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Quiosque da Joana

handmade life

Quiosque da Joana

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26
Dez16

um minuto de cada vez...

Joana Marques

...levantar, correr, ir trabalhar, comer...funcionar...de alguma maneira..

 

No dia 22, depois de almoço recebo uma chamada.

Uma chamada que já esperava há muito tempo.

Era inevitável, mais dia menos dia.

Todos os dias tinha medo de atender o telefone.

Sempre que ouvia o telefone tocar ficava com medo...quinta-feira foi o dia.

A Catarina morreu.

 

Estava em Barcelona.

Os meus pais.

O meu irmão, cunhada e sobrinho, também.

Tentei arranjar voo para Lisboa o mais rápido possível.

Não consegui.

Consegui um voo para o Porto.

Fui para o Porto, aluguei um carro e vim até Lisboa.

Cheguei tarde.

Passei pelo velório.

Dormi em casa de uma amiga.

Dia 23.

Fui ao funeral.

Em choque, eu e todos os que lá estávamos.

Que desperdício tão grande.

A vida é tão injusta.

 

Ainda passei pelo meu trabalho.

Precisava de estar com pessoas que gosto.

De as abraçar.

 

Tentei arranjar voo para Barcelona, Madrid..qualquer cidade espanhola.

Não consegui.

Vésperas de Natal.

Tinha duas opções ou esperava pela manhã de dia 24 e por um milagre, ou melhor por um lugar vago num avião, ou fazia-me à estrada e ia para Barcelona de carro.

Esta última opção não me entusiasmava minimamente.

Estava cansada, tinha fome mas não conseguia comer, estava dorida.

Apetecia-me deitar e acordar no ano 3000.

Esperei.

Comecei a achar que devia esperar pelo sábado.

Por outro lado pensava nos meus pais, irmão, cunhada e sobrinhos.

Saíram de Portugal para me fazer companhia no Natal e eu podia não estar presente.

 

Achei que não devia ser eu a decidir.

Devia ser o universo, o destino...qualquer entidade menos eu.

Deviam ser umas seis da tarde enviei uma mensagem com votos de Feliz Natal a uma pessoa.

Achei que me ia responder logo.

Achei que pudéssemos falar e combinar um jantar.

Fiz o filme todo na minha cabeça se ele estivesse livre jantávamos e eu tentava ir sábado de manhã.

Se ele não estivesse livre pegava no carro e ia até Barcelona.

É claro que quando fazemos planos existe uma forte probabilidade de saírem furados.

Ele não me respondeu.

Pensei: espero cinco minutos e vou.

Esperei meia hora.

 

E fui.

Disse aos meus pais que só ia de manhã para não ficarem preocupados.

E fui.

Uma viagem sem fim.

Parei no caminho durante uma hora para descansar.

Já tinha resposta à mensagem enviada.

Chorei a maior parte do caminho.

Devo ter esgotado as lágrimas que tinha para esta e a próxima vida.

Cheguei.

Nem sei bem as horas.

Ainda descansei.

Funcionei como uma pessoa normal dia 24 e dia 25.

Não sei como consegui mas fiz um esforço grande.

Devia isso à minha família, principalmente aos meus sobrinhos que são crianças e precisam de ter boas memórias do que é o Natal.

 

A partir de agora é mais difícil.

Estou sozinha.

A vida é assim.

Como se costuma dizer o que não nos mata torna-nos mais fortes.

Neste momento nem sequer quero ser forte....

....um minuto de cada vez, pode ser?

 

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