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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

as obras são como as cerejas...

22.02.18, Joana Marques

As obras duram. Duram. E duram. Ou é impressão minha.

Primeiro foi a decisão de unir os dois apartamentos.

Depois, foi a decisão de pôr a casa ao contrário.

Em cima manter, a sala, a cozinha e o escritório. E fazer do apartamento de baixo só quartos.

Achei que poupava tempo. E é verdade, poupo tempo.

Mas...

....o meu pai lá me disse.

- Já que fazes obras. E não estás em casa. Devias mudar as canalizações. Cozinha e casa de banho. E a instalação elétrica.

Respirei fundo.

Sabia que ele tinha razão.

Não fazia sentido ter a casa de pernas para o ar. E para o ano ou para o outro voltar tudo. De novo.

Falei com a engenheira.

Que me disse que sim, claro. Ia ver. Ia falar. Mas, claro que sim.

 

Depois. Comecei a olhar para o prédio.

E se?

A instalação elétrica está velha. O Sr. Ludovino tem humidade numa das casas de banho. E o Sr. Manuel, do primeiro andar, também tem. É pouco mas é natural que agrave com o tempo.

Falei com o Sr Ludovino.

- És a administradora...faz o que tens a fazer!

- Tenho de falar com o Sr Manuel. Vou pedir um orçamento e depois falo com ele. Se ele concordar avançamos.

 - Porque é que não lhe compras a casa?? Ele é um chato. Vais ver que põe entraves à obra e nós temos de viver assim, no meio da imundice. Não te esqueças nós somos a maioria. Ele só tem de calar...

 

Com este comentário do Sr. Ludovino, fiquei a saber que sou rica.

Posso comprar casas. Muitas casas.

Pelo visto, ando a roubar carteiras no 28 e nunca tinha dado conta.

Pedi o orçamento.

Falei com o Sr. Manuel. Concordou.

E ainda me disse:

- E as arrecadações??

- O que têm??

- A minha tem humidade. Deve ser do telhado.

Fui à minha arrecadação confirmar. Também tinha.

Decidimos também arranjar o telhado.

 

 

As obras são um bocadinho como as conversas.

Quando se começa. Temos sempre mais qualquer coisa.

As obras são como as cerejas.

A diferença é que normalmente não são deliciosas...

uma pessoa. Eu!

22.02.18, Joana Marques

Uma pessoa. Eu!

Adormece já depois das duas horas da manhã.

Dizer que a noite de segunda para terça foi passada numa viagem longa. Luanda. Lisboa.

Para agravar. Vasco e Alice estavam possuídos e demasiado felizes.

Desconfiei da água que beberam. Do ar que respiraram.

Mas acho que foi só pela minha presença. A minha presença dá-lhes para isto.

Sou a cafeína na vida deles. 

Como fazia anos. Foi um dia cheio de solicitações.

Telefonemas. Mensagens. Almoço. E jantar.

E como tinha estado fora. Tinha muitos comentários do blog para responder.

Email's para enviar.

Um dia bom. Mas um dia enorme.

 

 

Uma pessoa. Eu!

É acordada pelo ditador da casa.

Às 5h30 da manhã. Em ponto.

Não o costumo fazer. Mas ontem aconteceu.

Tentei protelar o momento.

- Só mais 5 minutos.

- MAIS 5 MINUTOS?? E EU FICO À ESPERA?? NEM PENSES!! TOCA A LEVANTAR!

- 4 minutos?

- LEVANTA-TE!

- 3 minutos?

- LEVANTA-TE, PREGUIÇOSA!

- 2 minutos e dou-te um frango assado.

- JÁ! OU CHAMO A POLÍCIA!! O CORPO DE BOMBEIROS! O CORPO NACIONAL DE ESCUTAS! E O INEM! LEVANTA-TE, JOANA! ONDE É QUE JÁ SE VIU?? ACORDA, MULHER...

 

Uma pessoa! Eu!

Sai da cama.

Contrariada. Aos tropeções.

- ATÉ QUE ENFIM! O FRANGO ASSADO É PARA ENTREGAR À HORA DO COSTUME, AO CUIDADO DE VASCO MARQUES.

 

Uma pessoa. Eu!

Vai a dormir. À casa de banho.

Abre a torneira, para aquecer a água.

Tira a roupa.

E entra na banheira. Para um duche. Rápido. Mas com efeito energizante. Pelo menos é o que espero.

Entre o shampoo e o sabonete.

Sinto. Algo estranho.

Aquela sensação desagradável.

De não estar sozinha.

Parecia mesmo que alguém me estava a vigiar.

A casa do meu irmão é no rés do chão. O condomínio é privado. Mas naqueles segundos imaginei alguém a saltar o muro. A entrar pela varanda.

- Será que tranquei as portas da varanda?

E com muito medo. Viro-me. E ao mesmo tempo que me viro. Sinto um bafo quente na minha perna. E uma rosnadela.

Com mil Slimanis!

Com mil jogos de 98 minutos!

Com mil assembleias gerais!

Raios e coriscos me valham! Apanhei! O maior susto minha vida.

Estive a um passo de me estender ao comprido na banheira. E de partir um ou outro osso mais solto.

Tive a inteligência de me segurar ao cortinado da banheira.

Que por acaso.

Com a força. Eu, naquele momento parecia o Hulk. O homenzinho verde não o ex do FCP.

 

O cortinado.

Despenhou-se.

Consegui equilibrar-me.

Mas o cão ficou coberto pelo cortinado colapsado. E falecido.

Assustou-se.

E primeiro que o conseguisse acalmar. Nem fazem ideia.

 

Uma pessoa. Eu!

Teve de assaltar o congelador.

Descongelar. O frango assado.

E envia-lo a Vasco Marques.

O frango foi recebido com entusiasmo. E foi comido. Peça por peça.

 

Uma pessoa. Eu!

Apanhou o susto maior da vida.

Fiquei azul.

Hipotermia. No mínimo.

Mas....

....fiquei bem acordada o resto do dia.

 

...os vossos despertadores têm TUDO! A aprender com o meu....