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Quiosque da Joana

30.06.18

nas bocas do mundo ...#33

Joana Marques

Faz hoje 15 dias.

Por esta hora.

No Alentejo.

Uma das casas era autentico rebuliço. A minha!

Nunca vi tantos nervos à flor da pele.

Exceto eu, claro! Tenho nervos de aço. E achei que no dia do meu casamento devia estar calma, relaxada e aproveitar todos os momentos.

Nunca tinha presenciado tanta proibição junta.

- Não comas!

- Não fales!

- Não mexas no cabelo.

- Não chores!

- Não pegues na Alice ao colo.

- Não te mexas para não sujar o vestido...

 

O meu único receio, mesmo era que o Pedro desistisse. 

- Aiiii, hoje não me apetece. Não vou comparecer. Adeus, Joana...e até sempre.

A bem da minha saúde física e psicológica.

O homem apareceu.

Estava eu vestidinha e arranjadinha. Quando vejo pela janela...lá ao fundo, depois da curva. Uma fila de carros todos em direção à minha casa.

O carro dele era o da frente.

E eu chorei que nem uma Joana Marques quase Rebelo.

A minha mãe quase me bateu.

A maquilhadora quase enfartou e ameaçou despedir-se.

O Zé, o meu cabeleireiro quase chorou por motivos diferentes dos meus.

E a minha irmã olhou para mim um ar mais reprovador de sempre.

 

Fora esta parte. Correu tudo bem.

 

Quem não se esqueceu deste dia. Foi a Alice.

A Alice Alfazema tem um blog maravilhoso.

Daqueles que eu gostava de ter mas não sou capaz.

O blog é tão bom, merece uma visita diária de todos.

 

Espreitem lá o post que ela fez no dia do meu casamento!

Obrigada, Alice!

 

 

 

29.06.18

mentir é humano. Não é?

Joana Marques

Ontem recebemos a visita da minha tia Luz e do meu tio José.

Almoçaram cá.

Aproveitei para usar frescos da minha horta. 

A explodir de orgulho dei-lhes a comer um creme de cenoura. Maravilhoso.

Um prato com porco preto alentejano com legumes assados. Todos da minha horta.

Para sobremesa fiz um pão de ló da avó Adélia. E um grão Vasco.

 

O cão esteve sossegado.

Antes deles chegarem e para não criar roubos desnecessários dei-lhe o dobro da ração diária.

Esteve dormitando o tempo todo. E lá se levantou para ver as vistas e pouco mais.

Este cão com a barriga cheia é um amor.

 

A Alice esteve muito bem.

Sorridente.

Comeu connosco. Na sua cadeirinha.

Foi comendo sozinha. Demoradamente.

Ia falando, falando connosco. 

Muitos olás. Muitos mamãs. E tudo o resto...

Vou ver se não me esqueço de pedir ao tradutor do Google que acrescente "Alicês" à lista de idiomas.

Dava-me jeito.

Como é que eu argumento com quem não percebo???

 

Toda a minha família está avisada:

- Nada de dar presentes à Alice, por dar.

Se eu vos contar que os meus amigos mal anunciei a chegada da Alice nos presentearam com tudo o que tinham dos filhos com a garantia:

- Fica com tudo. Não devolvas. Não vou ter mais filhos.

Tenho sacos por abrir em casa.

Brinquedos para uma vida inteira.

E roupa...

...praticamente ainda não comprei roupa à Alice.

Uma sorte, eu sei!

Com este panorama. É preciso alguma coisa?? Não!

E os avós, os tios, os tios avós, os primos e os sobrinhos? O que fazem?

Presentes. Atrás de presentes.

 

- Isto não é nada, Joana. É só uma gracinha para a menina.

Quando olhei tive logo um mau pressentimento.

Era uma espécie de corneta.

Ainda pensei:

- Pode ser que a miúda não perceba que se tem de soprar lá para dentro.

- Ou que o cão lhe roube a corneta.

- Logo hoje que lhe enchi a barriga e está demasiado pesado para roubar brinquedos... 

 

Mas...

.....o meu tio José. Ensinou-lhe.

- Obrigada, tio Zé! De coração....

 

Logo a seguir ao almoço, Alice experimentou.

Alice soprou.

Alice gostou.

Consta que pelas redondezas, os pássaros emigraram para Marrocos.

Os ratos suicidaram-se nas caves.

Os porcos ficaram azuis.

As vacas pariram antes do tempo.

E Vasco guinchava baixinho. Com uma digestão daquele tamanho custa emitir sons. Quanto mais alto.

 

Eu olhava para o Pedro. O Pedro olhava para mim. E sorria.

Os meus tios estavam embevecidos com a miúda.

- Tão novinha e já tão decidida!

 

A Alice não quis dormir a sesta. Acontece muitas vezes quando sai um pouco da rotina.

Basta ter gente em casa diferente do habitual e fica com os horários todos baralhados.

Os meus tios lancharam.

A Alice lanchou mas já dava sinais de sono. E por isso já não comeu como devia.

Por ter sono. E pela corneta. Com a boca cheia não dá para soprar.

E antes a corneta. Que a comida.

 

Os meus tios saíram.

E a corneta. Sempre a corneta.

Dei-lhe banho. Com a corneta. 

Jantou. Com a corneta.

Deitei-a. Abraçada à corneta.

- Alice, não podes dormir com a corneta, vou pôr aqui, está bem.

Ela chorosa, levantou-se da cama e viu a corneta em cima da mesa. E lá se conformou.

Adormeceu.

 

 

Os meus tímpanos estavam de mala feitas.

Abriram a porta. E quando tinham um pé cá fora. Já na rua. O meu cérebro teve uma ideia.

A minha boca. Disse ao Pedro.

- Pedro, temos de nos livrar da corneta.

- Como?

- Não sei bem. Quando eu era miúda e os meus pais me quiseram tirar a chucha disseram-me que um cão a tinha comido. E eu acreditei.

- O Vasco? Comeu a corneta?

- Não. Não posso fazer isso ao Vasco. Estou a pensar no Onofre!

- O Onofre?

- Sim, o Onofre comeu a corneta.

- Quem é o Onofre?

- Ó homem, o Onofre é o burro do Sr. Alberto. Aquele que ela quer ir ver todos os dias.

O Sr. Alberto mora aqui perto. Tem porcos. Vacas. Galinhas. Patos. E um burrinho, o Onofre.

Quando subimos à varanda aqui de casa conseguimos ver o Onofre ao longe. E todos os dias a Alice me convida a ir à varanda ver o Onofre.

- Não sei se tenho coragem de lhe dizer.

- Eu dou-lhe a má notícia e tu tens "a" conversa com ela. Aquela sobre os bebé...daqui a uns anos. Fica combinado. Não me vou esquecer!

 

A Alice acordou hoje de manhã.

Olhou para cima da mesa. Nada de corneta.

Olhou para todo o lado. Nada de corneta.

- Alice. O burrinho Onofre comeu a tua corneta.

Não sei se percebeu ou não. Acho que percebeu que a corneta tinha desaparecido.

Peguei-lhe ao colo. E subi até à varanda. E apontei para o dito cujo. Inocente.

- O burrinho veio cá de noite e comeu a corneta.

O Pedro saiu da varanda. Deve ter percebido que há menos de 15 dias casou com uma aldrabona. Incriminadora de burros.

A Alice estava meia aparvalhada. E só dizia:

- Mamã, mamã...

- A mamã estava a dormir e só o vi ao longe a fugir com a corneta.

Não sei se ela estava a seguir a história ou não. Provavelmente só percebeu que a corneta desapareceu e ir ver o burro foi uma manobra de diversão da minha parte.

Descemos.

O Pedro já tinha feito o pequeno almoço dela.

Comeu bem.

E a seguir foi brincar com os brinquedos aprovados pelo lápis azul aqui de casa.

 

A corneta está guardada no sótão.

Quando ela tiver o primeiro filho vou-lha oferecer. Contar-lhe a verdade.

E ela logo vê se lha dá.....ou incrimina o Onofre do momento.

Se ela fosse mais velha tinha tentado resolver o assunto pela via diplomática.

Explicar-lhe porque raio é que não devia usar a corneta.

Se não fosse eficaz. Tentava a via do:

- Eu é que mando. E não se fala mais nisso. Vai ter com o teu pai que ele conta-te como são feitos os bebés.

Desta idade não me lembrei de nada melhor. E que funcionasse...

...mentir é humano. Não é?

....mentir é aceitável? Tenho dúvidas...

 

.....não me orgulho nada, nada do que fiz.

Mesmo nada.

Digam lá quiosquianos, que tudo sabem.....

Como é que costumam resolver este tipo de questões?

 

 

28.06.18

10 coisas para fazer este Verão

Joana Marques

tagverão.jpg

 

Fui convidada pelo blog Raios de Sol para responder a este desafio.

Obrigada! Fiquei muito feliz de ter sido lembrada para tal....

Já tinha andado a ler este desafio e andava a pensar para os meus botões...

- Ninguém me convida...ó diabo! 

- Ninguém me convida....SOCORRO! 

- Ninguém me convida.....Hello!! 

- Olhem para o Quiosque!!! Por favor convidem-me..... 

 

Adoro desafios! Convidem-me....

 

10 coisas a serem feitas este Verão!

Apertem os cintos. Cá vai!

 

 

Alice. Pedro. Vasco.

 

Para mim o tempo é precioso.

Detesto perder tempo com coisas que não merecem.

Ou com pessoas que não merecem.

Os três aí de cima, merecem todo o meu tempo. E mais algum.

Sempre que um deles não está. Sinto que falta qualquer coisa.

Os 4 juntos. O maior tempo possível. 

E não é preciso ser em nenhum local especial.

Estarmos juntos já é especial que chegue. O resto são pormenores.

 

 

 

 Viajar.

 

Este Verão vou viajar. 

Em trabalho vou a Londres. Dublin. Luanda. E possivelmente, Bruxelas.

De férias. Vamos a Zanzibar.

Queria muito ir. O Pedro gostou da ideia. E daqui a pouco mais de um mês: Pedro, Alice e Joana vão a caminho.

O Vasco terá de ficar. E, claro...vou morrer de saudades. 

 

 

Tricotar ou crochetar.

 

O Outono vem aí. E o Inverno espreita logo a seguir.

É preciso meias novas.

Casacos. E camisolas.

E eu tenho fio. Muito fio de Inverno que comprei em saldo.

Em matéria de tricot e crochet funciono um bocado ao contrário. Compro o fio em contra estação e consigo preços muito simpáticos.

Às vezes as lojas já só têm um ou dois novelos de um determinado fio. Sem stress. Compro ao preço da chuva e guardo. Até encontrar um fio que combine. Adoro meias às risquinhas. Dão trabalho a tricotar mas valem cada minuto!

Estou a terminar um casaco para o Pedro. 

De seguida avanço com meias para a minha miúda. Alice vai ter meias originais e únicas.

Desde que sejam cor de rosa. Não haverá problema.

De outra cor...vai dizer-me para as calçar eu...

 

 

 Comer bem.

 

Esta lista de Verão, está a ficar parecida com as minhas resoluções para 2018.

Exceto a parte do Pedro, porque em Dezembro não sabia que tal pessoa existia. O que eu estava a perder sem saber...

A alimentação para mim é importante. Muito importante.

Eu e o meu corpo testemunharam ao longo dos anos as mudanças que uma boa ou má alimentação fazem.

Felizmente, tem sido sempre para melhor.

Tenho estudado. Lido. Pesquisado sobre o tema.

Tanto que o Pedro já sugeriu que devia voltar à universidade, estudar o tema como deve ser e dedicar-me profissionalmente ao assunto.

Não o vou fazer.

Vou continuar a ler sobre o assunto e a tentar todos os dias fazer as escolhas certas. Para mim e para a minha família.

Se eu ando preocupada com o tema há vários anos, o Pedro nem por isso.

aqui expliquei mais ou menos como é que ele olhava para a alimentação.

Desde o primeiro dia que conversamos e falamos. Muito.

Se no primeiro dia a consulta da Alice durou quase 4 horas. A partir daí a conversa nunca acabou.

Falamos sobre tudo e mais alguma coisa. E muitas vezes não estamos de acordo.

No que diz respeito à alimentação não estávamos nada de acordo.

Eu. Ditadora da comida que nutre, faz bem, é saborosa e não provoca falecimento nos órgãos vitais.

O Pedro. Enfim.....o cachorro quente ao almoço não faz assim tão mal...

Respirei fundo. Contei...1 slimani, 2 slimanis, 3 slimanis, 4 slimanis.....3345678 slimanis.

E, calmamente disse-lhe:

- Vê lá se concordas. Estudas o assunto. Lê. E se faz favor se achares que não põe a tua vida em perigo experimenta.

Ele concordou.

Já chegou a algumas conclusões. E eu também.

A tudo aquilo que eu já comia. Juntei-lhe cereais integrais e leguminosas. Andamos a experimentar. 

Temos feito um tratamento com probióticos. E aqui está a chave da tolerância. 

Se introduzirmos alimentos que toda a gente diz que são saudáveis mas se não os conseguirmos digerir, vamos passar um mau bocado.

É um processo um pouco longo. Mas que recompensa e muito. Olhar para dentro de uma pastelaria e não nos apetecer nada é sinal de que isto está resultar!

O melhor é que ele já está tão ou mais entusiasmado do que eu. Queria muito perder 5 kg e já conseguiu. Sem grande esforço.

Algumas refeições que fazemos são vegan. Apostamos muito nas proteínas vegetais. 

A Alice já come muito da nossa comida embora adapte algumas refeições. 

 

Neste Verão é prioridade comer bem.

Em casa! É em casa que se come bem.

É claro que fora de casa o sabor é bom e não dá trabalho mas o que está na comida....elimina todos os aspetos positivos anteriores.

Exceção feita para quando estiver fora, em trabalho e de férias. Aí...enfim, é comer o que houver...

 

 

Estrafegar.

 

É das melhores coisas que se pode fazer na vida.

Convém ser com cuidado para não deixar nódoas negras. No cão não se nota. E ele adora um bom estrafegamento.

O Pedro é moreno e disfarça bem as marcas...ainda bem, ou ainda pensam que o homem é vitima de violência doméstica.

A miúda é muito branquinha. Mas também não há perigo...põe-me na ordem em 5 segundos e eu acho graça.

Estrafegar sim. Muito. O mais possível.

De preferência todos os dias. E muitas vezes ao dia.

 

Ficar grávida.

 

Não é segredo.

Já o disse a várias pessoas.

E por isso...vou falar sobre isto.

Eu e o Pedro queremos muito ficar grávidos.

Gostávamos que a Alice tivesse um irmão ou uma irmã. Assim, depressa!

Até já escolhemos os nomes. Somos pessoas despachadas e decididas. Por unanimidade.

João ou Mariana.

Eu desconfio um bocado da minha fertilidade. 37 anos e tal....

A verdade é que nunca tentei ficar grávida. Vamos ver o que o Verão nos trás.

 

 

 

Alentejanar o mais possível.

 

Gosto cada vez mais do Alentejo.

Não devia escrever assim.

Devia escrever: gosto cada vez mais do campo.

Muita gente diz que fica no meio do nada. Eu pessoalmente, acho que fica no meio de tudo.

Para mim a vida é cada vez mais homemade. E handmade.

A felicidade vem sempre de dentro de nós. E somos nós que a construímos. 

Um telemóvel de 1000€ ou uma Alice a chamar mamã..

Entre estas duas situações, sem dúvida que escolho a segunda.

Pronto! Não fui justa...

Um telemóvel de 1000€ ou uma Alice a atirar comida ao ar para o cão apanhar e a Joana e o Pedro a apanhar bonés enquanto os dois traidores gozam connosco. E se riem a olhar para os dois totós....

A segunda situação continua a ser melhor. E mais vantajosa.

Giros e elegantes. Depois de tamanho exercício...giros e elegantes!

A felicidade não é ter. É ser...

 

 

Pintar.

 

Não dou importância nenhuma ao que pinto.

Como é algo tão natural. Não acho grande piada.

Em casa, em Carcavelos. No meu escritório tenho uma gaveta cheia de aguarelas. Amontoadas.

Quando estávamos em arrumações. O Pedro descobriu essa gaveta. 

Entretanto comprou molduras para as aguarelas. Tem andado a encher paredes e paredes.

Andamos a pendura-las por tema e em alguns casos faltam-nos aguarelas para as paredes ficarem compostas.

Estão encomendadas pelo Pedro. E prometidas. 

Não passa deste Verão. 

 

Sporting.

 

É um assunto muito difícil para mim.

Muitas lágrimas. Muita tristeza.

Uma coisa é certa. #eunãorescindo.

Só há um caminho. Para a frente.

Este ano vou comprar o dobro das gamebox's. Sendo que eu devo lá ir poucas vezes.

A Alice ainda não pode entrar e a Alice é a minha prioridade.

O Pedro é do Sporting mas liga tanto a futebol como eu ligo à vida do escaravelho da batata.

Não vou deixar de acompanhar a minha equipa. Nas várias modalidades. 

Viva o Sporting.

 

 

 

Não deixar morrer o Quiosque.

 

Gosto muito deste espaço.

Não dos conteúdos propriamente.

Gosto do ambiente. Das pessoas que por cá passam.

Gosto do sapo. Gosto da comunidade. Gosto de tudo...

O tempo é que lixa tudo.

Esta semana consegui passar por aqui. Porque estamos de licença. E vou tendo tempo.

Na minha cabeça tenho tantas histórias que queria escrever....

....quando começar a trabalhar será complicado.

Vou me esforçar para ir passando por cá. Não só para escrever. Sobretudo para ler os blogs que subscrevi.

 

E pronto. 10 coisas para fazer este Verão.

 

Vou nomear para responder a este desafio a Bruxa Mimi.

 

 

Se ainda não tiveres sido nomeada ou nomeado e quiseres muito responder a este desafio, deixa nos comentário e eu acrescento ao post.

 

 

 

27.06.18

nas bocas do mundo....#32

Joana Marques

Já está tão atrasado.

Tão, tão atrasado...

Daqui a pouco faço as bodas de ouro e ainda não escrevi o post!

 

Desculpa, José, uma pessoa é recém casada e passa muitas horas a olhar para o homem....

....tipo cão! Olhos de cão. Babada....e contemplativa...

 

Obrigada, José pela lembrança.

Pedro, Joana, Alice e Vasco desejam-te o dobro a ti!

Aqui está o post!

26.06.18

mistério resolvido!

Joana Marques

Continuamos no Alentejo.

A saborear a vida boa.

Desde que fiquei com a casa e com o terreno à volta decidi aproveitar a terra.

Ainda antes de conhecer o Pedro já eu andava a investigar, a perguntar e a tentar aprender algo que me permitisse rentabilizar (minimamente) a terra.

 

Quem foram as primeiras vitimas?

As cenouras.

Comprei sementes de cenoura. Passei cá um fim de semana. Espalhei as sementes.

E quando voltei. Quase enfartei.

Nasceu tudo o que havia para nascer e tudo o que não devia ter nascido.

Tinha a Amazónia dentro de portas. Sem a diversidade da Amazónia. Só cenouras mesmo.

Nem tudo foi mau.

Passei um dia a desbastar as cenouras. Para que as que ficassem, crescessem como deve ser.

Trouxe para Cascais. Um carro. Cheio de cenouras. Mini cenouras. E muita rama...muita, muita rama.

Deu-me um trabalho descomunal a tirar a rama. A lavar as cenouras. E a cozinha-las.

Mas....

....o sabor das cenouras compensou tudo.

Pelo cheiro já tinha percebido que eram diferentes das que se compram.

O sabor. Enfim....do outro mundo. Eram pequeninas...mas espetaculares.

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A Alice adorou. 

Guardei as cenouras no frigorífico e ia-lhe dando ao lanche.

A rama usei em sopa e em omeletes.

Fiquei animada. A minha alma de agricultora veio ao de cima.

E nunca mais ninguém me parou....

...brócolos. Courgettes. Cebolas. Couves. Alfaces. Tomate. 

Neste momento a minha horta está bem composta.

Arranjei uma rega automática, que é uma maravilha.

A minha horta só não é biológica porque aqui à volta as pessoas usam pesticidas. E adubos.

Eu não uso nada disso. Pelo menos por agora, até porque não domino esse mundo.

Dá-me um gozo fenomenal fazer salada e ir buscar à horta. Em vez de ir ao supermercado.

 

No domingo, os pais do Pedro e os meus vieram cá almoçar.

Pedi ao Pedro para ir à horta apanhar algumas coisas que precisava. Eu estava com a Alice num dia em que só queria a mamã, a mamã e a mamã....

Passei-lhe um balde para as mãos e uma cestinha. Já começámos a ter figos maduros e queria fazer alguma coisa com eles.

Adoro figos.

 

Pedro. Esse grande querido. Foi.

Apanhou o que tinha a apanhar na horta pôs tudo dentro do balde. E foi ter com as figueiras.

Deixou o balde e pegou na cesta.

Apanhou os figos mais maduros da primeira figueira.

E voltou ao balde. Deixou os figos no balde. Pegou na cesta. E foi até outra figueira.

Quando voltou. Achou que o balde tinha menos figos do que aqueles que ele tinha deixado.

E pensou...

- Estou mesmo de férias. Ia jurar que os figos estão a desaparecer. 

Deve ter pensado seriamente na vidinha dele. 
Quando voltar a trabalhar.

E tiver um doente. Com os rins a céu aberto. E se não der conta do recado? E se os rins desaparecerem como os figos??

 

Mas....

....foi à vida dele. Deixou os figos no balde. Pegou na cesta. E foi apanhar mais figos.

 

Voltou ao balde. Olhou lá para dentro. Estranho.

Desta vez tinha a certeza.

Os figos não estavam todos.

Olhou para todos os lados.

Não viu nada, nem ninguém. Não ouviu nada, nem ninguém.

- Muito engraçadinha, Joana. Podes aparecer, já sei que és tu!

Disse o Pedro para o meio do nada.

Não era eu. 

Sim. O meu marido. Oito dias depois de ter casado com ele. Achou que eu o andava a roubar.

Sim, senhor! Pedro......

 

Entretanto em casa.

Joana e Alice. Alice e Joana.

Comecei a achar que o homem estava a demorar muito.

Na minha cabeça todos os filmes.

- O homem tropeçou na rega automática e está esticadinho no meio das abóboras.

- O homem abeirou-se no poço e está esticadinho e a flutuar dentro do poço.

- O homem achou que era um alpinista decidiu trepar a uma figueira e claro...está esticadinho no meio do nada.

- O homem experimentou comer um figo. Engasgou-se. E?? Adivinhem...claro! Está esticadinho, sufocado e enfim....

Fui à procura dele.

A Alice foi comigo.

Fui dar com o homem, ajoelhado, a olhar, ora para o horizonte. Ora para o balde. Ora para o além.

Com mil Slimanis. Será que o homem é muçulmano e chegou aquela hora de fazer as suas orações em direção a Meca?

Não. O homem tentava descobrir o mistério do sumiço dos figos.

 

- Vasco!

Chamei-o.

Em dois segundos tinha o sacripanta ao pé de mim.

Muito bem disposto. O cão mais feliz do mundo....

Abri-lhe a boca.

E lá dentro. A prova. Os vestígios. 

Mistério resolvido! Por Joana Marques....

 

22.06.18

de todas as formas possíveis. Para melhor...

Joana Marques

Depois da aventura e desventura que foi o reencontro com o Vasco, seguiu-se o reencontro com a Alice.

Os meus pais e o meu sobrinho já tinham voltado para Lisboa.

E eu fiquei à espera que ela acordasse.

Com o cão deitado nos meus pés. 

 

Acordou. A minha rica filha.

Olhou para mim.

Fez um sorriso do tamanho do mundo.

Tirei-a da cama.

Abracei-a.

O Pedro pegou nela. Falou com ela.

Riu-se para ele.

E pediu para a pôr no chão. A vida dela não é esta. Há muito para fazer quando está acordada.

Ficou a olhar para nós.

E de repente.

Passou-se....

...começou a ralhar connosco.

Em alicês! Um tipo de idioma que só ela domina...

Estou desconfiada que o Vasco também percebe qualquer coisa mas não tem doutoramento como ela.

 

- Olha, acho que ela está a dar-nos um raspanete! Disse o Pedro.

 

Nunca me senti tão pequenina como naquele momento.

Eu, Joana...

...cresci a ouvir raspanetes da minha mãe e do meu pai. Muito mais da minha mãe do que do meu pai.

A verdade é que os que a minha mãe me dava nem chegavam a entrar no canal auditivo.

Os do meu pai eram mais levados em conta, ainda assim não faziam grande mossa na minha auto-estima ou na minha maneira de atuar.

Se era para ser um avião...eu era um avião e atirava-me da cerejeira que estava em frente à casa da minha avó. 

 

Ontem. 

O meu coração quase parou.

Alice furiosa da vida. Possuída pelo espírito daquela senhora, vestida de cor de rosa, que dá as notícias na Coreia do Norte.

Um dedo apontado para nós. Refilou, refilou, refilou....

Vociferou.

Gesticulou.

Resmungou. Acho que nos chamou nomes e tudo.

 

 

Parou o sermão.

Olhou para nós.

Foi à vidinha dela. 

Chamei-a para lanchar. Deixou-se apanhar.

Estrafeguei-a. 

Ela, generosa, lá me perdoou.

Depois do lanche estivemos os 4 a brincar.

O Vasco sempre a desconversar. A roubar meias, brinquedos e a distribuir lambidelas pelos presentes.

A Alice a rir-se com a cara toda. A dar beijinhos quando lhe pedia...

Eu a olhar para aqueles 80 cm de gente.

 

Mudou a minha vida!

De todas as formas possíveis.

Para melhor, para melhor....

 

 

21.06.18

Pedro, bem-vindo à minha família!

Joana Marques

O dia do casamento passou a correr. Quase não dei conta.

Tenho uma ideia que casei mas parece um sonho qualquer que tive durante a noite.

Terminou, domingo, pelas duas e tal da manhã.

 

Foi à hora que eu e o Pedro saímos rumo a Lisboa.

Ficámos em casa do Pedro.

Daí a umas horas estávamos a apanhar o avião para Cabo-Verde.

 

Cabo-Verde é Cabo-Verde. 

Joana e Pedro.

Pedro e Joana.

Fomos muito felizes em Cabo-Verde.

Ponderámos ficar lá para sempre.

Numa barraquinha na praia. 

Ai, o amor e uma cabana. 

Sol. Mar. E alguém para amar.

É tão boa a vida simples.

 

De Portugal as notícias eram assim assim.

Os meus pais ficaram com a Alice e com o Vasco, no Alentejo.

O meu sobrinho Pedro estava com eles.

Os exames na faculdade só começam para a semana e aproveitou para relaxar e sair do reboliço de Lisboa.

- A Alice fala muito na mamã, até quando está a brincar, fica tristonha mas é fácil de animar. O Vasco não...

 

O Vasco comeu que se fartou durante o casamento.

O meu pai é um alvo muito fácil. Basta um olhar do Vasco. Não é preciso ser muito esmerado. Só um olhar....

E o meu pai dá tudo....o que tem e o que não tem.

Se for preciso põe os rins no prego. 

Hipoteca os pulmões.

Vende o fígado.

E oferece-lhe o coração.

O Vasco comeu que se fartou e depois eu fui-me embora.

E o Vasco hibernou.

Primeiro foi para a minha cama.

Depois fez um ninho no sofá da salinha de cima.

Desviou as almofadas do sofá e aí ficou com uma parte das almofadas por cima dele e a tábua que divide o sofá do sofá-cama.

Os meus pais recorreram a tudo e a todos.

O meu sobrinho Pedro bem tentou.

A Alice apareceu para fazer festinhas.

O frango assado espreitou e disse:

- Olá, Vasco!

Nada resultou. O cão cheio de comida assim ficou.

 

Chegámos hoje de manhã. 

Seis e meia. Aterrámos em Lisboa.

Ainda com a pele a cheirar a sol. E o cabelo a cheirar a mar.

A inspirar corações.

A expirar corações

A respirar amor.

A saber que o que nos espera é bom. Mas com uma certa pena de deixar Cabo-Verde. E a vida a dois.

Ainda ficámos um tempo por Lisboa.

A namorar. E a passear à chuva...

A dizer um ao outro.

- Que sorte que eu tive!

 

A realidade chamou-nos e tivemos de rumar até ao Alentejo.

Fomos a viagem toda a 50 km/hora.

Chama-se fazer render o peixe.

 

E chegámos ao caminho que vai dar ao monte.

Por essa altura. Em minha casa. 

Um cão emergiu do ninho. 

Atirou as almofadas ao ar.

O sofá saiu do sitio. E bateu numa porta de vidro de um móvel. Estalou.

- Será a Joana e o Pedro?

 

Sim. Era a Joana e o Pedro.

O carro deu a curva. E em casa. Pela janela da salinha já se via o carro.

O cão disparado. Desceu as escadas.

E derrapou no chão de madeira do corredor.

O meu sobrinho abriu-lhe a porta. Mas como demorou 15 segundos.

Levou com uma rosnadela. 

Que lhe fez mirrar os rins.

- Sai da minha frente, ó miúdo...

 

O cão estava cá fora.

Socorro. O cão estava cá fora.

Deus nos acuda.

O meu pai foi até ao portão para o abrir.

E o cão não viu portão.

Não viu João.

Não viu nada.

Fez-se à estrada.

 

- Joaninha? Aquele não é o Vasco?

Á nossa frente.

Apareceu um cão. Que mais parecia um leão.

A ladrar de contentamento.

A levantar pó por todos os lados.

- É melhor parares o carro. Antes que ele se atire contra o carro.

Comecei a temer que o Vasco se atirasse ao carro e se aleijasse à séria.

Saí do carro.

E desvairado.

Atirou-se contra mim. Ficou ao meu colo.

 

Ó senhores que estão neste momento a ler o Quiosque.

Num momento...

..... uma pessoa ainda se sente em lua de mel.

Só amor.

Boa vida.

Sentimentos bonitos.

No momento seguinte tem um cão de uma tonelada e meia ao colo.....

...e tem uma sensação de calor a correr pernas abaixo. Calor e humidade ao mesmo tempo.

O homem dentro do carro a rir-se às gargalhadas.....

....eu percebi que o cão fez xixi para cima de mim.

 

O Pedro continuou e estacionou o carro.

E eu apareci ao longe. Com um cão ao colo. 

As minhas sapatilhas faziam:

Chap. Chap. Chap.

 

Vi a minha mãe. O meu pai. E o meu sobrinho. A Alice estava a dormir.

O cão saiu finalmente do meu colo.

E continuou aos pulos. Radiante da vida.

- A Joana voltou. A Joana voltou. A Joana voltou.

 

Cumprimentei como consegui a minha família. 

Estava coberta de xixi, o que tornou os cumprimentos pouco apetecíveis. Para eles...

E...

.....o Vasco quase não deixou. Sou dele e de mais ninguém...

- Ninguém toca na Joana! NINGUÉM TOCA NA JOANA! SAI DAQUI! NINGUÉM TOCA NA JOANA!

 

Depois de festas, festinhas e mais festinhas. O Vasco foi acalmando.

Nunca saiu do pé de mim.

Nunca confiando na Joana! Nunca!

 

 

Antes de entrar em casa. E correr para a banheira...

...aproveitámos para conversar e contar as novidades uns aos outros. E rir do meu banho de xixi....

O cão estava deitado em cima dos meus pés. 

O meu sobrinho tinha acordado tarde e não tinha almoçado com os meus pais.

Estava a comer um hambúrguer no pão.

E de repente....

....uma precisão que envergonha o melhor cirurgião de rins à face da terra.

O cão saltou.

Uma fração de segundos.

Um salto preciso.

Uma boca aberta na conta certa.

E era uma vez hambúrguer. E pão. E alface. E tomate.

Afastou-se ligeiramente. E comeu calmamente o repasto roubado.

Ladrão que é ladrão. Rouba naturalmente e ainda olha para os outros com um ar de:

- O que é que estão a olhar?? Eu posso! Sim?

 

Nós. Os cinco. 

De boca aberta.

Pela lata do cão.

Pela precisão.

Pela perícia.

Este cão no cirque du soleil e eu não precisava de trabalhar mais na vida.

 

 

Voltou. 

Como se nada fosse.

Olhou para mim.

E pumba....

....mais uma vez.

Sem dar conta. Sem aviso prévio tinha o cão ao colo.

Feliz, feliz por me ver.

Passou-me uma lambidela desde o nariz até à orelha.

E o Pedro veio em meu socorro.

Não devia. Mas veio....

 

Imaginem que o intestino grosso teve um filho com o intestino delgado.

O que se seguiu não foi bonito.

Toda a comida armazenada desde sábado à noite.

Viu a luz do dia.

O cão explodiu....

...os meus pais fugiram. O meu sobrinho fugiu. Eu tinha o cão ao colo. E o Pedro estava agarrado ao cão.

E como se não bastasse. O hambúrguer acabado de comer também viu a luz do dia.

Vamos lá ver.

Xixi. Rins! Andam de braço dado todos os dias...

Cocó....está muito para além do campeonato do Pedro...

Temi pelo meu casamento...

 

 

O meu pai lavou o Vasco à mangueirada.

O meu pai lavou-nos, a nós, à mangueirada. 

A roupa foi para o lixo.

Tomámos banho.

Voltámos lavadinhos, lavadinhos. Sem vestigios de explosão canina....

O Vasco também, lavadinho e cheiroso...e mais calmo. Muito mais calmo...

Nem conseguimos olhar um para outro sem chorar a rir....

O Pedro sempre teve cães em casa dos pais e nunca, nunca lhe aconteceu nada parecido.

 

Pedro,

é assim...que os Marques H. R. recebem....

Nem nos teus sonhos mais selvagens!

Imaginarias!

.......que irias passar por esta praxe!

 

Pedro,

....bem-vindo à minha família!

 

 

14.06.18

lembrete

Joana Marques

 

If you love,

love completely,

cherish it,

say it,

but most importantly, show it.

 

Life is finite and fragile,

and just because something is there one day,

it might not be the next.

Never take that for granted.

Say what you need to say, then say a little more.
Say too much.

Show too much.

Love too much.

Everything is temporary but love.
Love outlives us all.”

 

R. Queen

 

10.06.18

nas bocas do mundo ...#31

Joana Marques

Fui surpreendida por este post.

Eu, o Pedro, a Alice e o Vasco...iguais.

Devíamos arranjar um topo de bolo assim....

Obrigada, Mimi...

 

Agradeço a todos os que por aqui têm passado e deixado comentários.

Está tudo a correr bem.

 

A Alice está numa fase maravilhosa.

A minha filha é a melhor do mundo. Diz esta mãe babada...

Adaptou-se muito bem à nova casa.

O Vasco também. O sofá do terraço é dele. O sofá da sala também. E o do escritório....

 

Roubou uma peúga e pôs Carcavelos em alvoroço.

Levámos o senhor Ludovino a um restaurante Cantonês e quase nos fez rebentar a veia....renal.

Eu e o Pedro. O Pedro e eu.

 

Está tudo pronto para o grande dia. Faça chuva ou faça sol.

No Alentejo. Ao pôr do sol. 

Joana Marques

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