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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

caderneta de cromos #3

21.03.18, Joana Marques

A minha avó Adélia. Nascida e criada no Porto.

Era uma mulher grande.

Para os tempos em questão, era alta. E não era magra.

Era robusta.

Muito feminina. Numa altura em que gordura era formosura. Esmerava-se na sua aparência.

Um dos seus maiores desgostos era não poder usar saltos.

Porque ficava mais alta que o meu avô. E ela achava que não podia ser.

 

 

Na casa da minha avó. Todos os dias havia sobremesa doce.

- O que é doce nunca amargou.

Dizia-nos ela.

A maioria das vezes era feito pela empregada, a dona Conceição. Algumas vezes por ela.

Nada de fruta. Não!

Era mesmo sobremesa.

Daquelas cheias de açúcar, manteigas e ovos.
Daquelas que nos sobem o colesterol só de partilharmos a mesma divisão.

 

Com o tempo, a minha avó que sempre foi robusta, foi ficando mais gordinha.

Teve 8 filhos. E isso também não deve ter ajudado à figura.

Nunca foi obesa, nada disso. Mas era uma mulher consistente.

Lembro-me de ser pequena. E andar a cirandar pelo quarto dela. E de a ver a preparar-se para ir à missa.

Não usava espartilho. Mas quase.

Uma cinta enorme. Um soutien gigante. Eu era miúda...tudo parecia ainda maior.

Um vestido por cima. Um cabelo impecável.

Maquilhagem.

 

E depois no fim de tudo. No fim do ritual. Chamava a Conceição e perguntava:

- Conceição, estou gorda?

Apetecia-me responder e dizer que sim. A avó, está gorda...

.....não o fazia. Nunca o fiz.

Conceição, respondia sempre.

- Não. Está muito bem.

Durante anos a fio. Sempre que visitei a minha avó. Ouvia sempre a mesma pergunta.

- Conceição, estou gorda?

E sempre a mesma resposta. E assim ia a vida.

 

Tinha 13 anos.

E na escola organizou-se, na disciplina de Física/Química, uma visita de estudo à Central Termoelétrica do Carregado.

Só havia 5 vagas.

Os professores escolheram 5 alunos para representar a escola.

Não sei bem porquê. Eu fui uma das contempladas. E o Zé Luís da minha turma.

Os outros, só os conhecia de vista.

O Zé Luís. Era...

....um cromo. Daqueles à moda antiga. Sempre que tinha de falar comigo. Ficava corado até à medula.

Não sei como é que ele aguentava. Parecia sempre à beira de implodir. E explodir ao mesmo tempo.

 

Tínhamos os dois 5.

Mas o 5 dele era verdadeiro. Interessava-se mesmo. Gostava mesmo.

O meu 5, era um 5 de quem percebe nas aulas.

Tinha e tenho uma memória que é uma maldição.

Fazia o teste e tinha boa nota.

Interesse: zero.

 

No dia da visita.

Percebi que éramos 4+1.

4 cromos e um elemento decorativo. Eu.

Fomos de autocarro. Juntos com alunos de outras escolas.

É claro que eu não percebi patavina de nada.

O meu interesse era zero. E só tinha ido porque tinha sido escolhida e os meus pais me tinham obrigado a aceitar.

No fim do dia.

Pensei que o meu pesadelo tinha ficado por ali.

Que o calvário tinha terminado.

Que podia seguir a minha vida alegremente noutro registo.

Não!

A professora falou connosco e disse-nos.

- Na próxima aula vão fazer uma apresentação à turma sobre tudo o que viram.

Caneco.

O que é que eu poderia dizer.

- Ah! e tal fomos de autocarro. Chegámos. E depois andámos a percorrer umas ruas com um capacete muita fixe na cabeça. Ah! E deram-nos batatas fritas ao lanche. Ah! E também havia água.

 

Mas...

....estava um "homem" metido ao barulho.

Em muitos momentos da minha vida, tenho percebido, que as mulheres querem que eu me espatife na próxima curva mas os homens ajudam-me sempre.

Zé Luís. Socorreu-me.

Escreveu numa folha tudo o que eu tinha que dizer.

E ficou combinado que ele responderia às questões dos nossos colegas.

No dia da aula. Nem respirava. Estava com uma crise de asma. De todo o tamanho.

E em frente à turma.

Mesmo ao lado do Zé Luís.

Ainda com a professora a falar.

Com um camadão de nervos épico.

Perguntei, baixinho ao Zé Luís...

- Estou gorda?

O pobre do rapaz ficou a olhar para mim. Com ar...

...mas que raio é que esta alma disse.

E respondeu-me, com surpresa na voz. Testa franzida. E nariz encolhido...

- Nãaaaaaaao......

 

A apresentação foi um sucesso.

Disse tudo o que o Zé Luís me tinha dito para dizer.

Toda a gente percebeu. Que eu percebia bué de Centrais Termoelétricas.

Era pró em Centrais Termoelétricas.

A minha vida girava em torno. Das Centrais Termoelétricas.

Eu própria era, possivelmente, uma Central Termoelétrica...

Os meu colegas quiseram  fazer perguntas. Eu. Virei-me para a professora.

- Vou deixar o Zé Luís responder para também poder participar.

- Muito bem, Joana.

Correu tudo melhor do que tínhamos previsto.

No fim da aula dei um abraço ao Zé Luís.

Ficou vermelho. Vermelho.

E só voltou a falar comigo no nono ano. Mais um que ficou traumatizado...

 

Achei que o..

...estou gorda?

..me tinha dado sorte.

E a partir daí. Em qualquer apresentação que faça. Pergunto sempre a alguém que está por perto.

- Estou gorda?

Atendendo que sempre fui magricela.

Deve correr o rumor, em Portugal, que tenho uma desordem alimentar qualquer.

 

Fora de Portugal é fácil.

- Estou gorda? (digo sempre em Português)

- O que disseste?

- Nada, estou só a praguejar na minha língua materna...

 

Ontem, antes da minha apresentação. Lá escolhi a vitima. Um angolano que estava mesmo ao meu lado.

- Estou gorda?

Olhou para mim com um ar espantado. Mais do que espantado. Quase assustado.

E respondeu num dialecto desconhecido. Num tom que não enganou ninguém...

...garantidamente não me chamou de gorda.

........maluca. Louca. Doida varrida.

Aceitam-se apostas...

 

 

Este é o meu terceiro cromo.

Podem ver o primeiro. Aqui.

E o segundo. Aqui.

 

 

nas bocas do mundo...#13

20.03.18, Joana Marques

Nas bocas do mundo. 13!

13! E não deu azar. Pelo contrário....

A sorte que eu tenho de ao longo deste ano e meio de blog ter conhecido gente incrível. E simpática.

 

Não é que o David do blog "Domingo à tarde" destacou este espaço quando lhe foi perguntado que blog lia todos os dias...

Um mundo de blogs bons. Alguns brilhantes. E é o meu Quiosque que lá está...

Tive sorte. Fui avisada por ele.

Ou podia ter ido desta para melhor. Com a surpresa.

 

Agradeço a imensa generosidade.

Muito obrigada!

Muito obrigada!

Muito obrigada!

 

Passem pelo post do blog da equipa do Sapo e conheçam melhor o David.

E....

.....não deixem de ler o blog do David!

Está tão bem escrito.

É tão consistente.

E revela uma maturidade que eu ainda não tenho...embora tenha quase idade para ser mãe dele.

Quem pode, pode...e eu ainda estou a aprender...

 

não deixes que te apaguem a luz

20.03.18, Joana Marques

Os meus pais. E três filhos.

Era assim lá em casa.

Desde muito cedo começámos a ter pequenas tarefas domésticas.

Cada um, a sua. Tendo em conta, a idade.

Por exemplo com 3 anos. Tinha de pôr os guardanapos na mesa.

Os meus irmãos, mais velhos, tinham outra tarefa qualquer.

 

Tinha 6 anos.

Uma das tarefas que tanto eu como os meus irmãos tínhamos, era de arrumar e limpar o quarto.

Cada um o seu, claro.

A bela da Joana. A pensar que era mais do que os outros. Fez a cama.

Limpou o pó, mal e porcamente.

E.

Nunca ninguém se tinha lembrado disto.

Varreu o quarto. Para trás da porta.

 

A primeira semana passou na inspeção. A minha mãe não deu conta.

Mas à segunda semana. A coisa ficou muito feia para o meu lado.

Mesmo, muito feia.

Segunda semana a ser desonesta, a minha mãe não acreditou.

Achou que eu andava a indrominar o pessoal lá de casa, há pelo menos três gerações.

 

Contra todas as expectativas. Não fiquei de castigo.

O meu pai pegou em mim. E falou comigo.

Não estava zangado. Apenas me disse:

- Se a mãe estivesse no quarto contigo, tinhas feito batota??

Achei que devia ser da idade, ou assim. Que raio de pergunta era aquela.

Seria parva?? Claro que não tinha feito o que fiz, se a minha mãe estivesse a ver.

Óbvio!

O meu pai continuou.

- Então Joana, vais tentar fazer o seguinte. Sempre que tiveres de fazer alguma coisa, mesmo que seja chata, vais fazê-la sempre a pensar que estão a olhar para ti.

- O resto da vida??

- Sim!

Eu olhei para o meu pai e não me comprometi. Atirei-lhe com um...

- Posso experimentar durante uma semana?

Tinha 6 anos mas não era parva.

O meu pai riu-se. E disse que sim.

 

Nunca mais me esqueci.

Não sei se já experimentaram. Não é fácil.

Viver com plateia. Com público.

Às vezes é desgastante. Outras vezes é impossível.

Exige muito mais de nós. Em contrapartida vale muito mais a pena.

Os dentes ficam muito mais lavadinhos.

Sem esqueletos no armário. Pessoalmente falando.

A gaveta esquerda da cómoda está hiper organizada. A da direita também.

Aquela tabela que uso para mim e só para mim. Podia ganhar o óscar da melhor tabela.

Transparência. Não consigo imaginar-me a viver de outra maneira.

 

É quando ninguém vê, que as pessoas são elas próprias.

É quando pensam que estás distraído que te passam a perna.

Mentem. Ou ocultam informações importantes.

Ou o contrário. Depende.

O lado lunar não tem de ser necessariamente mau. Muitas vezes não é.

 

Definitivamente.

Quando se apaga a luz. Aparece o genuíno.

 

Em dias difíceis.

Farto-me de dizer a mim mesma...

não deixes que te apaguem a luz. Não deixes que te apaguem a luz....

...ontem fui um pirilampo. Mas hoje...

.....tenho o sol dentro de mim....

 

o pintas

19.03.18, Joana Marques

A história deste pintas. É simples.

Pertence ao meu círculo de amigos. Alargado.

Às vezes aparece. Porque é amigo de algum amigo.

Conheço há uns 10 anos, talvez.

Tem namorada. 8 anos, 7 anos. Não sei bem.

Um dia começou a aparecer com ela. E percebemos que tinha namorada.

 

 

É comprometido. Mas pouco...

Ainda eu estava de pedra e cal com o meu namorado.

Já, André, o pintas do Cais do Sodré. Me convidava para um café.

De vez em quando lá aparecia.

- Olá, Joana. Café, esta semana.

Nem esta, nem para a próxima. Sou comprometida. Não ando a desperdiçar tempo com pintarolas...

 

Pior, foi quando eu e o meu namorado terminámos.

Gamboa, o pintas de Lisboa. Achou que tinha aí a sua grande chance.

Pobre, Joana. Carente. E em sofrimento. De certeza que aceita um café, um chá ou um licor beirão.

Nunca fomos amigos no facebook. Mas ele lá me descobriu. E enviava mensagens que se fartava.

Já não sabia dele desde o século passado. Sabia lá eu se tinha namorada ou não.

- Olá, Joana! Tanto procurei que te achei!!! Café??

Respondi que não. Até podia não ter namorada mas só o facto de me ter convidado para beber café, quando eu tinha namorado e ele, namorada. Morreu...

Por acaso ainda tinha namorada, a mesma. Confirmei mais tarde.

 

E assim continuámos.

Gama, o pintas de Alfama. A picar o ponto de vez em quando.

Uma mensagem aqui, outra mensagem ali.

Numa fase. Começou a enviar-me mensagens do género.

- Já cheguei a casa. Um beijinho.

- Já almocei. Um beijinho.

- Vou dormir. Beijinhos.

- Tenho saudades tuas. Um beijinho.

Achei que estava a ver unicórnios. Adiante.

 

Estive fora do país.

E, o parvalhão, o pintas de Monção.

Desapareceu.

Pensei. Desistiu.

Mas não....

Voltou nos meus anos. E na Páscoa. E descobriu este espaço.

Ó meus amigos.

Os elogios começaram.

- Tu escreves tão bem.

- Tu tens o melhor blog do mundo.

- Como é que podes ser assim, tão espetacular.

- Só tu me fazes rir.

E pérolas. Daquelas. Que nós sabemos que são francamente exageradas.

Na altura, não namorava mas gostava do rapaz do #rumoaoesquecimento.

Uma das coisas que mais detesto na vida. É perder tempo. Achei que o devia avisar. Que estava a perder tempo.

Eu gostava de uma pessoa. E mais ninguém tinha hipóteses.

O que eu fui a dizer.

- Eu não quero saber nada disso. Não me importo nada que estejas com alguém. Só quero um café. Só um café.

Apeteceu-me dizer:

- Põe-te na fila. Queres tu e mais alguns. Infelizmente para vocês eu sei bem o que quero. E não te quero a ti...sorry!

 

Ficámos por aqui.

Durante um tempo.

Com a adoção da Alice, achei que os pintarolas iam à vida deles. Chatear outra qualquer, mas não...

A coisa piorou, muito...

Deve ter-lhes cheirado a desespero.

E quando escrevi os post's sobre o #rumoaoesquecimento.

Renasceram. Das cinzas. Este pintas. E mais uns quantos.

Chafarica, o pintas da Caparica, ainda ressentido por lhe ter dito que tinha alguém, uns meses antes.

Cumprimentou-me e deu-me os parabéns pela Alice.

E disse-me que lhe queria oferecer um presente.

Quase enfartei.

Disse, que não. Obrigada. Não era preciso.

Pois, passados uns dias. Recebi em casa dos meus pais. Uma encomenda. Em nome dele. Com um cartão todo lamechas que acompanhava uma boneca.

É óbvio que a Alice nunca cheirou a boneca.

A Alice está a ser educada para ser uma mulher às direitas. Com autoestima no lugar certo.

Sofrer por amor. Acontece aos melhores. E é normal.

Sofrer por amor, por um pintas. Acontece a quem deixa acontecer. E espero que a Alice não deixe.

A encomenda tinha morada. Era a morada do trabalho dele.

E não me fiquei.

Também lhe comprei um presente.

Uns patins.

Pode ser mito. Ou não. Nunca consegui provar. Mas diz-se por aí que os cobardolas têm as extremidades. Pequeninas...

E por isso comprei um 28. Uma prenda agradável, para mim. Útil, para ele.

Mensagem bem clara! Nop....

Para além das extremidades, também tem o cérebro bastante curto.

Deve ser por simpatia....assim é tudo proporcional.

Enviou-me uma mensagem. A perguntar se me tinha enganado. Que a sobrinha já tinha 15 anos e não lhe serviam...

Fiquei na dúvida se chorava. Ou não.

Não chorei.

Os pulsos! Podia cortar os pulsos...

....desisti...muita nhanha vermelha...

Já o tinha bloqueado no meu telemóvel. Seguiu-se a vez do messenger.

 

Só que....

Rança, o pintas da Penha de França.

Apareceu. Em formato fresco e fofo no instagram.

Durante um tempo. O instagram do blog esteve público. E como quem não quer a coisa começou a seguir-me.

Nem tinha dado conta. Só quando recebi uma mensagem.

Hoje.

Então não é que leu o meu post sobre o meu passeio de sábado.

E achou incrível que eu tivesse ponderado ir beber café, com uma pessoa.

Foi assim, desta forma. Que eu descobri. Que sou propriedade do pintas.

Deve ter-me comprado num bazar chinês.

Ou numa banca de feira. 

Se calhar foi em Marrocos.

Naquelas trocas e baldrocas..que eles fazem com camelos.

Enganaram-se no câmbio...e SURPRESA!

 

Já que lê o blog. Aqui fica.

Covas, o pintas das avenidas novas.

Se gostava de ter namorado. Sim, mas...

Tem de ser aquele homem que é uma mistura perfeita de príncipe encantado com lobo mau.

E tu, és só....um pintas...quem nem a dálmata chegou.

 

Que seja um companheiro. De vida.

E não de momentos.

 

Por favor!

Não me faças perder tempo...

 

 

 

 

queres? Quero...

18.03.18, Joana Marques

O trabalho que atualmente faço tem a ver com a minha área de formação. Gestão.

Ao contrário do trabalho que tinha em Portugal, em que tinha a minha própria equipa, e eu era a cara de todo o trabalho. Aqui não é bem assim.

Neste momento, eu faço parte de uma equipa, muito grande. Sou apenas um grãozinho de areia. Num areal imenso.

As pessoas que me conhecem acham que andei para trás na minha carreira.

Não penso assim.

É óbvio que tinha mais autonomia em Portugal. Mas....

 

Quando tive de escolher.

Acabei por escolher o que tenho agora por várias razões.

- Gestão de horários.

Eu faço o meu horário de trabalho sem grande stress.

Ainda esta semana consegui ir a meio da semana ao Alentejo e perdi uma manhã de trabalho quando fui ao médico com a Alice.

Sem stress.

É logo recuperado..

 

- Férias.

Se atingirmos um nível especifico de eficiência.

Oferecem-nos uma semana de férias definido por eles.

Tudo pago.

No ano passado tive a sorte de ir para Formentera.

Este ano, espero atingir também o tal nível de eficiência para ter direito a uma semana de férias...nem que seja na Eritreia. Who cares!

 

- A remuneração é melhor.

Em Portugal tinha muito mais responsabilidades.

Pagavam-me pior. E trabalhava muito, muito mais...

E isto é sempre um fator importante.

É uma remuneração variável. Tem a ver com o nosso nível de desempenho e com o grau de importância do projeto.

E este fator. Não é determinante mas é importante.

Tenho um cão que come por 3 ou 4......

 

 

Desenvolvo projetos.

Esses projetos são como os furacões. Estão numerados.

De 1 a 5.

Um projeto nível 5.

É para os chefes dos chefes dos chefes.

É para prós. Quer dizer que está muito dinheiro envolvido. Muito, muito dinheiro...

 

Os projetos aparecem na plataforma da empresa.

Normalmente não caem do céu aos trambolhões. É preciso concorrer.

Foi o que aconteceu no projeto de Angola.

Apareceu. Eu concorri. Fiquei com o projeto.

O sermos escolhidos ou não, tem a ver com o nosso perfil. Mas também com a área geográfica. Idioma. Etc.

Estando eu em Portugal. Nada mais sensato do que ser escolhida para o projeto "Angola".

Angola era um projeto nível 1. Que entretanto passou a 2.

Às vezes acontece.

Um cliente que nos contactou. E que depois de iniciado o projeto. Decide avançar mais um pouco.

 

Ao mesmo tempo que fiquei com Angola. Apareceu no meu Portfólio, Bélgica.

Estranhei.

Achei que era engano.

Não tinha concorrido. Perguntei.

Disseram-me que era um projeto de nível 2.

Gostavam que eu participasse. Que era algo para ir fazendo...ao longo do primeiro semestre do ano.

Disse que sim.

 

A minha ideia inicial era durante o ano ter apenas e só, projetos nível um.

Um em cada dois/três meses. Exceto no mês de férias...

Dava perfeitamente para ter uma vida financeira saudável. E uma vida no geral, despreocupada.

Os meus planos começaram a sair completamente furados.

Tinha Angola. Tinha Bélgica.

Nenhum de nível 1.

Na sexta feira. Qual não é o meu espanto. Vejo algo a piscar no meu portfólio.

Sinal de algo de novo.

Quando abro a aplicação. Quase enfartei.

Irlanda. Nível 5.

Duração: 1 ano.

 

Queres?

- Quero.

 

Acho que não tenho consciência sequer. Do que vai ser.

Sinto-me como se tivesse tirado a carta ontem e hoje me tivessem oferecido um Ferrari.

Só papelada para ler. É ida e volta à lua.

Não vou estar sozinha, é óbvio. Seria impossível...

Mas vou pertencer a uma equipa de nível 5. Nunca pensei....

Para sobreviver. E chegar a bom porto. Conto com estes 37 anos de sportinguismo.

Não dar nada como adquirido. Mesmo estando a ganhar.

Não dar nada como perdido. Mesmo estando a perder.

Ser resiliente.

Saber esperar. Mesmo em sofrimento.

Trabalho. Trabalho. E trabalho.

Esta vai ser a minha táctica.

 

Daqui a pouco vou para Angola.

O blog pode sofrer alguma alteração durante esta semana.

E o meu instagram também....

....é natural que nas stories apareça...sol e alguma piscina...

Uma pessoa precisa de conseguir encaixar que a partir de agora tem um projeto de nível 5 nas mãos.

E..

....tudo fica mais fácil....com sol e o corpo dentro de um biquíni.

 

 

nas bocas do mundo...#12

18.03.18, Joana Marques

Tem sido um desassossego. Um bom desassossego!

O Quiosque tem andado por aí, por outras casas, sempre bem acolhido.

Ontem, estivemos em casa da Mariana. Abriu-nos a porta e deixou-nos por lá andar.

 

A Mariana tem praticamente a idade da minha sobrinha mais velha.

Pelo que, se não te importares, Mariana...a partir de agora vais ser minha sobrinha virtual.

A Mariana escreve bem. E tem histórias para contar. Da vida dela e não só.

Vale muito a pena visitarem o espaço dela.

Já viram a foto? A miúda é gira que se farta...

Açoriana!

Como se sabe, os Açores são tudo de bom...e por isso a Mariana e o seu blog, prometem!

Mariana, toca a escrever!!

 

 

convidou-me para um café. Só que...

17.03.18, Joana Marques

Não sei se conhecem...

...a praia do Magoito em Sintra.

Adoro. É uma das praias da minha vida.

É a minha praia de Inverno.

Quando tinha namorado era rara a semana que não passávamos por lá. 

Exceto no verão que tinha e tem demasiada humanidade...

Deixei de ter namorado. Mas passei a ter o Vasco.

Continuei a visitar a praia.

Não de forma tão frequente.

Mas ainda assim, muitas vezes.

Para chegarmos à praia podemos ir por um passadiço de madeira.

Escorregadio quando chove. Que faz as delícias do Vasco.

As patas derrapam e ele gosta. Cada maluco com a sua mania.

 

Se estivessem pessoas na praia não o faria mas como no inverno só lá aparecem dois ou três gatos pingados, costumo soltar o Vasco.

Adora.

Corre que nem um doido.

Uma alegria só vista...e que deve mesmo ser vista. E apreciada.

 

Hoje. Esteve um dia miserável.

Mesmo miserável.

De manhã choveu que se fartou.

Nem deu para sair com a Alice um bocadinho.

Ficámos aqui à porta a ver o Vasco fazer xixi e cocó.

Saí da entrada do prédio #rumoàapanhadecocós.

E toca de entrar em casa.

 

Pensei em fazer o mesmo à tarde.

Mas...

A minha religião não me permite. Ficar um dia fechada em casa.

E depois de ter estado a tricotar e a ver televisão. Enquanto a Alice dormia a sesta.

Comecei a magicar onde poderia ir quando ela acordasse.

Magoito. Pois, claro!

Peguei na Alice. Peguei no cão. E aí fomos nós.

Estacionei o carro.

Saímos. Os três.

Alice no carrinho.

Passadiço de madeira.

Vasco louco de alegria.

Corria. Saía do passadiço.

Entrava no passadiço.

Saía do passadiço. E aparecia com um pau na boca.

Escorregava no passadiço.

Ficava feliz por ter escorregado no passadiço.

Ladrava de felicidade.

Enfim, Vasco no seu melhor.

 

Chegamos à praia.

O Vasco. O espaçoso. A praia era dele.

Corria. Saltava. ladrava.

Bebia água do mar. Não sei porquê mas adora beber água do mar...

Eu com a Alice ao colo. A assistirmos a este espetáculo.

"Vasquito vai à praia"

A Alice ria que nem uma perdida. Apontava. Atirava beijinhos. E dizia adeus.

Em resumo. Todas as graças que já sabe fazer.

 

Dez minutos passados. E apareceu um senhor na praia com um cão.

Também solto.

- Aquele cão é seu?

- Sim, é.

Como o Vasco estava num dia de exuberância extrema achei que me ia pedir para o prender. Mas não..

- Gosto imenso de vir para aqui com a Tekas (a cadela). Faz-lhe bem andar livremente.

Quando percebi que era uma cadela. Tive medo.

E se ele profana a cadela? OMG!

 

Não...

O Vasco nem olhou para a cadela.

O Vasco não sabe que é um cão...está-se nas tintas para os da espécie dele.

Os olhos do Vasco concentraram-se num e num só alvo.

O dono da Tekas.

Devia ser mais ou menos da minha idade.

Tinha muito bom aspeto.

Era simpático.

Convidou-me para um café. Que não aconteceu.

Chamava-se Duarte.

Chamava-se e chama-se. O Vasco não o matou.

Só lhe vomitou os sapatos. 

 

 

nas bocas do mundo...#11

17.03.18, Joana Marques

Ontem foi dia de follow friday no sapo.

Em tempos, não perdia um. Destacava sempre alguém.

Fui perdendo esse hábito.

Não devia...mas como nunca sei quando é, a maioria das vezes não tenho tempo de escrever um post.

E vou perdendo a oportunidade.

 

Ontem, a Ana Paula, escreveu um texto a destacar o Quiosque.

Fico sempre comovida. E agradecida.

 

O tempo é algo irrecuperável. Quando alguém perde, uns minutos que seja, connosco.

É especial. Muito especial.

Obrigada, Ana!

Podem ler o texto aqui.

 

 

nas bocas do mundo...#10

16.03.18, Joana Marques

Sabem quando nos acontece algo bom e dizemos:

- Já ganhei o dia...

Hoje está a ser assim.

Na verdade está a ser melhor, por isso posso escrever....

- Já ganhei o ano!

 

A situação descrita no post anterior tem tudo a ver com isso. Mas não só.

O facto de logo de manhã, um blog que gosto muito, ter feito uma ligação ao meu. Pela mão do José da Xã.

Também tem a sua responsabilidade. No meu estado de graça!

 

Ontem foi tão duro. E sofri tanto. E hoje...esta surpresa. Boa!

Obrigada!

 

Podem ver tudo aqui.

sem açúcar. Claro!

16.03.18, Joana Marques

Foi mesmo agora.

O telemóvel tocou.

Não conhecia o número. Atendi.

Do outro lado uma voz que não me era familiar mas também não me era totalmente estranha.

Dr. Pedro.

- Olá Joana. Daqui é o Pedro. Esteve aqui ontem no consultório.

 

Olá Joana?? Daqui é o Pedro.

O homem é uma celebridade no mundo dos rins...e apresenta-se assim como se fosse um Pedro qualquer..

Percebi que me estava a ligar do seu número pessoal. Tenho o número do consultório gravado no meu telemóvel...e não era este.

 

Quando percebi quem era. O meu coração parou durante uns segundos.

O bastante para não morrer. O bastante para não conseguir respirar.

- Já estive a analisar todos os exames de forma minuciosa. Está tudo bem. A Alice é uma menina saudável.

A ouvir isto. E as lágrimas a caírem pela cara abaixo.

- Desculpe, Pedro. Sou uma chorona....Obrigada.

Do outro lado riu-se.

E respondeu.

- Ora essa, chore à vontade. Se precisar de mais alguma coisa diga.

Agradeci-lhe mais umas 20 vezes. E continuo a agradecer. A ele, ao pediatra, ao meu tio e ao José.

E a todos vocês que me deram uma palavra de alento.

 

Estou tão agradecida. Tão agradecida. Que.

Estou a ponderar, neste momento, hipotecar os meus dois rins.

Só para vos encher....de rebuçados....

.......sem glúten, sem lactose e sem açúcar, claro!

 

quase, quase a respirar de alívio...

15.03.18, Joana Marques

Ontem. Estava eu nos preparativos para a festa do meu sobrinho. Recebi uma chamada.

Era do consultório, do médico especialista, que me tinha sido indicado por várias pessoas.

Quando apareceu sangue na fralda da Alice. O pediatra disse-me:

- Não deve ser nada, mas aconselho-te a consultares o Dr. Pedro.

Em conversa com o meu tio, a mesma coisa.

- Não deve ser nada, mas aconselho-te a consultares o Dr. Pedro.

E o José. Que aparece por aqui de vez em quando. Também.

Também me avisaram.

- É de poucas conversas. Mas nada lhe escapa.

- Não é muito simpático mas é o melhor.

 

Foram três conversas. Distintas. E sem conhecimento umas das outras.

E todos me indicaram o homem.

O médico.

O especialista.

Craque dos rins.

E de outras miudezas urinárias.

 

Tinha ligado. Naquela semana negra.

Pronta a suplicar.

A implorar.

A descabelar-me.

Por uma consulta urgente.

 

Quando do outro lado.

Uma voz.

Me disse que o doutor estava em Boston.

Marquei à mesma.

Para dia 23 de Março.

Depois de fazer um choradinho.

Digno de um óscar.

 

Ao longo dessa semana.

Fui acalmando.

O pediatra foi descartando as piores hipóteses.

Sempre com cautela.

O meu tio também.

 

Acabei por ligar para o consultório outra vez.

A dizer que em príncipio não seria nada.

Se precisassem da minha consulta para alguém urgente, não me importaria de esperar mais um pouco.

Do outro lado riram-se e disseram-me que não.

Já estava marcada. E que ia ficar como estava.

Pediram-me para enviar todos os exames que tivesse, para ser tudo mais rápido.

Falei com o pediatra. Enviou tudo.

E recebi um sms por parte do consultório a dizer que tinham tudo o que precisavam e que a consulta estava confirmada para dia 23.

 

Ontem ligaram-me.

- Temos vaga para uma consulta, amanhã, às 8h. Está interessada?

Disse logo que sim.

Hoje lá estava. Eu. E a Alice.

E às 8h estavamos a ser atendidas.

 

Entrámos. E o médico começou por me fazer mil e uma perguntas, sobre a Alice.

Uma delas sobre amamentação.

Tive de lhe dizer que era adoptada.

E que não fazia a mínima ideia se tinha sido amamentada ou não. Mas tinha ideia que não.

Estava comigo desde dia 27 de Dezembro.

Acabei por lhe contar a história.

A minha.

A da Alice.

Como é que fiquei com a Alice.

E também o pouco que sei, sobre a vida dela antes de a ter.

 

A Alice estava ao meu colo.

Sempre a tagarelar.

Aprendeu a atirar beijinhos.

E agora passa a vida nisto...é mesmo uma fofa, a minha filha!

 

Pediu-me uma quantidade de informação pessoal.

Achei estranho.

Porque tinha acabado de preencher uma ficha com toda a informação.

Disse-me que tinha dúvidas num dos exames (aquele que a Alice fez em Sintra) e que o queria fazer ele.

Para requisitar o exame tinha de ter a ficha dela preenchida.

 

A Alice fez o exame. Portou-se bem.

À partida não tem nada. Mas....

...há sempre um mas......daqui a uns dias terei a resposta definitiva.

 

Voltámos ao consultório.

A Alice foi ao colo dele. Sempre a dizer:

- Mamã. Mamã...

Ainda sinto um arrepio quando ouço a palavra dita por ela...

 

Sala de espera cheia. Já eram quase 10 horas da manhã.

Voltámos a entrar.

Dei o lanche da manhã à Alice.

Bolachas que eu faço para ela.

As conversas são como as cerejas...

Começámos a falar sobre comida. E comida é um dos meus temas preferidos.

A Alice adormeceu ao meu colo.

Saí do consultório. Quase às 12h.

 

Gostei bastante do médico. Foi muito simpático.

Tratou-nos bem. Ouviu-me. Deu-lhe atenção.

Pareceu-me muito competente...

....quase, quase a respirar de alívio...falta o quase.

 

caderneta de cromos #2

15.03.18, Joana Marques

O Sporting.

 

Antes de ser cidadã portuguesa. Fui sócia do Sporting.

Passadas umas horas de ter nascido o meu pai inscreveu-me como sócia.

Tal como tinha feito com os meus irmãos.

Tal como o pai dele o tinha feito com ele e com os meus tios.

Ser do Sporting na minha família não é uma opção. Porque o Sporting está inscrito nos nossos  genes.

No nosso ADN.

No nosso sangue.

O meu bisavô paterno foi um dos fundadores do clube.

Não vou dizer quem foi, mas os nomes de todos estão neste post. O dele também lá está.

É uma tradição da minha família. Que espero passar à minha filha.

Não sei se me estou a sair bem. Para ela aceitar o Jubas....tive de o vestir de cor de rosa...

 

Para mim o Sporting é um assunto muito sério.

Visceral. Até.

E por ser tão sério. Consigo compreender. O que vai na cabeça de um adepto. Verdadeiro.

Nunca. Em tempo algum brinco com a clubite de ninguém.

Não há uma única pessoa neste mundo que tenha recebido uma mensagem minha porque o seu clube perdeu.

Porque quando alguém me faz isso a mim. Sofro horrores.

Já terminei amizades pelo Sporting.

Pessoas que confiava mas que à primeira derrota do meu clube acharam fixe desatar a dizer piadas.

Não me interpretem mal.

As pessoas podem dizer, escrever o que quiserem. Eu só não tenho de ser confrontada com isso.

Porque me faz sofrer mais do que a conta.

 

Ser do Sporting é ser diferente.

Todos os adeptos. De todos os clubes dizem isto. E é verdade.

Com a diferença, que nós somos mesmo diferentes.

Porque é fácil. Muito fácil. Ser adepto. De um clube que ganha.

Perder e continuar cá. Só para os mais duros. Só para nós.

É um amor que existe sem estimulo. É amor. Mesmo. Verdadeiro. Puro.

 

O Sporting. É um dos assuntos mais sérios da minha vida.

Se um dia destes, me encontrarem na rua. E o Sporting não tiver ganho.

Não falem do assunto.

Nesse dia, estarei destroçada. De coração partido. Fico sempre...

 

Mas se por outro lado...tiver ganho.

....provavelmente estarei sem voz.....e vestida de verde....

 

Este é o meu segundo cromo.

Podem ver o primeiro. Aqui.

a liberdade

15.03.18, Joana Marques

Durante muito tempo a minha vida profissional foi muito mais importante que a pessoal.

Porque simplesmente queria que fosse assim. A minha felicidade estava colada ao meu trabalho.

 

Quando comecei a trabalhar, aos 17, a minha vida pessoal era o meu grupo de amigos. 

A minha família, claro. Mas aos 17 anos, a família é um dado adquirido. E nem sempre lhe damos o valor que merece.

Aliás, mal consegui, saí de casa. Aluguei o meu espaço. Paredes-meias com o Estádio José de Alvalade.

Tinha um namorado que nunca me encheu as medidas.

Um pouco mais velho do que eu. Tinha pressa em casar e ter filhos.

Uma relação que durou quase 7 anos. E que não sobreviveu a um ultimato:

- Ou casamos e vamos para Inglaterra. Ou acaba tudo.

Acabou. Para grande alívio meu.

Queria era viajar. Correr mundo. Trabalhar. Porque gostava muito do meu trabalho.

Tinha o curso para terminar. Sem nunca me entusiasmar, tinha prometido aos meus pais. E cumpri.

 

Os anos foram passando.

E a minha vida. Era a profissional.

Porque queria que fosse. Porque adorava o meu trabalho.

Já com a licenciatura. Diziam-me para deixar de ser hospedeira. Tentar a sorte no curso que tinha tirado.

Ser da minha família, é ter negócios. E a probabilidade de termos um, é grande.

Foi assim que para além de ser hospedeira, aprendi a ser gestora. Num negócio de família.

Pela mão do meu tio José e do meu primo António.

Só no terreno é que aprendemos. E eu agarrei a oportunidade e aprendi muito.

Estava preparada para dar o salto.

A minha vida pessoal estava mais ou menos igual. Muitas viagens. Os meus amigos. A minha família.

Por esta altura, apaixonei-me.

E ele por mim.

Eu era do Sporting. Ele era do Sporting. Perfeito. Simplesmente, perfeito.

 

A vida pessoal começou a ganhar muito mais sentido.

Dei o salto. A nível profissional. Por algo mais estável. Mais consistente. E com horários mais civilizados.

Continuei a viajar. 

Foi uma fase boa.

Finalmente, tinha uma vida equilibrada.

50/50.

Começou-se a falar em filhos. Era o passo mais lógico. Mas...

Por alguma razão adiei. Não me apeteceu. Não quis.

A relação terminou.

 

Cheguei aos dias de hoje.

Sozinha. Amorosamente, falando.

Mas com a minha vida, claramente a pender cada vez menos para o profissional.

É óbvio que tenho de trabalhar. Porque não me saiu o euromilhões.

Mas o que me faz feliz mesmo...é o resto.

Não é que a minha profissão não me desafie diariamente.

Desafia, como antigamente. Neste momento, até mais. Mas encontrei algo melhor. No tempo certo. No presente.

 

Não sei se é da idade. Maturidade. Ou disponibilidade.

Tem graça. Alguma graça. Muita graça.

Muita ironia. Também...

A Joana. A super profissional, Joana. 

Se esteja a transformar na mulher. Joana. Não super, mas esforçada.

Todos os dias valorizo mais o tempo que passo com os meus.

O tempo livre.

Os passatempos. Os hobbies.

A liberdade.

 

Quando fecho a porta do escritório.

Abrem-se as portas. Da liberdade.

E deixo o meu coração. Viver. Como nunca viveu.

 

bazinga...

14.03.18, Joana Marques

Ano 2000.

Aquele ano especial.

Para quem nasceu na década de 80...olhava para o ano 2000 como aquele ano mítico.

No nosso imaginário pairavam naves espaciais e extra terrestres. Idas à lua como quem vai para Cacilhas.

E a Marte. Como quem vai ao Porto em dia de derby.

Alguns achavam que o mundo ia acabar. Não acabou.

Extra terrestres nem vê-los. E idas à lua?

Nada. Ficou tudo igual a 1999.

 

Eu. Estava há menos de dois anos a trabalhar.

Tinha um namorado chamado Marc. Há dois anos.

Tinha uma sobrinha, a Madalena. E a minha irmã estava super grávida. Em Março.

Outra menina. Beatriz.

Tinha feito 3 ecografias. Em 3 centros diferentes. E estava mais do que visto. Menina.

Lembro-me da minha irmã ter dito:

- Gostávamos que fosse um rapaz mas o que interessa é que nasça com saúde. E sempre podemos tentar o rapaz daqui a uns tempos.

- Pelo menos não tens de comprar muita coisa. Podes aproveitar tudo da Madalena.

Sempre tive um lado prático desde muito cedo. Que anda de braço dado com o lado sovina.

 

Terça feira.

14 de Março. Ano 2000.

Fiz uma viagem. Para Madrid. Em trabalho.

Troquei com alguns colegas para poder passar uns dias de férias em Madrid.

Andava exausta. Tinha terminado a época de exames na faculdade. E com o trabalho. Tinha um nó, no lugar do cérebro.

Quando cheguei a Madrid. E depois de despachar. Tudo o que tinha a despachar.

Depois de apanhar um táxi. E chegar ao hotel.

Lembrei-me que tinha telemóvel. Na altura, não serviam para grande coisa.

Tinha uma mensagem do meu pai.

Pela hora. Tinha-a recebido ainda estava em Lisboa. Não tinha visto.

Dizia:

- Já nasceu. Liga quando puderes.

Liguei.

Respondeu-me o meu pai. Bem disposto.

- Já nasceu. Mas não é uma rapariga.

- Ó credo! É hermafrodita???

Se fosse a minha mãe tinha-me deserdado. Como foi o meu pai. Fartou-se de rir.

- Não. É só um rapaz..chama-se Pedro. Nem sabes o stress. A Sofia só tinha roupa rosa para lhe vestir. Tivemos de ir à pressa comprar-lhe roupa e chupeta. Era chato estar vestido de cor de rosa nas primeiras fotos.

 

Já não quis saber das férias. Quis voltar. E depressa.

Corri até ao aeroporto. E lá arranjei maneira de voltar.

Consegui.

 

O Pedro. É meu sobrinho.

De todos nós. É o mais brilhante. Nitidamente sai à família do pai. Nós por aqui somos todos medianos...

Desde pequeno que se interessa por tudo e mais alguma coisa. Sabe tudo. Tudo!

Entrou para a faculdade este ano, na primeira opção, num curso com média proibitiva.

É mesmo um orgulho grande. Poder privar com ele. Conversar. E aprender.

 

Já não se fazem cromos como antigamente.

Daqueles. Com acne. Que se fecham no quarto. E bloqueiam sempre que têm de falar com uma rapariga.

O Pedro gosta muito de cinema, ténis. E claro, do Sporting.

Tem viajado. Bastante. Tendo em conta que tem 18 anos.

Gosta de tocar guitarra.

É o padrinho da Alice. Que o adora. E lhe pede música sempre que o vê.

 

Hoje a festa é aqui em casa.

Para não alterar muito as rotinas da Alice.

 

Pedro.

Infelizmente não vou cozinhar a tua comida preferida. Lasanha.

Vamos ter de ficar por uma pescada cozida com brócolos.

Sabes como é a tua tia.

Comer saudável até nos dias de festa.

 

Lamento.

Será pescada. Pedro. Pescada com brócolos.

 

bazinga...

 

o dia da constante

14.03.18, Joana Marques

14 de Março de 1879. Nasceu Einstein.

14 de Março de 1997. Lançamento do livro "O mundo assombrado pelos demónios" de Carl Sagan.

14 de Março de 2018. Morreu Stephen Hawking.

 

Um dia que dá e tira.

Deve ser por isso que é considerado irracional. A constante mais famosa do mundo.

Aquele 3,14159....que nunca mais acaba.

Hoje é dia do π.

Para vocês. Para todos vocês. Um dia extremamente irracional.

A vida sem loucura...é demasiado constante! E circular....