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Kiosk da Joana

Kiosk da Joana

jasmim

31.10.17, Joana Marques

Léa Gonçalves vive no Sardoal. Um concelho do Ribatejo.

Começou por trabalhar na pizaria dos pais. Acumulando com outro emprego. Recepcionista.

Mais tarde abriu uma loja de decoração. Anos de crise. O negócio foi por água abaixo.

Entretanto foi mãe. E nesta situação. O trabalho precário seria algo inevitável.

Nem isso. Ninguém a contratou.

 

Entretanto, como mãe, precisava de ir às compras e levar a sua filha. E como mãe. Tinha essa dificuldade.

Um bebé. O ovo. O carrinho de supermercado. As compras. E a bebé.

Deste desconforto. Nasceu o seu projeto de vida.

Teve uma ideia.

Correu até à máquina de costura da avó. E sem saber nada sobre o assunto.

Criou um equipamento que a ajudasse a ir ao supermercado com a bebé. Em segurança e de forma confortável. Para ambas.

E assim nasceu o Jammack.

jasmim (1).jpg

jasmim1.jpg

 Mais tarde o mimihug.

mimihug (1).jpg

Depende da idade. Do bebé.

Entretanto aprendeu a costurar.

O negócio cresceu. A ideia. Boa. Também. E hoje têm produção própria.

Podem seguir a Jasmim no facebook.

Na página da marca. Onde podem adquirir as peças.

Neste momento decorre uma campanha de crowdfunding muito importante para a marca.

É claro que nem todos podemos ajudar financeiramente. Por variadas razões.

Quem não pode ajudar. Pode partilhar a história deles. E pode ser que chegue a alguém que possa ajudar.

É esse o desafio que vos deixo.

 

 

Têm ou conhecem algum projeto. Querem que apareça por aqui? enviem um email

para: joanatmarqueshr@sapo.pt

 

Esta divulgação é totalmente gratuíta!!

Gostamos de boas ideias e queremos divulgá-las!!

 

Não se esqueçam de acompanhar o nosso grupo  handmade life  no facebook!

 

 Nesta rubrica do Quiosque:

conheçam. A Cutchi

conheçam. A Feltros Linhas e Cia

conheçam. A Marta e o seu projeto.

conheçam. Beijos de Algodão.

conheçam. A claudycostura.

 

 

fim de semana. Com o Vasco...

30.10.17, Joana Marques

Acordei cedo, cedo. No sábado.

Tinha tanta coisa para fazer.

Fui correr. Tomei banho.

Fui passear o cão.

Sentei-me e despachei coisas do trabalho.

Fui às compras. Arrumei tudo.

Fui passear o cão.

Fiz o almoço. E mais 10 refeições que me vão dar para uma boa parte da semana.

Congelei algumas.

Almocei.

E fiz-me à estrada.

 

A vizinha do meu chefe, a dona Albertina, tinha-me convidado para almoçar. Em casa da filha. Fora de Londres.

Recusei. Porque achei que era demasiado. Mas disse-lhe que lhe fazia uma visita à tarde.

Duas horas e meio de caminho depois, cheguei. Eu e o Vasco.

Abençoado GPS. Ou ainda agora estaria à procura da casa.

 

Fica no campo. A casa é pequena mas o terreno envolvente é enorme.

Os olhos do Vasco brilharam. De felicidade.

Um campo. A perder de vista. Para correr.

A filha da dona Albertina é professora primária. O genro. Inglês. É militar.

Herdaram a casa. O padrinho do genro. Deixou-lha em testamento.

 

Disseram-me logo para ficar descansada. Para soltar o Vasco. Porque o terreno estava todo murado. E ele, cão da cidade precisava de desentorpecer as pernas.

Entrei para casa, com eles.

Deixei o Vasco solto. Cá fora.

A porta de casa ficou aberta. Para o Vasco poder entrar, se quisesse.

Era uma típica casa de campo. Daquelas todo o terreno. Confortável. E feita para se viver lá dentro.

Muito simpáticos. Numa conversa meio bipolar lá nos fomos entendendo.

Eu a falar português com a Albertina. A Albertina a falar português comigo e com a filha. A filha a falar inglês com o marido e português com a mãe.

E inglês com as duas filhas gémeas.

Chá. Conversa boa. Muitas gargalhadas. Especialmente com as gémeas que têm 4 anos. E são maravilhosas.

Só que...

Eu, Joana. Estava à beira de uma embolia pulmonar.

O jardim deles em frente da casa. Lindo e bem tratado. Fazia temer o pior.

Lá fora. Estava a arma mais mortífera que um jardim pode ter. O Vasco.

Só um ruído que fosse.

E tenho a certeza que um coágulo. Se soltaria do dedo pequenino do pé. E voaria até ao meu pulmão..e záaaaas...

 

O que se passou a seguir. Prova. Que anos de sofrimento Sportinguista fizeram de mim uma mulher extremamente forte.

Primeiro ouvi um queixume do Vasco. E depois.

Ouvi um barulho à entrada de casa.

Levantei-me de imediato. Pensei no pior.

 

- Espremeu-se na lama. E vai sujar a casa da senhora.

- Encontrou a porta para o estrume de cavalo. E vai sujar a casa da senhora.

-Cheirou-lhe a comer e vai atacar a cozinha sem dó nem piedade.

Olhei para a porta mas não era o Vasco.

 

Era a Angélica.

Angélica, a cabra.

cabra.jpg

Ao fundo, estava o Vasco. Todo contorcido. Todo ele era lamuria.

Já tinha dado a sua volta.

Queria voltar para o pé de mim.

Mas algo o impedia.

Angélica, a cabra.

Cheio de medo de um bicho feroz. Vasco. Estava sem coragem de passar perto da cabra.

Uma cabra velha. Estrábica. E domesticada.

Tive de o ir buscar ao colo.

E fomos embora.

No caminho nem se ouviu. Esteve sempre encolhido no banco de trás do carro.

A Albertina já me ligou a perguntar pelo Vasco.

A filha da Albertina também me ligou por causa do Vasco.

Acham que é algo grave. Não é possível, um cão do tamanho do Vasco ter medo de uma cabra...

Para elas, no  mínimo, o cão, deve estar à beira de enfartar.

Não acreditam. Que é desparafusamento sério. Daqueles que só Vasco tem.

 

Depois de ter estado frente a frente com a aranha kardashian. Saiu-lhe na rifa a cabra Angélica.

Já está bom.

Já voltou ao mesmo.

Depois de uma noite bem dormida. Já voltou a sorrir!

 

olá, eu sou a Ana...

30.10.17, Ana

OMG! É mesmo verdade!!

Leitora assídua do Quiosque da Joana, nunca pensei, estar um dia a partilhar o espaço com a Joana.

Ainda me pergunto, porque é que fui convidada?

Pergunto-me ainda com mais convicção. Porque é que fui aceitar?

 

Somos amigas, desde sempre. 

Somos diferentes, desde sempre.

A Joana acorda sempre cedo, com bom ar e bem disposta. 

Eu gosto de acordar tarde e a más horas.

A Joana corre, corre.

Eu também, se for obrigada.

A Joana despacha tudo e não deixa para amanhã o que pode fazer hoje.

Eu engonho até não poder mais.

A Joana é a pessoa mais saudável que eu conheço. Nunca, mas nunca cai em tentação.

Eu como glúten e tudo.

Joana, liquida-me já! O que eu gosto de leite. Acho que não consigo passar sem ele.

A Joana é de outro mundo, a sério! É mesmo de outro mundo.

Eu sou apenas uma humana do mais comum. 

A Joana é do Sporting.

E eu? Também sou do Sporting! 

É o clube que nos une e não só.

Aprendemos ao mesmo tempo a tricotar e a crochetar. 

Ao fim e ao cabo, até temos algo em comum. 

Somos amigas do coração. 

 

Espero não decepcionar, muito.

O tempo é pouco mas vou dar o meu melhor.

Obrigada, Joana!

Espero que não te arrependas....

 

novidades. No quiosque...

29.10.17, Joana Marques

Este Quiosque nasceu num dia de férias.

Uma quinta feira. Em Julho. No terraço da minha casa em Carcavelos.

No dia seguinte, ia trabalhar. Nesse dia devia estar com muito tempo. Livre.

Escolhi o sapo. Registei-me. Do nada nasceu o meu perfil.

Fui seguindo os passos todos que iam surgindo. E quando me perguntaram o nome.

Pensei um segundo, dois. Ao terceiro segundo, tinha escolhido Quiosque. Da Joana. Porque era meu.

Quiosque, porque queria falar de tudo. E de nada.

Nada foi planeado. Tudo surgiu por impulso e porque sim. Porque me apetecia.

Ainda hoje é assim.

 

Muitas vezes quis terminar. Porque tenho pouco tempo.

Por outro lado, nunca consegui pôr um ponto final. Porque já faz parte da minha vida.

 

Gosto de parcerias.

E gosto de me sentir acompanhada. Partilhar sonhos. Concretizar projetos.

É sempre melhor alcançar objetivos quando estamos acompanhados. Bem acompanhados.

Para me acompanhar neste caminho. Convidei uma grande amiga minha. A Ana.

Já tinha falado com ela muitas vezes. Já a tinha convidado.

Tinha-me dito sempre que não. Até que...

Depois de muita insistência. Porque eu consigo ser muito, muito insistente...

Disse-me que sim.

 

A partir de agora, este blog, vai ser escrito a 4 mãos.

Joana e Ana. Ana e Joana.

E vai passar a chamar-se Quiosque.

Embora o endereço ali em cima, ainda seja da Joana.

Pelo menos por enquanto!

Tenho a certeza que a Ana será bem recebida.

Eu fui. Desde o primeiro dia...

 

Para seguir o perfil da Ana, é aqui!

 

Fazes tu? Porque não compras??

28.10.17, Joana Marques

Estas são as perguntas que mais ouço.

Sou viciada em fazer tricot.

E sou uma aprendiz no crochet. Também viciada. Cada vez mais.

Este meu gosto deve ter a ver com a hiperatividade que nasceu comigo.

Estar à espera do autocarro, de uma reunião ou de uma consulta sem estar a fazer nada. Não é para mim.

É claro que atualmente os telemóveis dão-nos sempre que fazer. Há sempre um cem números de coisas para ver. E para espreitar. Mesmo assim, prefiro sempre as minhas agulhas.

E é nestas ocasiões. Quando agarro nas agulhas e começo a tricotar. Em público. Que se chega alguém e me pergunta:

- O que estás a fazer?

- A sério? Fazes tu? Porque não compras??

 

Também pode ser:

- O que estás a fazer?

- Quanto é que te custou a lã?

- A sério? Fazes tu? Porque não compras?? Na Zara é muito mais barato.

 

Ou, então:

- O que estás a fazer?

- Quanto tempo demoras a fazer isso.

- A sério? Fazes tu? Porque não compras??

 

É claro que podia atirar as agulhas para o lixo. Deixar-me de coisas e ir a uma loja comprar.

Mas não era a mesma coisa.

Tricotar ou crochetar é uma mistura de relaxamento. E de independência.

Saber que posso ser eu a tricotar a minha roupa dá-me uma sensação de poder. Inexplicável.

- nha, nha, nha, nha..Zara, não preciso de ti para nada....

 

A peça que sai das minhas mãos é uma peça de qualidade.

Porque eu escolhi os fios. Bons. E de preferência portugueses.

E investi muito tempo. Na construção da peça.

A peça vai durar muitos anos. Porque eu vou tratar dela bem.

O apego a estas peças é diferente.

 

Quando compro o fio estou a ajudar empresas locais.

Se souber escolher. Posso escolher fio nacional. E comprar em lojas de bairro.

E assim o meu bairro vai ficando vivo e de boa saúde.

Se todos pensarmos um pouco assim e gastarmos um pouco do nosso salário em lojas de bairro.

Criará muitos empregos. E gerará mais riqueza na nossa terra.

 

E depois. Quando temos a peça feita. Com todos os acabamentos.

Podemos vestir e apreciar o nosso trabalho.

Ou então. Ver alguém vestida com ela.

Mal posso esperar. Para ver a Margarida com este casaquinho.

Esse momento. Esse instante. Esse prazer. Não se compra nas lojas...

casaco da margarida.jpg

 

 

derrete-se na boca. E também nas mãos...

27.10.17, Joana Marques

Tenho escolhido chocolate com mais de 80% de cacau. De preferência acima dos 90%.

A minha escolha tem recaído para esta marca. Penso que também se vende em Portugal.

 

 

Precisava de ter chocolate à altura. Dos meus gostos e necessidades.

Apetecia-me algo mais do que o chocolate propriamente dito.

Tornou-se pobre. A partir de um certo ponto.

E os que são mais ricos....têm açúcar, ou leite.

Ou algum aditivo. Que nunca me foi apresentado. E que eu dispenso.

 

Se não há. Tenho de ser eu a fazer...

As quantidades que usei podem variar e serem adaptadas às preferências de cada um.

 

150 g de chocolate (uso 92% cacau da Vivani)

40 g de coco ralado

150 g de amêndoa torrada. (podem trocar a amêndoa por avelãs, nozes...ou o que quiserem)

uma colher de chá de óleo de coco

 

Derretam o chocolate com o óleo de coco.

Torrem a amêndoa partida ou inteira. (eu costumo partir em metades)

Para torrar a amêndoa é só colocar num tabuleiro no forno e retirar quando estiver mais dourada.

Juntem o coco ralado, a amêndoa ao chocolate derretido com o óleo de coco.

Coloquem num recipiente forrado a papel vegetal, no frigorífico. Duas a três horas.

E pronto!

Depois é só cortar.

Vão ficar com bocadinhos de chocolate meio toscos. Mas muito bons.

Se quiserem algo mais apresentável. Escolham forminhas individuais. As de silicone para não pegar.

 

Costumo acompanhar com o café.

Também gosto de acompanhar com fruta.

Não abusar. Deve ser comido com alguma moderação.

- Percebeste, Joana???

-

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Mãe! Mãe! Os outros meninos comem a minha comida....

26.10.17, Joana Marques

Em Oslo limitam-se a mirar. Não pedem.

Ofereço.

Agradecem educadamente. Não aceitam, normalmente.

São mais bichos do mato. E metidos com eles próprios.

 

Em Londres.

Pedem.

Quando pedem, já vão com a mão para tirar.

O meu almoço é mais concorrido que a Zara em época de saldos.

Tira aqui. Tira dali e eu vou ficando sem comida.

 

Lanches e pausas.

Nem quero falar nisso.

Logo que eu chego alguém pede.

A minha caixinha com amêndoas e nozes. Está vazia às 9h30.

E ainda há um dia para viver.

 

Fruta. Não lhe tocam muito. Se for maçã ou pera.

Se for mirtilos. Romã. Framboesas. Ou pedacinhos de ananás.

É vê-los a pôr o donuts de lado. E a correr até mim.

Ontem. Meus amigos. Foi o fim.

Levei isto.

Uma tablete de chocolate caseira. Feita por mim, claro.

Gosto de comer um bocadinho, enquanto bebo café depois de almoço.

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Já levei a mais. A contar com eventuais mãozinhas. E não me enganei.

Adoraram...e pediram-me mais....

Eu que ando à procura de uma mudança profissional.

Parece-me que posso dedicar-me a vender comida.

 

Mãe! Mãe! Os outros meninos comem a minha comida....é o que me apetece dizer.

 

Posso publicar a receita da tablete de chocolate caseira.

Se acharem que vos pode ser útil...é só dizerem...

A chávena que aparece na fotografia foi pintada por mim.

Foi a solução que arranjei para beber café no trabalho.

Serei só eu a esquisita, que não gosta de beber café, em copinhos de plástico??

 

 

dúvidas. Existenciais.

25.10.17, Joana Marques

O chefe, do chefe do meu chefe. Que vos deu a conhecer, ontem.

Sempre que me vê. Diz que tem uma vizinha portuguesa.

Diz ele, que adora Portugal. Somos um grande país. Até porque a vizinha portuguesa é uma excelente pessoa.

Mais, acrescenta sempre que eu tenho de a conhecer.

Porque já falou muito de mim. E a senhora também me quer mesmo conhecer.

 

Ontem foi o dia.

Fui beber um chá.

Ela comeu uns bolinhos. Parecidos com scones. Eu não.

Gritavam glúten por todos os lados.

E eu tenho os meus princípios.

 

A senhora, vizinha do chefe do chefe do meu chefe. Chama-se Albertina. Tem 68 anos.

E está em Inglaterra desde que Diana de Gales casou com o príncipe Carlos.

Muito simpática. E bem disposta.

Tem uma família grande, dividida entre Portugal e Inglaterra.

 

Já para o final. Diz-me.

- Joana, vou só ali fazer um xixi.

Até me senti mal.

Inferiorizada. Em relação a este tipo de pessoas.

Um xixi. É a versão low cost do xixi.

 

Quem faz um xixi.

É gente para conseguir fazer dois xixis.

Mas só quando tem uma sanita de confiança à frente.

 

Antes de ir para cama devem fazer 4 xixis e assim evitam levantarem-se de madrugada.

Sempre desagradável.

O frio já se sente. E sair do quentinho da cama chateia.

E quem tem um cão. E ele pressente a dona levantada. E resolve nesta altura pedir para ir à rua.

- Nem pensar. Senhor Vasco. Aprende com a Albertina. E amanhã, antes de chegares a casa tenta fazer pelo menos 2 xixis e meio.

 

Descobri assim, do nada, que a minha bexiga é um loft. Com tudo ao molho e fé em Deus.

Mas há pessoas com bexigas compartimentadas. T1. T2. T3. Os mais evoluídos devem ter todo um palácio das necessidades. Dentro da bexiga.

 

Como se chega a este nível?

Será que esta capacidade vem com a idade?

Ou é algo que nasce connosco?

 

Perguntas e mais perguntas.

Dúvidas...existenciais...que fazem pensar....

 

o chefe, do chefe, do meu chefe

24.10.17, Joana Marques

O chefe, do chefe, do meu chefe.

Faz-me lembrar o Donald. Trump.

Mas sem a cor alaranjada. Pelo contrário. Aquela pele está deslavada. E sem brilho.

Tem uns 50 anos mas aparenta ter 60.

O que me faz desconfiar que tenha uma microflora intestinal completamente acabada e nas lonas.

Eu, agora. Quando olho para uma pessoa. Tento decifrar que tipo de microflora tem.

Uma mania como qualquer outra.

 

Este senhor.

Chefe, do chefe, do meu chefe.

Chama-me Joana.

A rapariga portuguesa.

Se passar pela Melly, uma colega minha canadiana.

Pergunta-lhe sempre o nome. E o país.

Se passar por ela 20 vezes, 20 vezes lhe pergunta o mesmo.

A ela e a outros colegas meus.

Nitidamente, corre a passos largos para a demência.

O que comprova a minha teoria. Microflora intestinal caótica. Em muito mau estado.

As bactérias boas zarparam para terras mais prósperas.

E as más acamparam e obviamente estão a provocar-lhe algum tipo de constrangimento.

 

O chato de saber o meu nome. É que se existe algum projeto para alguém pegar. Ele diz.

- O que pensa a Joana, a rapariga portuguesa. Vai lá ter com ela.

E é por isso que tenho trabalho até à ponta dos cabelos.

 

Gosta do Vasco.

Trata-o bem.

É um fanfarrão. Fala alto. E o Vasco não suporta gente que fale alto. E reclama.

Ele acha piada. E fala ainda mais alto.

O Vasco dá meia volta e vai procurar uma zona adequada a ouvidos sensíveis.

 

Diz que adora Portugal. Que é um país magnifico.

Ao que parece e pelo que me disse só conhece a Quinta do Lago.

Onde costuma passar férias, ano sim, ano sim.

Nunca esteve em Lisboa, nem no Porto.

Só na Quinta do Lago.

Quando se apanha dentro do hotel, lá fica de molho. Durante 15 dias a um mês.

A comida é fantástica. O hotel é fantástico. O tempo é fantástico. E Portugal é fantástico.

 

Ontem apanhou-me num momento de pausa. A comer o meu pão sem glúten. Com manteiga de amêndoa.

E com ar, incrédulo, lá me perguntou ele. Porque raio tinha eu de comer aquilo.

Teria feito mal a alguém? Nesta vida? Na vida passada?

Seria eu masoquista?

O que raio se passava com a Joana. A rapariga portuguesa.

Tirei do meu prato um dos bocadinhos de pão, barrado com manteiga de amêndoa e ofereci-lhe.

Comeu. Saboreou. Gostou.

E comeu outro quadradinho. E depois outro.

E eu...fiquei sem lanche.

Perguntou-me onde se comprava.

Eu disse que tinha sido eu a fazer.

Ficou com ar de quem foi apanhado de surpresa:

"Nós podemos fazer comida em casa??" "Em nossa casa???"

Disse-lhe o que era. Pão sem glúten. Barrado com manteiga de amêndoa.

 

Antes que o homem achasse que eu tinha vindo do mesmo planeta do Alf, o extraterrestre.

Expliquei-lhe. Resumidamente. Muito resumidamente.

Como se ele tivesse 3 anos.

Porque raio andava eu a comer aquilo. Em vez comer donuts. Como os meus colegas.

 

Hoje já passou por aqui.

Para ver o meu almoço. E comparar com o dos meus colegas.

Trouxe um "wrap" de ovo, recheado com brócolos, batata doce, couve flor, tomate, amêndoas e nozes.

 

Ficou tão interessado. Até me perguntou o que estou a pensar trazer amanhã.

Pior.

Quer que eu dê uma formação.

Aos meus colegas.

Sobre bons hábitos alimentares.

 

Ainda argumentei.

Eu sou gestora.

Eu percebo de números.

Leio orçamentos como ninguém.

Gosto de gráficos. Coloridos de preferência.

Ah! E gosto de aviões. O que eu gosto de aviões. Mas de hábitos alimentares...sei muito pouco.

Não sou médica. Não sou nutricionista. Não sou nada. E se passo alguma informação errada??

- Tu consegues, Joana. Rapariga portuguesa.

Disse-me ele enquanto me dava uma palmadinha nas costas.

 

Quero ver como é que Joana, rapariga portuguesa. Descalça esta bota....

 

dias cinzentões....

23.10.17, Joana Marques

Os dias têm sido cinzentos. Cinzentões...

Por várias razões.

O tempo em primeiro lugar. Mas sobretudo em mim.

Todos os dias me interrogo se é este o caminho que quero.

Se não estarei a desperdiçar anos de vida a trabalhar assim. Ou fora do país...

Mas será que Portugal tem respostas para me dar.

Provavelmente sou eu que as tenho de encontrar. Independentemente do país onde esteja.

Será que não deveria pensar em assentar. Ter uma família. E uma vida rotineira.

Será que estou a deprimir por causa do tempo?

Da língua que não é a minha?

De um trabalho a mil.

Ou são dias. Que passam. E um dia. Está tudo bem.

 

 

Estou em Londres. O Vasco já está comigo.

Tinha ficado em Oslo. Mesmo roubando o arroz de pato. Estava infeliz. Fui buscá-lo o fim de semana passado.

Tem estado com um humor pior que o meu.

Faz de propósito. Sempre que estou em baixo. E o assunto não é verdadeiramente grave, age como se fosse um pirralho mal comportado e embirrento.

Ontem, foi trabalhar comigo.

Saímos pela tarde. Só me apetecia chegar a casa. E fechar-me a 7 chaves.

Pediu para ir a um parque.

Lá fui.

Pobre cão. Um dia no escritório. Bem merecia.

 

O caneco do cão.

Pavoneou-se todo na erva.

Pavoneou-se nos charcos de água.

Pavoneou-se na lama.

Pavoneou-se numa trampa qualquer que eu não consegui identificar.

Seria bosta de cão? De cavalo? De camelo? Ou de unicórnio???

Nem Deus sabe...mas fica a pergunta...

 

Só sei que saí daquele parque.

Com um monte de cocó, puxado por uma trela.

Abram alas...para o cocó em andamento.

O cheiro....ó senhores. O cheiro....

Parecia que transportava ao meu lado uma bomba de mau cheiro. De 30 kg!

Esta sim, é a mãe de todas as bombas. A mãe, o pai, a madrinha e o padrinho...

 

E lá fui eu. E o cão.

Passado um bocado. Também eu estava em modo bomba de mau cheiro.

Toda eu, era lama, trampa, sujidade....

Cabelo, casaco....sapatos.

 

Subi as escadas. Muitas. Até a casa.

E quando chegámos a casa.

Só não respirei de alivio. Porque o cheiro era tão mau. Que respirar era algo.....complicado.

Pois, Sr. Vasco. Deitou-se.

Chamei-o para lhe dar banho.

Uma vez, duas vezes, três vezes....nada. Quietinho. Deitadinho. Em modo trufa de chocolate versão trampa 2017.

O pior. É que a casa já tinha também.

Desde o chão aos interruptores.

Tudo estava contaminado.

Ainda pensei que um de nós estivesse com um desarranjo intestinal. Mas não. Só andávamos a semear....aquilo que trouxemos de fora.

 

Ganhei coragem. Peguei ao colo no cão.

Trinta kg. Dentro da banheira.

Reclamação.

- Cuidado com o choque térmico. Sou um cão sensível.

 

Chuveiro.

Reclamação.

-Cuidado com a água nas orelhas. Tenho tendência a ter otites.

 

Champô.

Reclamação.

- Hey!! Cuidado com os meus olhos. Isso arde...

 

 

Muito chuveiro.

- Cuidado. Queres afogar-me...por nada...

Sequei-o.

Fechei-o na sala.

Reclamação. Choro.

- Mas eu fiz alguma coisa de mal para ficar aqui fechado.

Reclamação.

- Ai! Tenho fome. JOOOOOOOOOOAAAAAAAANA! Queres matar-me à fome???

 

Saí para limpar o rasto deixado no prédio.

Limpei a casa toda.

E tratei de mim.

O meu casaquinho de tweed completamente arruinado.

Não tive coragem de o mandar limpar fora. Demasiado cocó.

Lavei-o, eu. Não se safa.

 

E é assim. Não sei porque faz isto. Mas sempre que estou em baixo tem ideias destas.

Algumas envolvem cocó...

 

Bad day...ou talvez não.

Estou lavada em lágrimas.

Escrever este post.

Fez-me chorar a rir....

 

a vida. E o que fazemos dela...

22.10.17, Joana Marques

A verdade é que desde sempre fiz o que me deu na cabeça.

E o que me deu gozo fazer.

É claro que quando estava em casa dos meus pais, as regras eram deles.

Por isso, saí aos 17. Quando comecei a trabalhar.

Escolhi uma profissão que alimentava a minha grande paixão. Viajar.

E viajei. Muito. Conheço o mundo todo. Ou quase.

Mudei de trabalho. E dei uso à licenciatura que entretanto tinha terminado.

E também gostei.

Continuo a fazê-lo. E gosto. Só que....

 

Esta foi, é e será a minha vida.

linha.jpg

Agora que como melhor, faço exercício físico devia ter posto a linha até aos 100 anos.

Mas enfim, sendo realista, fico pelos 80 anos.

 

Ao longo da vida.

Desta linha.

Questiono-me sempre:

-És feliz?

E as respostas têm sido sempre positivas.

Há algum tempo para trás. Tem existido essa dúvida.

E a resposta à pergunta nem sempre tem sido positiva.

Será que quero continuar da forma que estou, muito mais tempo?

Trabalho desde os 17. Tenho sido feliz. Tenho tido sorte. Mas será que quero fazer isto para lá dos 60?

Abdicar da minha vida para isto?

linha1.jpg

E a resposta é não. Não, não quero.

A minha profissão é muito absorvente.

Eu sei que muita gente tem uma profissão como a minha e tem família, por exemplo.

E a qualidade de vida? Tenho a certeza que não existe. Não é possível...

 

O meu projeto norueguês está a terminar.

Ainda não sei o que farei a seguir.

Podia ficar.

Ou, posso ficar. Ou, não.

 

Neste momento, tenho muitas ideias.

E até lá vou-me decidir por um caminho.

Tem de ser.

Será bom, porque quero que assim seja. E querer é poder.

 

Só sei que não quero acordar.

Aos 60. E a pensar que dei tudo o que tinha e o que não tinha a coisas menores.

O tempo é o que fazemos com ele.

Ainda tenho muito para fazer.

De preferência, úteis.

E que façam a diferença a alguém. Sobretudo a mim...

 

espelho meu, espelho meu....

21.10.17, Joana Marques

Tenho andado a 1000.

Muito trabalho. Muito, muito trabalho.

Sem tempo para nada.

Hoje fui trabalhar. Porque tudo o que tenho para fazer é muito. E as coisas não aparecem feitas sozinhas.

O tempo está entre:

- Não sei se deprimo.

- Não sei se corto os pulsos.

O Vasco. Foi para o trabalho comigo. E esteve o dia todo com humor de cão.

Eu percebo. Trabalhar ao sábado é mesmo chato....

 

Cheguei a casa. Cansada. Com fome.

Entre deprimir. E cortar os pulsos. Preferi algo mais produtivo.

Fui para a cozinha.

Mas não demorei muito. Nem 5 minutos...

O que queria mesmo era comer alguma coisa boa.

Saciante.

Enrolar-me numa manta.

E ver televisão.

Nem que fosse por 5 minutos.

 

Já tinha experimentado algumas vezes. E nunca tinha corrido bem. Ficavam sempre borracha.

Como mudei de ingredientes. Dei-lhe o benefício da dúvida. E experimentei outra vez.

E deu nisto:

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 E por isso pergunto.

 

Espelho meu, Espelho meu...

haverá no universo mais próximo

algum bolinho melhor que o meu??

 

Se estão com dúvidas, olhem lá bem para ele outra vez....

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 Um ovo

Uma colher de sopa de coco ralado

Uma colher de sopa de farinha de amêndoa

Uma colher de sopa de cacau

Uma colher de sopa de açúcar de coco (podem colocar menos ou mais, depende do nível de gulodice)

Duas colheres de sopa de leite de coco

Uma colher de café de fermento

Canela se gostarem. Coloquei uma colher de chá bem cheia.

Micro-ondas dois minutos.

Coloquei uma calda de chocolate por cima. Porque eu mereço...

 

E pronto.

Sejam felizes! Como eu fui....

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o pintainho

17.10.17, Joana Marques

Segredo

 

"Sei um ninho.

E o ninho tem um ovo.

E o ovo, redondinho,

tem lá dentro um passarinho

novo.

 

Mas escusam de me atentar:

nem o tiro, nem o ensino.

Quero ser um bom menino

e guardar

este segredo comigo.

E ter depois um amigo

que faça o pino

a voar..."

 

Miguel Torga

 

 

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O Vasco tratou-o como se fosse um irmãozinho mais novo.

O pintainho teve medo. Rapidamente percebeu que Vasquinho ia por bem. E deixou-se conquistar.

Uma hora juntos. Ficaram amigos.

 

 

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