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Quiosque da Joana

handmade life

04.12.17

o primeiro Natal do Vasco...

Joana Marques

2014!

Tinha o Vasco desde finais de Abril.

Devido ao seu início de vida atribulado quase nunca o deixava sozinho.

O Natal, nesse ano foi em casa do meu irmão. E o Vasco acompanhou-me.

 

Se acham o Vasco adorável. Na altura ainda era mais.

Ainda tinha ar de bebé. Mas já era muito grande. Não media bem os espaços. Era um trapalhão.

Muitas vezes olhávamos para ele a correr e parecia que não sabia como articular as pernas.

Não travava a tempo. E ia contra tudo. Cómico.

Olhava para nós com um ar:

- Credo! Como é que isto aconteceu?? O que é que se passa com essa cadeira...que apareceu mesmo à minha frente!

De Abril a Dezembro o Vasco foi mais vezes ao veterinário que eu fui ao médico durante a minha vida toda.

O veterinário que fazia parte do meu grupo de voluntariado salvou-o de morte certa.

O Vasco, mesmo assim, faz questão de lhe dizer que não gosta dele desde o início. Sempre que vamos a casa do veterinário (às vezes dá mais jeito) o Vasco faz xixi no tapete da entrada de casa. Sempre!

 

Nesse Natal, o Vasco foi o centro das atenções. Os meus sobrinhos não o largaram. Ou quase...

 

Mal cheguei, a casa do meu irmão, olhei para a mesa de apoio para ver com o que podia contar.

E os meus olhos pararam numa taça grande com um liquido lá dentro.

O meu irmão estudou e trabalhou na Dinamarca.

E trouxe de lá uma receita de uma nhonhoca qualquer parecida com a nossa sangria. Mas para pior...

Sempre que há uma festa em casa do meu irmão, aparece sempre a nhonhoca Dinamarquesa.

Ninguém lhe toca. A não ser o meu irmão que tira com uma concha um bocado daquilo põe num copo, bebe e finge que é bom.

 

Todos num alegre convívio.

A comer.

A cantar.

A contar histórias.

A rir.

Felizes por estarmos juntos.

E de repente, alguém me chama a atenção.

O Vasco está todo estendido no sofá. Com cara alegre. Um ataque de espirros. E tiques esquisitos.

O meu coração explodiu e implodiu ao mesmo tempo...

Eu que nunca tinha sido responsável nem por filhos, nem por animais desta envergadura...achei que tinha falhado. E o cão estava à beira de ir desta para melhor.

 

Fui para o pé dele.

A festa parou.

Toda a gente:

- O que é que aconteceu?

- Já alguma vez fez isto?

- É melhor chamar o veterinário.

- Joana, tens o número?

- Se calhar é melhor chamar o tio José?

- O tio José?? É cardiologista, não é veterinário..

- Sim, mas parece-me muito mal estragar a noite ao veterinário...é noite de Natal?

- E querem ligar ao tio Zé e dizer...podes vir cá?? O cão está escangalhado???

- Ah! Ah! Toda a gente a gozar com a minha sangria e não sobrou nada!!!

 

Por momentos a atenção foi desviada. O Vasco lá continuou com espirros e tremeliques.

Mas era mais credível o Vasco e seus espirros que alguém ter bebido a nhonhoca dinamarquesa...

A taça estava vazia.

- Foste tu que deitaste isso fora e agora estás a fazer-nos acreditar que alguém bebeu isso....não é?

Disse a minha cunhada para o meu irmão. Às vezes as mulheres são muito cruéis para os maridos.

- Claro que não. Juro que não. Está mesmo no fim..

- Foste tu que bebeste tudo?

Disse a minha mãe com um ar reprovador ao meu irmão. Às vezes as mães são muito cruéis para os filhos.

- NÃO! Juro pela minha saúde. Acabei de passar aqui e está no fim...e eu não tenho nada a ver com isso.

 

Alguém olhou para os meu sobrinhos com olhar acusador.

Pobres putos.

Ainda não diziam palavrões mas já tinham enveredado por uma vida ligada ao álcool e quem sabe às drogas.

Gomas nós sabíamos que comiam...oh! não! Seria o nome da moda para ecstasy??

O olhar deles disse tudo. Não tinham sido eles...

 

Até que alguém.....juntou, as peças do puzzle. Por acaso fui eu. Eu sabia quem tinha em casa...

 

 

 

Tive de o levar para casa ao colo.

E subir a escadaria do meu prédio toda com o cão.

Não dormi. Fiquei sempre ao lado dele. Nunca tinha visto um cão bêbado. Sabia lá o que podia acontecer...

...ainda pensei em dar café forte...é o que se vê nas novelas e nos filmes. Mas passou-me a ideia.

 

No dia seguinte.

Liguei ao veterinário. Não acreditou à primeira.

Primeiro caso de embriaguez canina. Que tratou.

Disse-me que provavelmente não teria qualquer efeito.

Verdade.

Quando acordou estava fino e pronto para outra.

 

Um dia destes conto...o que o Vasco fez na sua primeira passagem de ano.

 

22.11.17

as couves de bruxelas...

Joana Marques

Arrumar malas já me custa.

A sério. estou farta. E estou cansada.

Arrumar malas. E arrumar o cão. E as tralhas do cão. E as minhas tralhas.

E chegar a um país novo.

Chove.

Sempre que eu chego está a chover.

Parece-me que é isto que está a falhar a Portugal. Porque onde eu estou, chove.

Chego. E vou buscar a chaves do apartamento que a minha empresa me reservou.

Entro. Deixo as malas. A um canto.

O cão cheira tudo. E vem ter ao pé de mim contente.

Parece-me que está tudo em ordem. O cão está feliz.

O cão deita-se no sofá e dorme.

Abro o saco que tem as tralhas do cão. Tiro a tigela. Encho a tigela de comida. Outra com água.

E vou às compras.

Os holandeses são simpáticos. Muito mais que os noruegueses.

Pergunto a quem passa onde fica o supermercado mais próximo.

E respondem-me. E deixam-me à porta do supermercado. Não vá eu perder-me. E ainda me dão o contacto de whatsapp. Eu não tenho whatsapp. Nem sei bem o que é. Mas finjo que sei...

Entro no supermercado. Preços muito convidativos. Parece-me que muita coisa será bem mais barata que em Portugal.

Muitos produtos para alimentações diferentes. Muitos processados também. O paraíso dos processados.

Vou direta ao que me interessa. Legumes.

E mesmo a olhar para mim. Estão saquinhos de couves de bruxelas. Frescas.

Sou fã. Absoluta de couves de bruxelas. Em Portugal é raro encontrar frescas. Normalmente compro congeladas.

A vida volta a fazer sentido. Couves de bruxelas. Mesmo bom.

Na minha cabeça, planos para as couves de bruxelas.

Saio do supermercado.

Vou para casa.

Entro em casa.

Alguém ressona.

Já me sinto em casa. Já estou meio adaptada. Exceto na cozinha.

Ando à procura de tudo.

Lá encontro o indispensável. Começo a preparar o almoço.

Couves de bruxelas. Obviamente.

Preparo um franguinho. Guisado.

 

As couves de bruxelas ficam prontas.

E ficam a aguardar o frango.

Pressa. Porque ainda quero visitar o meu trabalho. Antes de começar a sério no dia seguinte.

Pego no telefone. Ligo para os meus pais a dizer que cheguei bem.

Volto à cozinha. Vigio o frango. Desligo o fogão. E preparo-me para comer.

E olho.

....as couves de bruxelas desapareceram...

...Em Oslo, em Londres, em Barcelona...ou em Amesterdão.

Continua a desaparecer comida do meu prato. É incrível como algumas tradições nunca mudam...

...a gula continua a ser pecado mortal, senhor Vasco!

 

15.11.17

quem quer fazer parte. Da tribo?

Joana Marques

Como chegou a minha casa muito pequenino e órfão. Ofereci-lhe um coelhinho. E um ursinho.

Era o que tinha de mais fofinho em casa.

Achei que o fizesse sentir mais acompanhado.

Nos primeiros tempos estive sempre com o Vasco.

Depois começou a ir comigo para o trabalho. E não saía de casa sem eles. Ou pelo menos com um deles.

Quando estava em casa, na cama, no sofá da sala, no sofá do terraço ou em qualquer outra parte, não passava sem o urso ou sem o coelho.

Muitos bonecos passaram pelo focinho do cão, só estes sobreviveram.

A maioria das vezes não dorme sem os dois.

E já tive de interromper umas férias no Alentejo porque me esqueci do caneco dos peluches.

Reclamou tanto e chorou tanto que só tive uma alternativa. Voltar a Carcavelos.

 

Por incrível que pareça, o cão protege o urso e o coelho, como se fossem filhos dele.

E por mais que os abocanhe. São trincas amorosas. Nunca os magoa. O urso e o coelho continuam intactos.

Sempre abocanhados. Andam quase sempre pelo chão. E vão ficando sujos...

 

Tenho de lhes pegar. E pôr na máquina.

Lavar o urso. Lavar o coelho.

Secar o urso. Secar o coelho.

Devolver o urso. Devolver o coelho.

 

Pois, isto parece um processo fácil. Não é.

Não sei se adivinha. Mas quando eu quero o urso, o urso desaparece. Quando quero o coelho, o coelho desaparece.

Lá ando eu de rabo para o ar a ver debaixo dos móveis e em todo o lado.

Quando já os tenho nas minhas mãos.

O pai do urso e do coelho, Vasco, fica tresloucado.

Chora. Tenta roubar-me o urso. E o coelho.

Não vale a pena eu colocar o que encontrei primeiro dentro da máquina, porque tenho medo que aconteça alguma coisa de mal ao cão ou à máquina. Ou quem sabe aos dois.

Já aconteceu, num destes dias de lavagem, a máquina perder uma perna. E nunca mais foi a mesma.

Nesta tentativa de assalto, o cão parece que tem 4 mini trampolins nas patas. Tal é o tamanho dos saltos.

E todo o universo corre perigo...

 

Quando tenho sorte. Ponho o urso dentro da máquina. E o coelho.

E o cão fica quase uma hora a olhar para dentro da máquina.

Para se certificar que o urso e o coelho estão lá dentro. E fica a magicar como os pode resgatar...

 

A centrifugação do urso e do coelho é dramática.

- Onde está o urso?

- Onde está o coelho?

- Ali está o urso.

- Não vejo o urso. E não vejo o coelho.

- Está ali o urso. E ali está o coelho.

- Cadê o urso? O urso comeu o coelho!

Isto tudo acompanhado com choradeira de meia noite.

 

Depois da lavagem. Passo dois.

A secagem.

Dentro do secador. Não vê o urso. Nem o coelho.

Eu tenho de ficar tipo segurança de uma discoteca iraquiana.

Ou o cão pode ficar pendurado no secador. E é mauzinho. Ainda encolhe. E encaracola...

Saí de Portugal com um cão mascarado de Golden e é chato regressar com um caniche...

 

Finalmente, Vasco recebe os seus filhotes de volta.

Mas o stress ainda não acabou.

Obviamente que não. Ou não estaríamos a falar do Vasco.

É nesta fase que o urso e o coelho são avascalhados.

Avascalhar. É um verbo novo na língua portuguesa.

Nasceu no dia em que o Vasco decidiu carimbar tudo à sua maneira.

 

Ser avascalhado é requisito necessário para ser da tribo do Vasco.

Eu já fui avascalhada muitas vezes. Porque pertenço à tribo. E por acaso sinto-me bem.

O urso também nunca se queixou. Nem o coelho.

Porque é um avascalhanço. Sim, senhor! Em condições...

É todo um processo. Altamente cientifico. Meticuloso. E detalhado.

Não avascalha quem quer. Só quem pode. E só o Vasco pode!

 

Por aí???

Alguém quer ser avascalhado??

E fazer parte da tribo...

 

13.11.17

ter ou não ter? Eis a questão...

Joana Marques

Quando era pequena queria ter um cão.

Os meus pais sempre me disseram que não.

Éramos 5 em casa. Pai, mãe, eu, o meu irmão e a minha irmã.

Com três filhos havia trabalho de sobra lá em casa. E a minha mãe sempre foi contra.

 

Os meus avós tinham um cão, no Alentejo.

O que eu me divertia com ele.

O cão era já velhote, via mal e um dia foi atropelado. Nunca recuperou. E foi abatido.

Era uma miúda, ainda. Mas perdi um amigo. E demorei a recuperar.

 

Quando fui viver sozinha, com 17 anos, nunca pensei em ter um cão.

Trabalhava como hospedeira. E estudava.

Com horários loucos e muitas ausências, a minha vida era incompatível com a de um animal doméstico.

A minha casa era alugada. E pequena. Outro contra.

 

O Vasco apareceu na minha vida em 2014. E apareceu por acaso.

Até ao momento nunca tinha pensado em ter um cão.

Gosto muito de liberdade. E de não ter amarras. E um cão prende-nos um bocadinho...

A verdade, é que neste momento não consigo imaginar a minha vida sem ele.

Nem consigo dizer-vos em palavras o quanto gosto dele. É assim, muito, muito. Do tamanho do mundo...

 

Como apareceu de surpresa na minha vida. Não tive tempo de ponderar nada. Um dia tinha um cão.

Faria o mesmo se as circunstâncias se repetissem. Mas quem acha que quer um cão deve refletir um bocadinho..

 

 

Ter um cão é ter um monte de responsabilidades.

Nem tudo é um mar de rosas. Muitas vezes fazem asneiras.

Nunca me vou esquecer do dia em que o Vasco à porta do meu prédio, em Carcavelos achou por bem pegar no trolley do carteiro. E fez voar as cartas e encomendas todas pela rua fora.

Ao mesmo tempo que desfazia o pobre trolley. E aterrorizava o carteiro.

É claro que eu não podia virar a cara e dizer que não conhecia o bicho de lado nenhum.

Por momentos, ponderei dar corda aos sapatos e mudar de planeta. Mas não o fiz.

Tive de assumir. Claro!

 

Ter um cão é ter de abdicar de tempo.

O tempo é precioso, todos nós sabemos.

Depois de ter tido um cão, o meu tempo, passou também a ser o tempo dele.

Tempo de o passear. Tempo de tratar dele. Tempo, tempo e tempo...

 

Ter um cão é ter de ter disponibilidade total. Ou então arranjar alternativas.

Sobretudo nas férias. E em alguns fins de semana.

Já existem hotéis de qualidade.

Para isso precisamos de ter alguma folga financeira.

E ver se o bichinho fica lá de forma minimamente confortável. O Vasco detesta. E sofre horrores.

 

Ter um cão é ter alguma disponibilidade financeira.

Pode ser que não. Mas pode acontecer precisar de cuidados médicos. São caros.

A própria alimentação também custa dinheiro.

Pelo menos a do meu que é um cão grande e come tudo o que lhe aparece à frente.

 

Ter um cão é ter de ser forte.

O cão olha para nós com olhos de cão. Todos o fazem.

E pede coisas:

- Dá-me um biscoito. Eu dou.

- Dá-me a perna do frango. Eu dou.

- Dá-me o teu jantar. Eu dou.

- Dá-me um rim. Eu dou.

Uma vez no veterinário, quase perdi a tutela do Vasco.Tinha ele uns 8 meses.

Estava excessivamente pesado. Teve de entrar em dieta. Custou-me mais a mim do que a ele...parece-me.

Tive de aprender a dizer-lhe que não. Ele não fica chateado. Eu fico à beira de um enfarte. Custa tanto, tanto...

 

Ter um cão é ter de ter espaço extra em casa.

O meu é muito espaçoso. E batiza as assoalhadas todas.

Tem sítios preferidos. E que são só dele. Faz o especial favor de tolerar a minha presença. Mas é só! E já chega!

Nunca me vou esquecer, do dia em que o meu chefe passou por minha casa, para me entregar uns documentos. Convidei-o a entrar.

E ele sentou-se no sofá do Vasco.

O sofá do Vasco está cheio de biscoitos que ele vai escondendo, não vá a fábrica dos biscoitos falir e ele ficar sem nada.

O senhor sentado no sofá e o Vasco sempre a olhar para ele. E o senhor a dizer-me:

- Joana, este cão gosta mesmo de mim.

E eu, com suores frios. A prever uma catástrofe. Daquelas em que um cão espatifa o chefe da dona.

 

 

Ter um cão.

É o melhor do mundo. A verdade é essa.

Existe uma lista infindável de argumentos a favor.

E essa lista. Está nesta imagem.

Porque uma imagem vale muito mais do que mil palavras. 💚

 

vasco24.jpg

 

 

07.11.17

o cão tem sempre razão...

Joana Marques

Sábado.

Joana foi convidada por duas colegas para uma caminhada.

Longe de Londres.

Longe.

 

Joana disse que sim. E foi.

Passear no campo é bom.

Joana gosta. Só que em Inglaterra está frio.

Imaginem-se dentro de um frigorífico. Durante um dia inteiro.

É pior. Pelo menos parece.

Joana. É friorenta.

Ninguém lhe diga que tem saudades do frio. Ou podem acabar mal...

 

Joana foi. Sem antes vestir, um roupeiro de roupa.

Estava húmido. O tempo.

E o chão pegajoso. E enlameado.

Havia cogumelos.

Muitos cogumelos.

As colegas começaram a apanhar cogumelos.

E Joana. Achou boa ideia.

E apanhou também.

Cogumelos. Cogumelos. Cogumelos.

 

Tanto cogumelo. Dava construir uma cidade inteira e oferece-la aos Estrunfes.

Podia ser uma espécie de Estrunfolândia. Cheia de indivíduos azuis.

Sorry!

Smurfs. Agora diz-se smurfs.

Smurdolândia.

No tempo da Joana era Estrunfes. E a rapariga era a Estrunfina.

Adiante.

 

Joana chegou a casa alegremente. Com um sacalhão cheio de cogumelos.

Joana. Fez planos.

 

Meus amigos.

Joana tinha planos.

O plano A.

O B.

O alfabeto inteiro.

K, y e w incluídos.

 

Só que a Joana olhou para os cogumelos. De lado.

Joana cheirou os cogumelos.

E Joana estremeceu.

- E se forem venenosos.

 

Joana não estava preparada para morrer.

Joana quer voltar a Alvalade. Cheio de indivíduos verdes.

Joana quer ver mais uma vez, pelo menos.

O Sporting campeão. E Bas Dost no coração.

Joana deitou os cogumelos no lixo.

 

Domingo de manhã foi acordada. Violentamente.

Vestiu-se para ir correr. E qual não foi o espanto.

Vasco. Também quis ir.

 

O cheiro alertou a Joana.

O mau cheiro.

Pronto. 

O pior cheiro que já cheirou na vida.

 

E quando voltou a casa, verificou que pela calada da noite.

Alguém assaltou o caixote do lixo.

Só os cogumelos desapareceram.

 

                Moral da história:

vasco2.png

                        Os cogumelos não eram venenosos!

                          O cão tem sempre razão!

                        (segundo o veterinário do Vasco, o cão consegue identificar, os cogumelos venenosos.

                                Se fossem, não os comia)

 

30.10.17

fim de semana. Com o Vasco...

Joana Marques

Acordei cedo, cedo. No sábado.

Tinha tanta coisa para fazer.

Fui correr. Tomei banho.

Fui passear o cão.

Sentei-me e despachei coisas do trabalho.

Fui às compras. Arrumei tudo.

Fui passear o cão.

Fiz o almoço. E mais 10 refeições que me vão dar para uma boa parte da semana.

Congelei algumas.

Almocei.

E fiz-me à estrada.

 

A vizinha do meu chefe, a dona Albertina, tinha-me convidado para almoçar. Em casa da filha. Fora de Londres.

Recusei. Porque achei que era demasiado. Mas disse-lhe que lhe fazia uma visita à tarde.

Duas horas e meio de caminho depois, cheguei. Eu e o Vasco.

Abençoado GPS. Ou ainda agora estaria à procura da casa.

 

Fica no campo. A casa é pequena mas o terreno envolvente é enorme.

Os olhos do Vasco brilharam. De felicidade.

Um campo. A perder de vista. Para correr.

A filha da dona Albertina é professora primária. O genro. Inglês. É militar.

Herdaram a casa. O padrinho do genro. Deixou-lha em testamento.

 

Disseram-me logo para ficar descansada. Para soltar o Vasco. Porque o terreno estava todo murado. E ele, cão da cidade precisava de desentorpecer as pernas.

Entrei para casa, com eles.

Deixei o Vasco solto. Cá fora.

A porta de casa ficou aberta. Para o Vasco poder entrar, se quisesse.

Era uma típica casa de campo. Daquelas todo o terreno. Confortável. E feita para se viver lá dentro.

Muito simpáticos. Numa conversa meio bipolar lá nos fomos entendendo.

Eu a falar português com a Albertina. A Albertina a falar português comigo e com a filha. A filha a falar inglês com o marido e português com a mãe.

E inglês com as duas filhas gémeas.

Chá. Conversa boa. Muitas gargalhadas. Especialmente com as gémeas que têm 4 anos. E são maravilhosas.

Só que...

Eu, Joana. Estava à beira de uma embolia pulmonar.

O jardim deles em frente da casa. Lindo e bem tratado. Fazia temer o pior.

Lá fora. Estava a arma mais mortífera que um jardim pode ter. O Vasco.

Só um ruído que fosse.

E tenho a certeza que um coágulo. Se soltaria do dedo pequenino do pé. E voaria até ao meu pulmão..e záaaaas...

 

O que se passou a seguir. Prova. Que anos de sofrimento Sportinguista fizeram de mim uma mulher extremamente forte.

Primeiro ouvi um queixume do Vasco. E depois.

Ouvi um barulho à entrada de casa.

Levantei-me de imediato. Pensei no pior.

 

- Espremeu-se na lama. E vai sujar a casa da senhora.

- Encontrou a porta para o estrume de cavalo. E vai sujar a casa da senhora.

-Cheirou-lhe a comer e vai atacar a cozinha sem dó nem piedade.

Olhei para a porta mas não era o Vasco.

 

Era a Angélica.

Angélica, a cabra.

cabra.jpg

Ao fundo, estava o Vasco. Todo contorcido. Todo ele era lamuria.

Já tinha dado a sua volta.

Queria voltar para o pé de mim.

Mas algo o impedia.

Angélica, a cabra.

Cheio de medo de um bicho feroz. Vasco. Estava sem coragem de passar perto da cabra.

Uma cabra velha. Estrábica. E domesticada.

Tive de o ir buscar ao colo.

E fomos embora.

No caminho nem se ouviu. Esteve sempre encolhido no banco de trás do carro.

A Albertina já me ligou a perguntar pelo Vasco.

A filha da Albertina também me ligou por causa do Vasco.

Acham que é algo grave. Não é possível, um cão do tamanho do Vasco ter medo de uma cabra...

Para elas, no  mínimo, o cão, deve estar à beira de enfartar.

Não acreditam. Que é desparafusamento sério. Daqueles que só Vasco tem.

 

Depois de ter estado frente a frente com a aranha kardashian. Saiu-lhe na rifa a cabra Angélica.

Já está bom.

Já voltou ao mesmo.

Depois de uma noite bem dormida. Já voltou a sorrir!

 

23.10.17

dias cinzentões....

Joana Marques

Os dias têm sido cinzentos. Cinzentões...

Por várias razões.

O tempo em primeiro lugar. Mas sobretudo em mim.

Todos os dias me interrogo se é este o caminho que quero.

Se não estarei a desperdiçar anos de vida a trabalhar assim. Ou fora do país...

Mas será que Portugal tem respostas para me dar.

Provavelmente sou eu que as tenho de encontrar. Independentemente do país onde esteja.

Será que não deveria pensar em assentar. Ter uma família. E uma vida rotineira.

Será que estou a deprimir por causa do tempo?

Da língua que não é a minha?

De um trabalho a mil.

Ou são dias. Que passam. E um dia. Está tudo bem.

 

 

Estou em Londres. O Vasco já está comigo.

Tinha ficado em Oslo. Mesmo roubando o arroz de pato. Estava infeliz. Fui buscá-lo o fim de semana passado.

Tem estado com um humor pior que o meu.

Faz de propósito. Sempre que estou em baixo. E o assunto não é verdadeiramente grave, age como se fosse um pirralho mal comportado e embirrento.

Ontem, foi trabalhar comigo.

Saímos pela tarde. Só me apetecia chegar a casa. E fechar-me a 7 chaves.

Pediu para ir a um parque.

Lá fui.

Pobre cão. Um dia no escritório. Bem merecia.

 

O caneco do cão.

Pavoneou-se todo na erva.

Pavoneou-se nos charcos de água.

Pavoneou-se na lama.

Pavoneou-se numa trampa qualquer que eu não consegui identificar.

Seria bosta de cão? De cavalo? De camelo? Ou de unicórnio???

Nem Deus sabe...mas fica a pergunta...

 

Só sei que saí daquele parque.

Com um monte de cocó, puxado por uma trela.

Abram alas...para o cocó em andamento.

O cheiro....ó senhores. O cheiro....

Parecia que transportava ao meu lado uma bomba de mau cheiro. De 30 kg!

Esta sim, é a mãe de todas as bombas. A mãe, o pai, a madrinha e o padrinho...

 

E lá fui eu. E o cão.

Passado um bocado. Também eu estava em modo bomba de mau cheiro.

Toda eu, era lama, trampa, sujidade....

Cabelo, casaco....sapatos.

 

Subi as escadas. Muitas. Até a casa.

E quando chegámos a casa.

Só não respirei de alivio. Porque o cheiro era tão mau. Que respirar era algo.....complicado.

Pois, Sr. Vasco. Deitou-se.

Chamei-o para lhe dar banho.

Uma vez, duas vezes, três vezes....nada. Quietinho. Deitadinho. Em modo trufa de chocolate versão trampa 2017.

O pior. É que a casa já tinha também.

Desde o chão aos interruptores.

Tudo estava contaminado.

Ainda pensei que um de nós estivesse com um desarranjo intestinal. Mas não. Só andávamos a semear....aquilo que trouxemos de fora.

 

Ganhei coragem. Peguei ao colo no cão.

Trinta kg. Dentro da banheira.

Reclamação.

- Cuidado com o choque térmico. Sou um cão sensível.

 

Chuveiro.

Reclamação.

-Cuidado com a água nas orelhas. Tenho tendência a ter otites.

 

Champô.

Reclamação.

- Hey!! Cuidado com os meus olhos. Isso arde...

 

 

Muito chuveiro.

- Cuidado. Queres afogar-me...por nada...

Sequei-o.

Fechei-o na sala.

Reclamação. Choro.

- Mas eu fiz alguma coisa de mal para ficar aqui fechado.

Reclamação.

- Ai! Tenho fome. JOOOOOOOOOOAAAAAAAANA! Queres matar-me à fome???

 

Saí para limpar o rasto deixado no prédio.

Limpei a casa toda.

E tratei de mim.

O meu casaquinho de tweed completamente arruinado.

Não tive coragem de o mandar limpar fora. Demasiado cocó.

Lavei-o, eu. Não se safa.

 

E é assim. Não sei porque faz isto. Mas sempre que estou em baixo tem ideias destas.

Algumas envolvem cocó...

 

Bad day...ou talvez não.

Estou lavada em lágrimas.

Escrever este post.

Fez-me chorar a rir....

 

Joana Marques

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