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Quiosque da Joana

handmade life

09.12.17

Trump?? Não! Esquece....

Joana Marques

Carcavelos. É a minha terra de adopção.

Nasci em Lisboa.

Mudei-me para Carcavelos em 2005. E tornou-se a minha terra. É aqui que me sinto em casa.

 

Carcavelos é uma vila que pertence ao concelho de Cascais.

Durante muitos anos foi uma freguesia desse concelho mas um qualquer governante sem tino juntou-a à Parede e agora chama-se: União das freguesias de Carcavelos e Parede.

Se houver justiça neste mundo, o governante que fez isto deverá ter um filho chamado União da semente de Maria Otolina e Governante que não percebe nada de nada.

 

Foi por altura do Marquês de Pombal que Francisco da Cruz se instalou em terras carcavelenses.

Amigo do rei Dom José, Francisco da Cruz instalou-se na Quinta nova de Santo António.

Onde hoje em dia é o colégio St Julian's.

 

Em 1870 esta quinta, também conhecida apenas e só por Quinta Nova foi vendida a uma empresa chamada Easter Telegraph Company.

Esta empresa inglesa tinha uma missão muito nobre.

E fez de Carcavelos um local extremamente importante.

Carcavelos ligava a Europa a outros cantos do mundo.

Era daqui que saiam os cabos telefónico que ligavam a vários locais do mundo.

 

Nos inícios do século XX esta empresa constituída maioritariamente por funcionários ingleses constrói nas suas instalações vários campos de jogos.

Uma forma de entretenimento em horário livre.

Futebol. Hóquei em Campo. Râguebi. Deram os primeiros passos em Portugal. Aqui.

Em Carcavelos.

Jogava-se Golfe. Cricket e ténis. Também.

 

O colégio nasceu ainda no tempo desta empresa para os filhos dos funcionários.

Entretanto, estendeu-se aos arredores e hoje em dia tem mais de 1000 alunos. De 40 nacionalidades diferentes.

 

Em 1962 esta empresa, a quem Carcavelos "deve" muito do seu crescimento vendeu as suas instalações ao colégio. E saiu do país.

Este tipo de comunicação estava obsoleta. Outros tempos. Mais modernos.

 

Esta empresa. Mesmo sem ela. A âncora de Carcavelos. A vila sobreviveu e prosperou.

E hoje.

Carcavelos vale sobretudo pela sua frente mar. É mais ou menos por ali que o Tejo encontra o oceano.

Pronto, não é bem em Carcavelos. É ali ao lado. No concelho vizinho.

 

O vinho de Carcavelos é produzido numa das mais antigas regiões demarcadas do mundo a par do Douro.

E a mais pequena também.

Por isso este néctar é muito raro. E bom. É mesmo, mesmo dos deuses.

 

Podia aproveitar a boleia. E pedir a Trump para acabar com a embaixada em Lisboa. E mudá-la para Carcavelos.

Mas não.

Deixa estar. Sossegadito, Trump!

Carcavelos. Para mim. É dos melhores locais do mundo. Tal e qual como está. Sem tirar nem pôr.

Um privilégio!

Um presente que a vida me deu.

carcavelos - Cópia (2).jpg

 

08.12.17

o lugar mais quente do mundo

Joana Marques

Quando eu, os meus irmãos e os meus primos éramos pequenos o Natal era diferente.

O Natal era sobretudo estarmos juntos.

A nossa família era muito grande. A minha mãe tinha 7 irmãos, com ela 8. O meu pai, 5.

Os meus primos são tantos que já lhes perdi a conta.

Comprar brinquedos para todos os miúdos no Natal, estava fora de questão.

Éramos corridos a dinheiro. Dinheiro que nem cheirávamos. Na minha casa cada um de nós tinha uma conta no falecido BES. Na altura Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.

Os meus avós do Porto também nos corriam a dinheiro. Às vezes lá recebia roupa. Torcia o nariz. E tentava escondê-la num recanto do roupeiro. A minha mãe descobria sempre.

 

A excepção a este Natal deslavado era feita pelos meus avós do Alentejo.

E o melhor é que recebíamos sempre duas prendas. Uma da avó e outra do avô.

 

Reza a história que quando o meu primo Luís nasceu, o meu primo mais velho, os meus avós não se conseguiram entender nesse Natal.

O meu avô queria ser ele a dar a prenda como chefe de família.

Mas a minha avó estava-se a borrifar para os salamaleques da altura.

Disse que não. Se ele fazia questão. Ela também.

E por isso a partir daí, nós os netos, recebíamos duas prendas.

 

A prenda do meu avô era dinheiro.

Mas não era dinheiro como o outro. Que era abarbatado pelos senhores do Espírito Santo.

Não, este era dinheiro bom.

O meu avô dava-nos o dinheiro para a mão e dizia que era para gastar. No que quiséssemos.

E dizia em frente dos nosso pais. Ditadores. Unha e carne com os senhores do Espírito Santo.

 

A minha avó também não nos desiludia.

Aproveitava as visitas a Lisboa.

Para nos comprar brinquedos numa loja espetacular que havia na baixa.

O nosso Natal era este. Para mim, para os meus irmão, para os meus primos.

O Natal, o verdadeiro Natal era aqui na casa da avó Maria e avô Joaquim.

 

Tinha eu 6 anos.

E a ansiedade já tinha começado.

Em Outubro. Novembro. Já se falava disso lá por casa. Entre nós.

 

E no dia em que fui para o Alentejo. Nem dormi.

Não ia receber os presentes nesse dia. Mas saber que ia para o sitio onde eles estavam. Já me deixava anormalmente feliz.

Chegámos a 23. O tempo passou tão devagarinho. Que os dois dias de espera. Pareciam 3 séculos e meio.

O meu irmão dizia-me. Conta até 500. Que o tempo passa mais depressa.

Mentira.

 

Noite de Natal.

- Ás 3 da manhã os presentes já chegaram?

Não, Joana. Só lá para as 8h.

Isto era o meu pai a tentar ter uma noite sono tranquila.

- Acorda-me às 3. Dizia-me o meu irmão.

Bem saltei da cama a todas as horas que o relógio da entrada marcava. E nada. Nada de prendas.

Ainda tivemos de tomar o pequeno almoço antes.

Tal era a pressa. Que o leite até saía pelo nariz. Quase fiquei sem prenda. A minha mãe era pouco adepta a este tipo de graças.

 

E eis a chegada dos presentes.

- A prenda este ano é maior e por isso é do avô e da avó.

Oh! Não! Adeus dinheiro bom....como é que eu vou comprar os cromos? E as pastilhas? E os rebuçados com sabor a café na loja do Senhor Augusto??

 

Eu, o meu irmão, a minha irmã, o meu primo Luís, o meu primo António, o meu primo Diogo, o meu primo Manel. Todos ansiosos.

E apareceram os embrulhos. Grandes. Enormes. Todos iguais.

Primeiro o entusiasmo.

Toca de abrir o presente.

Depois o silêncio.

- Passou aqui um senhor a vende-los. São muito bons. Muito quentes.

O nosso presente. Nesse Natal.

Cobertores.

Um para cada um de nós.

 

O ar trágico das nossas caras.

Nada de dinheiro bom.

Nada de brinquedos.

Nada de cromos.

Nada de pastilhas.

Nada de rebuçados com sabor a café.

Nada de nada. Nada de Natal.

 

E eu, apareci. Porque apareço sempre nestas alturas.

E comecei a chorar.

Aquele choro descabelado. Que nos faz atirar para o chão. E lavar uma casa inteira com lágrimas.

E seguiu-se o meu primo Manel. E depois o António. E o Diogo. E depois o meu irmão.

Só a minha irmã se manteve. Já tinha 16 anos. Mas a cara dela não enganava. Também ela maldizia o cobertor.

 

A minha mãe quase nos matou com o olhar. Mas não queríamos saber. A dor era maior.

A minha avó ficou tão triste. Achou mesmo que nos tinha dado uma boa prenda.

 

Quando somos crianças temos dificuldade em olhar em frente. Ver para além do imediato.

A verdade é que o dinheiro do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa já não existe. Foi gasto no meu primeiro carro.

O dinheiro bom do meu avô foi gasto em guloseimas e cromos.

Os brinquedos da minha avó também já não existem.

Só o cobertor perdura.

 

O lugar mais quente do mundo eram os braços da minha avó.

Ainda os sinto quando me enrosco no cobertor.

07.12.17

deixem-nos voar

Joana Marques

Os jovens de hoje gostam do luxo.
São mal comportados,
desprezam a autoridade.
Não têm respeito pelos mais velhos
e passam o tempo a falar em vez de trabalhar.
Não se levantam quando um adulto chega.
Contradizem os pais,
apresentam-se em sociedade com enfeitos estranhos.
Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes,
cruzam as pernas
e tiranizam os seus mestres.
SÓCRATES (470-399 A.C.)

 

Das coisas que me deixam mais irada.

É ouvir pessoas da minha idade ou até mais novas. Dizer mal da geração mais nova.

 

É incrível como se esqueceram de como era. De como foi.

É incrível como perdem ou perderam pelo caminho a capacidade de ser criança. De sonhar. De experimentar.

É incrível como acham que a salvação do mundo está nelas porque quando for a vez dos mais novos, está o caldo entornado.

É incrível como acham que têm imensa razão. E se levam a sério.

Não percebem. Ainda. Que para tudo há solução.

Não têm a capacidade de olhar para trás e ver que até nos saímos bem. E fomos como eles. Ou pior.

 

Deixem-nos voar. Não lhes cortem as asas.

Quando temos 15 anos. O limite é para além do céu.

 

 

05.12.17

2017...

Joana Marques

Parece mentira...

....neste ano que está quase a terminar, já vivi em Barcelona, Lesbos, Oslo, Londres e espatifei-me em Amesterdão.

Vou terminar, se não tiver mais nenhuma surpresa, o ano em Portugal.

Espero voltar a sair... de férias. Só de férias.

 

Provavelmente, terei outras fotos melhores.

Mas deixo-vos esta. Para mim é a mais deslumbrante.

Significa. Bem vinda a casa.

 

 

Hoje de manhã.

Praia do Magoito. Sintra.

Um dos sítios da minha vida. Sobretudo no Inverno.

magoito1.png

 

03.12.17

sem contra-indicações...

Joana Marques

Para a minha mãe:

 

Desapareceram as migalhas.

Nem uma. Nada de nada!

O cão limpa tudo. Antes de cair ao chão já está no estômago do cão.

 

 

Para o meu pai:

 

Pode comer onde quiser.

Especialmente no sofá da sala. Em frente à televisão.

Sem correr o risco de sujar a carpete. E ter de enfrentar um divórcio...litigioso. Sempre desagradável...

Estou desconfiada. Quando sair daqui, o meu pai vai abdicar de mim facilmente mas vai querer ficar com ele...

 

Só vantagens!

Vasco!

Sem contra-indicação...desde 2014!

vasco145.jpg

03.12.17

a perna partida. O Vasco. E o pior de tudo...

Joana Marques

A verdade, verdadinha é que a perna partida entrou na minha rotina.

Tomar banho é chato. De resto uma pessoa vai ajustando ao dia a dia.

Tento descansar mais do que o normal.

Tenho trabalhado mas sempre com a preocupação de ter a perna em repouso.

Todos os dias dou pequenos passeios na rua.

Embora a perna se ressinta. E reclame.

Logo que acontece volto para o repouso.

A perna manda na minha vida. Neste momento é assim.

Primeiro a perna, logo a seguir o Vasco e depois a Joana.

 

O Vasco está a adorar.

Este cão percebe num instante.

E sabe que eu não vou aparecer equipada e obriga-lo a correr 10km.

Passo mais tempo que o normal deitada na cama e lá está ele.

Sempre ao meu lado.

O melhor é que quando alguém me visita. Nem pensar em sentar-se na minha cama.

Corre toda a gente à focinhada. E ladra se a pessoa tiver compreensão lenta.

 

A minha mãe bem montou a cama dele num corredor perto da cozinha.

- Dorme tu, Dona Mariana. Eu durmo com a Joana.

Foi o que ele lhe respondeu ainda que não tivesse sido em português.

O dia em que parti a perna foi difícil. O dia seguinte também. Pelo menos uma parte dele.

A partir do momento em que cheguei a Portugal.

E comecei a reencontrar todas as pessoas que fazem parte da minha vida. Tudo mudou.

 

Só há uma coisa excecionalmente má nisto tudo.

Com a perna partida, os golos do Sporting ficam por comemorar devidamente.

 

02.12.17

um chá com uma rodela de limão....

Joana Marques

Os meus pais sempre fizeram uma a duas viagens ao estrangeiro a cada ano.

A primeira era feita na primavera e a segunda mais para o verão, outono.

Quando a minha irmã fez dez anos, o meu irmão tinha 5 e eu tinha nascido nesse ano, teve o privilégio de acompanhar os meus pais numa dessas viagens.

Aconteceu o mesmo com meu irmão quando atingiu os 10 anos. E mais tarde comigo.

Eu comecei a ir aos 8 anos. Porque, já se sabe, eu era chata. E tanto insisti que os meus pais lá me levaram.

Tive de sobreviver aos olhares mortíferos dos meus irmãos mas ainda assim..fui.

 

Gostei de tudo.

Eu queria ser um avião e por isso andar de avião foi o melhor que me aconteceu.

Fomos a Madrid.

Mais tarde, seguiu-se Paris. Londres. Roma. Amesterdão. Enfim, Europa. Voltámos a França, a Inglaterra e Itália para explorar mais cidades e recantos.

Também demos um salto a Cuba, porque estava na moda. E com os meus pais e irmãos fomos várias vezes esquiar a Andorra.

Eu e os meus irmãos fomos uns privilegiados.

 

O bichinho ficou cá.

Tantas vezes que passei pela Bertrand do Chiado para comprar guias de viagem.

O mal destas viagens em família é que não podia escolher o itinerário.

Pois, uma pessoa é pobre e mal agradecida.

 

Quando eu fiz 17 anos. Exatamente na minha festa de anos. O meu tio Nuno disse-me que uma companhia aérea estava à procura de hospedeiras. Deu-me o contacto.

Eu fiquei com o número de telefone no bolso durante uns dias. Passaram do bolso das calças, para o bolso do casaco. E depois para o estojo.

E depois liguei.

Deram uma morada na Avenida da República, a hora e o dia.

Fui. Sem um pingo de nervos.

Estavam lá umas 40 pessoas. Mais mulheres do que homens.

Carregadas de maquilhagem e com saltos de 10 cm.

Eu. Ao natural. Calças de ganga. E ténis.

Caiu-me a ficha. E percebi para o que ia.

Fizeram-me uma entrevista em francês.

E outra em Inglês.

Era fluente em ambas as línguas.

Porque a minha mãe fez questão de me pôr a aprender francês e inglês desde miúda.

 

Fizeram-me uma entrevista em português. Onde me colocaram várias situações que poderiam acontecer num avião e como resolveria.

A única experiência que tinha era de viajar. Lá fui respondendo.

Perguntaram-me também sobre a vida. E sobre tudo e sobre nada.

Com esta brincadeira faltei às aulas nesse dia.

E tive de contar em casa.

Se a minha mãe descobrisse através do diretor de turma nem queria pensar...

Quando souberam em casa. O meu pai achou graça. A minha mãe comeu-me o fígado.

 

Passados uns dias ligaram-me.

- Joana, é para lhe dizer que a formação começa segunda feira.

- Formação?

- Sim, para assistentes de bordo.

Quase tive um avc. Caneco. Como era possível.

Foi difícil esse período. Conciliar um 12º ano e uma formação. Foi tudo menos fácil.

Mais tarde percebi que só entrei porque tinha bom aspeto. E porque sabia falar francês e inglês.

Tinha uns centímetros a menos. E quase não entrei por isso.

A formação terminou. E eu comecei a aprender alemão. Isto porque de repente achei que tinha encontrado uma profissão de futuro.

Era menor. E em casa só autorizaram porque prometi que iria para a faculdade e só podia sair de lá com o diploma. Cumpri.

 

Foram anos espetaculares.

Por tudo. Pelas viagens. Pelos aviões. Pelas viagens gratuitas a que tinha direito. Pelo mundo todo que percorri.

Por perceber que sou uma gotinha minúscula sem importância. Viajar põe-nos no devido lugar em 3 tempos.

E sobretudo pelas pessoas que conheci.

Famosos, ou anónimos. Aprendi muito com eles. A querer ser como eles ou a não querer.

Aprendi a gostar de pessoas que achava que detestava. E também o contrário.

Saí porque me apareceu uma boa oportunidade na minha área de formação. Gestão.

Achei que devia crescer. E tentar alcançar outros objetivos.

 

Hoje entrei, num café. Perto da casa dos meus pais. No Estoril.

Com gesso. E muletas.

E ouvi.

- Joana! É a Joana, não é?

Virei-me. Mobilidade reduzida é assim. Olhei.

E dou de caras com um senhor. E uma senhora. As caras não me eram estranhas.

E veio-me à memória.

Lisboa-Rio de Janeiro.

Nem sei quando.

Ele tinha medo de voar. Muito medo.

A viagem foi calma. E estava um banco vago junto a eles.

E eu juntei-me. Aos dois.

Servi-lhe um chá com uma rodela de limão por cima.

Uma viagem longa que passou num segundo porque estava em boa companhia.

 

 

Hoje, parece que o tempo não tinha passado e conversámos como há 20 anos atrás.

Falaram-me das viagens todas que já fizeram.

Das vezes que falaram de mim.

Falaram-me dos filhos. E dos netos.

E da vida.

- Joana, foi por sua causa que eu perdi o medo de voar.

 

Pedi no café. Sem eles darem conta.

E voltei a servi-los....um chá com uma rodela de limão por cima...

...é um privilégio tremendo servir pessoas especiais....

 

 

01.12.17

uma história de Natal...

Joana Marques

Tinha 8 anos.

E o meu pai tinha tirado a semana do Natal para irmos todos ao Alentejo.

Mal chegámos a casa da minha avó pus os olhos num gato.

A minha avó lá explicou que tinha aparecido um gato lá em casa.

Os meus avós tinham um cão. Que o meu avô adorava. E o gato chateava demasiado o cão.

O meu avô já tinha dito à minha avó para não alimentar o gato.

Mas a minha avó lá ia dando às escondidas comida ao gato.

O gato era pouco simpático. Medroso. E arisco.

O aspeto também não ajudava. Era o gato mais feio que alguma vez já tinha visto.

Esqueçam os gatos amorosos. Este parecia o anti-cristo.

- Joana não toques no gato que te arranha. E doenças. E pulgas.

Avisou-me a minha mãe.

 

É claro que não dei ouvidos à minha mãe.

E passadas duas horas de lá ter chegado, estava irreconhecível.

Tal era o nível de arranhanço.

 

Não me dei por vencida.

Claro, que não.

Comecei a roubar leite aos poucos. Via quando estava livre a cozinha e cá vai disto...

Depois, meus amigos. Os horizontes abriram-se para mim...quando percebi que a minha avó guardava na despensa, leite para alimentar todos os gatos de Portugal continental...

Entrar pela cozinha e seguir para a despensa era perigoso. Podia ser apanhada.

E convenhamos...era pouco elaborado para mim....

Um dia entrei na despensa e deixei a janela aberta. Uma fresta. Não se via. Não se notava.

Foi fácil. Comecei a entrar na despensa pela janela.

Ao fim de dois dias, eu Joana, não andava pelo quintal da minha avó.

Desfilava com uns 5 ou 6 súbditos atrás de mim.

Para além do gato da minha avó, tinham aparecido mais, não sei bem de onde...

 

Nunca fui apanhada. Embora a minha avó começasse a achar que nós os 5, bebíamos demasiado leite.

Também estranharam lá por casa o facto dos gatos de um momento para o outro me adorarem...

 

Algo não batia certo. Nem em casa da minha avó. Nem nas redondezas.

Um dia, fui à mercearia com a minha avó, e uma vizinha queixava-se:

- O meu tareco desapareceu, há 5 dias que não o vejo....

- Também o meu. Já o tenho há 10 anos e é a primeira vez que desaparece...

 

Lembro-me de ver a minha avó. De repente com os olhos postos em mim. E a juntar as peças.

E percebeu.

Claro que percebeu.

A minha avó chegou a casa e arranjou um canto na cozinha para o gato.

O gato aos poucos foi-se adaptando.

Quando voltei lá pelo Carnaval o gato já passava os serões na sala com os meus avós.

A minha avó morreu 5 anos depois. O meu avô morreu logo a seguir. E o gato foi adotado pela minha tia Luz.

Jacaré, o gato. Morreu 5 semanas depois da minha avó ter morrido.

 

A minha avó nunca me denunciou pelo roubo.

Ficou um segredo só nosso. Até hoje..

 

29.11.17

as compras de Natal. E o efeito borboleta...

Joana Marques

Nasci perto do estádio de Alvalade.

Mas vivi até aos 17 anos no Bairro de Campo de Ourique em Lisboa.

Campo de Ourique teve sempre muitos espaços comerciais. Pelo menos na altura.

A última vez que lá fui constatei que com a crise muitas lojas tradicionais fecharam. Algumas permanecem fechadas. Outras foram resgatadas por marcas internacionais.

Não é a mesma coisa.

 

Quando era pequena uma parte da minha família fazia compras no estrangeiro.

Paris. Londres. Ou até Milão.

 

Lembro-me de ir a Paris com os meus pais e os meus irmãos e passar por uma loja com carrinhos.

E a minha mãe dizer:

- Olha tão giro para dar no Natal ao António e ao Filipe.

E o meu pai responder:

- Não, compramos lá.

Eu miúda, não percebia. E é claro que perguntava ao meu pai.

E o meu dizia-me sempre o mesmo.

- Temos de ajudar os nossos. Os do pé da porta. É muito importante que existam.

 

Hoje concordo com o meu pai. E para além de concordar faço o que ele faz. Compro ao pé da porta. O mais possível.

Comprar na loja que está no nosso bairro trás muitas vantagens.

A verdade é que como consumidores temos direito de escolha. E a loja do nosso bairro pode não corresponder às expectativas. De certeza que alguma no país corresponderá.

Temos lojas onlines de marcas portuguesas por todo o lado.

Trabalhos de qualidade. E únicos.

Porque não neste Natal comprar português?

Voltar a dar vida aos nossos bairros. Aos nossos vizinhos. Ou aos nossos conterrâneos.

 

Ao longo de 2017 divulguei vários projetos.

Eu sou suspeita.

Sendo "madrinha" dos projetos acho que são espetaculares.

Podem dar uma vista de olhos. E tirar as próprias conclusões.

E pode ser que algum deles se enquadre no que estão a pensar dar no Natal.

 

- Cutchi:

cutchi (1).jpg- Feltro Linhas e Cia

feltro.jpg

 

- Os Pitinhos.

marta.jpg

 - ClaudYcostura

 

claudycostura.jpg

Quatro exemplos de peças que podem fazer a diferença na nossa árvore de Natal. 

O efeito borboleta existe...está nas nossas mãos que ele funcione.

Uma compra não faz a diferença. Mas muitas compras podem fazer. Uma revolução no país...

 

 

 

Se tiverem algum projeto que precise ser divulgado podem contar com o quiosque para fazer essa divulgação.

 joanatmarqueshr@sapo.pt

A divulgação é totalmente gratuíta!!


 

Não se esqueçam de acompanhar o nosso grupo  handmade life  no facebook!

 


 

 

26.11.17

Por favor! Evitem partir pernas...

Joana Marques

A sério.

Tenham cuidado. E não facilitem.

Não acontece só aos outros.

Aconteceu-me a mim. E não estou a gostar. Nada.

As dores são horríveis. Sobretudo, porque só comecei a repousar há menos de uma hora.

Ainda estou a tentar perceber como é que vou encaixar a falta de mobilidade na minha vida.

Mas vou conseguir. Porque conseguimos tudo, na verdade.

 

Já cheguei a Portugal.

Mal saí do avião. Uma temperatura amena convidava ao passeio.

Lembrei-me que tinha uma perna partida e desisti da ideia.

Mas.....

....fiz um choradinho aos meus pais e levaram-me a Belém.

Antes de ficar aprisionada em repouso queria ter um mimo diferente.

Como aquelas pessoas que estão no corredor da morte. E pedem uma última refeição.

E onde fui?

Aqui.

pasteidebelem.jpg

E não. Não cheguei a Portugal para esquecer a dieta e começar a comer que nem uma selvagem.

Foi um delito pequeno.

De quem teve um azar ontem e precisa de um ânimo extra.

 

Depois passei pelo hospital. Onde trabalha o meu tio.

Só para ter a certeza que estava tudo no sítio.

Está.

30 dias de gesso. Um pouco mais porque calha no Natal. 26 de Dezembro.

Repousar o mais possível. E em principio não haverá sequelas.

Perónio, sem problemas. Atenção especial à tíbia. A probabilidade de correr mal é maior...

Ainda tive de fazer um exame qualquer que o meu tio achou necessário.

Porque achou que se dois ossos partiram, sobretudo a tíbia que é um osso muito resistente, podia ter alguma fragilidade óssea. Importante a ser detetada.

Está tudo bem.

Tenho uns ossos maravilhosos tal como eu lhe disse, antes de fazer o exame.

- Como é que foi a queda?

É a pergunta que tenho respondido mais vezes.

- Foi uma queda como deve ser....

Respondo eu.

 

Depois foi a minha vez de fazer perguntas.

Correr?

O médico olhou para mim com cara de:

- Estás parva?? Não aprendeste nada de nada...

Claro que aprendi...Nunca mais voltar a correr com uma japonesa, australiana...

Vou ter de ter paciência. Poderei voltar. Não se sabe bem quando.

 

Aqui estou. No meu quartinho, em casa dos meus pais.

Aqui ficarei no próximos tempos....

A propósito, ainda falta muito para 26 de Dezembro??

 

Joana Marques

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