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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

a falar francês

07.02.18, Joana Marques

As obras em minha casa já começaram.

E eu tento acompanhar como posso.

Tento lá ir pelo menos dia sim, dia não.

A obra está a cargo da empresa do meu irmão.

Não é a especialidade deles mas eu fiz um choradinho tão grande que acabaram por aceitar.

 

A empresa do meu irmão tem dois sócios. Ele e um grande amigo, colega de faculdade.

Com a crise, o meu irmão e o sócio acabaram por emigrar para Angola.

Depois, ficou só o sócio e o meu irmão voltou.

Mas concorreu a uma obra na Noruega e emigrou outra vez.

Neste momento, o sócio continua em Angola. O meu irmão na Noruega e cá têm à frente da empresa uma engenheira.

Nasceu em França. Filha de pais portugueses.

Ainda pouco fala português.

 

Combinei com ela depois de almoço. Em Carcavelos. Em minha casa.

Quando cheguei.

Ouvi ao longe a voz do Sr. Ludovino.

- Ó diabo. Não me digas que está a ralhar com a engenheira...

Voei até à entrada do prédio.

- SERÁ QUE PODIAM...

- Boa tarde! O que é que se passa? Perguntei eu...

- Ela não percebe patavina do que eu digo...

- Eu sei, não sabe português...só fala francês...

- POR ISSO É QUE EU ESTOU A FALAR ASSIM....

Disse ele muito alto e a gesticular...para mim e para a engenheira...

- Para ver se ela percebe alguma coisa...por CAUSA DAQUELA TORNEIRA DA GARAGEM, PODIAM IR LÁ DAR UMA VISTA DE OLHOS..

- Sr. Ludovino, Sr Ludovino...francês não é falar português em voz alta...

- MAS EU ESTOU A ARTICULAR AS PALAVRAS TÃO BEM...

- Sim, mas a senhora não é surda...é só francesa...

 

E convencê-lo??

 

mais histórias do Sr. Ludovino aqui.

Um sorriso, uma gargalhada e uns olhinhos encantadores...

07.02.18, Joana Marques

skype. É um instrumento fundamental para quem trabalha em casa.

Uso-o muitas vezes. Normalmente, para falar com o meu chefe que está em Inglaterra.

Hoje tinha uma reunião marcada.

Pontualidade britânica. Nem um minuto a mais. Nem um minuto a menos.

Ali estávamos nós a "discutir" detalhes, sobre o projeto que tenho em mãos. Angola.

Um ar sério. Dele.

Um ar sério. meu.

 

Dados, muitos números. Conclusões. Que já tenho. Embora tenha trabalhado ainda pouco no projeto.

 

E. Do outro lado.

O meu chefe mostra um sorriso de orelha a orelha.

Olhei, outra vez. Para confirmar que não estava a ver coisas...

O meu chefe começa a rir às gargalhadas.

- Será que meti o pé na argola e disse uma blasfémia qualquer. Em inglês?

- Será que não reparei e comecei a falar em português com ele?

- Oh! Não! Será que disse aquela palavra começada por F? Caneco...

 

Não.

Ao meu lado.

Mesmo, mesmo colado a mim.

De pé.

Com as patas em cima da secretária.

Estava o cão.

Com a língua de fora.

Um sorriso brutal.

A fazer olhinhos ao meu chefe.

....

 

vezes 4!

07.02.18, Joana Marques

O Vasco detesta calor.

Aqueles dias muito quentes. Abafados. E escaldantes. Dão cabo dele.

Anda aos caídos. Com um humor de cão.

Adaptou-se bem à Noruega. Muito bem. Demasiado bem. Tenho ideia que foi o clima fresquinho que o ajudou.

 

Esta semana. Tem estado muito frio.

Para poupar a Alice do frio mudei um pouco a rotina.

Na segunda feira ficou comigo.

Trabalhei durante as sestas dela.

E como adormece entre as 19h e as 20h. Trabalhei a partir dessa hora.

Na terça feira tive de a ir deixar nos meus pais. Mas, saí de casa só às 10h. Já aquele frio da manhã se tinha ido embora.

Estava frio, mas às 7h da manhã é bem mais agreste.

 

Hoje tive de a deixar cedo.

Enquanto a estava a preparar. E a transformar uma menina de 9 meses no abominável homem das neves.

Roupa mais roupa e mais roupa. Via-se o nariz e pouco mais.

Vasco o cão. Foi dando sinais que também queria sair.

Até porque precisava de fazer o seu xixi e cocó matinal.

 

Estou ainda a morar na casa do meu irmão.

O prédio do meu irmão tem 4 andares. E cada família ocupa um piso.

A casa do meu irmão é no rés do chão. E tem porta diretamente para o jardim do condomínio.

O carro é estacionado quase à porta de casa dentro do condomínio.

 

Saí com a Alice e o Vasco. Fecho a porta.

E o Vasco fica no tapete da entrada.

Põe uma pata na relva. E chora.

Tira a pata da relva.

Experimenta com a outra. E guincha.

Queria fazer xixi. Queria fazer cocó. Mas sem ficar com as patas enregeladas.

Lá conseguiu. Com uma mestria nunca vista.

Fez o xixi mesmo, mesmo perto do tapete. E o cocó.....também.

Um exercício de equilibrio só à altura de grandes Vascos.

 

Mas, ele queria ir para o carro. E entrar no carro implicava andar. E andar implicava pisar o chão. E o chão estava frio.

E.....

-Não! Não ponho as patas nesse chão.

Desvalorizei. Ignorei.

- JOANA! Não ponho as minhas patas nesse chão.

Choradeira. Aflição.

Abri o carro.

Coloquei a Alice na cadeirinha.

 

O drama. O horror. A tragédia. Estavam naquele tapete.

Os olhos diziam tudo.

Passou o meu vizinho de cima.

Aquele, que tem um peixe em casa. Diferente, do que tinha anteriormente. Vocês sabem do que é que eu estou a falar...

- O que é que se passa?

- O cão está com frio.

- Só isso? Parece tão aflito...

- Só isso.

 

Com tanta choradeira. Apareceu à janela uma vizinha do rés do chão do prédio ao lado.

- Ah! Coitadinho! O que é que ele tem??

- O chão está gelado. E ele sente frio nas patas.

Digo eu, sem fazer grande alarido. A arrumar uma quantidade de tralha no carro.

- Não sei se será bem isso...

Diz o meu vizinho, que ficou a ver o desfecho do caso do cão enregelado.

 

Volto ao tapete.

Uma lamuria só.

Pego nos 30 kg de cão.

Deposito-o no carro.

Era uma vez um cão feliz da vida....

Era uma vez dois vizinhos boquiabertos...por verem um cão a ser Vasco...

 

Cheguei a casa dos meus pais.

O meu pai veio cá fora para me ajudar.

Abri a porta do carro.

O cão saiu do carro?

Claro que não...

Tirei a Alice. Passei-a ao meu pai.

E depois, tirei o Vasco. Ao colo....

 

O mais chato é que quis voltar comigo.

E eu, voltei a pegar nele. A pôr no carro.

O meu pai só se ria.

 

Quando cheguei a Cascais.

Recusou-se a sair do carro.

Eu bem lhe disse.

- Vá, desce! Já não está tanto frio!!

A minha capacidade de persuasão anda uma lástima....e aqui está a prova...

30 kg. Outra vez.

 

Com isto tudo.

Parece-me que encontrei o meu próximo projeto de tricot....

.....vezes 4!