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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

A revolução. Tem um nome...

15.05.18, Joana Marques

Vai fazer um ano e um mês. 13 meses.

Adora mimo. Mas tem de ser ela a pedir.

Eu. Joana. A peganhenta. Não tenho sorte nenhuma.

Ela decide quando quer colo. Ela decide quando quer que lhe leia um livro.

Ela decide quando quer andar às cavalitas do pai.

Ou transformar o Vasco num burrinho de carga.

Até agora era o Vasco que mandava.

Agora nem tanto.

Até porque ele gosta dela...e trata-a com mimos e caramelo.

Uma revolução. Aqui por casa.

 

 

 

Adora sair de casa.

Gosto de lhe cantar canções.

E canto tudo e mais alguma coisa.

Gosto de lhe cantar "o malhão".

Ouvi vezes sem conta a minha avó Maria a canta-lo.

Fazia uma roda com os netos. E cantávamos todos juntos.

Só que...

...a canção diz...

"Comer e beber, ai tirim-tim-tim
Passear na rua!"

E era uma vez. Uma Joana entalada.

Às vezes não dá jeito. Ir passear a pequena à rua.

Se não for. Temos o caldo entornado.

Uma revolução. Algo nunca visto. Aqui por casa.

 

 

Diz mamã. Diz olá.

Diz banana. (incorretamente...mas temos tempo)

E lixou tudo ontem. Começou a dizer não.

Estamos a insistir na palavra papá.

Precisa de mais algum tempo. É muito recente esta figura.

Uma revolução na vida dela. Outra. A juntar a tantas que já passou.

 

A Alice teve a sorte de herdar muitas coisas dos filhos dos meus amigos.

E dos primos.

Quase não comprei roupa. E brinquedos. Tem mais do que a conta.

Quando fez anos. Disse a toda a gente:

- Não precisamos de nada. Só de vocês.

 

Só que...

...os meus pais ofereçam-lhe um carrinho de bebé.

A Alice adorou. Não só passeia a boneca preferida dela. Como, percebeu que dá um jeito dos diabos.

Como tem rodas. E a locomoção da Alice ainda é meio torta. Serve de andarilho.

É vê-la a deslizar corredor fora. Com o carrinho. Uma revolução na vida dela.

Parece-me que o carrinho já deu a volta ao mundo umas 3 ou 4 vezes.

 

 

Os meus amigos.

Fizeram orelhas moucas. À minha recomendação. Juntaram-se e compraram uma cozinha à Alice.

Vinha numa caixa. Desmontada.

- Olha é uma cozinha.

Disse o Pedro.

- Montamos amanhã.

Os dias foram passando. E foi ficando na caixa. Tal e qual Elias sozinho na arrecadação.

Um dia cheguei a casa. Com a Alice. O Pedro já tinha chegado.

Quando a Alice entrou no quarto. Gritou de felicidade.

Tinha a cozinha. Enorme. Cor de rosa. Equipada. Com tudo o que uma cozinha deve ter.

Como não saía do quarto. E dá-nos mais jeito que brinque na sala. Para nós controlarmos.

Mudámos a cozinha para a sala.

É por isso é que temos uma cozinha....na sala.

Fica lindamente com a decoração...

Que se lixe a decoração. O que interessa é que a miúda se sinta feliz.

Anda de um lado para o outro. Toda contente. De pé. E sem se cansar....

Fico. Perplexa. Com o desembaraço dela.

Esta miúda ainda revoluciona a gastronomia mundial. Vão ver!

 

 

Temos a trela sempre à mão de semear porque o Vasco sempre que quer ir à rua pega na trela e vem ter connosco...em linguagem de Vasco quer dizer.

- Estou aflito. Aflito. Muito aflito. Daqui a 30 segundos....vai acontecer o pior....Eu estou a avisar! Vai acontecer o pior!!

Há uns dias. A Alice. Pegou na trela do Vasco.

Toca de falar a linguagem dela.

Eu e o Pedro. Nada. Sem perceber. Nada.

Até que o pequeno ser. Zangou-se. Muito.

Estava para ali a explicar-se. E ninguém conseguia chegar lá...

- Ó céus! São burros. Os meus pais são burros!

Fui buscar um cão de peluche. E prendi-o à trela.

Era isso. Era mesmo isso.

Alice passou montes de tempo de um lado para o outro a passear o cão.

Espero que não tente com o Vasco. Ou podemos ter pequena Alice em modo...boomerang revolucionário.

 

Come bem. Dorme bem. Pesa como chumbo.

Precisa muito de rotinas.

Os dias que são diferentes. Desorienta-se um bocado.

Tento sempre. Que os dias sejam mais ou menos iguais. Dá-lhe segurança.

É uma bebé muito alegre. E expansiva.

É muito simpática.

E doce. Toda ela é um bombom cor de rosa. Um algodão doce. Cor de rosa.

Todos os dias olho para ela. E me pergunto...

...como é que é possível. O universo me ter dado este presente.

Revolucionou a minha vida.

Aqui está a prova de que as revoluções às vezes correm bem!

 

A revolução. Tem um nome.

Alice.

 

 

 

ninguém pára a Joana...

15.05.18, Joana Marques

A verdade. Verdadinha. É que nos conhecemos faz hoje dois meses.

E aos poucos estamos a conhecer a pessoa. Com quem partilhamos a vida.

Tem sido tudo pacifico. E fácil.

Em alguns aspetos somos muito parecidos.

Noutros...andamos em negociações.

 

O Pedro acha que eu trabalho muito.

Eu acho que não. Acho que trabalho o normal.

Diz ele que depois de trabalhar 8 horas no hospital (nunca são 8 horas é muito raro o dia que sai a horas...), já não tem vontade de fazer grande coisa.

São diferentes os trabalhos. O dele lida com pessoas doentes. É bastante mais exigente que o meu.

Neste momento só lido com números.

E os números. São fixes. Portam-se sempre da mesma forma.

Quando termino o trabalho. Termino o trabalho.

Não fico a pensar que a coluna XZ do excel vai rejeitar a célula XZ3. Nada disso.

Fica tudo guardado. Até ao dia seguinte.

 

Quando, neste dia, almoçámos.

Foi há pouco tempo. Mas parece há uma eternidade.

O Pedro provou o pão. E perguntou-me onde o tinha comprado.

Disse-lhe que era eu que o fazia.

O homem fez um ar de espanto, admiração e pasmice...

- Sabes que podes comprar o pão já feito?

Apeteceu-me responder-lhe torto, mas...

- Se comprar o pão já feito, não controlo a qualidade da farinha, a quantidade de fermento, a quantidade de sal...já leste a lista de ingredientes do pão?

- Não.

- Lê! Quando comprares pão num hipermercado dá-te ao trabalho de ler. Não é só farinha, água e fermento....tem muitos brindes pelo meio.

O homem calou-se. Mas mais tarde voltou à carga...

- Tens alguma razão no que diz respeito ao pão mas não achas que mais vale, às vezes, comprares...semana sim, semana não, do que fazer pão todas as semanas...não sei como é que aguentas.

- Antes que me faças a pergunta, vou já responder...não tenho nenhum fornecedor de doping....Sou só eu....

- Um dia destes estoiras. Ninguém consegue fazer tanta coisa, durante tanto tempo....

- Já cá cantam 37 anos. Sem estoiro. E com asma....imagina o monstro que estás a criar!

 

O homem ficou-se. Mas...

....voltou à carga em casa dos meus pais.

É assim. Sempre que não fica convencido com os meus argumentos...pergunta aos meus pais.

- Olha, Pedro. Faz como nós e não ligues. A Joana é mesmo assim...desde miúda que era assim. Despachada e hiperativa. Nunca parava. As horas que estava a dormir eram uma bênção...pena que eram poucas!

 

Na semana passada. Apareceu com uma caixa grande.

Achei que fazia parte da mudança de casa.

Não.

Era uma máquina de fazer pão.

Não te zangues! Comprei a mais barata de todas. Experimenta. Se gostares...é sempre mais um tempo que tens...

Experimentei.

Não liguei nenhuma às receitas que estavam no livro da máquina. Quando comecei a ler duas colheres de leite pó....desliguei...

Experimentei uma receita minha.

Metade Trigo. Metade Aveia. Uma colher de alfarroba. Água mesmo peso da farinha. Fermento.

Ficou muito bom.

O Pedro. Esse grande querido. É um cavalheiro. Disse:

- O teu é melhor mas....este também é bom. E ficas com mais tempo. O que me dizes?

Pessoalmente, acho que o da máquina ficou melhor que o meu. E por isso, respondi-lhe afirmativamente...

 

À noite. Depois de jantar. Tinha o computador no colo.

- O que raio é que estás a fazer a esta hora?

Perguntou-me o Pedro.

- Estou a contactar o meu fornecedor de soda cáustica.

-

- Agora que não faço pão, posso voltar a fazer sabonetes....

-