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Kiosk da Joana

Kiosk da Joana

o ritual da Alice. O ritual do Vasco....

30.04.18, Joana Marques

A Alice é mais ou menos um relógio suíço. Dos bons.

Acorda mais ou menos, à mesma hora.Todos os dias.

Mais minuto menos minuto. Alice dá o ar de sua graça bem disposta.

 

Por esta altura.

O Pedro está a tomar banho.

 

E ela....

....antes de mais nada...

...pede para eu a tirar da cama e pôr no chão.

Vai a andar. Ou a gatinhar. Conforme lhe dá jeito.

E para à porta da casa de banho.

É sempre acompanhada pelo Vasco.

Ficam os dois à conversa.

- Bla bla bla....

- Uff. Uff. Uff.

 

Esperam pelo Pedro.

Se o Pedro se apercebe e responde de dentro da casa de banho.

Os dois. Fazem uma festa.

Quando o Pedro sai. Ela ri-se. E vem ter comigo. Para lhe mudar a fralda.

 

O Vasco.

Vai para a cozinha....posicionar-se.

Antes que a hora do pequeno almoço lhe escape...

...e isso. Seria imperdoável. Para um cão...

...como o Vasco.

Tem uma reputação a manter. E a hora das refeições é uma excelente hora para dar o golpe.

 

Estes dois.

Mais o Pedro.

Os 3. O ritual da Joana.

não queremos o Vasco no comando...

30.04.18, Joana Marques

Uma pessoa é pedida em casamento.

Os momentos seguintes. Pura felicidade.

As horas seguintes. Espetaculares.

E no dia seguinte...

....acordei.

 

Contei a toda a gente. E...

- Em Junho? Não vais ter tempo.....

- Estão loucos? Como é possível?

- O vestido? Achas que num mês consegues um vestido?

- Alianças. Não se esqueçam das alianças.

- Os convites?

- O cabeleireiro?

- O fato do Pedro? Vais deixar isso por conta dele?

- Onde vai ser? Não vais conseguir quinta.

- Flores! Não te esqueças das flores...

- Bouquet? Já sabes onde vai encomendar o bouquet..

- Queres os meus contactos?

- Quantos convidados?

- Já escolheste o catering?

- Lua de mel. Lua de mel. Onde é que vai ser a lua de mel??

 

E...

...comigo. Nada se passa. Tudo sem stress. Ou não fosse dona do Vasco.

E sim. 16 de Junho vai ser um dia inesquecível.

 

Nunca organizei nenhum casamento. E sempre fugi a 7 pés de quem organizou.

Não sei muito bem porquê. Fica toda a gente com os nervos à flor da pele.

Consultei um site. Sobre o assunto. E percebi que não dava para mim.

Porque aconselhava a começar 12 meses antes a organização da boda.

Talvez numa próxima reencarnação. Nesta não vai dar.

 

Comecei por pedir ao Pedro para fazer a lista de convidados.

O homem apresentou-me. Uma lista com 8 pessoas.

Nem lhe disse nada. Telefonei à mãe dele. E encomendei uma lista de gente.

Já a tenho.

A minha lista também já está feita. Fiz eu. Passei-a à minha mãe. Que a atualizou.

Fechado. Não entra. Nem sai. Ninguém.

 

Vamos casar no Alentejo. E por isso não me tenho de preocupar com a quinta.

Vou casar em casa. Praticamente.

A organização. Está a cargo de uma amiga da minha mãe. Toda a vida organizou casamentos. Entretanto reformou-se mas ainda faz um ou dois por ano. Pedinchei tanto que ela disse que sim.

Catering. Flores. E decoração do espaço é com ela.

Já reuni com ela. E já lhe disse o que queria. Isaurinha no comando!

Eu e o Pedro também já escolhemos o bolo de noiva. Depois de termos enfardado uma tonelada e meia de bolos decidimos escolher um bolo de chocolate com recheio de frutos vermelhos.

Fechado. Não se fala mais nisso.

 

O vestido.

Na semana passada quando estive no Alentejo. Trouxe o vestido de noiva da minha avó Maria.

Está um bocado danificado. Mas vou conseguir aproveitar alguma coisa. Para pôr no meu.

O vestido será feito por uma amiga da minha mãe. Também reformada. Que toda a vida trabalhou neste oficio.

Pedinchei. Que me fartei. E ela acedeu. Foi ela que me disse que conseguia aproveitar uma parte do vestido da minha avó.

Já tirei medidas. Já escolhi o modelo. Siga...

Maria da Piedade no comando!

Se optar por levar véu. Ainda não sei. Vou levar o da minha mãe. Que já casou a minha mãe. A minha irmã. E a minha cunhada.

Sapatos. Tenho.

Parece-me má política estrear sapatos no dia do casamento.

Tenho uns sapatos altos. E confortáveis. Que eu vou calçar no dia. E vou ser muito feliz com eles.

O bouquet. Gostava muito que fosse feito com as flores que tenho no Alentejo. Mas...

....antes que falhe encomendei um suplente.

Para a semana vou com Pedro comprar o fato dele.

Eu até confio nele de forma desconfiada. Mas já fui a muito casamento em que o noivo parecia um carro funerário em andamento...e não queremos isso dia 16 de Junho.

 

 

Alianças.

Eu e o Pedro já escolhemos as alianças. Aqui numa ourivesaria em Cascais. Feito.

A menina das alianças vai ser a Alice. E a minha sobrinha Carlota.

É mais velha e vai ajuda-la a não cair a caminho do altar.

Alice e Carlota no comando!

Fechado.

 

 

Padrinhos.

Eu infelizmente já não tenho padrinhos.

Escolhi o meu irmão e a minha irmã.

Tanto um como o outro têm casamentos felizes.

Ainda que o meu irmão partilhe a vida com uma benfiquista. Uma provação para a vida toda.

Estarei bem acompanhada por eles. E tenho a certeza que poderei contar com eles para tudo.

O Pedro ainda tem madrinha de batismo. Que eu já conheci.

E convidou para padrinho, o José. O melhor amigo dele.

Sofia, Tiago, Manuela e José no comando!

 

Os convites estão a cargo da minha sobrinha Madalena. É designer. Embora a área dela não tenha nada a ver com esta. Achei que devia arriscar na miúda.

Fiz uma aguarela que a Madalena passou para os convites.

Já me mostrou o resultado. Estão lindos.

Diz que gostou da experiência.

A miúda poderá incluir este trabalho no currículo dela.

Só vantagens.

Madalena no comando!

Done.

 

O cabeleireiro. Escolhi o meu cabeleireiro de sempre. O Zé.

Já o reservei para esse dia.

Zé no comando!

Feito.

 

Lua de mel.

O Pedro vai ter uns dias de licença. Yes!

Escolhemos Cabo-Verde. 4 dias.

Pedro e Joana no comando!

 

E depois, juntamos-nos com Alice e Vasco. No Alentejo. Os restantes dias.

Pedro, Joana, Alice e Vasco no comando!

 

E pronto.

Organizado.

Estou a esquecer-me de alguma coisa?

 

Claro que estou!

16 de Junho. Vasco. Fora do alcance do casamento.

Não queremos o Vasco no comando!

instagram. Nova conta...

29.04.18, Joana Marques

Redes sociais. Sou a mais lerda das pessoas.

Mas...

....percebi que dão jeito quando temos um blog.

 

Comecei por criar a página de facebook. Do blog.

Acrescentei-lhe o grupo Handmade Life.

E juntei-lhes o instagram.

 

Comecei por ter uma conta do blog.

Quando o blog começou a ser escrito, também pela Ana, comecei a usar a conta de forma mais pessoal.

Até lhe mudei o nome.

 

Depois...

...depois desativei a conta. Mas...

....com a perna partida e a varicela. Muito tempo. Nada para fazer. Comecei a passear-me outra vez por lá.

E em Janeiro quando quis começar a fotografar. Foi essa conta que fiz para ir mostrando as fotos.

Como não quero estar a misturar o blog e o desafio de fotografia.

Fiz outra conta.

Para o blog.

 

É esta: quiosque-handmadelife. (@quiosquehandmadelife)

Espero que gostem.

E espero ver-vos por lá....

 

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tal pai. Tal filho...

28.04.18, Joana Marques

Fui acordada às 5h30. Pelo cão. Claro!

O Pedro. Deve ter percebido. E para prevenir a minha fuga...

Pôs um braço à volta da minha barriga e eu fiquei sem conseguir sair dali.

Depois de várias tentativas. Lá fui à minha vida.

Começo a sentir bicho carpinteiro e não consigo estar muito tempo sem fazer nada...

 

O cão aproveitou a folga na cama para se deitar.

- Quem foi ao ar perdeu o lugar....

Assim é o lema deste cão.

 

Comi qualquer coisa. E ...

....disse ao Pedro.

- Vou correr. Ficas com a Alice.

Ele respondeu qualquer coisa. O cão resmungou qualquer coisa...

Eu corri. 10 km. Em menos de uma hora. Um novo recorde, desde que parti a perna.

Voltei.

O cão dormia. O Pedro dormia. E a Alice dormia.

Tomei o pequeno almoço. Com toda a calma.

A Alice acordou.

Dei-lhe o pequeno almoço. E dediquei-me a ela de corpo e alma.

Vi de relance. O cão a passar para a cozinha. Fui ter com ele.

Será que queria ir dar uma volta à rua?

Não. Queria comer. Depressa. E voltar para o lugar de onde tinha saído.

Não deixei.

- Vais comigo dar uma volta e acabou-se.

Pus-lhe a trela à força.

 

Disse ao Pedro.

- Vou dar uma volta com a Alice e com o Vasco.

Mais uma vez, disse qualquer coisa, que não percebi.

 

Dei uma volta de uma hora.

O Vasco lá fez xixi e cocó. A Alice disse adeus a uma data de gente.

Estive com ela no parque infantil do condomínio.

E quando eram horas da sesta da manhã voltei.

Adormeceu.

E o Vasco voltou à casa de partida. A minha cama.

Onde está até agora. A partilhar cama, com o homem.

O Pedro trabalhou ontem 16 horas. É duro...

O Vasco não. Mas descansar o dia todo é muito cansativo...toda a gente sabe isso!

 

Já lá fui várias vezes. Para ver se respiravam. Se estavam vivos.

Estão....

....vivos. Yeah!

 

Tal pai. Tal filho.

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conheçam a Conceição. E o seu espaço...

28.04.18, Joana Marques

Desde muito nova que a Conceição tem uma grande paixão pela costura.

Começou a apreender aos 12 anos.

Foi por essa altura que os pais lhe compraram uma máquina de costura.

Que ainda hoje usa.

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Continuou o seu percurso.

Nunca deixando de costurar.

Fazendo roupa para a sua família.

 

Trabalhou numa fábrica de calçado.

Esteve lá 32 anos.

 

A fábrica fechou recentemente.

E Conceição abraçou o hobby que a acompanha há muitos anos de forma mais séria.

Continuou a fazer roupa mas com uma ferramenta poderosa como é a Internet.

Começou a aprender mais.

Novas peças.

Novas técnicas.

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Juntou-lhes o tricot e o crochet. 

E assim nasceu o espaço do bebé.

Um espaço dedicado aos mais pequenos.

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Podem seguir o trabalho da Conceição nesta página de Facebook.

 

Têm ou conhecem algum projeto. Querem vê-lo divulgado? enviem um email

para: joanatmarqueshr@sapo.pt

 

Esta divulgação é totalmente gratuita!!

Gosto de boas ideias e quero divulga-las!!

 

Não se esqueçam de acompanhar o nosso grupo  handmade life  no facebook!

E, já agora sigam, o instagram Quiosque handmade life.

Partilhem os vossos trabalhos: #quiosquehandmadelife

 

 Nesta rubrica do Quiosque:

conheçam. A Cutchi

conheçam. A Feltros Linhas e Cia

conheçam. A Marta e o seu projeto.

conheçam. Beijos de Algodão.

conheçam. A claudycostura.

Jasmim.

Arte D'Alma

B.Log

4 anos de Vasco! Terceira história...

27.04.18, Joana Marques

Já tinha feito um ano. Parece-me.

E tinha um apetite voraz...

Cheguei a casa pelas 17. Tinha saído pelas 6 horas da manhã.

Andava com muito trabalho. E tinha tido reuniões o dia todo. Nem tinha tido tempo para almoçar.

Estava esfomeada.

 

Mal cheguei a casa. Tentei leva-lo à rua.

Para despachar o cão. E poder vestir uma roupa mais confortável.

Não quis.

Mantive a roupa  de trabalho. Um vestido de linho. Claro.

 

Vesti um avental. E comecei a preparar o jantar. Frango guisado com ervilhas.

Já tinha o frango cortado em bocadinhos pequeninos.

Foi só juntar o tomate, azeite, enfim...tudo o que faz um guisado.

Por fim. Quando já tinha tudo dentro da panela. Tapei-a.

E fui fazer outra coisa qualquer.

O Vasco andava a rondar.

Como sempre.

Nem liguei.

Estava no terraço. Ouvi um estrondo. Seguido de um guincho.

Não queria acreditar.

O Vasco.

Tinha assaltado a panela do guisado.

E tinha-se atirado ao fogão. Ligado.

A panela desequilibrou-se e caiu para cima dele.

A panela.

As ervilhas.

O frango.

Tudo!

 

Entrei em pânico.

Peguei no cão.

Na minha mala e desci feita louca as escadas do prédio.

O cão gania.

Coloquei-o dentro do carro.

E só parei no veterinário.

O cão ia num sofrimento. Não sabia se seria pela queimadura. Se por ter percebido que ia para o veterinário.

 

Entrei no veterinário.

Com um cão ao colo.

Cheio de ervilhas e frango.

Com um vestido cheio de nhanha guisada.

Modo: "caí no caldeirão da carochinha e não sou o João Ratão"

 

O veterinário do Vasco. Que conhece todas as manhas dele estava a operar um outro bicho indefeso.

Fomos socorridos por uma veterinária. Muito querida. Chamada Rita. Mas que desconhecia que o cão é hipocondríaco.

A Rita tocava no nariz. O cão gania.

A Rita tocava na pata traseira. O cão gania.

E fazia xixi.

A Rita tocava na barriga. O cão gania.

A Rita tocava no armário dos medicamentos. O cão gania.

A Rita falava ao telefone. O cão gania.

 

Depois de ter escrutinado, o cão, centímetro a centímetro. Veio o diagnóstico da Rita.

- Tem uma queimadura ligeira no nariz. Nada de mais. Deve ter ficado assustado....também.

Deu-me uma pomadinha para ir pondo no nariz.

- Se te esqueceres de pôr não tem importância, a queimadura é tão ligeira que daqui a dois dias já nem se nota.

E deu-me uns comprimidos.

- Hoje à noite dá-lhe um. Para o acalmar. Como vai ficar sozinho. Ainda se passa.

 

Voltei para casa.

Ainda em modo. Mogli, o menino da selva.

A deixar ervilhas por onde passava.

 

À noite. Dei-lhe o comprimido.

Coloquei a caixa e a pomada em cima de uma prateleira na cozinha.

Fui-me deitar.

 

No outro dia de manhã. Estranhei.

O meu despertador. Não me acordou.

Levantei-me.

O cão. Estava. Estendido na cozinha.

Quase morri.

Olhei para a prateleira. A caixa de comprimidos tinha desaparecido.

Desaparecido mesmo. Ele comeu os comprimidos. A caixa. E a bula. Tudo..

Limpinho. Limpinho.

Peguei no cão.

Veterinário.

Perdi 10 anos de vida. Com a preocupação. Mas chegámos a tempo.

Este Vasco. É um cão.

Com 7 vidas como os gatos...

 

 

 

4 anos de Vasco. Segunda história...

27.04.18, Joana Marques

O Vasco ainda não tinha dois anos.

 

Uma amiga minha tem uma casa no Funchal e aproveitei para lá ir passar uns dias.

Uns dias antes encontrei-me com ela em Lisboa. Entregou-me a chave.

E eu preparei-me para uns dias de descanso absoluto.

O Vasco foi comigo. Grande erro.

 

Aproveitei para caminhar.

Subi ruas. Desci ruas.

Às vezes com o Vasco.

Outras vezes sozinha.

 

Um certo domingo.

Num dos passeios. Passei à porta de uma igreja.

Estava a decorrer a missa.

Estava tão cheia a igreja que muita gente estava à porta porque não tinha conseguido entrar.

Passei com o Vasco.

As ruas estavam engalanadas. Havia festa.

E uns escuteiros tinham uma banca. Para quando a missa terminasse vender qualquer coisa. Bolos, provavelmente. E, mais tarde, percebi que também estavam a vender calendários.

 

No regresso.

A missa já tinha terminado.

Estava uma imensidão de gente

O Vasco ia pela trela. Mas ao passar pelas pessoas. Sem querer. A trela foi-se.

Não fiquei muito preocupada. Porque o cão consegue encontrar-me até na lua.

Olhei para ver se o via. E decidi subir a um murinho para ver melhor..

Quando estava para subir o muro ouço alguém dizer:

- Ah! Ah! Estás a ver ali aquele cão a assaltar os escuteiros??

 

Toda a minha vida passou diante dos meus olhos.

Podia ter fugido.

Para o continente.

E deixa-lo lá. Na ilha.

Alberto João Jardim que tomasse conta da ocorrência.

Que resolvesse o pepino....

 

Mas não....

....fui ter com os escuteiros. Paguei quase 50€ de bolos.

E comprei calendários. Para compensar de alguma forma as pobres almas, assaltadas.

Naquele ano. Todos. Da família Marques receberam um calendário, no Natal.

Cortesia de Vasco Marques.

 

 

4 anos de Vasco. Primeira história...

27.04.18, Joana Marques

O melhor de ter um cão.

Pensava eu.

Nunca mais ia correr sozinha. E podia explorar sítios diferentes.

Como a Serra de Sintra, por exemplo.

Normalmente ia correr ou fazer caminhadas com o meu irmão e os amigos.

Mas um dia decidi ir com o Vasco.

 

Devia ter pouco mais de um ano.

Saímos por volta das 11h da manhã. Porque tive muita dificuldade em convence-lo a sair de casa.

Casa. Cama. Comida. Boa vida. O que mais pode um cão querer.

Alternativa.

Vento. Frio da Serra. Subir. Descer. Cansaço. E a dona maluca.

Parece-me fácil e óbvia a escolha.

 

Em casa tinha preparado a caminhada.

Conhecia bastante bem o percurso.

Já tinha feito um idêntico com o meu irmão.

O Vasco ia sem trela.

Afastava-se. Voltava.

Deixei-o ir à vontade.

Batizava com xixi. Esta árvore. Porque sim.

E a seguinte. Também.

Esta não. Mas a outra à frente, sim!

E lá íamos nós na nossa vida.

Nem vivalma. Nada. Ninguém.

Afastou-se.

Eu continuei.

Nunca foi um cão de fugir. Gostava de explorar os locais mas voltava sempre.

Demorou-se mais do que a conta.

Comecei a olhar em volta.

Assobiei.

Nada.

Chamei-o. Respondeu-me.

- Ó chata. Já vou.....

Continuei. Como obtive resposta. Não me preocupei.

De repente ouvi gente. Uma confusão. Pessoas a falar alto.

 

Passa por mim o Vasco a correr....

.......com uma espetada na boca...

Eu corri atrás dele. Antes que alguém me quisesse bater...

 

 

4 anos de Vasco!

27.04.18, Joana Marques

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O Vasco faz hoje anos. 4 anos.

Não vou voltar a contar a história de vida dele, porque já o fiz, o ano passado.

 

Este ano vai ser diferente.

Para comemorar este dia especial.

Ao longo do dia serão publicadas histórias sobre o Vasco. Nunca antes contadas...

Até lá. Podem olhar para foto. Vá-la....

Façam o favor de se derreterem....

 

Eu não posso!

 Posso...

....mas não devo.

 

Tanta fofura.

Provoca em mim.

Um enfraquecimento.

Perigoso.

Muito perigoso.

 

Não posso olhar. Não posso olhar. Não posso olhar. Não posso olhar.

Ou, vou acabar com o frigorífico vazio....

 

yesterday

26.04.18, Joana Marques

Ontem, foi um dia de emoções fortes.

Eu. Que habitualmente sou de lágrima fácil. Chorei o dia todo.

Quem me conhece não estranha.

Quem me conhece menos bem. Daqui a uns meses vai achar normal...

 

Chorei quando a Alice acordou e lhe dei os parabéns.

O Pedro também lhe deu os parabéns. E eu, chorei claro!

Depois de todas as rotinas matinais.

Vesti-a com um vestido branco que já tinha sido meu.

A diferença é que eu usei-o quando tinha 18 meses e a Alice tem 12.

Tentámos tirar-lhe fotografias. Não foi fácil. Temos umas 3 de jeito.

Tirei-lhe o vestido. Só o voltou a vestir para a festa.

E quando a estava a trocar. O Pedro apareceu para dizer qualquer coisa.

Saiu logo de seguida. Como não falou com ela. Ela disse:

- Olá...

Para o chamar.

Logo...num dia destes. A miúda diz a segunda palavra. Não sou de ferro...

 

 

O Pedro pegou na Alice e no Vasco. Foi dar uma volta com os dois. Para eu organizar o almoço.

Voltou. E logo de seguida chegaram os meus pais e os dele.

Os pais do Pedro ofereceram à Alice um urso gigante. Para não ser rejeitado por ela, a mãe do Pedro fez um laço rosa em tamanho xxl e coseu-a à orelha do urso.

O Vasco atirou-se ao urso e comeu-lhe o laço.

A Alice adorou o boneco.

Adora estar ao colo dele. Mais um concorrente para mim...

 

Almoçámos. Conversámos.

A minha mãe e a mãe do Pedro são praticamente as melhores amigas.

O meu pai, o Pedro e o pai do Pedro, também se entendem bem.

A Alice adormeceu.

Comecei a preparar o lanche.

 

Quando vi o bolo de super mulher no meio da mesa. Emocionei-me.

Ficava ali mesmo bem. Era mesmo aquele bolo.

As cores do bolo. Faziam um contraste muito giro com o resto.

Os convidados começaram a chegar. Eram mais de 50.

A Alice já tinha acordado. E passou-se com tanta prenda.

Eu também. Mas por razões diferentes.

Andou de colo em colo. E foi mimada até à medula.

O Vasco não andou de colo em colo mas andou de prato em prato.

Desapareceu, um salame de chocolate. De uma mesa de apoio.

Eu não sou de intrigas mas parece-me que é capaz de ter sido ele.

O cocó de hoje....

Com mil Slimanis...eram um mau cheiro do tamanho da Ásia...

 

 

Chorei quando se cantou os parabéns.

A Alice ainda não percebeu, claro!

Mas os olhos dela brilhavam por ver o ponto brilhante da vela no bolo de super mulher.

Fui eu que apaguei a vela. E ela atirou uma gargalhada quando a luzinha desapareceu.

Tão bom, vê-la a descobrir a vida...

 

Chorei. Chorei. E chorei.

Porque estava feliz.

Porque correu tudo bem.

Porque a Alice estava radiante.

Emocionei-me E emociono-me.

Porque percebo que ela foi muito bem aceite pela minha família e pelos meus amigos.

Pelos quiosquianos. Obrigada!

E recentemente, pelo Pedro e pelos pais do Pedro.

Emocionei-me. E emociono-me.

Porque estou rodeada de boas pessoas. Generosas. E de coração grande.

É muito mais fácil a nossa vida e a dos outros quando existe esta abertura por parte de todos.

A vida sem entraves parvos é muito mais leve.

 

No fim do dia. Quando toda a gente se foi embora.

O Pedro. Deu-me um copo com água e disse.

- Bebe. Os teus rins devem estar em sofrimento.

 

Imaginei os meus rins. Os dois.

Coitadinhos.

Desidratados.

E de boca seca.

Em pleno deserto do Saara.

Percorrendo o seu caminho em esforço.

Sem poderem chorar....porque os olhos levaram tudo. E tudo os olhos levaram...

Tive de chorar...

...a rir....

 

 

super. Alice

25.04.18, Joana Marques

Um dia. Espero. Lerás estas linhas que te vou escrever.

Hoje fazes um ano.

Eu. Tua mãe. Tenho a cabeça a mil.

Parei agora um bocadinho para escrever estas palavras.

Provavelmente sem sentido. Provavelmente meias parvas. E lamechas.

Assim, sou eu.

 

Se algum dia te perguntares porque raio não tiveste um bolo de aniversário igual ao das outras meninas.

A palavra que estás à procura. É:

Joana.

A frase que explica tudo, é:

A tua mãe, eu, voltou a ser Joana.

 

Confesso-te que demorei muito tempo a escolhe-lo.

Porque o primeiro bolo é muito importante.

Sabia que o queria fazer.

Porque cozinhar é um gesto de amor. E quero que o amor seja a palavra do dia.

Pensei num bolo simples. Barrado a cor de rosa. Com um topo de bolo comprado numa loja.

Ainda andei. Muito tempo, a achar que era mesmo isso.

Ficava bem na mesa.

Não te ia envergonhar quando tivesses 15 anos e visses as fotografias.

Muito politicamente correto. Pouco Joana.

 

Depois, achei que podia apanhar boleia. Do que se vê por aí.

E fazia um bolo Minnie.

Tens uma Minnie que gostas.

O bolo era fácil de fazer. O topo eram umas orelhas de rato. E podia pôr o teu nome.

Ah! E seria cor de rosa. Claro!

Desisti.

 

Depois, a minha cabeça virou-se para a Alice.

No país das maravilhas.

Quando estive em Dublin. Comprei uns cortadores de bolo.

E umas figuras para o enfeitar.

Estava decidido. O tema era Alice no país das maravilhas. E não se falava mais nisso.

Claro, que se fala mais nisso.

Não era perfeito. Para mim. Não encaixava.

 

Até que um dia destes olhei para ti.

E vi. O que és.

 

 

Lembrei-me do dia em que me ligaram.

14 de Dezembro.

A dizer que tu existias. Se eu te queria?

Isso é lá pergunta? Claro que te quis logo.

E sem te conhecer. Sem saber nada de ti. Apenas a idade.

Amei-te. Para sempre.

O meu coração desassossegou-se para sempre.

 

Lembrei-me do dia em que te fui buscar.

27 de Dezembro.

De te trazer ao meu colo. E de te abraçar durante toda a viagem.

De te falar ao ouvido.

E de nunca mais te largar.

 

Vem-me à memória. Os dias seguintes.

Não choravas. Não rias.

A expressão era sempre a mesma.

E depois. A felicidade de um dia teres resmungado qualquer coisa.

Teres chorado porque algo não estava bem.

E no dia seguinte. Esboçares um sorriso.

 

Alice. Tu és a Super Mulher.

A mulher maravilha.

A miúda que passou por mais provações no primeiro ano de vida. Que na maioria das vidas, comuns.

A miúda que não se deixou abater por isso.

E escolheu. Ser feliz.

Escolheu dançar pela vida fora. Dar beijinhos. E atirar sorrisos por onde passa.

Cuidado com os dentes. Às vezes mordes!

 

 

Por isso o teu bolo. Hoje.

É um bolo de super mulher.

Para, que nunca te esqueças. Do que és. Da tua essência.

 

Ao longo da vida, se alguém te disser o contrário, não acredites.

Segue em frente. Segue o que achas certo.

 

Se alguma vez duvidares de ti. Não duvides!

Pensa lá bem...

Tens o abraço mais quente que já me abraçou.

É a tua capa de super miúda. De super mulher.

Tu não precisas de querer ser um avião.

Porque tens a tua capa.

Ela vai te levar a qualquer lado onde queiras ir.

 

E quando a capa se virar do avesso.

Os braços que te foram buscar uma vez.

Vão estar onde quiseres que estejam.

Abertos.

Para te acolher. Para te endireitar a capa.

Porque é um privilégio. Uma sorte. O melhor da minha vida.

Ser tua mãe.

Super. Alice.

 

 

o pão de ló da avó Adélia

24.04.18, Joana Marques

Das melhores recordações que tenho de infância. Tirando, as férias passadas no Alentejo.

São, as festas de aniversário.

As minhas.

As dos meus irmãos.

E as dos meus primos.

Entram diretamente para o meu top de momentos preferidos.

 

Na altura não havia aqueles pavilhões com insufláveis, onde depositam as crianças.

E empresas que organizam tudo desde o bolo até aos palhaços.

As mães preparavam tudo. Nós faziamos o resto. E animação não faltava.

Dez meses antes de fazer anos, já andava a perguntar à minha mãe como é que iriam ser.

Respondia-me sempre que antes de mim, faziam anos, a minha irmã e o meu irmão.

E uma carrada de primos. E só depois eu.

Lá me ficava até ao mês seguinte.

 

A festa de anos era mais ou menos igual para todos nós.

O bolo de anos. De uma pastelaria próxima. Salame. Gelatina. Sandes. Bolo de iogurte. Mousse de chocolate. Miniaturas de bolos feitos pela minha mãe. Queques. Ah! E o pão de ló da avó Adélia.

 

Não havia tema da festa. Não se davam recordações aos convidados. Só aquelas que ficavam na nossa cabeça...

Era tudo mais simples.

Convidávamos os nossos amigos e familiares.

Recebíamos presentes.

Brincávamos. Muito. Normalmente com as prendas que tínhamos acabado de receber.

Se recebíamos um disco. Era essa a música oficial da festa.

E quando a aniversariante era eu. Estava mais histérica que nunca...e insuportável.

A vida era boa. Porque era simples.

 

Os anos foram passando.

As modas também.

Começaram a entrar novas receitas. Mas o pão de ló da avó Adélia nunca passou de moda.

Na mesa lá de casa. Qualquer que fosse a festa.

O pão de ló da avó Adélia nunca podia faltar.

O bolo mais despretensioso que já vi.

Com a receita mais fácil de decorar.

Com 3 ingredientes. 4 se contarmos o fermento.

 

A receita original é assim:

Ovos (os que quisermos) pesados inteirinhos com a casca.

Açúcar. (o mesmo peso dos ovos)

(A minha avó usava açúcar normal....branco...)

(Ao longo dos tempos fui reduzindo a quantidade de açúcar e neste momento uso para cada 300g de ovos, 80g de açúcar de coco)

Farinha de trigo. (metade do peso dos ovos)

Uma colher de chá de fermento.

Juntar o açúcar e os ovos.

E com a batedeira.

Bater como se a vitória do Sporting na taça de Portugal dependesse disto....(este é o primeiro segredo do bolo)

Arrumar a batedeira. (este é o segundo segredo do bolo)

Misturar a farinha aos poucos e com uma colher mexer suavemente.

Pôr no forno a uma temperatura média.

Fica sempre muito fofinho. E bonito.

Nunca falha este bolo.

 

Amanhã a Alice faz um ano.

Este é o bolo eleito para ser o bolo de anos.

Vais ser feito por mim.

Vai ser decorado. Por mim.

Quando tive de optar e escolher um bolo para os anos.

Achei que só podia ser este.

Pelas recordações boas.

Mas também porque é bom. E versátil.

Combina bem com vários tipos de coberturas e recheios.

Vou fazer outro para servir simples, às fatias.

 

É um bolo com glúten.

Ando a tentar chegar a uma versão sem glúten mas ainda não consegui.

E para amanhã. Não quis arriscar.

 

Tantas vezes vi a minha avó Adélia a fazer este bolo.

E tantas vezes o comemos.

Faz parte das minhas melhores memórias.

E por isso quando fiz o bolo de teste, para tudo correr bem amanhã, provei e gostei. Mais uma vez.

É claro que gostei. Pelas memória todas escritas neste bolo.

Não confiei. E pedi ao Pedro para provar.

Gostou. Confirmou muitas vezes. Para ter a certeza da resposta final....

Fiquei mais segura. Da escolha que fiz.

Se fizerem com açúcar branco. Ficará amarelinho da cor dos ovos.

Com açúcar de coco fica assim com uma cor diferente. Mas o sabor está lá todo. E a textura fofinha também.

Experimentem com um café. Uma delicia...o pão de ló da avó adélia!

 

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