Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quiosque da Joana

22.02.18

as obras são como as cerejas...

Joana Marques

As obras duram. Duram. E duram. Ou é impressão minha.

Primeiro foi a decisão de unir os dois apartamentos.

Depois, foi a decisão de pôr a casa ao contrário.

Em cima manter, a sala, a cozinha e o escritório. E fazer do apartamento de baixo só quartos.

Achei que poupava tempo. E é verdade, poupo tempo.

Mas...

....o meu pai lá me disse.

- Já que fazes obras. E não estás em casa. Devias mudar as canalizações. Cozinha e casa de banho. E a instalação elétrica.

Respirei fundo.

Sabia que ele tinha razão.

Não fazia sentido ter a casa de pernas para o ar. E para o ano ou para o outro voltar tudo. De novo.

Falei com a engenheira.

Que me disse que sim, claro. Ia ver. Ia falar. Mas, claro que sim.

 

Depois. Comecei a olhar para o prédio.

E se?

A instalação elétrica está velha. O Sr. Ludovino tem humidade numa das casas de banho. E o Sr. Manuel, do primeiro andar, também tem. É pouco mas é natural que agrave com o tempo.

Falei com o Sr Ludovino.

- És a administradora...faz o que tens a fazer!

- Tenho de falar com o Sr Manuel. Vou pedir um orçamento e depois falo com ele. Se ele concordar avançamos.

 - Porque é que não lhe compras a casa?? Ele é um chato. Vais ver que põe entraves à obra e nós temos de viver assim, no meio da imundice. Não te esqueças nós somos a maioria. Ele só tem de calar...

 

Com este comentário do Sr. Ludovino, fiquei a saber que sou rica.

Posso comprar casas. Muitas casas.

Pelo visto, ando a roubar carteiras no 28 e nunca tinha dado conta.

Pedi o orçamento.

Falei com o Sr. Manuel. Concordou.

E ainda me disse:

- E as arrecadações??

- O que têm??

- A minha tem humidade. Deve ser do telhado.

Fui à minha arrecadação confirmar. Também tinha.

Decidimos também arranjar o telhado.

 

 

As obras são um bocadinho como as conversas.

Quando se começa. Temos sempre mais qualquer coisa.

As obras são como as cerejas.

A diferença é que normalmente não são deliciosas...

21.02.18

desculpa lá, Abel!

Joana Marques

Hoje.

Fui almoçar com umas amigas minhas a Belém. A Ana e a Cátia.

Num restaurante simpático. Com vista para o rio.

Entrei no restaurante.

- Joana!

Imediatamente pensei que era uma delas a chamar-me. Para logo a seguir perceber que não.

A voz era demasiado grossa para ser de uma delas. Era um homem.

Olhei.

Estava todo sorridente. A levantar-se da cadeira. Para me cumprimentar.

Pensei: deve conhecer-me. Mesmo. Ou não se dava ao trabalho.

Quando chegou ao pé de mim.

Deu-me um abraço. Daqueles abraços. Vigorosos. Que quase fazem estalar os ossos.

Pensei. Conhece-me. E gosta de mim. Ou não se dava ao trabalho.

- Há quanto tempo! Joana! Estás igualzinha...

E eu. Ali. Especada. Só me saiu...

- Há mesmo muito tempo...

- Sim, nem sei. 10 anos?

- Diria que foi há uma eternidade!

O rapaz. Ri-se. E sem que eu conseguisse fazer nada abraça-me outra vez.

- Conta coisas! Sei que mudaste. Como é que te estás a dar com os ingleses?

- Bem. Está a correr tudo bem. E tu?

Bem olhava para ele. Ouvia a voz. E nada. Não conseguia lembrar-me de onde o conhecia...

- Estou na mesma. Vai tudo andando.

Bela resposta. Sim senhor.

- Estou na mesma.

É capaz de me dar alguma pista....

Ficámos ali num impasse. E eu achei que devia dizer alguma coisa.

- Então e.......quando é que vais de férias?

- Só no verão. Este ano, eu e a minha mulher queremos ir passar uma semana a casa da minha tia Beta. Remodelou a casa lá da terra e está farta de nos convidar.

Fiz que sim com a cabeça. Como se conhecesse a tia Beta desde os tempos da primária.

Na minha cabeça continuavam a surgir nomes de pessoas...mas ninguém encaixava na pessoa.

Continuámos a falar. Sobre nada.

- Como é que estão os teus pais?

- Bem. E os teus?

- Muito bem. Ainda não voltaram, estão por cá. Por causa de nós e dos netos.

Ainda não voltaram?? Que raio...para onde é que ele queriam voltar?

Por causa de nós? Quem são os "nós"?? E os netos...caneco. Como é que eu saio desta gaita de conversa...

Ainda pensei em perguntar pelos filhos. Dele. Mas antes que corresse mal. Calei-me.

- Ainda moras em Carcavelos?

- Neste momento estou a morar em Cascais em casa do meu irmão que está na Noruega. A minha casa está em obras. E tu, onde é que moras??

- No mesmo sítio!

Claro que moras no mesmo sítio...e dar uma informação relevante??? Está difícil, não está???

Apanhei um camadão de nervos. Se no início parecia mal perguntar quem ele era. Com o decorrer da conversa ainda pior.

 

Entretanto, os dois acompanhantes da personagem levantaram-se.

- Vens ou ficas? Disse-lhe um deles.

- Tenho de ir. Bebo café depois.

Nisto. Abraça-me outra vez. Fui espremida pela terceira vez.

Nitidamente, a personagem estava mesmo feliz por me ver.

 

Arranjei mesa. Esperei pela Ana e pela Cátia.

O almoço decorreu.

Voltei a casa dos meus pais para ir buscar a Alice.

O Vasco armou-se em fresco hoje e quis ficar em casa.

 

Quando estava a chegar a casa. O meu telemóvel tocou.

Era um ex colega meu, o Diogo. Mais conhecido por homem queque.

- Já sei que estiveste com o Abel.

- O Abel? Não, não estive com o Abel.

O Abel foi meu colega durante 10 anos. E não o via desde a altura em que deixou a minha ex empresa.

- Estás parva? Acabei de falar com ele. Diz que te encontrou em Belém.

- Aaaaaahhhhhh......Se calhar estive mesmo com Abel...

 

Ia enfartando. O Abel. O que eu gosto do Abel. E dizer que estive durante 15 minutos a tentar conversar com ele sobre nada. Que desperdício de tempo.

O Abel é açoriano. E numa visita aos Açores. Numa viagem de carro. Dizia-me a mim e a uma outra colega.

- Devagarinho. Devagarinho. Não tenham medo. São só vacas...

Esta expressão é usada por muitos de nós que trabalhámos com o Abel...

O Abel....

 

- Não me digas que não percebeste que era o Abel??? Atira o Diogo.

- Tens o número dele?? Preciso de me desculpar....

 

Desculpa lá, Abel!

A minha cabeça já não é o que era.

O mundo mudou. Para mim.

Tenho uma filha que é cúmplice de um cão.

Tenho um cão que ainda hoje me fez uma espera no banho e eu quase morri com o susto. (não sei se estão interessados na história?)

Tenho trabalho até à lua.

Uma perna atrasada mental.

Tenho um novo bichinho aqui em casa, a Julieta. (não sei se estão interessados na história?)

E isto tudo podia servir de desculpa....

É tudo isto e algo mais...

 

....Abel.

Ó Abel....engordaste mais de 40 kg...

 

 

20.02.18

esta é a minha aldeia

Joana Marques

Quando era pequena.

Fui vezes sem conta ao Jardim Zoológico.

Adorava.

Vá se lá saber porquê, sentia-me em casa.

 

Um dia de manhã, ao pequeno almoço, percebi que se estava a acabar o Tulicreme.

Todo o dia. O dia todo. Na creche. Tinha 5 anos.

Pensei em chegar a casa o mais rápido possível para poder lanchar o Tulicreme. Com pão. Que a minha mãe era pouco dada a extravagâncias.

A minha irmã foi-me buscar. Depois das aulas dela.

E eu. Larguei a correr. Rua Ferreira Borges fora. Até atingir a porta do meu prédio.

Quando cheguei a casa. E entrei na cozinha.

Olhei. E lá estava o meu irmão. Lambuzado até à alma. Com Tulicreme até à medula.

Pedi à minha mãe. Para me dar dinheiro e ir à mercearia comprar Tulicreme.

- Não.

Pedi à minha mãe para ela ir à mercearia comprar Tulicreme.

- Não.

Apresentou-me as alternativas.

- Tens fiambre. Manteiga. Queijo. É só escolher. Tulicreme só amanhã.

 

Não comi. Fechei-me no quarto com uma birra do tamanho do jogo Tondela - Sporting. E chorei até não conseguir mais.

O Tulicreme tinha um papel muito importante na minha felicidade.

Limpei as lágrimas. E tomei uma decisão.

Peguei numa cesta que tinha no quarto. E enchi-a com tudo o que gostava.

Abri a porta do quarto.

Saí do quarto acompanhada com a cesta.

E....

- Mãe. Vou-me embora desta casa. Não gosto desta família.

A minha mãe apanhou  o choque da vida dela.

E quando se recompôs.

- E vais morar para onde?

- Vou morar para a aldeia dos macacos, no Jardim Zoológico.

A minha mãe respirou fundo. Estas minhas saídas tinham um grande impacto na minha mãe.

- Joana, espera pelo pai. Não te queres despedir dele?

 

Esperei. Sentada no sofá. Com a trouxa feita.

O meu pai chegou.

- Vê lá que a Joana quer sair de casa.

- Como assim?

- Diz que não gosta mais de nós. Diz que vai morar para a aldeia dos macacos.

O meu pai escangalhou-se a rir.

O meu pai chorou a rir.

O meu pai perdeu as forças a rir.

 

E o riso dele era contagioso e eu tive de me rir também.

Desde esse dia. Sempre que me chateio com qualquer coisa. Alguém diz:

- Olha lá, quando é que vais para a aldeia dos macacos??

- Sai daqui. Vai para a aldeia dos macacos!

- És tão chata. Porque raio ainda não foste para a aldeia dos macacos?

É uma piada nossa. Aqui de casa.

 

Hoje. Cheguei muito cedo a Portugal.

Fui a casa dos meus pais.

O Vasco recebeu-me daquela forma estouvada que só ele recebe.

E a Alice recebeu-me com um sorriso aberto.

Peguei neles e fui para casa. Iniciar, novamente as rotinas.

No carro. Percebi que estavam os dois eufóricos.

Em casa tive a certeza.

Parecia que tinham levado uma injeção de caramelo. Eufóricos mas doces.

 

Quando estava a mudar a fralda à Alice. E a deitei na minha cama.

Passou o Vasco e roubou um toalhete.

A Alice riu que nem uma perdida.

 

Voltei à tarefa.

Não sei como. Nem porquê. Passou outra vez o Vasco e roubou outro toalhete.

Deitei-lhe um olhar assassino.

A Alice ria que nem uma desvairada.

 

Mudei os toalhetes de sitio.

Não sei como. Nem porquê. O cão subiu para cima da cama. E saltou para o chão.

A Alice ria...sem parar.

Eu em desespero.

 

De repente. mais rápido que a própria sombra. O Vasco roubou os toalhetes.

Pedi os toalhetes.

- Vem cá buscar.

- Dá-me os toalhetes.

- Nhanhanha nha...eu tenho os toalhetes.

Fui a correr atrás dele. E ele largou os toalhetes.

A Alice...ria tanto. Que a levantei. Tive medo que sufocasse.

 

Rápido como uma flecha saltou para cima da cama.

Abocanhou uma bisnaga de creme.

Que rompeu. E sujou o cão. A colcha. O tapete.

A Alice deslumbrada. E a rir-se...

 

Eu. Passei a noite toda a viajar.

Com mil e uma coisas para fazer.

Só queria mudar a fralda à Alice.

Brincar com ela. Até ela dormir a sesta da manhã. Para eu poder despachar trabalho.

- Ai que dia bom para fazer a mala e ir para a aldeia dos macacos.

Pensei eu. Alto.

 

O Vasco ouviu. Mas deve ter interpretado de outra forma.

Rápido.

Muito rápido.

Extremamente rápido.

Saltou para cima da cama.

Abocanhou uma almofada. Que rompeu.

E penas. Muitas penas. Por todo o quarto.

A Alice devia achar que estava num filme. Olhava deslumbrada para as penas. E delirava.

 

 

"Se não os podes vencer junta-te a eles"

Penas. Divertido e libertador.

Resolvi brincar também. Rir-me com eles. E divertir-me.

 

 

Porque....

....esta é a minha aldeia.

Estes dois. São a minha aldeia.

Nesta aldeia há dias bons e dias menos bons.

Bons e maus momentos.

Mas é o amor que nos une.

E a vontade de estarmos juntos.💚

 

A minha aldeia tem um Quiosque.

Na rua principal.

Por lá passam muitos amigos todos os dias.

Também vocês, são a minha aldeia.

Obrigada!

💚

 

 

17.02.18

para refletir

Joana Marques

Refugiados.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações, desde 2014, 1200 crianças morreram.

Metade no mar. A tentar chegar a um porto seguro.

Pensa-se que estes números estarão abaixo do que realmente aconteceu.

 

Muitas crianças viajam sozinhas.

Os pais não têm dinheiro para viajar com eles e arriscam enviar os filhos para o que consideram ser uma vida melhor.

A maioria das vezes não é.

São deixadas. Enviadas.

Ninguém as conhece.

Ninguém quer saber.

São números? Não.

Muitas destas crianças nem chegam a ser um número.

 

Existe uma grande falta de informação sobre este assunto.

Um fechar de olhos do mundo. Que se diz civilizado.

Esquecemos. Muito facilmente. Um dia podemos ser nós.

Ou os nossos filhos.

 

15.02.18

o pijama da Abelha Maia. E como lido com o stress.

Joana Marques

Quando era pequena.

Naqueles dias em que parecia possuída pelo diabo.

Dia sim.

Dia sim.

A minha mãe pegava em mim e dava-me leite.

Era eu minúscula e segundo a minha mãe só acalmava com leite.

- Eras tão apressada que nem comias. Tinhas fome. E ficavas intragável.

Conta a minha mãe.

Mentira. Intragável. Eu?

 

Quando era pequena.

Já gente. Já tenho memórias disso.

Passava as férias no Alentejo.

Com os meus avós.

A casa tinha e tem no terreno, um laranjal.

Um dos passatempos preferidos da minha avó era levar-me pela mão rumo ao laranjal.

Todos os dias via a minha avó a comer uma laranja.

Todos.

Em casa. Ou diretamente da árvore.

Todos os dias me oferecia uma laranja, eu torcia o nariz e recusava.

Até que um dia a minha avó:

- Se comeres uma laranja, todos os dias, durante 15 dias, compro-te o pijama da abelha Maia.

Teria ouvido bem?

O pijama da abelha Maia?? Seria possível.

Já tinha pedido à minha mãe. Ao meu pai. Aos meus tios.

Até à minha professora, tinha pedido. O que fez a minha mãe corar de vergonha e me valeu um castigo por tempo indeterminado.

A muito custo comi uma laranja todos os dias.

Custou-me tanto a ganhar o pijama da abelha Maia. Tanto.

Mas eu não era pessoa de desistir. Se tivesse de ter bebido ácido sulfúrico...tinha bebido ácido sulfúrico.

Não sei porquê mas o hábito de comer uma laranja por dia ficou.

Acho que é porque me sinto bem.

 

Ontem, em conversa com umas amigas "discutíamos" o que fazemos quando estamos com uma neura do tamanho do mundo.

Um café. Chá. Dormir. Passear. Correr. Leite morno. Chocolate quente.

Várias sugestões. Várias estratégias.

Quando chegou a minha vez de contribuir para a conversa. Fiquei a pensar.

É verdade que no meu estado natural não tenho muitos dias depressivos.

Mas também os tenho...

E quando os tenho, agarro-me à vitamina C e como uma laranja.

Não pode ser sumo. O sumo não funciona.

 

Uma laranja.

Acalma-me. Tranquiliza-me.

Põe-me os parafusos em ordem. Mais ou menos em ordem.

Dá-me energia para resolver o que me está a preocupar.

Faz-me ter coragem de tomar decisões.

O meu tio diz que é porque tem magnésio. E o magnésio contribui para a produção de energia.

Só sei que funciona comigo. A explicação técnica...bla, bla, bla, whiskas saquetas...

 

Ultimamente tenho comido muitas laranjas.

Hoje, por exemplo comi duas.

Adoro viajar.

Mas ir para Angola e deixar cá a minha filha. Tem-me dado uma inquietação. Nunca antes vista. Nunca antes sentida.

 

14.02.18

amar não é para meninos..

Joana Marques

Todos o queremos. Mas nem sempre estamos à altura.

Por incompetencia.

Por cobardia.

E por medo.

Porque sim. Ou porque não. Sem razão. Ou por todas as razões.

Viramos as costas ao amor.

Porque é difícl.

Muito dificil.

O que parece fácil. É tão dificil.

 

Amar não é para meninos.

É pior que caminhar sobre arames. Descalça.

Muito pior. Exige destreza. Também.

Confiança.

E confiar no outro é difícil.

Não devia ser. Mas é.

 

 

Amar é tão fácil E tão dificil ao mesmo tempo.

Exige um coração grande. Um arcaboiço. Uma armadura.

Para se poder abrir. E nunca mais fechar. Ao amor. A esse amor.

Quando acontece...

.....é primavera no nosso coração.

 

Amar não é para meninos.

A primavera acaba todos os anos.

E dá início ao verão. Mais maduro. E com menos descoberta.

Ao Outono. Mais escuro.

E ao Inverno frio. E solitário.

 

Amar não é para meninos.

É para duas pessoas. Grandes. Maiúsculas.

Com coração.

Que sobrevivam. A ventos. Chuva. E instagram.

Porque às vezes não é amor. É só vontade.

 

Um dia destes.

Vou deixar de ser menina.

E passar a ser mulher.

E vou amar como gente grande.

 

12.02.18

um brinde. Aos dias simples...

Joana Marques

A Rita foi minha colega na escola.

Conhecia-a no 7º ano. E fomos colegas até ao 9º ano.

Até ao 12º ano fomos falando.

Partilhávamos a mesma escola. Não a mesma turma.

E depois seguimos vidas separadas.

Eu sempre a perguntar pela Rita, quando estava com alguém dessa altura.

Ela sempre a perguntar por mim, quando estava com alguém dessa altura.

Chegava-me aos ouvidos:

- Que giro, estive com a Rita outro dia e ela também perguntou por ti.

Ela ouvia a mesma coisa.

 

Com estes desencontros todos. Encontrei-a no facebook.

E falámos. E combinámos.

Foi na altura que eu estava de partida para Barcelona. E adiámos.

Depois fui para a Grécia. Noruega.

E voltei. De perna partida.

E finalmente. Hoje. Mais de 15 anos depois. Chegou o dia.

Combinámos almoçar em Belém porque ela trabalha lá.

Num restaurante daqueles de nome e renome.

 

Mas....

Não sei se repararam, hoje está um dia maravilhoso.

Pelo menos, por aqui.

Um sol, que nos faz agradecer a vida...

 

Peguei num pão que tinha feito ontem.

Umas azeitonas que trouxe do Alentejo.

Um queijinho que trouxe da Sertã. Mais umas frutas. E umas águas.

Uma toalha aos quadrados verdes. Com um remate feito em crochet.

Aqueci uma sopa à Alice.

Fui busca-la a casa dos meus pais.

Rumei até Belém.

13h. Hora marcada.

Não sabia o que esperar.

Se calhar a Rita já não era aquela miúda simples. Até porque hoje em dia tem um cargo importante num banco...

E as pessoas mudam.

Vai achar que eu sou doida...

Afinal, é, a mesma que conheci.

 

Estendemos a toalha. Mesmo ali. Na relva. Perto da Torre de Belém.

Dei a sopa à Alice que se portou muito bem.

Tirei-a do carrinho e andou por ali na relva.

Depois caminhámos junto ao Tejo.

Conversámos durante duas horas.

Parece que tinha sido ontem. Que nos tínhamos visto pela última vez.

 

 

Foi tão bom! Hoje foi mesmo um dia bom...

Um brinde. À amizade.

Um brinde. Aos dias felizes.

Um brinde. Aos dias simples.

10.02.18

se eu tivesse um aneurisma. Tinha rebentado. Ontem.

Joana Marques

Ontem, passei à tardinha por Carcavelos.

Tinha combinado com a engenheira. Decidir algumas coisas. Para começarmos a ver a luz ao fundo do túnel.

 

Entro no prédio.

E Sr. Ludovino aparece.

Em ponto de rebuçado.

- Nem sabes! A minha televisão avariou.

Sr. Ludovino é o maior consumidor de novelas que Portugal já viu.

Acho que a TVI e a SIC juntas trabalham diretamente só para ele.

Entro em casa dele.

 

Experimento o comando. Nada.

Verifico os cabos. Parecia tudo em ordem.

- Deve ter avariado mesmo.

Sr. Ludovino. Tão infeliz.

- Não fique assim, tem uma na varanda.

- Está muito frio na varanda.

Ainda me ofereci para mudar a televisão da varanda para a sala. mas não aceitou.

- Se quiser vamos os dois comprar uma televisão nova.

- O Miguel (o filho) trata disso.

 

A engenheira deve ter ouvido a minha voz e apareceu.

Pediu licença para entrar. E entrou na sala.

Nisto. Olho para a televisão e vejo que estão duas saquetas de cromos na parte da frente da televisão.

- É para os miúdos. (os netos)

Ao que parece um supermercado anda a oferecer cromos.

Tiro os cromos.

E com o comando. Ligo a televisão.

O Sr. Ludovino olha para mim como se eu fosse a santa protetora dos idosos sem televisão.

- Ah! Joana...

A dona Helena é apanhada de surpresa.

- Ó Helena! Os cromos naquele sitio não deixam o comando ligar a televisão. É como se o comando tivesse um preservativo. Percebes??? Um preservativo!!

 

A engenheira com um ar impávido e sereno.

A dona Helena sem perceber bem o que se tinha passado.

O Sr. Ludovino demasiado entusiasmado.

 

Ó Meu Deus.

Apoderou-se de mim uma vontade de rir.

Mas não podia.

Com esforço que fiz. As lágrimas escorriam pela cara abaixo.

- É das alergias. É das alergias.

 

Se eu tivesse um aneurisma. Tinha rebentado. Ontem.

 

mais histórias do Sr. Ludovino aqui.

09.02.18

pisem-no. Com cuidado!

Joana Marques

A minha irmã é designer de interiores.

Quando, aos 17 anos disse em casa que queria seguir esta área. O meu pai achou que nunca em tempo algum iria ter emprego.

Lá tirou a licenciatura e com uma colega de faculdade abriram uma empresa.

A empresa teve sempre trabalho.

Entretanto a minha irmã teve 3 filhos e nem sempre acompanhou a empresa e os projetos como a colega.

Não veio mal ao mundo. Em algumas fases a minha irmã ficou em casa. Noutras trabalhou em casa.

Ás vezes pegava apenas em pequenas coisas.

As duas entendiam-se muito bem. E tudo correu bem.

 

Só que..

A sócia da minha irmã divorciou-se.

E o marido tinha também parte da empresa.

Não chegaram a acordo. Nunca.

A coisa ficou feia.

Ainda tentaram vender a parte deles à minha irmã. Mas não aceitou. Não era a mesma coisa.

Uma outra colega da minha irmã ainda falou com a minha irmã. No sentido das duas serem sócias.

A minha irmã não quis.

A empresa acabou vendida a esta terceira pessoa.

E fechou passados 6 meses.

 

A minha irmã com uma agenda cheia de contactos continuou a trabalhar.

E nunca parou.

É feliz no que faz.

Tem atelier em casa. Permite-lhe acompanhar os filhos mais de perto.

Trabalha ao ritmo dela.

Está com um projeto muito giro.

Um hotel pequenino perto de Sintra.

Um projeto que já tem uma dezena de meses.

Pede-me muitas vezes para colaborar.

Se precisa de um quadro especifico. De um desenho.

Desta vez pediu-me. Azul. E branco. Para ser um tapete.

Descontruído. Nada certinho.

- Surpreende-me.

Desenhei isto.

Ela gostou.

Daqui a uns tempitos será um tapete.

img017 (2).jpg

 Se o encontrarem alguma vez. Pisem-no com cuidado!

 

Joana Marques

foto do autor

Sigam-me

Links

Grupo no Facebook de Partilha handmade! 💝

As histórias do cão! 🐶

Tricot 🌺

Crochet 🌻

Receitas 🍳🥦🥧

Planear ⌚📅 📊

Comentários recentes

  • Joana Marques

    Ainda não publiquei a receita porque ainda não sae...

  • Wonder Woman

    Joana ando á uns dias à procura de receitas de iog...

  • Joana Marques

    Visto por esse prisma...sou a pessoa mais rica do ...

  • João V.

    Tu és rica! :)Quem tem um Vasco, uma Alice e uma f...

  • Aurea

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D