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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

a rir-se. Desta família de loucos..

19.04.18, Joana Marques

A Julieta apareceu na minha vida. Desta forma.

Nitidamente tinha tido um dono ou uma dona antes.

Não sabemos se fugiu ou se foi abandonada.

Sabemos que estava doente.

O veterinário disse-me que provavelmente a tinham abandonado quando descobriram que estava doente.

Nunca o saberemos. Se foi assim ou não..

 

Não havia muito a fazer, segundo o veterinário.

Não quis que acabasse os últimos dias numa instituição para gatos.

Acolhi-a aqui em casa.

Deu-se bem por aqui. Pelo menos eu achei...

Sempre à distância. Sempre atenta.

Mal eu chegava a casa. Vinha ter comigo e andava de volta das minhas pernas.

Sempre que eu estava a trabalhar. Dormia no sofá mesmo em frente à secretária.

Gostava muito de festas. Na cabeça.

Às vezes. Só quando lhe apetecia. Pedia colo.

Roubava. Sempre que podia um biscoito ao Vasco. Nem era fome... era para lhe dizer:

- Cheguei agora, mas sou eu a Presidente da Junta...

Aproveitava. A competência do cão para abrir portas.

Era assim que de madrugada entrava no nosso quarto. E dormia. Aninhada.

Gostava de estar à janela.

De apanhar sol na mesa da sala.

 

A Alice bem olha. A ver se a vê sair de algum recanto.

O Vasco também já andou à procura dela. Antes que a mafarrica. Salte. Do nada. E lhe roube mais algum biscoito.

A Julieta deixou-nos hoje de manhã.

 

Está no céu dos gatos. A olhar cá para baixo.

A rir-se desta família de loucos...

...e a dizer..

- Com mil penáltis marcados! Safei-me de boa! Safei-me de boa!

 

E nós aqui...

-Pssst! Julieta! Julieta! Já temos saudades tuas! Já temos saudades tuas!

 

e assim começou mais um dia....

19.04.18, Joana Marques

A Alice adapta-se muito bem a novas situações.

É verdade que teve um início de vida difícil.

Penso que esta facilidade de adaptação, não terá só a ver com isso. Faz parte de ser criança.

Mas, independentemente de tudo. Conhece bem os que lhe são próximos.

É uma bebé muito simpática. Desde que esteja ao colo da mãe, da avó, avô, padrinho, etc.

Ou então que nos consiga ver.

Se os olhos dela não nos alcançarem. Puxa pelos pulmões.

E....

...põe um concerto de uma banda de metal no bolso.

 

 

Quando conheci o Pedro estava com a Alice.

Nas vezes seguintes não. Mas falámos sempre nela.

Avançar para um relacionamento inconsequente não fazia parte dos meus planos. Nunca fez. Nem antes da Alice.

Neste momento menos sentido fazia.

Falei com o Pedro sobre isso.

E quando resolvemos avançar. O Pedro disse-me que a Alice deixava de ser "minha" passava a ser "nossa".

Eu sou mãe de primeira viagem.

O Pedro é pai de primeira viagem.

Eu tenho alguma experiência em sobrinhos.

O Pedro nem isso. É filho único.

 

Estamos os dois a aprender.

Eu já levo algum avanço.

O Pedro chegou mais tarde. Mas...pouco importa.

A Alice estranhou o Pedro.

O Pedro não se intimidou com isso.

Deu-lhe tempo. Para se habituar à presença.

Deu-lhe colo.

Deu-lhe atenção.

 

Hoje de manhã, a Alice acordou. Com um sorriso enorme.

O Vasco estava comigo.

Tirei-a da cama e coloquei-a no chão.

Um ritual de todos os dias. Fazer uma festa ao cão.

Continuou a andar. Caiu. 

A gatinhar. Corredor fora.

Sempre a falar em alicês....

Foi ter com o Pedro ao quarto.

Um sorriso. Aberto. De um lado e do outro.

O Pedro pegou-lhe ao colo...

..... e assim começou mais um dia...