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Quiosque da Joana

26.04.18

yesterday

Joana Marques

Ontem, foi um dia de emoções fortes.

Eu. Que habitualmente sou de lágrima fácil. Chorei o dia todo.

Quem me conhece não estranha.

Quem me conhece menos bem. Daqui a uns meses vai achar normal...

 

Chorei quando a Alice acordou e lhe dei os parabéns.

O Pedro também lhe deu os parabéns. E eu, chorei claro!

Depois de todas as rotinas matinais.

Vesti-a com um vestido branco que já tinha sido meu.

A diferença é que eu usei-o quando tinha 18 meses e a Alice tem 12.

Tentámos tirar-lhe fotografias. Não foi fácil. Temos umas 3 de jeito.

Tirei-lhe o vestido. Só o voltou a vestir para a festa.

E quando a estava a trocar. O Pedro apareceu para dizer qualquer coisa.

Saiu logo de seguida. Como não falou com ela. Ela disse:

- Olá...

Para o chamar.

Logo...num dia destes. A miúda diz a segunda palavra. Não sou de ferro...

 

 

O Pedro pegou na Alice e no Vasco. Foi dar uma volta com os dois. Para eu organizar o almoço.

Voltou. E logo de seguida chegaram os meus pais e os dele.

Os pais do Pedro ofereceram à Alice um urso gigante. Para não ser rejeitado por ela, a mãe do Pedro fez um laço rosa em tamanho xxl e coseu-a à orelha do urso.

O Vasco atirou-se ao urso e comeu-lhe o laço.

A Alice adorou o boneco.

Adora estar ao colo dele. Mais um concorrente para mim...

 

Almoçámos. Conversámos.

A minha mãe e a mãe do Pedro são praticamente as melhores amigas.

O meu pai, o Pedro e o pai do Pedro, também se entendem bem.

A Alice adormeceu.

Comecei a preparar o lanche.

 

Quando vi o bolo de super mulher no meio da mesa. Emocionei-me.

Ficava ali mesmo bem. Era mesmo aquele bolo.

As cores do bolo. Faziam um contraste muito giro com o resto.

Os convidados começaram a chegar. Eram mais de 50.

A Alice já tinha acordado. E passou-se com tanta prenda.

Eu também. Mas por razões diferentes.

Andou de colo em colo. E foi mimada até à medula.

O Vasco não andou de colo em colo mas andou de prato em prato.

Desapareceu, um salame de chocolate. De uma mesa de apoio.

Eu não sou de intrigas mas parece-me que é capaz de ter sido ele.

O cocó de hoje....

Com mil Slimanis...eram um mau cheiro do tamanho da Ásia...

 

 

Chorei quando se cantou os parabéns.

A Alice ainda não percebeu, claro!

Mas os olhos dela brilhavam por ver o ponto brilhante da vela no bolo de super mulher.

Fui eu que apaguei a vela. E ela atirou uma gargalhada quando a luzinha desapareceu.

Tão bom, vê-la a descobrir a vida...

 

Chorei. Chorei. E chorei.

Porque estava feliz.

Porque correu tudo bem.

Porque a Alice estava radiante.

Emocionei-me E emociono-me.

Porque percebo que ela foi muito bem aceite pela minha família e pelos meus amigos.

Pelos quiosquianos. Obrigada!

E recentemente, pelo Pedro e pelos pais do Pedro.

Emocionei-me. E emociono-me.

Porque estou rodeada de boas pessoas. Generosas. E de coração grande.

É muito mais fácil a nossa vida e a dos outros quando existe esta abertura por parte de todos.

A vida sem entraves parvos é muito mais leve.

 

No fim do dia. Quando toda a gente se foi embora.

O Pedro. Deu-me um copo com água e disse.

- Bebe. Os teus rins devem estar em sofrimento.

 

Imaginei os meus rins. Os dois.

Coitadinhos.

Desidratados.

E de boca seca.

Em pleno deserto do Saara.

Percorrendo o seu caminho em esforço.

Sem poderem chorar....porque os olhos levaram tudo. E tudo os olhos levaram...

Tive de chorar...

...a rir....

 

 

25.04.18

super. Alice

Joana Marques

Um dia. Espero. Lerás estas linhas que te vou escrever.

Hoje fazes um ano.

Eu. Tua mãe. Tenho a cabeça a mil.

Parei agora um bocadinho para escrever estas palavras.

Provavelmente sem sentido. Provavelmente meias parvas. E lamechas.

Assim, sou eu.

 

Se algum dia te perguntares porque raio não tiveste um bolo de aniversário igual ao das outras meninas.

A palavra que estás à procura. É:

Joana.

A frase que explica tudo, é:

A tua mãe, eu, voltou a ser Joana.

 

Confesso-te que demorei muito tempo a escolhe-lo.

Porque o primeiro bolo é muito importante.

Sabia que o queria fazer.

Porque cozinhar é um gesto de amor. E quero que o amor seja a palavra do dia.

Pensei num bolo simples. Barrado a cor de rosa. Com um topo de bolo comprado numa loja.

Ainda andei. Muito tempo, a achar que era mesmo isso.

Ficava bem na mesa.

Não te ia envergonhar quando tivesses 15 anos e visses as fotografias.

Muito politicamente correto. Pouco Joana.

 

Depois, achei que podia apanhar boleia. Do que se vê por aí.

E fazia um bolo Minnie.

Tens uma Minnie que gostas.

O bolo era fácil de fazer. O topo eram umas orelhas de rato. E podia pôr o teu nome.

Ah! E seria cor de rosa. Claro!

Desisti.

 

Depois, a minha cabeça virou-se para a Alice.

No país das maravilhas.

Quando estive em Dublin. Comprei uns cortadores de bolo.

E umas figuras para o enfeitar.

Estava decidido. O tema era Alice no país das maravilhas. E não se falava mais nisso.

Claro, que se fala mais nisso.

Não era perfeito. Para mim. Não encaixava.

 

Até que um dia destes olhei para ti.

E vi. O que és.

 

 

Lembrei-me do dia em que me ligaram.

14 de Dezembro.

A dizer que tu existias. Se eu te queria?

Isso é lá pergunta? Claro que te quis logo.

E sem te conhecer. Sem saber nada de ti. Apenas a idade.

Amei-te. Para sempre.

O meu coração desassossegou-se para sempre.

 

Lembrei-me do dia em que te fui buscar.

27 de Dezembro.

De te trazer ao meu colo. E de te abraçar durante toda a viagem.

De te falar ao ouvido.

E de nunca mais te largar.

 

Vem-me à memória. Os dias seguintes.

Não choravas. Não rias.

A expressão era sempre a mesma.

E depois. A felicidade de um dia teres resmungado qualquer coisa.

Teres chorado porque algo não estava bem.

E no dia seguinte. Esboçares um sorriso.

 

Alice. Tu és a Super Mulher.

A mulher maravilha.

A miúda que passou por mais provações no primeiro ano de vida. Que na maioria das vidas, comuns.

A miúda que não se deixou abater por isso.

E escolheu. Ser feliz.

Escolheu dançar pela vida fora. Dar beijinhos. E atirar sorrisos por onde passa.

Cuidado com os dentes. Às vezes mordes!

 

 

Por isso o teu bolo. Hoje.

É um bolo de super mulher.

Para, que nunca te esqueças. Do que és. Da tua essência.

 

Ao longo da vida, se alguém te disser o contrário, não acredites.

Segue em frente. Segue o que achas certo.

 

Se alguma vez duvidares de ti. Não duvides!

Pensa lá bem...

Tens o abraço mais quente que já me abraçou.

É a tua capa de super miúda. De super mulher.

Tu não precisas de querer ser um avião.

Porque tens a tua capa.

Ela vai te levar a qualquer lado onde queiras ir.

 

E quando a capa se virar do avesso.

Os braços que te foram buscar uma vez.

Vão estar onde quiseres que estejam.

Abertos.

Para te acolher. Para te endireitar a capa.

Porque é um privilégio. Uma sorte. O melhor da minha vida.

Ser tua mãe.

Super. Alice.

 

 

24.04.18

o pão de ló da avó Adélia

Joana Marques

Das melhores recordações que tenho de infância. Tirando, as férias passadas no Alentejo.

São, as festas de aniversário.

As minhas.

As dos meus irmãos.

E as dos meus primos.

Entram diretamente para o meu top de momentos preferidos.

 

Na altura não havia aqueles pavilhões com insufláveis, onde depositam as crianças.

E empresas que organizam tudo desde o bolo até aos palhaços.

As mães preparavam tudo. Nós faziamos o resto. E animação não faltava.

Dez meses antes de fazer anos, já andava a perguntar à minha mãe como é que iriam ser.

Respondia-me sempre que antes de mim, faziam anos, a minha irmã e o meu irmão.

E uma carrada de primos. E só depois eu.

Lá me ficava até ao mês seguinte.

 

A festa de anos era mais ou menos igual para todos nós.

O bolo de anos. De uma pastelaria próxima. Salame. Gelatina. Sandes. Bolo de iogurte. Mousse de chocolate. Miniaturas de bolos feitos pela minha mãe. Queques. Ah! E o pão de ló da avó Adélia.

 

Não havia tema da festa. Não se davam recordações aos convidados. Só aquelas que ficavam na nossa cabeça...

Era tudo mais simples.

Convidávamos os nossos amigos e familiares.

Recebíamos presentes.

Brincávamos. Muito. Normalmente com as prendas que tínhamos acabado de receber.

Se recebíamos um disco. Era essa a música oficial da festa.

E quando a aniversariante era eu. Estava mais histérica que nunca...e insuportável.

A vida era boa. Porque era simples.

 

Os anos foram passando.

As modas também.

Começaram a entrar novas receitas. Mas o pão de ló da avó Adélia nunca passou de moda.

Na mesa lá de casa. Qualquer que fosse a festa.

O pão de ló da avó Adélia nunca podia faltar.

O bolo mais despretensioso que já vi.

Com a receita mais fácil de decorar.

Com 3 ingredientes. 4 se contarmos o fermento.

 

A receita original é assim:

Ovos (os que quisermos) pesados inteirinhos com a casca.

Açúcar. (o mesmo peso dos ovos)

(A minha avó usava açúcar normal....branco...)

(Ao longo dos tempos fui reduzindo a quantidade de açúcar e neste momento uso para cada 300g de ovos, 80g de açúcar de coco)

Farinha de trigo. (metade do peso dos ovos)

Uma colher de chá de fermento.

Juntar o açúcar e os ovos.

E com a batedeira.

Bater como se a vitória do Sporting na taça de Portugal dependesse disto....(este é o primeiro segredo do bolo)

Arrumar a batedeira. (este é o segundo segredo do bolo)

Misturar a farinha aos poucos e com uma colher mexer suavemente.

Pôr no forno a uma temperatura média.

Fica sempre muito fofinho. E bonito.

Nunca falha este bolo.

 

Amanhã a Alice faz um ano.

Este é o bolo eleito para ser o bolo de anos.

Vais ser feito por mim.

Vai ser decorado. Por mim.

Quando tive de optar e escolher um bolo para os anos.

Achei que só podia ser este.

Pelas recordações boas.

Mas também porque é bom. E versátil.

Combina bem com vários tipos de coberturas e recheios.

Vou fazer outro para servir simples, às fatias.

 

É um bolo com glúten.

Ando a tentar chegar a uma versão sem glúten mas ainda não consegui.

E para amanhã. Não quis arriscar.

 

Tantas vezes vi a minha avó Adélia a fazer este bolo.

E tantas vezes o comemos.

Faz parte das minhas melhores memórias.

E por isso quando fiz o bolo de teste, para tudo correr bem amanhã, provei e gostei. Mais uma vez.

É claro que gostei. Pelas memória todas escritas neste bolo.

Não confiei. E pedi ao Pedro para provar.

Gostou. Confirmou muitas vezes. Para ter a certeza da resposta final....

Fiquei mais segura. Da escolha que fiz.

Se fizerem com açúcar branco. Ficará amarelinho da cor dos ovos.

Com açúcar de coco fica assim com uma cor diferente. Mas o sabor está lá todo. E a textura fofinha também.

Experimentem com um café. Uma delicia...o pão de ló da avó adélia!

 

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23.04.18

palavra de Joana!

Joana Marques

Sofia e José

 

A minha irmã e o meu cunhado.

Conheceram-se desde sempre.

Tinha a minha irmã 14 anos. E ele 16 anos. Quando começaram a namorar.

Ele é filho de um dos melhores amigos do meu pai.

Nunca mais se largaram.

Um namoro muito discreto.

Estávamos no final dos anos 80.

A tendência progressista do pós 25 de Abril ainda não tinha chegado à minha família.

Melhor dizendo. À minha mãe.

Esconderam o namoro durante 6 anos.

Numa época sem telemóveis. Facebook. E essas coisas todas....

Durante um tempo viam-se na escola. De forma discreta.

É preciso ter cuidado! Nestas ocasiões há sempre uma invejosa que se faz amiga e vai diretamente apregoar na praça municipal que a Sofia namora com o Zé. Todo o cuidado é pouco!

A minha irmã contava com a cumplicidade da melhor amiga a Ana. E o Zé, com a cumplicidade do melhor amigo, o Nicolau.

Iam ao cinema. A minha irmã com a Ana. O Zé com o Nicolau.

E lá dentro. Trocavam de lugares.

Tanta troca de lugares.

A Ana casou com o Nicolau. E são felizes. Ser boa pessoa compensa quase sempre.

Quando o Zé tinha 22 anos. Faltava um ano para terminar a faculdade. Foi lá a casa.

A minha irmã já tinha preparado o meu pai. E sobretudo a minha mãe.

- Ah! O Zé, sabes, o filho mais novo do João e da Lina, vem cá.

E não disse mais nada. Estava vermelha que nem um tomate maduro.

O meu pai era menino para prolongar o sofrimento da minha irmã, mas não o fez. E percebeu do que se tratava.

O Zé lá apareceu. Teve a bênção dos meus pais.

Mas a partir daí. O cinema acabou praticamente. Ficavam lá em casa. Sob o olhar atento da minha mãe.

E não. Nas outras casas não era bem assim. Mas nas outras casas não vivia dona Mariana, senhora minha mãe.

Quando a minha irmã tinha 21 anos. O José voltou lá a casa. Pediu-a em casamento. Casaram um ano depois.

Continuam casados. Têm 3 filhos.

 

Rita e Tiago

A minha cunhada e o meu irmão.

Conheceram-se desde sempre.

A Rita teve sempre um fraquinho pelo meu irmão. O meu irmão não lhe ligou nenhuma durante muito tempo.

A Rita desistiu de esperar por ele e arranjou um namorado. Aos 15 anos.

Nesta altura o meu irmão começou a gostar da Rita. É mesmo de homem! Parvo!!

A Rita namorou com o outro até aos 17. O meu irmão teve uma outra namorada.

A Rita deixou o namorado. O meu irmão deixou a namorada no dia em que soube que a Rita estava sozinha.

Começaram a namorar. Passados 6 meses.

Toda a gente em Campo de Ourique sabia. Porque não esconderam de ninguém.

A minha mãe andava em pranto. Queria a oficialização da coisa.

A Rita era filha de um grande amigo do meu pai.

O meu irmão disse-lhe que não queria saber de formalidades. Namorava e depois logo se via.

A minha mãe andava horrorizada. Estamos a falar de anos 90.

O meu irmão esteve um tempo na Dinamarca a terminar o curso e a estagiar. A Rita esteve lá com ele durante uma parte desse tempo.

A minha mãe à beira de um AVC.

- Mãe é normal. Convém conhecer bem a pessoa, ela a mim e só depois casarmos. Para não terminar em divórcio.

Convenceu a minha mãe. Esta declaração. Que ficou mais calma durante um tempo.

Quando o meu irmão regressou. E organizou a vida profissional. Casaram.

Continuam casados. Têm 3 filhos.

 

Pedro e Joana

Quinta-feira

Uma pessoa. Eu. Vai a uma consulta com a filha.

Está à espera de um ser carrancudo. E mal humorado.

Mal o vê acha que se enganou no consultório.

Ele diz que não. Não me enganei. Estou no sítio certo.

A consulta dura quase 4 horas. E com algumas perguntas da parte dele um bocado para o pessoal.

 

Sexta-feira.

Uma pessoa. Eu. Recebe uma chamada. Dele. Do número pessoal.

A dizer que está tudo bem com a filha.

Passados aqueles primeiros segundos de pânico. Sem saber se está tudo bem ou não.

Apetece prolongar o telefonema até ao infinito. Mas a pessoa tem dignidade....e não o faz.

 

 

Segunda-feira.

Uma pessoa. Eu. Está em Angola. E recebe um telefonema. Dele.

Com um convite para jantar.

A pessoa. Eu. Diz que não pode. Está em Angola.

A pessoa. Ele. Acha que é uma desculpa.

A pessoa. Eu. Entra em pânico. E desata a dizer:

- Não é desculpa. Não é desculpa. Não é desculpa....estou em Angola....mesmo.

E passa o resto da tarde a enviar-lhe fotos para o telemóvel com locais Angolanos. Esteve para sair uma selfie com José Eduardo dos Santos...mas infelizmente não o consegui localizar.

 

Sexta-feira.

Uma pessoa. Eu.

E outra pessoa. Ele.

Almoçamos.

Uma pessoa. Eu. Não para de pensar.

- O que raio estou eu a fazer? Não penses e ouve o que ele está a dizer a uma determinada altura vais ter de responder e não dá jeito que ele pense que és burra. Concentra-te, Joana. Concentra-te, Joana. O que raio é que ele está a dizer, ó caneco....não sei o responder...sorri, Joana. Sorri....OMG!

Despediu-se com um semi abraço e dois beijinhos.

Disse-me ao ouvido:

- A partir de agora, sempre que aparecer o meu número no teu telemóvel, não penses em coisas más.

Ainda bem que eu estava encostada ao carro. Ou as pernas tinham-me falhado. Mais do que quando me esbardalhei à grande e à francesa....em Amesterdão...

 

Sábado.

Mandou-me flores. E trocámos mensagens.

 

Domingo.

Trocámos mensagens.

 

Segunda-feira

Trocámos mensagens.

 

Terça-feira

Praia das tartarugas.

 

Quarta-feira

Descompensou.

 

Quinta-feira

Fiz-lhe um ultimato.

Segundo ele, simplifiquei-lhe a vida. Diz ele, que ficou a saber que eu queria o mesmo que ele.

 

Sexta-feira

Começámos a namorar.

Falámos. E combinámos.

Vamos para Dublin, terça. E se tudo correr bem.

Quinta, quando regressarmos. Regressamos juntos.

Cá estamos. Ah! E sim...correu tudo bem em Dublin!

Da minha parte. Estou 100% certa do passo que dei.

Embora muita gente me diga o contrário.

Não é por mal. Eu sei...

A maioria quer o meu bem. E tem medo que eu me estampe na primeira curva.

Pensem...

Já me disseram isso:

- quando comecei a trabalhar aos 17.

- quando saí de casa aos 17.

- quando estudei e trabalhei.

- quando quis continuar a trabalhar no local onde era feliz e não abracei nenhum negócio de família.

- quando não me quis casar com o meu ex, aos 32/33. Porque era a altura certa.....segundo me diziam.

- quando não quis ter filhos por volta dessa idade. Também era a altura certa...

- quando não quis ir mais além com o rapaz do #rumoaoesquecimento, porque embirrei com os comentários que ele fazia às amigas no instagram.

- etc.

 

Eu sei que preferiam que eu fosse mais Sofia e José. Rita e Tiago.

Seria mais seguro. Mas não sou. Não somos.

Pedro e Joana. Joana e Pedro.

 


Sempre quis. Ser eu. A protagonista da minha vida.

Num guião escrito por mim. E não por outra pessoa.

Já falhei. E aprendi.

Já duvidei...mas no fim de contas. Nunca me arrependi.

 

Não stressem. Amigos.

Vai tudo correr bem.

Palavra de Joana!

 

 

22.04.18

sunshine blogger award. Fui nomeada!

Joana Marques

Sunshine-Blogger-Award.jpg

Fui nomeada pela Inês.

Do blog Desenhos & Desenhos.

Obrigada, Inês. Espero não desiludir!

 

O que mais valorizas numa pessoa?

Valorizo a sinceridade. E a transparência.

Saber com o que posso contar. Mesmo que não possa contar.

 

 

O que seria para ti um dia perfeito?

Hoje por exemplo foi um dia perfeito.

Estar com os meus. Alice. Pedro. E Vasco.

Se estivermos todos juntos. Com saúde. Está tudo bem.

 

O Sporting ganhou. Parecendo que não, isso também ajuda...

Ah! E o cão não roubou comida...a ninguém...

 

 

O que te deixa muito irritado(a)?

Não me irrito facilmente. A verdade é essa.

Sou um poço de calmaria.

Muita gente diz que tenho nervos de ferro.

Muitas situações que fazem irritar as pessoas, tipo o trânsito, o turismo, a política, etc.

Não me tiram um segundo de vida.

Não deixo que isso aconteça. Simplesmente porque não são merecedoras desse segundo.

Não quer dizer que não tenha opinião. Tenho. Claro!

Só não deixo que influenciem a minha vida.

 

Ah! Já sei...

....árbitros. Que "toquem". Nem que seja. Um niquinho. Mal de nada. No Sporting. Deixam-me f-u-r-i-o-s-a.

 

Se fosses uma bebida, qual serias?

Chá. Ginger.

Chá. É um bocadinho mal de nada, mais sofisticado do que a água.

Ginger. Porque pode fazer a diferença entre estar doente ou não. Eu gosto de pensar que para uma, ou outra pessoa, faço a diferença.

Ginger tea. Spicy. Na conta certa.

 

 

Em criança, o que querias ser quando fosses grande?

Em criança queria ser um avião.

 

Tens alguma fobia? Qual?

Não ando em elevadores.

A casa do Pedro é no nono andar.

E quando entro sozinha. Vou de escadas. Subo nove andares. E sou feliz.

Quando estou com ele.

Entro no elevador.

Porque tenho medo e tenho uma desculpa para ir abraçada a ele.

Ainda sou mais feliz...

 

O que mudavas em Portugal?

Algumas mentes.

Algumas pessoas ainda têm mentes muito fechadas. Em relação a assuntos que não faz sentido ter.

O mais assustador é que algumas dessas pessoas são mais novas do que eu.

Por acaso...em certas alturas deixa-me um bocado irritada...

 

 

Se fosses um animal, qual serias?

Gostava de ser uma peixinha. Chamada Joana.

Que um dia conheceu um caranguejo. Chamado Pedro.

E têm dois tourinhos. Alice e Vasco. Vasco e Alice.

 

Qual o teu filme preferido?

O meu filme preferido é "a vida é bela". Roberto Benigni.

É tão bom este filme. É bonito. É simples. É belo.

 

 

Qual o teu maior sonho?

Neste momento. É ir trilhando o meu caminho.

Bem acompanhada. (com o caranguejo e os tourinhos)

 

 

O que te motivou fazeres o blog?

O blog surgiu. De forma repentina. Num dia de férias.

Sem qualquer objetivo.

A achar que ia durar uma semana. Ou talvez 15 dias.

Sem qualquer expectativa. Fiz um mês.

Depois 6 meses.
Um ano.

 

E ainda cá estou. #rumoaosegundoano

Vamos ver se lá chego...

O facto do Quiosque existir, parece-me que tem mais a ver com as pessoas que o seguem, do que comigo.

Se não fossem elas, já tinha desistido há muito.

Ah! E o Vasco. Claro!

Sempre que eu acho que o blog vai acabar. O cão passa-se e faz qualquer coisa....e eu venho a correr contar...

 

 

Regras deste desafio:

* Agradecer à Blogger que te nomeou.
Já está!
 
* Responder às 11 perguntas que te foram dadas. 
Já está!
 
* Nomear 11 bloggers e fazer-lhes 11 perguntas. 
Está quase!
 
* Colocar as regras e incluir o logótipo do prémio no post. 
Já está!

 

As perguntas que quero fazer são!

 

1. Porque decidiste criar um blog?

2. Por aqui pelo Sapo, ou fora dele, que blog ou blogs gostas?

3. Se tivesses que escolher um personagem animado, qual serias? 

4. Qual a musica que melhor te define?

5. Que livro estás a ler neste momento?

6. Que viagem de sonho farias?

7. O que é que pode estragar um dia perfeito?

8. O que gostas de fazer nos teus tempos livres?

9. Imagina que tinhas de mudar de profissão, o que escolherias?

10. Sais de casa, o que é que não pode faltar dentro da tua mala?

11. Para ti, o que é o melhor do mundo?

 

As pessoas que quero nomear:

(se já tiverem sido nomeadas...tenham lá paciência....)

1. Cátia

2. Ana

3. Fátima

4. Bruxa Mimi

5. Mamã Tranquila

6. A desconhecida

7. Genny

8. Charneca em Flor

9. Happy

10. Samantha em Chamas

11. J.B.

 

Se por acaso troquei algum link. Por favor não me batam.......

....

22.04.18

e o cão abandonou o quarto....

Joana Marques

Tínhamos combinado.

Passar o fim de semana no Alentejo.

Hoje jantávamos cedo. O Pedro voltava para Lisboa.

Amanhã, começa a trabalhar às 8h. Terça também. E sai às 16h.

Eu, a Alice e o Vasco. Ficávamos. Por aqui.

Ele voltava na terça à tarde. E ficávamos por cá o feriado.

 

Eu dei a ideia.

Ficava na casa dele em Lisboa. Escusava de ir para Cascais e tudo.

Porque tenho medo de andar a sufocar o homem. Uma pessoa ouve e vê tanta coisa.

Os homens que descompensam quando se fala num relacionamento sério.

Os homens que descompensam quando se fala em casamento.

Os homens que descompensam quando se fala em filhos.

Os homens que descompensam quando as namoradas apanham o bouquet.

Os homens que descompensam e começam a conviver demasiado nas redes sociais...

...enfim, podia continuar por aqui fora....

O Pedro descompensou no dia em que me viu semi-despida. E foi só....

Parece-me pouco...

.....achei que lhe devia dar espaço. E tempo.

 

Ele não gostou da ideia desde o principio.

- E ficas sozinha? E sem carro?

- Não te preocupes se eu precisar a Aurora e o Luís emprestam-me um carro.

A Aurora e o Luís são os meus vizinhos do lado, aqui no Alentejo.

O homem lá se convenceu.

Mas....

.....um dia em casa dos meus pais. Quis tirar tudo a limpo com o meu pai.

E o meu pai respondeu-lhe da mesma forma...

- Qualquer coisa que a Joana precise a Aurora e o Luís ajudam-na. Vai descansado.

 

Eu dei a ideia. Sim.

Mas.....

.....os dias foram passando. E comecei a achar, a ideia mais estúpida do mundo.

A pior ideia do mundo. Saiu da minha cabeça. Inacreditável.

 

Dois dias sem o homem....

Como é que eu.

Joana Marques. 37 anos.

Tive a pior ideia do mundo.

 

Como é que eu.

Joana Marques. 37 anos.

Tive a pior ideia do mundo.

E disse-a em voz alta. Ao Pedro.

 

Como é que eu.

Joana Marques. 37 anos.

Tive a pior ideia do mundo.

E disse-a em voz alta. Ao Pedro.

E agora estava sem coragem de dizer...ah! e tal...afinal voltamos todos para Cascais.

Não quero saber da tua liberdade para nada.

Sufoca aí, seu desgraçado.

Quero estar ao pé de ti e nunca mais te largar na vida....

Para uma mulher como eu é duro.....ou melhor, para a mulher que sempre fui mas que pelos vistos matei...seria duro.

 

 

Alentejo.

5h da manhã!

Não conseguia dormir. Porque a ideia do homem voltar para Lisboa sozinho. Estava-me a matar aos poucos.

 

Ouço:

- Estás acordada?

- Estou. E tu?

- Acabei de falar contigo....o que é que achas?

Começámos a rir.

Alguém nos mandou calar.

O cão. O meu despertador....

....ainda não tinha entrado ao serviço. E ninguém lhe paga horas extra.

 

-Tenho estado a pensar. Eu não quero voltar para a casa de Telheiras. Se concordares até a ponho à venda.

- Podes ir para Cascais.

- Se não voltares comigo para Cascais é a mesma coisa que voltar para Telheiras...

- Ah! Ainda bem que tocas nesse assunto. Não me apetece nada ficar cá sem ti.

Começámos a rir.

Fomos outra vez chamados à atenção pelo excesso de barulho.

É incrível como este cão nos consegue manipular...

O Pedro continuou baixinho.

- Porque é que não me disseste nada antes?

- Porque eu achei que te devia dar espaço. E tempo. Para te habituares a todas as mudanças...por seres homem e assim...e depois a meio do caminho deixei de me preocupar minimamente contigo e comecei  a pensar em mim....para logo a seguir pensar que já não me reconheço....a Joana controladora, já não controla nada...não sei se estás a acompanhar??

O homem riu-se.

Fico feliz por conseguir diverti-lo tanto...

 

O cão reclamou. Desta vez....chateado. Muito chateado.

Ficámos calados.

 

Há uns dias atrás tive a ideia mais estúpida do mundo.

Para hoje dizer a frase mais estúpida do mundo. Um mal nunca vem só......é o que se costuma dizer.

O silêncio foi interrompido. Por esta pérola...

- Pedro não te atrevas nunca a morrer.

E com o dedo indicador ameaçadoramente posicionado nas costelas do homem. Rematei.

- Se tu morreres, eu mato-te!

O homem chorou a rir....

 

...e o cão abandonou o quarto.

21.04.18

o pragmatismo Alentejano. Fascina-me.

Joana Marques

Saímos cedo de casa.

Rumo ao Alentejo.

O cão fez uma fita desgraçada. Para sair de casa.

O Pedro pegou-lhe ao colo.

Se fosse comigo tinha chorado. Baba. Ranho. E lágrimas de crocodilo.

Com o Pedro limitou-se a obedecer. Ficou amuado uns 30 segundos.

E ao 31º segundo. Já dentro do carro. Estava a lamber-me a cara do pescoço às pálpebras.

Foi assim a viagem toda.

Saímos de Cascais às 7h da manhã.

A Alice adormeceu. Às 7h01.

Foi uma viagem santa.Tirando o facto de eu chegar ao Alentejo a cheirar a hálito de cão. Pormenores.

 

Pelas 10 horas da manhã.

Fui aqui ao café que costumo frequentar. O Pedro ficou  em casa com a Alice. Ah! E com o lambe caras...

No início da semana tinha ligado à dona do café, a dona Fernanda.

E encomendei. Os melhores queijos de cabra e ovelha do mundo. São feitos por ela e pela mãe.

- Quantos quer?

- Quantos é que me consegue arranjar?

É sempre assim. Compro tudo o que tem disponível.

 

Entrei no café. Conhecia toda a gente.

E toda a gente me conhecia, também.

Sou filha da terra. Não nasci aqui. Mas quase. Sinto-me alentejana desde sempre...

Cumprimentaram-me.

- Ó menina como estás?? Novidades??

- Vou-me casar.

-

Não é para menos. Sou a última das alentejanas encalhadas.

 

- Quem é ele? Como é que se conheceram.

- Chama-se Pedro. Fui a uma consulta. E apaixonei-me por ele...

-

- ....não é tão mau como parece........

 

- Nunca tinha dado conta. Namoram há quanto tempo?

- Menos de um mês....

-

- ...não é tão mau como parece...

 

- Conheceste-o quando?

- Um mês e 6 dias....

-

- ...não é tão mau como parece. A verdade é que parece que o conheço desde sempre.

- Claro que sim, querida. E o importante é ter saúde....toma lá os queijos e vai em paz.

 

O pragmatismo Alentejano. Fascina-me.

Joana Marques

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