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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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21
Ago17

ao serviço de sua magestade...

Joana Marques

Cheguei a Oslo no Sábado. A meio da manhã.

Trazia comigo uma mala, com rodinhas. E, claro. O Vasco.

Quando o fui buscar. Contente da vida. Pregou-me uma lambidela na cara. E quando me apanhou distraída quase me fez despenhar dos meus saltos. E toma lá outro beijinho.

 

Fui a pé para casa.

15 minutos do aeroporto até casa.

O trauma da primeira vez que aqui estive. Ainda não foi superado. Os preços dos táxis são proibitivos.

Pensei. 15 minutinhos. A passear por Oslo. Com calma. É mesmo disto que preciso.

Sim?

Não!

 

O Vasco gosta de Oslo. Pelo menos parece. E quando se apanhou fora do aeroporto.

Corre. Corre. E corre.

E Joana. Corre. Corre. E corre.

E a mala com rodinhas?

Corre. Tropeça. Faz barulho. Corre. Tropeça. Corre.

E onde estão a rodas??

Esquece as rodas, mas é....corre atrás do cão. Ainda chegas a casa sem ele....

E foi assim....

 

Deveriam ser 15 minutos. Foram uns 10....

Nada mau. Precisava mesmo de chegar a casa. Arrumar o mais urgente. E descansar.

A semana passada. Aquela viagem a Edimburgo. Acabou comigo.

O atentado em Barcelona deixou-me sem dormir. Precisava MESMO descansar. Relaxar.

 

 

Vasco entra em casa tresloucado e atira-se para cima das almofadas da minha cama.

Prepara-se para dormir. Só que nitidamente precisa de alguma coisa.

Guincha. Gane. Pede-me...

..Ah! Pois. Nestas alturas não dorme sem o ursinho dele.

Este Vasco. Não é bem um cão. É mais um filho.

Desfaço a mala.

Tiro tudo cá para fora.

E toma lá o peluche.

 vasco (3).jpg

Dorme.

Arrumo tudo.

Como qualquer coisa. Sentada no sofá. Nem televisão. Porque nem consigo ouvir nada. Só silêncio.

Ouço passos.

Na cozinha.

E depois ....

...uma lambidela na cara. Com um ganido. Puxa-me. Até à cozinha.

Percebo que algo se passa com a tigela da água.

Estranho. Água acabada de pôr.

Nitidamente não está ao gosto de sua excelência.

Deito a água fora. Ponho água nova.

Não.

Deito a água fora. Arranjo outra tigela. Deito água.

Não.

Fez-se luz. Em Barcelona. Estava calor. E eu, colocava-lhe umas pedras de gelo na água.

MAS EM OSLO NÃO ESTÁ CALOR...

Seja feita a vossa vontade. Saiem dois cubos de gelo para a tigela do cão.

..........water on the rocks.

 

Volto para a sala.

Ele volta para o aconchego da cama. A minha.

Ressona.

E sonha.

Ouço passos.

Lá vem ele.

Puxa-me para a cozinha.

E fica voltado de frente para a porta do frigorifico.

Já sei. Quer uma cenoura.

Romeu, o coelho não gosta de cenouras. Vasco, o cão gosta de as roer. O mundo está virado do avesso, é o que é.

Tiro a cenoura. Lavo a cenoura. Dou-lhe a cenoura. E ele fica feliz da vida com a cenoura.

Volto para a sala.

O cão, depois de roer a cenoura, volta para os seus aposentos. Que por acaso são meus.

 

 

Quando volto a entrar na cozinha. Ó jaaaaaasus.

Parecia que tinha sido marcada para a minha cozinha o sacrificio anual das cenouras.

O chão da cozinha estava todo laranja.

Toca de limpar. Esfregar. Até o chão voltar à cor original.

 

Comecei a fazer o almoço.

O cão dorme.

Vou começar a comer.

O cão aparece com a trela na boca.

Parece ser uma emergência. Liquida ou sólida. Ou as duas.

Pego no cão. Desço as escadas.

O cão despacha-se. Mas ainda damos uma volta.

 

Voltamos para casa.

O cão dorme.

Eu como.

Arrumo a cozinha.

Vou ler. Pensei eu.

Pois pensei mal. O cão acordou e tem uma bola na boca.

Yeah!

Não jogo à bola em casa.

Decidi descer.

O jardim do prédio está cheio de Noruegueses que consideram 15º uma temperatura espetacular para apanhar sol.

Vou até a um parque.

Atiro bola.

Ele apanha a bola.

Corre. Para eu correr atrás dele.

Tiro-lhe a bola. Atiro a bola.

Ele corre para a bola. Corro eu também.

Ele diverte-se. Eu também...tristezas não pagam dividas. E como estou quase em coma. É provavel que faleça nos próximos minutos. E por isso é melhor aproveitar...

 

Chegamos a casa.

Faço o jantar.

Ele dorme.

Ressona. E sonha.

Janto.

Ele acorda. Come também.

Sento-me no sofá.

Preciso de silêncio. Aproveito e começo a crochetar uma rendinha que quero colocar aqui no meu quarto.

Senta-se mesmo ao meu lado.

Cá beijinho. Joana.

E puxa o comando. Dog TV. Quer ver a Dog TV.

Não cedo. Não me apetece. Não quero. Socorro.

Chinfrineira. Choro. O Drama na vida do cão. O horror de morar com a Joana. A tragédia de lhe ter batido à porta uma dona maléfica.

........liguei a televisão. Na dog tv.

Fica hipnotisado durante vários minutos.

De repente. Salta do sofá.

E aparece de trela na boca.

 

Cá vou eu. Desço as escadas. Dou uma volta. Apanho cocó. Dou outra volta. E 35 minutos depois voltamos para casa.

Estava frio. Estava cansada.

Voltamos para casa. E acaba o dia para nós.

 

Excelência. Isabel. Rainha de Inglaterra. Se tens por aí uma vaga. Uma vaguinha...pequenina.

Pode ser para ti. Ou para o puto...

Pensa em mim...

Estou pronta! Estou mesmo....

 

20
Ago17

por favor!

Joana Marques

Por favor, deixem de culpar o desempregado que põe fogo.

O bêbado.

E o ex bombeiro frustrado.

Não é só a falta de limpeza.

Não é só o abandono dos campos.

Não é só do calor. E do vento.

Encontrem os verdadeiros culpados.

 

Por favor, falem com as pessoas.

Vão dizer-vos dos engenhos que aparecem.

De onde aparecem.

E como aparecem.

Do fogo a horas tardias.

As populações sabem.

Por favor ouçam as pessoas. São elas que vivem lá. Conhecem a sua terra. Como a palma das suas mãos.

Levantem o rabo da cadeira. Saiam de Lisboa. E passem pelo terreno. E percebam do que se trata.

Ah! E falem com as pessoas. Já tinha dito?

 

As pessoas do interior.

São pessoas.

E são mais pessoas que muitas pessoas.

São pessoas que já passaram por muito e sobreviveram.

 

Heróis são os autarcas que nada podem fazer mas lutam lado a lado com as suas gentes.

Heróis são os bombeiros que são colocados um pouco por todo o lado.

A darem a vida pelos outros.

A fazerem o possível e o impossível.

E são enormes.

 

....mas os verdadeiros heróis são as pessoas.

Que vivem.

E vão sobreviver mais uma vez.

O mundo delas a desaparecer. Num segundo. Ao sabor de um fogo.

 

Quando isto acabar. Ninguém se vai lembrar delas.

As promessas leva-as o vento e as chuvas de Outono.

Por favor! Não se esqueçam do interior. Não se esqueçam do país.

 

interior.jpg

(foto gentilmente cedida por António Colaço, do blog Ânimo )

 

17
Ago17

estes dias. Também são dias de amor

Joana Marques

Estávamos numa reunião.

Alguém vê, qualquer coisa no telemóvel.

Choque. Horror.

Sabíamos que existia.

Na teoria.

Tem acontecido. Aos outros.

Impossível de deter.

O terrorismo.

Nas Ramblas. No coração. Em Barcelona.

Somos peões. Nas mãos deles.

 

Estava no trabalho. Longe do local.

O que se seguiu foi um frenesim que nunca vou esquecer.

A cabeça a mil.

Avisar. E procurar.

Avisar que estamos bem.

E procurar quem gostamos.

Mães e pais à procura de filhos.

Mulheres à procura de maridos. E vice versa.

Filhos à procura dos pais.

Irmãos que procuram irmãos.

Deixar mensagens a quem não atende.

Estamos bem.

Dizer que se gosta.

Que se tem saudades.

E que tivemos sorte.

Há indignação. Terror e horror. No ar.

Mas sobretudo amor. E amizade.

E é assim que se combate.

 

E depois...

...o silêncio. 

 

17
Ago17

eu não posso.

Joana Marques

Tenho estado por Barcelona.

Umas colegas minhas do trabalho gabaram muito uma quinta de produtos biológicos. Nos arredores de Barcelona.

Encomendamos por email e depois vamos lá buscar.

Um engano. Não gostei nada. A qualidade deixa muito a desejar.

 

O Vasco foi comigo.

 

Na volta do caminho.....

Ia numa estrada com 2 faixas.

A da direita, onde eu estava, ia ter a Barcelona.

A da esquerda, a outro lado qualquer. Não faço a mínima ideia.

Quem queria chegar a Barcelona tinha de, obviamente, ficar na faixa da direita.

 

Estavam 3 carros à minha frente.

O primeiro, um branquinho, estava na faixa da esquerda. Fez pisca. À ultima hora. Entrou na faixa da direita.

O carrinho do meio. Entrou no tempo certo na faixa da direita.

O carro que ia à minha frente. E que estava já na faixa da direita.

Fez pisca e saiu.

E fez pisca novamente e entrou.

Devia estar perdido.

Ou arrependeu-se.

 

Tive de travar.

Nada de especial.

A minha distância para o último carro era grande.

 

Atrás de mim.

Um carro. Quase me abalroou.

Olhei pelo retrovisor e estava a criatura a gesticular feito totó. E a buzinar.

"Buzino, logo existo"...

Nitidamente deve ter faltado às aulas de filosofia ou então é tão totó que não percebeu corretamente a mensagem de Descarte.

 

Continuei o caminho.

E fui ter a uma estrada com 3 faixas.

A minha faixa da direita converteu-se na faixa do meio.

Eis que aparece a criatura. Pela direita. A buzinar. A gritar.

Chamou-me de maluca para cima.

E insultou desde a minha mãe, pai, tias, tios e provavelmente o presidente da junta de freguesia de Carcavelos. 

 

Enganou-se. Se pensava que lhe ia responder.

Eu, não. Mas o cão passou-se.

Se o tivesse soltado. O Vasco tinha comido o homem. 

Continuei na minha vidinha. A tentar acalmar o cão.

O Vasco já tinha chamado o homem de maluco para cima.

 E tinha insultado a mãe, o pai, as tias, os tios e o presidente da junta de freguesia de totozisse de baixo.

 

Entretanto.

Buzina ao rubro. Do senhor totó.

Insultos de toda a espécie.

Ultrapassou-me pela direita.

Pôs-se à frente do meu carro. E travou a fundo.

É claro, que eu já estava preparada para isso.

Os inergúmeros são muito previsíveis. 

O cão estava doido. 

O cão já estava rouco.

Ia preso e comecei a ter medo que arrancasse o banco com o tamanho do protesto.

 

Infelizmente, não decorei a matricula.

Era um mercedes preto.

Matrícula portuguesa.

Uma criatura do sexo masculino. 40 anos. 45. Por aí.

 

Se teve tal comportamento.

É provável que o volte a ter.

Normalmente, a falta de inteligência e discernimento não é falha momentânea.

É para a vida. Digo eu.

Ou então é falta de atenção. E de amor...

Pobre totó. Ninguém gosta dele.

 

Peço-vos por favor.

Se encontrarem alguém no vosso caminho. Com esta descrição.

Abracem-no.

Peguem-lhe pela cintura.

E espetem-lhe um beijo na boca.

Eu infelizmente não posso. O Vasco arranca-lhe a cabeça.

 

14
Ago17

a caçadora de heranças...

Joana Marques

Convivo muito mal com a morte.

Com a minha mas sobretudo com a morte dos que me estão mais próximos.

Estremeço quando o telefone toca a horas estranhas.

E quando alguma coisa de diferente acontece. Acho que pode ser um sinal.

Eu sei que é parvo. Muito parvo.

A minha parte racional não compreende. É mais forte do que eu.

Tenho medo. Reajo mal. E volto a ter medo. 

Sou super, hiper hipocondríaca em relação aos meus.

E aviso-os.  E ralho com eles quando cometem erros gastronómicos por exemplo.

Sou mesmo, mesmo neurótica. E não há nada a fazer.

 

 

Quando tinha 13 anos. A minha avó Maria morreu.

De repente.

Num momento estava connosco. No outro seguinte já não.

Este acontecimento marcou a minha vida para sempre. E eu nunca mais fui a mesma.

Não superei. Nunca consegui.

Passado pouco tempo morreu o meu avô. E eu percebi que se pode morrer de amor.

E isso convive comigo todos os dias.

 

Para mim, ir a um funeral ou a um velório é horrível.

É claro que ninguém gosta.

E provavelmente sofrem tanto ou mais do que eu.

 

Mas de alguma maneira ou de outra, são menos expressivos.

Mesmo com pessoas que não me são próximas choro sempre baba e ranho.

Sem conseguir controlar o que quer que seja.

 

Na sexta feira. Foi um dia muito intenso no meu trabalho.

A meio do dia recebi um telefonema da minha tia Luz a dizer que o pai de um amigo tinha morrido.

Nos anos 70 os meus tios conheceram um casal de ingleses no Estoril. Ficaram amigos. 

A minha tia fez durante muitos anos parte da administração de uma instituição de solidariedade social.

Estes amigos ingleses contribuiram muito para a tal instituição.

Tinha estado umas 3 vezes com eles. Em casa dos meus tios. A última vez, há uns 15 anos.

 

Os meus tios estão de férias no Algarve. 

Os filhos foram de férias para fora do país e eles ficaram a tomar conta dos netos.

Para eles, seria dificil ir a Inglaterra ao funeral. E pediram-me a mim....

É claro. Disse que sim. 

Ao mesmo tempo. Disse sim. Ao mesmo tempo. Já tinha as lágrimas nos olhos. 

Fiquei logo ansiosa.

O funeral era em Edimburgo. Estava em Londres.

- Compra flores. Disse-me a minha tia.

Consegui sair do trabalho por uns minutos para ver das flores.

Segui o conselho de uns colegas e lá fui a uma loja indicada por eles.

Como não sei qual é a moda verão 2017. Funeralmente falando.

Segui as indicações da senhora da loja.

Saí de lá com uma palma. Cheirosa. Com umas fitas azuis.

Sou do Sporting. Não sou do FCP. Mas já estava por tudo...

 

No dia seguinte.

Saí às 4h da manhã de casa.

Eu e o cão.

A viagem era longa.

Fui fazendo o caminho com calma. Parei de hora em hora. Conforme podia.

Passeava o cão. 

Comia qualquer coisa.

Tudo sem pressas. Tinha tempo de chegar.

Mas sempre com o stress de ter de ir a um funeral.

Muito ansiosa. 

 

Já passava das 13h quando o GPS me diz que cheguei.

Parei em frente de um palacete.

Olhei para a propriedade. Murada. Um campo imenso. Tive tanta pena de não ser rica.

Já sabia que eram muito ricos. 

Confirmei que são muito, muito ricos.

Antes de entrar ainda passeei o Vasco. Que voltou para dentro do carro. E iniciou a sua querida e adorada sesta.

Tirei as flores do carro.

 

Dei o meu nome ao porteiro.

Os meus tios já tinham avisado que eu estaria lá a representá-los.

Indicou-me a entrada.

Eu linda e transtornada. Com as flores na mão.

Entrei na capela quando alguém me diz que não aceitam flores.

O senhor que morreu era ecologista e obviamente era contra este tipo de prática.

Disseram-me que o dinheiro devia ser canalizado para uma das muitas obras de solidariedade que o senhor patrocinava.

Pois claro! O que é que eu podia fazer??

Podia tentar vendê-las no OLX.

Ou pô-las no prego.

- Alguém quer comprar flores??? 

Não disse isso. Só pensei. Dei meia volta.

 

Voltei ao carro para deixar as flores.

Voltei a entrar.

Mais uma vez. Desgraçadamente infeliz. A explodir de tristeza.

Estava muita gente.

Tentei ver se encontrava os amigos dos meus tios.

Já não os via há uns bons anos. Deviam estar mudados. 

 

Lá dei com eles. 

Quando consegui chegar a eles já eu chorava desalmadamente. Entre fungadelas. Assoadelas.

Apresentei-me.

Quando disse quem eu era. Não devem ter percebido nada.

Lá me encostei a uma parede.

A chorar. Disfarçadamente.

Era a única pessoa a choramingar.

 

O senhor tinha 97 anos.

Vários problemas de saúde.

E por isso, foi uma morte mais ou menos previsível.

 

É claro que me tentei conter mas não deu. 

Nestas alturas. Nem pensar.

Choro ainda mais.

Choro por quem morreu.

Choro pelos familiares.

Choro pelo aquecimento global.

Choro pelos passarinhos órfãos.

Choro pelo estupor da Coreia do Norte que é feio como a morte.

Choro por isto e por aquilo.

Choro por tudo e por nada.

Choro. Ponto.

 

De repente sinto alguém a puxar-me o braço.

Um homem mais ou menos da minha idade puxa-me e arrasta-me para dentro de um cubículo.

E no meio do meu vale de lágrimas:

- Ouve lá. Aqui não há nada para ti. Vai-te embora ou chamo a polícia.

- O que o meu avô fazia era lá com ele. A nossa família não vai embarcar em nada do que possas dizer ou fazer. Não cedemos a chantagem.

Até que se fez luz. 

O rapazinho, neto do velhote.

Viu-me arranjadinha.

Ainda jovem.

Bonitinha.

Chorosa. 

2+2= 4.

Achou que eu era amante do velhinho. 

Aquele choro todo, só podia querer dizer isso.

A fingida, da Joana. Chorava. Para amolecer os corações. E depois.

ZZZZZZZZZZZZás...

Apanhava toda a gente desprevenida. E pumba. Escandaleira. 

- Onde é que está a minha herança???

 

 

Ainda assisti ao funeral e a todas as exéquias.

É claro que ficou tudo esclarecido.

E o neto pediu-me desculpa.

No final peguei no carro e fui para Manchester onde apanhei o avião para Barcelona.

E quando já estava no ar. Lembrei-me.

- Ó caneco! Esqueci-me das flores no porta bagagem.

 

Só espero que a pessoa que encontre as flores seja mais descontraída do que eu. 

Se fosse comigo ia achar que era um sinal.

E não iria dormir pelo menos durante um mês.

 

12
Ago17

aqueles dias generosos....

Joana Marques

Há dias assim.

Dias que me surpreendem pela generosidade. Dos outros para comigo.

Ontem. Foi um deles. Hoje também.

 

Hermione.

João diz que eu sou a Hermione do Crochet.

E enviou-me esta foto via messenger.

hermione.jpg

Ainda estava no trabalho.

Entro no facebook e dou de caras com esta publicação no grupo handmade life.

basdosta.jpg

basdosta2.jpg

Obrigada, Áurea!

NA NA NA NA NA BAS DOSTA

NA NA NA NA NA BAS DOSTA

 

 

Hoje, numa das paragens que fiz, da minha longa viagem.

Vejo que o José da Xã, me tinha dedicado o vídeo do golo do Sporting.

Neste post.

 

E de repente quando olho. Tenho um destaque.

destaque1.jpg

Obrigada a todos.

Pela generosidade. E por estarem aqui comigo....

10
Ago17

estar fora do país. Responsabilidade!

Joana Marques

"não pergunte o que o seu país poderá fazer por você. Pergunte o que você pode fazer pelo seu país."

 

Ouvi pela primeira vez esta frase ao meu pai. Estava a citar JFK. 

Nunca mais me esqueci dela.

Para mim faz todo o sentido.

E acho que o meu comportamento se foi moldando em torno dela.

 

Quando eu era miúda era um pequeno demónio à solta.

Fiz a cabeça em água aos meus pais e irmãos.

O mais extraordinário é que, quando passava férias em casa da minha avó ou em casa dos meus tios, o meu comportamento melhorava.

Quando a minha mãe nos ia buscar.

Não perguntava pela Sofia.

Não perguntava pelo Tiago.

A pergunta era sempre a mesma:

- Como é que se portou a Joana?

 

E levava as mãos à cabeça à espera do pior. Era com incredibilidade que ouvia...

- Portou-se bem.

Não era só a minha mãe que não acreditava.

O meu pai também ficava com um ar de desconfiado.

Tanto um como outro achavam que era dito, apenas, por simpatia. 

 

A verdade é que fora de casa era diferente.

E se eu me portasse mal? Era eu. Mas também os meus pais....

E desde muito nova que tomei consciência disso.

 

Tal e qual como agora.

Estando fora do país.

Sinto esse peso.

Se alguma coisa não correr bem, não sou só eu que estou em causa. Mas o meu país.

É muito fácil extrapolar. Generalizar. Dizer: 

- Os portugueses são todos assim.

 

Por isso.

Todos os dias me levanto com esse sentimento de responsabilidade.

De alguma forma,  o bom nome do país e do povo português depende um pouco de mim.

Todos os dias trabalho. Com isso no pensamento.

Para além das saudades.

Estar fora do país é também isto...é tentar ser sempre melhor!

Por mim, claro!

Mas também pelo país ao qual pertenço.

 

04
Ago17

a segurança. E as suas falhas!

Joana Marques

Já esta semana num outro post escrevi que estou em Londres.

Foi no post que contei como o Vasco foi roubado. Por um pássaro.

 

A minha empresa tem apresentado ao longo do tempo algumas falhas de segurança. Algumas graves.

Decidiram tratar do assunto. E fomos todos chamados para fazer formação.

Não ao mesmo tempo, claro.

Esta semana calhou-me a mim.

 

Antes, entrava e saía de alguns sectores da minha empresa com um cartão.

Em Oslo, a minha empresa sou eu. Só eu.

Mas mesmo assim, tinha um cartão que estava de acordo com o sistema de Oslo.

 

Em Barcelona já somos mais. E lá tinha eu e os outros, o cartão.

O cartão dava-nos acesso a todos os sectores para os quais tinhamos permissão para entrar.

 

Tudo mudou.

A impressão digital lidera.

Um sistema moderno. Feito por grandes génios do século XXI.

Um leitor capaz de ler as impressões digitais, os números do euromilhões de Janeiro de 2032 e o número de pedras nos rins que eu terei na próxima reencarnação.

No primeiro dia, apareceu o engenheiro número 1.

Que nos explicou tudo e tudo.

Como é que funciona.

As vantagens.

E é infalível.

O engenheiro número 1 não previu que no meio da multidão estivesse a rapariga portuguesa.

Com mãos de camionista.

Mentira!

Até tenho umas mãos macias. 

Só que de tanto trabalhar com estas mãos.

Pintar.

Aplicar tintas.

Solventes.

Diluentes.

Lixar madeiras...etc.

As mãos pelos vistos recentem-se de alguma forma.

  

O engenheiro número 1 não acredita na falha do sistema e inspeciona as mãos da rapariga portuguesa.

E pede para mais uma vez colocar os indicadores no sensor.

Nada.

O engenheiro número 1, chama o engenheiro número 2.

O engenheiro número 2 não acredita.

E diz para a rapariga portuguesa passar com os indicadores no sensor.

A rapariga portuguesa passa os indicadores no sensor.

O sensor fica vermelho.

Quer dizer que leu tanto as impressões digitais da rapariga portuguesa como as do Pai Natal.

Passa outra vez.

Vermelho.

O engenheiro número 2 não quer acreditar.

Pega nas mãos da rapariga portuguesa e olha atentamente.

O engenheiro número 2 diz para o engenheiro número 1 que as mãos são normais.

A rapariga portuguesa está a morder partes da boca para não se desmanchar a rir.

O engenheiro número 2 pede para a rapariga portuguesa pôr os indicadores.

Vermelho.

A máquina foi a arranjar.

 

Novo dia. Novo amanhecer.

Pequena multidão passa pelo sensor.

Verde!

Engenheiro número 1 contente da vida.

Rapariga portuguesa passa pelo sensor.

Vermelho.

Engenheiro número 1, chama engenheiro número 2.

Engenheiro número 2 pede para a rapariga portuguesa colocar os indicadores.

Vermelho.

Engenheiro número 2 em desespero pede para a rapariga portuguesa colocar os dedos do meio no sensor. Os dedos da asneira.

Vermelho.

Engenheiro número 2 pede à rapariga portuguesa para lavar as mãos com um liquido que cheira a mofo.

Rapariga portuguesa lava as mãos.

Engenheiro número 2 pede à rapariga portuguesa para colocar os indicadores.

Vermelho.

Dedos da asneira.

Vermelho.

Engenheiro número 2 chama engenheiro número 3.

Engenheiro número 3 não acredita. E rapariga portuguesa volta a pôr os indicadores.

Vermelho.

Dedos da asneira.

Vermelho.

Anelares.

Vermelho.

Mindinhos.

Vermelho.

Fui salva pelo polegar esquerdo.

O engenheiro número 1 sorri.

O engenheiro número 2 faz um ar competente.

E o engenheiro número 3 acha que foi ele que salvou a situação.

A semana vai correndo.

E a rapariga portuguesa entra na empresa o resto dos dias com o polegar esquerdo.

 

Só que...a rapariga portuguesa está em casa dos tios.

E os tios têm uma sapateira descolada.

Rapariga portuguesa telefona à tia e pergunta se pode colar a sapateira.

Porque rapariga portuguesa não consegue viver assim...

Com o aval da tia, rapariga portuguesa compra super cola 3.

E cola a sapateira. E os dedos.

E não consegue tirar a cola com água. E liga à tia para saber onde tem o álcool.

A tia diz que não há. Há acetona.

Rapariga portuguesa tenta acetona. Não sai.

Rapariga portuguesa compra álcool. E usa-o.

Não sai tudo com o álcool mas disfarça.

Mas rapariga portuguesa sente a cola no polegar e indicador esquerdos.

Rapariga portuguesa vai trabalhar.

 

A multidão passa pelo sensor.

Verde.

O polegar esquerdo da rapariga portuguesa passa pelo sensor.

Vermelho.

O engenheiro número 1 chama o engenheiro número 2.

O engenheiro número 2 chama o engenheiro número 3.

O engenheiro número 3 chama Deus.

A máquina foi a arranjar.

...estou mesmo a ver que para a semana vou ter de entrar com os pés....

 

03
Ago17

isto de ter um blog....

Joana Marques

Num impulso criei este blog. Um segundo.

No segundo seguinte já tinha o nome e tudo.

Dois minutos depois já estava a escrever o primeiro post.

No sapo é assim. Fácil, muito fácil criar um blog.

O que eu não estava a contar era criar uma empatia tão grande com as pessoas que por aqui passam.

Sou normalmente uma pessoa de trato acessível. Mas considerar amigo...é outra coisa.

Um ano depois posso dizer que conheci por aqui pessoas que guardo e guardarei no coração.

Algumas visitam-me todos os dias. Ou quando podem.

Umas deixam o seu favorito. Outras o seu comentário.

Outras escrevem textos tão simpáticos como a Catarina, na passada sexta feira.

 

Hoje foi a vez da Cátia. Espreitem lá o que escreveu sobre mim....

 

Isto de ter um blog é assim.....

....é virtual?

Nem por isso...para mim é cada vez mais real!

Porque faz parte da minha vida...todos os dias!

 

31
Jul17

Isto não é uma cenoura!

Joana Marques

Estava eu a passear-me por um mercado local.

Daqueles que eu gosto.

Cheio de legumes, frutos e cores.

Quando no meio do colorido, vejo isto:

1 (3) (3).JPG

-Ai! Credo! Coitadinha da cenoura...será albina?

Fui-me embora.

Voltei.

Olhei outra vez.

Aquela cenoura.

Que não era cenoura, intrigou-me.

Ou seria uma cenoura.....com um problema...

Não, não era uma cenoura...

Até podia ser uma cenoura...com um défice de cor....

 

Fiquei a olhar para ela.

Até que a senhora dona da cenoura albina:

- Quantas quer?

- Uma....

 

E pronto!

Lá fui eu para casa acompanhada por uma cenoura que não era uma cenoura.

Resolvi enviar uma foto, para algumas pessoas, com a pergunta:

- O que é isto?

 

Queridos quiosquianos...

...estão bem sentados?

Isto, não é fácil de ler....

 

 

(a minha cunhada)

- É uma cenoura anémica??

- É...claro!

 

(o meu pai)

- Não sei.

- Nem eu!

 

(o meu sobrinho Pedro) 

- Oh! Puseste a cenoura na lixívia???

(sem comentários)

 

(a minha sobrinha Inês)

- Ah! Eu sei o que isso é!

- Boa! Como se chama?

- Acho que é um rabanete.

-

- Rábano?

- Não. É uma beringela...

- Ah! tens razão. É uma beringela.

 

(o meu irmão?)

- É um brinquedo do Vasco?

- Ainda não é....mas pode vir a ser...

 

(o meu primo António)

- É um doce do Algarve. Mas tu não estás na Noruega?? Há doces do Algarve na Noruega?

- Há. Tens é de saber pedir em Norueguês!

 

- É uma Pastinaca? Parece-me uma pastinaca. Ou então é uma cenoura mas a fotografia ficou sem cor.....

- Óbvio! Uma Pastinaca.....

 

 

E esta resposta certa veio da minha amiga Maria que sabe tudo e mais alguma coisa.

Pelo menos sobre legumes, frutos e todo o mundo agrícola.

 

Pastinaca ou cherovia é o nome da dita cuja.

Prima da cenoura.

Chegam a ser mais ricas que a cenoura em certos nutrientes.

Contém pequenas quantidades de ferro e vitamina C mas são muito ricas em potássio.

São uma excelente fonte de fibras. E nós precisamos de muitas fibras para alimentar as bactérias boas.

Tem cálcio. E tem magnésio. E ter magnésio é espetacular. O magnésio é um dos nutrientes que nos dão energia...

 

O que é que podemos fazer com esta cenoura deslavada....

Neste momento gosto de ralar e colocar na salada por exemplo mas estou fã deste petisco.

 

Descasca-se.

Corta-se em rodelas muito fininhas.

Dispõem-se num tabuleiro.

Acrescentei banana porque ainda tinha espaço no tabuleiro.

Borrifei com óleo de abacate. Podem usar de coco ou azeite. O que preferirem.

1 (11) (1).JPG

 

Forno pré-aquecido.

170º a 180º.

10 a 15 minutos.

Desligar o forno. E esperar mais 10 minutos.

Verificar se já estão estaladiças.

Repetir o processo até estarem estaladiças.

Chips! Tão bom! Enquanto se vê um filme ou para levar para o trabalho!

Coloquei canela e açafrão. É ao gosto de cada um...claro!

1 (14) (2).JPG

Podem usar outros frutos ou legumes: maçã, ananás, batata doce...

Se gostarem deste tipo de petisco podem optar por algo mais profissional.

Um desidratador. Parece-me um bom investimento.

 

 

É tão bom.

Descobrir novos alimentos.

Novos sabores.

Experimentar novas receitas.

Estou a adorar, mudar a minha vida alimentar. Só coisas boas!!

 

 

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