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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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17
Out17

o pintainho

Joana Marques

Segredo

 

"Sei um ninho.

E o ninho tem um ovo.

E o ovo, redondinho,

tem lá dentro um passarinho

novo.

 

Mas escusam de me atentar:

nem o tiro, nem o ensino.

Quero ser um bom menino

e guardar

este segredo comigo.

E ter depois um amigo

que faça o pino

a voar..."

 

Miguel Torga

 

 

vasco (5).jpg

O Vasco tratou-o como se fosse um irmãozinho mais novo.

O pintainho teve medo. Rapidamente percebeu que Vasquinho ia por bem. E deixou-se conquistar.

Uma hora juntos. Ficaram amigos.

 

 

03
Out17

entretanto em Oslo....

Joana Marques

Quarta feira.

Dia 1, em Londres.

Saí de Oslo de fininho. Para o cão não dar conta.

Mal cheguei liguei aos meus pais.

- Já percebeu. Está deitado na tua cama. Não quer comer. Se falamos com ele começa a ganir. E não quer ir à rua.

Oh! Não. O meu coração de mãe. Explodiu de tristeza.

 

Quinta feira.

Dia 2, em Londres.

Liguei de manhã.

- Consegui levá-lo à rua. Mas quase não come. Também não bebe água. Passa o dia todo deitado na tua cama.

- E a dog tv? Já experimentaram.

- Não quer ver.

O meu coração de mãe. Cada vez mais triste. Fui trabalhar. Com o pensamento no bichinho.

 

Sexta feira.

Dia 3, em Londres.

- Está na mesma. Nada o alegra. Nem parece o mesmo.

Comecei a pensar.

- Se calhar vou buscá-lo. Pobre bicho. Não merece sofrer desta maneira.

 

Sábado.

Dia 4, em Londres.

Saí cedo para um workshop. Um dia cheio. Liguei de manhã aos meus pais estava tudo na mesma.

Cheguei a casa tarde. Aqueci uma sopa.

Estava tão cansada que nem me apetecia mastigar. Valeu-me a sopinha, tipo bebé. Um puré. Para os maxilares mais preguiçosos.

 

Entretanto em Oslo.

A minha mãe fez arroz de pato no forno. O meu pai adora. E como deixei de comer arroz. Aproveitaram a minha ausência.

O arroz de pato estava pronto.

E a minha mãe tirou-o do forno para arrefecer.

Nisto o meu pai que estava na sala chamou a minha mãe.

- Mariana, vem cá ver o porco do vizinho da Joana.

 

E.

Não pensem que o meu pai anda a chamar nomes aos meus vizinhos. Nada disso.

Simplesmente, tenho um vizinho que tem como animal doméstico, um porco.

Por acaso o senhor até é muito afável. O porco...tem cara de poucos amigos!

A minha mãe vai até à sala. Entra na varanda. Para ver. O porco.

Está o meu pai e a minha mãe a apreciar, tamanho naco de carne. Demoradamente....

 

O meu pai pediu à minha mãe para jantarem na sala. Porque queria ver qualquer coisa na CNN.

A minha mãe disse que sim. Vão à cozinha.

Ouvem. Vasquinho a ganir.

Saudadinhas da Joana.

 

O meu pai pega na toalha. Estende na mesa da sala.

- Já podes trazer o arroz de pato. Diz o meu pai para a minha mãe que está na cozinha.

Lá ao fundo, ouvem o Vasco. Triste. Com um desgosto grande no lombo. Mais saudadinhas da Joana.

 

- Ah.....

- Mariana, já podes trazer o arroz de pato. É pesado? Queres que aí vá?

- Não tens tu o arroz de pato?

- Não. Aqui não está.

Nisto aparece a minha mãe. Na sala.

- O Vasco comeu o arroz de pato.

O meu pai vai à cozinha. Porque não acredita.

 

O Vasco comeu o arroz. E o pato. Deixou o pirex. Limpinho, limpinho. 

Disse-me a minha mãe quando ligou.

Quando olhou para o pirex. Achava que era um outro, limpo. Que teria ficado esquecido na bancada.

Só depois olhou com mais atenção.

E afinal ainda tinha vestígios. Poucos. Mas ainda lá estava qualquer coisa.

 

Ligaram-me.

Nem consegui falar. Ri que nem uma doida.

É sempre o mesmo. Este cão.

Continua deitado na minha cama. A chorar. Pela minha ausência.....

 

Vai à rua, algumas vezes por dia....

......ao que parece o arroz de pato foi tipo parapente no intestino grosso do cão.

 

E o meu pai, na minha ausência foi promovido a apanhador oficial.....

...💩

 

20
Set17

Vasco. Mostra como se faz!

Joana Marques

Nunca tive de lhe ensinar.

Aprendeu por ele.

Quando era pequenino. E começou a ficar sozinho em casa. Ás vezes lá aparecia um cocó.

Poucas vezes. Mas chegou a acontecer.

Normalmente resolvia o assunto na rua.

Xixi, a mesma coisa.

Ah! Uma exceção. Quando me via. Ficava tão contente que fazia xixi.

Em adulto, nunca aconteceu.

Só desta vez. Mas foi diferente. Tinha estado fora.

 

Há uns dias. Outro passo importante.

Achei que era coincidência.

Mas não.

Só faz xixi em sarjetas.

Aprendeu sozinho!

Ai! Meu rico filho....a dar o exemplo!

vasco (4).jpg

 

 

13
Set17

este post não é a canção das doce...

Joana Marques

Ontem,

O jogo. O passeio com o cão. O frio.

0-3

1-3

2-3

Vou ou fico?

Acabou o jogo. Vou.

Jantei. O cão nem comeu. Aquele passeio tão longo. Deixou-o extenuado. E foi dormir.

 

Meia noite, deitei-me.

Ainda peguei no meu livro.

E adormeci.

 

Uma da manhã!

 

A minha cama é invadida. Por quem??

- Keanu Reeves.

- Não. Foi pelo cão....

Espraiou-se cama fora. E ganiu numa aflição desmedida.

Eu, à beira de uma síncope acendi a luz do candeeiro. O cão esticadinho.

- Deve ser da barriga. Pensei eu.

E toca de lhe ir apalpando a barriga. Para detetar onde, como e porquê?

Qualquer sitio que eu tocasse gania. Muito. E uma espécie de soluçar. Uma aflição pegada.

Um ar muito aflito.

Os meus pais acordaram.

Os três, às aranhas. O que é? O que não é?

3 pessoas com ideias. Todas parvas. E um cão que não sabe falar...

 

Tentei que o Vasco se levantasse.

Recusou.

- Deve estar magoado numa pata. Disse o meu pai.

Comecei a examinar. Unhas, dedos, patas, pernas. Tudo. Em tudo o que eu tocava o cão gania.

Estranho.

 

Duas da manhã!

 

- Será que ele viu uma aranha?

Eu, a minha mãe e o meu pai. De rabo para o ar a examinar a casa toda. Cozinha. Casa de banho. Sala. Entrada.

Nada.

- Ele tem medo de mais algum bicho? Perguntou a minha mãe.

- Não sei bem. Acho que não vai à bola com lagartixas.

Digo eu.

A minha mãe entra em pânico só de pensar que pode estar alguma entre nós.

- Osgas. Também não. Rastejantes, não aprecia. Mas gosta de ratos, por exemplo.

A minha mãe quase chamou o corpo de bombeiros.

Só para prevenir que era socorrida.

- E baratas? Pergunta o meu pai.

- Não tem medo. Até gosta de brincar com elas.

Esta informação foi demais para a minha mãe. Penso que nunca mais será a mesma...

 

Chamei o Vasco.

Lá saiu da minha cama e veio ter comigo. Mas a aflição continuava.

Já ponderava pegar no cão e ir com ele a um veterinário.

Pela Noruega fora....

A tocar às campainhas...

- Olá, sabe-me dizer onde fica o veterinário mais próximo?? Aberto às duas da manhã??

 

Como ele veio ter comigo. E andava bem. Não podia ser da parte das patas e companhia.

Mas se eu lhe tocasse no pêlo da pata direita. Era uma chinfrineira do caneco.

 

três da manhã!

 

- Dá-lhe a comida preferida. Disse a minha mãe.

Não aceitou. Tal era a aflição.

Um cão que consegue comer uma embalagem de guardanapos em 5 minutos. Não queria comer...

Voltei à primeira hipótese. Barriga.

Toca de apalpar aqui. Ali.

O drama. O horror. E a tragédia. E um cão ofendido. A ganir. A soluçar. E a gemer por tudo quanto é sitio...

- É melhor ir passear com ele. Pode ter um desarranjo qualquer. E não me apetece nada, andar a limpar nhanhas castanhas e com cheiro a cocó a esta hora do dia...

Vesti-me. Como se fosse para a Sibéria.

 

quatro da manhã

 

Lá o convenço a sair comigo.

Tanto é o alarido.

Pego nele ao colo.

Se estivesse à espera que descesse a escada, ainda agora estava entre o segundo e o terceiro andar.

Moro no terceiro.

O meu pai vai à frente para abrir a porta da rua.

Joaninha, voa voa. Escada abaixo. Com um cão ao colo.

O mais rápido que consegui.

Ponho o cão fora do prédio.

O meu pai acompanhou-me porque achava que eu podia ser raptada.

Ou roubada.

Ou qualquer coisa terminada em "ada".

 

Saímos do jardim que faz parte do meu prédio.

O cão faz xixi. Vamos falando com ele. E eu com o meu pai. O meu pai comigo.

Vasco para aqui. Vasquinho para ali.

E Vasquinho. Contente da vida.

 

E eu percebi...

 

Soluços. O Vasco tinha estado com soluços.

Quem nunca ficou descompensado quando teve um ataque do soluços que atire a primeira pedra!!

 

 

quatro horas e meia da manhã

 

Voltámos a casa.

Voltámos a dormir.

5h30...o meu despertador estava ao serviço!

Pontual!

Como sempre.

 

 

 este post não é a canção das doce...

não foi bem bom!

06
Set17

cara de....

Joana Marques

...eu não fiz nada.

Eu não estava sujo.

 

É a terceira vez esta semana que tomo banho sem precisar.

Segunda feira não rebolei na relva. Não estava verde.

Terça feira não fui para dentro de um lago lamacento.

E hoje. Não entornei para cima de mim, uma garrafa de azeite.

 

Pronto! Por acaso entornei mas foi um acidente. Ela apareceu. Assim do nada. À minha frente.

Eu comi o azeite todo, todo.

Para quê a necessidade do banho? Pergunto eu? Para quê??

Eu não fiz nada. Eu não fiz nada.....

vascobanho.jpg

 

22
Ago17

quiosquianos. Atenção!

Joana Marques

Adoro este espaço.

O sapo blogs tem sido a minha casa desde há um ano e pouco.

E desde o primeiro dia que me sinto bem....

Tem sido perfeito. Tudo funciona bem!

Para além de ter o blog. Se tiver alguma dúvida ou algum problema temos uma equipa que nos ajuda a resolver aqueles pormenores...que para nós são importantes.

 

Logo no inicio aparecia no final dos meus posts a palavra "gravar". Era estranho. Muito estranho.

E quem me ajudou nessa altura?

A equipa do sapo blogs.

E! Resultou...claro!

Esta ajuda faz a diferença entre esta plataforma e as outras.

 

Pois bem, esta equipa não satisfeita e insatisfeita, não dorme em serviço.

E por isso, volta e meia tem novidades.

Boas.

Facilitam-nos a vida. A nós que escrevemos o blog. E a vocês que passam por cá.

Se quiserem comentar algum post vão perceber que o formulário, aqui do Quiosque, está alterado.

Está mais simples.

Com bom aspecto.

Muito funcional.

Quem não tem conta no sapo pode a partir de agora comentar os posts a partir do perfil de facebook.

 

Podem ler aqui o post escrito pelo Pedro do sapo.blogs para ficarem a par das novidades.

 

Espero sinceramente que usem e abusem do novo formulário.

Sem vocês isto não tem graça nenhuma....a sério!!

Pode acontecer, nesta primeira fase detetarem alguma anomalia.

Se assim for por favor, digam-me para eu poder reportar a quem percebe mesmo disto.

 

Como forma de testar o novo formulário, dar-lhe as boas vindas e honrar o trabalho da equipa do sapo.

Aqui está um desafio!

 

Numa palavra, como descrevem o indivíduo que aparece na fotografia??

v1.jpg

21
Ago17

ao serviço de sua magestade...

Joana Marques

Cheguei a Oslo no Sábado. A meio da manhã.

Trazia comigo uma mala, com rodinhas. E, claro. O Vasco.

Quando o fui buscar. Contente da vida. Pregou-me uma lambidela na cara. E quando me apanhou distraída quase me fez despenhar dos meus saltos. E toma lá outro beijinho.

 

Fui a pé para casa.

15 minutos do aeroporto até casa.

O trauma da primeira vez que aqui estive. Ainda não foi superado. Os preços dos táxis são proibitivos.

Pensei. 15 minutinhos. A passear por Oslo. Com calma. É mesmo disto que preciso.

Sim?

Não!

 

O Vasco gosta de Oslo. Pelo menos parece. E quando se apanhou fora do aeroporto.

Corre. Corre. E corre.

E Joana. Corre. Corre. E corre.

E a mala com rodinhas?

Corre. Tropeça. Faz barulho. Corre. Tropeça. Corre.

E onde estão a rodas??

Esquece as rodas, mas é....corre atrás do cão. Ainda chegas a casa sem ele....

E foi assim....

 

Deveriam ser 15 minutos. Foram uns 10....

Nada mau. Precisava mesmo de chegar a casa. Arrumar o mais urgente. E descansar.

A semana passada. Aquela viagem a Edimburgo. Acabou comigo.

O atentado em Barcelona deixou-me sem dormir. Precisava MESMO descansar. Relaxar.

 

 

Vasco entra em casa tresloucado e atira-se para cima das almofadas da minha cama.

Prepara-se para dormir. Só que nitidamente precisa de alguma coisa.

Guincha. Gane. Pede-me...

..Ah! Pois. Nestas alturas não dorme sem o ursinho dele.

Este Vasco. Não é bem um cão. É mais um filho.

Desfaço a mala.

Tiro tudo cá para fora.

E toma lá o peluche.

 vasco (3).jpg

Dorme.

Arrumo tudo.

Como qualquer coisa. Sentada no sofá. Nem televisão. Porque nem consigo ouvir nada. Só silêncio.

Ouço passos.

Na cozinha.

E depois ....

...uma lambidela na cara. Com um ganido. Puxa-me. Até à cozinha.

Percebo que algo se passa com a tigela da água.

Estranho. Água acabada de pôr.

Nitidamente não está ao gosto de sua excelência.

Deito a água fora. Ponho água nova.

Não.

Deito a água fora. Arranjo outra tigela. Deito água.

Não.

Fez-se luz. Em Barcelona. Estava calor. E eu, colocava-lhe umas pedras de gelo na água.

MAS EM OSLO NÃO ESTÁ CALOR...

Seja feita a vossa vontade. Saiem dois cubos de gelo para a tigela do cão.

..........water on the rocks.

 

Volto para a sala.

Ele volta para o aconchego da cama. A minha.

Ressona.

E sonha.

Ouço passos.

Lá vem ele.

Puxa-me para a cozinha.

E fica voltado de frente para a porta do frigorifico.

Já sei. Quer uma cenoura.

Romeu, o coelho não gosta de cenouras. Vasco, o cão gosta de as roer. O mundo está virado do avesso, é o que é.

Tiro a cenoura. Lavo a cenoura. Dou-lhe a cenoura. E ele fica feliz da vida com a cenoura.

Volto para a sala.

O cão, depois de roer a cenoura, volta para os seus aposentos. Que por acaso são meus.

 

 

Quando volto a entrar na cozinha. Ó jaaaaaasus.

Parecia que tinha sido marcada para a minha cozinha o sacrificio anual das cenouras.

O chão da cozinha estava todo laranja.

Toca de limpar. Esfregar. Até o chão voltar à cor original.

 

Comecei a fazer o almoço.

O cão dorme.

Vou começar a comer.

O cão aparece com a trela na boca.

Parece ser uma emergência. Liquida ou sólida. Ou as duas.

Pego no cão. Desço as escadas.

O cão despacha-se. Mas ainda damos uma volta.

 

Voltamos para casa.

O cão dorme.

Eu como.

Arrumo a cozinha.

Vou ler. Pensei eu.

Pois pensei mal. O cão acordou e tem uma bola na boca.

Yeah!

Não jogo à bola em casa.

Decidi descer.

O jardim do prédio está cheio de Noruegueses que consideram 15º uma temperatura espetacular para apanhar sol.

Vou até a um parque.

Atiro bola.

Ele apanha a bola.

Corre. Para eu correr atrás dele.

Tiro-lhe a bola. Atiro a bola.

Ele corre para a bola. Corro eu também.

Ele diverte-se. Eu também...tristezas não pagam dividas. E como estou quase em coma. É provavel que faleça nos próximos minutos. E por isso é melhor aproveitar...

 

Chegamos a casa.

Faço o jantar.

Ele dorme.

Ressona. E sonha.

Janto.

Ele acorda. Come também.

Sento-me no sofá.

Preciso de silêncio. Aproveito e começo a crochetar uma rendinha que quero colocar aqui no meu quarto.

Senta-se mesmo ao meu lado.

Cá beijinho. Joana.

E puxa o comando. Dog TV. Quer ver a Dog TV.

Não cedo. Não me apetece. Não quero. Socorro.

Chinfrineira. Choro. O Drama na vida do cão. O horror de morar com a Joana. A tragédia de lhe ter batido à porta uma dona maléfica.

........liguei a televisão. Na dog tv.

Fica hipnotisado durante vários minutos.

De repente. Salta do sofá.

E aparece de trela na boca.

 

Cá vou eu. Desço as escadas. Dou uma volta. Apanho cocó. Dou outra volta. E 35 minutos depois voltamos para casa.

Estava frio. Estava cansada.

Voltamos para casa. E acaba o dia para nós.

 

Excelência. Isabel. Rainha de Inglaterra. Se tens por aí uma vaga. Uma vaguinha...pequenina.

Pode ser para ti. Ou para o puto...

Pensa em mim...

Estou pronta! Estou mesmo....

 

07
Ago17

um cão. Às vezes faz a diferença...

Joana Marques

Na quinta-feira passada saí do trabalho pelas 18h.

Neste momento nem é trabalho, é formação.

O que me deixa num estado de nervos considerável.

O tempo que perco nesta formação é o tempo que não perco a trabalhar.

Tanto trabalho a acumular.

E eu estava tão bem lançada em Oslo.

Tudo certinho.

Tudo direitinho.

E agora esta formação.

 

Cheguei a casa. Passava pouco das 18h30.

Comecei a subir as escadas.

E ouvi. Lá ao longe. Um canídeo. Hiper contente. Aos saltos.

Vou subindo.

Até ao sexto andar, é muita escada para subir.

Quando já estou a alcançar o meu patamar vejo uma miúda sentada à minha porta. Teria uns 6 a 7 anos.

Caneco! Está uma miúda à minha porta.

  

Eu confesso. Frequento muitas lojas online. Etsy. Amazon. Fnac.

Juro pela minha saúde.

Não me lembrava nada, de ter encomendado uma criança.

  

Aproximo-me da porta e a pequena pergunta-me:

- Posso brincar com o teu cão?

 

Fiquei meia desorientada. Precisei de uns segundos para pensar...

Lembrei-me que a pequena devia ter mãe e perguntei por ela.

Afinal, são minhas vizinhas. Moram no quarto andar.

Desci com a menina. 

Toquei à campainha.

Apareceu a mãe da menina. Ficou com um ar muito surpreendido de me ver. A mim.

Mas sobretudo à filha. Por estar comigo, certamente!

  

A menina que se chama Sophie devia ter ido brincar com um miúdo que mora ao meu lado. 

Bateu à porta. Ninguém apareceu. 

Como tinha visto o Vasco num dos dias da semana.

Bateu à minha porta.

O Vasco deve ter resmungado qualquer coisa.

E a menina resolveu esperar à minha porta.

  

A mãe. Um olhar triste. Muito triste disse à Sophie para entrar em casa.

A menina com um olhar triste lá entrou.

Eu ia passear o Vasco. Disse à mãe que a menina nos podia acompanhar.

A mãe ficou dividida.

Por um lado disse que sim.

Por outro nem por isso. Queria ir às compras. E tinha receio de não estar quando voltássemos.

Disse-lhe que não tinha problema. Que tocava e se não tivesse lá ninguém a menina ficava em minha casa.

Subi as escadas com a menina.

Abri a porta.

Nem sei como é que o cão não tinha ido parar ao 7º andar.

Tais eram os saltos. Parecia que tinha uma cama elástica nas patas...

Peguei no cão. Descemos.

  

Percebi que havia ali qualquer coisa de errado.

Não pela menina. Que se portava como uma criança. Embora triste. Continuava a ser uma criança.

Mas pelo Vasco.

O Vasco portou-se lindamente ao lado dela.

E ele só se porta assim. Quando sabe de alguma coisa.

Muito paciente. Sem corridas doidas. Sem queixumes. Sem ares de diva. 

  

Voltei a casa.

Toquei no quarto andar. Ninguém.

Subi até ao sexto.

A menina sentou-se ao lado do Vasco. Brincaram.

Às tantas já andava por cima dele. Puxava-lhe o rabo. Ria-se. Uma diversão total.

Ele. 5 estrelas.

  

A campainha tocou.

Era a mãe.

Ao longe observou a filha e disse:

- Há um mês atrás o meu filho de 4 anos morreu. Leucemia. Não via a Sophie a rir-se desta maneira há muito tempo. 

  

E de repente percebi. O bom comportamento do Vasco.

Sophie tem vindo para cá brincar com o Vasco. E têm-se divertido os dois...

...porque este cão sabe sempre estar à altura......

 ....e fazer a diferença quando é preciso. 

 vascoesophie.jpg

 

01
Ago17

ladrão que rouba ladrão....

Joana Marques

Caros Quiosquianos.

    Este é um post sério.

    Um minuto de silêncio.

    E outro de consternação.

    

O Vasco foi roubado.

 

 

Desde a semana passada que estou em Londres.

Fui chamada para fazer uma formação. Termina na sexta.

Fico por cá mais outra semana. Porque me disseram para ficar.

Saí do "tenho todo o tempo do mundo de Oslo" para "não tenho tempo nenhum" de Londres.

O Vasco tem ficado o dia todo em casa.

Quando posso, passo por lá à hora de almoço. Nem sempre consigo.

Fica bem sozinho. Pelo menos não dá sinais de qualquer aborrecimento.

Dorme à vontade.

E come!

Mas quando entro no prédio, consigo sentir os pinotes dele. No sexto andar!

Ainda não tive qualquer reclamação por parte dos vizinhos.

Veremos até quando.

Provavelmente até o candeeiro da sala do vizinho de baixo cair.....

 

 

Desde que tenho o Vasco, aconselhado pelo veterinário, que lhe compro uns snacks.

Compro vários, aliás, mas estes são os preferidos do Vasco.

Permitem não formar tártaro e tratar da sua saúde ao nível da boca e dos dentes.

Este cão e segundo o peso que tem, deve poder comer 2 snacks grandes por semana.

Adora.

E não é esquisito com marcas.

Tudo o que vem à rede é peixe.

Neste caso não é peixe...mas se fosse também marchava.

Acho que até sabe quando é Quarta-Feira e Domingo.

 

 

Quando lhe dou menos atenção, fico como aqueles pais que tentam comprar os filhos quando não passam tempo com eles.

E dou-lhe mais.

Todos os dias tem direito a um snack.

Mas....em vez de lhe dar do tamanho maior, escolho os mais pequenos.

Ofereço-lho, quando fazemos o nosso passeio da tarde.

E só levo um. Só um.

Sou uma fraca.

Se levasse 5 dava-lhe tudo.

 

Ontem cheguei a casa.

Pulos de alegria.

Com tanta lambidela fiquei a pertencer à tribo canina aqui do bairro.

Peguei na trela e fomos dar uma volta.

Quando já estávamos cá fora e depois de 20 minutos de passeio, achei que era hora de lhe dar a recompensa.

Por um dia sozinho.

Por não ter destruído nada em casa.

Por me ter recebido como se fosse a Beyoncé. Sem a filharada toda e o marido feio...

 

 

Sentei-me num banco a ler o meu livro.

O Vasco entretido com o seu snack.

Parava de comer o seu snack e olhava para mim.

É espetacular ter um cão.

Desde que tenho o Vasco, fiquei muito mais exigente com os homens.

Se alguém disser que gosta de mim mas não me olhar como o Vasco me olha....adeus!

Este nível de adoração é dificil de encontrar. Se não impossível!

É amor. Verdadeiro.

 

 

De repente um ganido.

Pára tudo!

Vasco???

Tiro os olhos do livro.

E só tive tempo de ver. O Vasco em pranto.

Sem alegria, sem vontade de viver....sem snack.

Humilhado.

Muito humilhado. Se pedissem ao Picasso para jogar pictionary não teria sido tão grande a humilhação!

E de repente...

  ... passa diante dos meus olhos o ladrão. Com o snack do Vasco.

O Vasco foi roubado.

O Vasco foi roubado por um pássaro.

 

Um pássaro do tipo....pássaro. 

Daqueles que têm bico, asas e voam...roubou o Vasco.

Mesmo, mesmo ali nas margens do Tamisa.

 

 

E o Vasco?

Chorou o caminho todo até a casa.

Chorou ainda mais.

No meio da cidade. As pessoas com cara de atarefadas paravam. E perguntavam...

- O que se passa com o cão.

- Oh! Foi roubado...

- Roubado? (a cara de: "que raio disse esta maluca???")

- Sim, foi roubado por um pássaro...

- um pássaro??? (a  cara de: "eu devo ser atrasado mental mas não percebi nada da história. O cão foi roubado por um pássaro???")

 

E continuava o meu caminho.

Ao dobrar uma esquina dei de caras com dois polícias que num inglês cerrado me perguntaram se tinha acontecido alguma coisa.

Pelo comportamento do cão devem ter achado que deve ter dado de caras com o estado Islâmico.

Em Londres. Todinhos! Fresquinhos que nem alfaces...

-Ah! Não foi nada. O meu cão foi roubado por um pássaro.

Os dois polícias sorriram. E desejaram-me um resto de um bom dia.

 

  

Com o cão possuído pelo espírito daqueles bebés chorões carecas...que me tentaram impingir quando era criança.

Cheguei ao prédio e dou de caras com um vizinho. Mais perguntas...

-Ah! Eu estava a ler e o Vasco estava a comer e apareceu um pássaro e zumba....roubou o cão...

 

 

Subi as escadas. Não ando de elevador.

Sempre com o cão a chorar.

Parou várias vezes, tal era o sofrimento, a humilhação.

Por um pássaro....foi roubado por um pássaro...

Peguei nele ao colo. Ou isso ou ainda agora lá estava no meio da carpideira....

 

 

  E em casa. Dei-lhe outro.

  E depois outro.

  E mais outro...

  ...quando pediu o quarto disse-lhe que não.

  Chorou....

  ...e eu dei-lhe o meu jantar...

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