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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

flamingo. O início de uma nova era..

05.03.18, Joana Marques

Pinto desde que me lembro de ser gente.

A minha mãe é pintora. Uma pintora como deve ser.

Faltou-lhe voar. Mas escolheu-nos a nós. Filhos. Marido. E casa.

Como eu era uma bebé que não dormia sestas. Passava manhãs e tardes, sentada na cadeirinha, a vê-la pintar.

Desde muito nova, quis experimentar.

 

Quando era pequena tinha a mania que era uma artista.

E quando estava no infantário era o que mais gostava de fazer. Pintar.

Ao final do dia. Corria o que podia para chegar a casa e mostrar os meus desenhos à minha mãe.

Ao longo da minha vida fui aprendendo.

Sobretudo com a minha mãe. Sobretudo aguarela.

Aprendi muito, também com os meus professores de Educação Visual. Todos. Sem exceção.

Passei sempre com 5. E só não segui artes. Porque:

- Escolho economia, se tu também escolheres.

Foi este, o trato que fiz com o meu melhor amigo. E assim foi. Eu abdiquei de artes. E ele de ciências.

Eu sou gestora. Ele é Engenheiro informático. Na faculdade não deu para continuar o trato...

 

Aqui e ali. Vou aperfeiçoando. Vou fazendo workshops.

Mas, tem-me custado muito sair da minha zona de conforto. A aguarela.

As mulheres normais têm um estojo de maquilhagem dentro da carteira. Eu tenho uma caixinha de aguarelas. Com um mini pincel.

E um bloco de folhas A5.

Quando as coisas ficam dramáticas para mim. Ou seja, muito paradas. Toca de pintar o que vejo à minha volta.

Uma vez estive parada na A1, duas horas. Pintei, o carro que estava ao meu lado. Com uma família de 3 pessoas mais um cão.

Depois, saí do carro e ofereci-lhes a aguarela. Foi giro ver a reação.

 

Este ano. Queria sair mais da minha zona de conforto.

Abstrato. E geométrico.

Geométrico. Ou Abstrato.

Nas minhas resoluções de 2018. Tenho, para toda a gente ver. E ler.

50 desenhos.

Tão ambiciosa que eu fui.

Já me chamei todos os nomes. Estamos em Março e ainda vou no quarto.

Costumo partilha-los nas stories do instagram.

Ontem foi este. Um flamingo. Meio geométrico. A tinta da china. Só preto.

Muito simples. E singelo.

Ainda não domino a técnica...

Espero que seja o início de uma nova fase...

.....de uma nova era...

"Artisticamente" falando....

flamingoj.jpg

 

a sorte que tenho

05.03.18, Joana Marques

Está a descobrir o mundo.

Agora que se põe de pé. A vida dela mudou.

Já percebeu que não pode tirar as mãos. Já cai menos.

Já percebeu que segurar-se ao sofá é mais seguro. Do que o cão. O cão tem vida própria e vontades próprias.

No sábado de pé agarrada ao sofá, soltou uma mão e segurou o comando.

Eu sei que não é nada demais. Todos nós fizemos isso um dia. Mas...

Emociono-me. Quando a vejo crescer. E a trilhar o próprio caminho.

 

É sossegada. Consegue passar períodos consideráveis a brincar. Comigo.

Não estou a apostar em brinquedos muito elaborados.

Prefiro interagir com ela. 

Uma caixa com origamis coloridos lá dentro é o bastante para uma tarde diversão.

Cubos coloridos também são do agrado dela.

E uma boneca. Tem uma boneca que não larga. E que vai connosco para todo o lado.

O Vasco bem tenta tirar-lhe a boneca. Não deixa. Luta até ao fim...

 

É muito menina.

Muito rosinha.

Quando lhe visto roupa que gosta. Ri-se. E aponta para o casaco. Para a camisola. Para a  saia....

Gosta de se ver ao espelho.

Não sei se percebe que é ela. Provavelmente só vê uma miúda gira a sorrir.

 

Fala o seu próprio dialeto.

Está sempre, sempre a falar. E todos os dias acho que vai dizer qualquer coisa percetível.

Ainda não aconteceu.

 

Tem a mão leve.

Estou a ensinar-lhe que não pode andar para aí a distribuir chapadas e chapadas.

Não faz festas ao Vasco. Agarra-lhe o pelo.

Também a estou a ensinar a fazer festinhas. Porque agarrar e bater, dói.

As coisas aqui por casa têm o mesmo tratamento.

É tudo tratado às três pancadas.

Ainda não tirei nada do lugar. Com paciência lá lhe explico que não pode mexer.

Se lhe digo:

-Não, Alice não.

Pára de mexer. Olha para mim, ainda com a mão no fruto proibido. 

Continuo a dizer que não. E ela atira-me um sorriso.

Bem me derreto. Mas não posso dar parte fraca. 

A vontade é grande. Se é! Mas não posso ceder...

É difícil ser mãe.

 

Dorme bem. Come bem.

Gosta muito de sopas. E de fruta.

A sopa fica por minha conta.

A fruta come sozinha.

Enquanto estou na cozinha a despachar coisas e mais coisas. Vou falando com ela.

Responde ela. Responde o Vasco. Responde a Julieta. Toda a gente me responde. Acho que ninguém me percebe verdadeiramente...que se lixe. Eu finjo que sim!

A Alice está na cadeirinha. E vai comendo com tempo a fruta que lhe ponho num prato.

Às vezes. Muitas vezes. O prato vem parar ao chão. Outra vezes uma parte da fruta.

O cão aspira. Rei da República das bananas, mangas e frango assado.

Por esta altura já a Julieta foi afastada das imediações.

E suja-se. Muito. Mas...

Acho importante estes tempos. 

Quero, conforme possa, educa-la com tempo.

 

É um polvo. É mais do que um polvo. Um polvo só tem oito tentáculos. E quando a estou a vestir parecem uns 100.

O Vasco também não ajuda. Porque acha giro andar a fazer palhaçadas nas minhas costas.

Adora o banho. E com os 100 tentáculos. Toma banho ela. Eu. E o cão.

A Julieta é demasiado pomposa para estar dentro de uma casa de banho com 3 selvagens e uma banheira cheia de água.

 

 

É uma miúda simpática. Sorri a toda a gente. E diz adeus.

Se não lhe dão atenção resmunga. E reclama. Incluindo com o cão.

 

Todos os dias. Me perco a olhar para ela.

Parece mentira. A sorte que tenho.