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Kiosk da Joana

Kiosk da Joana

anatomia de um esquecimento

31.01.18, Joana Marques

A Carla e a Ana pediram-me para escrever sobre esquecer alguém.

Entretanto recebi no meu email outro pedido idêntico.

3 pessoas a pedir.

Num blog pequenino como o Quiosque.

É muita gente. E por isso resolvi fazer-lhes a vontade. Não vá perder 3 leitoras preciosas.

Aproveitei a viagem e aquele tempo todo dentro do avião para começar a escrever o texto.

E o tempo que perdi à espera da minha irmã para o compor.

Acho que não é preciso dizer que não sou exemplo para ninguém. Ou não estaria solteirona quase aos 37.

É um post. Só um post.

Aqui vai!

 

 

Esquecer um homem. É muito mais difícil do que deixar de comer glúten. E comer sem glúten é muito complicado!

Para mim, compreende 3 etapas.

 

A decisão

O passo mais importante.

Convém ter uma bandeirinha para iniciar o processo.

Para mim foi este post.

Mas pode ser um corte de cabelo.

Uma jantarada.

Um bolo de chocolate.

Um vestido deslumbrante!

Qualquer coisa que inicie o fim....

Depois deste passo, é possível que se recue na decisão. Muitas vezes.

É possível que se volte a falar com ele.

Pelo menos comigo foi assim. Tantas vezes pensei que afinal....se calhar....é mesmo o homem da minha vida.

Mas depois, voltava aos lugares onde não tinha sido feliz.. E a lucidez voltava.

 

Se ele for um homem do tipo informático. Aquele que faz backups! 

Esses locais estão mesmo à mão de semear.

Todas as redes sociais em que andou a marcar território.

Naqueles dias em que andavas descontraidamente a passear no instagram e deste de caras com um comentário do dito a fazer-se engraçado a outra qualquer. É isso mesmo. Nem que lá vás 10 vezes por dia. Só para te lembrares do que te fez desistir.

 

O mais difícil são as rotinas. Ainda hoje por volta das 21h/22h sinto uma nostalgia parva. Era por volta desta hora que falávamos todos os dias. E é duro.

É importante, criar novas rotinas. À conta disso, este mês, já li quase dois livros, tricotei uma camisola e crochetei uma boa parte de uma manta. Nem tudo é mau.

Em vez de uma pessoa se lamentar e iniciar um processo de pijamodependente. É pôr mãos à obra.

 

De forma faseada convém deixar de seguir o dito nas redes sociais.

Uma pessoa acorda bem disposta e com vontade de viver e dá de caras com uma publicação da criatura.

Não é bom.

Se achares que ainda não estás preparada e que no momento seguinte o vais seguir outra vez espera mais um pouco...

Esta primeira fase não tem prazos. Depende muito de pessoa para pessoa.

Não interessa o tempo. Interessa que fique bem terminada!

 

Se continuares a ver de cinco em cinco segundos as redes sociais dele, bloqueia-o. É deprimente, eu sei. Mas pensa em ti primeiro.

Se precisares de voltar ao lugar onde foste infeliz, pede um instagram emprestado a uma amiga, por exemplo.

Começa a distanciar-te.

A distância ajuda muito ao esquecimento.

Não numa primeira fase mas nas seguintes. Por isso, o bloqueio só deve ser feito...mais tarde.

 

 

 

Preso por ter cão, preso por não ter

 

O pior já passou.

É a fase do ultimo contacto.

Podemos enviar uma mensagem sobre qualquer coisa. Pode ser parva e tudo...

- Olá! Sabes me dizer se amanhã vai chover???

- Desculpa chatear-te mas podes me dizer o nome do meio do cão da Miriam??

- Não queria MESMO estar a chatear mas podes-me dar a receita dos pasteis de nata?

 

1ª hipótese:

Ele responde de forma simpática e amorosa.

Pensamento incorreto: tão querido, respondeu-me. Gosto tanto dele. Ainda gosto tanto dele.

Tens de voltar à fase um.

Pensamento correto: Que lata! Respondeu-me como se eu fosse a Mariazinha (um backup de uma rede social qualquer). Em boa hora decidi acabar...

 

2ª hipótese:

Ele responde de forma vaga..

Pensamento incorreto: vê-se logo que está a sofrer mais do que eu...Gosto tanto dele. Ainda gosto tanto dele.

Tens de voltar à fase um.

Pensamento correto: Que lata! Ainda hoje comentou a fotografia da Mariazinha, a achar que tinha piada. E comigo fala assim?? Logo eu! Que mereço este mundo e o outro... em boa hora decidi acabar...

 

3ª hipótese:

Não responde.

Pensamento incorreto: Magoei-o tanto que nem me responde. Gosto tanto dele.

Tens de voltar à fase um.

Pensamento correto: Olhem me para este...tanta coisa que eu fiz por ele. E nem se dá ao trabalho de responder.

 

Em resumo. Qualquer coisa que ele faça. Está mal feita.

Qualquer coisa que ele diga. Está mal dita.

Preso por ter cão. Preso por não ter.

E se não pensares assim. É isso mesmo...voltar à fase um.

 

Anselmo Ralph

 

Quem me dera já estar na fase Anselmo Ralph.

Não me ligue.

Não fale comigo.

Não exista.

Não me toque.

Porque se me ligar. Falar comigo. Existir. Ou tocar.

É me indiferente. Completamente indiferente.

 

 

O processo de esquecimento. Leva o seu tempo.

Às vezes ficamos agarradas a uma pessoa muito tempo, porque nunca mais apareceu ninguém. Ou quem apareceu é mais desinteressante que um piaçaba.

Andar com alguém para esquecer outra é um mau passo, também.

Ser feliz sozinha, novamente. Para depois encontrar outra pessoa. Se possível a nossa pessoa.

 

 

Tenho fé que um dia olhe para trás e perceba que valeu a pena esta travessia no deserto.

No meu caso, #rumoaoesquecimento está encaminhado. Mas não está finalizado.

Acabei de fazer uma aposta com um amigo.

Eu digo que o rapazinho vai destacar, uma pessoa (uma das mariazinhas...), num evento que está a decorrer. Tal como eu fui, por ele uma ou outra vez.

O meu amigo acha que não.

Apostámos um bilhete para o Nos Alive.

 

Eu sei que é meio parvo. Mas brincar com a situação ajuda-me a avançar. E a exorcizar...

Tal como me ajudou o sorteio da aguarela...por exemplo.

 

Eu acho que vou ganhar...

Já que o perdi a ele, pelo menos que ganhe o bilhete...

 

Portugal no mapa...

31.01.18, Joana Marques

Nova Iorque. Dia 2. Segunda feira.

Apresento-me no meu local de trabalho. Um open space. Uma imensidão de gente.

Um americano começa a conversar comigo.

Pergunta-me o nome.

E depois a nacionalidade.

- Sou portuguesa.

Faz um ar de quem nunca ouviu falar...

- Portugal.

Faz um ar de quem está a desvalorizar o país. E diz:

- Ah! Certo. Espanha!

- Não! Portugal!

Faz um ar de desdém...

 

Ponho-lhe a mão no braço e com o ar mais fofinho que consegui arranjar...

- Desculpa! Não me tinha apercebido. Não andaste na escola....

 

 

Nova Iorque. Dia 3. Terça feira.

No mesmo local do dia anterior. Algumas pessoas são as mesmas.

Alguém me pergunta: o nome. E logo a seguir o país.

- Portugal.

E alguém responde:

- Ah! É aquele país na Europa, junto a Espanha.

 

E assim, se pôs Portugal no mapa.

 

em Portugal...

30.01.18, Joana Marques

A Alice já nem se lembra que tem uma mãe.

Está feliz da vida com os meus pais.

Rotinas iguais.

Continua a comer bem.

A gostar de brincar com o boneco preferido. O elefante que mexe as orelhas.

Gosta que lhe leiam um livro. Gosta muito de estar ao colo.

Gatinha a alta velocidade.

Continua a mesma estouvada. A mergulhar de cabeça onde não deve. É de borracha.

 

Por outro lado.

Temos o outro filho. O que se lembra de mim.

Não come. Ou mal come.

Só se lhe derem biscoitos à boca. Se for obrigado...

A água também tem de ser dada quase à força.

Está esteirado no sofá do escritório.

E embrulhado porque treme frequentemente.

Chora.

vasco1s.jpg

Saí exausta de Portugal. Por causa dele.

Estava capaz de o deserdar....mas acho que lhe vou perdoar outra vez...

...é a última vez...a partir de agora vou ser muito mais rígida com ele...

ou não me chamo Vasquina....

 

homens! Como é que conseguem?

29.01.18, Joana Marques

Chegámos ontem. Depois de almoço. Hora Nova Iorquina.

Eu e a minha irmã.

Depois de tudo acomodado no hotel. Aproveitámos a tarde para começar a percorrer tudo o que planeámos.

Eu vim a trabalho e por isso não tenho todo o tempo do mundo. Toca a aproveitar todos os bocadinhos.

 

Hoje. Passei pelo meu trabalho de manhã.

Tive duas reuniões. Coisa pouca. Amanhã, sim é a doer.

Tive ordem de soltura. Antes do almoço. Felicidade!

Enviei uma mensagem à minha irmã. Já a temer o pior.

- Estou a sair.

 

Cheguei ao hotel. Tomei um banho para tirar o trabalho de cima de mim. 10 minutos estava como nova.

Banho tomado. Cabelo seco.

Vestido preto às bolinhas brancas.

Sapatos. E pronto.

 

Estou pronta para voar daqui para fora.

 

A minha irmã.

Já escolheu a roupa. Demorou mais de meia hora. Mas escolheu. Finalmente.

Esticou o cabelo.

Apanhou-o. E voltou a soltar.

Perguntou-me o que é que achava.

- Ficas bem de qualquer maneira.

- Tu também, és sempre a mesma.

Neste momento, está a pôr na cara tudo aquilo que tem direito.

Cremes e mais cremes. E base. E cenas....daquelas que demoram uma eternidade a pôr e que às vezes saem esborratadas.

 

Eu só consigo pensar no meu cunhado.

Casado com ela.

Quase 25 anos de casamento.

Será santo?? Ou quê?

 

Só não peguei em mim e saí daqui.

Porque tenho este blog. Onde desabafo as minhas mágoas todas....

Todas, todinhas....

 

next..

28.01.18, Joana Marques

No tempo em que tinha férias. Férias, mesmo férias. Mais de uma semana. Dias e dias a vegetar.

Ao fim de algum tempo começava a perguntar-me se conseguiria voltar a trabalhar.

Com o cérebro em serviços mínimos.

O tico de férias e o teco em greve de zelo.

Tinha  a sensação que não conseguia pensar e que ficaria assim para sempre.

Por acaso, espero, este ano, voltar a ter férias de jeito. E sem muito esforço vou voltar a sentir um vazio cerebral...vou fazer por isso.

É claro, que voltava ao trabalho. E meia hora depois de ter chegado tudo tinha voltado ao normal. Com a vantagem de me sentir novinha em folha e pronta para conquistar o mundo.

 

O livro que li e terminei na sexta feira lembrou-me esses tempos.

Dos tempos de férias em que parece que nada se apreende.

O livro é tão ligeiro que é bom para ler quando estamos com o cérebro parado. Paradinho.

Ninguém me recomendou o livro. Comprei-o porque gostei da capa. Eu sei que é uma razão parva mas não preciso de estar de férias para ter ideias parvas...

Se não fosse Sportinguista provavelmente tinha desistido do livro. Só lhe comecei a achar piada lá para a página 200.

Como se Sportinguista habituei-me a esperar pelo fim.

Fiz bem. Porque acabei por gostar do livro.

Não gostei tanto como o primeiro de 2018.

Até porque depois de uma história destas não é fácil passar para outra. Ainda por cima sem grande enredo. E leve.

É uma história dos nossos dias. Onde entra o facebook, instagram e o mundo dos blogs.

O amor. A disputa. O bad boy. E a mulher que também se apaixona mas olha para os seus interesses primeiro.

Numa ou outra passagem fez-me ri até a barriga doer.

amorcomtravo.jpg

O próximo.

É este.

Alguém me falou nele. Fiquei com curiosidade.

gaivota.jpg

 E vocês o que andam a ler?

O sonho. E a realidade.

27.01.18, Joana Marques

Estou de partida para Nova Iorque.

A semana que passou foi de loucos.

Aquelas coisas que costumo deixar para sexta à tarde e para o fim de semana foram feitas ao longo da semana.

Lavar a roupa. Passar a ferro. Trocar as camas. Limpezas.

Hoje tinha planos.

 

o sonho

Aproveitar a manhã para fazer a mala.

A Alice ia acordar por volta das 7.

 Pequeno almoço.

Sair com ela e com o cão. Dar uma volta aqui pelas redondezas.

Voltar a casa.

Brincar um bocadinho com ela.

Adormece-la.

Almoçar antes dela acordar.

Quando ela acordasse dava-lhe o almoço.

Pegava nela e no Vasco e ia até casa dos meus pais.

Ia enviar uma mensagem ao meu pai para ele vir cá fora ajudar-me com a tralha.

Ia ler um livro à Alice. Até ela adormecer.

Ficava lá por casa. Ou ia passear o cão.

A Alice ia acordar. Ia dar-lhe o lanche.

E íamos brincar. O cão devia juntar-se à brincadeira. E o meu pai também.

Banho. E logo a seguir o jantar.

Ultima história do dia. Ia adormece-la.

Deita-la.

Ia ficar a vê-la dormir.

Ia passear com o Vasco.

E de seguida, jantar com os meus pais.

Sporting.

E ia para casa.

Amanhã. Nova Iorque.

Seria uma transição suave para a Alice. Para não ser traumático para ela.

Já teve tantas mudanças na vida.

 

a realidade

 

Fui acordada pelo cão. Como de costume.

Cedo. Como eu gosto.

Fui espreitar a Alice.

O cão viu qualquer coisa que o inquietou e desatou a ladrar que nem um tarado.

A Alice acordou, com a barulheira.

5h30 da manhã. Já não dormiu mais.

Bonito! Não tomei banho. Não tomei o pequeno almoço. E a mala feita....só na minha imaginação.

A Alice chorava que nem uma Madalena. E o cão ladrava. E eu só pensava nos vizinhos...

Tratei da Alice. Dei-lhe o pequeno almoço.

O cão precisava mesmo de ir à rua.

Estava frio.

Enchouricei a miúda dentro da roupa. Enchouricei-me a mim também.

Alice no carrinho. A reclamar.

Não estava nos dias dela.

O cão feliz da vida. Formoso e seguro. Pelas ruas.

Xixi aqui. Xixi ali. A vida é uma festa.

Cocó. A vida é uma festa mas às vezes cheira mal.

 

Voltei a casa. A Alice sempre meio chorosa.

Embalei-a.

Ainda não tinha tomado banho. Ainda não tinha tomado o pequeno almoço.

A Alice adormeceu. Mas quando a deixei na cama. Começou a chorar outra vez.

Dei-lhe sopa. Quentinha. Embalei-a.

Dormiu.

 

Fui tomar banho.

Tomei, finalmente o pequeno almoço. Às 11h da manhã.

 

Quando olhei. Vejo o cão. Rabo a abanicar. Feliz da vida. Com qualquer coisa dentro da boca.

Nem quero acreditar. Quando olho e vejo que é uma cápsula de detergente da loiça.

Tinha a máquina pronta. E já tinha posto a cápsula. Ele conseguiu tirá-la de lá.

Ainda esta semana falei disto.

As minha preocupações estavam certas. Um dos meus filhos andava a dar forte e feio no detergente.

Fui com muito cuidado. Em câmara lenta ter com ele. Para o agarrar.

Movimentos bruscos, assustam-no.

Quando estava quase, quase, quase....ele fugiu. Ó céus....

Quando fugiu. Bruscamente. E com a humidade da boca. E o calor.

Com mil Slimanis. A cápsula rompeu.

Saltei para cima dele. E com as minhas pernas a fazer de alicate.

Segurei o cão com as pernas...até porque estou cheia de força nas pernas.

Abri-lhe a boca.

Tirei-lhe a cápsula.

Obriguei-o a ir até à casa de banho. Arrastei-o...

Escancarei-lhe a boca.

Lavei-lhe a boca. Língua. Dentes.

Para lhe tirar o detergente.

A fuga. Tinha sido pequena.

O dano foi enorme.

Devo ter tocado num ponto sensível da garganta do cão. Logo a seguir fui apanhada numa avalanche de vómito.

A vida é uma festa, às vezes é mal cheirosa e é sempre imprevisível.

Vasco no seu melhor. Estava aterrorizado. E a tremer.

 

A Alice acordou.

Lá me limpei como consegui. Troquei de camisola. E fui ter com ela.

Dei-lhe o almoço.

Vasco. Inconsolável no sofá da sala..

Bonito. Um cão sujo...no sofá da sala.

Vasco. A tremer no sofá da sala.

 

Liguei ao veterinário a contar. Sossegou-me. Se vomitou e tudo. Não tinha nada de detergente. Era fita.

- Fita?? O Vasco....estranho!

Os meus pais ligaram.

Tinha-me esquecido de avisar. Que os planos tinham mudado.

O meu pai disse para não me preocupar. Que passava por aqui e levava a Alice. Antes da sesta da tarde.

 

Apareceu o meu pai.

A Alice saiu a chorar.

Eu fiquei de coração partido.

Não era nada disto que tinha idealizado.

Dediquei-me ao cão. Tinha de conseguir consertar o cão estragado.

Fiz festinhas.

Dei beijinhos.

Ficou ao meu colo.

Dei comida.

E fiz festinhas.

Limpei-o.

Falei-lhe ao ouvido.

Disse-lhe que gostava muito dele.

Disse-lhe que era o melhor cão do mundo.

E que a minha vida sem ele não tinha graça.

Dei biscoitos dos dentes.

Fiz festinhas.

Convidei-o a ir dar um passeio.

Ele foi. Muito devagarinho. Parecia um cão velhinho. E chorava. Muito.

Fiz festinhas.

Fez xixi. E cocó.

Voltámos para casa. A uma velocidade. 1 m por minuto.

Dei-lhe banho. Sequei-o.

Voltou a deitar-se no sofá da sala. Mais calmo. E já sem tremer. Mas ainda combalido.

Descongelei. No micro-ondas. O meu principal trunfo.

O frango assado.

Chamei-o. Comeu alarvemente. E com satisfação.

Fiz festinhas.

Dei-lhe beijinhos.

Eram 20h quando o deixei em casa dos meus pais.

A Alice já estava a dormir.

E lembrei-me agora que ainda não almocei....

 

 

dementors..

26.01.18, Joana Marques

Na ficção.

São personagens do Harry Potter que sugam a felicidade.

 

Na vida real.

São aquelas pessoas que acham que tudo é uma desgraça. Tudo vai ter um fim. Trágico.

 

Castradores.

São infelizes. E a sua única felicidade na vida é fazer os outros infelizes.

 

Velhos do Restelo.

Não percebem que a sociedade evoluiu e que aquilo que era certo há 50 anos pode estar desatualizado.

 

São os que não experimentam. Presumem sempre que não gostam. Ou que faz mal.

Para eles o apocalipse está ao virar da esquina do Panteão Nacional.

 

São pessoas que vão morrer amanhã.

Mas porque tudo é tão mau. Aproveitam para morrer já hoje.

A bem dizer já morreram há bastante tempo, só eles é que ainda não perceberam.

São como os espiritos que ficam a rondar quem quer viver e não encontram a luz. Porque tudo é escuridão.

 

São pessoas preguiçosas que se queixam de tudo mas nada mudam. Nem tentam.

Mas se por algum motivo falharmos, são os primeiros a apontar o dedo.

 

São pessoas feias porque são tristes.

E esboçam um sorriso quando escrevem deprimentemente, a prever um futuro negro, para o país, para a cidade, ou para o próximo.

Levam-se a sério. Muito a sério.

 

O dementor tem sempre um ou dois dementorzinhos que lhe afagam o ego e lhe dizem que tem razão.

Os dementorzinhos, são pessoas que têm como objetivo serem dementors mas ainda são só dementes.

 

 

Riem pouco. Só se riem quando algo negro acontece.

E correm a apontar o dedo e a dizer que tiveram sempre razão.

A vida deles é essa. Serem negros como a noite. E convencidos como o dia.

 

São pessoas tão negativas que em contacto com flores, estas murcham.

Os cães choram. E as crianças também.

 

Não percebem.

Não percebem nada.

As suas lutas são tão ocas quanto inúteis.

 

 

Por acaso ainda não dei conta. De nenhum Quiosquiano assim.

Porque este blog.

É para pessoas que lutam pela felicidade.

 

#rumoaoesquecimento #2

26.01.18, Joana Marques

O nosso primeiro passatempo terminou.

Participaram 28 pessoas.

Aqui está!

passatempo1.jpg

Quando estava a pensar rasgar papelinhos e escrever os nomes.

Fui salva pelo meu sobrinho, Pedro. Que me apresentou isto.

Toda a gente conhece. Eu não conhecia mas é bastante mais rápido e limpinho, limpinho....

 

A aguarela vai para.....

passatempo.jpg

Ana Barbosa!

Parabéns. Espero que gostes.

Preciso que envies um mail para: joanatmarqueshr@sapo.pt, com os teus dados.

 

Estou a pensar, em breve, fazer outro passatempo.

Uma aguarela.

Normal....daquelas que pinto por pintar. Sem todo este drama à volta!

Sorry,  aguarela, outra vez.. é o que eu sei fazer.

 

Agradeço a todos os que participaram.

Deu-me alento para continuar a caminhada #rumoaoesquecimento.

Bem acompanhada é mais fácil!

..

 

Até já!

Vou só ali a Nova Iorque...

 

 

 

esta vida de fotógrafa está a dar cabo de mim...#2

25.01.18, Joana Marques

Andava eu a tentar perceber melhor o mundo em que me meti..

....reparei em algo que me fez confusão.

#15aoburro.

Muitas publicações no instagram têm esta tag. E eu não percebia porquê...

Ainda pensei numa coisa que se dizia na minha escola quando queríamos ofender alguém...

- És burro ao quadrado.

Ou pior.

- És burro ao cubo.

Achei que quem usava esta tag, se tinha enganado. E queria chamar alguém burro elevado a 15.

 

Não uso nada que não perceba. Nem gosto muito de seguir multidões. A não ser que faça sentido. E poucas vezes faz...

Resolvi pesquisar.

Google, com a Joana.

Escrevi.

- Quinze ao burro. (também podem experimentar)

E apareceu-me várias notícias sobre 15 pessoas que tinham violado um burro.

Liguei uma coisa a outra. E coloquei a hipótese de quem utilizava a tag ter participado nesta orgia...

 

Só que depois. Percebi que não é #quinzeaoburro, é #15aoburro.

E pesquisei outra vez.

- 15 ao burro.

E fui parar a uma página de facebook.

O Google ainda me direcionou para um associação que acolhe burros e fez 15 anos.

Várias imagens de burros. Fofinhos. Os burros.

 

Entrei na página de facebook.

Parei com as especulações e enviei uma mensagem aos senhores do  #15aoburro.

Responderam-me.

São 15 pessoas de volta do projeto e chamam burro ao projeto.

Faz mais sentido, agora! Muito mais sentido...

15aoburro.jpg

Podem ver o instagram deles. Vale a pena.

Dão a conhecer fotógrafos. Daqueles bons e verdadeiros.

E eu. Não os vou maçar com as minhas fotos amadoras.

Olhando para o trabalho deles, não faz sentido usar a tag #15aoburro numa foto de uma porta, de uma suculenta...ou de uma beldroega...

 

 

vou mas é viver...

25.01.18, Joana Marques

Já que este blog entrou na moda dos passatempos.

Estou a pensar sortear a minha perna.

 

No início tinha dores horríveis. Mas tinha desculpa. Duas fraturas numa só...enfim, uma pessoa tolera a dor. Que remédio.

Depois as dores passaram. Já conseguia ir a Fátima a pé. Mas tinha o gesso. E ter gesso é super desconfortável.

Apanhei varicela. Pior ainda. As borbulhas dentro do gesso, onde a mão não chegava...indescritível.

Foi a pior semana da minha vida.

Faz amanhã um mês que tirei o gesso. E saí de lá com a sensação que podia partir a perna a qualquer momento.

Comecei novamente a ter dores.

O médico diz que é normal.

Comecei a fazer fisioterapia.

Ó diabo. Ó diabo. O que raio fui fazer...

Dores. Dores e dores.

Mas....

....ao longo do mês senti melhoras.

 

Ainda não posso correr. O que me deixa num estado de ursa para cima.

Tentei caminhar. A minha fisioterapeuta diz para experimentar mas nunca forçar.

Quando caminho, a perna fica inchada.

Quando não caminho, a perna também fica inchada.

Quando vou à fisioterapia, a perna fica inchada.

E ontem, depois do jogo. A perna ficou inchada. Muito inchada!

Quem me mandou comemorar como uma sportinguista??

 

Se fica inchada por tudo e por nada.

Que se lixe a perna.

Vou mas é viver.....

 

 

um quarto de volta...

24.01.18, Joana Marques

Antes de ter ido para fora usava sobretudo o carro para me deslocar entre Carcavelos e Lisboa.

Como ia para o trabalho muito cedo não me apetecia muito ter de ir para a estação do comboio a pé, apanhar o comboio e depois o autocarro...

Mas, muitas vezes em Lisboa andava de autocarro ou de metro.

Cheguei a tirar o passe, para me deslocar, entre os mais variados locais.

Tive de ter o cartão Lisboa Viva.

 

Agora que regressei, percebi que tinha o cartão caducado.

E, sem pressas comecei a pensar em arranjar um novo.

Falei nisso ao meu pai que me arranjou, não sei bem onde, o impresso.

Preenchi-o e fui a um daqueles quiosques onde se compram passes.

Estava uma fila considerável.

Esperei. E quando chegou a minha vez. A senhora, mal humorada, olhou para a minha fotografia e disse-me que não aceitava.

Agarrou no impresso e na foto. E foi tudo ao ar.

Passou ao próximo.

E eu andei a apanhar do chão aquilo que tinha voado.

A fotografia tem 5 anos. O cabelo está mais comprido.

Mas sou eu...olhando para a foto e para mim. Ninguém tem dúvidas.

Posso ter mais uma ou duas rugas.

Dos 31 aos 36 não há mudanças radicais...salvo raras excepções.

Não me apetecia nada ter de ir tirar fotos novas. Um desperdício de tempo e de dinheiro.

 

Quando estava a rastejar no chão. Entre o impresso e a fotografia.

90º descaído para a esquerda. Estava outro quiosque. De outra empresa.

Um quarto de volta. E entreguei o impresso e a foto.

Fui muito bem atendida. E hoje fui buscar o cartão.

Não me orgulho muito do que fiz...

Mas um passe!

É apenas um passe....

....até as regras para a carta de condução estão mais flexíveis...e as fotografias do cartão do cidadão são válidas por 10 anos!

 

 

desrespeito à autoridade..

24.01.18, Joana Marques

Hoje de manhã o cão armou-se em fino. E pela primeira vez desde que a Alice cá está quis ficar em casa.

Antecipei-me e pus #rumário em cima do móvel. Onde o primo morreu...

Não se assustem que #rumário não vai morrer. Coloquei um lembrete no telemóvel a dizer...

- Não te esqueças do peixe, palerma.

Tem resultado. #rumário, não se manifesta muito, mas parece feliz.

 

Saí eu com a Alice, o Vasco ficou.

Regressei a casa. Comecei a trabalhar...

E o Vasco mudou-se da sala para o escritório e ali esteve. Eu a trabalhar. Ele a dormir.

Sim, senhor. Vida de cão. A escrava que trabalhe.

 

A escrava almoçou em casa.

A escrava foi passear o cão.

A escrava voltou a trabalhar.

 

Às 16h decidi ir buscar a Alice.

Peguei nas chaves do carro. E tive companhia. Estava doido de alegria. Passear de carro. Olé!

Entrou para o carro. Depois entrei eu.

E aí vamos nós.

Quase a chegar a casa dos meus pais, estava uma rua cortada num dos sentidos. Pareceu-me estarem a arranjar um candeeiro.

Ainda estive parada, em fila.

Um polícia coordenava o trânsito.

Fez um sinal para os carros que estavam na minha faixa avançarem.

E nós, devagar, devagarinho lá fomos.

O Vasco, doido de alegria.

 

Passei pelo polícia. Estava virado de costas para falar com um dos senhores das obras.

Carro parado. Janela aberta. Vasco com a cabeça de fora.

O cão enche os pulmões de ar.

Encosta o focinho à cabeça do polícia.

E ladra mais alto que os metallica em concerto.

O polícia com o susto atirou um salto e foi contra uma barreira.

 

Ainda pensei fechar as janelas. Não abrir as portas. E fugir, fugir, fugir...

Podia ser que ninguém me encontrasse....no Canadá.

Mas, não. Saí do carro. À espera de um raspanete e de uma multa por excesso de barulho. É que aquele ladrar, de certeza, ultrapassou os níveis legais de decibéis.

Tive sorte.

O polícia não levou a mal.

E o Vasco ainda foi contemplado com uma quantidade de festas...

...há pessoas simpáticas

 

 

de Besta. A Bestial. Em menos de um minuto...

23.01.18, Joana Marques

Quando levo a Alice a algum lado.

Ao médico, vacinas...ou até ao parque.

A conversa do pai vem muitas vezes à baila.

Nem digo que não sei quem é o pai.

Digo meia verdade. Sou mãe solteira.

O preconceito que ainda persiste é enorme. Não fazia ideia.

Pensei que fosse algo normal.

Mas não é. O olhar das pessoas diz tudo.

Outro dia no Centro de Saúde uma enfermeira na casa dos 30 anos soltou um...

- Como é que deixou isso acontecer.

Como se a Alice fosse uma espécie de acidente...

Com medo que me obrigasse a frequentar, consultas semanais de planeamento familiar, lá lhe disse que tinha adotado a Alice.

Passei de besta a bestial em menos de um minuto...

 

Quando é relevante dizer que é adotada, digo.

As restantes vezes fico calada. Ninguém tem nada a ver com a minha vida.

E sinceramente pouco me importa o que pensam de mim.

Mas este estigma, este preconceito deixa-me perplexa...e de alguma forma incomodada...

 

A verdade é que estou entre os dois conceitos. Como a maioria das pessoas...

Uns dias mais besta, outros mais bestial....

 

a cápsula do tempo...

23.01.18, Joana Marques

Desde muito pequena que me lembro dos meus pais nos dizerem para não aceitarmos nada de estranhos.

 

Era eu uma pirralha de 4/5 anos e era completamente impossível de aturar.

Passava o dia no infantário. Corria, saltava, pintava, construia e desconstruia tudo à minha volta.

Chegava a casa ainda com as pilhas a 98%.

A minha irmã ia-me buscar ao infantário quase todos os dias.

E era com alguma dificuldade que fazia o caminho para casa.

Pernas para que te quero. Lá ia eu a correr para chegar a casa. E a minha irmã que se amanhasse.

Se queria vir comigo...corresse.

Era parada pelo senhor da mercearia que me achava graça e me dava rebuçados.

- Toma lá, Joana.

Eu parava. Pegava no rebuçado. E corria até ao meu prédio. Subia as escadas. Tocava à campainha compulsivamente. Entrava.

E deitava fora o rebuçado.

minha irmã chegava uns minutos depois...sem fôlego.

 

Tanta vez fiz isto que me perguntaram lá por casa. Porque deitava os rebuçados fora.

- Vocês disseram-me para não aceitar nada de estranhos. Aceito para não o deixar triste mas deito fora.

Tiveram de me explicar que daquele senhor podia aceitar. A minha mãe era cliente e conhecia-o.

Foi uma descoberta maravilhosa. A partir daquele dia comecei a moderar a velocidade à frente da mercearia. A minha irmã agradeceu.

 

Tinha 7 anos. Continuava a ser uma pirralha chata. E insuportável. Estávamos à mesa.

Os meus pais tinham ido ao Alentejo. E tinham trazido um saco grande de limões.

E falavam entre eles a quem iam dar limões. Para não se estragarem.

Eu. Arranjei logo uma solução. Obviamente a solução certa.

- Porque é que não dão à Petra Marisa, o irmão dela consome e ela diz que precisam de limões.

 

A tensão arterial da minha mãe deve ter disparado. Parece-me que vi a veia da testa a bombear sangue desmesuradamente.

Muito calma a minha mãe disse.

- Petra? Nunca me tinhas falado nela.

- Petra Máaaaaaaaaarisa. Respondi eu. Aquele Máaaaaaaaaaarisa dito daquela forma desconcertava a minha mãe de alguma maneira.

A tensão arterial da minha mãe estava nos píncaros.

A minha mãe bebeu água.

O meu pai sempre menos stressado que a minha mãe. E normalmente divertido com as minhas coisas.

- O que é que disseste sobre o irmão da Petra Marisa?

- Consome. A Petra Máaaaaaaaaaaaaarisa diz que ele já vendeu o recheio da casa duas vezes.

A minha mãe quase sucumbiu. 

- Consome?? O que é isso?? Perguntou o meu irmão.

E eu com o ar mais natural do mundo. Disse.

- Consome!

É claro que eu não percebia nada do que estava a dizer.

Só estava a reproduzir uma conversa que uma colega de escola tinha tido comigo e com outros miúdos.

 

Lembro-me de o meu pai nos ter sentado a todos no sofá e nos explicar de uma forma simples o que era.

E alertado para os perigos.

A minha irmã tinha 16 anos já sabia alguma coisa sobre o assunto.

O meu irmão chocado perguntou-lhe:

- Porque é que não nos disseste antes?

E o meu pai respondeu.

- Vocês comeriam vidro?

É claro que eu sabia a resposta. Atropelei toda a gente. E respondi eu.

- Claro que não. É demasiado estúpido...

- Exatamente.

Fiquei inchada de orgulho. Eu era a mais nova e tinha respondido, certo. Toma lá Tiago, toma lá Sofia.

- Nunca vos falei sobre este assunto porque acho que tenho 3 filhos inteligentes que na altura de saber escolher, escolherão bem. Droga é como comer vidro. É estúpido.

Ficou por ali a conversa.

Eu nunca experimentei. Os meus irmãos que eu saiba também não...

 

Isto veio-me à memória. Porque  agora tenho uma filha.

E porque ao que parece há pessoas a comer cápsulas de detergentes.

Faz me pensar...

E se eu não conseguir ser tão eficaz como os meus pais..

A experiência que eu tenho em educar é tão curta e não muito recomendável...

...vocês sabem como se comporta o cão...

 

Era tão bom. Uma cápsula do tempo.

Para que a Alice pudesse presenciar esta conversa.

 

 

 

 

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