Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

e ainda só estamos em Janeiro. Começas bem!

10.01.18, Joana Marques

Uma amiga minha tem andado com um problema de saúde.

Daqueles, chatos. Nada de grave.

Não corre perigo de vida, nem nada disso. Mas tem-lhe limitado um pouco os dias. E a sua boa disposição.

 

Agrava-se o facto de estar a trabalhar num sitio que é chamado "ninho de cobras".

Aqueles locais de trabalho onde toda a gente se odeia. E não se pode confiar em ninguém.

A minha amiga colocou esta imagem no facebook dela.

nascostas.jpg

E eu. Solidária. Escrevi.

"Muita força"

 

E o meu telemóvel alterou para:

"Muita porca"

 

Já resolvi o equivoco!

 

 instagram

ponto de exclamação!

10.01.18, Joana Marques

 Ponto de exclamação!

É um sinal de pontuação de fim de frase.

Está relacionado com uma vertente emocional da linguagem e com a transmissão de um sentimento.

 

É usado…

para expressar sentimentos:

 

Admiração.

Desejo.

Alegria.

Espanto.

Raiva.

É tão bom quando alguém exclama connosco!

 

Triste de mim.

Fui corrida com um ponto final.

  instagram

só queria uma festa...

10.01.18, Joana Marques

Este post começou por não ter título.

Porque o que se passou foi tão surreal que nem conseguia dar nome ao post.

Pensei. E lá me surgiu este.

Aconteceu o que aconteceu por falta de uma festa...

...de um carinho. De uma atenção.

 

O meu pai tem um hobbie. Gosta muito de carros e de aviões. Miniaturas.

Compra-os em peças. E depois passa longas horas a montar peça por peça

A minha mãe dá tanta importância aquilo como a um escaravelho decapitado.

Quando saíram de Campo de Ourique e se mudaram para o Estoril, a minha mãe propôs logo ao meu pai fazer uma oficina no fundo mais profundo do quintal para ele se dedicar, sem chatear as pessoas normais. Ela, própria, a minha mãe.

E assim foi. Ao lado da garagem nasceu uma oficina que o meu pai usa para as suas miniaturas e ao lado da oficina nasceu o atelier da minha mãe.

Mas isto ainda não tem propriamente a ver com o que aconteceu ontem.

Avancemos.

 

A casa dos meus pais só tem uma televisão. Na sala.

Em tempos tiveram uma televisão no quarto mas o meu pai começou a queixar-se que andava a dormir mal.

Deitava-se a ver televisão. Adormecia a ver televisão. Acordava. Despertava. E demorava uma eternidade para adormecer.

Acabaram por tirar a televisão do quarto. E o meu pai resgatou-a para a sua oficina.

O meu pai segue os campeonatos todos de futebol e isso são muitos jogos por semana.

Quando a minha mãe quer ver alguma coisa diz para o meu pai ir para a oficina. E lá vai o meu pai ver o jogo entre as ilhas mémé e as ilhas múmú....Homens!

Enfim. Avancemos!

 

A televisão da oficina desde Dezembro andava com interferências esquisitas.

O suspeito número um, quem foi? O Vasco.

Acha super giro andar a comer os fios que apanha.

Com as festas, a minha perna partida, a Alice adiou-se a chamada da TV Cabo.

O meu pai ligou um dia destes e agendaram para ontem às 14h.

O meu pai concordou. A minha mãe quase lhe bateu.

- DIA 9??? É quando vamos almoçar a casa do Joaquim...

O meu pai ia enfartando. Que falha.

Todos os meses almoçam com estes amigos, este mês é em casa deles, para o próximo será em casa dos meus pais.

Disse-lhes que não havia problema. Trabalhava até às 13h e fazia as honras da casa ao senhor da TV Cabo.

O meu pai suspirou de alívio. A minha mãe...

- És sempre o mesmo. Uma pessoa fala contigo e nunca ouves.

Enfim. Mulheres!

Avancemos.

 

Cheguei a casa dos meus pais. Ainda a tempo de dar o almoço à Alice. Eu, já tinha almoçado.

Ainda brinquei com ela.

Entretanto adormeceu. A sesta é algo que a moçoila aprecia.

Para o senhor não tocar à campaínha fiquei cá fora à espera dele. Não queria arriscar o acordar prematuro da pequena.

Estava a chover mas paciência.

 

O senhor chegou eram umas 14h40. Abri-lhe o portão.

E mal o Vasco põe os olhos no senhor não o largou mais.

O Vasco é mesmo assim. Ou adora as pessoas ou então não lhes liga nenhuma.

Este senhor da TV Cabo tinha mel! Ou cheirava a biscoitos...

O senhor perante tamanho entusiasmo não lhe ligou grande coisa.

Não me pareceu que fosse antipatia, pareceu-me quase medroso em relação ao cão.

O Vasco sentiu-se ignorado e vá de ladrar e correr atrás, ao lado, à frente do senhor. Ora aparecia do lado esquerdo. Ora do direito.

Com tanto espalhafato, tive medo que a Alice acordasse.

 

Expliquei a situação ao senhor. A televisão. As interferências.

O senhor posou uma maleta. E o Vasco começou a focinhar para ver se a conseguia abrir. Isto com um alarido doido.

E aconteceu o que eu temia.

A Alice acordou.

Disse ao senhor que tinha de ir a casa porque a minha filha tinha acordado.

Ele disse que tudo bem...que ia fazendo a avaliação.

Fui a casa.

A Alice tinha uma fralda suja do tamanho da Austrália. Pronto. Maior que a Austrália.

Tirei a Alice do berço e levei-a para o meu quarto.

Deitei-a na cama. Iniciei todo o processo. E ouço um alarido. O alarido vinha da oficina.

Olho pela janela. E vejo umas movimentações estranhas.

Pego na Alice e saio do meu quarto e volto a deixar a Alice no berço.

Vou a correr e entro na oficina e vejo o que não queria ver.

O senhor da TV Cabo estava com umas calças impermeáveis e com elástico e o Vasco tinha acabado de lhe puxar as calças.

Atiro um grito.

E depois chamo o Vasco.

Peço muita desculpa ao senhor. Ele diz que não faz mal. Enquanto puxa as calças para cima.

A Alice chora desalmadamente.

Pego no Vasco e arrasto-o até casa. Eu e a minha perna aleijada.

Abandono o Vasco e vou a correr ao quarto da Alice. Pego na Alice. E vou novamente até ao meu quarto.

Deito a Alice na cama. E inicio o processo. Tiro a fralda.

E credo! Um cocó que ía ida e volta até à Lua.

Saco dos toalhetes. Tinha UM toalhete!

Pego na Alice e numa toalha. Estendo a toalha no berço.

Ponho a Alice no berço.

Vou à despensa buscar toalhetes.

À pressa vou contra uma porta entreaberta...se a perna não partiu outra vez é porque já não parte mais.

A contorcer-me com dores. Ouço um rebuliço lá para os lados da oficina.

Com uma filha meia nua no berço e suja...decidi que tinha de ir à oficina.

O Vasco tinha saído pela porta da cozinha que ele consegue abrir na perfeição.

O Vasco tinha na boca a pistola de cola quente do senhor.

O senhor andava atrás dele contornando a piscina. E nisto o Vasco encesta.

Pistola de cola quente na piscina. Ah! E continuava a chover.

Até me esqueci das dores na perna.

Disse ao senhor que lhe pagava a pistola porque estava demasiado frio par entrar na piscina.

O senhor meio atarantado disse-me que tinha outra e que não era preciso.

A Alice chorava que nem uma louca.

O senhor disse-me que já sabia qual era o problema e que precisava de ir ao carro buscar um cabo para substituir o que estava danificado.

Estava confirmado. Era do cabo. Ai Vasquinho....

 

O senhor sai e eu vou socorrer a Alice.

Estava molhada até aos ossos. Mas a pequena tinha prioridade.

Tiro a Alice do berço.

Ponho a Alice na minha cama.

Vou para a limpar.

Mais uma vez, ouço sons. E olho pela janela.

Não queria acreditar.

O Vasco tinha roubado o cabo ao senhor e desfilava todo contente com o cabo na boca.

O cabo já tinha desenrolado e o Vasco parecia um novelo branco em andamento.

Pego na Alice.

Ponho Alice no berço.

E vou tirar o cabo da boca do cão.

Pego no cão. Fecho-o na garagem. À chave.

Vou buscar a Alice.

Deito-a na minha cama e mudo-lhe a fralda.

O senhor substitui o cabo.

O Vasco ladra na garagem.

O senhor termina o serviço.

Peço-lhe muitas desculpas. Tento pagar-lhe a pistola de cola quente. Não aceita.

- Não. Não. Tenho outro serviço....tenho de ir.

E fugiu dali a 7 pés.

 

O Vasco só queria uma festa.

Com uma única festa tinha ficado mais calmo e provavelmente tinha ido para casa dormir..

 

   instagram