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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

Boa Sorte, Joana!

03.08.17, Joana Marques

Desde que nasci, desenho e pinto.

É claro que é um exagero.

Não comecei logo, logo a desenhar...nem a pintar. Quase.

A minha mãe é pintora e desde muito nova que a via desenhar...e pintar.

Como sempre dormi pouco, a minha mãe diz que desde bebé, a via pintar.

Punha-me na cadeirinha própria para bebés.

Daquelas que uma pessoa está amarrada até à lua.

Mesmo que se tente de todas as maneiras, não conseguimos sair.

Estamos presos até algum adulto querido nos resgate.

 

Pequena Joana, eu, ficava a olhar para a mãe, a minha. Horas a fio...

A minha mãe pintava e eu via.

Era como se estivesse a ver televisão. Só que estava dentro da cena...

 

Foi natural para mim começar a desenhar e a pintar.

Nunca saí do concreto.

Nem da mediocridade.

Até porque não tenho um estilo próprio.

Tento vários. E nada é bom..

 

Mas desenhar e pintar é algo que está no sangue. No meu...

A minha agenda está cheia de rabiscos. Horríveis.

A minha casa está espalhada de papeis aguareláveis. Com desenhos e pinturas feitas por mim.

Dou-lhes tão pouca atenção que muitas vezes acabo por escrever receitas atrás das aguarelas.

Acabam quase sempre no lixo.

 

Em Carcavelos, as aguarelas amontoam-se dentro de gavetas.

Umas por cima das outras.

Coladas e sobrepostas.

Quando faço limpeza acabam por ir para o lixo....

Já tenho oferecido.

Há pessoas que me pedem.

Outras têm vergonha em pedir.

Quando se apercebem que mais uma vez estão a caminho do lixo....perdem a vergonha e pedem.

E eu dou...mas sempre com um nó na garganta. Para mim não tem qualquer valor....

 

A minha irmã é designer de interiores e às vezes pede-me para desenhar ou pintar algo que precise.

Não gosto muito deste trabalho.

É muito pouco criativo.

A minha irmã pede, sabe o que quer e eu não posso sair absolutamente nada daquilo que me pediu para fazer.

É horrível.

Se me pedir para desenhar o sapo cocas.

Tenho de desenhar o sapo cocas.

Só que às vezes apetece-me desenhar a miss piggy. Posso? Não.

- Joana, Sapo COCAS! Sapo COCAS, por favor!

A maioria das vezes acabo por ter de fazer tudo de novo.

 

Com o passar dos anos percebi que pintar, não chegava para mim.

Havia um mundo a descobrir.

De workshop em workshop acabei por trabalhar diferentes materiais e técnicas: barro, madeira, tricot, crochet, ponto cruz, bordados, decoupage, costura e várias outras coisas que neste momento não me lembro.

 

De tudo o que faço, o que me dá menos trabalho e demora menos tempo é o desenho e a pintura.

Lá está, porque é natural para mim.

Tal como disse anteriormente, nasci a pintar...quase!

 

De tudo o que eu faço o que é mais apreciado é o desenho e a pintura.

São elogiados os desenhos que deixo na toalha dos restaurantes.

Os rabiscos nos lenços de papel e nos guadanapos.

Os esboços que faço quando quero explicar alguma coisa a alguém.

Até os mapas que faço, quando quero indicar a alguém um caminho qualquer...

 

É frustrante para mim que olhem com indiferença para o par de meias que demorou 10 horas a tricotar.

E olhem com entusiasmo para o desenho que demorou 5 minutos.

É revoltante que olhem com um ar de: está girito....para uma manta que demorei 6 longos meses a crochetar e com um ar entusiasmado para um desenho de um pássaro mal amanhado que fiz em 10 minutos.

E podia acrescentar muitos mais exemplos.

 

Queria ajudar a mudar mentalidades.

E queria começar a divulgar projetos.

Ou mini negócios.Tal como o que divulguei ontem.

De alguém que foi para além do preconceito.

De alguém que tem um hobbie de um qualquer trabalho manual.

É claro que as cabeças não mudam num dia...mas tenho esperança que daqui a uns anos este tipo de arte seja apreciada tal como merece.

 

Se têm ou conhecem alguém com estas características apresentem-me o vosso trabalho.

Enviem-me um email para joanatmarqueshr@gmail.com.

E um dia destes o vosso trabalho será divulgado no quiosque.

 

Sou uma pessoa muito, muito persistente.

Daqueles ossos duro de roer....e por isso não desisto!

Não vou descansar enquanto isto não mudar.

Boa Sorte, Joana!

 

conheçam. As peças da Cutchi...

02.08.17, Joana Marques

As peças da Cutchi conquistaram-me desde o primeiro olhar.

E por isso ganhei coragem.

Enviei um email à Cutchi a perguntar se podia divulgar as peças, aqui no blog.

Respondeu-me a pessoa por trás da Cutchi.

Disse que sim. E eu ganhei o dia!

Não me conhece de lado nenhum e podia-me ter mandado dar uma volta.

Não o fez.

E eu agradeço.

Adoro ver o Quiosque com coisas bonitas...

 

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Por trás da Cutchi está a Sara.

41 anos.

Mãe de dois filhos. O António e a Helena!

Psicóloga Clínica há quase 20 anos.

A Sara, tal como tantas outras, aprendeu crochet com a avó. E também com a sua mãe.

Em 2011 nasceu a Helena. A segunda filha. E com ela, algumas peças. Toucas.

A partir daí nasceu a Cutchi. Em 2012.

O logotipo é o perfil da Helena com uma das toucas feitas pela Sara.

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Peças em crochet. Muito atuais. Muito bonitas.

Melhor! São diferentes do que aquilo que temos nas lojas comuns.

Sabem aquelas lojas onde temos medo de entrar?? Porque se entrarmos compramos tudo!

É assim que eu me sinto a olhar para as peças feitas pela Sara.

As peças de criança, Primavera/Verão, são feitas em algodão.

As peças de Inverno com fio antialérgico.

 

Este conjunto dá cabo de mim! Tão lindo! Tão lindo!

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Se tivesse filhos. Nem quero pensar...

Seria a minha ruína!

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Podem ver mais peças no facebook e também no instagram da Cutchi.

Parabéns, Sara!

Pelo talento, determinação e pelo empreendedorismo. E bom gosto!

 

Não se esqueçam de acompanhar o nosso grupo handmade life no facebook!

 

ladrão que rouba ladrão....

01.08.17, Joana Marques

Caros Quiosquianos.

    Este é um post sério.

    Um minuto de silêncio.

    E outro de consternação.

    

O Vasco foi roubado.

 

 

Desde a semana passada que estou em Londres.

Fui chamada para fazer uma formação. Termina na sexta.

Fico por cá mais outra semana. Porque me disseram para ficar.

Saí do "tenho todo o tempo do mundo de Oslo" para "não tenho tempo nenhum" de Londres.

O Vasco tem ficado o dia todo em casa.

Quando posso, passo por lá à hora de almoço. Nem sempre consigo.

Fica bem sozinho. Pelo menos não dá sinais de qualquer aborrecimento.

Dorme à vontade.

E come!

Mas quando entro no prédio, consigo sentir os pinotes dele. No sexto andar!

Ainda não tive qualquer reclamação por parte dos vizinhos.

Veremos até quando.

Provavelmente até o candeeiro da sala do vizinho de baixo cair.....

 

 

Desde que tenho o Vasco, aconselhado pelo veterinário, que lhe compro uns snacks.

Compro vários, aliás, mas estes são os preferidos do Vasco.

Permitem não formar tártaro e tratar da sua saúde ao nível da boca e dos dentes.

Este cão e segundo o peso que tem, deve poder comer 2 snacks grandes por semana.

Adora.

E não é esquisito com marcas.

Tudo o que vem à rede é peixe.

Neste caso não é peixe...mas se fosse também marchava.

Acho que até sabe quando é Quarta-Feira e Domingo.

 

 

Quando lhe dou menos atenção, fico como aqueles pais que tentam comprar os filhos quando não passam tempo com eles.

E dou-lhe mais.

Todos os dias tem direito a um snack.

Mas....em vez de lhe dar do tamanho maior, escolho os mais pequenos.

Ofereço-lho, quando fazemos o nosso passeio da tarde.

E só levo um. Só um.

Sou uma fraca.

Se levasse 5 dava-lhe tudo.

 

Ontem cheguei a casa.

Pulos de alegria.

Com tanta lambidela fiquei a pertencer à tribo canina aqui do bairro.

Peguei na trela e fomos dar uma volta.

Quando já estávamos cá fora e depois de 20 minutos de passeio, achei que era hora de lhe dar a recompensa.

Por um dia sozinho.

Por não ter destruído nada em casa.

Por me ter recebido como se fosse a Beyoncé. Sem a filharada toda e o marido feio...

 

 

Sentei-me num banco a ler o meu livro.

O Vasco entretido com o seu snack.

Parava de comer o seu snack e olhava para mim.

É espetacular ter um cão.

Desde que tenho o Vasco, fiquei muito mais exigente com os homens.

Se alguém disser que gosta de mim mas não me olhar como o Vasco me olha....adeus!

Este nível de adoração é dificil de encontrar. Se não impossível!

É amor. Verdadeiro.

 

 

De repente um ganido.

Pára tudo!

Vasco???

Tiro os olhos do livro.

E só tive tempo de ver. O Vasco em pranto.

Sem alegria, sem vontade de viver....sem snack.

Humilhado.

Muito humilhado. Se pedissem ao Picasso para jogar pictionary não teria sido tão grande a humilhação!

E de repente...

  ... passa diante dos meus olhos o ladrão. Com o snack do Vasco.

O Vasco foi roubado.

O Vasco foi roubado por um pássaro.

 

Um pássaro do tipo....pássaro. 

Daqueles que têm bico, asas e voam...roubou o Vasco.

Mesmo, mesmo ali nas margens do Tamisa.

 

 

E o Vasco?

Chorou o caminho todo até a casa.

Chorou ainda mais.

No meio da cidade. As pessoas com cara de atarefadas paravam. E perguntavam...

- O que se passa com o cão.

- Oh! Foi roubado...

- Roubado? (a cara de: "que raio disse esta maluca???")

- Sim, foi roubado por um pássaro...

- um pássaro??? (a  cara de: "eu devo ser atrasado mental mas não percebi nada da história. O cão foi roubado por um pássaro???")

 

E continuava o meu caminho.

Ao dobrar uma esquina dei de caras com dois polícias que num inglês cerrado me perguntaram se tinha acontecido alguma coisa.

Pelo comportamento do cão devem ter achado que deve ter dado de caras com o estado Islâmico.

Em Londres. Todinhos! Fresquinhos que nem alfaces...

-Ah! Não foi nada. O meu cão foi roubado por um pássaro.

Os dois polícias sorriram. E desejaram-me um resto de um bom dia.

 

  

Com o cão possuído pelo espírito daqueles bebés chorões carecas...que me tentaram impingir quando era criança.

Cheguei ao prédio e dou de caras com um vizinho. Mais perguntas...

-Ah! Eu estava a ler e o Vasco estava a comer e apareceu um pássaro e zumba....roubou o cão...

 

 

Subi as escadas. Não ando de elevador.

Sempre com o cão a chorar.

Parou várias vezes, tal era o sofrimento, a humilhação.

Por um pássaro....foi roubado por um pássaro...

Peguei nele ao colo. Ou isso ou ainda agora lá estava no meio da carpideira....

 

 

  E em casa. Dei-lhe outro.

  E depois outro.

  E mais outro...

  ...quando pediu o quarto disse-lhe que não.

  Chorou....

  ...e eu dei-lhe o meu jantar...

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