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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

palavra de Joana!

23.04.18, Joana Marques

Sofia e José

 

A minha irmã e o meu cunhado.

Conheceram-se desde sempre.

Tinha a minha irmã 14 anos. E ele 16 anos. Quando começaram a namorar.

Ele é filho de um dos melhores amigos do meu pai.

Nunca mais se largaram.

Um namoro muito discreto.

Estávamos no final dos anos 80.

A tendência progressista do pós 25 de Abril ainda não tinha chegado à minha família.

Melhor dizendo. À minha mãe.

Esconderam o namoro durante 6 anos.

Numa época sem telemóveis. Facebook. E essas coisas todas....

Durante um tempo viam-se na escola. De forma discreta.

É preciso ter cuidado! Nestas ocasiões há sempre uma invejosa que se faz amiga e vai diretamente apregoar na praça municipal que a Sofia namora com o Zé. Todo o cuidado é pouco!

A minha irmã contava com a cumplicidade da melhor amiga a Ana. E o Zé, com a cumplicidade do melhor amigo, o Nicolau.

Iam ao cinema. A minha irmã com a Ana. O Zé com o Nicolau.

E lá dentro. Trocavam de lugares.

Tanta troca de lugares.

A Ana casou com o Nicolau. E são felizes. Ser boa pessoa compensa quase sempre.

Quando o Zé tinha 22 anos. Faltava um ano para terminar a faculdade. Foi lá a casa.

A minha irmã já tinha preparado o meu pai. E sobretudo a minha mãe.

- Ah! O Zé, sabes, o filho mais novo do João e da Lina, vem cá.

E não disse mais nada. Estava vermelha que nem um tomate maduro.

O meu pai era menino para prolongar o sofrimento da minha irmã, mas não o fez. E percebeu do que se tratava.

O Zé lá apareceu. Teve a bênção dos meus pais.

Mas a partir daí. O cinema acabou praticamente. Ficavam lá em casa. Sob o olhar atento da minha mãe.

E não. Nas outras casas não era bem assim. Mas nas outras casas não vivia dona Mariana, senhora minha mãe.

Quando a minha irmã tinha 21 anos. O José voltou lá a casa. Pediu-a em casamento. Casaram um ano depois.

Continuam casados. Têm 3 filhos.

 

Rita e Tiago

A minha cunhada e o meu irmão.

Conheceram-se desde sempre.

A Rita teve sempre um fraquinho pelo meu irmão. O meu irmão não lhe ligou nenhuma durante muito tempo.

A Rita desistiu de esperar por ele e arranjou um namorado. Aos 15 anos.

Nesta altura o meu irmão começou a gostar da Rita. É mesmo de homem! Parvo!!

A Rita namorou com o outro até aos 17. O meu irmão teve uma outra namorada.

A Rita deixou o namorado. O meu irmão deixou a namorada no dia em que soube que a Rita estava sozinha.

Começaram a namorar. Passados 6 meses.

Toda a gente em Campo de Ourique sabia. Porque não esconderam de ninguém.

A minha mãe andava em pranto. Queria a oficialização da coisa.

A Rita era filha de um grande amigo do meu pai.

O meu irmão disse-lhe que não queria saber de formalidades. Namorava e depois logo se via.

A minha mãe andava horrorizada. Estamos a falar de anos 90.

O meu irmão esteve um tempo na Dinamarca a terminar o curso e a estagiar. A Rita esteve lá com ele durante uma parte desse tempo.

A minha mãe à beira de um AVC.

- Mãe é normal. Convém conhecer bem a pessoa, ela a mim e só depois casarmos. Para não terminar em divórcio.

Convenceu a minha mãe. Esta declaração. Que ficou mais calma durante um tempo.

Quando o meu irmão regressou. E organizou a vida profissional. Casaram.

Continuam casados. Têm 3 filhos.

 

Pedro e Joana

Quinta-feira

Uma pessoa. Eu. Vai a uma consulta com a filha.

Está à espera de um ser carrancudo. E mal humorado.

Mal o vê acha que se enganou no consultório.

Ele diz que não. Não me enganei. Estou no sítio certo.

A consulta dura quase 4 horas. E com algumas perguntas da parte dele um bocado para o pessoal.

 

Sexta-feira.

Uma pessoa. Eu. Recebe uma chamada. Dele. Do número pessoal.

A dizer que está tudo bem com a filha.

Passados aqueles primeiros segundos de pânico. Sem saber se está tudo bem ou não.

Apetece prolongar o telefonema até ao infinito. Mas a pessoa tem dignidade....e não o faz.

 

 

Segunda-feira.

Uma pessoa. Eu. Está em Angola. E recebe um telefonema. Dele.

Com um convite para jantar.

A pessoa. Eu. Diz que não pode. Está em Angola.

A pessoa. Ele. Acha que é uma desculpa.

A pessoa. Eu. Entra em pânico. E desata a dizer:

- Não é desculpa. Não é desculpa. Não é desculpa....estou em Angola....mesmo.

E passa o resto da tarde a enviar-lhe fotos para o telemóvel com locais Angolanos. Esteve para sair uma selfie com José Eduardo dos Santos...mas infelizmente não o consegui localizar.

 

Sexta-feira.

Uma pessoa. Eu.

E outra pessoa. Ele.

Almoçamos.

Uma pessoa. Eu. Não para de pensar.

- O que raio estou eu a fazer? Não penses e ouve o que ele está a dizer a uma determinada altura vais ter de responder e não dá jeito que ele pense que és burra. Concentra-te, Joana. Concentra-te, Joana. O que raio é que ele está a dizer, ó caneco....não sei o responder...sorri, Joana. Sorri....OMG!

Despediu-se com um semi abraço e dois beijinhos.

Disse-me ao ouvido:

- A partir de agora, sempre que aparecer o meu número no teu telemóvel, não penses em coisas más.

Ainda bem que eu estava encostada ao carro. Ou as pernas tinham-me falhado. Mais do que quando me esbardalhei à grande e à francesa....em Amesterdão...

 

Sábado.

Mandou-me flores. E trocámos mensagens.

 

Domingo.

Trocámos mensagens.

 

Segunda-feira

Trocámos mensagens.

 

Terça-feira

Praia das tartarugas.

 

Quarta-feira

Descompensou.

 

Quinta-feira

Fiz-lhe um ultimato.

Segundo ele, simplifiquei-lhe a vida. Diz ele, que ficou a saber que eu queria o mesmo que ele.

 

Sexta-feira

Começámos a namorar.

Falámos. E combinámos.

Vamos para Dublin, terça. E se tudo correr bem.

Quinta, quando regressarmos. Regressamos juntos.

Cá estamos. Ah! E sim...correu tudo bem em Dublin!

Da minha parte. Estou 100% certa do passo que dei.

Embora muita gente me diga o contrário.

Não é por mal. Eu sei...

A maioria quer o meu bem. E tem medo que eu me estampe na primeira curva.

Pensem...

Já me disseram isso:

- quando comecei a trabalhar aos 17.

- quando saí de casa aos 17.

- quando estudei e trabalhei.

- quando quis continuar a trabalhar no local onde era feliz e não abracei nenhum negócio de família.

- quando não me quis casar com o meu ex, aos 32/33. Porque era a altura certa.....segundo me diziam.

- quando não quis ter filhos por volta dessa idade. Também era a altura certa...

- quando não quis ir mais além com o rapaz do #rumoaoesquecimento, porque embirrei com os comentários que ele fazia às amigas no instagram.

- etc.

 

Eu sei que preferiam que eu fosse mais Sofia e José. Rita e Tiago.

Seria mais seguro. Mas não sou. Não somos.

Pedro e Joana. Joana e Pedro.

 


Sempre quis. Ser eu. A protagonista da minha vida.

Num guião escrito por mim. E não por outra pessoa.

Já falhei. E aprendi.

Já duvidei...mas no fim de contas. Nunca me arrependi.

 

Não stressem. Amigos.

Vai tudo correr bem.

Palavra de Joana!

 

 

sunshine blogger award. Fui nomeada!

22.04.18, Joana Marques

Sunshine-Blogger-Award.jpg

Fui nomeada pela Inês.

Do blog Desenhos & Desenhos.

Obrigada, Inês. Espero não desiludir!

 

O que mais valorizas numa pessoa?

Valorizo a sinceridade. E a transparência.

Saber com o que posso contar. Mesmo que não possa contar.

 

 

O que seria para ti um dia perfeito?

Hoje por exemplo foi um dia perfeito.

Estar com os meus. Alice. Pedro. E Vasco.

Se estivermos todos juntos. Com saúde. Está tudo bem.

 

O Sporting ganhou. Parecendo que não, isso também ajuda...

Ah! E o cão não roubou comida...a ninguém...

 

 

O que te deixa muito irritado(a)?

Não me irrito facilmente. A verdade é essa.

Sou um poço de calmaria.

Muita gente diz que tenho nervos de ferro.

Muitas situações que fazem irritar as pessoas, tipo o trânsito, o turismo, a política, etc.

Não me tiram um segundo de vida.

Não deixo que isso aconteça. Simplesmente porque não são merecedoras desse segundo.

Não quer dizer que não tenha opinião. Tenho. Claro!

Só não deixo que influenciem a minha vida.

 

Ah! Já sei...

....árbitros. Que "toquem". Nem que seja. Um niquinho. Mal de nada. No Sporting. Deixam-me f-u-r-i-o-s-a.

 

Se fosses uma bebida, qual serias?

Chá. Ginger.

Chá. É um bocadinho mal de nada, mais sofisticado do que a água.

Ginger. Porque pode fazer a diferença entre estar doente ou não. Eu gosto de pensar que para uma, ou outra pessoa, faço a diferença.

Ginger tea. Spicy. Na conta certa.

 

 

Em criança, o que querias ser quando fosses grande?

Em criança queria ser um avião.

 

Tens alguma fobia? Qual?

Não ando em elevadores.

A casa do Pedro é no nono andar.

E quando entro sozinha. Vou de escadas. Subo nove andares. E sou feliz.

Quando estou com ele.

Entro no elevador.

Porque tenho medo e tenho uma desculpa para ir abraçada a ele.

Ainda sou mais feliz...

 

O que mudavas em Portugal?

Algumas mentes.

Algumas pessoas ainda têm mentes muito fechadas. Em relação a assuntos que não faz sentido ter.

O mais assustador é que algumas dessas pessoas são mais novas do que eu.

Por acaso...em certas alturas deixa-me um bocado irritada...

 

 

Se fosses um animal, qual serias?

Gostava de ser uma peixinha. Chamada Joana.

Que um dia conheceu um caranguejo. Chamado Pedro.

E têm dois tourinhos. Alice e Vasco. Vasco e Alice.

 

Qual o teu filme preferido?

O meu filme preferido é "a vida é bela". Roberto Benigni.

É tão bom este filme. É bonito. É simples. É belo.

 

 

Qual o teu maior sonho?

Neste momento. É ir trilhando o meu caminho.

Bem acompanhada. (com o caranguejo e os tourinhos)

 

 

O que te motivou fazeres o blog?

O blog surgiu. De forma repentina. Num dia de férias.

Sem qualquer objetivo.

A achar que ia durar uma semana. Ou talvez 15 dias.

Sem qualquer expectativa. Fiz um mês.

Depois 6 meses.
Um ano.

 

E ainda cá estou. #rumoaosegundoano

Vamos ver se lá chego...

O facto do Quiosque existir, parece-me que tem mais a ver com as pessoas que o seguem, do que comigo.

Se não fossem elas, já tinha desistido há muito.

Ah! E o Vasco. Claro!

Sempre que eu acho que o blog vai acabar. O cão passa-se e faz qualquer coisa....e eu venho a correr contar...

 

 

Regras deste desafio:

* Agradecer à Blogger que te nomeou.
Já está!
 
* Responder às 11 perguntas que te foram dadas. 
Já está!
 
* Nomear 11 bloggers e fazer-lhes 11 perguntas. 
Está quase!
 
* Colocar as regras e incluir o logótipo do prémio no post. 
Já está!

 

As perguntas que quero fazer são!

 

1. Porque decidiste criar um blog?

2. Por aqui pelo Sapo, ou fora dele, que blog ou blogs gostas?

3. Se tivesses que escolher um personagem animado, qual serias? 

4. Qual a musica que melhor te define?

5. Que livro estás a ler neste momento?

6. Que viagem de sonho farias?

7. O que é que pode estragar um dia perfeito?

8. O que gostas de fazer nos teus tempos livres?

9. Imagina que tinhas de mudar de profissão, o que escolherias?

10. Sais de casa, o que é que não pode faltar dentro da tua mala?

11. Para ti, o que é o melhor do mundo?

 

As pessoas que quero nomear:

(se já tiverem sido nomeadas...tenham lá paciência....)

1. Cátia

2. Ana

3. Fátima

4. Bruxa Mimi

5. Mamã Tranquila

6. A desconhecida

7. Genny

8. Charneca em Flor

9. Happy

10. Samantha em Chamas

11. J.B.

 

Se por acaso troquei algum link. Por favor não me batam.......

....

e o cão abandonou o quarto....

22.04.18, Joana Marques

Tínhamos combinado.

Passar o fim de semana no Alentejo.

Hoje jantávamos cedo. O Pedro voltava para Lisboa.

Amanhã, começa a trabalhar às 8h. Terça também. E sai às 16h.

Eu, a Alice e o Vasco. Ficávamos. Por aqui.

Ele voltava na terça à tarde. E ficávamos por cá o feriado.

 

Eu dei a ideia.

Ficava na casa dele em Lisboa. Escusava de ir para Cascais e tudo.

Porque tenho medo de andar a sufocar o homem. Uma pessoa ouve e vê tanta coisa.

Os homens que descompensam quando se fala num relacionamento sério.

Os homens que descompensam quando se fala em casamento.

Os homens que descompensam quando se fala em filhos.

Os homens que descompensam quando as namoradas apanham o bouquet.

Os homens que descompensam e começam a conviver demasiado nas redes sociais...

...enfim, podia continuar por aqui fora....

O Pedro descompensou no dia em que me viu semi-despida. E foi só....

Parece-me pouco...

.....achei que lhe devia dar espaço. E tempo.

 

Ele não gostou da ideia desde o principio.

- E ficas sozinha? E sem carro?

- Não te preocupes se eu precisar a Aurora e o Luís emprestam-me um carro.

A Aurora e o Luís são os meus vizinhos do lado, aqui no Alentejo.

O homem lá se convenceu.

Mas....

.....um dia em casa dos meus pais. Quis tirar tudo a limpo com o meu pai.

E o meu pai respondeu-lhe da mesma forma...

- Qualquer coisa que a Joana precise a Aurora e o Luís ajudam-na. Vai descansado.

 

Eu dei a ideia. Sim.

Mas.....

.....os dias foram passando. E comecei a achar, a ideia mais estúpida do mundo.

A pior ideia do mundo. Saiu da minha cabeça. Inacreditável.

 

Dois dias sem o homem....

Como é que eu.

Joana Marques. 37 anos.

Tive a pior ideia do mundo.

 

Como é que eu.

Joana Marques. 37 anos.

Tive a pior ideia do mundo.

E disse-a em voz alta. Ao Pedro.

 

Como é que eu.

Joana Marques. 37 anos.

Tive a pior ideia do mundo.

E disse-a em voz alta. Ao Pedro.

E agora estava sem coragem de dizer...ah! e tal...afinal voltamos todos para Cascais.

Não quero saber da tua liberdade para nada.

Sufoca aí, seu desgraçado.

Quero estar ao pé de ti e nunca mais te largar na vida....

Para uma mulher como eu é duro.....ou melhor, para a mulher que sempre fui mas que pelos vistos matei...seria duro.

 

 

Alentejo.

5h da manhã!

Não conseguia dormir. Porque a ideia do homem voltar para Lisboa sozinho. Estava-me a matar aos poucos.

 

Ouço:

- Estás acordada?

- Estou. E tu?

- Acabei de falar contigo....o que é que achas?

Começámos a rir.

Alguém nos mandou calar.

O cão. O meu despertador....

....ainda não tinha entrado ao serviço. E ninguém lhe paga horas extra.

 

-Tenho estado a pensar. Eu não quero voltar para a casa de Telheiras. Se concordares até a ponho à venda.

- Podes ir para Cascais.

- Se não voltares comigo para Cascais é a mesma coisa que voltar para Telheiras...

- Ah! Ainda bem que tocas nesse assunto. Não me apetece nada ficar cá sem ti.

Começámos a rir.

Fomos outra vez chamados à atenção pelo excesso de barulho.

É incrível como este cão nos consegue manipular...

O Pedro continuou baixinho.

- Porque é que não me disseste nada antes?

- Porque eu achei que te devia dar espaço. E tempo. Para te habituares a todas as mudanças...por seres homem e assim...e depois a meio do caminho deixei de me preocupar minimamente contigo e comecei  a pensar em mim....para logo a seguir pensar que já não me reconheço....a Joana controladora, já não controla nada...não sei se estás a acompanhar??

O homem riu-se.

Fico feliz por conseguir diverti-lo tanto...

 

O cão reclamou. Desta vez....chateado. Muito chateado.

Ficámos calados.

 

Há uns dias atrás tive a ideia mais estúpida do mundo.

Para hoje dizer a frase mais estúpida do mundo. Um mal nunca vem só......é o que se costuma dizer.

O silêncio foi interrompido. Por esta pérola...

- Pedro não te atrevas nunca a morrer.

E com o dedo indicador ameaçadoramente posicionado nas costelas do homem. Rematei.

- Se tu morreres, eu mato-te!

O homem chorou a rir....

 

...e o cão abandonou o quarto.

o pragmatismo Alentejano. Fascina-me.

21.04.18, Joana Marques

Saímos cedo de casa.

Rumo ao Alentejo.

O cão fez uma fita desgraçada. Para sair de casa.

O Pedro pegou-lhe ao colo.

Se fosse comigo tinha chorado. Baba. Ranho. E lágrimas de crocodilo.

Com o Pedro limitou-se a obedecer. Ficou amuado uns 30 segundos.

E ao 31º segundo. Já dentro do carro. Estava a lamber-me a cara do pescoço às pálpebras.

Foi assim a viagem toda.

Saímos de Cascais às 7h da manhã.

A Alice adormeceu. Às 7h01.

Foi uma viagem santa.Tirando o facto de eu chegar ao Alentejo a cheirar a hálito de cão. Pormenores.

 

Pelas 10 horas da manhã.

Fui aqui ao café que costumo frequentar. O Pedro ficou  em casa com a Alice. Ah! E com o lambe caras...

No início da semana tinha ligado à dona do café, a dona Fernanda.

E encomendei. Os melhores queijos de cabra e ovelha do mundo. São feitos por ela e pela mãe.

- Quantos quer?

- Quantos é que me consegue arranjar?

É sempre assim. Compro tudo o que tem disponível.

 

Entrei no café. Conhecia toda a gente.

E toda a gente me conhecia, também.

Sou filha da terra. Não nasci aqui. Mas quase. Sinto-me alentejana desde sempre...

Cumprimentaram-me.

- Ó menina como estás?? Novidades??

- Vou-me casar.

-

Não é para menos. Sou a última das alentejanas encalhadas.

 

- Quem é ele? Como é que se conheceram.

- Chama-se Pedro. Fui a uma consulta. E apaixonei-me por ele...

-

- ....não é tão mau como parece........

 

- Nunca tinha dado conta. Namoram há quanto tempo?

- Menos de um mês....

-

- ...não é tão mau como parece...

 

- Conheceste-o quando?

- Um mês e 6 dias....

-

- ...não é tão mau como parece. A verdade é que parece que o conheço desde sempre.

- Claro que sim, querida. E o importante é ter saúde....toma lá os queijos e vai em paz.

 

O pragmatismo Alentejano. Fascina-me.

no Alentejo. Ao pôr do sol...

20.04.18, Joana Marques

O dia, ontem, começou bem mas...

 

O Pedro tinha ficado de ir buscar a Alice a casa dos meus pais.

A partir de uma certa hora já só pensava. Na hora em que a Alice e o Pedro chegariam.

Eu estava encalhada, em casa, com o Vasco...

 

O Pedro chegou pelas 19h. Sem a Alice.

- Falei com os teus pais. A Alice dorme lá hoje.

Nem queria acreditar. Antes de eu começar a resmungar.

O Pedro abraçou-me. E disse-me.

- É só hoje. Prometo-te que é só hoje.

E mais surpreendente ainda.

- O pôr do sol é às 20h16. Joana, queres ir ver o pôr do sol?

Bastou um mês. Para escangalhar o homem. Pensei para comigo.

 

Levou-me à nossa praia. Adraga.

Abraçou-me.

O que me disse ficará guardado para nós.

 

Pediu-me em casamento.

Disse que sim.

 

 

Casamos dia 16 de junho.

No Alentejo. Ao pôr do sol.

a rir-se. Desta família de loucos..

19.04.18, Joana Marques

A Julieta apareceu na minha vida. Desta forma.

Nitidamente tinha tido um dono ou uma dona antes.

Não sabemos se fugiu ou se foi abandonada.

Sabemos que estava doente.

O veterinário disse-me que provavelmente a tinham abandonado quando descobriram que estava doente.

Nunca o saberemos. Se foi assim ou não..

 

Não havia muito a fazer, segundo o veterinário.

Não quis que acabasse os últimos dias numa instituição para gatos.

Acolhi-a aqui em casa.

Deu-se bem por aqui. Pelo menos eu achei...

Sempre à distância. Sempre atenta.

Mal eu chegava a casa. Vinha ter comigo e andava de volta das minhas pernas.

Sempre que eu estava a trabalhar. Dormia no sofá mesmo em frente à secretária.

Gostava muito de festas. Na cabeça.

Às vezes. Só quando lhe apetecia. Pedia colo.

Roubava. Sempre que podia um biscoito ao Vasco. Nem era fome... era para lhe dizer:

- Cheguei agora, mas sou eu a Presidente da Junta...

Aproveitava. A competência do cão para abrir portas.

Era assim que de madrugada entrava no nosso quarto. E dormia. Aninhada.

Gostava de estar à janela.

De apanhar sol na mesa da sala.

 

A Alice bem olha. A ver se a vê sair de algum recanto.

O Vasco também já andou à procura dela. Antes que a mafarrica. Salte. Do nada. E lhe roube mais algum biscoito.

A Julieta deixou-nos hoje de manhã.

 

Está no céu dos gatos. A olhar cá para baixo.

A rir-se desta família de loucos...

...e a dizer..

- Com mil penáltis marcados! Safei-me de boa! Safei-me de boa!

 

E nós aqui...

-Pssst! Julieta! Julieta! Já temos saudades tuas! Já temos saudades tuas!

 

e assim começou mais um dia....

19.04.18, Joana Marques

A Alice adapta-se muito bem a novas situações.

É verdade que teve um início de vida difícil.

Penso que esta facilidade de adaptação, não terá só a ver com isso. Faz parte de ser criança.

Mas, independentemente de tudo. Conhece bem os que lhe são próximos.

É uma bebé muito simpática. Desde que esteja ao colo da mãe, da avó, avô, padrinho, etc.

Ou então que nos consiga ver.

Se os olhos dela não nos alcançarem. Puxa pelos pulmões.

E....

...põe um concerto de uma banda de metal no bolso.

 

 

Quando conheci o Pedro estava com a Alice.

Nas vezes seguintes não. Mas falámos sempre nela.

Avançar para um relacionamento inconsequente não fazia parte dos meus planos. Nunca fez. Nem antes da Alice.

Neste momento menos sentido fazia.

Falei com o Pedro sobre isso.

E quando resolvemos avançar. O Pedro disse-me que a Alice deixava de ser "minha" passava a ser "nossa".

Eu sou mãe de primeira viagem.

O Pedro é pai de primeira viagem.

Eu tenho alguma experiência em sobrinhos.

O Pedro nem isso. É filho único.

 

Estamos os dois a aprender.

Eu já levo algum avanço.

O Pedro chegou mais tarde. Mas...pouco importa.

A Alice estranhou o Pedro.

O Pedro não se intimidou com isso.

Deu-lhe tempo. Para se habituar à presença.

Deu-lhe colo.

Deu-lhe atenção.

 

Hoje de manhã, a Alice acordou. Com um sorriso enorme.

O Vasco estava comigo.

Tirei-a da cama e coloquei-a no chão.

Um ritual de todos os dias. Fazer uma festa ao cão.

Continuou a andar. Caiu. 

A gatinhar. Corredor fora.

Sempre a falar em alicês....

Foi ter com o Pedro ao quarto.

Um sorriso. Aberto. De um lado e do outro.

O Pedro pegou-lhe ao colo...

..... e assim começou mais um dia...

 

a bisnaga. Para o Horácio...

18.04.18, Joana Marques

No dia em que o Pedro foi raptado pelo senhor Ludovino.

O senhor Ludovino apresentou-lhe a caixa dos medicamentos.

O Pedro deduziu por um dos medicamentos que o sr Ludovino tem má circulação.

Inspecionou-lhe as pernas.

Segundo o Pedro, estavam em mau estado. Perguntou-lhe se usava algum creme.

Senhor Ludovino. De forma expedita foi buscar o creme.

- Ponho todos os dias antes de ir para a cama.

O Pedro olhou para o creme. E disse que lhe ia arranjar umas amostras de outro creme. Para experimentar.

Segundo o Pedro, o que o Sr. Ludovino está a usar é muito antigo. No mercado já existem alternativas melhores.

Ao que parece, as pernas naquele estado dão bastante desconforto.

 

O Pedro tem um amigo dermatologista e quando o viu pediu-lhe as amostras.

Na segunda-feira quando lhe fui pôr as gotas levei-lhe as amostras.

Eram 5 cremes. Mais pequenos que os cremes comuns. Porque eram amostras.

Segundo o Pedro deviam dar para um mês.

Entreguei-lhe as amostras. E disse-lhe o que o Pedro me disse para dizer.

- Antes de deitar. Ponha o creme. Se se sentir melhor, da próxima vez que for ao médico, peça para lhe receitar este creme. Em vez do outro.

 

Hoje passei por Carcavelos com o Pedro. E com a Alice.

O andar de cima está pronto. Faltam uns pormenores cá em baixo.

Finalmente. A luz ao fundo do túnel.

O sr Ludovino mal nos vê entrar.

Corre para nos abraçar.

- Doutor Pedro. O senhor é Deus. É melhor que Deus. Ó Joana! Tens mãos de fada. Estou curado. Estou curado.

E foi para dentro de casa.

A Alice, estava ao colo do Pedro, disse adeus ao Senhor Ludovino.

 

Sr. Ludovino saiu de casa.

E deu-me um ramo de flores.

- Joana. Obrigado por tudo. O que seria de mim sem ti.

 

Nem tive tempo de agradecer. Voltou para casa.

 

Eu e o Pedro ficámos a olhar um para o outro.

E a Alice. Disse-lhe adeus.

 

Voltou.

Senhor Ludovino, entregou-me um saco.

- Isto é para a menina. Tão linda que ela é!

Era uma caixa de Nestum.

 

Voltou para casa.

Eu e o Pedro. Nem nos deu para rir. Tal era a surrealidade da cena.

Senhor Ludovino. Voltou ao patamar. Com algo embrulhado.

Parecia uma guitarra. Mas não era uma guitarra. Pelo esforço...parecia pesado.

Entregou, o embrulho, ao Pedro. O Pedro passou-me a Alice. Para poder receber. O presente.

- Doutor Pedro. Obrigado! É só uma lembrança nossa. É da terra do meu amigo Matias. O Matias, o Pires, o Silva e eu estamos muito agradecidos. Nunca me lembro de estar tão bem. Pareço um rapaz de 20 anos.

 

Era um presunto.

 

Senhor Ludovino.

Esse fofo.

Andou a repartir o creme pela brigada do reumático de Carcavelos.

Ao que parece resultou. Todos os que foram contemplados com o creme sentiram melhoras.

 

O Pedro ia tendo uma síncope.

- Não pode andar a partilhar os seus medicamentos com os outros. Têm contraindicações. Só um médico pode avaliar primeiro e depois prescrever o medicamento.

- Certo, senhor doutor. Olhe lá...por acaso não tem mais outra bisnaga?? O meu amigo Horácio chega amanhã, da terra...se visse as pernas dele, ia ver que está mesmo a precisar...

 

 

bolo de iogurte. Sem glúten

17.04.18, Joana Marques

O bolo de iogurte faz parte do meu imaginário de miúda.

Cresci a comer bolo de iogurte. Em minha casa. Em casa dos meus avós.

Quando mudei a minha alimentação pela primeira vez. Cortei nos bolos. Ó vida triste!

 

Entretanto. No ano passado. Deu-se a revolução na minha alimentação.

E como a alimentação rege a vida. Deu-se também a revolução na minha vida.

Só que....

...o bolo de iogurte da minha infância tem glúten. Logo....

Comecei a magicar um substituto.

Põe ingrediente.

Tira ingrediente.

Mistura tudo. Claras em castelo? Ou não?

Enfim...

Consegui chegar a um bolo que gostei. Bastante.

 

Quando me encontrei com o Pedro, neste dia.

Depois de um bacalhau intragável comido em Estremoz.

Toca de atacar o bolo de iogurte.

Qual não foi o meu espanto, quando me disse:

- É alguma especialidade alentejana?

-Não. É bolo de iogurte.

- Não é nada como o da minha mãe....

Pois, o bolo de iogurte que a mãe do Pedro faz, deve ser o tradicional.

Que eu comi às toneladas quando era miúda.

 

Quando fui a casa dos pais do Pedro.

Ao almoço. Diz o Pedro.

- Ó mãe pede a receita do bolo de iogurte à Joana. É melhor que o teu...

Quase enfartei.

Quando saímos lá de casa. Tive de lhe dizer...

- Olha lá. Que raio de coisa para se dizer! Queres que a tua mãe me rogue pragas???

O homem riu-se. E não disse nada...

 

E não. O bolo..

....não é nenhuma especialidade alentejana. Não esperem um doce conventual..

É bom. Pelo menos eu gosto bastante. Até gosto mais do que o tradicional.

Mas...é um bolo de iogurte. Só isso.

Um bolo para o dia a dia.

 

 

Ingredientes:

um iogurte.

Tenho usado estes. Não experimentei o bolo com outros iogurtes.

4 (45).JPG5 ovos.

Uma colher de chá de fermento.

Duas colheres de sopa de óleo de coco liquido.

 

Usar o frasquinho do iogurte como medida:

Um frasquinho de farinha de amêndoa.

Dois frasquinhos de farinha de aveia.

Um frasquinho de açúcar de coco

(ajustem a quantidade de açúcar ao vosso paladar, para mim este é suficiente)

 

Bater as claras em castelo. Reservar.

Juntar os secos. Misturar bem.

Bater as gemas.

Acrescentar o iogurte, continuar a bater.

Juntar o óleo de coco, continuar a bater.

Juntar a mistura de secos, continuar a bater.

Arrumar a batedeira.

Incorporar delicadamente as claras em castelo ao preparado anterior.

Untar uma forma. E colocar no forno.

Forno médio. 30 minutos.

Desenformar quando estiver frio.

Gosto de o barrar com chocolate derretido (usei Vivani 92% cacau). Só para ficar com outro ar...

4 (29) (1).JPG

Se experimentarem. Não se esqueçam de partilhar....

No handmade life.

No meu facebook.

No meu instagram.

 

tag. Primavera #2

17.04.18, Joana Marques

Fui nomeada pela Ana Paula para responder a estas questões sobre a Primavera.

Já tinha respondido aqui.

Mas como estas perguntas são diferentes. Aqui vai!

 

Qual a temperatura ideal para um dia de primavera perfeito?

A temperatura perfeita para a minha pessoa. Sendo primavera ou não. É acima de 30º.

Esta é a verdade. Toda a verdade.

 

Sou friorenta. Muito friorenta.

Mas....

...detesto andar muito vestida.

Em casa ando quase sempre de calções.

Por isso sofro um bocado no inverno.

É normal. No inverno. Por baixo de um casaco hiper quente.Cachecol. Gorro. Luvas.

Encontrarem-me vestida com umas alcinhas.

Quando trabalhava em Lisboa. No escritório. EU! Comandava o ar condicionado.

E por muito que toda a gente se queixasse. Suasse em bica. Não queria saber.

O meu carro. É mais ou menos como o dia mais quente. Em África.

Naqueles dias muito quentes.

Quando toda a gente ameaça desmaiar.

Podem ver-me feliz e contente.

 

Andar enrolada em muita roupa. Em casa ou fora de casa está fora de questão.

Gosto de fazer muitas coisas. E a roupa, parecendo que não. Atrapalha.

As mangas compridas. Atrapalham.

As camisolas muito grossas. Atrapalham

Mexo-me muito porque sou hiperactiva.

Mexo-me muito porque sou friorenta, uso pouca roupa e preciso de aquecer.

 

Se te pedisse uma sugestão de passeio para estes dias mais floridos, qual seria?

 

Neste momento.

Todos os caminhos me levam até à praia da Adrága. Lá para os lados de Sintra.

Eu. O Pedro. A Alice. O Vasco.

Todos juntos.

Até pode não ser na Adrága. Se estivermos os 4. Vamos estar bem.

 

Se tivesses de escolher uma cor para esta primavera qual seria?

 

Esta questão. Respondi aqui.

 

O que esta estação significa para ti?

 

Significa. Renascer.

Depois do recolhimento do inverno. Nada melhor que o sol.

Tudo a florir à nossa volta.

Dar graças a Deus. Por não ter alergias. E poder respirar todos os cheiros. Do mar. Das flores.

Poder ouvir os pássaros logo de manhã.

Há lá coisa melhor que acordar ao som dos passarinhos?

 

Qual será, do teu ponto de vista, o grande acontecimento desta primavera (seja pessoal ou público)?

 

Depois de neste ultimo mês. A minha vida ter mudado radicalmente.

Vou responder como o outro.

- Prognósticos só no fim do jogo. Ou melhor, só no fim da primavera.

Direi que o melhor e o maior acontecimento. Será viver. Cada dia. Com a minha família.

A Alice chegou no fim de Dezembro. O Pedro em Março.

Uma família muito recente. Cheia de desafios pela frente.

 

Obrigada. Ana!

Por me teres nomeado.

Tenho ideia que toda a gente já respondeu a este desafio. Ou a outro muito parecido.

Por isso. Não vou nomear ninguém...

nas bocas do mundo...#24

17.04.18, Joana Marques

Escrevi neste post que a Alice tinha recebido uma Minnie quando foi a casa dos pais do Pedro.

Ontem a Bruxa Mimi, questionou-me se seria igual à da Magia.

A da Alice.

É esta.

Ou melhor é igual a esta.

 

minnie.jpg

 

A foto é daqui.

Porque a Minnie da Alice encontra-se em parte incerta.

Aqui em casa não encontro.

No meu carro também não.

Existem 4 cenários possíveis:

1- Está em casa dos meus pais.

2- Está no carro do Pedro.

3- A Alice pode tê-la perdido. E eu não ter dado conta.

4- O cão. Esse querido. Pode ter posto a pata na Minnie. Olhado para a esquerda:

- Ninguém está a ver.

Olhado para a direita.

- Lá lá lá lá lá....

E era uma vez uma Minnie. No ano passado comeu o presente de aniversário.

 

Este ano, antecipou-se. Antes que seja tarde demais...

Comeu a Minnie.

 

Só suposições. Só suposições.

Vamos ver se a Minnie dá sinal de vida nos próximos dias...

Vou estar atenta.

Aos cocós....

Por favor! Contratem-me

16.04.18, Joana Marques

Antes das 7 da manhã.

Estava o Pedro a tomar o pequeno almoço. Eu a dar o pequeno almoço à Alice. E a tentar comer o meu.

O cão de um lado para o outro. A suplicar comida.

Este cão está tramado. No dia em que quiser reivindicar alguma coisa.

Greve de fome. Está fora de questão.

Mas se fizer uma petição online a pedir comida.......está feito na vida...quem assina??

....todos vocês e o Pedro, eu sei....

 

 

Toca o meu telemóvel. Sr. Ludovino.

Uma voz. Aflita. Muito aflita do outro lado. Até me saltou o coração.

- Joana.

-

- Estou doente. Passei ontem o dia nas urgências.

- Então?

Disse eu. Sem respirar. O coração a mil.

- Pois, estou tal e qual D. Sebastião.

- Ehhhhh??

-Vejo tudo como se tivesse nevoeiro.

Ainda pensei em explicar-lhe que esse não era o problema de D. Sebastião.

Mas deixei passar..

 

- Como assim?

A palavra glaucoma...surgiu sem qualquer nevoeiro, na minha mente...

- Tenho uma conjuntivite.

- Ah! Que chatice! Mas isso é fácil de tratar, não é? Deram-lhe alguma coisa, no hospital?

- Umas gotas. É por isso que preciso que venhas cá. Podes vir cá pôr-me as gotas??

- Eu? Posso.....tem a certeza?? Não tenho grande jeito para essas coisas...

- Por favor! O meu filho Miguel é um brutamontes. E o outro também.

- E a mulher do Miguel?

- Nem pensar.

- Então? Está a trabalhar?

- Não sei. Nem perguntei. Não a quero cá a mexer nos meus olhos.

- Ela é enfermeira!

- Não desconverses. Vens ou não vens?

- Estou aí pelas 8. Pode ser?

- Pode.

Disse, com uma voz. Deprimida. Melancólica.

Homem. Que é homem. É hipocondríaco. Faz parte da beleza de ser homem.

E um homem que não seja hipocondríaco não vale a pena.

 

- O que é que aconteceu?

Perguntou-me o Pedro.

- O senhor Ludovino diz que tem a doença de D. Sebastião.

- Gonorreia??

Acho tão fixe os médicos. Como sabem montes de coisas. E já viram muita desgraça. Acham sempre o pior....

- Não. Tem uma conjuntivite. E quer que lhe vá lá pôr umas gotas.

O Pedro riu-se. Eu ri-me. A Alice também se riu...porque nos viu a rir.

O Pedro saiu. A Alice foi com ele.

 

Peguei nas minhas coisas.

Computador incluído.

Presumi que era capaz de ter de ficar a trabalhar em Carcavelos.

Presumi bem. As gotas são para ser postas de 4 em 4 horas.

 

Cheguei.

Sr Ludovino. A choramingar.

- É no esquerdo. É no esquerdo.

Curiosamente. Era o direito que estava encarnado.

Li o papelinho das gotas. Antes que fosse ácido sulfúrico. Ou cianeto.

Disse-lhe para se deitar.

 

- Abra os olhos.

Fechou os olhos.

Abriu a boca.

 

- Abra os olhos.

Abriu o esquerdo.

Fechou a boca.

 

- Não é esse. É o outro.

Fechou o olho.

Abriu a boca.

 

- Abra os olhos. Não é a boca.

Abriu os olhos.

Fechou os olhos.

Abriu a boca.

 

- Ó caneco! Os olhos. Os olhos.

- Joana. Estou com os olhos abertos. Não vês?

- Ok. Abra os olhos.

Abriu a boca.

 

- Sr. Ludovino. Vamos lá concentrar. Abra a boca.

E zás.

Abriu os olhos.

E vá de pôr as gotas em tudo o que mexia.

 

8h da manhã. Done.

Meio dia. Done.

A dona Helena já ajudou. E comentou.

-Também já tive. E punha as gotas sozinha. Queres tentar?

- Ó mulher! Queres que eu fique cego??? Queres???

 

Voltei a Cascais para almoçar e passear o cão.

16h. A dona Helena vai tentar colocar as gotas ao senhor Ludovino, sem a minha ajuda. Vou só supervisionar.

 

Com quatro golos do Sporting! Com mil Slimanis!

Um mundo novo. Senhores!

Todo um mundo novo.

Ando eu. A passear-me em aviões.

Quando tenho uma carreira de sucesso a passar-me ao lado.

Acaba já hoje.

A partir de agora. Vou seguir o meu sonho.

Alguém arrisca??

 

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