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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

a gata. Calada que nem um rato!

12.04.18, Joana Marques

O Pedro fez noite e manhã. No hospital.

16 horas seguidas de trabalho.

 

Eu ia passar o dia fora. Tinha umas questões a tratar no Alentejo.

Deixei a Alice com os meus pais.

E fiz-me à estrada.

O Pedro ligou-me a meio da manhã.

A dizer que estava muito cansado. Mal terminasse ia para casa dormir.

Nem que fosse uma hora. Precisava mesmo. Muito mesmo.

Ainda sugeri que ficasse em Lisboa, em casa dele.

A minha casa, como vocês já deram conta, pode ser muito caótica.

O cão. Pode muito bem dar o ar de sua graça a qualquer momento.

O Pedro disse que não. Que ia para Cascais.

 

A relação entre o Pedro e o Vasco. Não existe.

O Vasco faz de conta que ele não existe.

Quando estou com o Pedro no sofá. O Vasco faz questão de se pôr entre nós os dois.

Normalmente a olhar para mim. Com olhos amorosos. E a dar com o rabo na cara do Pedro.

Se eu estiver sentada e quiser falar com o Pedro.

O Vasco está à frente. E eu nem o vejo.

Tenho de andar a desviar-me para poder comunicar. E o Pedro a mesma coisa.

Parecemos dois tontos. Até que um de nós desiste e senta-se na mesa de apoio em frente ao sofá.

Fica de costas viradas para a televisão.

E o Vasco sai do sofá e salta para o meu colo.

 

Aceita festas do Pedro. Sem grande fogo de artificio.

Acorda-me de manhã. Ignora o Pedro.

Se vamos passear. O Vasco claro. Tem de ir no meio de nós.

Mas...

....eu conheço este cão.

 

- Se ele precisar de ir à rua. Vai fazer um grande alarido. É melhor leva-lo porque não se vai calar. E não vais conseguir dormir.

- Está bem.

- Se o levares a passear. Só sais com ele com a trela posta. Olha que ele faz um ar de anjo mas só o apanhas na Serra de Sintra.

- Está descansada.

- Não deixes as chaves na porta. Ele rouba-as e esconde-as.

- Certo.

- Não deixes a varanda aberta mesmo que ele peça. Porque pode estar naqueles dias em que lhe apetece assustar as pessoas que passam na rua.

- Como assim?

- Finge-se de morto e quando elas passam, ladra ou uiva-lhes ao ouvido.

- Ah! Ah!

- Se estiveres na casa de banho. E quiseres privacidade total, fecha a porta à chave. Ele abre portas. E adora atirar com o cortinado da banheira cá para baixo.

- Eh! Eh!

- Também abre torneiras.

-

- Cuidado com o telemóvel. Já te avisei que ele adora pegar em telemóveis.

- Já sei.

- Se fores dormir e quiseres dormir como deve ser, não o feches em nenhuma assoalhada. Vai fazer uma barulheira que nem te passa pela cabeça. Deixa-o andar pela casa...o mais provável é adormecer no sofá.

- Ok!

- A última gaveta do frigorífico. A pequenina! É dele. Em casos extremos, aquece frango assado. Cuidado porque ele sabe abrir o micro-ondas. Vê bem se o micro-ondas está para trás para ele não lhe chegar.

- E essa gaveta só tem frango assado.

- Não. Mas tudo é que lá está é do Vasco. Também estão lá ossos grandes cozinhados, para quando preciso de umas boas horas de sossego.

- Ah!

- Os saquinhos para apanhar cocó estão dentro da caixa verde que está na bancada da cozinha.

- Eu sei.

- Pedro. Boa sorte!

- Ah! Ah! Vai correr bem...

 

O Pedro esteve o dia todo a dar consultas.

E por isso não o importunei com mensagens maçadores. Ainda o fazia perder mais tempo.

Não soube mais nada dele.

 

Cheguei do Alentejo.

Passei por casa dos meus pais. Para ir buscar a Alice.

Dei-lhe o lanche lá.

Adormeceu no carro.

Entrei em casa com a Alice ao colo.

Um silêncio. Sepulcral.

Deitei-a. E comecei à procura de gente viva nesta casa.

- Está cá alguém?

Nada....nem um ai.

A gata apareceu. Rondou-me as pernas. Fiz-lhe uma festa.

- Julieta viste alguém???

Entrei no quarto. E deparo-me com uma visão. Surreal.

O Pedro estava a dormir. Acompanhado.

Vasco encostadinho. Ao Pedro.

Pedro encostadinho. Ao Vasco.

PIOR!

O Pedro com o bracinho no Vasco.

Engoli em seco. E saí do quarto. Não quis estragar o clima romântico.

O amor está no ar.

 

Não sei que raio de orgia se passou aqui.

Mas....

.....uma coisa é certa.

O frango assado desapareceu. Todo!

 

A gata assistiu a tudo!

.....e está calada que nem um rato!

 

infantário. Sim? Ou não?

12.04.18, Joana Marques

Durante os primeiros oito meses de vida, a Alice andou de instituição em instituição.

Quando soube que a ia adotar achei que seria muito cruel coloca-la num infantário.

Quis que criasse laços comigo. E com a restante família.

Consegui isto porque neste momento tenho um horário de trabalho muito flexível. E os meus pais ficam com ela muitas vezes. Quase todos os dias.

Se não fosse isso. Não dava. Já estaria mesmo num infantário.

 

A adaptação da Alice correu muito melhor do que eu esperava.

Arrisco a dizer que a Alice é uma criança feliz.

Come bem. Dorme bem. Não é muito chorona mas tem os seus momentos. Como toda a gente...

É um bocado teimosa. Mais ou menos como eu.

É muito alegre. E afetuosa.

Conhece muito bem as pessoas que lhe são próximas. E reage de forma diferente aos que lhe são estranhos.

Em caso de aperto. Começa a chamar mamã, mamã...

É muito curiosa.

 

Convive com outras crianças. Quando vai ao parque infantil.

Tenho um parque infantil aqui no jardim do prédio que serve os prédios aqui à volta.

Mas também frequenta outros.

Convive com os filhos da minha prima Joaninha. 3 rapazes um pouco mais velhos que ela.

Acho graça. Vê-la a interagir com eles. É a mais nova mas sabe defender-se. Às vezes até demais.

Partilhar! Tento incutir-lhe. Sem cair em exageros. Também é importante lutar pelo que quer.

Educar é difícil. É o que é...

 

Ir para um infantário. É algo que tenho andado a ponderar.

Seria preferencialmente e na maioria dos dias, apenas de manhã. Ou à tarde.

Seria útil a meu ver. No processo de socialização com outras crianças. Para perceber que o mundo não é só ela.

Mas....

...tenho dúvidas. E questões.

 

  • Doenças.

Tirando este susto. E um, ou outro efeito provocado por algumas vacinas.

A Alice tem sido uma criança muito saudável. Nem um pingo no nariz.

Até o processo de dentição tem sido pacífico.

Estar a pôr a miúda dentro de uma caixinha cheia de vírus.

Faz-me recuar. E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Alimentação.

Tendo sempre o aval do pediatra. E aconselhando-me com ele.

Tenho aplicado na Alice tudo o que tenho aprendido neste último ano. Nada de açúcar. Nada de processados.

A Alice não come papas. Daquelas de pacote.

Come sopa. Muita sopa. Fruta. E começa a comer sólidos. Aqueles 5 dentes...são uma verdadeira maravilha!

As refeições principais são dadas por mim. Ou pelo Pedro. Ou pelos meus pais.

Mas gosto que ela coma por ela. Por exemplo, os lanches da manhã e da tarde.

Suja tudo à volta. Suja-se toda também. Mas acho importante que ela pegue nos alimentos e aprenda a gostar...ou não.

Tudo sem pressas e sem pressões...

No infantário posso optar por lhe preparar a lancheira em casa e controlar o que come.

Mas aquelas festas de aniversário cheias de açúcar, sumos de pacote, gomas e outras coisas.

Fazem-me recuar.  E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Televisão.

A Alice por norma não vê televisão. Em casa não vê.

Já foi a casa de pessoas com televisões ligadas e sobreviveu...claro! Sem stress. E sem grandes alarmismos.

Mas...em casa, ainda não.

Não quero criar uma espectadora dependente do ruca (é o único desenho animado que conheço) para comer.

Ou para dormir. Ou para chantagear a pobre mãe.

A verdade é que gosto de passar tempo com ela a brincar e a interagir de outra maneira. Não vejo a hora de a pôr a desenhar. A jogar. A fazer actividades experimentais. Esse tempo chegará...

E sim, sou uma privilegiada porque tenho tempo para isso.

A flexibilidade no meu horário é uma benção.

É claro que não vai ser para sempre. Daqui a uns tempos liberalizo um bocadinho mal de nada a televisão.

Até porque existe alguma programação que considero educativa. Sempre com conta, peso e medida, assim eu consiga.

Nos infantários, abusam muito de filmes, televisão e outros acessórios??

Pensar nisso.  Faz-me recuar. E ter vontade de a ter comigo até aos 24 anos.

 

  • Música Infantil

A Alice adora música. Mas não sabe o que é música infantil.

Eu sei. Sou uma péssima mãe.

Egoísta. Até dizer não.

Mas pensar que vou ter de ouvir aquela música das bununus e lurunjus.

Dá vontade de me atirar para o chão e começar a chorar.

Já pensei no caso.

Quando ela for mais crescida. Ela escolhe uma música. E eu escolho a seguir.

E a coisa é mais ou menos democrática.

 

Eu sei que não a posso proteger para sempre.

O que é pena. Eu estou preparada para a ter debaixo da minha asa até aos 24....30 anos.

Cortar o cordão umbilical é muito difícil. Muito mais do que eu tinha imaginado.

 

Posto isto. A Alice vai fazer um ano daqui a uns dias.

Ando a pensar.

Sim? Arrisco e ponho-a num infantário.

Até aposto que a miúda ao fim de uma semana está adaptada. E eu ao fim de um ano ainda choro quando a deixo...

 

Não? Espero pelo menos mais 6 meses.

E a vida continua linda e maravilhosa. Eu controlo tudo. Tudo.

Excepto o cão....

 

Contem-me a vossa experiência. Por favor.

Pais e mães experientes.