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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

a amizade. Segundo Vinicius de Moraes...

18.04.17, Joana Marques

Tenho amigos que não sabem o quanto são meus amigos.

Não percebem o amor que lhes devoto

e a absoluta necessidade que tenho deles.

A amizade é um sentimento mais nobre do que o amor, 

eis que permite que o objeto dela se divida em outros afetos, 

enquanto o amor tem intrínseco o ciúme, que não admite a rivalidade.

 

E eu poderia suportar, embora não sem dor, 

que tivessem morrido todos os meus amores, 

mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos !

 

Até mesmo aqueles que não percebem o quanto são meus amigos 

e o quanto minha vida depende de suas existências ... 

 

A alguns deles não procuro, basta-me saber que eles existem.

Esta mera condição me encoraja a seguir em frente pela vida. 

 

Mas, porque não os procuro com assiduidade, 

não posso lhes dizer o quanto gosto deles. 

Eles não iriam acreditar. 

 

Muitos deles estão lendo esta crónica e não sabem

que estão incluídos na sagrada relação de meus amigos. 

 

Mas é delicioso que eu saiba e sinta que os adoro, 

embora não declare e não os procure. 

 

E às vezes, quando os procuro, 

noto que eles não tem noção de como me são necessários,

de como são indispensáveis ao meu equilíbrio vital, 

porque eles fazem parte do mundo que eu, 

tremulamente, construí,

e se tornaram alicerces do meu encanto pela vida.

 

Se um deles morrer, eu ficarei torto para um lado.

Se todos eles morrerem, eu desabo!

Por isso é que, sem que eles saibam, eu rezo pela vida deles.

 

E me envergonho, porque essa minha prece é, 

em síntese, dirigida ao meu bem estar. 

Ela é, talvez, fruto do meu egoísmo.

Por vezes, mergulho em pensamentos sobre alguns deles.

 

Quando viajo e fico diante de lugares maravilhosos,

cai-me alguma lágrima por não estarem junto de mim,

compartilhando daquele prazer ...

Se alguma coisa me consome e me envelhece 

é que a roda furiosa da vida 

não me permite ter sempre ao meu lado,

morando comigo, andando comigo, 

falando comigo, vivendo comigo, 

todos os meus amigos, e, principalmente, 

os que só desconfiam 

- ou talvez nunca vão saber -

que são meus amigos!

 

A gente não faz amigos, reconhece-os.

 


Vinicius de Moraes

 

para o J. que não quis ser meu amigo.

last weekend...

18.04.17, Joana Marques

Estava na iminência de passar a Páscoa sozinha. Numa cidade que ainda não domino.

Os meus pais e irmãos vêm cá no próximo fim de semana.

Não podiam vir nos dois.

Fui salva pela minha amiga Maria que me convidou.

- Fim de semana em Berlim? Queres?

Estranhei. Berlim?

Afinal o fim de semana, não era um fim de semana de lazer. Tinha como objetivo assistir a um seminário sobre agricultura biológica. Podendo o sábado estender-se até domingo. E domingo sim, podíamos pôr em prática tudo o que aprendemos.

 

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(a entrada da quinta, muito discreta)

 

A quinta de agricultura biológica não é muito grande. Tudo o que tem faz sentido naquele propósito.

Algumas coisas chamaram-me à atenção.

 

- As Joaninhas são bichinhos preciosos na agricultura biológica.

Porque combatem animais nocivos, como o piolho.

E por isso não têm de usar pesticidas.

Por acaso, sempre achei que quem tem uma Joaninha tem tudo, quem não tem arranje!

 

- Usam muitas ervas de cheiro no meio das mais variadas culturas.

Também elas ajudam a afastar a bicheza má.

 

- As abelhas são super importantes e por isso são muito estimadas.

A abelha está para eles como a vaca está para a Índia.

 

- Fazem criação de minhocas. Epígea Eisenia.

Com elas fazem compostagem a sério.

Segundo eles, este bichinho nojento como o caneco, transforma todo o tipo de matéria, em terra espetacular.

Vendem para fora.

Se estiverem interessados são baratinhas e nojentas. Muitas a 5€!

 

- Fizeram um lago artificial no meio da quinta.

Porque tinham pragas de caracóis e lesmas.

O lago atraiu sapos.

E os sapos são como o Sebastião, comem tudo, tudo, tudo...

 

- Recebem voluntários do mundo todo para aprender os conceitos.

Têm mão de obra gratuita o ano inteiro.

Tudo na quinta é feito com trabalho voluntário.

 

- As construções da quinta são feitas com lama.

Um método antigo.

O telhado é coberto de palha.

E aguentam-se com chuva e tudo.

Enquanto lá estive, choveu.

Refugiámos-nos na tenda de meditação e não entrou nem um pingo.

 

- As casas de banho. Temos mesmo de falar das casas de banho?

Vou falar das casas de banho.

Chamam-se casas de banho secas.

Não têm autoclismo como as casas de banho normais.

Situam-se no equivalente a um primeiro andar.

Têm sanita.

Mas os dejetos vão parar ao rés do chão.

Em vez de puxar o autoclismo cobre-se com serradura.

Apanha-se e põe-se dentro de um contentor.

Junta-se à festa a bela Epígea Eisenia. Em quantidades industriais.

Um ano depois têm terra boa. Aplicam-na nos produtos biológicos que vendem.

Nesta parte aqui, fiquei com vontade de me agarrar forte e feio aos produtos industrializados e aos pesticidas.

 

Também têm casas de banho normais. Para pessoas que tomam a pílula ou antibióticos.

Segundo eles, neste caso as Epígea Eisenia não dão conta do recado e a terra proveniente pode contaminar os solos.

Também aprendi que a pílula está a deixar os peixes do mar estéreis.

Apeteceu-me regurgitar o peixe que tinha comido ao almoço.

 

- A quinta tem porcos. Especiais.

Porque, este tipo de porco consegue arrancar e comer raízes indesejáveis. São prestáveis e trabalhadores enquanto fazem o que mais gostam, comer!

Fizeram-me lembrar a celebre frase de Confúcio:

 

"Escolhe um trabalho de que gostes e não terás de trabalhar um único dia da tua vida".

 

 - O lago e os dois pontos de água estão cobertos com plantas que filtram as impurezas da água e por isso a água é muito límpida.

 

- Os pontos de água estão em locais estratégicos da quinta e foram feitos quando retiraram a lama para construirem a loja biológica, a tenda da meditação e um pequeno local onde as pessoas se podem juntar e conviver. Só funciona aos fins de semana. Não sei se é um café ou uma tasca. É qualquer coisa entre os dois.

Como tinha um sofá.

Este foi o local preferido do Vasco.

Passou lá o domingo todo.

 

- A quinta parece caótica.

Muito desarrumada.

Cheia de erva e com culturas aqui e ali. É mesmo assim.

Quem vem de fora tem medo de pisar alguma coisa importante.

Às tantas não se percebe onde acaba o pousio e começam as culturas propriamente ditas.

 

- Os produtos da loja são caros. Mas segundo eles, vendem tudo. Para além dos hortícolas produzidos na quinta, vendem pão. Têm muitas variedades de pão: batata doce, azeite, beterraba, etc. E o pão é um dos produtos mais vendidos. As pessoas deslocam-se à quinta pelo pão e acabam por comprar muito mais.

 

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(eu em exercício de funções, a plantar uma árvore)

 

É um conceito, no qual me identifico mas ainda não me sinto preparada para abraçar um projeto desta natureza.

Tenho andado a pensar no que vou fazer quando voltar a Portugal.

Algo deste tipo?

Acho que não.

A parte das casas de banho deu cabo de mim. E também não me estou a ver, criar Epígea Eisenia.

Vasquinhos sim, Epígea Eisenia, não!

Se valeu a pena? Claro que valeu a pena.

Um fim de semana diferente. E proveitoso.

2 semanas...

17.04.17, Joana Marques

Tudo começou no Natal.

Quando uma amiga minha me ofereceu este livro.

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Sentia-me esgotada. E não era só do trabalho.

Tinha momentos de tristeza inexplicáveis.

O que li fez sentido. E achei que tinha de começar por algum lado. Pensei: vou tirar o glúten.

Há uns anos atrás, o meu teste de intolerância tinha dado o glúten na parte amarela.

Quando iniciei a dieta nessa altura, não comi glúten durante 6 meses. Depois voltei.

É extremamente difícil evitar o glúten. Tudo tem glúten. Ou quase.

 

 

Como fui para a Grécia em Março o processo demorou mais do que eu esperava.

Tinha em mente. Não ao glúten. Não aos alimentos processados. Se tiver mais do que um ingrediente que tenha sido eu a junta-los.

Entretanto fui tirando ideias. E descobri o regime Paleo. Foi um dia de sorte.

 

Quando fiz anos ofereceram-me este livro. Gostei.

Tem muitas ideias para refeições. Com todas as ideias podemos adaptar outras.

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Entretanto comecei a ler este livro.

Tenho aprendido muito. Sobre este regime. Sobre este estilo de vida. Sobretudo sobre ter saúde. E como devemos começar o mais rápido possível para em velhos termos qualidade de vida.

Chegar a velho é o melhor que nos pode acontecer. Quer dizer que estamos vivos. Que não tivemos nenhum acidente com facas e afins durante o nosso trajeto.

Que se chegue bem. Sem grandes mazelas. E encargos.

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Também aderi a um grupo no facebook: PALEO descomplicado. Têm feito a diferença. Tenho aprendido muito com todas as partilhas.

 

O que me propus no início. Há duas semanas era fazer 80% de refeições Paleo.

Só que me senti tão bem nos primeiros dias que deixem andar....e só deu Paleo.

2 semanas sem ter fome.

2 semanas sem comer açúcar.

2 semanas sem comer glúten.

2 semanas sem sentir a falta de nada.

Absolutamente nada.

Aquelas fomes repentinas, já eram.

Como bem, em qualidade. Não tenho restrições de quantidade.

Tenho restrições em laticínios e ovos. Já as tinha. Tendo em conta as minhas intolerâncias.

Tenho introduzido alguns alimentos aos quais sentia intolerância que agora já não faço reação. Por isso tenho alguma esperança em relação aos ovos.

Faz todo o sentido este tipo de alimentação. Sinto-me em casa. Ou melhor, na caverna!

E é óbvio que é para continuar. Se me sinto bem só faz sentido continuar...

 

Se quiserem saber o que nós comemos, é só seguir o esquema!

 

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 (tirei a imagem aqui)

 

fim de semana de 4 dias...

15.04.17, Joana Marques

Ontem foi feriado na Noruega. Tal como em Portugal.

Segunda também é feriado.

A Noruega tem 16 feriados por ano.

Só em Maio temos 3.

 

Quase toda a gente aproveita estas mini-férias da Páscoa para ir para fora.

Eu não tinha grandes planos. Fui salva pela minha amiga Maria. Que me desafiou a passar estes dias em Berlim.

Aceitei.

 

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Chegámos ontem. Passeámos. Visitámos.

 

O objetivo da visita é outro.

Hoje iremos a um seminário sobre agricultura biológica e permacultura.

Amanhã se quisermos podemos experimentar e por as mãos na terra.

Estou ansiosa.

Tem tudo a ver comigo e com a fase pela qual estou a passar.

Segunda regresso.

O Vasco! Garantidamente deve ser o cão com mais milhas no corpo!

 

 

eu queria ser suficiente...

14.04.17, Joana Marques

 

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Da próxima vez que eu gostar de alguém. E alguém gostar de mim. Quero ser suficiente.

 

Não quero que ache que eu sou o ser melhor do mundo. Isso seria um equivoco.

Especial, sim. Porque somos todos à nossa maneira. O melhor do mundo não.

 

Não quero que me considere alguém que tanto faz. Que o faça olhar para o lado.

Ser melhor que nada. Não. Também não quero.

 

Quero ser suficiente. Ser suficiente é a conta certa. Não é a mais nem a menos.

Ser suficiente. É ter os pés bem assentes na terra. Não num sonho. Ou num pesadelo.

 

Neste momento eu sou suficiente. Para mim. Tenho de ser.

Daqui a algum tempo pode ser que não.  Que encontre alguém que eu seja suficiente.  E que seja suficiente para mim.

E assim, sim. Podemos ser felizes.

 

pick one....

13.04.17, Joana Marques

No final deste mês ou início do próximo tenho de ir a Barcelona.

 

Será que devo ficar por lá.

 

- Os preços são muito mais económicos.

- As pessoas são muito mais simpáticas.

- O ambiente de trabalho é espetacular.

- A hora de almoço pode ser prolongada até ao Natal.

- Toda a gente acha normal eu sorrir e toda a gente sorri de volta.

- O Sol espreita e depois fica até ao fim do dia.

- Tenho o meu coelhinho em Barcelona.

- O cão não fica sozinho em casa e eu tenho de andar num stress que só visto.

-A casa é mais pequena e por isso as minhas visitas não podem ficar lá a dormir. (os meus pais, os meus irmãos, sobrinhos, etc).

- Posso correr na rua mas o cão detesta. E quer-me dar para adoção.

 

Ou:

volto para Oslo.

 

- Um café custa os olhos da cara e um automóvel deve custar um rim.

- As pessoas parece que engoliram meio kg de fel da terra. (não bebam é horrível)

- O ambiente de trabalho está entre o morto e o enterrado.

- O trabalho rende muito mais porque não se perde tempo com conversas. E eu quero despachar-me para terminar isto rápido e voltar para Portugal.

- A hora de almoço é meia hora. E ninguém percebe que uma pessoa é paleo e que no tempo das cavernas não havia relógio.

- Ninguém acha normal eu sorrir, as mulheres olham para mim como se eu fosse uma maluca e os homens acham que eu me estou a atirar a eles.

- O tempo é uma $%#$%$%

- O cão fica em casa sozinho. Gosta. Eu também. E eu posso passear, visitar tudo o que me apetece e viver mais a cidade.

- A casa é maior e por isso posso receber pessoas, não têm que ficar num hotel.

- Corro numa passadeira no ginásio do meu prédio.

 

E agora??

O que raio é que eu vou escolher???

Só posso escolher um....

 

i've been there...

12.04.17, Joana Marques

Já apareci, alegremente, em casa de uma pessoa.

Com roupa garrida de praia.

Cheia de areia, sal, sol e alegria ilimitada.

Um ente querido dessa pessoa tinha morrido nesse dia. Toda a gente sabia. Menos eu que tinha deixado o telemóvel em casa.

Todos de preto e eu de cor-de-laranja.

 

Uma amiga minha mostrou-me uma foto que o filho de dois anos lhe tirou.

Estava a minha amiga de pijama, virada de costas. Um rabo enorme. E eu disse:

- Oh! credo.

E fiz um ar de: que coisa tão feia.

 

Num almoço de família. E eu tenho uma família quilométrica. O meu pai estava a abrir uma garrafa de vinho.

A rolha ia se desfazendo e eu em alto e bom som para toda a gente ouvir.

- Caneco, mas não tens uma garrafa de vinho que preste?

A garrafa tinha sido oferecido pelo meu tio. Estava sentado ao lado do meu pai.

 

Já estive duas horas num velório de uma pessoa que não conhecia de lado nenhum.

E só percebi que me tinha enganado, uns dias depois, porque a namorada do falecido me deixou de falar.

Como eu não apareci, achou que a tinha abandonado numa hora difícil.

 

Já fui visitar à maternidade uma amiga.

Com balões, flores e prendas para o bebé.

As coisas correram mal e não havia bebé nenhum. Tinha recebido uma mensagem mas só li metade.

Eu cheguei lá e dei-lhe um grande abraço. E disse:

- Querida, parabéns! Quem me dera estar no teu lugar...

 

Já ofereci um bolo de anos à minha tia.

64 anos diziam as velas.

Afinal fazia 54.

 

Já olhei para a foto de um filho de uma amiga da minha irmã.

Esta amiga é uma mulher lindissima, já foi Miss Portugal. E eu disse:

- Sai ao pai?

 

Já ofereci uma camisola a uma amiga.

Número 40.

Era pequena, a camisola.

E eu disse..

- Desculpa lá, não me lembrava que eras tão grande.

 

Já estive com um grupo de amigos e conhecidos.

Começou-se a falar do Zé.

Um amigo nosso que não estava lá.

E eu disse:

- Lembram-se daquela namorada dele. Que grande aberração.

A rapariga estava sentada ao meu lado.

 

Já dei os parabéns a um colega. Porque achei que o filho tinha acabado a licenciatura nesse dia.

Enganei-me no colega.

A quem eu dei os parabéns tinha acabado de ser despedido.

 

Já fui às compras com uma amiga. Ela pega num vestido e diz:

- Olha tão giro! Vou compra-lo à Rosarinho.

E eu digo:

- Giro?? Que horror! Não queres antes oferecer-lhe um saco de batatas daqueles de serapilheira???

E a minha amiga responde.

- Tenho um igual.

 

Já entrei num hotel, nos Açores, aos gritos com um colega. Que se estava a sentir mal.

- MAS PORQUE RAIO É QUE COMESTE TANTOS BISPOS.

Bispos é um tipo de bolo parecido com o mil-folhas.

Quando eu olho estavam milhões de padres a olhar para nós.

Era uma congregação qualquer que reunia naquele hotel.

 

 

Já passei por todos estes lugares. E por outros. Também pouco agradáveis.

O timing certo é uma cena que não me assiste.

Tenho pena, muita pena.

Devia ser mais equilibrada, ter mais cuidado. Ser mais ponderada.

 

Esta semana.

Cereja no topo do bolo.

No domingo, zanguei-me a sério com uma pessoa.

Que fazia anos na segunda.

Mais uma vez o timing correto.

Para piorar.

Eu achava que fazia anos hoje.

E não lhe dei os parabéns no dia certo.

Ontem é que percebi que já tinha feito anos. E dei-lhe os parabéns um dia depois.

Vale o que vale...acho que na verdade não valeu nada.

A pessoa ainda me respondeu com um "tudo de bom".

Irónico, certamente, porque nem com molho de escabeche em cima me deve tolerar.

 

 

Posso-me gabar deste feito.

Sem orgulho nenhum.

Existe um grupo de pessoas que ao longo do tempo foram lesadas por mim.

Deve ser por isso que me estou a adaptar tão bem ao regime Paleo. Sou uma autentica mulher das cavernas.

Não posso andar com o tempo para trás. E alterar o que fiz. Só posso mesmo pedir desculpa.

Sendo que eu tenho uma máxima que tento seguir mas não consigo. As desculpas não se pedem evitam-se.

E muitas vezes a amizade e a confiança ficam irremediavelmente perdidas.

 

 

Há dias em que me apetece pedir encarecidamente que alguém me dê um tiro.

Me passe a ferro com um trator agrícola.

Ou me dê vinte chibatadas em praça publica.

Pode ser no Rossio....se faz favor.

 

Há dias tão difíceis no planeta Joana...

 

noruega, obrigada! Mas não, obrigada...

11.04.17, Joana Marques

A Noruega tem uma grande tradição na arte de pescar.

O mais estranho é que nos supermercados imperam os filetes e o peixe congelado.

Se quisermos peixe fresco convém ir à lota. De manhã cedo.

Conseguimos comprar peixe bom, muito fresco e muito mais barato.

 

Entretanto já consegui encontrar supermercados mais em conta.

Caros ainda assim, mas menos pretenciosos que o primeiro.

Segundo percebi,  onde fui, é a Santa Sé dos Supermercados.

Caro, caríssimo,  em caixinhas pequeninas. Gourmet!

 

Demoro uma eternidade a fazer compras.

E muitas coisas acabo por desistir de comprar porque quando leio os rótulos não percebo a maioria dos ingredientes e não arrisco.

Um destes dias arrisquei.

Vi isto. E comprei.

 

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Atum. Já comi atum aqui mas fresco.

As saudades que eu tinha de comer um atum em lata. Misturar numa saladinha.

Abri.

Uma história triste.

O atum tinha cortado os pulsos dentro da lata.

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Ainda provei. O sabor é igual ao aspeto.

Uma nhanha norueguesa....

 

Noruega, no que diz respeito a latinhas...

...ficamos por aqui...

 

obrigada! Mas não, obrigada!

 

a vida a passar-me ao lado....

10.04.17, Joana Marques

Já fui muito pouco de telemóveis e tecnologias.

Foi o meu pai que me deu o primeiro telemóvel. Toda a gente tinha menos eu.

Ligava tanto, tanto ao telemóvel que ficava em casa dias a fio.

 

Depois comecei a tê-lo comigo porque as pessoas ligavam.

E era chato não atender ou devolver a chamada.

Ilusão minha.

Até podia estar comigo mas estava no fundo da mala a maioria das vezes desligado. Sem bateria. Morto.

 

Com a chegada do Vasco a coisa piorou.

Adora telemóveis.

Gosta de brincar com eles e acaba por estragar os bichos.

E sim, já experimentei com um falso. É como os miúdos deteta o falso logo que lho dou.

Também já experimentei com telemóveis velhos. Quando a esmola é grande o santo desconfia. E o cão é tudo menos parvo.

Desde que ele chegou que tenta por todos os meios tirar-me o telemóvel.

Habituei-me a esconde-lo na gaveta da mesinha de cabeceira.

E quando estou na sala numa prateleira.

Fora do alcance de cães bisbilhoteiros.

 

O meu Ipad durou dois dias. Nem isso.

Tocaram-me à campainha deixei-o no sofá e quando voltei aterrou aos meus pés num estado pouco católico. Não teve arranjo.

 

Quando comecei este blog o meu telemóvel desapareceu misteriosamente.

Encontrei-o dentro da máquina de lavar roupa.

Tinha sido lavado e centrifugado.

O telemóvel não tem pernas.

Quem o pôs lá??

Resposta fácil.

 

A verdade é que com o passar do tempo, o telemóvel foi sendo cada vez mais importante.

Não propriamente a funcionalidade de fazer chamadas mas todas as outras.

O messenger tem sido um lugar muito frequentado por mim.

Estar longe também ajudou.

Se estivesse em Portugal provavelmente estava com as pessoas e não andava com o messenger de um lado para o outro.

 

Até para o blog é importante o telemóvel.

Faço alguma gestão através do telemóvel sendo que preferencialmente pelo computador.

Neste momento o telemóvel é um instrumento indispensável.

 

Na sexta feira de manhã, não é que o sacripanta do cão me apanhou o telemóvel.

Fui com jeitinho. Muito jeitinho.

- Vasco, Vasquinho.....

E ele recuou..

E eu..

- Vasco...

E ele todo contente com o telemóvel. Um salto.

- VASCO...

Parecia uma bola saltitona. Feliz da vida com o novo brinquedo.

E de repente o telemóvel atira o telemóvel ao ar e sai pela janela fora.

Moro num terceiro andar.

Ainda desci as escadas à pressa para constatar o inevitável.

O meu telemóvel estava morto para sempre.

No meio dos destroços ainda consegui salvar o cartão.

 

Pedi emprestado o telemóvel a uma colega...não foi bem pedir...implorei.

Enviei uma mensagem ao meu irmão e foi ele que publicou o post de sexta.

 

E depois foi ver a vida passar-me ao lado.

Mesmo, mesmo a passar-me ao lado.

As coisas a acontecerem em Portugal e eu sozinha na Noruega.

Foi assim que me senti o dia todo.

Esperei pelas três da tarde para sair do trabalho e comprar outro. Parece-me que foram anos.

E os preços? Por aqui são baratíssimos os telemóveis.....

 

a semana que passou...

09.04.17, Joana Marques

Muitas mudanças de uma vez só.

Mudei de país mais uma vez.

Troquei a minha cama num contentor poeirento na Grécia por uma cama estilo ikea num apartamento na Noruega.

Deixei o mau café da Grécia para o bom mas muito caro café na Noruega.

Passei a ter horários certinhos. E a sair às 15h. Todos os dias.

O ambiente de trabalho é diferente. Sisudo. Concentrado. E cinzentão.

 

O cão já fica em casa sozinho.

Quando eu chego a casa recebe-me como se eu fosse a rainha de Inglaterra.

 

Explorei a nova cidade todos os dias desta semana.

Gosto muito de Oslo.

Parece uma cidade muito segura ainda que a polícia esta semana tenha encontrado uma bomba.

 

Recomecei a correr.

Ontem corri 10 km.

Hoje só corri 8 km.

 

Fiz o meu primeiro workshop. Leites vegetais. Ontem.

Pintei novamente. Uma aguarela. Está no instagram.

 

Mudei o meu regime alimentar. Adaptei-me bem.

Tenho-me divertido muito a cozinhar e a descobrir novos alimentos.

Amo profundamente beterraba. E batata doce cozida a vapor.

Nunca tive tanta loiça para lavar. Pôr loiça suja dentro da máquina e tirar loiça limpinha é mais ou menos a tarefa principal dos meus dias.

 

Na sexta feira foi dia de follow friday.

Destaquei o blog "Alice Alfazema".

Fui destacada pelos blogs "um quarto para as nove" e pelo blog "Blog da Margarida". Agradeço de coração.

Às 17h o sapo destacou um post meu. Obrigada.

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A minha manta já tem mais 7 quadrados.

Estou a pensar fazer um desvio. E usar alguns quadrados para almofadas. Esta casa precisa de alguma cor.

 

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O meu xaile também cresceu.

Já cheguei à parte amarela do fio.

Não vejo à hora de chegar à parte verde.

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Foi uma semana boa!

mais um dia feliz...

08.04.17, Joana Marques

Os meus dias, no que diz respeito à comida, neste momento já são compostos por apenas 3 refeições.

Ás vezes, quando me deito muito tarde como qualquer coisa.

No entanto, já não é frequente.

 

Começo de manhã pelo Creme Budwig.

E até de manhã há diferenças.

Já não acordo com aquela fome capaz de não aguentar ir tirar análises em jejum, por exemplo.

Se não comer logo não há problema.

Aguento uma, duas, três horas.

 

Ao almoço:

Salteei frango em azeite e tomilho.

Cozi a vapor batata doce e cogumelos.

Juntei alface (diferentes tipos) e canónigos. Juntei tomate, meio abacate e um iogurte de coco (que eu fiz).

 

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Comi tudo!

 

Ao jantar uma salada. Rúcula, nectarina, pescada desfeita, beterraba, abacate e tudo temperado com azeite.

Mesmo que não sejam paleo, nem tenham vontade de o ser, experimentem cozer legumes a vapor. São deliciosos!

devia ter pedido bom tempo...

06.04.17, Joana Marques

Segunda-feira. Primeiro dia de trabalho.

Cheguei às 7h30 mas ainda não estava ninguém.

Às dez para as oito começaram a chegar. E às oito já tinha chegado toda a gente.

Fui apresentada aos meus colegas. Indicaram-me o local onde iria trabalhar. Fizeram-me uma visita guiada pelas instalações.

 

Entrei em gabinetes. Mostraram-me a sala de convívio. Onde é suposto almoçarmos. Olhei, tornei a olhar.

Tem mesas. Tem cadeiras. Tem frigorífico. Tem máquina de café. E micro-ondas? Onde está o micro-ondas?

- Não têm micro-ondas?

Não, porque aqui não se usa almoçar propriamente. Comem qualquer coisa, uma sandes e pronto.

Vê-se logo que não foram educados pela minha mãe que diz sempre:

- Pão não é refeição.

 

- Podemos ter micro-ondas?

- Precisas de um micro-ondas?

-

 

Disseram-me para preencher um formulário e pedir o micro-ondas.

Tentar não custa e lá preenchi o formulário.

Na terça-feira de manhã estava eu entretida a trabalhar. Entra-me um homem gabinete dentro. O formulário tinha ido parar a ele.

Vinha com uma cara. Parecia que lhe tinha pedido um unicórnio.

- Micro-ondas?

- Sim. Sou portuguesa. Em Portugal comemos comida a sério. E estou a seguir o regime Paleo e preciso mesmo de aquecer algumas refeições.

 

Se eu fosse o senhor tinha respondido.

- Ah! E tal e no Paleolítico por acaso tinham micro-ondas? Onde é que o ligavam??? Aos olhos do mamute??

...mas não, o senhor do micro-ondas fez um ar meio confuso.

Acho que não faz ideia do que é o regime Paleo e fiquei com dúvidas se sabia o que é ser português. Disse-me:

- Hoje não devo conseguir tê-lo cá. Amanhã, garantidamente já o tem...

-

Fiz um ar de espanto. Tinha preenchido o formulário sem fé nenhuma. Achei que iam acender uma lareira com ele. E afinal demorava dois dias!!

 

O senhor do micro-ondas deve ter interpretado o contrário.

Daí a uma hora quando fui almoçar qual não foi o meu espanto quando vi um micro-ondas novinho em folha.

micro-ondas.jpg

Estúpida que eu sou! Devia ter pedido um fogão....

...ou um trem de cozinha.....

....parva, parva, parva!

....devia era ter pedido bom tempo...

paleo...#3

05.04.17, Joana Marques

Ao terceiro dia já não consigo perceber porque raio é que durante 36 anos não fui paleo.

E como é que consegui ser feliz sem ser paleo.

A minha asma começa a passar. Quer dizer que as inflamações que trouxe da Grécia fruto da má alimentação estão a falecer. Paz à sua alma..

Os níveis de energia estão lá em cima.

A boa disposição voltou.

O sorriso pronto também...contrasta muito com as caras que vejo todos os dias. A partir de agora é o chamado sorriso paleo!

Vontade de comer alimentos processados. Zero.

Vontade de comer porcarias. Zero.

Nada de fomes repentinas. Tudo muito equilibrado!

 

De manhã: creme budwig. Usei no creme: um iogurte de coco caseiro, sumo de meio limão, a banana, uma manga, amêndoa, azeite. Uma colher de sopa de farinha de Quinoa. No fim canela. Estava divinal.

 

Almoço: salada com alface, rúcula, tomate, frango, ananás, camarão. Temperei com azeite.

 

Jantar: Bife de Peru grelhado. Brócolos, cenoura e beringela cozidos a vapor.

Os legumes cozinhados a vapor...é um outro nível. Nunca tinha comido cenoura tão boa na vida!

Acrescentei tomate.Temperei com azeite.

 

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À noite comi meio abacate.

Hoje de manhã acordei sem fome. Pela primeira vez na minha vida. Obviamente comi....creme budwig!