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Quiosque da Joana

28.02.18

depois da tempestada. Espero a bonança...

Joana Marques

Foi um domingo tão bom. O domingo passado.

Estava sol. Peguei na Alice e no Vasco e fomos passear.

Voltámos.

A Julieta recebeu-me com umas marradinhas nas pernas.

A Alice comeu qualquer coisa. E adormeceu.

O Vasco comeu muita coisa. E dormiu também.

Eu, tinha começado a tricotar umas meias no sábado.

E apetecia-me mesmo acaba-las. E assim fiz.

Terminei. Calcei-as.

Achei-as curtas. Sou friorenta. Gosto de meias até ao joelho.

Como tinha pouco fio teve de ser assim.

 

Fui almoçar a casa dos meus pais.

Levei sopa para a Alice. O Vasco quis ficar em casa. De olho na Julieta.

Foi tão bom em casa dos meus pais. Estava lá o meu sobrinho Pedro. O padrinho da Alice.

Brincaram. Muito.

Regressei a casa.

A Alice adormeceu no caminho.

O cão fez-se convidado a um passeio. Coloquei a Alice já acordada no carrinho e lá fomos nós.

A Alice lanchou.

Colo. E adormeceu. As sestas são sagradas. E ela é um relógio.

Aproveitei para desenhar e pintar um leão.

Das resoluções todas que fiz para 2018. Esta é a que está a ficar mais para trás.

Dei banho à Alice.

Dei o jantar à Alice.

Jantei também.

E quando lhe mudei a fralda. A última do dia. Vi.

Uma gota de sangue.

Não entrei logo em pânico.

A Alice quando chegou, no final de Dezembro, tinha a chamada assadura da fralda. Perfeccionista como sou. Tratei logo do assunto.

Ainda achei que afinal...não tinha tratado tão bem.

Quando percebi que não podia culpar a assadura da fralda. Porque não existia. Entrei em pânico.

Habitualmente, sempre que tenho uma dúvida, pergunto ao pediatra da Alice através de mensagens de instagram. E ele vai-me respondendo.

Enviei-lhe uma mensagem a dizer que precisava de falar com ele. E expliquei-lhe porquê.

Ligou-me.

Disse-me para não me preocupar. Provavelmente não seria nada de grave.

Mas podia ser....e esta dúvida tem-me consumido a semana toda....

Segunda de manhã recebeu-me logo cedo.

E a verdade é que não sabemos bem o que pode ser.....

...neste momento andamos a descartar as coisas más...porque, na verdade pode não ser nada de grave.

 

Na Alice nada mudou. Come bem. Dorme bem. Não tem febre. É uma bebé alegre. E parece feliz.

Aparentemente está normal. Mas, nunca se sabe. E esta dúvida....dá cabo de mim.

Tem feito exames. Muitos exames.

Num adulto são procedimentos simples. Num bebé é bastante mais complicado.

E o olhar dela...parece que diz...

- Salvaste-me para isto?

Amanhã faz os últimos exames.

 

Não sei se este texto faz algum sentido...

...eu própria só faço sentido neste momento. Porque a Alice precisa de mim como nunca.

 

Espero sinceramente que depois desta semana horrível...a tempestade passe.

Apareça a bonança...e nos deixe ser felizes.

 

 

 

24.02.18

de olhos em bico

Joana Marques

As coisas por casa do Sr. Ludovino andam um pouco tristes.

O irmão da mulher morreu a semana passada.

O Sr. Ludovino sai de casa todos os dias. Dá o seu passeio. Compra o pão.

E vai sentenciar as obras na minha casa.

Muitas, muitas vezes ao dia.

- Joana, esta gente não faz nada. Estás mal. Nunca mais mudas de casa.

A mulher dele, tem problemas complicados nos joelhos e não se mexe muito.

Quase não sai de casa. Custa-lhe a andar.

Durante a semana foi complicado. Dar-lhes atenção.

Vim de Angola. Fiz anos. Tentei recuperar as rotinas. Tudo isso me roubou tempo. E disponibilidade.

Este sábado não escapou.

Convidei o Sr. Ludovino e a mulher para almoçar.

Normalmente, costumamos ir comer qualquer coisa à "Chaleira" que fica perto de nós.

Mas desta vez não os levei lá.

Entraram no carro.

E...

- Onde é que nos levas?

- Para onde é que vamos?

- Quando é que chegamos?

- Tens a certeza que é este o caminho?

- Não sei se quero ir...

- Tens a certeza que sabes o que estás a fazer??

 

A Alice, portou-se melhor que o Sr. Ludovino.

Lá chegámos.

Ao restaurante chinês.

Achei que deviam ter a experiência.

A ladainha começou antes de entrarmos.

- Isto não é bom.

- Vão nos dar minhocas.

- Deus me livre comer aí.

- Não como nada.

- Não gosto de nada.

Quando entrámos.

Indicaram-nos a mesa.

E eu escolhi os pratos. Tinha de ser algo soft.

Pedi, frango frito com amêndoas. E arroz branco.

- Este restaurante é tão bonito.

- Ai estes quadros. Tudo tão lindo.

- O empregado é tão simpático.

- Esta comida é tão boa.

- Acho que devíamos voltar cá para a semana.

- Hummm, está mesmo, mesmo bom.

Pedimos os cafés.

- Este café é excelente.

- Mesmo muito bom este café.

No fim. Apareceram com 3 toalhinhas.

- Nunca tinha visto isto em lado nenhum.

- Isto é um restaurante chinês chique.

- É o melhor restaurante das redondezas.

- Tenho que cá vir quando fizer anos.

Veio a conta. Acompanhada de 3 rebuçados.

- Que maravilha.

- Nunca fui tão bem tratado na vida.

- Dá mesmo vontade de voltar.

 

Era sábado. O restaurante estava cheio. Cheio.

E quando saímos.

O Sr. Ludovino diz. Muito alto.

- Ó Senhor chinês.

Para o empregado que nos tinha atendido.

- Senhor chinês. Estava tudo muito bom. Obrigado!

 

Todo o caminho de volta.

A gabar o chinês.

Já me ligou duas vezes. A dizer bem do restaurante.

- É por isso é que eles têm os olhos em bico! É de ver coisas boas!! Sábado temos de voltar lá....

E é isto a minha vida...

 

24.02.18

azar ao jogo. Sorte ao amor..

Joana Marques

E o segundo passatempo do Quiosque acabou.

Tivemos 41 participações. Que me deixaram verdadeiramente feliz.

Obrigada, a todos.

 

Aqui fica a lista de todos os participantes.

passatempo2.jpg

E quem ganhou a aguarela.....

passatempo2(QJ).jpg

Parabéns! Espero que goste...

Envie-me os seus dados para: joanatmarqueshr@sapo.pt

Quem não ganhou. Não fique triste. Lembre-se...

....azar ao jogo. Sorte ao amor!

 

 

 

Gostava de fazer outro passatempo brevemente.

Desta vez  não ganhariam uma aguarela. Já enjoa.

O prémio seria uma ovelha.

Sim, leram bem!

Não, não estou a delirar.

Uma ovelha destas.

Só tenho de ter um tempo e pôr mãos à obra.

E o passatempo aparecerá por magia...plim!

 

23.02.18

Julieta

Joana Marques

Tudo começou com a minha vinda para Portugal.

Estava eu com a perna partida. Em casa. E com dores.

Recebo um telefonema do Sr. Ludovino.

- Joana, um gato, anda a rondar o nosso prédio.

- ?

Percebi um gato. Mas pelo tom de voz. E pela gravidade desse tom de voz deveria ter percebido.

- Joana, um tigre, anda a rondar o nosso prédio.

Ou

- Joana, um leão, anda a rondar o nosso prédio.

Ou ainda.

- Joana, um crocodilo, anda a rondar o nosso prédio.

Mas não. Era um gato!

Ficámos por aqui. Andava um gato a rondar. O que podia eu fazer. No estado em que eu estava.

 

No dia em que tirei o gesso passei por Carcavelos.

Mal o meu pai estacionou o carro. Na garagem. Salta-nos em cima o Sr. Ludovino.

- Cuidado, cuidado com o rubi.

- Cuidado com o quê??

Mal digo isto, olho e vejo num canto, uma caixinha de comida para gato. Um cobertor. E uma caixinha com água.

E veio-me à cabeça o gato que andava a rondar o prédio.

 

Volto a Carcavelos uns dias mais tarde.

No dia em que fiz a escritura da casa. Para fazer uma visita aos meus novos aposentos.

E...

- Joana, não queres ir ver a Pérola??

- Pérola?? Quem é a Pérola???

- Ó rapariga! E eu é que estou velho??? Ainda outro dia estiveste com ela e já não te lembras..

- Eu? Não conheço Pérola nenhuma..

- A gata!

- Não me diga que é uma ninhada de gatos??? Uma gata??

- É a mesma.

- Não era Rubi?

- Mudei-lhe o nome. Virei-a ao contrário e percebi que era uma gata.

 

Lá fomos ver a gata.

Já não estava na garagem. Tinha os seus aposentos, qual princesa do agreste, à entrada do prédio.

Chamei-a. Andou a vaguear pelas minhas pernas. Fiz-lhe festas. Ela acatou bem.

Muito ternurenta a Pérola...

 

Estava um dia de manhã cedo. Com o cão a infernizar-me a vida. E a Alice a não colaborar.

Toca o telemóvel.

Senhor Ludovino.

Do outro lado. Uma voz desanimada.

- A Esmeralda fugiu.

Com a Alice num braço. O telemóvel no outro. O Vasco a querer abocanhar os bifes congelados que estavam dentro de uma caixa na bancada da cozinha.

- Quem é a Esmeralda?

Do outro lado. A pessoa passou-se.

- Joana, tens uma pedra no lugar do coração. A gata!

- A Pérola?

- Que diferença faz? Aqueles homens das obras...não sabem fechar a porta. E deu nisto. A Esmeralda fugiu.

O Vasco quase a chegar aos bifes. A Alice a puxar-me o cabelo. E eu a gerir a crise do Sr. Ludovino.

Que bela artista de circo! Joana, sim senhor!

- Vai ver que ela aparece. Já tem aí a sua casa. Foi só dar uma volta!

Ficámos por aqui.

As vezes seguintes que fui a Carcavelos não vi a gata mas também não perguntei. Sobretudo porque me esqueci de perguntar.

 

No fim de semana passado. Estava em Angola.

Domingo. 30º.

Não se trabalha ao Domingo.

E por isso eu estava concentradíssima. Ora na piscina. Ora a ler um livro. Ou a tricotar.

Estava a ser tão feliz naquela piscina.

Toca o meu telemóvel.

Sr. Ludovino.

- Joana, a Preciosa está ferida.

- Está tudo bem?

- Não! A Preciosa está ferida. Ó rapariga mas não ouves o que te dizem??

Respirei fundo. Sinceramente, nem me lembrava da gata já.

- A Preciosa...não estou a acompanhar...

- Ai! Mas voltamos ao mesmo, rapariga. A gata! Quem é que havia de ser...

- Ah!

- Ah??? Não fazes nada.

- Sr. Ludovino, estou em Angola.

- Em Angola, em Angola.

E desligou o telefone.

Fiquei preocupada.

Liguei para o Rui, o veterinário do Vasco. Uma joia de moço. Um coração do tamanho do mundo.

Perguntei-lhe se não se importava de passar por Carcavelos. Como veterinário, saberia resolver a crise. Com a gata.

Com o Sr. Ludovino seria outra conversa.

O Rui disse-me que sim. Que passava por lá.

 

Fiquei descansada. E continuei a minha vida difícil.

A trabalhar por turnos.

Piscina.

Livro.

Tricot.

30º.

 

Toca o telemóvel.

Senhor Ludovino.

- Joana, está aqui um homem.

- É o Rui??

- Onde é que estás?

- Estou em Angola...

- Ainda estás em Angola?? Que raio de administradora és tu...que vais para Angola e deixas o prédio à mercê de um homem qualquer???

- Não é um homem qualquer, é o veterinário do Vasco. Deixe-o trabalhar.

- Ele quer levar a Preciosa.

- É porque ela precisa. Não se preocupe. Depois acerto contas com ele.

 

Resumindo.

Cheguei a Lisboa na terça feira de manhã.

Pela tarde fui buscar a gata. Estava ferida. Tratada, já. Os ferimentos eram ligeiros. Nada de preocupante.

E dei-lhe o nome de Julieta.

Nunca tive um gato na vida. Porque durante muito tempo fui alérgica.

Como muitas das minhas alergias se foram embora com o tempo, tenho esperança que a minha alergia aos gatos tenho ido também.

Por enquanto, nem um espirro. Nem olhos vermelhos. Nem lágrimas de crocodilo.

Está tudo bem.

A Julieta é muito querida. Tem porte real.

O trágico mesmo é que agora tenho dois companheiros de cama.

A Julieta de um lado.

E o Vasco do outro.

Estou me a transformar naquelas solteironas. Que cheiram a bolas de naftalina. Usam collants durante o ano todo.

E estão mais encalhadas que o tolan.

 

A foto da Julieta está no facebook do quiosque.

 

23.02.18

sou da tribo. Dos excessivos.

Joana Marques

Estava no quinto ano. Pelo Natal. Na escola.

Fizemos o amigo secreto. Com a nossa diretora de turma.

Tínhamos de levar um presente . Simbólico. Ou quase.

A minha mãe ajudou-me e fiz um marcador de livro.

Foi feito em papel de aguarela. Pintado por mim.

A minha mãe cortou o papel. Os extremos do marcador ficaram em formato triangular.

Colocou-se uma fitinha num dos extremos.

A minha mãe costumava guardar folhas e pétalas de flores dentro de um dicionário grande.

Colocou-se o marcador dentro do dicionário durante dois dias. E o marcador ficou a cheirar bem.

Embrulhámos, o marcador, dentro de um envelope de papel que a minha mãe me ensinou a fazer. Verde. E o laço era branco. Fui eu que escolhi as cores.

Estava tão orgulhosa do meu presente. 

Era simples. Mas muito bonito. 

Estava ansiosa para que o dia chegasse. Para dar o presente.

E não só. Era criança.

Ansiava também por receber de volta. Um presente qualquer.

O dia da troca de presentes chegou.

E o meu amigo Gui passou lá por casa. Íamos os dois para a escola.

Mostrei-lhe o presente. 

O Gui encolheu os ombros. E disse:

- Nunca mais me lembrei disso.

- Não tens presente??

- Não.

- Como é que não tens presente? Assim não recebes presente. Vais ser o único da aula a não receber nada.

O Gui encolheu os ombros. Não parecia muito preocupado. Eu assumi a preocupação toda.

 

Assim de improviso.

Naquele tempo mínimo que restava, olhei em redor.

Tirei uma moldura. Fui à gaveta dos papeis de embrulho.

Embrulhei a moldura à pressa. E entreguei ao Gui.

O mais irónico. É que na troca de presentes. Eu acabei por ficar com a moldura do Gui. E a moldura retornou a minha casa.

Fiquei desolada. Tinha ajudado um amigo e o universo em vez de retribuir o meu gesto. Não!

Afinal, será que valia a pena ajudar os outros. Preocupar-me com os outros?

Ao longo da vida questionei-me várias vezes.

E a resposta é sim. Sim, vale a pena.

Mas eu não faço só isso.

Valerá a pena fazer o que faço?

Por mais que ache que não. A maioria das vezes sou excessiva. Meto-me onde não sou chamada.

Porque eu não me preocupo só. Eu revoluciono a vida do pobre incauto se for preciso. É só darem-me espaço.

 

 

Um amigo meu é de Viana do Castelo. Mora na Parede. Quando vai ver os pais é um desassossego para mim.

Envio-lhe mensagens de 10 em 10 minutos para saber se está vivo.

O desgraçado tem de parar em TODAS as estações de serviço. Para me enviar uma mensagem.

- Está tudo bem. És uma chata.

Chama-se chata em Aveiras. Em Antuã, não posso  escrever aqui.

Já chegámos a um acordo. Eu não mando mensagens. Ele pára duas vezes para me enviar mensagem e sossegar.

 

Aqui há uns tempos, ainda trabalhava em Lisboa, reuni-me com uma pessoa do Algarve.

Não conhecia o senhor de lado nenhum. 

Falámos o que tínhamos a falar.

Ele voltou para o Algarve. Eu fiz contas de cabeça. E passadas uma horas. Enviei-lhe uma mensagem.

A perguntar se tinha chegado bem.

O senhor ligou-me espantado. Deve ter achado que me tinha enganado.

- Não ligue. Eu sou mesmo assim..

- Agradeço a sua preocupação, já cheguei há mais de uma hora, tive de dar um salto à empresa. Nem a minha mulher nem os meus filhos se dignaram a perguntar se já tinha chegado.

Até fiquei de coração apertado.

Espero não ter provocado uma crise conjugal no casamento do senhor. A intenção nunca foi essa.

No dia seguinte. Recebi flores. Em nome do senhor, a agradecer. A intenção, também não era esta.

 

 

Sempre fui assim. Desde que me lembro de ser gente.

Sou assim para os outros. Comigo sou diferente.

Acho sempre que controlo a minha vida. E por isso nada de mal me vai acontecer.

O que não é verdade. Se fosse, não tinha partido a perna.

 

Quem me conhece já sabe. E não estranha.

Quem não me conhece deve achar que eu sou maluca. Não andará muito longe da verdade.

As mulheres. Reagem simpaticamente. E de forma mais "normal".

Os homens? Bem nos homens temos várias reações possíveis...

Uns quantos, ligam esta preocupação ao coração.

- Deve achar que sou o homem da vida dela.

Ficam para ver no que dá.

 

Outros. Fogem a 7 pés.

- Mal falo com esta e já quer mandar em mim?? 

- Mal falo com esta e já me quer controlar...

Outros. Uma minoria. Percebe. E passa-me a mão pela cabeça....

 

Se alguma vez me disserem.

- Vou ao cinema.

E do outro lado eu responder.

- Quando chegares a casa podes-me enviar uma mensagem?

- Tem cuidado na estrada.

- Leva o casaco que faz frio à noite.

Entre outras pérolas. Dignas das mães mais extremosas.

É normal. Na minha pessoa.

Sou excessiva. Muito excessiva.

Um instinto maternal qualquer. Que nasceu comigo. E que eu não consigo, nunca, desligar.

Eu bem tento moderar. A maior parte das vezes é tarde demais.

Já está. Já disse. Já perguntei. Já enviei mensagem.

Eu sei que tenho mesmo de mudar. Já tentei...mas..

...em 37 anos de vida ainda não consegui limar esta aresta.

Confesso....

...sou da tribo. Dos excessivos.

 

 

22.02.18

as obras são como as cerejas...

Joana Marques

As obras duram. Duram. E duram. Ou é impressão minha.

Primeiro foi a decisão de unir os dois apartamentos.

Depois, foi a decisão de pôr a casa ao contrário.

Em cima manter, a sala, a cozinha e o escritório. E fazer do apartamento de baixo só quartos.

Achei que poupava tempo. E é verdade, poupo tempo.

Mas...

....o meu pai lá me disse.

- Já que fazes obras. E não estás em casa. Devias mudar as canalizações. Cozinha e casa de banho. E a instalação elétrica.

Respirei fundo.

Sabia que ele tinha razão.

Não fazia sentido ter a casa de pernas para o ar. E para o ano ou para o outro voltar tudo. De novo.

Falei com a engenheira.

Que me disse que sim, claro. Ia ver. Ia falar. Mas, claro que sim.

 

Depois. Comecei a olhar para o prédio.

E se?

A instalação elétrica está velha. O Sr. Ludovino tem humidade numa das casas de banho. E o Sr. Manuel, do primeiro andar, também tem. É pouco mas é natural que agrave com o tempo.

Falei com o Sr Ludovino.

- És a administradora...faz o que tens a fazer!

- Tenho de falar com o Sr Manuel. Vou pedir um orçamento e depois falo com ele. Se ele concordar avançamos.

 - Porque é que não lhe compras a casa?? Ele é um chato. Vais ver que põe entraves à obra e nós temos de viver assim, no meio da imundice. Não te esqueças nós somos a maioria. Ele só tem de calar...

 

Com este comentário do Sr. Ludovino, fiquei a saber que sou rica.

Posso comprar casas. Muitas casas.

Pelo visto, ando a roubar carteiras no 28 e nunca tinha dado conta.

Pedi o orçamento.

Falei com o Sr. Manuel. Concordou.

E ainda me disse:

- E as arrecadações??

- O que têm??

- A minha tem humidade. Deve ser do telhado.

Fui à minha arrecadação confirmar. Também tinha.

Decidimos também arranjar o telhado.

 

 

As obras são um bocadinho como as conversas.

Quando se começa. Temos sempre mais qualquer coisa.

As obras são como as cerejas.

A diferença é que normalmente não são deliciosas...

22.02.18

uma pessoa. Eu!

Joana Marques

Uma pessoa. Eu!

Adormece já depois das duas horas da manhã.

Dizer que a noite de segunda para terça foi passada numa viagem longa. Luanda. Lisboa.

Para agravar. Vasco e Alice estavam possuídos e demasiado felizes.

Desconfiei da água que beberam. Do ar que respiraram.

Mas acho que foi só pela minha presença. A minha presença dá-lhes para isto.

Sou a cafeína na vida deles. 

Como fazia anos. Foi um dia cheio de solicitações.

Telefonemas. Mensagens. Almoço. E jantar.

E como tinha estado fora. Tinha muitos comentários do blog para responder.

Email's para enviar.

Um dia bom. Mas um dia enorme.

 

 

Uma pessoa. Eu!

É acordada pelo ditador da casa.

Às 5h30 da manhã. Em ponto.

Não o costumo fazer. Mas ontem aconteceu.

Tentei protelar o momento.

- Só mais 5 minutos.

- MAIS 5 MINUTOS?? E EU FICO À ESPERA?? NEM PENSES!! TOCA A LEVANTAR!

- 4 minutos?

- LEVANTA-TE!

- 3 minutos?

- LEVANTA-TE, PREGUIÇOSA!

- 2 minutos e dou-te um frango assado.

- JÁ! OU CHAMO A POLÍCIA!! O CORPO DE BOMBEIROS! O CORPO NACIONAL DE ESCUTAS! E O INEM! LEVANTA-TE, JOANA! ONDE É QUE JÁ SE VIU?? ACORDA, MULHER...

 

Uma pessoa! Eu!

Sai da cama.

Contrariada. Aos tropeções.

- ATÉ QUE ENFIM! O FRANGO ASSADO É PARA ENTREGAR À HORA DO COSTUME, AO CUIDADO DE VASCO MARQUES.

 

Uma pessoa. Eu!

Vai a dormir. À casa de banho.

Abre a torneira, para aquecer a água.

Tira a roupa.

E entra na banheira. Para um duche. Rápido. Mas com efeito energizante. Pelo menos é o que espero.

Entre o shampoo e o sabonete.

Sinto. Algo estranho.

Aquela sensação desagradável.

De não estar sozinha.

Parecia mesmo que alguém me estava a vigiar.

A casa do meu irmão é no rés do chão. O condomínio é privado. Mas naqueles segundos imaginei alguém a saltar o muro. A entrar pela varanda.

- Será que tranquei as portas da varanda?

E com muito medo. Viro-me. E ao mesmo tempo que me viro. Sinto um bafo quente na minha perna. E uma rosnadela.

Com mil Slimanis!

Com mil jogos de 98 minutos!

Com mil assembleias gerais!

Raios e coriscos me valham! Apanhei! O maior susto minha vida.

Estive a um passo de me estender ao comprido na banheira. E de partir um ou outro osso mais solto.

Tive a inteligência de me segurar ao cortinado da banheira.

Que por acaso.

Com a força. Eu, naquele momento parecia o Hulk. O homenzinho verde não o ex do FCP.

 

O cortinado.

Despenhou-se.

Consegui equilibrar-me.

Mas o cão ficou coberto pelo cortinado colapsado. E falecido.

Assustou-se.

E primeiro que o conseguisse acalmar. Nem fazem ideia.

 

Uma pessoa. Eu!

Teve de assaltar o congelador.

Descongelar. O frango assado.

E envia-lo a Vasco Marques.

O frango foi recebido com entusiasmo. E foi comido. Peça por peça.

 

Uma pessoa. Eu!

Apanhou o susto maior da vida.

Fiquei azul.

Hipotermia. No mínimo.

Mas....

....fiquei bem acordada o resto do dia.

 

...os vossos despertadores têm TUDO! A aprender com o meu....

 

21.02.18

desculpa lá, Abel!

Joana Marques

Hoje.

Fui almoçar com umas amigas minhas a Belém. A Ana e a Cátia.

Num restaurante simpático. Com vista para o rio.

Entrei no restaurante.

- Joana!

Imediatamente pensei que era uma delas a chamar-me. Para logo a seguir perceber que não.

A voz era demasiado grossa para ser de uma delas. Era um homem.

Olhei.

Estava todo sorridente. A levantar-se da cadeira. Para me cumprimentar.

Pensei: deve conhecer-me. Mesmo. Ou não se dava ao trabalho.

Quando chegou ao pé de mim.

Deu-me um abraço. Daqueles abraços. Vigorosos. Que quase fazem estalar os ossos.

Pensei. Conhece-me. E gosta de mim. Ou não se dava ao trabalho.

- Há quanto tempo! Joana! Estás igualzinha...

E eu. Ali. Especada. Só me saiu...

- Há mesmo muito tempo...

- Sim, nem sei. 10 anos?

- Diria que foi há uma eternidade!

O rapaz. Ri-se. E sem que eu conseguisse fazer nada abraça-me outra vez.

- Conta coisas! Sei que mudaste. Como é que te estás a dar com os ingleses?

- Bem. Está a correr tudo bem. E tu?

Bem olhava para ele. Ouvia a voz. E nada. Não conseguia lembrar-me de onde o conhecia...

- Estou na mesma. Vai tudo andando.

Bela resposta. Sim senhor.

- Estou na mesma.

É capaz de me dar alguma pista....

Ficámos ali num impasse. E eu achei que devia dizer alguma coisa.

- Então e.......quando é que vais de férias?

- Só no verão. Este ano, eu e a minha mulher queremos ir passar uma semana a casa da minha tia Beta. Remodelou a casa lá da terra e está farta de nos convidar.

Fiz que sim com a cabeça. Como se conhecesse a tia Beta desde os tempos da primária.

Na minha cabeça continuavam a surgir nomes de pessoas...mas ninguém encaixava na pessoa.

Continuámos a falar. Sobre nada.

- Como é que estão os teus pais?

- Bem. E os teus?

- Muito bem. Ainda não voltaram, estão por cá. Por causa de nós e dos netos.

Ainda não voltaram?? Que raio...para onde é que ele queriam voltar?

Por causa de nós? Quem são os "nós"?? E os netos...caneco. Como é que eu saio desta gaita de conversa...

Ainda pensei em perguntar pelos filhos. Dele. Mas antes que corresse mal. Calei-me.

- Ainda moras em Carcavelos?

- Neste momento estou a morar em Cascais em casa do meu irmão que está na Noruega. A minha casa está em obras. E tu, onde é que moras??

- No mesmo sítio!

Claro que moras no mesmo sítio...e dar uma informação relevante??? Está difícil, não está???

Apanhei um camadão de nervos. Se no início parecia mal perguntar quem ele era. Com o decorrer da conversa ainda pior.

 

Entretanto, os dois acompanhantes da personagem levantaram-se.

- Vens ou ficas? Disse-lhe um deles.

- Tenho de ir. Bebo café depois.

Nisto. Abraça-me outra vez. Fui espremida pela terceira vez.

Nitidamente, a personagem estava mesmo feliz por me ver.

 

Arranjei mesa. Esperei pela Ana e pela Cátia.

O almoço decorreu.

Voltei a casa dos meus pais para ir buscar a Alice.

O Vasco armou-se em fresco hoje e quis ficar em casa.

 

Quando estava a chegar a casa. O meu telemóvel tocou.

Era um ex colega meu, o Diogo. Mais conhecido por homem queque.

- Já sei que estiveste com o Abel.

- O Abel? Não, não estive com o Abel.

O Abel foi meu colega durante 10 anos. E não o via desde a altura em que deixou a minha ex empresa.

- Estás parva? Acabei de falar com ele. Diz que te encontrou em Belém.

- Aaaaaahhhhhh......Se calhar estive mesmo com Abel...

 

Ia enfartando. O Abel. O que eu gosto do Abel. E dizer que estive durante 15 minutos a tentar conversar com ele sobre nada. Que desperdício de tempo.

O Abel é açoriano. E numa visita aos Açores. Numa viagem de carro. Dizia-me a mim e a uma outra colega.

- Devagarinho. Devagarinho. Não tenham medo. São só vacas...

Esta expressão é usada por muitos de nós que trabalhámos com o Abel...

O Abel....

 

- Não me digas que não percebeste que era o Abel??? Atira o Diogo.

- Tens o número dele?? Preciso de me desculpar....

 

Desculpa lá, Abel!

A minha cabeça já não é o que era.

O mundo mudou. Para mim.

Tenho uma filha que é cúmplice de um cão.

Tenho um cão que ainda hoje me fez uma espera no banho e eu quase morri com o susto. (não sei se estão interessados na história?)

Tenho trabalho até à lua.

Uma perna atrasada mental.

Tenho um novo bichinho aqui em casa, a Julieta. (não sei se estão interessados na história?)

E isto tudo podia servir de desculpa....

É tudo isto e algo mais...

 

....Abel.

Ó Abel....engordaste mais de 40 kg...

 

 

20.02.18

esta é a minha aldeia

Joana Marques

Quando era pequena.

Fui vezes sem conta ao Jardim Zoológico.

Adorava.

Vá se lá saber porquê, sentia-me em casa.

 

Um dia de manhã, ao pequeno almoço, percebi que se estava a acabar o Tulicreme.

Todo o dia. O dia todo. Na creche. Tinha 5 anos.

Pensei em chegar a casa o mais rápido possível para poder lanchar o Tulicreme. Com pão. Que a minha mãe era pouco dada a extravagâncias.

A minha irmã foi-me buscar. Depois das aulas dela.

E eu. Larguei a correr. Rua Ferreira Borges fora. Até atingir a porta do meu prédio.

Quando cheguei a casa. E entrei na cozinha.

Olhei. E lá estava o meu irmão. Lambuzado até à alma. Com Tulicreme até à medula.

Pedi à minha mãe. Para me dar dinheiro e ir à mercearia comprar Tulicreme.

- Não.

Pedi à minha mãe para ela ir à mercearia comprar Tulicreme.

- Não.

Apresentou-me as alternativas.

- Tens fiambre. Manteiga. Queijo. É só escolher. Tulicreme só amanhã.

 

Não comi. Fechei-me no quarto com uma birra do tamanho do jogo Tondela - Sporting. E chorei até não conseguir mais.

O Tulicreme tinha um papel muito importante na minha felicidade.

Limpei as lágrimas. E tomei uma decisão.

Peguei numa cesta que tinha no quarto. E enchi-a com tudo o que gostava.

Abri a porta do quarto.

Saí do quarto acompanhada com a cesta.

E....

- Mãe. Vou-me embora desta casa. Não gosto desta família.

A minha mãe apanhou  o choque da vida dela.

E quando se recompôs.

- E vais morar para onde?

- Vou morar para a aldeia dos macacos, no Jardim Zoológico.

A minha mãe respirou fundo. Estas minhas saídas tinham um grande impacto na minha mãe.

- Joana, espera pelo pai. Não te queres despedir dele?

 

Esperei. Sentada no sofá. Com a trouxa feita.

O meu pai chegou.

- Vê lá que a Joana quer sair de casa.

- Como assim?

- Diz que não gosta mais de nós. Diz que vai morar para a aldeia dos macacos.

O meu pai escangalhou-se a rir.

O meu pai chorou a rir.

O meu pai perdeu as forças a rir.

 

E o riso dele era contagioso e eu tive de me rir também.

Desde esse dia. Sempre que me chateio com qualquer coisa. Alguém diz:

- Olha lá, quando é que vais para a aldeia dos macacos??

- Sai daqui. Vai para a aldeia dos macacos!

- És tão chata. Porque raio ainda não foste para a aldeia dos macacos?

É uma piada nossa. Aqui de casa.

 

Hoje. Cheguei muito cedo a Portugal.

Fui a casa dos meus pais.

O Vasco recebeu-me daquela forma estouvada que só ele recebe.

E a Alice recebeu-me com um sorriso aberto.

Peguei neles e fui para casa. Iniciar, novamente as rotinas.

No carro. Percebi que estavam os dois eufóricos.

Em casa tive a certeza.

Parecia que tinham levado uma injeção de caramelo. Eufóricos mas doces.

 

Quando estava a mudar a fralda à Alice. E a deitei na minha cama.

Passou o Vasco e roubou um toalhete.

A Alice riu que nem uma perdida.

 

Voltei à tarefa.

Não sei como. Nem porquê. Passou outra vez o Vasco e roubou outro toalhete.

Deitei-lhe um olhar assassino.

A Alice ria que nem uma desvairada.

 

Mudei os toalhetes de sitio.

Não sei como. Nem porquê. O cão subiu para cima da cama. E saltou para o chão.

A Alice ria...sem parar.

Eu em desespero.

 

De repente. mais rápido que a própria sombra. O Vasco roubou os toalhetes.

Pedi os toalhetes.

- Vem cá buscar.

- Dá-me os toalhetes.

- Nhanhanha nha...eu tenho os toalhetes.

Fui a correr atrás dele. E ele largou os toalhetes.

A Alice...ria tanto. Que a levantei. Tive medo que sufocasse.

 

Rápido como uma flecha saltou para cima da cama.

Abocanhou uma bisnaga de creme.

Que rompeu. E sujou o cão. A colcha. O tapete.

A Alice deslumbrada. E a rir-se...

 

Eu. Passei a noite toda a viajar.

Com mil e uma coisas para fazer.

Só queria mudar a fralda à Alice.

Brincar com ela. Até ela dormir a sesta da manhã. Para eu poder despachar trabalho.

- Ai que dia bom para fazer a mala e ir para a aldeia dos macacos.

Pensei eu. Alto.

 

O Vasco ouviu. Mas deve ter interpretado de outra forma.

Rápido.

Muito rápido.

Extremamente rápido.

Saltou para cima da cama.

Abocanhou uma almofada. Que rompeu.

E penas. Muitas penas. Por todo o quarto.

A Alice devia achar que estava num filme. Olhava deslumbrada para as penas. E delirava.

 

 

"Se não os podes vencer junta-te a eles"

Penas. Divertido e libertador.

Resolvi brincar também. Rir-me com eles. E divertir-me.

 

 

Porque....

....esta é a minha aldeia.

Estes dois. São a minha aldeia.

Nesta aldeia há dias bons e dias menos bons.

Bons e maus momentos.

Mas é o amor que nos une.

E a vontade de estarmos juntos.💚

 

A minha aldeia tem um Quiosque.

Na rua principal.

Por lá passam muitos amigos todos os dias.

Também vocês, são a minha aldeia.

Obrigada!

💚

 

 

18.02.18

723

Joana Marques

Tinha 3 anos.

E em minha casa passou-se o inacreditável.

A minha família acordou de madrugada para ver televisão.

Eu também acordei. Não percebia nada. Mas desde os primórdios da minha existência que gostava de participar em tudo.

Não tenho memórias reais desse dia. Fui ao longo do tempo construindo uma memória do que se passou naquela noite.

Tinha sido uma coisa nunca vista.

Na televisão. Em nossa casa.

Foi tão importante. O meu pai a altas horas da madrugada desceu à cave e foi buscar champanhe para comemorar.

Foi tão grande que os vizinhos estavam acordados também.

Foi mesmo, mesmo grande. Porque o presidente da Junta de Freguesia morava no prédio ao lado e em menos de nada pressentiu o champanhe e apareceu em nossa casa a essa hora surreal. Ele, e mais dois ou três amigos do meu pai. Toda a gente se abraçava.

Devia ser o Apocalipse ou qualquer coisa do género.

Eu andava de colo em colo. Tipo tocha olímpica.

O telefone não parava de tocar. Os meus tios ligaram uns a seguir aos outros.

O meu avô do Alentejo chorava do outro lado da linha. De alegria. E ao longe podíamos ouvir a minha avó eufórica.

 

 

Tinha 8 anos.

Tínhamos passado a noite de Natal no Porto.

De manhã recebemos as prendas.

Recebemos o dinheiro que nunca cheirávamos. E que ia para o Espírito Santo.

A minha avó deu-nos a cada um, uma caixa de veludo com bombons. 

A da minha irmã era cor de rosa. Porque era a menina da casa.

A do meu irmão era verde. Porque era o sportinguista da casa.

E a minha era azul. Porque era o resto da casa.

- Tão bonita Joana, é da cor do céu.

- Vó Dé, tenho 8 anos mas não sou estúpida....

 

Em casa tive o cuidado de a esconder dentro da minha cama. Porque o meu irmão andava a rondar os meus bombons.

Esqueci-me que era quarta feira. E às quartas feiras a dona Aurora mudava a roupa das camas.

E deixou a caixinha em cima da minha secretária.

Foi a morte do artista. Quando cheguei da escola. Não tinha um único bombom dentro da caixa.

- Ó mãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaae o Tiago é um roubador.

Foi a partir desse dia que o meu irmão ficou a ser conhecido como o roubador de Campo de Ourique.

 

A caixa teve uma grande utilidade para mim.

Aproveitava os jornais que o meu pai já não queria e recortava aquilo que me interessava.

Dentro da caixa estavam fotos recortadas de todos os jogadores do Sporting.

Também guardava cromos. E bilhetes. Recordações.

 

Tinha 10 anos.

Estava no quinto ano.

Na disciplina de português tinha de escrever um texto e fazer a apresentação para a turma.

Numa época em que não havia power point.

A escrita. E o poder de comunicação. Em todo o seu esplendor.

Não sei muito bem porquê mas o meu trabalho foi um dos selecionados para ser apresentado na festa de final do ano.

 

Tinha 11 anos.

Junho. Final do ano letivo.

Festa final.

Todos os alunos da escola. Todos os pais.

Os meus pais. A minha irmã. E o roubador de Campo de Ourique.

O ginásio cheio.

Começaram as apresentações.

Eu e o meu trabalho. Encaixados dentro do espetáculo.

Não estava nervosa. Sempre fui a mais inconsciente das pessoas.

142 cm de Joana.

Comecei a falar. Sobre o Sporting.

Gerou-se um burburinho. Isto quanto toca a clubes. É uma desgraceira.

Se me intimidei. Claro, que não!

Joana, com nervos de aço desde 1981.

Continuei a minha apresentação. Com um assobio ou outro à mistura. Faz parte. E eu sabia.

Tinha guardado o melhor para o fim.

A minha caixinha azul. (Sim, azul! Não há histórias perfeitas).

Abri-a.

E tirei de lá uma fotografia.

Mostrei a fotografia.

E toda a gente se calou. E aplaudiu.

Era nem mais nem menos que Carlos Lopes.

 

Contei. Relatei. O que se tinha passado em nossa casa.  Quando tinha 3 anos.

Nunca ninguém tinha conseguido tirar a minha família da cama. Durante a madrugada. Só, Carlos Lopes.

 

Logo a seguir, a diretora da escola também contou como viveu esse momento.

E depois um professor e outro. E alguns pais.

E quando reparámos estávamos ali. Naquele ginásio. Um grande grupo de conhecidos. E desconhecidos.

Unidos pelo feito de um homem. Que por acaso ou não. É do Sporting.

 

Isto é ser grande. Enorme.

Carlos Lopes nasceu no dia 18 de Fevereiro de 1947.

Faz hoje anos.

Parabéns. Campeão.

723. O número do seu dorsal. Quando foi campeão olímpico.

 

cl.jpg

(imagem)

 

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Joana Marques

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