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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

Alice. Report!

02.01.18, Joana Marques

Ainda está a encontrar um lugar por aqui.

Todos os dias está mais adaptada que os anteriores. E isso é bom.

Também nós nos estamos a adaptar a ela. A ajustar e a reajustar a nossa vida.

 

Acorda muito bem disposta pelas 7 horas da manhã.

E adormece por volta das 9 horas da noite.

Acho que tem um radar incorporado porque no dia 31 de Dezembro não adormeceu à hora esperada.

E só fechou os olhos às duas da manhã.

Quando a festa terminou.

 

Chegou cá assustadoramente calada mas passados uns dias começou a palrar e agora ninguém a cala.

Participa nas conversas. À força.

Argumenta connosco. E acha que tem razão.

Também argumenta com o Vasco. E ele com ela...

 

Tem um apetite voraz. Habituada a papas e só a papas.

Por aqui faço-lhe sopa, que vou diferenciando ao longo da semana.

Experimenta tudo com cuidado. Porque tudo é diferente. Mas gosta de tudo.

Gosto de a pôr na cadeirinha e deixar bocadinhos de fruta para ir saboreando.

Vai comendo ao ritmo dela. Ao mesmo tempo que palra e bate com as pernas...

Come sempre tudo...

Adora bananas. O Vasco também.

Cuidados redobrados porque corre o risco de ser assaltada.

 

A Alice não tem dentes. E eu, mãe comecei a ficar preocupada.

Quando fui com ela ao pediatra perguntei logo.

Sossegou-me e disse que é assim mesmo.

O mais parvo é que sou muito descontraída comigo. Mas com a Alice estou a tornar-me numa mãe daquelas....

 

Depois da sesta da tarde e de lanchar, adora estar ao meu colo.

Agarro num livro, e vou-lhe lendo uma história.

Todos os dias.

O livro que temos estado a ler chama-se: "Pelo meu Sporting" e foi uma prenda de Natal.

Os textos de Luís Miguel Pereira são maravilhosos e os desenhos de Pedro Ribeiro Ferreira, espetaculares.

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A Alice já é sócia do melhor clube do mundo.

Ao contrário dos outros primos e dos tios, todos sócios no primeiro dia de vida, a Alice foi só aos oito meses.

Como se diz, mais vale tarde do que nunca.

 

Já escolhi os padrinhos da Alice. Não tive dúvidas.

A madrinha será a Madalena, a minha sobrinha mais velha. E o padrinho, o meu sobrinho mais velho, o Pedro.

A Madalena ainda não a conhece porque está em Barcelona. E desencontrou-se com a Alice no Natal.

O Pedro conhece-a e anda doido. Passa por cá todos os dias para a ver. E dá-lhe presentes. Já tive de o chamar à atenção. Não queremos uma Alice demasiado mimada....só um bocadinho.

 

A Alice adora um elefante que o Pedro lhe deu, é o brinquedo preferido dela.

O elefante mexe as orelhas e ela fica doida de alegria.

Pronto. Há um boneco que ela ainda gosta mais.

É um cão. E mexe-se ainda mais que as orelhas do elefante. Chama-se Vasco. E adora tirar-lhe as meias.

Quando ela está a brincar...ele vai. Tira-lhe uma meia e depois a outra.

E ela ri-se. Muito.

Ao fim do dia. Quando já está mais cansada e mais rabugenta. Só o Vasco lhe arranca gargalhadas.

E é tão bom ouvi-la rir-se...

 

A Alice adora música. E um dos melhores momentos, do dia, é quando dançamos.

A minha perna implora-me para não o fazer. O meu coração diz que sim, que o faça sem restrições.

O coração está a ganhar à perna, 20-0!

 

O padrinho Pedro ofereceu-lhe umas botas mega pirosas com um laço rosa atrás. Ela adora.

E não deixa de forma nenhuma que eu lhe tire as botas. Só a dormir. E com muito jeitinho.

Quando lhe deixarem de servir vou ter um problema.

 

Em tão pouco tempo já mudou.

Na expressão. Nas bochechinhas. E nos olhos. Muito vivos e curiosos.

 

certo. Por linhas tortas...

02.01.18, Joana Marques

2017!

Acabou por ser um ano estranho para mim.

Foi bom profissionalmente. Mas estranho.

Se eu não tivesse tanta capacidade de adaptação não tinha conseguido.

Porque tudo ia mudando. E mudando. E mudando.

Entrei para a empresa em Abril.

Peguei no projeto de Oslo em primeira mão.

Entreguei-o prontinho. Achei a determinada altura que ficaria por Oslo durante um tempo.

A gerir o que tinha construído.

 

A minha empresa não concordou. E lá fui eu para Inglaterra pegar em mais projetos.

Os tempos que passei por Inglaterra foram muito intensos. Muito trabalho. Agitação.

Uma pessoa habituada à calmaria de Oslo e passa do 8 para o 80.

Achei que não era vida para mim.

Já nem queria ficar por Oslo nem nada. Queria mesmo era voltar.

Ainda não sabia sequer da Alice. Aliás nem me passava pela cabeça que no final do ano teria esta surpresa.

Falei com os meus superiores. E fiz pressão até não aguentarem mais...

Acabaram por ceder.

Pediram-me para acompanhar no local o projeto de Amesterdão.

E eu lá fui. Mas só pensava em voltar...

E voltei. De maneira torta mas voltei.

 

Começa uma nova vida.

Hoje. Agora.

Já tenho um projeto atribuído.

Vou desenvolvê-lo por cá.

Nem todos os projetos precisam de acompanhamento no local.

Vou trabalhar a partir de casa.

 

Só que...e lá vêm as linhas tortas outra vez...

Já estava a pensar fazê-lo.

E já tinha falado com os senhorios.

Resolvi apresentar uma proposta de compra de uma casa no meu prédio.

Seria mais fácil comprar uma casa nova. Mas gosto tanto do meu canto!

Preciso de um escritório decente. E a Alice precisa de um quarto decente.

Quando a Alice apareceu, andava em negociações com os donos da casa. E pronto. A escritura é dia 17 de Janeiro.

 

Depois. Bem, depois obras. Provavelmente demoradas.

Enquanto isso vou ficando por aqui, por casa dos meus pais. Eternamente, em casa dos meus pais.

Já me apetece tanto voltar...e começar a vida.

Em 2017, tive este sentimento tantas vezes. A vida em suspenso.

À espera de acabar Oslo.

À espera de voltar para casa.

À espera de ficar em Oslo.

À espera de sair de Londres e voltar para casa.

À espera de terminar Amesterdão....enfim..

À espera da perna....à espera, à espera, à espera...

2017 acabou por se acertar.

Dissipar dúvidas que tinha.

O tempo de espera acabou por ser o certo, ainda que por linhas tortas...

 

Em 2018. Sinto que nada mudou. Ou ainda pouco mudou. Continuo à espera.

Do que acho que é certo. Ainda que mais uma vez .......por linhas tortas....