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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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16
Jun17

Americanos. Surpreendentes, ou não!

Joana Marques

Sete por cento dos americanos acredita que o leite com chocolate vem de vacas castanhas!

Quem o diz é um artigo do Washington Post.

Uma pesquisa feita pelo Institudo Americano Innovation Center of US Dairy.

Cerca de 16, 4 milhões de pessoas, mais do que a população portuguesa não sabe que o leite com chocolate é composto de leite, cacau e açúcar.

 

Há mais! No início dos anos 90, 1 em cada 5 americanos não sabia que um hambúrguer é feito de carne...

...e se calhar têm alguma razão!

Num estudo realizado numa escola americana, alunos entre os 12 e os 14 anos, 3 em cada 10 não sabia que o queijo provém do leite. E foi uma surpresa saber que a cebola e a alface afinal são plantas.

 

Atualmente a fruta preferida dos americanos...... é o sumo de laranja e a batata frita!

Dá que pensar....

Surpreendente? Nem por isso....

 

vaquinharosa.jpg

Desta, podemos esperar um leite de morango!

 

coelhoverde.png

E deste, leite de kiwi....

Mentira! É um coelho...todos os americanos sabem que não dá leite.

Põe ovos de chocolate...na Páscoa!

 

14
Jun17

pessoas, pessoas. E as pessoas...

Joana Marques

Na vida, na vida de cada um de nós vão aparecendo amiúde pessoas diferentes.

Algumas testam-nos.

Outras usam-nos. Ou tentam.

Algumas gostam de nós.

Outras ensinam-nos.

 

Poucas farão a diferença. 

As que fazem a diferença são as que despertam o melhor de nós. 

São como o café que bebemos de manhã.

Fortalecem-nos e fazem-nos ter vontade de sermos melhores pessoas. De aprender mais. De ir em frente.

Com um piscar de olhos tiram-nos o tapete. E isto não tem de ser necessariamente mau.

Têm a capacidade de nos fazer ver a vida e ter vontade de a viver. 

Estas pessoas são raras. E quando as encontramos. Tudo vale a pena.

 

13
Jun17

a partilha....

Joana Marques

Tenho uma amiga que conheci nos tempos em que eu era hospedeira.

Chama-se Marie.

É islandesa mas neste momentos mora nos Estados Unidos.

É professora universitária. No campo da robótica.

Casou com um Japonês.

Também ele professor universitário. No campo da robótica.

Têm um filho.

Adolescente.

Para mal dos pecados deles é mesmo um puto de carne e osso.

Não é um robot. Tem sentimentos e tudo.

O puto é tão diferente dos pais que os deixa de boca aberta com as coisas que diz.

Já caí no erro de almoçar com o casal.

É deprimente.

A conversa dos dois vai dar sempre ao trabalho.

E eu percebo muito pouco de robótica.

Sendo sincera...não percebo nada.

Quando uma pessoa está à rasca e quer à força toda integrar-se na conversa, fala do tempo, certo?

Certo! Até na Noruega funciona.

Errado! Com este casal ou falas de robótica ou falas de robótica.

 

Com ele nunca almocei sozinha.

Com a Marie já. E é diferente. A conversa já vai para outros campos, em que eu também posso dizer qualquer coisa.

Mesmo que estejamos em desacordo. Aprendo sempre alguma coisa.

Tem uma cultura. Um ponto de vista. E opiniões que me fazem pensar. E crescer.

 

Um dia num desses almoços explicou-me que estava a trabalhar e a fazer investigação tendo como objeto de estudo: "a cadeira de rodas".

Disse-me ela que tinha descoberto uma forma de fazer virar a cadeira de rodas com mais segurança.

Ao que eu perguntei:

- E o que vais fazer? Já regista-te a patente? Vais começar a produzir cadeiras? 

Já estava a imaginar uma fábrica a produzir cadeiras de rodas em série e a Marie a mudar-se com o seu japonês e o seu filho de carne em osso, para uma ilha deserta.

Mai Tai's, sol e mar, o resto dos dias deles....pensei eu que sou gestora de profissão.

 

Olhou para mim e disse-me.

- Não. Vou publicar a minha descoberta. E esperar que alguém pegue na ideia e a melhore. Se eu registar a patente durante um tempo ninguém pode mexer nisto e a descoberta fica estagnada. E queremos é que mais alguém trabalhe nisto e desenvolva o conceito.

 

Achei isto de um altruísmo sem explicação.

Digno de alguém brilhante. Não só de cabeça mas também de coração.

A partilha é dos atos mais nobres de um ser humano.

Dá a possibilidade de outros poderem pegar no que deixámos e assim tentar fazer melhor.

Se estivermos sempre a começar do zero, o mundo não avança. E não tenhamos ilusões, haverá sempre alguém melhor do que nós. E ainda bem. Só assim nos superamos.

Não querendo comparar-me com a Marie, nem com o trabalho espetacular que faz, posso de alguma forma partilhar o pouco que sei. E quem dá o que pode a mais não é obrigado.

 

Por essa razão criei o grupo handmade life.

 

Se eu tiver uma receita boa, qual é o mal de a partilhar. Porque raio vou guarda-la para mim?

Se eu descobrir uma loja mesmo, mesmo boa porque não partilharei?

Se encontrar uma página no facebook que tem peças únicas, não faz sentido guarda-la para mim, ou faz?

E sim eu tenho um blog, mas qualquer pessoa pode partilhar um post do seu blog, por exemplo.

Se tiver mais visualizações com isso, melhor. É mesmo para divulgar que a página serve. 

Podemos aprender todos uns com os outros.

E desta forma melhorar a nossa vida...mesmo que seja devagarinho...

 

08
Jun17

oh! Este cão...

Joana Marques

Estou de férias.

O despertador toca todos os dias à mesma hora.

Mesmo que queira dormir até tarde, não me deixa.

Sou acordada entre as 5h e as 5h30. Todos os dias.

Como quero que as férias rendam muito. acordo a essa hora. Vou correr.

Volto para tomar banho. Vestir-me. Tomo o pequeno almoço. E volto para o ir buscar.

 

A praia está vazia porque é muito cedo.

Aproveito para lhe tirar a trela.

E ele corre, corre, corre...

E depois entra dentro de água. Nada. Sai da água e volta ao areal. Corre. E volta a entrar na água...

 

Ontem, neste frenesim corre para umas rochas.

Ouço um ganido.

Fui socorrê-lo.

Estava preso nas rochas.

As rochas escorregavam imenso.

Estava com medo de cair.

O Vasco em pranto.

Eu a cambalear.

-Calma que eu já chego aí.

Uma chifrineira. Um sofrimento.

 

Sai sozinho.

Demorei tanto a percorrer meia dúzia de rochas.

O problema é que tinha de voltar para trás.

O Vasco já estava na areia.

Todo ele era autocomiseração.

Passados dois séculos e meio chego até ele.

Ui! Nem queiram saber. Parece que lhe instalaram uma vuvuzela no esófago. O som é estridente.

Examino-lhe as patas. E percebo que partiu uma unha.

Podia ser perigoso se tivesse atingido a veia. Não foi o caso. Só partiu a unha. Ainda tinha a parte partida pendurada.

Deve ter ficado entalado na rocha e com o pânico partiu a unha.

 

Resolvi voltar com ele.

Pois Vasco, foi a cambalear praia fora. A andar só com as 3 patas.

Ao mesmo tempo que andava, Vasco, gania. Muito alto.

Deixámos o areal. Continuou caminho fora numa lamúria só. Desconfio que este cão na outra reencarnação foi uma carpideira. Sabe chorar profissionalmente.

 

Ainda não havia muita gente na rua.

Mas toda a gente parava para ver o cão que só andava com três patas e chorava no meio da rua.

Toda a gente me perguntava o que tinha acontecido.

- Partiu uma unha.

Toda a gente olhava para mim com ar de:

- Péssima dona. Não partiu nada uma unha. Este cão engoliu no mínimo um piano...

Toda a gente mimou o cão.

 

De repente puxa-me para atravessarmos a estrada.

Não estávamos na passadeiras.

Mas os carros pararam para nos deixar passar. Comovidos com um cão em sofrimento a andar só com três patas.

Chegámos ao hotel.

Estamos aqui desde segunda à tarde mas toda a gente já sabe o nome do Vasco.

- O que aconteceu, o que aconteceu??

- Partiu uma unha.

 

O senhor da recepção vem fazer-lhe festas.

Entretanto junta-se a ele mais duas ou três pessoas.

O Vasco continua em sofrimento.

Levo-o para o quarto. Sempre a andar com 3 patas.

Chegou ao quarto. Dou-lhe um biscoito. Passa tudo!

vasco345.jpg

 Olho para ele e penso.

- Tens tanta sorte. Ainda bem que és um cão. Já viste se fosses uma cadela. Queria ver como te safavas quando entrasses em trabalho de parto!

 

07
Jun17

duas varinhas. Mágicas....

Joana Marques

 2 (7).JPG

Estas são as minhas agulhas preferidas.

São agulhas de bambu.

3,5.

Clover.

A marca pouco interessa mas sendo da marca Clover sei que foram fabricadas no Japão.

 

Estas agulhas são especiais.

Foram as minhas primeiras agulhas.

Há uns anos atrás quando decidi aprender a tricotar, depois de um almoço de domingo, perguntei à minha mãe se tinha agulhas de tricot.

- Sou capaz de ter.

Não tinha. Já tinha tido mas como nunca tricotou, devem ter acabado no lixo.

 

À segunda-feira, entrei numa retrosaria em Lisboa e comprei-as. Comprei também fio para poder iniciar-me nestas artes.

Depois deste dia nunca mais me separei destas agulhas.

Andam sempre comigo. Já foram a Paris, Angola, Inglaterra, Grécia, Estados Unidos, Brasil, Noruega, Espanha, Argentina.

E na Argentina quase as perdi.

Costumo transporta-las no meu estojo, junto com as canetas e lápis.

Na Argentina foi aberto o meu estojo. E o segurança disse-me que tinha de deixar as agulhas.

-

Insisti com ele, mostrei-lhe a minha identificação. Disse-lhe que a minha intenção era tricotar e não degolar ninguém.

Não devia ter dito a palavra degolar. Intransigente, não me deixou ficar com as agulhas.

 

Eu num passo de mágica resolvi a situação.

Peguei nas agulhas.

Saí a correr.

Fui até à estação dos correios do aeroporto e enviei as agulhas para a minha morada em Carcavelos.

Demoraram 5 dias. Mas chegaram.

 

Foi com elas que aprendi tudo o que sei.

Depois delas já comprei muitas mais.

Tenho de todos os tamanhos e feitios, de vários materiais.

Mas estas são especiais.

Ainda há pouco tricotei com elas o casaquinho da minha sobrinha que nasce em Outubro!

O casaquinho da Margarida!

margarida.png

 ...com elas sinto-me como o Harry Potter. Só que com duas varinhas. Mágicas.

As minhas agulhas transformam fios em sonhos.

E sonhos em realidade!

E não há nada melhor que transformar os sonhos em realidade...

05
Jun17

tic tac, tic tac, tic tac...

Joana Marques

Quando comecei a trabalhar com 17 anos tive direito  a férias pela primeira vez.

É claro que antes disso tinha as férias escolares. Não é a mesma coisa.

Adorava as férias escolares mas o verdadeiro valor damos quando estamos a trabalhar.

Até aos 23 anos aproveitava para tirar férias quando tinha exames na faculdade.

Como era hospedeira e tinha folgas em dias de semana percebi que se conseguisse juntar 5 folgas podia ter uma semana de férias.

O grupo que trabalhava comigo era porreiro fazíamos isso sempre podíamos.

Sem prejudicar o nosso trabalho, claro.

E assim fui gerindo o trabalho, a faculdade e as férias.

 

Quando terminei o curso, aí sim comecei a ter férias.

Já escolhia o mês e o tempo conforme o país que tinha em mente.

Trabalhar como hospedeira abriu-me todos os horizontes possíveis e imaginários.

Adorava viajar. Ainda gosto.

E se em trabalho nem sempre visitamos o que queremos.

Fica a vontade e o querer voltar.

E querer é poder.

 

Quando mudei de trabalho, as férias começaram a ser uma miragem.

Durante 4 anos quase não tive férias.

Um fim de semana prolongado ou outro.

No ano passado consegui marcar uma semana de férias. Porto Santo. Fui à sexta.

À terça ligaram-me a dizer que na semana seguinte tinha de ir a trabalho para Angola.

É claro que tive de interromper as férias. Tinha de preparar essa viagem de trabalho.

 

No meu primeiro emprego quando tínhamos de marcar férias reuníamos todos.

A minha chefe dava-nos um mapa para preenchermos.

Tínhamos de ter em atenção a marcação de férias.

Não podíamos ir todos na mesma altura.

 

A minha chefe perguntava ao meu colega Zé:

- Então Zé quando é que vais de férias?

E ele respondia sempre:

- Amanhã.

Todos os anos era a mesma coisa.

Mal tinha oportunidade de marcar férias. O Zé marcava para o dia mais próximo que conseguisse.

Quando ganhei as minhas férias só me apeteceu fazer como o Zé. Amanhã.

Não fui tão eficaz como ele mas estou no bom caminho para ser.

Estou de férias esta semana.

Em Formentera.

Sol, mar, livros para ler e muito fio para tricotar. Ah! E o Vasco...

 

O tempo podia parar esta semana....

....o tic tac do relógio podia emigrar para a Coreia do Norte...

.....parecendo que não uma pessoa tem uma capacidade incrível de gostar da boa vida....

.....e uma semana passa num instante!

..mesmo não usando relógio......para não ver os minutos a passar....

.....eu sei que o tic tac, tic tac, tic tac....não vai parar...por isso...é aproveitar!

 

ferias.jpg

 

02
Jun17

o que raio está escrito no postal????

Joana Marques

Olá, tio Zé!

Ontem saí às 15h. Como saio todos os dias.

Tinha aula de desenho geométrico mas antes, passei por casa para passear o Vasco.

Subi as escadas com a pressa que tenho sempre. Sabes como é. Até levanto pó pelas escadas acima....

Dirigi-me à porta e vi uma caixa.

Parei. E sabes que para eu parar é porque alguma coisa se passou...

Vi a caixa e pensei:

- Será que os noruegueses me odeiam tanto que me enviaram uma encomenda armadilhada??

A sério. Foi mesmo isto que me veio à cabeça...

 

Depois de andar às voltas com a caixa percebi que vinha de Portugal.

- Será que os portugueses me detestam tanto e me enviaram uma encomenda armadilhada para eu nunca mais voltar?

Mentira.

Esta parte já estou a inventar...

 

Abri a porta de casa. Lá dentro já sentia o Vasco. Impaciente.

Recebeu-me como se fosse a rainha de Inglaterra.

Voltei cá fora, peguei na caixa e entrei.

Pesada a caixa!

Mais umas voltas na caixa e encontrei o remetente. Tio José!

O Vasco quis a caixa.

 

Atrás de mim. Tentou todos os malabarismos...

Ajudou-me a abrir a caixa.

E o que estava dentro da caixa?

 

Primeiro vi isto!

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Depois começo a tirar o resto. Não está aqui tudo. Como sabes.

Não consegui encaixar na fotografia...

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 Comecei aos pulinhos quando cheguei a isto!

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Só para dizer que já comi mais de metade do terceiro!

Estava a olhar para mim...e teve de ser!

Dá-me tudo tanto jeito!

 

Os livros vieram mesmo a calhar porque vou de férias.

E tenho como planos, esturricar o maior tempo possível ao sol!

A ler....

E um livro de crochet.

Como é que adivinhaste que eu quero passar uma parte das férias a esturricar o maior tempo possível ao sol, a crochetar e a tricotar.

Já abri o livro e quero fazer tudo! É espectacular!

 

Depois vi o postal!

Emocionei-me...

Isto nem é uma Joaninha!

É A JOANINHA!

Finalmente no corpo certo....

Ainda dizem que a natureza tem sempre razão....NEM SEMPRE!

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Tão fofinho!

Abri-o. Arrependi-me logo.

Sabes a tua letra?

...como dizer....se a tua letra fosse uma pessoa....era o Trump!

(Desculpa tio...mas é verdade!)

45 (8).JPG

 COM MIL SLIMANIS E UM CAMPEONATO DE ANDEBOL

....O QUE RAIO ESTÁ ESCRITO NO POSTAL????

 

 

31
Mai17

é por estas e por outras que gosto dele....

Joana Marques

Sair às 15h do trabalho é um luxo.

É o melhor do mundo.

Saio do trabalho todos os dias com a sensação de ter ainda um dia pela frente. Para fazer o que me apetece.

Às segundas tenho aulas de história de arte. Um minuto de silêncio porque até agora têm sido uma desilusão.

Quartas-feiras, aulas de Norueguês. Dois minutos de silêncio por ter sido a pior ideia de sempre.

Quintas-feiras, aulas de desenho geométrico.

É exigente, muito exigente mas até estou a gostar.

Embora sofra horrores para corresponder ao que se pede. E ainda só fiz o nível um e o dois.

 

Terças e sextas depois do trabalho estou por minha conta.

Ontem saí do trabalho e peguei no cão.

Nos outros dias da semana tem direito a um passeio curto mas à terça e à sexta o passeio é feito com todo o tempo.

Nestes dias tenho aproveitado para conhecer os arredores de Oslo.

E ontem rumei até Moss. Uma hora de carro mais ou menos.

Moss é uma terrinha não muito grande. Muito simpática que respira qualidade de vida por todos os poros.

Posso estar enganada. Quase não vi prédios. Só casas.

Jardins milimétricamente arranjados. Ruas limpas. Quase esterilizadas.

E silêncio. Muito silêncio.

 

Quem é que entrou comigo em Moss???

O espalha-brasas do Vasco!

Saltou do carro com uma alegria desvairada.

Eufórico.

A correr e a ladrar.

Entrou pelos jardins adentro.

Flores, relva e terra pelos ares....

- MOSSSSS! AQUI ESTOU EU! AQUI ESTOU EU!

Eu que devia estar habituada, não estou.

Os meus níveis de stress aumentaram tanto. Tenho andado com asma. Achei que ia desta para melhor.

 

Depois de termos esbanjado charme em Moss. Achámos por bem sair dali e deixar a pobre terra recuperar.

Já andava para visitar um parque perto de Moss.

Para eles fica mesmo em Moss, eu achei que já era meio desviado. Nesparken.

Se andarem pela Noruega aconselho a visitar.

É lindíssimo.

Para além de relaxante tem ao longo do parque várias esculturas para apreciar.

Existem várias actividades que podem ser feitas no parque. Por exemplo: canoagem.

 

É claro que o Vasco continuou igual a si próprio.

Tonto.

Ladrava feliz.

Com o focinho em todos os buracos que encontrava.

Já de trela. Claro. Não arrisquei. Com este cão nunca se sabe.

 

O parque tem um passadiço de madeira.

E no momento em estávamos a subir o passadiço aparece à nossa frente um casal de chineses....orientais, pronto!

A senhora aponta para o Vasco e sorri.

O senhor faz um sorriso com a cara toda, tira a mão do corrimão e esbardalha-se de uma maneira....

.....bate com o queixo no chão...

........um estrondo.

Pára tudo, o homem desatarraxou o maxiliar. Pensei.

Enganei-me.

 

A senhora chinesa:

- Ó valha me Deus. Deus me acuda.... em chinês!

Eu asmática, a segurar a trela do Vasco. O Vasco a puxar-me para o lado oposto ao senhor chinês porque tinha encontrado qualquer coisa urgente que precisava cheirar.

O homem em pranto...em chinês.

A senhora choramingava...em chinês.

 

Tirei o dedo que travava a trela do Vasco....

Fiquei liberta para ajudar o senhor.

Ajudámos o senhor a levantar.

 

O senhor deitava sangue da boca.

Abri a mala à procura de água e de lenços.

Sentámos o senhor no chão.

Os dois falavam em chinês.

Eu à toa.

Eu asmática.

Tudo em estado de sítio.

O senhor queixoso.

A senhora queixosa.

Uma chinesice pegada entre eles. E eu a apanhar bonés.....chineses.

De repente olho para o Vasco e não quero acreditar no que vi.

 

Duas flores...

.....encrustadas. Uma em cada narina...

 

Quase sufoquei.

Asmática e a rir. A rir e asmática...

Os chineses olham para o Vasco.

E rimos os três......e o riso é uma linguagem universal!

....Tudo ficou mais leve.....

....e o mau momento passou....

 

Este cão acerta sempre! 

 

É por tudo e por nada...

....por estas e por outras.

 

...que gosto deste Vasco!

 

vasco (2).jpg

30
Mai17

o alinhamento certo....

Joana Marques

Estava eu a experimentar os ingredientes que agora uso.

Fiz uma mistura entre sumo de laranja, ovos, farinha de amêndoa e açúcar de coco.

Quantidades um bocado...deixa lá ver se funciona.

 

Abri o forno aos 20 minutos de cozedura. Tudo na forma boiava. Achei que nada dali se aproveitava.

Passados 5 minutos voltei a ver. Uma desilusão completa.

Tirei aos 30 minutos de cozedura.

 

Enganei-me.

Os planetas estavam todos alinhados.

E o universo conspirou a meu favor.

E fiz isto:

1 (30) (3).JPG

Por cima coloquei chocolate (75% de cacau) derretido em óleo de coco.

O que posso dizer é que, tudo o que eu já fiz na vida.

Cão e a sua história, incluídas.

Este bolo, pudim, doce, sobremesa foi a mais bem conseguida.

É tão bom, tão bom. Não encontro explicação. Nem sei como saiu das minhas mãos.

É claro que vou partilhar a receita.

Mas preciso da vossa ajuda....nome, preciso de um nome!

Digam lá de vossa justiça.

Que nome é que acham que devo chamar a esta coisa boa.

 

handmade life

29
Mai17

como se gerem as saudades...

Joana Marques

Estar fora não é fácil.

Longe do país. Longe da família.

Ainda que tenha a sorte de ser visitada por amigos e família muitas vezes, não é a mesma coisa.

Quando saí de Portugal em Novembro, o plano era voltar no fim do projecto.

Nunca me ocorreu não voltar.

Só que, quando acabou, percebi que tudo tinha mudado.

O mais provável era ter sido enviada para França, como muitos colegas meus.

E tendo eu pêlo na venta e a mania que sou eu que controlo a minha vida, achei que devia ser eu a escolher.

Tive convites para ficar em Barcelona.

Ficaria a gerir o projecto que estive a implementar. Não me agradou. Nada. Se corresse mal, teria de ir contra a minha empresa antiga e não estava preparada para isso.

 

Quando aceitei Oslo e escolhi ter um mês de férias antes de iniciar a minha vida aqui, o primeiro pensamento que me passou pela cabeça foi:

- Portugal, não! Se vou a Portugal já não volto.

E assim foi.

Fui para a Grécia um mês e tentei não pensar muito nas saudades.

Como estava a fazer voluntariado e era tudo avassalador.

O tempo passou depressa.

E em pouco mais de um segundo estava em Oslo.

 

Aqui em Oslo já fui visitada pelos meus pais, irmãos e duas amigas.

Quando estão de saída é duro. Muito duro.

 

Na sexta-feira saí do trabalho, depois de passear o Vasco, deixei-o e fui às compras.

Cheguei ao mercado do peixe e estava uma senhora à minha frente. Estava acompanhada de uma menina pequena.

De repente a menina diz qualquer coisa e a senhora responde:

- O que é que disseste?

 

Percebi que eram portuguesas. E assim do nada. Por ouvir a língua. Começaram a cair lágrimas cara fora.

Geri como consegui.

Cheguei a casa arranjei o que fazer.

Jantei.

Estive largo tempo ao telefone com uma pessoa que gosto. Apaziguou-me de alguma forma.

Tentei dormir já passava da uma da manhã.

Só que não dava. Precisei exorcizar ainda mais o que estava a sentir.

E pintei Lisboa. Não da forma como costumo fazer.

Usei preto e branco. Só.

10 (2).jpg

Daí a umas horas, poucas horas, fui acordada pelo Vasco.

Estava um dia novo a começar.

Ainda tentei dormir mais um bocadinho.

Mas não dava.

Na minha cama já se dançava algo entre o tango e o fandango.

E quando o rebuliço saiu de cima da cama. Recebi em cima de mim um par de chinelos voadores.

Nada como uns bons chinelos voadores para me fazer à vida.

E perceber que há vida para além da saudade.

E que na maioria dos dias até sou feliz.

 

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