rais partam o homem que não me responde....Ó Gregóoooooooooorio..........tu não me vires as costas....ouviste??

 

06
Dez16

um cântico de Natal...

Joana Marques

Quarta-feira da semana passada...o meu último dia em Lisboa..

Acordo muito cedo....saio da cama antes das 5 horas da manhã..

Podia não acordar tão cedo mas preciso de ir correr..

..se não começar o dia a correr..não é dia!

Está a chover muito..

Quero lá saber...corro mesmo assim!

 

Chego ao trabalho antes das sete..

Despacho trabalho..muito trabalho..

Almoço.

 

Vou para Faro para uma reunião.

Volto de Faro.

Vou a correr para casa porque tenho um jantar de Natal da empresa e preciso de me vestir em condições.

Chego a Carcavelos chove torrencialmente.

Fico pronta para o jantar.

Chove, chove, troveja...parece o fim do mundo..

 

Chego ao restaurante e fico dentro do carro à espera que passe a chuva...

Janto.

 

Volto para casa.

Já não chove.

22h!

Encontro a Dona Helena.

- O Ludovino saiu para despejar o lixo. Ainda não voltou. Estou preocupada. Já liguei. Não atende o telemóvel.

 

Sr. Ludovino tinha um telemóvel há muitos anos.

Igual a este..

nokia.jpg

 

Liga-me um dia:

- Quando chegares passa por cá. O meu telemóvel não dá nada.

- Se calhar avariou..

- Não digas asneiras, Joana. Claro que não avariou...

Avariou...

 

O filho mais velho do Sr. Ludovino deu-lhe o dele. Um smartphone. Samsung.

Sr. Ludovino andava louco.

-Isto não é um telefone. Onde é que estão os números??

Por um lado irritado porque não conseguia ligar a ninguém...por outro lado vaidoso porque tinha um telemóvel top!

- É melhor do que o teu Joana!

 

22h.

Carcavelos.

Fui ver do Sr. Ludovino.

O espetacular deste homem é que não deita o lixo fora nos contentores que temos mesmo em frente ao prédio.

- Nunca! Ainda sabem coisas...

Também não tem cartão do continente porque podem saber alguma coisa sobre a vida dele...

 

Big brother is watching you!!

 

Começo a percorrer todas as capelinhas de Carcavelos...neste caso todos os caixotes do lixo...de Carcavelos...

Avistei o Sr Ludovino!

- Então?? Por onde é que anda. A Dona Helena está preocupada......

- Tonterias. Saí de casa agora..

- Ela já lhe ligou montes de vezes!

- Ligou?

Tira o telemóvel...

- Não ouviu?? Se calhar está no silêncio..

Tiro o meu telemóvel e ligo-lhe...

Ouve-se o toque do Sr. Ludovino..

- Ah! Então é isto!

-

- Fartei-me de ouvir esta música de Natal todo o caminho..

- E não atendeu?

- Pensei que a música vinha da casa das pessoas. Até disse para mim mesmo....olha!...está toda a gente a ouvir..... a mesma música...

 

O toque do telemóvel é este:

 

23
Nov16

o pão nosso de cada dia....

Joana Marques

E Joana, este ser iluminado percebeu que não tem tido tempo de fazer pão.

Há uma infinidade de tempo que anda a comer pão feito pelos outros.

E a Joana não gosta muito do pão de compra.

Porque acha que o melhor pão é o dela. (presunção e água benta cada um toma a que quer....)

E como não tem mais nada para fazer, Joana, este ser sobredotado que Deus deu ao mundo, quer muito comer pão feito por si.

- E se o mundo acaba amanhã e eu não chego a comer o meu pão nunca mais na vida?

Pensa, Joana obra-prima de sua mãe e de seu pai.

E Joana vê que tem fermento em casa.

E Joana percebe que não tem farinha em casa.

São 18h30.

Se for depressa ainda consegue chegar à mercearia aqui do bairro e comprar todo o stock de farinha.

E Joana sai de casa.

E está a chover canivetes.

E Joana não tem chapéu.

 

Joana entra que nem um pintaínho na mercearia.

Toda a gente olha.

Joana está-se nas tintas.

Joana compra a farinha e mais uma centena de coisas que precisa mesmo de comprar. Tipo cotonetes e cenas...

Joana paga a conta e compra um saco.

E como os sacos custam 10 cêntimos.

Compra só um saco.

O saco está cheio, cheio.

 

Então Joana pega num pacote de leite de arroz e põe dentro da mala.

O saco continua cheio. Muito cheio.

Já não chovem canivetes.

Os pingos são do tamanho de vacas leiteiras.

E Joana vai formosa e não segura para casa.

 

E de repente repara que os pacotes de farinha se estão a molhar e entra no prédio e vai ajeitá-los e um explode.

E como está tudo molhado...fica assim uma nhanha....nas mãos....

 

 

E Joana, este ser digno de um prémio nobel...da estupidez..sobe até ao segundo andar..e vai espalhando farinha por onde passa...e nhanha.....

Não contente com todo este cenário, toda ela é farinha..e nhanha...

E chega a casa aflita com o peso. E prepara-se para ir buscar os utensílios de limpeza para limpar o que sujou...

 

Tocam à campaínha!

- Joana, o nosso prédio está cheio de pó branco.

- Sim, eu sei....

Interrompe-me.

- Deve ser carbúnculo.. (anthrax...para as pessoas normais, carbúnculo para o Sr Ludovino...que era oficial da Marianha...e diz palavras como carbúnculo...)

- Car...quê??

- Algo que nos pode matar em horas..

- Não, é far...

Interrompe-me.

- Acho que foram os russos.

- Os russos?? Não! Fui...

Interrompe-me.

- Achas que foram os da Nato?? (temos a Nato relativamente perto de casa...)

Desisti de explicar...e desci..

Joana, a branca de neve.....em modo nhanha...

 
E o pão?

Espetáculo!!

pao1.jpg

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21
Nov16

o meu prédio... #8

Joana Marques

Tendo em conta que sou administradora do prédio...cargo de alto gabarito.

Sou muito solicitada para resolver problemas.

Mas só uma pessoa do prédio me solicita para tal....Sr. Ludovino, obviamente!

 

Chego eu, um dia do trabalho, em cima de uns sapatos de salto muito alto...diz me ele:

- Joana, liga para a câmara, Carcavelos está infestada de baratas.

Dei um grito, um salto e ia despencando de cima dos meus sapatos...

Começo a olhar em redor para ver se via alguma barata.

- Sr. Ludovino, aqui no prédio?

- Não, por aqui ainda não as vi. O meu amigo Pombo diz que viu uma morta à porta do prédio dele.

Respirei de alívio.

O amigo Pombo vive perto da igreja de Carcavelos.

Eu moro cá para baixo, perto do mar.

Quem conhece Carcavelos percebe a grande distância que separa um local de outro!!

- Vai lá telefonar para a câmara. Se elas se espalham estamos arruinados. As casas ficam a valer um terço do que valiam...percebes?? Um terço.

-

Lá lhe disse que sim que ia ligar.

Aqui entre nós...não liguei.

O que ia dizer:

- Ó da câmara, faz favor! Um exterminador já! Apareceu uma barata morta em Carcavelos..

 

Por outra vez, chego eu a desfazer-me de cansaço:

- Joana, liga para a câmara.

-

- Estás a ver aquele candeeiro?

- Estou. O que é que tem?

- Estive a olhar para ele e inclinou cerca de 10 graus durante o dia. Mais dia menos dia cai.

-

- Liga para a câmara. Ainda nos responsabilizam por não dizer nada, se cai e parte um carro?

- Pode ser só dos meus olhos mas parece-me perfeitamente bem.

- És mulher. Nenhuma mulher se apercebe destes pormenores. Liga...

Então não liguei?

- Ó da câmara pode vir até aqui..temos um candeeiro perfeitamente bom e funcional mas tem a mania de inclinar 10 graus para a direita...mandem um homem....só a testosterona em estado puro é que vai conseguir resolver o problema...

 

A última do Sr. Ludovino!

Uma paragem de autocarro não tem vidro.

Não sei se alguém o partiu propositadamente.

Se foi algum acidente de automóvel.

- Joana, liga para a câmara. Não pode estar assim.

- O Sr. Ludovino apanha lá o autocarro?

- Joana, como é que és assim tão egoísta?? Não apanho eu mas apanha muita gente. E um dia também podes precisar. E se estiver a chover??

-

 

Passa lá todos os dias e quando me vê diz:

- Já fiz a minha gincana diária.

Isto porque a paragem tem um ferro que segura o vidro. Como não há vidro ele salta o ferro.

 

Ontem, domingo, fui trabalhar de manhã.

Saí às 11h30 e fui até ao Amoreiras almoçar com a minha amiga Maria.

A conversa são como as cerejas e só saímos de lá já passava das 15h.

Regresso a casa.

Nada de Sr. Ludovino.

Toco para ver se estava tudo bem.

Aparece a Dona Helena.

- O Ludovino partiu o nariz.

-

- Entra. Está muito queixoso.

Entro.

Está o Sr. Ludovino deitado na cama.

A cara cheia de hematomas.

Penso no nariz.

Muito abatido.

- OMG! O que é que aconteceu?

 

 O Sr. Ludovino saiu de manhã para comprar o pão.

Estava a chover.

Sr. Ludovino já não vê muito bem.

Sr. Ludovino não viu o vidro novo na paragem de autocarro.

Sr. Ludovino esbardalhou-se com estilo contra o vidro da paragem.

 

E uma pessoa só se ri do mal.

E comecei a rir, sem conseguir parar.

Tive de me sentar ou caía para o chão.

 

E uma pessoa só se ri do mal e o riso é contagioso.

E a dona Helena começa-se a rir.

 

E uma pessoa só se ri do mal, o riso é contagioso e uma pessoa percebe que não se deve rir de uma situação destas e tenta conter o riso....e ainda ri mais...

 

E o Sr. Ludovino começa-se a rir...mas dói-lhe tudo..

- A culpa é tua Joana, foste tu que ligaste para a câmara, não foste?

 

E uma pessoa só se ri do mal, o riso é contagioso e uma pessoa percebe que não se deve rir de uma situação destas e tenta conter o riso....e ainda ri mais...e as lágrimas escorrem pela cara abaixo....

 

É assim no meu prédio!

(o Sr. Ludovino vai ficar bem....foi mais o susto!)

home-heart.jpg(o Quiosque está no instagram e no facebook)

 

 

16
Nov16

O meu prédio..#7

Joana Marques

O Sr. Ludovino é viciado em novelas. Vê todas e em todos os canais.

A mulher pelo contrário vê uma novela mas gosta de ver notícias.

Existe aqui um conflito de interesses no que toca à televisão.

Têm duas televisões uma na sala e outra no quarto.

Os dois querem ver televisão na sala durante o dia e depois de jantar.

O Sr. Ludovino normalmente vence e a Dona Helena tem que gramar com as novelas.

Depois de muitos desentendimentos chegaram a uma conclusão, fecharam uma varanda.

 

O objetivo era colocarem um sofá e uma televisão na varanda e assim podiam os dois ver os programas preferidos sem grandes questões.

Fecharam-na há mais de um ano.

A varanda precisava de estores ou cortinados.

Vivem no rés do chão. As pessoas passam e olham.

Ofereci-me por diversas vezes para ir com eles a uma loja para escolherem um tecido.

Em casa, fazia-lhe os cortinados num instante.

Desde que comprei a minha máquina de costura que me sinto...ia dizer o Ayrton Senna da costura...mas não é adequado....Schumacher....também não...como se vê, não sigo fórmula um há já algum tempo.....

 

O Sr. Ludovino ia chutando para canto.

- Não é preciso, eu trato disso.

- Por seres tu a tratar disso...dizia a Dona Helena

 

Ontem, saí de casa cedo, como é costume.

A meio da manhã percebo que me tinha esquecido da pen em casa.

Ainda pensei largar tudo e voltar a Carcavelos...mas logo me passou essa ideia.

Saí depois de almoço.

A ideia era continuar a trabalhar em casa...durante a tarde. Ia doer...mas o dever acima de tudo!

 

Entro no prédio.

- Joana, Joana já comprei o cortinado!!! Vem ver, vem ver!!

E eu fui.

Qual não é o meu espanto quando olho e vejo que o cortinado é daqueles que se usam nas banheiras.

Plastificado.

 

- Sr. Ludovino, este tipo de cortinado usa-se na casa de banho.

- Já lhe disse isso.

- Balelas. Posso usa-lo onde eu quiser.

- Sim, poder pode. Acha que fica bem??? Tire o cortinado. Vamos todos a Campo de Ourique comprar alguma coisa de jeito.

- Olhe Joana, aceito. Se ele não concordar vamos só as duas.

Ficou combinado. Ignorámos o Sr. Ludovino.

Fui para casa.

Toca a campainha.

- Desce. Estou pronto.

Estavam os dois à minha espera.

 

Fomos a Campo de Ourique.

Entramos na loja.

Somos atendidos por um rapazinho de uns 30 anos.

Explico ao que vimos.

O funcionário vai apontando para os tecidos com um apontador laser, daqueles que se usam para as apresentações..

 

- Gosto deste.

- É impressão sua, Sr Ludovino.

- Este.

- Não.

- Olha, este tão catita. (é uma expressão que o Sr. Ludovino usa muitas vezes)

- Não.

- Ó espertalhona, e este??

- Jamais, em tempo algum...

 

- Continua..Dona Joana, com esse feitio....e nunca mais na vida vais ter um homem...os homens, Joana gostam de ser apaparicados...que lhe sejam feitas as vontades...mulheres com opinião...guarda-as para ti.

Olho para ele com os olhos revirados...

 

- Escuta o que eu te digo..Joana, não é com vinagre que se apanham moscas..

- Está enganado. Diz o rapazinho da loja.

- Enganado??

- Sim, hoje em dia um homem gosta de ter a seu lado uma mulher que tenha as suas própias convições. Se for gira ainda melhor! E pisca-me o olho..

Ó diabo.....o Sr. Ludovino tem tanto de Vasco em algumas alturas!

Sr. Ludovino, olha para ele como se tivesse engolido umas 30 moscas de uma vez....

 

Puxa-me e diz..muito alto

- Vamos embora daqui...NUNCA, JOANA! NUNCA confies num homem que tenha um ponteiro com luzinhas...

Eu devia ficar calada mas não me contive...

- E se for Natal???

 

Saímos de lá com um tecido escolhido por mim e pela Dona Helena. Aos quadradinhos que dá bem com o cadeirão que já está na varanda. Tudo em tons de castanho.

 

Até estou com medo de passar lá, aposto que a loja tem à porta isto:

proibida.jpg

...e por causa desta brincadeira quando me deitei era quase uma da manhã...o trabalho acima de tudo!

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28
Out16

o meu prédio....#6

Joana Marques

Antes de morar nesta casa morava em Algés. Numa casa alugada.

Nunca gostei de Algés. Mas que saudades tenho do franguinho assado da Zínia!!

Era central. Mais do que Carcavelos. Mas a confusão era mais do que muita.

Vivia numa das ruas principais.

Carros a toda a hora. Trânsito e poluição.

Comecei a ter vontade de mudar de casa.

E comecei seriamente a pensar em comprar a minha própria casa.

 

Os meus pais e a minha irmã moravam no Estoril e o meu irmão em Cascais e por isso achei que devia procurar por esses lados.

Comecei a visitar sites de imobiliárias e numa dessas visitas deparo-me com a minha casa. Olhei para o preço e achei cara. Estávamos em setembro de 2004.

Todas as semanas, às vezes, várias vezes por semana lá ia espreitar ao site, a minha casa.

Em janeiro de 2005 o preço da casa baixou. Pedi para visitar a casa.

Adorei.

Senti-a como minha.

 

Era de um casal que já tinha uma filha e que estavam grávidos de um Duarte.

Por mim tinha logo dito que sim mas o meu lado mais racional disse-me para esperar.

Uns dias mais tarde fiz outra visita, desta vez com os meus pais.

Acabei por dizer que sim. No fim de abril fizemos a escritura.

Como o casal ainda não tinha feito a escritura da casa nova e o processo estava atrasado deixei-os continuar lá em casa até resolverem a situação. Eu continuava em Algés.

Deixaram a casa no fim de Junho.

 

Fui de férias.

Só no fim de Agosto é que apareci lá em casa.

Entro no prédio. Deparo-me com o Senhor Ludovino.

- Onde é que vai?

- Vou para casa. Comprei a casa do segundo andar à Sandra e ao Paulo.

 

- Ah! Então é você???

Eu muito encolhida...a tentar subir as escadas.

 

- Vai viver sozinha?

- Sim.

Olha para mim de alto a baixo.

 

- O seu pai deixa?

- Sim. Já moro sozinha desde os 17 anos.

 

- Se fosse minha filha só saía à rua acompanhada por mim. Como é que se chama?

- Joana.

 

- O que é que faz na vida?

- Sou assistente de bordo..

 

- Olhe, temos reunião de condomínio amanhã às 21h no primeiro andar.

- ?

 

- Suba. Eu aproveito e vou avisar o Manel.

- Ele não sabe da reunião?

 

- Não. Acabei de marcar.

No dia seguinte lá apareci eu para a mais surreal das reuniões que eu já participei na vida...

-Vamos votar.

-??

- Para a administração do prédio.

 

- Mas não têm já uma?

- Temos, é aqui o Manel mas eu estou descontente. Voto em si Joana! Ó Manel, escreve aí na ata que ganhou a Joana.

-Como assim? Se mais ninguém votou..

- O Manel não pode votar nele. E não vai votar em mim que sou velho. Tem de votar em si. Ganhou.

-

- Manel vá lá buscar a pasta do prédio. 

- Mas eu ainda não disse que sim.

 

Ninguém me ouviu. Quando dei por mim estava com um saco plástico cheio de papeis. Com duas ou três pastas lá dentro.

Vi-me grega para perceber as contas.

O ano seguinte foi mais fácil.

A verdade é que se há prédio fácil de administrar é o meu porque é pequeno...

- Joana, já fizeste as contas? Pergunta-me o Sr. Ludovino no dia 1, 2, 3 de Janeiro todos os anos.

 

- Sr. Ludovino, estão aqui as contas finais do ano que passou.

- Para que é que eu quero isso...papel a mais tenho eu!

 

Todos os anos se faz a reunião.

- Joana, não pode passar de Janeiro...

Todos os anos se faz a reunião. Em Janeiro!

- Faz o bolo de mel..e chocolate quente. Não faças chá...isso é para doentes!

Coloco sempre na ordem de trabalho: "eleição de nova administração"...ganho sempre!

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21
Out16

O meu prédio...#5

Joana Marques

O Sr. Ludovino e a dona Helena tiveram durante muitos anos um papagaio.

Chamava-se "papa-formigas".

Morreu há dois anos.

Quase todas as semanas o Sr. Ludovino fala do "papa-formigas".

- Porque não arranja outro?

- Porque estou velho. E depois? E quando eu morrer?

 

Ontem de manhã quando saí, lá falou ele no "papa-formigas" e na falta que ele lhe faz.

 

Tive um dia para esquecer.

Não correu mal.

Mas tive uma reunião que começou às 8h da manhã e terminou já passava das 14h.

Saí para almoçar.

 

Fui ao continente do Vasco da Gama e comprei uma cartolina e giz.

E desenhei-lhe o "papa-formigas" enquanto almoçava à pressa.

Quando cheguei ao trabalho, tive de me dedicar de alma e coração às minhas tarefas...mas aproveitei as pausas para aperfeiçoar o desenho começado ao almoço...

Uma forma rápida e eficaz de acabar com o stress!

Acalma que é uma beleza...

papaformigas1.jpg

papaformigas2.jpg

Quando cheguei à noitinha dei-lhe o desenho.

Ficou a olhar e não disse nada.

Hoje quando saí de manhã para correr...nem queria acreditar.

O desenho estava pendurado na entrada do prédio.

 

Se um dia passarem por um prédio, em Carcavelos, com um desenho de um papagaio, pendurado na parede da entrada...é o meu prédio.

Toquem no segundo andar...e apareçam para um café..e umas bolachas!

Ah! E tenho um cão simpático para vos apresentar!

22
Set16

the joke is on you...

Joana Marques

Cheguei ao trabalho cedo.

Primeiro que toda a gente.

Gosto da sala de trabalho com vida. Mas o silêncio da manhã é ouro!

 

Tive uma reunião cedo.

 

Saí do trabalho para uma reunião em Queluz.

Completamente perdida.

- Pode-me dizer como é que vou para Queluz?

- Isto é Queluz..

- ah! Eu sei!

(não sabia nada....)

 

Estaciono o carro.

Ainda troco umas mensagens com uma pessoa espetacular...que ainda estou a conhecer.

 

Procuro a morada.

Identifico a minha segunda vítima.

- Sabe-me dizer onde é que fica a Rua bla bla wiskas saquetas, número %&

- Olhe para ali!

Apontou para a placa com o nome da rua..

Leio.....Rua bla bla wiskas saquetas

 

Reúno.

 

Tenho outra reunião em Paço d'Arcos.

Como é que eu vou para Paço d'Arcos?? Como é que eu vou para Paço d'Arcos??

Vou perguntar...

Não!

As pessoas têm a mania de dizer vire à esquerda, depois à direita e eu sempre tive problemas na identificação destas duas...

 

Arranjei uma alternativa mais viável.

Avisto um autocarro que diz Cruz-Quebrada e sigo-o.

Quando estiver na Cruz Quebrada já conheço o caminho.

Joana, atrás do autocarro.

O autocarro pára, Joana pára.

Os carros param...eu já desconfiava que era uma mulher que fazia parar o trânsito...ontem tive a certeza!

 

Chego a Paço d'Arcos pelas 11h45.

Diz-me o Dr. Pedro.

- E se fossemos almoçar?

Fomos.

- Tem alguma preferência?

- Tenho. Chinês, em Oeiras...pode ser?

- Sabe onde é?

- Sei.

Lá fomos. Um frango com amêndoas absolutamente divinal.

É incrível como a comida me dá felicidade. Muita felicidade.

Fizemos a reunião ao almoço. Voltei só para ir buscar o carro.

 

Já não voltei a Lisboa. Cheguei a casa e continuei a trabalhar. Maravilhas da Internet.

 

Toca a campainha.

Sr Ludovino.

- Joana, vais às compras?

- Precisa de alguma coisa.

- Preciso.

- Pode ser às quatro.

- Pode.

 

Lá fomos.

Aproveitei e trouxe algumas coisas. Fruta, principalmente.

Vamos pagar.

- Não posso baixar-me por causa da hérnia discal...

Tirei as coisa do Sr. Ludovino do cesto.

Ponho no tapete.

Tiro as minhas coisas do cesto e ponho atrás.

- Pára tudo. Esqueci-me do sal. Diz o Senhor Ludovino.

Vai buscar o sal.

 

Entretanto aparece um rapazinho de muletas com uma coca-cola.

Deixo-o passar, primeiro porque está de muletas, depois porque só tem uma coisa para pagar.

Vem o Sr. Ludovino. Barra-lhe a passagem.

- Nem pensar! Eu sou velho! E ela está grávida!!

 

Ainda olho para trás e para os lados para ver se está alguma grávida nas imediações...

Faço um olhar entre o incrédulo e o horror.

- Parabéns! Vai ser avô. Diz a senhora da caixa.

 

Põe-me um braço nos ombros e diz:

- Não é minha filha! Somos amantes!

 

Eu olho para rapazinho das muletas e para a senhora da caixa ...e digo..

- Não é dele. One night stand com o Espírito Santo...

 

Frustração...ninguém percebeu a minha piada..

08
Set16

O meu prédio...#4

Joana Marques

Saí muito cedo de casa, às 6h.

Antes de sair de casa, fui com o cão à rua. Um passeio rápido. Estava com pressa.

 

Cheguei a casa por volta das 16h.

Tão feliz por chegar a casa!

Não está a ser uma semana fácil. O facto de ter ido para fora no fim de semana baralhou-me a organização: não fiz as compras que devia ter feito, não fiz as mil e umas tarefas domésticas que costumo despachar durante o fim de semana, não organizei nada de nada.

A jantarada a meio da semana só complicou...e animou!!

Começo por pôr a máquina da roupa a funcionar. Mais cheia que o Continente, nos 50% em cartão, em todos os brinquedos. O cão fica anestesiado, é o programa preferido olhar para a máquina de lavar.

Arrumo a loiça que está dentro da máquina.

Limpo as casas de banho.

 

Pego no cão e rua. O passeio habitual.

 

Regresso. Estendo a roupa.

 

Equipo-me e volto a sair, 7 km. Poucos mas corridos com boa vontade!

 

Tomo banho, janto.

Olho e vejo o cão com a trela na boca. Quer ir à rua.

 

Vou à rua com o cão novamente.

 

Volto a casa e toda a minha atenção recai sobre o meu hobbie do momento: pintar pratos para ter rapidamente a parede do hall de entrada pronta.

Comecei a pintar.

Joana, em modo Futre, concentradissíma...

Toca a campaínha. Com o susto faço um risco na peça que estava a pintar...oh! não...

 

Senhor Ludovino. Estava em baixo na entrada do prédio.

- Joana, onde é que se põe o pacote do leite????

- Amarelo.

 

Voltei ao que estava a fazer. Apago a borrada..e tudo o resto. Começo de novo.

Modo Futre.

Passado um pouco, toca a campaínha.

- Joana??? E os jornais??

- Azul.

 

Voltei mais uma vez ao meu prato. Azul e amarelo.

5 minutos, talvez, a campainha.

- Joana??? E o pacote do Nestum??

- Azul.

- Se é um pacote como o do leite não podem ficar juntos?

-Não, papelão no azul, pacote do leite no amarelo.

 

Voltei para o meu trabalho. Olho para o resultado. Olho para as horas. Tarde e amanhã é dia de trabalho. Ainda consigo pintar mais qualquer coisa.

 

Uns minutos depois volta a tocar a campaínha.

 

- Joana, já despejei o lixo. Juntei tudo...sou daltónico.

 

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01
Set16

O meu prédio...#3

Joana Marques

Fiz lasanha para o jantar.

E como me apeteceu continuar na cozinha fiz um bolo mármore.

Sempre que faço um bolo divido pelos meus vizinhos. Não vou comer um bolo inteiro. Já experimentei congelar mas não gostei.

Dividi o bolo em três partes.

Como a lasanha dava para alimentar os habitantes de uma ilha do pacífico. Dividi-a e coloquei-a numa caixa.

Toco na Dona Cândida deixo o bolo.

Toco no Sr. Ludovino.

- Não está cá ninguém.

- É a Joana.

- Puxa a porta, está aberta!

Viva a segurança em Carcavelos City!!

Encontro o Sr. Ludovino na cozinha com a Dona Helena.

Ele a mexer numa cesta cheia de comprimidos. A Dona Helena a jantar.

Entrego-lhe o bolo e a lasanha.

- Não encontro os comprimidos azuis.

- Oi???

- Joana, como é que se chamam os comprimidos azuis?

- aaaaaaaaaaah....hummmmmmm....aspirina??

- ASPIRINA??? Não! Isso tenho eu aqui. Os azuis....

- Tantos comprimidos...

(eu a tentar desviar o foco, com a habilidade e subtileza de um hipopótamo...)

- Não encontro. Diz com um ar preocupado..

- E precisa deles AGORA?

- Não é para mim, é para a Lena.

-Oi?????

-Sim, a médica disse-lhe para tomar um sempre que tiver dor de cabeça.

Faço um ar....

Afinal o Sr. Ludovino estava à procura dos benurons, a caixa é azul e uma parte da cápsula também...

 

Vou já ali chicotear-me por ter pensamentos impróprios...

home-heart.jpg

 

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