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Quiosque da Joana

22.06.18

de todas as formas possíveis. Para melhor...

Joana Marques

Depois da aventura e desventura que foi o reencontro com o Vasco, seguiu-se o reencontro com a Alice.

Os meus pais e o meu sobrinho já tinham voltado para Lisboa.

E eu fiquei à espera que ela acordasse.

Com o cão deitado nos meus pés. 

 

Acordou. A minha rica filha.

Olhou para mim.

Fez um sorriso do tamanho do mundo.

Tirei-a da cama.

Abracei-a.

O Pedro pegou nela. Falou com ela.

Riu-se para ele.

E pediu para a pôr no chão. A vida dela não é esta. Há muito para fazer quando está acordada.

Ficou a olhar para nós.

E de repente.

Passou-se....

...começou a ralhar connosco.

Em alicês! Um tipo de idioma que só ela domina...

Estou desconfiada que o Vasco também percebe qualquer coisa mas não tem doutoramento como ela.

 

- Olha, acho que ela está a dar-nos um raspanete! Disse o Pedro.

 

Nunca me senti tão pequenina como naquele momento.

Eu, Joana...

...cresci a ouvir raspanetes da minha mãe e do meu pai. Muito mais da minha mãe do que do meu pai.

A verdade é que os que a minha mãe me dava nem chegavam a entrar no canal auditivo.

Os do meu pai eram mais levados em conta, ainda assim não faziam grande mossa na minha auto-estima ou na minha maneira de atuar.

Se era para ser um avião...eu era um avião e atirava-me da cerejeira que estava em frente à casa da minha avó. 

 

Ontem. 

O meu coração quase parou.

Alice furiosa da vida. Possuída pelo espírito daquela senhora, vestida de cor de rosa, que dá as notícias na Coreia do Norte.

Um dedo apontado para nós. Refilou, refilou, refilou....

Vociferou.

Gesticulou.

Resmungou. Acho que nos chamou nomes e tudo.

 

 

Parou o sermão.

Olhou para nós.

Foi à vidinha dela. 

Chamei-a para lanchar. Deixou-se apanhar.

Estrafeguei-a. 

Ela, generosa, lá me perdoou.

Depois do lanche estivemos os 4 a brincar.

O Vasco sempre a desconversar. A roubar meias, brinquedos e a distribuir lambidelas pelos presentes.

A Alice a rir-se com a cara toda. A dar beijinhos quando lhe pedia...

Eu a olhar para aqueles 80 cm de gente.

 

Mudou a minha vida!

De todas as formas possíveis.

Para melhor, para melhor....

 

 

21.06.18

Pedro, bem-vindo à minha família!

Joana Marques

O dia do casamento passou a correr. Quase não dei conta.

Tenho uma ideia que casei mas parece um sonho qualquer que tive durante a noite.

Terminou, domingo, pelas duas e tal da manhã.

 

Foi à hora que eu e o Pedro saímos rumo a Lisboa.

Ficámos em casa do Pedro.

Daí a umas horas estávamos a apanhar o avião para Cabo-Verde.

 

Cabo-Verde é Cabo-Verde. 

Joana e Pedro.

Pedro e Joana.

Fomos muito felizes em Cabo-Verde.

Ponderámos ficar lá para sempre.

Numa barraquinha na praia. 

Ai, o amor e uma cabana. 

Sol. Mar. E alguém para amar.

É tão boa a vida simples.

 

De Portugal as notícias eram assim assim.

Os meus pais ficaram com a Alice e com o Vasco, no Alentejo.

O meu sobrinho Pedro estava com eles.

Os exames na faculdade só começam para a semana e aproveitou para relaxar e sair do reboliço de Lisboa.

- A Alice fala muito na mamã, até quando está a brincar, fica tristonha mas é fácil de animar. O Vasco não...

 

O Vasco comeu que se fartou durante o casamento.

O meu pai é um alvo muito fácil. Basta um olhar do Vasco. Não é preciso ser muito esmerado. Só um olhar....

E o meu pai dá tudo....o que tem e o que não tem.

Se for preciso põe os rins no prego. 

Hipoteca os pulmões.

Vende o fígado.

E oferece-lhe o coração.

O Vasco comeu que se fartou e depois eu fui-me embora.

E o Vasco hibernou.

Primeiro foi para a minha cama.

Depois fez um ninho no sofá da salinha de cima.

Desviou as almofadas do sofá e aí ficou com uma parte das almofadas por cima dele e a tábua que divide o sofá do sofá-cama.

Os meus pais recorreram a tudo e a todos.

O meu sobrinho Pedro bem tentou.

A Alice apareceu para fazer festinhas.

O frango assado espreitou e disse:

- Olá, Vasco!

Nada resultou. O cão cheio de comida assim ficou.

 

Chegámos hoje de manhã. 

Seis e meia. Aterrámos em Lisboa.

Ainda com a pele a cheirar a sol. E o cabelo a cheirar a mar.

A inspirar corações.

A expirar corações

A respirar amor.

A saber que o que nos espera é bom. Mas com uma certa pena de deixar Cabo-Verde. E a vida a dois.

Ainda ficámos um tempo por Lisboa.

A namorar. E a passear à chuva...

A dizer um ao outro.

- Que sorte que eu tive!

 

A realidade chamou-nos e tivemos de rumar até ao Alentejo.

Fomos a viagem toda a 50 km/hora.

Chama-se fazer render o peixe.

 

E chegámos ao caminho que vai dar ao monte.

Por essa altura. Em minha casa. 

Um cão emergiu do ninho. 

Atirou as almofadas ao ar.

O sofá saiu do sitio. E bateu numa porta de vidro de um móvel. Estalou.

- Será a Joana e o Pedro?

 

Sim. Era a Joana e o Pedro.

O carro deu a curva. E em casa. Pela janela da salinha já se via o carro.

O cão disparado. Desceu as escadas.

E derrapou no chão de madeira do corredor.

O meu sobrinho abriu-lhe a porta. Mas como demorou 15 segundos.

Levou com uma rosnadela. 

Que lhe fez mirrar os rins.

- Sai da minha frente, ó miúdo...

 

O cão estava cá fora.

Socorro. O cão estava cá fora.

Deus nos acuda.

O meu pai foi até ao portão para o abrir.

E o cão não viu portão.

Não viu João.

Não viu nada.

Fez-se à estrada.

 

- Joaninha? Aquele não é o Vasco?

Á nossa frente.

Apareceu um cão. Que mais parecia um leão.

A ladrar de contentamento.

A levantar pó por todos os lados.

- É melhor parares o carro. Antes que ele se atire contra o carro.

Comecei a temer que o Vasco se atirasse ao carro e se aleijasse à séria.

Saí do carro.

E desvairado.

Atirou-se contra mim. Ficou ao meu colo.

 

Ó senhores que estão neste momento a ler o Quiosque.

Num momento...

..... uma pessoa ainda se sente em lua de mel.

Só amor.

Boa vida.

Sentimentos bonitos.

No momento seguinte tem um cão de uma tonelada e meia ao colo.....

...e tem uma sensação de calor a correr pernas abaixo. Calor e humidade ao mesmo tempo.

O homem dentro do carro a rir-se às gargalhadas.....

....eu percebi que o cão fez xixi para cima de mim.

 

O Pedro continuou e estacionou o carro.

E eu apareci ao longe. Com um cão ao colo. 

As minhas sapatilhas faziam:

Chap. Chap. Chap.

 

Vi a minha mãe. O meu pai. E o meu sobrinho. A Alice estava a dormir.

O cão saiu finalmente do meu colo.

E continuou aos pulos. Radiante da vida.

- A Joana voltou. A Joana voltou. A Joana voltou.

 

Cumprimentei como consegui a minha família. 

Estava coberta de xixi, o que tornou os cumprimentos pouco apetecíveis. Para eles...

E...

.....o Vasco quase não deixou. Sou dele e de mais ninguém...

- Ninguém toca na Joana! NINGUÉM TOCA NA JOANA! SAI DAQUI! NINGUÉM TOCA NA JOANA!

 

Depois de festas, festinhas e mais festinhas. O Vasco foi acalmando.

Nunca saiu do pé de mim.

Nunca confiando na Joana! Nunca!

 

 

Antes de entrar em casa. E correr para a banheira...

...aproveitámos para conversar e contar as novidades uns aos outros. E rir do meu banho de xixi....

O cão estava deitado em cima dos meus pés. 

O meu sobrinho tinha acordado tarde e não tinha almoçado com os meus pais.

Estava a comer um hambúrguer no pão.

E de repente....

....uma precisão que envergonha o melhor cirurgião de rins à face da terra.

O cão saltou.

Uma fração de segundos.

Um salto preciso.

Uma boca aberta na conta certa.

E era uma vez hambúrguer. E pão. E alface. E tomate.

Afastou-se ligeiramente. E comeu calmamente o repasto roubado.

Ladrão que é ladrão. Rouba naturalmente e ainda olha para os outros com um ar de:

- O que é que estão a olhar?? Eu posso! Sim?

 

Nós. Os cinco. 

De boca aberta.

Pela lata do cão.

Pela precisão.

Pela perícia.

Este cão no cirque du soleil e eu não precisava de trabalhar mais na vida.

 

 

Voltou. 

Como se nada fosse.

Olhou para mim.

E pumba....

....mais uma vez.

Sem dar conta. Sem aviso prévio tinha o cão ao colo.

Feliz, feliz por me ver.

Passou-me uma lambidela desde o nariz até à orelha.

E o Pedro veio em meu socorro.

Não devia. Mas veio....

 

Imaginem que o intestino grosso teve um filho com o intestino delgado.

O que se seguiu não foi bonito.

Toda a comida armazenada desde sábado à noite.

Viu a luz do dia.

O cão explodiu....

...os meus pais fugiram. O meu sobrinho fugiu. Eu tinha o cão ao colo. E o Pedro estava agarrado ao cão.

E como se não bastasse. O hambúrguer acabado de comer também viu a luz do dia.

Vamos lá ver.

Xixi. Rins! Andam de braço dado todos os dias...

Cocó....está muito para além do campeonato do Pedro...

Temi pelo meu casamento...

 

 

O meu pai lavou o Vasco à mangueirada.

O meu pai lavou-nos, a nós, à mangueirada. 

A roupa foi para o lixo.

Tomámos banho.

Voltámos lavadinhos, lavadinhos. Sem vestigios de explosão canina....

O Vasco também, lavadinho e cheiroso...e mais calmo. Muito mais calmo...

Nem conseguimos olhar um para outro sem chorar a rir....

O Pedro sempre teve cães em casa dos pais e nunca, nunca lhe aconteceu nada parecido.

 

Pedro,

é assim...que os Marques H. R. recebem....

Nem nos teus sonhos mais selvagens!

Imaginarias!

.......que irias passar por esta praxe!

 

Pedro,

....bem-vindo à minha família!

 

 

14.06.18

lembrete

Joana Marques

 

If you love,

love completely,

cherish it,

say it,

but most importantly, show it.

 

Life is finite and fragile,

and just because something is there one day,

it might not be the next.

Never take that for granted.

Say what you need to say, then say a little more.
Say too much.

Show too much.

Love too much.

Everything is temporary but love.
Love outlives us all.”

 

R. Queen

 

10.06.18

nas bocas do mundo ...#31

Joana Marques

Fui surpreendida por este post.

Eu, o Pedro, a Alice e o Vasco...iguais.

Devíamos arranjar um topo de bolo assim....

Obrigada, Mimi...

 

Agradeço a todos os que por aqui têm passado e deixado comentários.

Está tudo a correr bem.

 

A Alice está numa fase maravilhosa.

A minha filha é a melhor do mundo. Diz esta mãe babada...

Adaptou-se muito bem à nova casa.

O Vasco também. O sofá do terraço é dele. O sofá da sala também. E o do escritório....

 

Roubou uma peúga e pôs Carcavelos em alvoroço.

Levámos o senhor Ludovino a um restaurante Cantonês e quase nos fez rebentar a veia....renal.

Eu e o Pedro. O Pedro e eu.

 

Está tudo pronto para o grande dia. Faça chuva ou faça sol.

No Alentejo. Ao pôr do sol. 

28.05.18

de uma quiosquiana chamada Joana...

Joana Marques

Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.

Luís de Camões

 

Faz hoje 22 meses que comecei o blog.

Foram tão bons estes meses.

Mas a vida muda. As prioridades também.

E o tempo, nem sempre colabora....

 

Não é um adeus definitivo.

É um até já.

Até um dia destes.

Aqui.

Provavelmente aqui. Onde mais poderia ser?

Não há casa melhor do que esta. E nunca haverá.

Um beijo para todos.

De uma quiosquiana chamada Joana.

 

27.05.18

Alice, onde está o teu dói dói?

Joana Marques

O Pedro trabalhou ontem.

Saiu às 16h.

Por milagre saiu mesmo a horas. Quando chegou ainda tivemos tempo de dar uma volta por Cascais.

Pegámos em nós. Na Alice. E no cão.

Todos felizes. Excepto o cão. Preguiçoso.

Quando percebeu que íamos passear. Sem ser a volta ao quarteirão habitual. Quase enfartou.

Parecia que lhe estavam a tirar um rim pelo umbigo.

 

Aterrámos no Parque Marechal Carmona. Sentados na relva. Eu e o Pedro.

A Alice a aproveitar a relva. Para andar. Rebolar. Passear a sua boneca. E dar pontapés a uma bola...

#temosronalda!

O Vasco. A dormir. A dormitar. A espreguiçar-se. A dormir outra vez.

A ressonar. A acordar mais bem disposto. A focinhar o saco do lanche. E a ter sorte....

 

Saímos do parque. Descemos até perto da praia dos pescadores.

Tínhamos o carrinho da Alice mas deixámos que fosse pelo próprio pé uma parte do caminho.

Estávamos mesmo em frente ao hotel Baía. A Alice viu um pombo. E desatou a correr atrás dele.

Assim de repente.

Eu que ando com 234000 olhos na miúda. Quando dei conta, estava estatelada no chão.

Tirem-me os rins. Pelo nariz.

Tirem-me os pulmões aos bocadinhos.

Façam o meu fígado de cebolada.

Tudo junto e ao mesmo tempo.

Tenho a certeza que não dói tanto, como doeu, aquele segundo em que vi a miúda caída no chão.

 

Mal caiu. Levantou-se logo. Sem grande alarido. A miúda é rija...

Virou-se para nós a apontar para o pombo que já tinha voado dali para fora.

Pareceu-me mais abananada pelo pombo que pela queda.

O joelho. Aquele joelhinho tão perfeitinho. Esfolado.

 

Do outro lado. Estava a mãe. Eu.

Que me atirei em pranto à miúda.

As lágrimas a correrem cara abaixo.

A tentar respirar, sem conseguir.

 

A Alice só chorou. Porque me viu chorar.

Assustou-se com o meu desvario todo.

...sim, eu sei. Sou uma mãe e peras....

 

Voltámos para casa. A Alice foi ao colo do Pedro. Sem qualquer tipo de queixas.

O Vasco foi ao meu lado. Porque deve ter percebido que eu não estava mesmo bem.

Este cão é um amigalhaço que eu tenho. Dos melhores amigalhaços que podia ter arranjado.

 

Chegámos a  casa, o Pedro tratou do joelho da Alice.

Disse-me para eu ficar na sala, ele tratava do resto.

Fiquei na sala. Com o Vasco a consolar-me.

Focinho no meu colo a dizer...

- Não me importo que sejas parva. Gosto de ti e pronto...

 

A Alice não chorou com o curativo.

O Pedro achou por bem não colocar nenhum penso, diz que é superficial e que cura mais depressa assim.

O Pedro apareceu na sala com a Alice ao colo. Sorridentes. Os dois.

Eu estava à beira de um enfarte, uma embolia, um avc e uma paragem cardíaca.

Tudo junto, ao mesmo tempo.

 

A Alice pediu para ir para o chão e foi a correr brincar com a cozinha dela.

Voltou à sua vidinha normal...

Eu chorei que nem uma parva. Mais uma vez.

O Pedro, com muita calma e muito querido, disse-me o óbvio.

- Vai acontecer muitas vezes. É mesmo assim...

- Eu sei. O problema é esse mesmo. Cada vez que acontecer vou morrer um bocadinho. Como é que os meus pais conseguiram?

 

Hoje.

Acordou bem disposta. Sem se queixar do joelho, claro!

A única queixosa sou eu....

E...

..... quando o Pedro lhe perguntou.

- Alice, onde está o teu dói dói?

A miúda. Apontou para mim....

 

 

 

23.05.18

trabalho de equipa...

Joana Marques

O Vasco sabe abrir armários.

Abre.

Mas nunca os fecha.

 

A Alice adora armários abertos.

Diverte-se a tirar tudo cá para fora.

Ontem apanhou aberto um armário onde costumo arrumar os sapatos.

Tirou um sapato. Tirou o outro. E mais outro.

Eu bem vi mas deixei estar.

- Diverte-te Alice!

Tive uma ideia.

 

O Vasco abre armários.

A Alice tira tudo o que lá está dentro.

E eu. Só tenho de ir buscar uma caixa.

Arrumar tudo lá dentro.

E deixar em Carcavelos.

Pena é que chegada a Carcavelos, a caixa não se arruma sozinha.

Também não se pode querer tudo...

 

Estamos de partida de Cascais.

Para Carcavelos.

Lar doce lar!

Finalmente. Vou voltar para casa....

.....

 

 

22.05.18

nas bocas do mundo...#30

Joana Marques

Foi ontem...

Acho que foi ontem...

A minha vida anda tão corrida que perdi a noção do tempo. Dos dias. E das horas. Às vezes, nem sei em que ano estou.

Mas....

....tenho quase a certeza que foi ontem.

Tive esta surpresa.

Apareceu por aqui uma notificação. Do blog da equipa do Sapo.

A Carolina respondeu às perguntas da equipa e referiu o Quiosque como espaço que costuma visitar.

Obrigada, Carolina!

Fui apanhada de surpresa.

Completamente....

Foi ontem, não foi?

 

Também eu costumo visitar o blog da Carolina.

Não costumo comentar porque comento muito pouco. Mas sou assídua.

Comecei a ler o blog dela por uma razão meia parva....

....adoro o nome Carolina. Tão simples quanto isso.

Posso estar enganada mas acho que leio todos os blogs das várias Carolinas que por aqui andam pelo Sapo.

Visito a primeira vez pelo nome. Fico se gosto do blog.

Se ainda não conhecem. Visitem o espaço da Carol!

Vale muito a pena.

 

21.05.18

Urgente. Comprar um detetor de incêndio...

Joana Marques

Mudei.

Desde que me apaixonei pelo Pedro.

Se neste dia deixei queimar a lasanha. E podíamos qualificar tal, como um acidente. Coisas que acontecem.

Se vos disser que desde esse dia já aconteceu mais 3 vezes.

Ainda hoje deixei queimar a quinoa que tinha para o jantar.

Ando distraída. Desconcentrada. E no mundo da lua.

 

Não é só na comida que eu tenho feito estragos.

Já queimei uma toalha de mesa que estava a passar a ferro.

Porque a meio da tarefa. Fui buscar o telemóvel. E pus-me a ver a primeira foto que tirámos juntos.

E depois as fotos de Dublin. E do Alentejo.

E depois fumo. E não era fumo branco.

Cheiro a queimado. E pumba. A toalha estava queimada....

 

Ainda hoje de manhã. Num skype com o chefe do chefe do meu chefe.

Ele comentou.

- Estás a rir.... Estás com uma cara tão bem disposta.

Caí em mim. Não estava a ouvir nada do que o senhor me estava a dizer.

Nada. Nadica. De nada.

O homem a falar. A falar. A falar. E eu feita tonta a rir-me do que o Pedro me tinha dito de manhã quando saiu para o trabalho.

 

O sorriso parvo. Dura o dia todo.

Estou desconfiada que mesmo a dormir devo estar a sorrir.

Podem dizer os maiores impropérios de sempre.

Eu continuo a sorrir. E a ver o mundo cor de rosa.

Hoje almocei com umas amigas. E quando reparei.

Estava completamente a leste da conversa.

A conversa tomou um rumo inesperado.

Um assunto chato. Relacionado com o trabalho de uma outra amiga.

E eu....

....sorria. A pensar no homem.

 

 

Dou por mim. A olhar para o homem.

Gosto de o ver com a Alice.

Gosto de o ver comer.

Gosto de olhar para ele quando ele não sabe que estou a olhar para ele.

E gosto de olhar outra vez. E perceber a sorte que tive de um dia o ter encontrado.

Gosto de ficar à janela a vê-lo passear o Vasco.

Gosto de o ver dormir.

De noite.

Acordo e certifico-me se está a respirar.

É uma pessoa muito tranquila. E só estou verdadeiramente bem se ele estiver no mesmo tecto que eu.

Quando ele faz noite. É um verdadeiro suplicio para mim. Pensar.

No homem. Sozinho. Rodeado de rins por todos os lados. Ó vida!

 

Coro. Como nunca corei na minha vida.

E toda a gente sabe. Uma sportinguista não cora. Ou não deve. Ter a cara com as cores da concorrência não é bonito.

Eu coro. Como gente grande. Ou gente miúda.

Coro. À grande.

Quando ele olha para mim. Coro. Como um pimento vermelho. Maduro.

Quando ele me elogia. Coro. Tenho a sensação que a minha cara vai incendiar a qualquer momento.

Quando ele sorri. Consigo sentir uma verdadeira tempestade. A aproximar-se.

Raios e coriscos. Me valham....

A Galp e a BP estão já a entrar em ação. Um dia destes vai sair uma circular que me vai impedir de frequentar bombas de gasolina. O risco de incêndio é grande. E uma realidade.

 

E as pernas bambas. Tipo gelatina. Já alguém sentiu??

Ou comecei a ter osteoporose precoce.

Da perna partida não pode ser. Porque acontece nas duas.

É do Pedro. E da presença dele.

Tem a mania de me dar mão. Ou de pôr o braço à minha volta.

E isso dá cabo da minha estabilidade psicomotora.

 

A respiração ofegante.

Estou desconfiada que não é asma.

É Pedro.

Mal o homem se chega perto de mim e a taquicardia começa.

E não só.

A respiração fica muito mais acelerada.

Só me recordo de uma situação pior que esta.

Tinha 7 anos.

Tive um principio de pneumonia e tinha tanta falta de ar.

O meu pai embrulhou-me num cobertor e levou-me à pressa para o hospital.

 

Não sendo igual. É semelhante.

Também agora apanhei um vírus.

Que tomou conta de mim. E me apanhou de surpresa.

A diferença é que não me quero ver livre dele.

Se não me quero ver livre dele.

Vou continuar a incendiar toalhas de mesa. Lasanhas. E quinoa.

E a corar.

Risco de incêndio elevadíssimo. Tal e qual as acendalhas no verão.

 

Devia.

Pensar.

Seriamente.

Em adquirir. Com urgência.

Um detector de incêndio aqui para casa.

 

Joana Marques

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