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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

quem quer fazer parte. Da tribo?

15.11.17, Joana Marques

Como chegou a minha casa muito pequenino e órfão. Ofereci-lhe um coelhinho. E um ursinho.

Era o que tinha de mais fofinho em casa.

Achei que o fizesse sentir mais acompanhado.

Nos primeiros tempos estive sempre com o Vasco.

Depois começou a ir comigo para o trabalho. E não saía de casa sem eles. Ou pelo menos com um deles.

Quando estava em casa, na cama, no sofá da sala, no sofá do terraço ou em qualquer outra parte, não passava sem o urso ou sem o coelho.

Muitos bonecos passaram pelo focinho do cão, só estes sobreviveram.

A maioria das vezes não dorme sem os dois.

E já tive de interromper umas férias no Alentejo porque me esqueci do caneco dos peluches.

Reclamou tanto e chorou tanto que só tive uma alternativa. Voltar a Carcavelos.

 

Por incrível que pareça, o cão protege o urso e o coelho, como se fossem filhos dele.

E por mais que os abocanhe. São trincas amorosas. Nunca os magoa. O urso e o coelho continuam intactos.

Sempre abocanhados. Andam quase sempre pelo chão. E vão ficando sujos...

 

Tenho de lhes pegar. E pôr na máquina.

Lavar o urso. Lavar o coelho.

Secar o urso. Secar o coelho.

Devolver o urso. Devolver o coelho.

 

Pois, isto parece um processo fácil. Não é.

Não sei se adivinha. Mas quando eu quero o urso, o urso desaparece. Quando quero o coelho, o coelho desaparece.

Lá ando eu de rabo para o ar a ver debaixo dos móveis e em todo o lado.

Quando já os tenho nas minhas mãos.

O pai do urso e do coelho, Vasco, fica tresloucado.

Chora. Tenta roubar-me o urso. E o coelho.

Não vale a pena eu colocar o que encontrei primeiro dentro da máquina, porque tenho medo que aconteça alguma coisa de mal ao cão ou à máquina. Ou quem sabe aos dois.

Já aconteceu, num destes dias de lavagem, a máquina perder uma perna. E nunca mais foi a mesma.

Nesta tentativa de assalto, o cão parece que tem 4 mini trampolins nas patas. Tal é o tamanho dos saltos.

E todo o universo corre perigo...

 

Quando tenho sorte. Ponho o urso dentro da máquina. E o coelho.

E o cão fica quase uma hora a olhar para dentro da máquina.

Para se certificar que o urso e o coelho estão lá dentro. E fica a magicar como os pode resgatar...

 

A centrifugação do urso e do coelho é dramática.

- Onde está o urso?

- Onde está o coelho?

- Ali está o urso.

- Não vejo o urso. E não vejo o coelho.

- Está ali o urso. E ali está o coelho.

- Cadê o urso? O urso comeu o coelho!

Isto tudo acompanhado com choradeira de meia noite.

 

Depois da lavagem. Passo dois.

A secagem.

Dentro do secador. Não vê o urso. Nem o coelho.

Eu tenho de ficar tipo segurança de uma discoteca iraquiana.

Ou o cão pode ficar pendurado no secador. E é mauzinho. Ainda encolhe. E encaracola...

Saí de Portugal com um cão mascarado de Golden e é chato regressar com um caniche...

 

Finalmente, Vasco recebe os seus filhotes de volta.

Mas o stress ainda não acabou.

Obviamente que não. Ou não estaríamos a falar do Vasco.

É nesta fase que o urso e o coelho são avascalhados.

Avascalhar. É um verbo novo na língua portuguesa.

Nasceu no dia em que o Vasco decidiu carimbar tudo à sua maneira.

 

Ser avascalhado é requisito necessário para ser da tribo do Vasco.

Eu já fui avascalhada muitas vezes. Porque pertenço à tribo. E por acaso sinto-me bem.

O urso também nunca se queixou. Nem o coelho.

Porque é um avascalhanço. Sim, senhor! Em condições...

É todo um processo. Altamente cientifico. Meticuloso. E detalhado.

Não avascalha quem quer. Só quem pode. E só o Vasco pode!

 

Por aí???

Alguém quer ser avascalhado??

E fazer parte da tribo...

 

see you again. In Amesterdam...

14.11.17, Joana Marques

Vou fazer as malas. Pela penúltima vez.

A última vez, será para voltar...

Lá vou eu embalar o cão.

Ele já percebeu que há qualquer no ar.

Anda por aqui a cirandar...

..não vá eu esquecer-me dele...

tenho as malas abertas e já entrou 3 vezes na maior....

 

Lá vou eu...

apanhar um avião. O meu transporte preferido de sempre...

 

Lá vou eu...

...deixar Oslo.

Mas em breve volto. Numas férias. Sem o stress do trabalho. Quero conhecer o que ficou por conhecer. Muita coisa!

 

Vou aterrar em Amesterdão.

Uma cidade que adoro.

Vou ser feliz em Amesterdão. Não vou fazer a coisa por menos....

Até já....

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primeira divisão...

14.11.17, Joana Marques

Foi mais ou menos por esta altura, em 2012 que decidi aprender tricot.

Comentei com várias amigas minhas, mas só a Ana ficou entusiasmada com a ideia.

Decidimos aprender juntas.

Na minha casa ou na dela. Assistimos a vídeos. Seguimos tutoriais.

Começámos por tricotar cachecóis. A peça mais maçadora de sempre.

 

Cheios de erros. Malhas trocadas e buracos. Assim ficaram os cachecóis. Um pior que o outro.

As agulhas tinham sido compradas numa loja dos chineses. Eram demasiado grossas para o fio.

Escolhemos um fio acrílico horrível. Difícil de trabalhar e que dava um aspeto deprimente à peça.

Azul, o meu. Amarelo, o da Ana.

Tudo erros de principiantes.

Mesmo assim.

Ficámos inchadas de orgulho, quando terminámos as nossas primeiras peças.

Se houvesse um campeonato. No que diz respeito ao tricot.

Tínhamos ficado, em último lugar, nas distritais.

 

Quando já dominávamos, mais ou menos a técnica.

Decidimos investir um pouco mais.

Investimos no tipo de agulhas. Começámos a tricotar com agulhas de bambu.

E não só. Investimos em livros.

E, muito importante.

Frequentámos workshops.

Eu aprendi a tricotar meias e ensinei-lhe. Ela aprendeu a tricotar casaquinhos de bebés e ensinou-me.

E por aí fora.

Durante um ano. Os nossos sábados foram passados em workshops.

Nunca fizemos o mesmo. Partilhámos sempre o conhecimento.

Ganhámos o gosto. Pelo menos eu ganhei. E acho que posso falar pela Ana.

Tricotámos mantas. Golas. Xailes. Meias. Luvas. Casaquinhos de bebé. Tapa fraldas. E botinhas.

Começámos a ser uma referência para os nossos amigos.

Sempre que alguém conhecia alguma grávida, recorria a nós antes de comprar.

Futebolisticamente, falando. Nessa altura, frequentávamos a divisão de honra.

 

Até que. Eu e a Ana de forma consciente. Tomámos de assalto a primeira divisão.

Começámos a tricotar uma camisola. Faz hoje uma semana.

Não somos candidatas ao título. Claro que não.

Somos o Tondela. Estamos a trabalhar com afinco. Mas sempre com um pé na divisão de honra.

Prognósticos, meus amigos. Só no fim do jogo. Até porque ainda não jogámos contra o Sporting e o Porto.

Para já a minha camisola está assim:

 

4 (44).JPG

A parte pior ainda falta. As mangas e o decote.

Estou a tricotar em azul escuro porque já tinha o fio em casa.

E para primeiro trabalho resolvi não investir muito...

O fio é o merino4us da Rosários 4.

É um merino de muito boa qualidade. Preço acessível. E acabamento 5 estrelas.

A minha camisola parece estar a ser tricotada à máquina.

O mérito não é meu. É mesmo do fio.

 

Daqui a umas semana vos direi.

Se estou de pedra e cal na primeira divisão.

Ou, pelo contrário...desci ao campeonato distrital do Botswana.

 

panteão. E outros dramas...

13.11.17, Joana Marques

Tenho este blog há mais de um ano.

Escrever posts de indignação, devo ter escrito dois.

Um contra os incendiários. Porque não gosto deles.

E outro contra os sacaninhas que deram cabo das figuras rupestres.

 

O resto da atualidade normalmente passa-me ao lado.

Ou melhor. Não me passa ao lado. Eu sei que as coisas acontecem.

Só não me indigno com elas.

Sinceramente: I don't care!

Tenho mais que fazer. Tenho mesmo. Tenho vida.

E também tenho um cão....

 

Quero lá saber que haja livros rosa e azul. Ou às bolinhas amarelas. Raparigas, rapazes e morcegos respetivamente.

Web Summit? Óptimo. Deixem acontecer e não atrapalhem.

Urban Beach. Apurem a verdade, verdadinha e prendam os gajos. Ponto final.

A mudança da hora. Que escândalo! Um horror nunca visto...oh! Não! mudou a hora...

E agora. Para cúmulo dos cúmulos foram jantar ao Panteão. Ai que horror!

 

Se eu fosse uma pessoa dada às escritas.

E se soubesse escrever como deve ser...

Queria ter escrito isto.

É sempre tão bom este blog...

 

 

ter ou não ter? Eis a questão...

13.11.17, Joana Marques

Quando era pequena queria ter um cão.

Os meus pais sempre me disseram que não.

Éramos 5 em casa. Pai, mãe, eu, o meu irmão e a minha irmã.

Com três filhos havia trabalho de sobra lá em casa. E a minha mãe sempre foi contra.

 

Os meus avós tinham um cão, no Alentejo.

O que eu me divertia com ele.

O cão era já velhote, via mal e um dia foi atropelado. Nunca recuperou. E foi abatido.

Era uma miúda, ainda. Mas perdi um amigo. E demorei a recuperar.

 

Quando fui viver sozinha, com 17 anos, nunca pensei em ter um cão.

Trabalhava como hospedeira. E estudava.

Com horários loucos e muitas ausências, a minha vida era incompatível com a de um animal doméstico.

A minha casa era alugada. E pequena. Outro contra.

 

O Vasco apareceu na minha vida em 2014. E apareceu por acaso.

Até ao momento nunca tinha pensado em ter um cão.

Gosto muito de liberdade. E de não ter amarras. E um cão prende-nos um bocadinho...

A verdade, é que neste momento não consigo imaginar a minha vida sem ele.

Nem consigo dizer-vos em palavras o quanto gosto dele. É assim, muito, muito. Do tamanho do mundo...

 

Como apareceu de surpresa na minha vida. Não tive tempo de ponderar nada. Um dia tinha um cão.

Faria o mesmo se as circunstâncias se repetissem. Mas quem acha que quer um cão deve refletir um bocadinho..

 

 

Ter um cão é ter um monte de responsabilidades.

Nem tudo é um mar de rosas. Muitas vezes fazem asneiras.

Nunca me vou esquecer do dia em que o Vasco à porta do meu prédio, em Carcavelos achou por bem pegar no trolley do carteiro. E fez voar as cartas e encomendas todas pela rua fora.

Ao mesmo tempo que desfazia o pobre trolley. E aterrorizava o carteiro.

É claro que eu não podia virar a cara e dizer que não conhecia o bicho de lado nenhum.

Por momentos, ponderei dar corda aos sapatos e mudar de planeta. Mas não o fiz.

Tive de assumir. Claro!

 

Ter um cão é ter de abdicar de tempo.

O tempo é precioso, todos nós sabemos.

Depois de ter tido um cão, o meu tempo, passou também a ser o tempo dele.

Tempo de o passear. Tempo de tratar dele. Tempo, tempo e tempo...

 

Ter um cão é ter de ter disponibilidade total. Ou então arranjar alternativas.

Sobretudo nas férias. E em alguns fins de semana.

Já existem hotéis de qualidade.

Para isso precisamos de ter alguma folga financeira.

E ver se o bichinho fica lá de forma minimamente confortável. O Vasco detesta. E sofre horrores.

 

Ter um cão é ter alguma disponibilidade financeira.

Pode ser que não. Mas pode acontecer precisar de cuidados médicos. São caros.

A própria alimentação também custa dinheiro.

Pelo menos a do meu que é um cão grande e come tudo o que lhe aparece à frente.

 

Ter um cão é ter de ser forte.

O cão olha para nós com olhos de cão. Todos o fazem.

E pede coisas:

- Dá-me um biscoito. Eu dou.

- Dá-me a perna do frango. Eu dou.

- Dá-me o teu jantar. Eu dou.

- Dá-me um rim. Eu dou.

Uma vez no veterinário, quase perdi a tutela do Vasco.Tinha ele uns 8 meses.

Estava excessivamente pesado. Teve de entrar em dieta. Custou-me mais a mim do que a ele...parece-me.

Tive de aprender a dizer-lhe que não. Ele não fica chateado. Eu fico à beira de um enfarte. Custa tanto, tanto...

 

Ter um cão é ter de ter espaço extra em casa.

O meu é muito espaçoso. E batiza as assoalhadas todas.

Tem sítios preferidos. E que são só dele. Faz o especial favor de tolerar a minha presença. Mas é só! E já chega!

Nunca me vou esquecer, do dia em que o meu chefe passou por minha casa, para me entregar uns documentos. Convidei-o a entrar.

E ele sentou-se no sofá do Vasco.

O sofá do Vasco está cheio de biscoitos que ele vai escondendo, não vá a fábrica dos biscoitos falir e ele ficar sem nada.

O senhor sentado no sofá e o Vasco sempre a olhar para ele. E o senhor a dizer-me:

- Joana, este cão gosta mesmo de mim.

E eu, com suores frios. A prever uma catástrofe. Daquelas em que um cão espatifa o chefe da dona.

 

 

Ter um cão.

É o melhor do mundo. A verdade é essa.

Existe uma lista infindável de argumentos a favor.

E essa lista. Está nesta imagem.

Porque uma imagem vale muito mais do que mil palavras. 💚

 

vasco24.jpg

 

 

Gola em crochet

11.11.17, Ana

Tinha aqui em casa um novelo, Stella da Katia.

E resolvi junta-lo ao ponto de crochet que a Joana deu a conhecer.

Usei uma agulha número 4.

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A gola é muito fácil de fazer.

Comecei com 140 correntes.

Fiz a gola para mim e eu sou magra.

Convém fazer uma amostra primeira para não ter surpresas desagradáveis no final.

 

140 correntes.

Unem-se para crochetarmos em circular.

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Cuidado! Não pode ficar torcido. 

Cuidado ao unir e também ao completar a volta.

Depois de estar unido fazer uma corrente.

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Fazer em todos os pontos seguintes, um ponto baixo. Trabalhando em circular.

No final, unir.

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Fazer três correntes.

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Dar uma laçada e passar o fio por trás do ponto. 

(se tiverem dificuldades neste passo é só visitar este passo a passo)

Vão ficar com 3 laçadas na agulha.

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Repetir este passo mais duas vezes.

E puxar todas as laçadas.

4 (24).JPG

No próximo ponto não fazer nada.

No seguinte repetir o processo.

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Repetir o processo até terminar a volta.

Próxima volta todos os pontos com pontos baixos.

Volta seguinte bead stitch.

Até a gola ter o comprimento pretendido.

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Gostei do resultado final.

O fio é perfeito para golas.

E perfeito para o Outono/Inverno.

 

É muito leve. E assenta bem.

Como é matizado pode ser combinado com peças de várias cores.

É um trabalho que se faz rapidamente. 

E uma boa opção para quem quer oferecer presentes feitos por si.

O Natal está aí, não tarda nada!

 

Não se esqueçam de acompanhar o nosso grupo  handmade life  no facebook!

apoia esta ideia. Oferece este pin..

10.11.17, Joana Marques

É do conhecimento geral que os incêndios do mês passado afetaram de forma violenta a criação de gado da Serra da Estrela.

Perderam-se cerca de 10000 animais.

Foram destruídas as suas pastagens.

Estábulos.

E outras infraestruturas ligadas a este sector.

Se comprarmos este pin estamos a ajudar o sector agro-pastoril.

retrosaria.jpg

Pode ser adquirido por 10€. Online.

Ou então na loja. 

Acreditem, qualquer tricotadeira ou crocheteira que conheçam vai adorar ter este pin.

Um mimo para colocar em qualquer saco de lãs.

 

A retrosaria da Rosa Pomar é um dos locais mais bonitos para gentes tricodadeiras.

É também um local de perdição absoluta. E um local de aprendizagem.

Fica na Rua do Loreto, 61, 2º dto.

A foto foi retirada do site da loja.

 

este post tem um final feliz...

10.11.17, Joana Marques

Este post começou por ser um lamento.

Depois do post da Ana ontem.

E o que tinha escrito para hoje.

Achei que o Quiosque devia mudar de nome outra vez e passar a ser o "muro das lamentações".

Só que a vida deu uma volta de 180º.

Ora vejam...

 

Eu tinha uma vida boa em Lisboa.

Tinha um bom trabalho. Uma vida estável.

No ano passado, mais ou menos por esta altura tive de ir para Barcelona.

Podia ter ficado em Lisboa e gerido Barcelona à distância.

Não quis.

Sobretudo pelo Vasco.

Se eu andasse cá e lá, lá e cá. O cão é que sofria.

Arranjei casa em Barcelona e lá fui. Com o Cão.

 

Enquanto lá estava. A minha empresa portuguesa tinha sido comprado por uns franceses.

Sofreu uma reestruturação.

A equipa com a qual trabalhava deixou de existir.

Os muito bons foram convidados a ir trabalhar para França.

Fui convidada a ir trabalhar para França. Não aceitei.

E comecei a achar que devia arranjar uma alternativa.

Apareceram alguns convites. Acabei por aceitar este desafio. Oslo.

 

De Barcelona. Fui para a Grécia. Para uma missão de voluntariado, em Março deste ano.

Em Abril, estava em Oslo.

Entretanto, já voltei a Barcelona.

Ah! E como a minha empresa é Inglesa. Também tenho passado por Londres.

O cão, quase sempre comigo.

 

A verdade, é que quando saí de Portugal. Tinha a certeza que seria temporário.

Fiz uma espécie de pausa na vida.

Depois deixei de ter essa certeza.

O temporário já não parecia tão temporário.

E ainda apertei mais o cerco à vida.

Foi a forma que consegui.

 

Confesso que me sinto cansada. De fazer malas e desfazer.

Às vezes acordo de noite e não sei onde estou.

- Londres? Oslo? Barcelona?

A verdade é que o primeiro local que me vem à cabeça:

- Estou em Carcavelos. E depois percebo que não...

 

 

Verdade, verdade é que conseguia emprego em Lisboa.

Verdade, verdade, esse emprego não seria na minha área.

 

A empresa onde estou é uma grande empresa.

Tem uma grande tradição, em teletrabalho.

Em todo o mundo há pessoas a trabalhar para a minha empresa, nas casas delas ou em workplaces, conforme as preferências.

É claro que eu já sabia disto quando assinei contrato com a minha empresa.

É claro também, sempre que estou em Londres, dou cabo da cabeça do meu chefe.

- Ó faz favor...posso voltar para casa???

 

É claro também, sempre que o chefe do chefe do meu chefe se aproxima eu reforço a ideia..

- Ó faz favor...quando me devolve a Portugal???

Ele ri-se.

Esgotei todos os meus argumentos. E mais algum.

 

Quando terça saí de Londres. Ele disse-me que estava a pensar com carinho na minha devolução a Portugal.

E sabem que mais?

Fui devolvida.

 

Recebi ontem, o contrato. Já o assinei.

E sabem que mais?

Já chegou a Londres.

 

A partir de dia 1 de Janeiro. O meu posto de trabalho é em Portugal.

Posso trabalhar em Carcavelos, em casa.

Ou onde me der na cabeça. Até posso trabalhar na praia.

Ou em Alvalade!!!

 

Até ao fim do ano, volto a fazer as malas.

Quarta-feira eu e o Vasco rumamos até Amesterdão.

Abraço o último projeto nesta vida de saltimbanco.

 

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um dia destes...

09.11.17, Joana Marques

Um dia destes vou entrar confiante numa sala.

Vou ler o enunciado numa língua estrangeira. Difícil.

 

Um dia destes vou pôr à prova o que estudei durante os últimos meses.

E conseguir superar todas as dificuldades sentidas. Ou quase todas.

 

Um dia destes vou estar nervosa. E ansiosa.

Vou conseguir pôr os nervos de lado.

E respirar. Como deve ser. E matar a asmática que há em mim.

 

Um dia destes vou aplicar-me.

Vou conseguir concentrar-me. E dar o meu melhor.

 

Um dia destes vou fazer o exame de norueguês.

Um dia destes vou passar no exame de norueguês.

 

Hoje foi o dia!

Correr atrás do prejuízo

09.11.17, Ana

É a frase que melhor define a minha vida.

Todas as semanas, penso o mesmo:

- Sexta feira chego a casa e vou fazer uma máquina de roupa, vou arrumar a casa e limpa-la, vou despachar tudo o que tenho e o que não tenho e ter um fim de semana como deve ser.

 

Todas as sextas feiras não concretizo.

Nem ao sábado, nem tão pouco ao domingo.

Ou melhor, vou fazendo, aos bocadinhos mas chego sempre à segunda feira com muitas coisas por fazer.

E isso quer dizer que a semana começa mal outra vez.

A roupa não ficou passada a ferro, porque a roupa ainda está no estendal.

As refeições da semana não ficaram prontas e por isso prevê-se uma semana a comer coisas impróprias. Aquele armário que tinha de organizar, continua como sempre esteve, desarrumado.

 

A organização não é o meu forte e eu sofro na pele as consequências disso.

O tempo que eu empurro as tarefas não realizadas é surpreendente. 

O tempo que eu passo à procura do que não está no lugar é surpreendente, também.

Este tempo perdido dava para viver outra vida. 

 

A minha semana é passada a apagar fogos que deviam ter sido extintos durante o fim de semana.

Correr atrás do prejuízo é assim que me sinto....todos os dias.

Acabo os dias sem fôlego e com a sensação de cansaço mas com tudo por fazer.

 

 

500

07.11.17, Joana Marques

Eu tinha 6 anos. E andava meia farta de ser a mais nova.

E um dia. A meio do almoço de Domingo achei por bem dizer aos meus pais que deviam ter outro filho.

- Então porquê, Joana? Perguntou-me o meu pai divertido.

- Porque eu não quero ser a mais nova.

 

- Podia dormir no teu quarto se fosse rapaz. Ou no teu, se fosse rapariga.

Disse eu como quem não quer a coisa ao meu irmão e à minha irmã. Respetivamente.

Se pudessem, tinham-me arrancado o fígado pelo nariz. Tal foi o olhar que me lançaram.

- Se és tu que queres um irmão, deve dormir no teu quarto. Respondeu a minha irmã.

- Se calhar deve dormir com os pais, porque é muito pequenino e precisa de um adulto.

 

A conversa ficou por aqui.

Eu não me esqueci. Claro.

 

Esperei uma semana. E nada. Nada de irmão mais novo.

Já estava a demorar. E isso deixava-me stressada.

Comecei a achar que os meus pais ainda não tinham encomendado o meu irmão mais novo porque não tinham nome para lhe dar.

E aproveitei uma ida à baixa com a minha mãe para a ajudar.

Íamos no metro.

Eu andava na primeira classe. E já lia tudo. E não perdia a oportunidade de ler.

O metro parou nos restauradores.

E eu li.

- R-E-S-T-A-U-R-A-D-O-R-E-S

Olhei para a minha mãe e disse. Alto, claro.

Ó mãe podemos chamar Restauradores ao mano que vai nascer.

 

A minha mãe desatou a rir. Tal como as pessoas que estavam na carruagem do metro e que ouviram.

Ainda hoje. Em casa. Em almoços e jantares. Se ouve:

- A mesa está posta? Não se esqueçam do lugar para os Restauradores.

 

Este é o post número 500.

Tem sido tão bom para mim.

Escrever esta ou outras histórias.

 

 

o cão tem sempre razão...

07.11.17, Joana Marques

Sábado.

Joana foi convidada por duas colegas para uma caminhada.

Longe de Londres.

Longe.

 

Joana disse que sim. E foi.

Passear no campo é bom.

Joana gosta. Só que em Inglaterra está frio.

Imaginem-se dentro de um frigorífico. Durante um dia inteiro.

É pior. Pelo menos parece.

Joana. É friorenta.

Ninguém lhe diga que tem saudades do frio. Ou podem acabar mal...

 

Joana foi. Sem antes vestir, um roupeiro de roupa.

Estava húmido. O tempo.

E o chão pegajoso. E enlameado.

Havia cogumelos.

Muitos cogumelos.

As colegas começaram a apanhar cogumelos.

E Joana. Achou boa ideia.

E apanhou também.

Cogumelos. Cogumelos. Cogumelos.

 

Tanto cogumelo. Dava construir uma cidade inteira e oferece-la aos Estrunfes.

Podia ser uma espécie de Estrunfolândia. Cheia de indivíduos azuis.

Sorry!

Smurfs. Agora diz-se smurfs.

Smurdolândia.

No tempo da Joana era Estrunfes. E a rapariga era a Estrunfina.

Adiante.

 

Joana chegou a casa alegremente. Com um sacalhão cheio de cogumelos.

Joana. Fez planos.

 

Meus amigos.

Joana tinha planos.

O plano A.

O B.

O alfabeto inteiro.

K, y e w incluídos.

 

Só que a Joana olhou para os cogumelos. De lado.

Joana cheirou os cogumelos.

E Joana estremeceu.

- E se forem venenosos.

 

Joana não estava preparada para morrer.

Joana quer voltar a Alvalade. Cheio de indivíduos verdes.

Joana quer ver mais uma vez, pelo menos.

O Sporting campeão. E Bas Dost no coração.

Joana deitou os cogumelos no lixo.

 

Domingo de manhã foi acordada. Violentamente.

Vestiu-se para ir correr. E qual não foi o espanto.

Vasco. Também quis ir.

 

O cheiro alertou a Joana.

O mau cheiro.

Pronto. 

O pior cheiro que já cheirou na vida.

 

E quando voltou a casa, verificou que pela calada da noite.

Alguém assaltou o caixote do lixo.

Só os cogumelos desapareceram.

 

                Moral da história:

vasco2.png

                        Os cogumelos não eram venenosos!

                          O cão tem sempre razão!

                        (segundo o veterinário do Vasco, o cão consegue identificar, os cogumelos venenosos.

                                Se fossem, não os comia)

 

um nome. Em troca da receita!

06.11.17, Joana Marques

Eu que sou uma workshopaholic.

Já fiz todos os workshops que possam imaginar.

Alguns péssimos, na maioria bons. Ou muito bons.

Dei ontem. Pela tarde. O meu primeiro workshop.

Aquele que tinha falado aqui.

Tinha dez inscrições. Ou seja, esgotou.

E como ficaram pessoas de fora, não me safo sem dar outro. É quase certo.

Foi feito no meu trabalho. Na cozinha do meu trabalho.

E não custou nada. Mesmo.

Foi giro. Diverti-me muito.

 

Comecei por dizer que era apenas uma curiosa.

Mostrei-lhes os livros que tinha lido. E que tinham feito com que mudasse a minha alimentação.

Dei-lhes a conhecer o que tenho sempre, sempre na minha despensa. E no meu frigorífico.

 

Frigorífico:

- cogumelos.

- Brócolos.

- Couve-Flor.

- Cenouras.

- Cabeça de Nabo.

- Batata Doce.

- Inhame.

- Leite de coco. Feito por mim e por isso está congelado.

- Pão sem glúten. Feito por mim e por isso está congelado.

- Carne, se possível biológica. A maioria das vezes não é.

- Peixe do mar.

- Ovos.

- 5 frutas diferentes por semana e da época. (laranja, frutos vermelhos, uvas, bananas, maçãs, peras, ananás, ameixas, pêssegos e devo estar a esquecer-me de alguma)

 

Despensa:

- Amêndoas. E farinha de amêndoas.

- Nozes.

- Cacau.

- Cajus. E a sua farinha.

- Polvilho azedo.

- Farinha de quinoa.

- Aveia.

- Farinha de castanha.

- Farinha de grão.

- Coco ralado.

- Sementes de girassol, abóbora e sésamo.

- Goma xantana.

- Trigo sarraceno.

 

Cozinhámos em conjunto receitas já vossas conhecidas.

- Grão Vasco.

- Jaquelines.

- Pão sem glúten.

- Overnight.

- Trufas de chocolate. Ainda não publiquei a receita. Mas garanto-vos.

São de comer e chorar por mais....pela minha saúde!

 

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Já agora. Já que aqui estão!

Que nome é que posso dar às trufas???

Um nome! Em troca da receita!!