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Quiosque da Joana

31.01.17

a primeira vez! Que fiz pão....#2

Joana Marques

Estou pronta!

Hoje faço pão...

Cheguei a casa um dia e comecei por fazer uma pré-fermentação.

A minha avó Maria chamava-lhe crescente. Evita que o pão leve tanto fermento.

Nesse dia à noite fiz a mistura mágica. 200g de farinha. 3 g de fermento. 200 ml de água quente. E sal.

Mal eu sabia que o meu pão estava morto à partida.

A água não deve ser quente, deve ser morna.

E o sal nunca se mistura com o fermento.

Sem saber matei o meu pão duas vezes.

 

No dia seguinte, chego do trabalho.

Olhos para a massa que tinha feito anteriormente.

Não cresceu. Não fermentou. Achei normal....ó santa ignorância#1!

 

Sr. Bodegas não sujava um dedo....é claro que eu também não iria sujar! ó santa ignorância#2!

Com a roupa do trabalho.

Comecei a fazer todas as medições.

Batedeira nova concentradíssima!

Farinha, água, a pré-fermentação, um pouco mais de fermento.

Tudo na taça da batedeira.

Batedeira no máximo.

 

Massa a voar em todas as direcções.

Massa a aterrar!

 

Os armários atingidos.

A bancada cheia de massa.

A mesa da cozinha.

O fogão.

Se o Vasco já tivesse nascido teria sido o dia mais feliz da vida dele!

 

Durante 10 minutos amassei a massa.

Não sei como, a massa foi toda para a vareta da batedeira.

Que de repente deixou de trabalhar.

Ó diabo! Uma batedeira, não! Uma super batedeira...

Deixei a massa repousar.

Andei de um lado para o outro e percebi que a vareta tinha sido mal posta.

A massa tinha entrado pelo orifício e tinha-se alojado dentro da batedeira.

Ainda não sabia. Mas mais tarde descobri que a minha super batedeira tinha ficado estragada para sempre.

Afinal não era uma super batedeira. Era uma batedeira...xoninhas...

Entra-lhe um bocadinho de massa para dentro...e adeus! baby...

 

Comecei a amassar à mão.

Já tinha massa nas duas mãos.

Tinha os panos da cozinha cheios de massa.

A minha roupa com massa.

E é nestas alturas que acontece o inevitável...

- Aiiiiiiiiiiii! Estou com uma vontade de ir à casa de banho.

Já sem toalhas e panos da loiça na cozinha disponíveis recorri à toalha da mesa...é assim a vida!

 

Coloquei o pão a levedar. Uma hora.

Nessa hora tentei movimentar-me numa cozinha que parecia em obras.

 

Hora de pôr o forno a funcionar.

E de pôr o tacho onde o pão vai cozer, a aquecer.

 

Hora de pôr o pão a cozer.

Hora de tirar a tampa do tacho.

Hora de olhar para o conteúdo e achar que não está nada parecido com um pão.

Estava, assim...espalmado. Tipo ovo estrelado.

 

Hora de queimar o polegar a sério. Muito a sério! Mesmo, mesmo a sério!

Hora de correr até à casa de banho.

Hora de chorar de dor.

Sair de casa a correr com massa e farinha desde a cabeça até aos sapatos.......de salto! Fazer pão sim....com estilo, sempre!

Hora de correr até à farmácia mais próxima para tentar salvar o dedo acidentado.

 

Voltar a casa.

Inspirar!

Com mil Balakov's e um Sousa Cintra....cheira a queimado.

Hora de rezar um pai nosso pelo pão que entregou a alma ao criador ainda no dia anterior.

Jaz queimadinho dentro do tacho.

Queimadinho não. Cremado! O meu pão estava cremado!

 

Hora de fazer uma máquina de roupa com tudo o que tinha sujado e de ver circular dentro da máquina uma nhanha difícil de sair.

Hora de lavar a roupa toda. À mão.  Porque nada ficou lavado e a lavagem ainda contagiou uns lençóis que já estavam dentro da máquina.

Hora de lavar a cozinha. E como está ....como dizer... sem ponta por onde se lhe pegue....lavar com lixívia.

Hora do: que se lixe tudo...tenho de lavar a máquina porque se isto seca....nem quero pensar!

Hora de perceber que não devia ter tocado em água muito menos em lixívia. A bolha do polegar rebentou. Dores excruciantes e sangue de cor duvidosa a escorrer pela ligadura.

 

Hora de admitir que as coisas não estavam a correr bem....ó santa ignorância#3!

Pronto! Estavam a correr pessimamente mal!

 

Ainda bem que não desisti à primeira.

Foi uma má experiência.

Foi uma péssima experiência...ainda tenho a marca no polegar...

Com o passar do tempo fui repetindo o processo. E aperfeiçoando...

E consegui chegar a um pão saboroso e que não me faz mal.

Depois deste incidente...temos tido uma relação frutuosa e duradoura!

 

 

 

30.01.17

a primeira vez! Que fiz pão....

Joana Marques

Depois de ter descoberto que a minha vida alimentar ia mudar.

De ter estado cerca de um ano sem tocar em pão e noutras iguarias.

De ter passado fome, muita fome.

Decidi que tinha de mudar alguma coisa.

Não podia passar o resto da vida doente mas também não podia passar o resto da vida com fome.

Comecei a aprender a cozinhar de forma diferente.

E a adaptar-me a novos sabores.

 

Voltei a experimentar comer pão. Continuava a fazer reação.

Comecei a pensar seriamente em fazer o meu próprio pão.

Que não me fizesse mal mas que fosse bom, também!

 

Tinha visto muitas vezes a minha avó Maria fazer pão.

Ficava horas e horas a acompanhar o processo.

A minha avó que só tinha duas netas raparigas (eu e a minha irmã) deixava-me experimentar tudo.

Amassava.

Punha farinha.

Tirava massa e fazia pão com chouriço.

Ficava horas em frente ao forno à espera do pão.

Comia o pão com chouriço, a escaldar, mesmo a sair do forno.

 

- Mariana, tens tanta sorte! Esta menina porta-se tão bem. Dizia a minha avó para a minha mãe.

A minha mãe olhava para mim com um ar meio espantado.

E eu, Joana, fazia um olhar de gato do shrek.

o-gato-de-botas.jpg

A minha mãe continha-se, para não contar tudo o que sabia sobre a minha existência, à minha avó.

 

Comecei a dar atenção aos rótulos.

Nunca tinha reparado. Para mim o pão era farinha, água, fermento e sal. Certo?

Errado. Há pão que contém conservantes e outro tipo de aditivos.

Aproveitei um almoço familiar num restaurante perto de Santarém. Um local onde toda a gente gaba o pãozinho bom, incluindo eu própria, para perguntar como faziam o pão.

- Não fazemos. Só cozemos. Vem congelado de Espanha.

Quase morri. De Espanha?

Pedi para ver o rótulo. Fermento aos molhos. Farinha com aditivos. Sal. Muito sal.

A minha sobrinha era pequena. Até me arrepiei de a ver comer aquele pão.

- Queria aprender a fazer pão. Sabe onde?

Não sabiam.

Dias depois, o Sr. Almerindo dono do restaurante ligou ao meu pai.

O filho estava na escola de hotelaria e turismo do Estoril e sabia onde podia aprender a fazer pão.

Indicou-me vários locais.

Depois de alguma pesquisa. Agradava-me Paris.

 

Contactei a escola.

Enviaram-me um formulário para preencher.

E lá fui chamada.

Uma semana de formação.

8 horas por dia.

O formador chamava-se François Degas. Que eu apelidei de Sr. Bodegas.

Pretensioso, arrogante e muito pouco acessível.

Ainda coloquei várias vezes o dedo no ar para questionar. Que eu sou sempre uma pessoa com muitas dúvidas!

Era sempre ignorada. Eu e os meus colegas de turma.

Uma semana. De aulas teóricas.

 

Os tipos de farinha.

Os tipos de fornos.

Os tipos de fermento.

Os vários processos de fermentação.

Os vários tipos de massa.

O Sr. lá fazia a massa.

Sem sujar as mãos.

Ainda nos quis impingir um tipo de batedeira.

No primeiro dia não queria nem ver a batedeira, afinal já tinha uma em casa.

Nos dias seguintes comecei a olhar de forma diferente para ela.

E no final já só queria ter uma batedeira igual...

Nunca tocámos na massa. No final comiamos o que tinha sido feito nessa aula.

Algumas vezes fazia reação outras nem tanto.

 

Se fizer uma proporção entre os dias que passei em Paris com todas as outras férias que fiz ao longo da minha vida. Estas foram as férias mais caras de sempre.

No último dia da formação faltei. Fui à Torre Eiffel, passear.

Outro dia a aturar o Sr. Bodegas e quem fermentava era eu.

 

Cheguei a Portugal.

A formação foi uma tamanha seca mas na minha cabeça já estava a projetar como iria fazer o meu pão.

Uma mistura entre Sr. Bodegas e avó Maria.

 

Estava quase a fazer anos.

Como era e é habitual os meus pais perguntaram-me que prenda é que queria.

- Uma batedeira, daquelas!

A minha avó Maria sempre amassou o pão à mão. Mas comecei a achar que Sr. Bodegas podia ter alguma razão.

No dia dos meus anos, recebi eu a minha prenda.

Comprei farinha. Comprei fermento.

Estava pronta!

 

.......e o resto da história...

........amanhã!

 ...que eu não quero enfadar-vos mais!!

28.01.17

6 meses...

Joana Marques

Parece mentira mas este blog faz hoje 6 meses.

Nunca pensei chegar até aqui.

Eu sei que não é nada. Mas para mim é muito.

6 meses de bons momentos!

Agradeço-vos.

 

 

Vamos lá assinalar a data!

10 (42).JPG

  A começar a festa!

10 (50).JPG

 Na festa!

10 (8).JPG

 

10 (12).JPG

 

 Fim de festa

10 (19).JPG

 

 

Ingredientes:

(usei uma forma de 26 cm de diâmetro)

Para a base:

100 g de farinha de amêndoa;

50 g de nozes;

2 colheres de sopa de cacau;

2 colheres de açúcar de coco;

óleo de coco: uma, duas colheres, o que considerem suficiente para ficar uma massa ;

Tudo na liquidificadora.

Espalhar no fundo da forma.

 

Recheio:

(gosto de um cheesecake baixinho se quiserem mais alto têm de dobrar a receita)

400 g de abacate;

80 g de cacau;

40 g de óleo de coco;

Açúcar de coco a gosto (eu usei 80g depende do gosto de cada um);

canela;

baunilha;

Tudo na liquidificadora.

Colocar este preparado na base.

Decorar a gosto. Usei frutos vermelhos.

 

27.01.17

as redes sociais do blog...

Joana Marques

Criei uma página no facebook para o Quiosque quando escrevi um post que tinha de ter um vídeo.

Não me ocorreu outra forma de partilhar o vídeo senão pelo facebook.

Comecei a planear apresentar conteúdos diferentes dos que apresento no blog.

Não todos diferentes mas alguns diferentes.

Ainda não o fiz.

O tempo não estica e a página acaba apenas por ser um veículo de divulgação do blog.

Um veículo que nunca chega muito longe porque tenho poucos seguidores.

Não é pelo facebook que tenho muito mais visitas.

 

Um dia, mais uma vez por causa de um vídeo que queria divulgar no blog, criei o instagram.

Não o consegui fazer pelo facebook nesse dia.

 

Acabo por gostar mais do instagram do que propriamente do facebook.

Tenho mais feedback.

Vou partilhando algumas coisas que me vão passando pela cabeça.

Gosto especialmente de partilhar os trabalhos que vou fazendo.

Acho que seria chato estar a colocar uma e outra aguarela no blog.

Os post's seriam quase todos iguais.

Também não tenho muito mais visitas por isso, mas acho piada.

 

Gosto de pássaros.

Sempre gostei.

E gosto de os pintar.

E por isso no instagram tenho vários desenhados e pintados por mim.

 

Qual não foi o meu espanto quando um dia recebo esta foto no messenger.

IMG_1826(1).JPG1º Pensamento:

- Tão gira a foto!

 

2º Pensamento:

- Que espectáculo! Como é que o raio do homem conseguiu fotografar os pássaros. Oh! tão fofinhos os passarinhos!

 

3º Pensamento:

- Gosto tanto dos passarinhos...

 

E depois?

E depois quase tive uma síncope e percebi que os pássaros foram tirados do meu instagram.

Os pássaros, são os meus pássaros...

..desenhados por mim...e pintados por mim..

 

E quem foi?

O suspeito do costume.

 

Podem ver fotos mesmo, mesmo a sério no blog do João.

 

Podem seguir o João no facebook.

E tenham atenção ao instagram .

No caso dele faz muito sentido.

E vale muito pena!

Fotos que normalmente não estão no blog e que obviamente são uma maravilha.

 

26.01.17

tia Luz...

Joana Marques

A minha tia Luzinha é uma das minhas pessoas.

Quando for grande quero ser como ela.

Conheceu o meu tio José com 16 anos no liceu.

Apaixonou-se por ele e ele por ela.

Casaram-se.

Ela com 17, ele com 18 anos.

O meu tio com 18 anos trabalhava na empresa do pai e prosseguiu os estudos na universidade.

A minha tia ficou em casa.

E um ano depois de estar casada nasceu o primeiro filho, o meu primo Francisco.

Teve 5 filhos.

Todos rapazes.

Nunca trabalhou fora.

Outros tempos!

Os meus primos entraram na escola e foram ficando cada vez mais independentes e a minha tia Luz voltou ao liceu.

Fez o 12º ano, quase com 40 anos.

O meu primo Francisco e o meu primo António (os mais velhos) terminaram as suas licenciaturas.

Os meus primos mais novos estavam na faculdade e a minha tia Luz inscreveu-se também.

Fez a sua licenciatura de 5 anos ao mesmo tempo que os filhos mais novos.

Ficou habilitada a dar aulas de Educação Visual.

O meu tio reformou-se.

Os meus primos já tinham saído de casa e alguns até já tinham casado.

A minha tia concorreu ao país todo e ficou colocada no Minho

Foram os dois para o Minho.

Estiveram no Algarve.

E também em Peniche.

No ano seguinte foram para a Madeira.

Passaram pelos Açores também.

Foram trocando de região conforme a minha tia ia sendo colocada.

E é preciso ser uma grande pessoa para fazer isto.

E é preciso ter uma grande pessoa ao lado para poder fazer isto.

 

 

A minha Luzinha faz hoje 65 anos!

E está cheia de planos...

Não sei se é pelo nome..mas é uma pessoa carregadinha de Luz!

O tempo é o que fazemos com ele e não importa a altura...nem a idade..

 

25.01.17

a chamar o Gregório...

Joana Marques

O Sr. Ludovino liga-me muitas vezes.

Às vezes estou a pensar em ligar-lhe mas antecipa-se sempre.

 

- Joana, tens de voltar!

- Está tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

- Ainda não mas pode acontecer.

-

 

-Joana, quando é que voltas?

- No fim de Fevereiro, princípio de Março.

- E a reunião? Quando fazes a reunião? E as contas do prédio?

- Não se preocupe. Está tudo organizado.

- Estou para ver quando o prédio for à falência.

-

 

- Joana, hoje esteve alguém em tua casa..

- Deve ter sido o meu irmão.

- Era uma mulher..

- Deve ter sido a minha cunhada.

- E tu deixas?

- Claro! Vai dar uma vista de olhos à casa, rega as plantas e tira o correio. Vê se há alguma coisa importante.

- E ela é de confiança?

-

 

 Um dia destes liga-me. Em pânico.

- Joana tens MESMO de voltar!

- Então, porquê?

- Está um intruso a morar no prédio..

- Um intruso? Como assim? Um gato? Um rato?

- UM HOMEM!

- Um homem??

- Sim, está a morar na casa dos Alvarez.

- Ah!

 

O meu prédio tem desde há muito tempo um andar vago no primeiro andar.

No direito mora a dona Cândida e o senhor Manel no esquerdo morou em tempos um casal com dois filhos.

Os filhos casaram e mudaram-se.

O casal reformou-se e foi morar para perto da Guarda.

Entretanto, já lá morou uma sobrinha durante um curto espaço de tempo.

No verão a casa também é ocupada por familiares.

Só os vi umas 3 vezes.

Pagam o condomínio por transferência bancária.

Envio-lhe as contas do prédio todos os anos.

Sempre me pareceram pessoas simples e do bem.

 

No dia seguinte ao telefonema, Sr. Ludovino liga-me outra vez.

- Joana, tens de vir para cá.

- Estamos à mercê de um desconhecido. Pode ser um ladrão.

- Já falou com ele?

- Não posso falar com ele.

- Não pode!?

- Ele não me responde. É o que te digo. Ele é esquisito. É estranho.

 

Achei um exagero, mas...

...por via das dúvidas liguei para a dona Cândida.

- Ah! Não te preocupes. É sobrinho dos Alvarez. É filho da irmã mais nova da dona Albertina. É americano. Chama-se Gregory e está cá a fazer uma especialização. Parece que é médico.

 

Fiquei mais descansada.

 

Liga-me o Sr Ludovino.

- Quando é que voltas?

- Ó Sr. Ludovino, já lhe disse lá para finais de Fevereiro.

- Ó Joana, espera aí...que já falamos...

 

E ouço lá ao fundo a voz do Sr. Ludovino..

- Ó Gregório...Ó GREGÓOOOOOOORIO! Rais partam o homem que não me responde....Ó Gregóoooooooooorio..........tu não me vires as costas....ouviste??

 

24.01.17

eu avario coisas...

Joana Marques

Trabalho no último piso do edifício.

Terceiro piso.

Não trabalha muita gente neste piso.

Existe o gabinete do diretor.

Um open space onde trabalham meia dúzia de pessoas.

Uns 4 ou 5 gabinetes.

Os horários são flexíveis e por isso, em certas horas do dia quase não está ninguém.

Muitas pessoas trabalham a partir de casa.

Só aparecem para reunir.

 

Ontem, o diretor disse-me para lhe passar uns dados para o computador dele.

Eu, ia a sair, para almoçar.

Tinha combinado com uma colega do segundo piso e já estava atrasada.

Disse-lhe que quando chegasse lhe passava os dados.

 

Estava de manga curta.

Graças a Deus!

No terceiro piso as pessoas gostam de calor.

É normal, ter temperaturas acima dos 30.

Ia sair.

Toca de me vestir muito.

Ele é camisola de manga comprida de algodão.

Camisola de lã de gola alta.

Mais um casaco de lã.

Cachecol.

Gorro.

Luvas.

Casaco grosso comprido.

 

Tinha tanta roupa.

Tanta roupa.

Ia vestida de carro funerário.

Todos os apetrechos e mais algum.

 

Almocei.

Sempre com cuidado para não entornar nada.

Sentia-me um elefante numa loja de porcelanas.

 

Voltei.

Nos mesmos preparos que tinha saído.

O diretor avista-me ao longe e diz-me:

- Não se esqueça de me passar os dados.

Entro no meu gabinete.

Pego na pen que tem os dados.

O diretor está no gabinete de um colega.

Dirijo-me com a pen até ele.

- Joana, deixe no meu computador.

 

Entro no gabinete do senhor.

Vou até ao computador.

A cadeira é daquelas enormes e com rodinhas.

E é muito alta.

A cadeira está entre a secretária e a parede.

Vou para me sentar.

E apercebo-me que não está bem ao meu nível.

A cadeira recua.

Com tanta roupa não conseguia ter sensibilidade para perceber se já estava convenientemente sentada ou não.

Dou uns passos para trás.

Para ver se encontro a cadeira.

Sento-me.

A cadeira recua.

Caio com a cabeça na cadeira, os braços abertos, rabo no chão.

Ao mesmo tempo empurro a cadeira.

Que vai com estrondo contra a parede.

Com tanta roupa nem sinto a queda.

 

Ouço a voz do diretor.

Linda figura Joana.

Estatelada no chão.

Tento levantar-me.

Um salto prende-se no casaco comprido.

Uma luta entre mim, o salto e o casaco.

A voz do diretor aproxima-se.

Levanto-me.

Sento-me na cadeira. Com força.

Ouço um estalinho.

 

O diretor entra no gabinete.

Dou-lhe o lugar.

Passo-lhe a pen.

A segurar-me para não me escangalhar a rir.

Na minha mente não pára de passar a Joana completamente esbodegada. No chão.

 

Entra um colega.

O Sr. diretor senta-se na cadeira.

Entra outro colega.

A cadeira estala.

E só vejo o homem a baixar repentinamente na cadeira.

Parecia sentado na sanita.

Por trás da secretária via-se pouco mais do que a cabeça.

 

Sou inundada por uma vontade de rir.

Os meus olhos quase saltam cá para fora.

Contorço-me.

Não olho para ninguém.

Seria o meu fim.

 

Alguém pergunta:

- Sr. Diretor, está bem?

Ele diz que sim. Que está tudo bem. Mas que estranho. A cadeira parece que partiu. Uma cadeira tão boa.

Peço licença.

Um telefonema que não posso deixar de fazer.

- Depois dá-me a pen. Não tenha pressa. Pode ficar com a pen. Tenho cópias. Várias até...

 

E Joana fecha-se no gabinete.

E Joana ri.

Joana ri.

......e sim, sou uma pessoa horrível...

 

23.01.17

o cão! O drama, o horror e um osso como recompensa...

Joana Marques

Com o trabalho aqui em Barcelona a aumentar exponencialmente foram chamados dois colegas de Lisboa.

A Susana chegou ontem.

Fui buscá-la ao aeroporto.

Passou pelo hotel para deixar as coisas.

Almoçámos aqui em casa.

O Vasco conhece-a bem.

Conheceram-se ainda ele um bebé cão.

 

Quando chegámos a casa foi mimado por ela.

Enquanto eu ia ultimando o almoço, sr. cão era o centro das atenções.

Até adormeceu com o mimo.

 

Almoçámos.

O Vasco continuava a dormir profundamente.

 

Tive uma ideia.

- Importas-te de ficar com o Vasco um tempito enquanto vou às compras?

- Não me importo nada....E se ele não quiser ficar?

- Experimentamos. Eu saio. Se ele vier atrás de mim nada feito mas vais ver que fica contigo. Conhece-te e gosta muito do sofá e da sua sesta. E dava-me mesmo jeito fazer compras com calma!!

 

Arrumámos a cozinha.

O Vasco dormia.

Começo-me a preparar para sair.

Mal abre os olhos.

- Vou às compras. Queres vir?

Disse eu para o cão.

Nem se mexeu.

Continuou tipo tapete no sofá.

Com um olho fechado e o outro meio aberto.

Viu-me sair.

 

Saí de casa.

Aquele sentimento de liberdade.

Nem acreditava na minha sorte.

O poder ir às compras descansada.

Sem pressas.

Sem trazer produtos ao engano.

Peguei no carro.

Pensei em estacionar e dar uma volta pelas ruas mais comerciais da cidade.

E depois ir ao shopping.

 

O dia estava frio mas solarengo.

Tinham dado chuva.

Mas mal tinha chovido de manhã.

E agora estava sol.

Abri um pouco a janela do carro.

Liguei o rádio.

Comecei a cantarolar.

Toca o telemóvel.

Vejo que é a minha colega.

Estranhei.

Acabei de sair de casa.

Encosto o carro.

Ligo de volta.

 

-Joana, tens de voltar! O Vasco enlouqueceu...

- Mais ainda???!

Ainda fiz esta piada mas a voz de pânico do outro lado não me deixou avançar mais na brincadeira.

- Volta depressa. Está imparável. Já fechei o coelho na casa de banho com medo que ele o desfaça..

- Desculpa?!

- A sério vem depressa. Não percas tempo a falar. Vem.

 

Voltei.

Quando voltei não queria acreditar.

Era o apocalipse!

O fim do mundo!

Um cenário de destruição.

Parece que tinha passado um furação pela sala.

 

O Vasco achou piada ao cesto das lãs.

E conversa puxa conversa quando viu já estava todo emaranhado.

Para conseguir sair daquele novelo gigante começou a andar feito boneco michelin pela sala.

E foi levando tudo à frente.

Passou pelos quadradinhos da manta que estou a tricotar e arremessou tudo por todo lado.

Lãs por toda a sala. Quadradinhos tricotados por toda a sala.

Tudo embaraçado.

Mais uns passos.

Qual contorcionista chinesa. Só que não.

Deitou os vasos das plantas ao chão.

As plantas...

Terra. E mais terra.

 

Quando entrei em casa estava o desgraçado a pular no sofá enrolado em lãs.

Debatia-se com os fios.

Tentava tirar as patas do meio do bolo de lãs e fios.

Ao que parece aconteceu tudo um bocado por acidente mas ele não estava com cara de caso.

Pelo contrário, a Susana, sim!

Com um ar desvairado de tanto andar atrás dele.

 

O safardanas viu-me.

O olhar dizia tudo.

-Olaaaaaaaaaaaaaá, Joana. Queres brincar?

- #%%&%$#%&&$##

 

- É tão giro! Eu ensino-te! É assim: enrolas-te em lãs e tentas andar....e não consegues..e tentas outra vez...queres experimentar, queres experimentar??

- $%#"7%$##%$

 

Largou a correr ao meu encontro.

Não percebeu é que estava enrolado em lã.

E que estava uma mesa de apoio no caminho.

Levou tudo atrás.

Puxou a toalha da mesa.

Caiu tudo em cima dele.

Assustou-se.

Magoou-se. (nada de grave)

Começou a ganir.

Começou a tremer.

Lá o embrulhei.

Lá o acarinhei.

Nem tive coragem de ralhar com ele.

vasco1112 (1).jpg

E como sou um mau exemplo de mãe dei-lhe um osso novo para voltar a ver o meu bebé novamente contente.

Sou uma péssima educadora. 

Mesmo má...bera...

...mas fico de coração partido quando o vejo triste...

 

vasco1112.jpg

 

20.01.17

a trouxinha da felicidade...

Joana Marques

Ingredientes:

- salmão temperado com sal e pimenta (ou qualquer outro peixe que gostem);

- tomate inteiro picado com um garfo;

- rodelas de cebola;

- pimento amarelo, verde e vermelho;

- um fio de azeite;

- brócolos cortados em pedaços pequenos;

- alguns camarões;

- sal;

Colocar tudo dentro de papel de alumínio.

25 (4).JPG

 Fechar bem fechadinho.

25 (8).JPG

Vai ao forno.

E quando tiramos do forno e abrimos.

Percebemos porque é que se chama a trouxinha da felicidade!

25 (11).JPG

25 (15).JPG

 Depois é só empratar e comer!

Costumo acompanhar com arroz branco!

25 (31).JPG

bonapeppetit.jpg

 

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Joana Marques

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