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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

para todos os Natais...

18.12.17, Joana Marques

Peguem numa fita.

Meçam o vosso filho. Sobrinho. Ou criança preferida.

Cortem a fita do comprimento da criança.

Essa fita pode ser colocada num postal/cartão. E ser pendurada na árvore de Natal.

Podemos juntar também as dos anos anteriores.

O cartão pode ser decorado.

E ficará sempre, uma boa recordação.

Podem repetir todos os Natais. Até o puto deixar e achar piada.

 

Aqui por casa fazemos desde sempre. E desde sempre é uma diversão.

Quando era miúda, sem contar com os presentes, era a minha parte favorita da noite.

Desatar os nós. Comparar fita com fita.

E perceber que tinha crescido imenso desde o Natal anterior.

Durante um tempo deixou-se de fazer. Retomou-se a tradição quando começaram a nascer os meus sobrinhos.

E continua a ser muito giro. Adoram!

Este Natal temos uma nova personagem. A Margarida.

O cartão da Margarida foi decorado pela irmã mais velha.

25 (3).JPG

 

 

 

a Oportunidade...

17.12.17, Joana Marques

Tão bom quando somos crianças. E podemos ser tudo. Achamos que tudo pode acontecer.

Tão bom acreditar no Pai Natal.

Tão bom acreditar na Fada dos Dentes.

E na Cinderela.

 

A vida segue. Igual a ela própria. Quando somos adultos.

Rotineira. Normalmente rotineira.

Haverá espaço para surpresas, ainda?

Boas, claro! Porque as pernas partidas e as varicelas estarão sempre ao virar da esquina.

Em adulto perdemos um pouco da magia. Ou a magia toda. As contas para pagar quebram o feitiço.

E se surge a oportunidade?

Aceitamos? Ou ficamos confortáveis onde estamos?

Porque mudar dá medo. E pode correr mal...

 

Depois. Existem pessoas. Surpreendentes. Adultos. Que vão para além de tudo e de todos...

Deixam-me a pensar. Muito. Mesmo muito.

E fico com pena. Mesmo, mesmo com pena...de não poder fazer parte.

Porque queria muito.

Já olhei para o espelho. E nada. Mesmo com as borbulhas da varicela...não me enquadro...

.....não posso participar...

Para estragar ainda mais, sou do Sporting e tudo...

 

Podia ser o principio de uma carreira...de sonho.

De uma vida nas nuvens...

Mas não...não será..

casting.png

Alguém por aí??

Que queira fazer parte?

Por favor.

Não deixe escapar...pode ser a sua grande Oportunidade!

 

em 2017!

15.12.17, Joana Marques

Estar no Sapo é receber presentes sem estar à espera.

No início da semana recebi o relatório anual do blog.

No relatório constam os dez posts mais lidos no Quiosque.

Completando com a informação também disponível nas estatísticas do Sapo, 2017, foi assim:

 

Escrevi 345 posts que geraram 2505 reações e 7920 comentários.

Tive 81 154 visitas.

234 113 visualizações.

 

Os posts mais vistos foram:

uma história de Natal...

 sigo a dieta da moda. E gosto....

um chá com uma rodela de limão....

pão sem glúten. Passo a passo.

tricotar um xaile. Com esquema...

Jaqueline. Mas podem chamar-me Jaq..

tricotar um xaile. Passo a passo!

planear, planear, planear....

cuidado com aquilo que desejas....

ensinar português. A estrangeiros...

 

Os três primeiros foram destaques na página princípal do Sapo.

Logo são visitados por isso.

Os posts que mais gostei de escrever. Não estão na estatísca do Sapo.

Sem qualquer ordem de preferência. Aqui estão eles:

 

a preto. E branco

serendipity

um dia destes

as férias grandes

aconteceu mesmo

o lugar mais quente do mundo

um chá com uma rodela de limão

uma história de Natal

sou o que sinto. Sinto muito

carta ao Pai Natal de uma tricotadeira

ter ou não ter. Eis a questão

Éramos 5

a quem julgar o meu caminho

 

Queria ter escolhido só 10 mas não consegui.

O engraçado de ter um blog e escrever nele diariamente ou quase é poder reviver momentos. Sentimentos. E estados de espiríto.

Enquanto andei à procura dos posts revisitei dias em que fui muito feliz. Verdadeiramente feliz.

E essa felicidade tem a ver com a partilha de momentos.

Obrigada, Quiosquianos! Obrigada, equipa do Sapo blogs!

Por tudo.

relato. Dos dias...

14.12.17, Joana Marques

Sexta, 8 de Dezembro

 

Acordei.

Ou melhor fui acordada.

Notei algo de diferente na perna partida. Menos inchaço. Parecia que o gesso estava a nadar na perna.

Tomei banho. Com todas as limitações que a perna partida impõe.

Fui dar uma volta à praia que é a dois passos daqui.

Voltei. E confirmei. A perna estava bastante melhor.

O principio do fim do suplicio.

Consegui estar muito mais tempo de pé durante o dia. E o dia passou-se bem melhor.

 

 

Sábado, 9 de Dezembro

 

Acordei febril.

Mas bem disposta. Há febres que nos derrubam, esta nem por isso. Continuava perfeitamente bem.

Só descobri que tinha febre porque o meu pai e a minha mãe estranharam a minha cara ultra rosada.

E o calor excessivo.

38º.

A minha mãe ficou em choque. Para ela, já estava a meio caminho de perder a perna.

E queria ir ao hospital.

O meu pai ligou ao meu tio. Que estava de fim de semana prolongado.

Falei com o meu tio. Que me perguntou pela perna.

- Muito melhor que ontem. E ontem já estava muito melhor que nos outros dias.

- Deve ser uma virose. Não se preocupem.

Entretanto, encontro uma borbulha no pescoço.

- Credo, nunca tive borbulhas na vida. É da velhice...

Rio-me com o meu pai.

A minha mãe ainda acha que vou ficar sem a perna...

 

 

Domingo, 10 de Dezembro

 

Acordo, espetacularmente bem da perna.

Febre. 39º.

Borbulhas 3.

Deve ter sido uma melga diz o meu pai.

A minha mãe ainda acha que vou ficar sem a perna...

Durante o dia, mais borbulhas aparecem.

O meu tio aparece por cá, já tarde.

- Acho que é varicela.

- Varicela?

Diz o meu tio, que devo ter apanhado no hospital. Em Amesterdão ou já em Lisboa.

 

Segunda, dia 11 de Dezembro

Fui ao médico.

Confirmar. O que já sabia.

Em todo o meu corpo já tinha sido instalado um arsenal de borbulhas.

Aguardo ansiosa o pagamento da renda.

Acho que vou ficar rica!

Ah! E a minha mãe ainda acha que vou ficar sem a perna...

 

varicela.png

(imagem)

 

croquelines

10.12.17, Joana Marques

Quando deixei de comer glúten comecei por experimentar fazer um pão que levava polvilho doce.

Por inabilidade minha. Nunca ficou como eu gostava. Vi muitas fotografias desse pão espetaculares.

O meu comia-se mas não era assim nada de jeito.

 

Depois quando criei a minha própria receita. Não coloquei polvilho doce.

O mais trágico é que tinha a casa cheia de polvilho.

Na altura estava na Noruega. E quando encontrei polvilho doce, qual formiga, resolvi armazenar.

Já passei por vários países e sempre com o polvilho doce atrás.

 

No dia em que parti a perna.

Estava eu de madrugada a arrumar a minha tralha para voltar a casa. E choco de frente com o polvilho doce. Trouxe-o.

 

Até que resolvi dar-lhe uso.

Não sei muito bem mas não simpatizava muito com esta espécie de farinha.

Sempre que o usei. O resultado não foi grande coisa.

Até que...as croquelines surgiram na minha vida.

Croque...porque ficam super crocantes.

Lines porque são primas das minhas amadas jaquelines.

 

Croquelines.

Mais fáceis de fazer que as Jaq's. Muito saborosas.

Um biscoito despretensioso. Mas que sabe bem.

Experimentem com café. Ou chá.

A receita é super simples.

 

Um ovo.

Duas colheres de açúcar (usei de coco).

uma colher de sopa mal cheia de óleo de coco derretido.

Canela (opcional)

Polvilho doce. (5 a 8 colheres de sopa)

Tudo ao molho e fé em Deus.

A quantidade do polvilho depende do tamanho do ovo.

Eu usei um ovo biológico pequenino e coloquei 6 colheres.

A massa tem de ficar moldável...sem se agarrar às mãos.

Enquanto estiver liquida continuem a colocar polvilho.

E a mexer.

Podem fazer o formato que quiserem.

Vai ao forno a 170º, entre 15 a 20 minutos.

Têm de encontrar um ponto de equilibrio, se ficarem pouco tempo no forno não ficam crocantes e não se chamam croquelines. Se ficarem muito tempo ficam muito secas.

No fim podem envolver as croq's em chocolate.

Usei 99% cacau da Vivani.

 

Eu e o polvilho doce fizemos as pazes.

Definitivamente.

É Natal.

 

Se têm na vossa vida um polvilho que não gostem.

É tempo de abrirem espaço para ele. Quem sabe um dia não têm uma surpresa.

C-R-O-C-A-N-T-E!

 

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Trump?? Não! Esquece....

09.12.17, Joana Marques

Carcavelos. É a minha terra de adopção.

Nasci em Lisboa.

Mudei-me para Carcavelos em 2005. E tornou-se a minha terra. É aqui que me sinto em casa.

 

Carcavelos é uma vila que pertence ao concelho de Cascais.

Durante muitos anos foi uma freguesia desse concelho mas um qualquer governante sem tino juntou-a à Parede e agora chama-se: União das freguesias de Carcavelos e Parede.

Se houver justiça neste mundo, o governante que fez isto deverá ter um filho chamado União da semente de Maria Otolina e Governante que não percebe nada de nada.

 

Foi por altura do Marquês de Pombal que Francisco da Cruz se instalou em terras carcavelenses.

Amigo do rei Dom José, Francisco da Cruz instalou-se na Quinta nova de Santo António.

Onde hoje em dia é o colégio St Julian's.

 

Em 1870 esta quinta, também conhecida apenas e só por Quinta Nova foi vendida a uma empresa chamada Easter Telegraph Company.

Esta empresa inglesa tinha uma missão muito nobre.

E fez de Carcavelos um local extremamente importante.

Carcavelos ligava a Europa a outros cantos do mundo.

Era daqui que saiam os cabos telefónico que ligavam a vários locais do mundo.

 

Nos inícios do século XX esta empresa constituída maioritariamente por funcionários ingleses constrói nas suas instalações vários campos de jogos.

Uma forma de entretenimento em horário livre.

Futebol. Hóquei em Campo. Râguebi. Deram os primeiros passos em Portugal. Aqui.

Em Carcavelos.

Jogava-se Golfe. Cricket e ténis. Também.

 

O colégio nasceu ainda no tempo desta empresa para os filhos dos funcionários.

Entretanto, estendeu-se aos arredores e hoje em dia tem mais de 1000 alunos. De 40 nacionalidades diferentes.

 

Em 1962 esta empresa, a quem Carcavelos "deve" muito do seu crescimento vendeu as suas instalações ao colégio. E saiu do país.

Este tipo de comunicação estava obsoleta. Outros tempos. Mais modernos.

 

Esta empresa. Mesmo sem ela. A âncora de Carcavelos. A vila sobreviveu e prosperou.

E hoje.

Carcavelos vale sobretudo pela sua frente mar. É mais ou menos por ali que o Tejo encontra o oceano.

Pronto, não é bem em Carcavelos. É ali ao lado. No concelho vizinho.

 

O vinho de Carcavelos é produzido numa das mais antigas regiões demarcadas do mundo a par do Douro.

E a mais pequena também.

Por isso este néctar é muito raro. E bom. É mesmo, mesmo dos deuses.

 

Podia aproveitar a boleia. E pedir a Trump para acabar com a embaixada em Lisboa. E mudá-la para Carcavelos.

Mas não.

Deixa estar. Sossegadito, Trump!

Carcavelos. Para mim. É dos melhores locais do mundo. Tal e qual como está. Sem tirar nem pôr.

Um privilégio!

Um presente que a vida me deu.

carcavelos - Cópia (2).jpg

 

o lugar mais quente do mundo

08.12.17, Joana Marques

Quando eu, os meus irmãos e os meus primos éramos pequenos o Natal era diferente.

O Natal era sobretudo estarmos juntos.

A nossa família era muito grande. A minha mãe tinha 7 irmãos, com ela 8. O meu pai, 5.

Os meus primos são tantos que já lhes perdi a conta.

Comprar brinquedos para todos os miúdos no Natal, estava fora de questão.

Éramos corridos a dinheiro. Dinheiro que nem cheirávamos. Na minha casa cada um de nós tinha uma conta no falecido BES. Na altura Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa.

Os meus avós do Porto também nos corriam a dinheiro. Às vezes lá recebia roupa. Torcia o nariz. E tentava escondê-la num recanto do roupeiro. A minha mãe descobria sempre.

 

A excepção a este Natal deslavado era feita pelos meus avós do Alentejo.

E o melhor é que recebíamos sempre duas prendas. Uma da avó e outra do avô.

 

Reza a história que quando o meu primo Luís nasceu, o meu primo mais velho, os meus avós não se conseguiram entender nesse Natal.

O meu avô queria ser ele a dar a prenda como chefe de família.

Mas a minha avó estava-se a borrifar para os salamaleques da altura.

Disse que não. Se ele fazia questão. Ela também.

E por isso a partir daí, nós os netos, recebíamos duas prendas.

 

A prenda do meu avô era dinheiro.

Mas não era dinheiro como o outro. Que era abarbatado pelos senhores do Espírito Santo.

Não, este era dinheiro bom.

O meu avô dava-nos o dinheiro para a mão e dizia que era para gastar. No que quiséssemos.

E dizia em frente dos nosso pais. Ditadores. Unha e carne com os senhores do Espírito Santo.

 

A minha avó também não nos desiludia.

Aproveitava as visitas a Lisboa.

Para nos comprar brinquedos numa loja espetacular que havia na baixa.

O nosso Natal era este. Para mim, para os meus irmão, para os meus primos.

O Natal, o verdadeiro Natal era aqui na casa da avó Maria e avô Joaquim.

 

Tinha eu 6 anos.

E a ansiedade já tinha começado.

Em Outubro. Novembro. Já se falava disso lá por casa. Entre nós.

 

E no dia em que fui para o Alentejo. Nem dormi.

Não ia receber os presentes nesse dia. Mas saber que ia para o sitio onde eles estavam. Já me deixava anormalmente feliz.

Chegámos a 23. O tempo passou tão devagarinho. Que os dois dias de espera. Pareciam 3 séculos e meio.

O meu irmão dizia-me. Conta até 500. Que o tempo passa mais depressa.

Mentira.

 

Noite de Natal.

- Ás 3 da manhã os presentes já chegaram?

Não, Joana. Só lá para as 8h.

Isto era o meu pai a tentar ter uma noite sono tranquila.

- Acorda-me às 3. Dizia-me o meu irmão.

Bem saltei da cama a todas as horas que o relógio da entrada marcava. E nada. Nada de prendas.

Ainda tivemos de tomar o pequeno almoço antes.

Tal era a pressa. Que o leite até saía pelo nariz. Quase fiquei sem prenda. A minha mãe era pouco adepta a este tipo de graças.

 

E eis a chegada dos presentes.

- A prenda este ano é maior e por isso é do avô e da avó.

Oh! Não! Adeus dinheiro bom....como é que eu vou comprar os cromos? E as pastilhas? E os rebuçados com sabor a café na loja do Senhor Augusto??

 

Eu, o meu irmão, a minha irmã, o meu primo Luís, o meu primo António, o meu primo Diogo, o meu primo Manel. Todos ansiosos.

E apareceram os embrulhos. Grandes. Enormes. Todos iguais.

Primeiro o entusiasmo.

Toca de abrir o presente.

Depois o silêncio.

- Passou aqui um senhor a vende-los. São muito bons. Muito quentes.

O nosso presente. Nesse Natal.

Cobertores.

Um para cada um de nós.

 

O ar trágico das nossas caras.

Nada de dinheiro bom.

Nada de brinquedos.

Nada de cromos.

Nada de pastilhas.

Nada de rebuçados com sabor a café.

Nada de nada. Nada de Natal.

 

E eu, apareci. Porque apareço sempre nestas alturas.

E comecei a chorar.

Aquele choro descabelado. Que nos faz atirar para o chão. E lavar uma casa inteira com lágrimas.

E seguiu-se o meu primo Manel. E depois o António. E o Diogo. E depois o meu irmão.

Só a minha irmã se manteve. Já tinha 16 anos. Mas a cara dela não enganava. Também ela maldizia o cobertor.

 

A minha mãe quase nos matou com o olhar. Mas não queríamos saber. A dor era maior.

A minha avó ficou tão triste. Achou mesmo que nos tinha dado uma boa prenda.

 

Quando somos crianças temos dificuldade em olhar em frente. Ver para além do imediato.

A verdade é que o dinheiro do Banco Espírito Santo e Comercial de Lisboa já não existe. Foi gasto no meu primeiro carro.

O dinheiro bom do meu avô foi gasto em guloseimas e cromos.

Os brinquedos da minha avó também já não existem.

Só o cobertor perdura.

 

O lugar mais quente do mundo eram os braços da minha avó.

Ainda os sinto quando me enrosco no cobertor.

deixem-nos voar

07.12.17, Joana Marques

Os jovens de hoje gostam do luxo.
São mal comportados,
desprezam a autoridade.
Não têm respeito pelos mais velhos
e passam o tempo a falar em vez de trabalhar.
Não se levantam quando um adulto chega.
Contradizem os pais,
apresentam-se em sociedade com enfeitos estranhos.
Apressam-se a ir para a mesa e comem os acepipes,
cruzam as pernas
e tiranizam os seus mestres.
SÓCRATES (470-399 A.C.)

 

Das coisas que me deixam mais irada.

É ouvir pessoas da minha idade ou até mais novas. Dizer mal da geração mais nova.

 

É incrível como se esqueceram de como era. De como foi.

É incrível como perdem ou perderam pelo caminho a capacidade de ser criança. De sonhar. De experimentar.

É incrível como acham que a salvação do mundo está nelas porque quando for a vez dos mais novos, está o caldo entornado.

É incrível como acham que têm imensa razão. E se levam a sério.

Não percebem. Ainda. Que para tudo há solução.

Não têm a capacidade de olhar para trás e ver que até nos saímos bem. E fomos como eles. Ou pior.

 

Deixem-nos voar. Não lhes cortem as asas.

Quando temos 15 anos. O limite é para além do céu.

 

 

1ª divisão. Definitivamente...

06.12.17, Joana Marques

No seguimento deste post.

Acho que a primeira divisão está garantida.

Falta-me voar.

Mas com o tempo chego lá!

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Na vida de uma tricotadeira, tricotar uma camisola é um passo muito importante.

O nosso sonho é tricotar todas as malhas que vestimos.

A nossa maior ambição é tricotar todas as malhas vestidas por nós, pela família, vizinhos e amigos.

Este é um super passo.

 

Já terminei a camisola e ficou espetacular.

Sou a pessoa mais otimista que conheço. E mesmo assim, o resultado final superou as minhas expectativas.

Fica-me tão bem!

Parece que foi feita para mim...

A vantagem é que tricotando a nossa própria camisola podemos escolher o fio.

E neste caso escolhi um azul escuro, merino4us da rosários 4.

De qualidade superior. Macio. Aconchegante.

Tão bom que pode ser usado em bebés.

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O mérito vai sobretudo para a Nionoi.

A Nionoi tem um canal no youtube. É portuguesa. E é uma super tricotadeira.

Peguei nos 4 vídeos que ela fez para a rosários 4 e segui-os. Não na totalidade.

Até porque tive de alterar ligeiramente o esquema.

A camisola mais pequena do esquema feito pela Nionoi e que podem descarregar aqui era enorme para mim.

Tive de começar com muito menos malhas.

Também alterei o desenho. A Nionoi sugere uma camisola mosaico, com duas cores. Linda, por sinal.

Mas como era a primeira camisola tive medo de me enforcar em tantos fios. Para além disso, o padrão de desenho funciona de 18 em 18 malhas e como alterei o início, para funcionar tinha de entrar em cálculos de malhas e não me apeteceu...para a próxima talvez.

 

Adoro a minha camisola. Adoro. Adoro.

Se me vissem vestida com ela iam-me dar razão...é absolutamente perfeita!

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E na minha mente.

Vários projetos.

Vários, não! Milhares....milhões.

Se é para sonhar que seja em grande!

Próxima camisola: verde ou castanha? É esta a dúvida do momento!

 

2017...

05.12.17, Joana Marques

Parece mentira...

....neste ano que está quase a terminar, já vivi em Barcelona, Lesbos, Oslo, Londres e espatifei-me em Amesterdão.

Vou terminar, se não tiver mais nenhuma surpresa, o ano em Portugal.

Espero voltar a sair... de férias. Só de férias.

 

Provavelmente, terei outras fotos melhores.

Mas deixo-vos esta. Para mim é a mais deslumbrante.

Significa. Bem vinda a casa.

 

 

Hoje de manhã.

Praia do Magoito. Sintra.

Um dos sítios da minha vida. Sobretudo no Inverno.

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4 princípios. Para escolher os presentes de Natal...

05.12.17, Joana Marques

Quando era pequena quem dava os presentes de Natal era o menino Jesus.

Não havia cá Pai Natal para ninguém.

Em minha casa abríamos as prendas no dia 25 de manhã.

No dia 24 tínhamos a ceia de Natal. Mas nós crianças íamos para a cama lá para as 23h.

Dia 25 de Dezembro era o único dia do ano que os meus irmãos queriam ser acordados por mim.

Sim, eu em tempos já fui um despertador. Agora tenho o Vasco.

 

Nesse dia de manhã saltávamos da cama e lá estavam elas. Três prendas debaixo da árvore de Natal.

Era raro recebermos o que queríamos. Os meus pais deviam ter um plafond e nós tínhamos mais olhos que barriga.

No ano em que queria muito, muito o monopólio recebi o loto da quinta.

Era quase a mesma coisa.

Eu fiz um ar desapontado e disse:

- Ó mãe, podemos trocar de menino Jesus?

Valeu-me um castigo. Já nem sei qual. Ao longo da infância tive mais castigos que todos os putos da região de Lisboa em 2017.

 

Com o passar do tempo, as prendas mudaram um bocado.

Como fomos ficando mais velhos começámos a ver a utilidade de receber dinheiro e do guardar. Ou de receber roupa. Ou alguma coisa para a casa.

Os meus pais ao longo do tempo foram adaptando sempre os presentes de Natal.

 

Até que chegámos a uma idade em que todos temos tudo. E já não precisamos de nada.

Estar uns com os outros é suficiente.

 

Resolvemos criar o amigo secreto.

Só funciona para os adultos.

No Natal do ano anterior sorteamos o amigo secreto do ano seguinte.

O meu pai fica com a informação e transmite-a nos dias seguintes aos interessados.

Na noite de Natal é giro ver o desvendar do segredo. E do mistério.

É um dos pontos altos.

 

As vantagens são muitas.

Todos temos uma prenda para abrir.

Pensada para nós.

A pessoa que a comprou não teve de comprar muito mais prendas e por isso é personalizada.

E normalmente ao nosso gosto.

Não gastamos rios de dinheiro.

 

A exceção é feita para os meus sobrinhos.

A Madalena e o Pedro já são adultos mas para nós continuam a ser os nossos bebés.

A Inês, a Carlota, o Rodrigo e a Margarida ainda são crianças.

Aliás, a Margarida ainda não fez 3 meses.

E para todos eles há prendas. O Natal é das crianças. E é importante que a magia prevaleça o mais tempo possível.

 

Têm prendas mas não são dadas ao acaso.

São compradas segundo 4 princípios, até porque somos 4 a oferecer: os avós, os pais e os dois tios/tias..

1- Algo que gostem muito (por exemplo: o monopólio e não o loto da quinta!)

2- Algo que precisem  (por exemplo: roupa, calçado, etc)

3- Algo para guardar (por exemplo: dinheiro ou qualquer coisa que não precisem imediatamente mas se torne útil no futuro)

4- Algo para ler (fomentar a leitura e criarem desde pequenos bons hábitos)

 

Também isto é sorteado. No Natal anterior...

Eu este ano fiquei com: "Algo para ler"....

E já estão escolhidos os seis livros que farão as delícias dos meus sobrinhos.

....e a prenda do meu familiar secreto? Também...

......vai ser impagável a cara que vai fazer quando a receber....

 

o primeiro Natal do Vasco...

04.12.17, Joana Marques

2014!

Tinha o Vasco desde finais de Abril.

Devido ao seu início de vida atribulado quase nunca o deixava sozinho.

O Natal, nesse ano foi em casa do meu irmão. E o Vasco acompanhou-me.

 

Se acham o Vasco adorável. Na altura ainda era mais.

Ainda tinha ar de bebé. Mas já era muito grande. Não media bem os espaços. Era um trapalhão.

Muitas vezes olhávamos para ele a correr e parecia que não sabia como articular as pernas.

Não travava a tempo. E ia contra tudo. Cómico.

Olhava para nós com um ar:

- Credo! Como é que isto aconteceu?? O que é que se passa com essa cadeira...que apareceu mesmo à minha frente!

De Abril a Dezembro o Vasco foi mais vezes ao veterinário que eu fui ao médico durante a minha vida toda.

O veterinário que fazia parte do meu grupo de voluntariado salvou-o de morte certa.

O Vasco, mesmo assim, faz questão de lhe dizer que não gosta dele desde o início. Sempre que vamos a casa do veterinário (às vezes dá mais jeito) o Vasco faz xixi no tapete da entrada de casa. Sempre!

 

Nesse Natal, o Vasco foi o centro das atenções. Os meus sobrinhos não o largaram. Ou quase...

 

Mal cheguei, a casa do meu irmão, olhei para a mesa de apoio para ver com o que podia contar.

E os meus olhos pararam numa taça grande com um liquido lá dentro.

O meu irmão estudou e trabalhou na Dinamarca.

E trouxe de lá uma receita de uma nhonhoca qualquer parecida com a nossa sangria. Mas para pior...

Sempre que há uma festa em casa do meu irmão, aparece sempre a nhonhoca Dinamarquesa.

Ninguém lhe toca. A não ser o meu irmão que tira com uma concha um bocado daquilo põe num copo, bebe e finge que é bom.

 

Todos num alegre convívio.

A comer.

A cantar.

A contar histórias.

A rir.

Felizes por estarmos juntos.

E de repente, alguém me chama a atenção.

O Vasco está todo estendido no sofá. Com cara alegre. Um ataque de espirros. E tiques esquisitos.

O meu coração explodiu e implodiu ao mesmo tempo...

Eu que nunca tinha sido responsável nem por filhos, nem por animais desta envergadura...achei que tinha falhado. E o cão estava à beira de ir desta para melhor.

 

Fui para o pé dele.

A festa parou.

Toda a gente:

- O que é que aconteceu?

- Já alguma vez fez isto?

- É melhor chamar o veterinário.

- Joana, tens o número?

- Se calhar é melhor chamar o tio José?

- O tio José?? É cardiologista, não é veterinário..

- Sim, mas parece-me muito mal estragar a noite ao veterinário...é noite de Natal?

- E querem ligar ao tio Zé e dizer...podes vir cá?? O cão está escangalhado???

- Ah! Ah! Toda a gente a gozar com a minha sangria e não sobrou nada!!!

 

Por momentos a atenção foi desviada. O Vasco lá continuou com espirros e tremeliques.

Mas era mais credível o Vasco e seus espirros que alguém ter bebido a nhonhoca dinamarquesa...

A taça estava vazia.

- Foste tu que deitaste isso fora e agora estás a fazer-nos acreditar que alguém bebeu isso....não é?

Disse a minha cunhada para o meu irmão. Às vezes as mulheres são muito cruéis para os maridos.

- Claro que não. Juro que não. Está mesmo no fim..

- Foste tu que bebeste tudo?

Disse a minha mãe com um ar reprovador ao meu irmão. Às vezes as mães são muito cruéis para os filhos.

- NÃO! Juro pela minha saúde. Acabei de passar aqui e está no fim...e eu não tenho nada a ver com isso.

 

Alguém olhou para os meu sobrinhos com olhar acusador.

Pobres putos.

Ainda não diziam palavrões mas já tinham enveredado por uma vida ligada ao álcool e quem sabe às drogas.

Gomas nós sabíamos que comiam...oh! não! Seria o nome da moda para ecstasy??

O olhar deles disse tudo. Não tinham sido eles...

 

Até que alguém.....juntou, as peças do puzzle. Por acaso fui eu. Eu sabia quem tinha em casa...

 

 

 

Tive de o levar para casa ao colo.

E subir a escadaria do meu prédio toda com o cão.

Não dormi. Fiquei sempre ao lado dele. Nunca tinha visto um cão bêbado. Sabia lá o que podia acontecer...

...ainda pensei em dar café forte...é o que se vê nas novelas e nos filmes. Mas passou-me a ideia.

 

No dia seguinte.

Liguei ao veterinário. Não acreditou à primeira.

Primeiro caso de embriaguez canina. Que tratou.

Disse-me que provavelmente não teria qualquer efeito.

Verdade.

Quando acordou estava fino e pronto para outra.

 

Um dia destes conto...o que o Vasco fez na sua primeira passagem de ano.

 

sem contra-indicações...

03.12.17, Joana Marques

Para a minha mãe:

 

Desapareceram as migalhas.

Nem uma. Nada de nada!

O cão limpa tudo. Antes de cair ao chão já está no estômago do cão.

 

 

Para o meu pai:

 

Pode comer onde quiser.

Especialmente no sofá da sala. Em frente à televisão.

Sem correr o risco de sujar a carpete. E ter de enfrentar um divórcio...litigioso. Sempre desagradável...

Estou desconfiada. Quando sair daqui, o meu pai vai abdicar de mim facilmente mas vai querer ficar com ele...

 

Só vantagens!

Vasco!

Sem contra-indicação...desde 2014!

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a perna partida. O Vasco. E o pior de tudo...

03.12.17, Joana Marques

A verdade, verdadinha é que a perna partida entrou na minha rotina.

Tomar banho é chato. De resto uma pessoa vai ajustando ao dia a dia.

Tento descansar mais do que o normal.

Tenho trabalhado mas sempre com a preocupação de ter a perna em repouso.

Todos os dias dou pequenos passeios na rua.

Embora a perna se ressinta. E reclame.

Logo que acontece volto para o repouso.

A perna manda na minha vida. Neste momento é assim.

Primeiro a perna, logo a seguir o Vasco e depois a Joana.

 

O Vasco está a adorar.

Este cão percebe num instante.

E sabe que eu não vou aparecer equipada e obriga-lo a correr 10km.

Passo mais tempo que o normal deitada na cama e lá está ele.

Sempre ao meu lado.

O melhor é que quando alguém me visita. Nem pensar em sentar-se na minha cama.

Corre toda a gente à focinhada. E ladra se a pessoa tiver compreensão lenta.

 

A minha mãe bem montou a cama dele num corredor perto da cozinha.

- Dorme tu, Dona Mariana. Eu durmo com a Joana.

Foi o que ele lhe respondeu ainda que não tivesse sido em português.

O dia em que parti a perna foi difícil. O dia seguinte também. Pelo menos uma parte dele.

A partir do momento em que cheguei a Portugal.

E comecei a reencontrar todas as pessoas que fazem parte da minha vida. Tudo mudou.

 

Só há uma coisa excecionalmente má nisto tudo.

Com a perna partida, os golos do Sporting ficam por comemorar devidamente.