Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

dia D

01.02.18, Joana Marques

Sempre fui uma aluna mediana. As minhas notas, numa escala de 0 a 20 andaram sempre à volta do 14/15

Consoante as disciplinas.

Numa ou noutra consegui chegar ao 18 mas também tive os meus ódios de estimação. 10, 11 e 12 apareceram algumas vezes.

Fiz a primária numa escola em Campo de Ourique.

A minha professora, Maria Emília, puxou por nós até ao tutano.

Em 4 anos, trabalhámos feitos escravos.

Ai! Se algum de nós se queixasse.

Uma vez tentei, em casa. Fiquei de castigo durante duas semanas.

 

Quando entrei no quinto ano. Senti-me de férias.

Sem aquele controlo diário da professora. A vida era uma festa!

No primeiro período tirei nível 5 a tudo.

Não tanto por mérito meu mas sobretudo pela excelente professora primária que tinha tido a sorte de ter.

 

Um dia, primaveril. Maio, talvez. Depois do jantar, sentei-me no sofá a ver televisão.

O meu pai estranhou e perguntou-me se já tinha estudado para o teste de história.

- Não preciso, já sei tudo.

O meu pai olhou para mim com olhos de lobo mau.

E eu desculpei-me.

- Tive muito bom a Português, a Matemática e a Ciências. História já não é assim tão importante. Pois não?

O meu pai sentou-se ao pé de mim e disse-me:

- Não há disciplinas de primeira nem de segunda.

E continuou.

- Nunca subestimes nada nem ninguém. Não há disciplinas fáceis nem difíceis, há é mais ou menos envolvimento da tua parte.

E acrescentou.

- Se investires pouco não contes com muito. E se investires muito nem sempre vais conseguir o que esperas. Mas verás que às vezes te vais superar. E se investires cada vez mais, os bons resultados aparecerão...

 

Percebi o que o meu pai queria dizer.

Não me apetecia nada mas lá fui para o meu quarto fazer a ultima revisão para o teste.

O meu pai ajudou-me. Tive o melhor teste da turma.

 

Foi mais ou menos este principio que segui o resto da minha vida profissional.

Dou sempre o meu melhor. Às vezes estou bem, outras nem por isso.

Em Nova Iorque, correu tudo bem.

Tinha preparado a minha apresentação de forma minuciosa. Para que nada falhasse.

E não falhou.

Estava nervosa. Pela responsabilidade. E porque não queria deitar a perder um mês inteiro de trabalho....

Valeu a pena. Tudo.

 

 

Como recompensa já tenho projeto.

Melhor que um projeto, são dois.

Bélgica. E Angola.

Lá para o final de Fevereiro. Se tudo correr bem vou a Angola. E depois à Bélgica.

Lá vou eu começar do zero.

Dar o meu melhor.

Para que no dia D, a história se repita...