Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Kiosk da Joana

Kiosk da Joana

o primeiro amor nunca se esquece

31.01.19, Joana Marques

A Alice começou a frequentar um infantário.

Não vai todos os dias. E quando vai é raro ficar mais do que 4 horas.

O infantário é mesmo aqui à porta de casa.

Sempre que passamos por lá, ela acha que vai ficar lá e reclama quando percebe que afinal não é para lá que vamos.

E quando a vou buscar. Vem sempre super bem disposta. Faladora.

- Déeeeeee.

Muitas coisas não percebo. Mas finjo que percebo tudo.  E ela lá continua...

- Bla, bla, bla, bla....déeeeeeeeeeeeee.

E ficamos nisto até eu cometer uma argolada de todo o tamanho e a miúda perceber que eu não acompanhei nada da conversa.

Fica furiosa. Zanga-se à séria.

Se é o Pedro a ir busca-la é mais ou menos a mesma coisa.

Déeeee para cá. Déeeee para lá.

Tantas vezes a miúda diz déeeee. Que. Já nos tínhamos questionado.

- Por alma de quem quererá dizer déeeee.

Será dente? Será detergente? Será detox?? Dente de Leão? Detetor de metais? 

 

Um dia destes quando a deixei. Perguntei à educadora. 

- Agora que fala nisso, ela diz muito isso, diz!

Respondeu-me a educadora.

 

Hoje deixei-a de manhã na escola.

Entrei. Cumprimentei a funcionária que a recebeu. E de repente a Alice largou-me.

E correu.

Agarrou um miúdo.

Abraçou-o. E disse...

- Déeeeee. Déeeeee.

O miúdo abraçou-a também.

 

Chama-se André.

Tem 3 anos.

Será o primeiro amor da Alice? 

 

filha de Vasco sabe roubar...

29.01.19, Joana Marques

O chefe. Do meu chefe. Do meu chefe.

Engraçou comigo, desde o primeiro dia.

Já dizia a minha avó: "mais vale cair em graça do que ser engraçado". 

E neste caso é mesmo verdade.

O senhor gosta tanto de mim que neste momento já não é o chefe do chefe do meu chefe. Porque desde que estive em Dublin com ele, passei a estar diretamente sobre a alçada dele.

Neste momento é o meu chefe.

 

Contei-lhe que tinha adotado a Alice.

Desde aí que nunca se esquece de perguntar por ela.

Contei-lhe do Pedro. Quis falar com ele por skype para o conhecer.

Eu faço sempre alguma cerimónia quando tenho de falar com ele.

Da parte dele sinto que me trata quase como uma filha.

É estranho mas é isso mesmo que sinto.

 

O senhor adora Portugal.

Mas só conhece a Quinta do Lago.

Quando aterra em Portugal, entra no hotel e só volta a sair no dia em que é para voltar.

Sempre que falamos e acabamos por falar algumas vezes por semana despeço-me sempre dele e convido-o a visitar o país como deve ser.

O Algarve é maravilhoso. E o resto?

Lisboa. Porto.

O Minho. Trás os Montes. E as beiras? A Lezíria??

O Alentejo! A publicidade que eu faço ao Alentejo.

E as ilhas!! Será possível que alguém visite o país sem passar pelas ilhas.

 

O senhor está de férias. Ele e a mulher.

Destino. Portugal. Algarve. Quinta do Lago.

Mas...

....o que lhe tenho dito deve ter mudado qualquer coisa naquela cabeça. Um dia destes ligou-me a dizer que estava no Porto. E no dia seguinte ia fazer um cruzeiro no Douro.

No dia seguinte ligou-me completamente extasiado.

Entretanto desceu. E passou o fim de semana em Lisboa. Conheceu Cascais. E Sintra.

Disse-lhe para ir ao Cabo Espichel. A Sesimbra. A Setúbal. E descer até Alcácer do Sal. Aquela vista da pousada é incrível!

Ainda me convidou para os acompanhar mas devido ao meu estado #rumoàtonelada disse que não. Não me custa nada andar mas a médica tem-me dito para estar quietinha e não ponho em risco a Mariana por nada nem ninguém.

 

Como o Pedro estava de folga hoje.

Aproveitei para o convidar, a ele e à mulher para almoçarem cá.

O Pedro fez o almoço. E eu ajudei. 

Confesso que estava um bocado ansiosa.

O senhor é muito acessível mas não deixa de ser meu chefe e era um bocado chato as coisas correrem mal.

 

Chegaram. 

Pegou logo na Alice ao colo.

A Alice olhou para ele. Sorriu. Mas tem a vida dela. E...

...toca de pedir para sair do colo e ir à vida dela.

 

Mas...

....o colo do senhor esteve pouco tempo vazio.

Eis se não quando do meio do nada apareceu a Gabriela.

E atirou-se para cima do colo do meu chefe. Quase enfartei.

Quase entrei em trabalho de parto quando vejo Sodona Gabriela a dar lambidelas tresloucadas na cara do senhor.

O senhor adorou. E eu voltei a ter as entranhas no lugar.

 

Fomos almoçar.

Correu tudo muito bem.

Conversa daqui. Conversa dali.

O Vasco rondava. A Gabriela também.

Acabou o almoço.

Achei eu que se iam embora logo a seguir.

Não!

Pois, instalaram-se aqui em casa. E ficaram. Ficaram. Até às 18h.

Uma pessoa tem vida. Mas enfim...

...não os ia mandar embora.

 

Não previa que ficassem cá tanto tempo mas estava preparada para servir lanche se fosse preciso.

Entre outras coisas cortei uns queijinhos alentejanos e coloquei num prato.

O meu chefe serviu-se de pão e do queijo. Em doses industriais.

Tirou uma fatia de pão do prato dele e colocou o prato na mesa de apoio aqui da sala.

E de repente vi o que não queria ver.

Gabriela chegou-se ao prato do homem e vá de roubar uma fatia de queijo.

O senhor distraído a comer. Nem notou. 

Eu olhei para o Pedro. E o Pedro olhou para mim.

A mulher dele estava com a Alice. Também não deu por nada.

O senhor na converseta. Foi ao prato dele buscar mais pão e queijo. Deixou o prato na mesinha.

E Gabriela. Não é tarde nem é cedo. Zássss. Toca de roubar mais um bocadinho.

Eu com suores frios.

O Pedro à beira de um AVC sistémico.

 

O senhor falava, falava. Eu em choque,

O Pedro em choque. Só dizia que sim com a cabeça. 
Para o senhor não pensar que estava a falar sozinho.

 

O senhor volta novamente a ir buscar mais pão e queijo.

E a Gabriela a espreitar pelo canto do olho. Tão nova e tão profissional, já.

E quando a Gabi vai para roubar mais queijo o Pedro agarra-a.

O senhor olha para nós e começa a rir-se às gargalhadas e diz:

- Foi por um triz! Foi por um triz.

E nós a dizer que sim com a cabeça!

 

Não se esqueçam que está a decorrer um passatempo.

Esqueci-me de colocar a data limite.

É até às 23h59 minutos do dia 31.

 

Há dois anos no Kiosk!

Há um ano no Kiosk!

Em Nova Iorque. Apanhei uma seca descomunal!

 

Já seguem o Kiosk?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

Vamos tornar isto mais interessante?

28.01.19, Joana Marques

Passatempo no Kiosk

Prémio: uma caixa com 3 garrafas de Paiol.

(quem não sabe o que é faz favor de ler este post)

E como ganham?

Têm de comentar este post com a data e hora de nascimento da Mariana.

Quem se aproximar mais ganha.

Não podem concorrer anónimos, ou então no final do comentário coloquem o nome.

 

Podem ler o post anterior para terem umas dicas de como as coisas se estão a desenvolver.

A data prevista para o nascimento da Mariana é dia 18 de Março.

Dia em que faço as 40 semanas.

Mas....

....a médica acha que nasce em Fevereiro. O Pedro também. O enfermeiro do hospital também. O meu pai e a minha mãe também. E os pais do Pedro.

Eu acho que nasce em Março. O Vasco também.

O Vasco não foi ameaçado nem nada....

 

Posso contar com a vossa participação?!

Há dois anos no Kiosk:

Este blog fez 6 meses!

 

Há um ano no Kiosk!

Um livro. Dois livros.

 

Já seguem o Kiosk?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

Digam lá 33!

28.01.19, Joana Marques

33 semanas já cá cantam.

Não é um feito que mereça ser eternizado através de uma estátua. Mas...

....posso eterniza-lo numa fotografia. Só porque sim!

jota.png

Para quem está grávida pela primeira vez tudo é novidade.

33 semanas. Significam também algum alivio. 
É certo que não quero que nasça já. Mas se nascer, as probabilidades de correr bem já são elevadas. Até porque se tiver de correr mal, corre mal em qualquer altura. Essa é que é essa.

 

A Mariana continua virada para baixo. Prontinha para nascer.

Hoje na consulta que tive lá me voltou a médica a dizer que chegar a Março, nem pensar.

A aposta dela vai para meados de Fevereiro. Lá para o dia dos namorados! Disse ela.

Ao que eu respondi.

- Que dia tão ranhoso para se nascer. Não quero! Vai estragar para sempre um momento romântico entre mim e o pai. Não nasce nesse dia....e pronto!

Cada vez que abro a boca no consultório a médica desata a rir. Tais são as pérolas.

E o Pedro fica apreensivo sempre que eu vou soltar essas pérolas.

Mas...

.....já perdeu aquele triste hábito de me contradizer. 

Neste momento. Ouve.

Pensa, para os botões dele: "casei com uma louca".

E sorri!

 

Sinto-me muito bem. 

Assim, mesmo bem. Choro por tudo e por nada...mas isso já acontecia.

E tenho ataques de riso de cair para o lado. Na rua e tudo.

É incontrolável.

Por exemplo. Eu e o Pedro estamos no sofá.

E de repente vem uma imagem à minha cabeça e começo-me a rir do nada.

Não consigo parar. Nem consigo explicar porque me estou a rir.

E o Pedro, pensa: está confirmado! Casei mesmo com uma louca.

Também me dá para rir quando toda a gente dorme nesta casa menos eu.

 

Hoje falámos do parto.

Tudo está a proporcionar-se para ser um parto normal.

Como sempre quis.

Mas nestas situações nunca fiando.

Tudo pode acontecer.

Devido ao meu historial de alergias será um parto preferencialmente sem recurso a qualquer medicação. Só tomarei se for mesmo necessário. 

Eu estou mais ou menos na boa. Porque sou uma otimista.

O Pedro está apreensivo. E acha que vai ser o fim do mundo.

 

Ainda consigo fazer tudo. Mas como apostei um almoço com a médica, uma garrafa de Paiol com o enfermeiro, uma viagem às ilhas Canárias com o meu pai e uma miniatura com o Pedro de que nasce em Março....estou a ter juízo. O Sporting é que me lixa o esquema todo!

 

Há dois anos no Kiosk:

Este blog fez 6 meses!

 

Há um ano no Kiosk!

Um livro. Dois livros.

 

Já seguem o Kiosk?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

quem não tem. Arranje!

27.01.19, Joana Marques

A médica avisou-me. Disse-me com todas as letras. Para ter juízo.

Deixar de lado o que me provoca mais stress e mais transtorno.

Em abono da verdade não sou assim muito stressada...

...em compensação sou do Sporting. E ser do Sporting é ter o coração na boca todos os jogos.

 

É lembrar-me do meu avô.

E do stress que tinha a ver e a ouvir os jogos do Sporting.

O stress que provocava na minha avó.

Nos filhos.

Que se tornaram também sofredores por esta causa.

Sportinguistas daqueles mesmo à séria!

Contagiaram-nos também, ainda nós não tínhamos nascido. Fazendo de nós, Sportinguistas também mesmo à séria.

De todas as heranças. Para mim esta foi a melhor.

Define-me como pessoa.

Seria uma outra Joana se não existisse o Sporting na minha família e na minha vida.

 

Ontem.

A coisa estava negra.

Uma guerra interna. Entre o meu anjinho bom e o outro. 

A Alice já dormia.

O Pedro estava a trabalhar.

Eu a olhar para o comando da televisão.

E com uma dúvida existencial.

- Vejo ou não vejo.

- Não vejo!

Estou grávida. A médica disse-me para me afastar do que me tira do sério.

- E se ligar a televisão e olhar para o jogo. Só olhar! Olhar não tira pedaço.

Liguei. Vi o resultado.

E mudei de canal.

Andei para trás no tempo e fui ver um episódio do Friends que está a dar novamente.

Vi o episódio.

Não me perguntem como foi o episódio.

Não sei.

Sei é que a Mariana estava histérica na minha barriga.

- Assim como assim, a miúda está acordada. Põe lá só um bocadinho o jogo.

Fiz a vontade ao anjinho mau que sobrevoava a minha cabeça. 

Mas...

....voltei ao Friends. O anjinho bom no comando.

De 30 em 30 segundos ia ao telemóvel ver o resultado.

- E se não atualizaram a página...e o jogo já deu uma grande volta? 

Voltei ao jogo.

Mariana doida.

Mexia-se tanto que às tantas pensei que ia deixar a posição que ocupa e que é a correta, para me pôr a fazer uma cesariana daqui a umas semanas. 

 

O Sporting ganhou.

Mudei o nome ao Kiosk. 

Enchi as tigelas dos cães.

Subi até aos quartos. Espreitei a minha Alice.

E deitei-me. 

Mariana. Tresloucada. 

- Credo. Parece possuída. Oh! Não! Será possível que ela tenha assistido à conferência de imprensa do Abel???

 

O Pedro chegou.

E eu contei-lhe. 

- Não sei o que se passa. Está de todo! Não pára quieta.

O Pedro fez festinhas na minha barriga. Falou com a Mariana. Conversámos os dois.

E de repente. A Mariana serenou.

 

Quem tem um Pedro tem tudo. Quem não tem, arranje!

O nosso não! É nosso! Não partilhamos com ninguém!!!

 

É claro que hoje de manhã. Voltei a queixar-me. Mas do contrário.

- Não sei o que se passa. Será que está a dormir. Está tão quieta.

 

Está tudo bem. Já deu sinal de vida. E está pronta para outra!

 

Há dois anos no Quiosque!

As redes sociais do blog!

 

Há um ano no Quiosque!

Quando achamos que vai ser assim.

E afinal é assado!

 

Já seguem o Kiosk?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

K

26.01.19, Joana Marques

Hoje é dia de festa.

Para mim.

Para a minha família.

 

Duas notícias boas!

O Sporting ganhou.

E percebi sem margem para dúvidas que a Mariana é do Sporting.

A festa que está a acontecer na minha barriga é a prova.

Com mil Slimanis!

Esta miúda pensa que está a jogar futebol, andebol e boxe pelo melhor clube do mundo.

Está a ganhar!

 

Para assinalar estas duas boas notícias.

E não nos esquecermos que há dias bons na vida.

Que é bom ser do Sporting! 

Este Quiosque vai deixar de se chamar Quiosque. 

Pois, meus amigos em honra de Keizer. Marcel Keizer.

A partir de hoje e até ao fim do campeonato, o Quiosque, vai passar a chamar-se: Kiosk!

K de Keiser!

K de Kiosk!

 

Há dois anos no Kiosk!

Parabéns tia Luz.

 

Há um ano no Kiosk!

Tão atual. Este post.

 

Já seguem o Kiosk?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

 

 

 

 

 

os fantasmas não existem...

25.01.19, Joana Marques

As férias no Alentejo eram tudo de bom.

Eu, o meu irmão e os meus primos.

Brincávamos muitas vezes juntos mas havia quem se desse melhor com este e com aquele.

O meu comparsa era o meu primo Filipe.

Eu com 8 anos. Ele com 10.

Passávamos horas e horas fora de casa.

Naquele tempo a infância era mesmo infância.

E as brincadeiras eram para ser brincadas sem horário.

Havia uma regra. 

12h30. Era a hora de almoço.

19h30. Era a hora de jantar.

Se cumpríssemos as horas das refeições.

A vida era nossa. O tempo era nosso. A vida era boa.

 

O meu comparsa. Tinha uma bicicleta. Não era bem dele.

Era de todos nós.

Andava por lá pela arrecadação da minha avó. Era velha e ferrugenta.

Mas andava e era isso que interessava.

Eu nunca soube andar de bicicleta pelo que não havia qualquer crise. O Filipe podia dispor dela a qualquer hora. Mais...

...eu também usufrui-a. Porque não sei muito bem como...ele dava-me boleia.

 

As crianças devem ser protegidas por alguma entidade secreta. Um anjo da guarda, talvez.

Uma bicicleta pequena, conduzida por um puto de 10 anos a todo o vapor com uma miúda de 8 anos pendurada.

Íamos a todo o lado. Percorríamos tudo. Corríamos.

Chegávamos ao Alentejo pálidos e deslavados. Saíamos de lá escurinhos, com cor de saúde.

 

Um dia. O nosso poiso foi na escola primária lá da terra.

Ainda era longe da casa da minha avó. Uns 25 minutos a galopar na bicicleta.

O meu primo conduzia.

E eu Joana, ia pendurada não sei muito bem onde.

Levava uma bola porque na escola havia uma tabela de basquetebol e íamos ficar a jogar toda à tarde.

 

A escola primária era linda. Como todas as escolas primárias antigas.

Não era murada.

Ficava num terreno amplo.

Atrás, fora da escola tinha as casa de banho e um átrio. Com a tal tabela de basquetebol. 

À frente tinha um alpendre do lado esquerdo. Do lado direito tinha 3 grandes janelas.

Cada janela tinha uma espécie de viveiro com flores.

 

Chegámos.

O meu primo tirou do bolso um bocado de giz que tinha pedido, por favor, ao alfaiate lá da terra chamado Tomás.

Começámos a desenhar no chão o jogo da macaca.

Joguei eu. Jogou ele. Joguei eu. Jogou ele. De repente parou de jogar. E...

.....apontou para a primeira janela, quase colada ao alpendre. Disse.

- Ei! Ei! Olha ali um fantasma!!!

Eu olhei.

Nada. Não vi fantasma nenhum.

- Vá joga!

Disse o meu primo.

- Não! Também quero ver o fantasma!

- Achas? Joga, lá! Tu se calhar não consegues ver fantasmas!

- Se tu consegues ver fantasmas, porque é que eu não havia de conseguir ver fantasmas?

- Sei lá. Porque nem toda a gente consegue...

- Ajuda-me a subir à janela, para eu espreitar lá para dentro. Também quero ver o fantasma!

 

O meu primo lá me ajudou, a trepar para o viveiro das flores, para eu espreitar pela janela.

Estava eu concentrada. 

Estava quase, quase a espreitar pela janela quando o meu primo disse, num tom de voz de perigo. A apontar para o alpendre.

- Cuidado, Joana! Sai daí.

Olho de lado. Vejo um ninho de vespas. E algumas vespas na minha direção.

Assustei-me! 

E na ânsia de fugir do ataque iminente.

Bati de frente no telheiro do alpendre.

Assustei-me ainda mais.

Com a parte da frente da cabeça a latejar.

Caí de costas nas escadas que davam acesso ao alpendre.

 

Ali. Jaz. Joana Marques. 

Ali. Estava o fantasma. Não o que procurava. Eu própria era um fantasma.

Ainda estava a tentar perceber o que me tinha acontecido.

Via o meu primo. Com o dedo apontado para mim. A rir que nem um desalmado.

Ria. Ria. Sem conseguir parar.

E continuava a rir.

Se fosse asmático tinha falecido de tanto rir.

 

Ajudou-me a levantar.

E percebemos que tínhamos um problema entre mãos. Segundo o meu primo, a minha testa parecia um ovo estrelado.

- O que é que vamos dizer em casa? Se sabem o que aconteceu nunca mais nos deixam sair...

Anteviu o meu primo.

 

Tinha dores no corpo todo.

Principalmente na cabeça mas passou-me tudo.

Pensar que não podia sair de casa quase me matou.

Para isso mais valia passar as férias em Lisboa....

- Uma coisa é certa não podemos contar a verdade. Se a avó sabe que nos afastámos tanto de casa e que ainda por cima subiste à janela da escola...estás a ver, não estás?

- E o avô?? Se ele sabe?? Vais ver que os outros vão poder continuar a sair e nós vamos ficar trancados de castigo. 

Os outros eram o meu irmão e os meus outros primos. Mais velhos. E com mais juízo.

- Podemos dizer que caímos da bicicleta. E tu não apanhaste nada.

- NÃO! Tiram-nos a bicicleta e depois? Temos de andar a pé!! Diz que tropeçaste e caíste. Podias muito bem estar a andar e caíres.

- É isso. Caí! 

- Caíste e bateste com a cabeça.

- Pois. Caí e bati com a cabeça.

Voltámos para casa. 

Quase morri no caminho. Toda dorida. Encolhida na bicicleta.

 

Entrámos em casa. A minha avó veio ter connosco por causa do lanche.

Ainda tive esperança que ela não desse conta.

Sempre tinha ouvido dizer que as pessoas mais velhas viam mal. 

Todas as minhas esperanças caíram por terra.

Quando ela fez o ar mais horrorizado desta vida.

- Ó Jesus! O que é que te aconteceu.

O tom da minha avó era tão grave que apareceu o meu avô.

O que é que me tinha acontecido era a pergunta. 

Lá estava eu. Na berlinda.

O meu primo antecipou-se e respondeu.

- A Joana caiu.

- Caiu??

Se tivéssemos dito que tinha sido atropelada por uma manada de búfalos era considerado mais credível.

Comecei a ver que a nossa história tinha falhas. Pelo que acrescentei.

- Nós vimos um fantasma. Assustei-me tremendamente. E caí.

Lembro-me como se fosse hoje. De ter dito a palavra tremendamente. E do meu avô se ter desmanchado a rir com a história do fantasma.

O meu primo, atrás do meu avô e da minha avó fazia gestos para não contar a história do fantasma.

- Viste um fantasma? E como é que ele era?

- Eu não o vi. O Filipe é que viu e eu assustei-me tremendamente e caí. 

- E por onde é que vocês andavam?

- Aqui perto. Mesmo aqui perto. Não andávamos Filipe?

- Mesmo, mesmo perto.

 

Chamaram o médico para me ver. Porque estava moída dos pés à cabeça.

No dia seguinte.

Fomos chamados pelo meu avô.

Entrámos no escritório muito a medo.

Entregou-nos a bola.

É o problema das terras pequenas. Toda a gente se conhece. E toda a gente sabe tudo.

A bola tinha sido encontrada na escola. Tinham-na entregue aos meus avós.

Tivemos de contar a história toda. 

Eu tive de contar a história toda.

O meu primo começou a rir....e nunca mais parou.

Apanhámos um raspanete.

E um sermão sobre os perigos da vida.

E sobre a responsabilidade e essas coisas....mas sobretudo por termos ocultado uma parte da verdade.

E que só não nos castigava porque eu já estava a sofrer a minha penitência. Com um corpo num flagelo, só...

Perguntou se tinhamos percebido tudo?

Eu disse que sim com a cabeça. O meu primo disse que sim com a cabeça.

 

Quando saímos do escritório. O meu primo disse:

- Joana, não sei se sabes mas...os fantasmas não existem. Por isso não andes para aí a contar que eu vi um...

- Como não? Mas tu disseste que viste??

- Claro que não! Foi para te assustar!

 

O meu primo Filipe faz hoje 40 anos.

Parabéns!

Sabes, não sabes...que me fazes tremendamente feliz!

 

 

Há dois anos no Quiosque.

O senhor Ludovino. E o Gregório.

 

Há um ano no Quiosque.

Post 1: O Vasco. E o polícia.

Post 2: Uma pessoa parte uma perna. E...

...o tempo que leva até voltar ao normal.

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

 

o cartão

23.01.19, Joana Marques

Já andava para ir ao oftalmologista desde...

...nem sei.

Quando conheci o Pedro já andava para ir ao oftalmologista. 

O Pedro chateia-me sempre que se lembra. E ele lembra-se muitas vezes.

Até que finalmente fui. Hoje!

Está tudo bem. Um acerto numa das lentes. Só isso. E a vantagem de não ter de ouvir...

- Já marcaste?

- Queres que marque?

-Então quando é que vais marcar?

- Queres que vá contigo?

- Tens medo de quê, para ainda não teres marcado?

- Sentes alguma coisa?

- Alguma névoa nos olhos?

 

Não conhecia o médico. O meu médico de sempre reformou-se. Fui um bocado à aventura.

O médico no final, deu-me um cartão com os vários consultórios onde dá consulta.

Agradeci. Saí de lá depressa. Parece mentira o que eu vou dizer...

 

(querido marido, pára de ler!.....

..vai fazer a ronda pelos doentes operados, se faz favor!!)

 

.....quero distância dos médicos.

(não de todos...claro! Há um que gosto muito de ter por perto...)

A sério. Acho-os perigosos. Querem resolver tudo com comprimidos...

....blhec! Ou com operações. Muito gosta esta gente de pôr a mão nas nossas entranhas.

Quero distância. Alguma distância! Muita...

 

Voei do consultório e fui às compras.

Fiquei na fila.

A verdade é que me sinto bem e por isso não preciso que me ofereçam a prioridade. 

Por enquanto não preciso. Amanhã ou depois posso precisar.

O mais parvo de tudo é que as pessoas que estão à minha frente raramente oferecem a vez. Os funcionários é que normalmente chamam à atenção. E o que respondem?

- Ah! E tal não vi!

Hoje! Tal e qual!

Só me apeteceu perguntar:

- Como não viu?? É impossível não ver! A minha barriga é como a muralha da China, vê-se do espaço! Um dia destes vai por aí aparecer uma fotografia da Terra com uma bossa...é a minha barriga! E eu vou poder dizer:

- Vês Mariana, vês...isto és tu quando estavas na barriga da mãe!

 

Não disse nada disto, só pensei.

Apenas tirei da carteira. O cartão do oftalmologista.

E dei ao senhor.

Com um...

- Acho que precisa mais dele do que eu.

O senhor agarrou nas compras meio confuso. E foi a olhar para o cartão.

 

A melhor piada que eu alguma vez fiz na vida. E o visado não percebeu...

....em compensação.

Eu!

Fui desde a caixa do supermercado até ao carro a rir-me sozinha. 

 

Por sorte. 

Durante o trajeto.

Ninguém me ofereceu um cartão com o contacto de um psiquiatra.

 

Há dois anos no Quiosque!

O Vasco. E o seu ataque de ansiedade...

 

Há um ano no Quiosque!

Gostei de escrever este post!

Fez sentido para mim...

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

Que raio de figuras são essas, Senhor Doutor!

22.01.19, Joana Marques

Hoje era dia de eu ir à médica. 

Escolheu-se este dia porque o Pedro estava de folga. Mas...

...às vezes não corre como temos planeado. E, ontem disse-me que tinha de ir ao hospital de manhã.

Para o homem não estar a ir para Lisboa e a voltar e depois a ir outra vez comigo.

Combinámos que ficava por lá a adiantar trabalho e eu ia ter ao hospital.

Deixei a Alice no infantário.

 

Cheguei ao hospital e vi o Pedro ao longe. Não me viu.

Fiquei a olhar para ele.

Um ar sério.

Sem mostrar os dentes. Compenetrado.

Parecia cansado.

 

Lá me viu. Veio ter comigo.

Deixámos o hospital e seguimos no carro do Pedro para a maternidade.

Durante a consulta.

O mesmo Pedro do hospital.

Sério.

A olhar para valores que a mim não me dizem nada.

A fazer perguntas à médica. Esta a responder. E ele a rebater à espera de ser convencido.

Mais...

...a rebater as minhas certezas! 

Embora a data de nascimento da Mariana esteja para 18 de Março, data em que faço as 40 semanas a médica diz que por experiência própria e com todos os indicadores que tem, arrisca a dizer que a Mariana nascerá lá para o final de Fevereiro. Eu disse que não! 

- Em Fevereiro nasci eu! A Mariana nasce em Março!

O Pedro quase me liquidou com o olhar. 

 

Saí de lá com algumas recomendações.

Não estou em repouso absoluto mas a médica diz para ir moderando pelo menos até às 36 semanas.

- Se conseguires aguentar até às 36 semanas será espetacular!

Disse-me ela.

 

Voltámos ao hospital do Pedro. Para ir buscar o meu carro. 

O homem não brinca em serviço, nunca!

E durante a viagem entre a maternidade e o hospital.

Lá estava o Pedro sério.

Quase carrancudo.

Com duzentas e cinquenta mil recomendações e com tudo o que pode correr mal.

- Não sejas pessimista, homem! Vai correr tudo bem!

Respondeu-me o mesmo de sempre!

Não é pessimista. É realista!

Percebeste, Joana!

- Sou realista!

 

Fiz a viagem de regresso a casa sozinha.

Ao som dos Muse.

Quase enfartei quando na marginal parei num semáforo, e percebi que estava aos berros a cantar.

E mesmo, mesmo ao meu lado estava um carro com o Pedro lá dentro. 

 

Chegámos mais ou menos ao mesmo tempo.

O Pedro foi buscar a Alice.

A Alice vinha tão suja de brincar que lhe dei banho mais cedo que o normal e vesti-lhe o pijama.

Lanchámos todos. Mas a nossa miúda pediu licença para agarrar numas bolachas e ir para a sala brincar...

...lá foi.

Eu subi até ao sótão (onde temos o escritório), para ver se tinha recebido algum email de trabalho.

O Pedro ficou com a Alice na sala. O Vasco subiu comigo. Claro!

Respondi aos emails mais urgentes e 20 a 30 minutos depois desci.

Ouvi o barulho do aspirador. 

 

Por momentos. Pensei.

- Ai caneco! Estou a ter uma alucinação daquelas, caneco. Alguém me ajuda...

O Pedro estava deitado no chão. A rir à gargalhada.

A Alice também se ria à gargalhada!

E ....

......estava toda contente a aspirar o pai.

 

Ai Senhor Doutor! Que raio de figuras são essas, Senhor Doutor!

Alice e Pedro.jpg

É engraçado ver como é uma pessoa diferente quando está em casa connosco.

O médico sério do hospital. Dá lugar à mais bem disposta das pessoas!

 

Este é o post número 1000.

Como é que eu cheguei até aqui? Nem eu sei...

...mas sei que calhou mesmo bem.

Porque este post é sobre as pessoas que mais amo. 

 

Há dois anos no Quiosque!

O Vasco. E o seu ataque de ansiedade...

 

Há um ano no Quiosque!

Ai que horror! Mais uma Joanice...

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

 

E eu disfarcei uma lágrima

21.01.19, Joana Marques

Fui com a Alice ao pediatra.

Rotina. Para ver se está tudo a correr bem. 

Está tudo a correr bem!

 

Quando lá cheguei estavam uns quantos miúdos a brincar no mini parque infantil que está a um canto da sala de espera.

A Alice fez logo sinal que queria ir brincar também.

Deixei-a.

Agarrou logo nuns cubos e começou a emparelha-los uns em cima dos outros.

Juntou-se uma miúda.

Reclamação de uma. Reclamação da outra.

Gritinho para cá. Gritinho para lá.

Lá iam as duas brincando com os cubos.

E com o tempo lá se entenderam.

Tirei a minha agenda de dentro da carteira. E abri.

Mas...

...os meus olhos iam sempre parar à minha miúda.

Muito concentrada na brincadeira.

 

De repente olhou para mim. E apanhou-me a olhar para ela embevecida.

A cara dela desfez-se num sorriso gigante.

Daqueles de cara toda.

Daqueles que lhe faz franzir o nariz e fechar os olhos.

Com a mão...

...atirou-me um beijo. 

 

E eu disfarcei uma lágrima.

 

No Quiosque há dois anos.

Para quem não é vegetariano. É uma boa alternativa.

 

No Quiosque há um ano.

Post 1: Gosto deste Quiosque porque vou relendo

os posts antigos e lembro-me de pessoas que adoro!

 

Post2: O dia em que herdei a minha casa alentejana!

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

 

o meu nome do meio

21.01.19, Joana Marques

Na minha cabeça tinha um post escrito para hoje.

Ia falar da linhaça e de todos os seus benefícios para a saúde.

Mas...

....o melhor benefício de todos, nem sempre é comestível!

O carinho que recebemos dos que nos rodeiam, não alimenta o estômago mas alimenta a alma e o coração.

Hoje cheguei aqui ao sapo e deparei-me com este post do Nuno.

Deixou-me sem palavras.

 

E depois fui à página dos destaques e deparei-me com este destaque.

A minha entrevista no blog da Nuvem.

O mérito é todo da Nuvem que por razões que a razão desconhece achou que eu tinha alguma coisa para contar.

O destaque é da Nuvem. Mas...

....é como se eu tivesse alguma coisa a ver...

 

Os senhores e senhoras do Sapo blogs que destacaram o post.

Podiam ter destacado qualquer um da Nuvem. Mas foi logo este.

 

Vou esquecer a linhaça por tempo indeterminado....

Fico de coração cheio por uns tempos. 

Coração. Porque barriga..querem mesmo que eu fale sobre isso!

Mamute, meus amigos. Joana Mamute Marques.

Mamute é o meu nome do meio! 

 

No Quiosque há dois anos.

Para quem não é vegetariano. É uma boa alternativa.

 

No Quiosque há um ano.

Post 1: Gosto deste Quiosque porque vou relendo

os posts antigos e lembro-me de pessoas que adoro!

 

Post2: O dia em que herdei a minha casa alentejana!

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

 

o que uma pessoa faz por amor...

19.01.19, Joana Marques

O meu pai tem como hobbie comprar peças de carros e aviões. 

Monta-las. E experimentar se funcionam. Normalmente sim.

Não são carros nem aviões a sério, são miniaturas.

Andam e voam.

Parecem brinquedos de crianças mas não se pode dizer isto à frente do meu pai que ele fica furioso. Tal e qual como quando o Sporting não ganha.

O meu pai tem um grupo qualquer, diz que são pessoas verdadeiras que fazem corridas com os carrinhos. 

 

A minha mãe como mulher normal que é, afastou o meu pai e o seu hobbie de casa.

E obrigou-o a criar uma assoalhada só para ele no fundo do quintal.

A Internet e as compras online mudaram a vida do meu pai.

Antes comprava as suas miniaturas quando ia de viagem a países mais expeditos.

Ou, encomendava em lojas que faziam a encomenda a lojas estrangeiras.

Às vezes demorava mais de um ano a chegar a peça que o meu pai tinha pedido.

Agora não! Uma semana, às vezes menos. E lá vem a peça.

 

Para desgosto do meu pai o meu irmão não dá um tostão furado por este hobbie.

O meu cunhado também não.

E os netos, parece-me que seguem os pais.

Até que a filha mais nova do meu pai. Tratou do assunto.

Um dia foi ao médico. E apaixonou-se por ele. E isso mudou tudo!

 

Às vezes desconfio que o Pedro só casou comigo porque conheceu o meu pai e a sua oficina.

Quando entrou pela primeira vez lá quase teve uma apoplexia.

Saiu de casa dos meus pais a dizer.

- Sempre quis ter algo parecido mas passei a minha vida a estudar e sem tempo para estas coisas.

Quando vou a casa dos meus pais com ele é certo e sabido que o homem entra pela oficina adentro e esquece-se do tempo tal como o meu pai. 

 

Saiu um novo modelo. Lá das miniaturas. E...

...o meu pai encomendou logo. Mas...

....foi passar uns dias ao Algarve com a minha mãe. Agora que a Alice já vai uns dias para o infantário os meus pais têm outra vez liberdade.

Preocupação do meu pai. 

- As miniaturas! E eu não estou em casa!! Para onde vão?

- Ficam nos correios e quando chegarmos vais lá buscar. 

Disse-lhe a minha mãe.

- E se passa o prazo e são devolvidas.

- Pagas outra vez os portes. E eles enviam outra vez.

Mais uma vez a minha mãe.

- E se se perdem no caminho?

- Vamos para o Algarve e pronto!

Disse a minha mãe. E é assim que uma mulher termina uma conversa. Nem mais um pio! E pronto!

 

O Pedro, esse grande querido, prontificou-se para receber a encomenda.

- Envie um email e dê-lhe a nossa morada. Pode ser que ainda vá a tempo.

O meu pai achou esta ideia, a melhor ideia de todos os tempos.

Se o meu pai pertencesse ao comité que atribui os prémios Nobel tinha-o entregue ao Pedro sem passar por qualquer dos filhos.

Uma vergonha, portanto!

Ainda disse ao Pedro.

- Quando a encomenda chegar, abre para ver se não falta nada. E se tiveres tempo monta-a para ver se está tudo ok.

O meu pai gosta do processo todo mas parece-me que só se dá ao trabalho de juntar peça por peça para ver a engenhoca a funcionar.

 

Chegou ontem a encomenda. 

Fui eu que a recebi.

Coloquei-a em cima de um móvel que temos na entrada de casa e nunca mais me lembrei.

O Pedro chegou já pelas 18h.

Despachámos a Alice.

Jantámos nós.

Estivemos na sala um bocado. Tínhamos intenção de ver um filme mas perdemos-nos a falar.

Assim, chegou a hora de irmos dormir.

E os olhos do homem foram direitinhos à encomenda.

Quando lhe disse que já me tinha esquecido de semelhante coisa. O homem olhou para mim com um olhar de perplexidade misturado de:

- Eu não te entendo mulher!

Dormimos. O Vasco acordou-me. 5h30.....

...deixei-me estar na cama. Quando a Alice acordasse logo me fazia à vida.

Mas...

...percebi que o homem não estava na cama.

Fui dar com ele de volta da miniatura. 

Pelo que percebi o homem não faz só noites no hospital. 

 

Por volta das 7 horas da manhã tinha terminado a obra prima.

Era tipo um jipe.

Mandou uma mensagem ao meu pai com uma foto.

O meu pai respondeu de volta com:

- Que maravilha!

A Alice acordou. Tomámos todos o pequeno almoço e diz o Pedro.

- Olha lá e se fossemos aqui ao lado com o carrinho?

- ?

- Sim, Joana. Íamos com o carrinho para o experimentar no alcatrão e podíamos filmar e eu enviava o vídeo ao teu pai.

- Não podes ir só tu?

- Tens de ir. Como é que queres que eu comande o carro e filme ao mesmo tempo? Não dá!

 

7h30.

Sai de casa Joana, grávida de oito meses. Pedro. E Alice. O Vasco não quis. A Gabriela muito menos!

Fazia frio.

Estava chuvoso.

Lá saímos nós para a rua paralela à nossa, uma rua sem saída rodeada de prédios. O Pedro escolheu este local porque praticamente não tem trânsito.

Se bem que às 7h30 de um sábado de janeiro. Muitos sítios não têm trânsito...TIPO! A minha casa!

 

O Pedro levava a miniatura aconchegada dentro do casaco. Antes que apanhasse frio e assim...

Pôs a miniatura no chão.

E começou a experimentar.

A Alice não achou graça nenhuma. E começou a choramingar.

 

O homem a telecomandar o carrinho.

A grávida de oito meses com uma criança ao colo e o homem a dizer:

- Vê lá se consegues filmar?

 

O homem a telecomandar o carrinho.

A grávida de oito meses com uma criança ao colo e com o telemóvel a filmar o carrinho e o homem a dizer:

- Consegues apanhar tudo?

 

O homem a telecomandar o carrinho.

A grávida de oito meses com uma criança ao colo e com o telemóvel a filmar. E pessoas atraídas pelo barulho do carrinho a espreitar pela janela. E o homem a dizer:

- Cuidado! Não cortes a imagem!

 

O homem a telecomandar o carrinho.

A grávida de oito meses com uma criança ao colo, com o telemóvel a filmar e começou a chover.

 

O homem apanhou o carrinho. E arrumou-o dentro do casaco. E disse:

- Que chatice! Esqueci-me do guarda-chuva! Não sei se dá para o teu pai se aperceber das potencialidades todas desta maravilha!

 

Sim porque.

O homem a telecomandar o carrinho.

A grávida de oito meses com uma criança ao colo, com o telemóvel a filmar e com um chapéu de chuva na mão....e um convite para fazer malabarismos no Cirque du Soleil.

Só para saberem o vídeo ficou impecável! 

 

Há dois anos no Quiosque!

Aquela vez que tive piolhos!

 

Há um ano no Quiosque!

O Vasco e toda a sua tralha!

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life 

Bloglovin

ninguém sabe o dia de amanhã!

18.01.19, Joana Marques

Sempre fui uma aluna normal.

Até tirava notas altas nas disciplinas que gostava e passava à tangente nas disciplinas que abominava.

Educação visual tinha sempre 5. Adorava! Tinha jeito.

Para além dos meus trabalhos fazia o trabalho dos colegas que pediam e que tinham nascido sem jeito nenhum para o desenho e artes visuais. Isto claro, sem o professor dar conta...

...eu acho que às vezes desconfiava. Mas nunca disse nada.

Gostava de Matemática, Física, Química, Inglês, História e mais tarde, Economia, Contabilidade e Cálculo Financeiro. Educação Física, passava à tangente. Francês e Geografia, também. Ciências, outra que tal. Estudava à última da hora. E pedia uma inspiração de última hora. Acabei o liceu com 15. Uns furos abaixo do que os meus irmãos tinham conseguido.

 

Mudei. Quando comecei a trabalhar.

Como trabalhava e estudava ao mesmo tempo.

Comecei a dar mais valor a tudo. E não só.

Não fiquei fã dos tempos em que andei na faculdade.

Não fiquei fã da licenciatura que tirei. Gestão.

A estratégia que arranjei para sair dali depressa foi não deixar cadeiras para trás. 

No final dos 5 anos tive a melhor média de curso desse ano. Terminei com 16.

Com a licenciatura feita, não mudei de trabalho.

Nem tentei. Porque gostava do que fazia. Gostava muito.

Trabalhava muito.

Porque sempre tive uma grande capacidade de trabalho. E ao fim de um tempo...

...convidaram-me a tirar um mestrado em Psicologia.

Para poder ambicionar a outros voos na empresa onde estava e nas funções que desempenhava teria de o fazer.

Não pensei duas vezes. Aceitei o desafio. 

No final gostei. Aprendi algumas coisas que uso até hoje. Outras nem por isso. Mas...

...como dizia a minha avó: "o saber não ocupa lugar". Saí do mestrado com mais ferramentas. Ferramentas essas que usei a partir daí.

 

Por essa altura tinha começado uma relação (com o meu segundo namorado).

E, as coisas começaram a ficar sérias. Com o passar do tempo começámos a falar em ter um filho. Mas tanto ele como eu tínhamos horários de trabalho tudo menos compatíveis com uma criança.

- Quem muda?

- Muda tu.

- Não, muda tu!

Comecei à procura de trabalho. Encontrei. No mesmo ramo mas numa outra empresa.

Mandaram-me para Inglaterra tirar uma pós-graduação para me tornar especialista no trabalho que iria fazer. Logo a seguir fiz um estágio em Roma.

 

Anos e anos de estudo. 

Anos e anos de trabalho.

Férias sem serem gozadas.

Fins de semana e mais fins de semana no escritório.

Reuniões em cima de reuniões. Algumas produtivas outras para encher chouriços.

E eis que cheguei aos dias de hoje!

 

Quase 38 anos e deparo-me com o mais terrível dos trabalhos.

Um trabalho em que sou avaliada todos os dias.

Por uma patroinha muito exigente.

O meu trabalho é visto de forma minuciosa. E ao milímetro.

E às vezes é devolvido. Porque patroinha não gostou.

 

Esta patroinha não é só exigente.

Também é um bocadinho temperamental.

Às vezes chateia-se a sério. Desiste de mim.

E a batata quente passa para o pai. 

alice.png

Hoje saí-me bem. Mas...

...ninguém sabe o dia de amanhã!

 

Há dois anos no Quiosque!

É a ler estas coisas que percebo que tenho um parafuso mal apertado!

 

Há um ano no Quiosque!

Post 1: foi mamã!

 

Post 2: agora dá-me vontade de rir.

Eu e o meu drama amoroso 2017/2018.

 

Post 3: escrevia eu...babadérrima, sobre a Alice!

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life 

(alguém tem conhecimento de worshops?

Divulga neste grupo!)

Bloglovin

 

 

 

a devolução

17.01.19, Joana Marques

9 de janeiro de 2014

quinta-feira

 

Estava doente. Aquela dorzinha na garganta. Aquele mau estar geral.

Aquela febre que não era muita mas não passava e atormentava.

O meu pai disse-me para ir ao médico.

A minha mãe disse-me para ir ao médico.

Os meus irmãos disseram-me para ir ao médico.

O meu namorado da altura era médico. E disse-me para ir ao médico. 

Como era asmática, ainda sou, achou que não devia brincar com a situação.

Fui ao médico? Claro que não!

 

10 de janeiro de 2014

sexta-feira

Continuava doente. 

Mas...

...o fim de semana estava à porta. O meu namorado ia trabalhar no dia seguinte.

E eu queria ir a Paris. Aos saldos. 

O meu pai disse-me para não ir.

A minha mãe disse-me para não ir.

O meu namorado disse-me para não ir.

Eu fui. 

 

11 de janeiro de 2014

sábado

 

Estava doente. Mas diverti-me à brava...

..fiquei em casa de uma amiga minha. E palmilhámos Paris. Como Paris merece.

O Sporting empatou com o Estoril. Tirou um pouco o brilho à minha alegria mas...

...Paris é Paris!

 

12 de Janeiro de 2014.

Domingo

 

Estava doente.

O corpo gritava por repouso. A febre rondava os 39. 

Nada que um antipirético não resolvesse.

Voltei de Paris.

Os meus pais voltaram a dizer-me que devia ir ao médico.

O meu namorado.

Os meus irmãos. Os meus amigos.

- Ah! E tal...amanhã logo vejo como estou mas tenho mesmo de ir trabalhar de manhã!

 

13 de Janeiro de 2014

segunda-feira

 

- Estão a ver que eu tinha razão? Médico para quê! Estou ótima.

Disse eu em alto e bom som! Para toda a gente ouvir.

 

17 de Janeiro de 2014

sexta-feira

 

Estava muito doente.

A minha febre subiu até aos 40º. E não baixava por nada deste mundo.

Mal conseguia estar em pé.

Fui ao hospital.

Pneumonia. Bilateral.

 

Uma reação alérgica grave a um medicamento fez-me parar o coração.

Faz hoje 5 anos que morri.

Faz hoje 5 anos que acordei. E sobrevivi.

Quando abri os olhos. Entubada e sem poder falar. Vi os meus pais a chorar.

Nunca tinha visto o meu pai a chorar....

...confusa. Sem saber onde estava. Pensei para mim...

- Alguém morreu.

Mais tarde percebi quem tinha morrido. Eu.

 

Na minha família dizem que fui devolvida.

Por defeito. Digo eu.

Faz hoje 5 anos. Que nasci outra vez.

 

Já leram a entrevista que dei ao blog

"nas nuvens de um terceiro andar" ?

 

No quiosque há dois anos

Um churrasco....

 

No quiosque há um ano

ah! ah! Coitado do Vasco!

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life

Bloglovin

 

 

esta miúda vai-me dar tanto trabalho...

16.01.19, Joana Marques

Desde este post até ao dia de hoje não mudou muita coisa.

E para dar este passo foi preciso mentalizar-me bem mentalizada.

O passo que dei não foi bem um passo, foi um passinho.

Pequenino.

Mais pequeno que os passos da Alice.

 

A ideia nunca me seduziu mas era uma questão de tempo.

Pelo menos aos 3 anos tinha de ir.

A nossa casa tem dois infantários muito perto. 

Quando passamos por aquele que está mais próximo da nossa casa chama sempre a atenção da Alice. Vê os baloiços. Vê os meninos a brincar. 

Eu e o Pedro começamos a pensar se não seria bom a miúda começar aos poucos a habituar-se a estar de vez em quando longe dos pais e dos avós. Porque um dia destes pode mesmo ser preciso e quando for mesmo preciso, o choque é maior.

E se esta necessidade surgisse quando a Mariana nascesse? 

Pareceu-nos que seria bastante cruel para a Alice.

Podia interpretar como se estivéssemos a livrar-nos dela para ficar com a irmã.

 

Não é tarde nem é cedo. Fui lá expor o meu caso.

- Não quero dar este passo. Mas preciso dar este passo. 

Sugeriram para a deixar lá uma tarde ou uma manhã.

Escolhi uma manhã porque já não dorme a sesta de manhã.

Adorou.

Vinha tão entusiasmada. Queria falar tão depressa, tão depressa. Que atropelava as palavras todas.

Nessa semana só foi essa manhã. Mas sempre que passava pela rua do infantário fazia sempre uma festa.

Experimentei duas manhãs seguidas. Adorou, outra vez.

Quando me viu veio ter comigo para logo fugir e ir brincar com não sei quem.

Até que experimentei um dia todo. Hoje!

 

Durante o dia quase faleci. Tive de me segurar para não telefonar mas aguentei-me.

Fui lá deixa-la às 8h da manhã e fui busca-la às 16h depois da sesta.

Não fazia sentido ir acordá-la.

Trouxe-a para casa. A miúda sempre numa grande converseta a contar tudo e tudo e tudo.

Não percebi dois terços da conversa. Mas era mais um monólogo do que uma conversa.

Dei-lhe banho.

Preparei-lhe o jantar. A miúda limpinha e lavadinha a matar saudades dos cães. 

Adiante.

À hora de jantar. Sentei-a na cadeira. Tinha o jantar à frente. E ela disse-me...

- Não!

- Não?

- Não!

Olha, esta é nova! Nunca recusou nada comestível na vida.

Insisti. 

- Não!

Desisti. Deixei-a estar na cadeira. E continuei na minha vida. Às vezes lá deitava um olho para ver o desenvolvimento. 

De repente.

Deitou cá para fora um suspiro. Meio que revirou os olhos. E começou a comer..

 

Esta miúda vai-me dar tanto trabalho. 

 

Há dois anos no Quiosque!

Post 1:

Era segunda feira.

E alguém (Vasco) acusava algum cansaço.

 

Post 2:

Na altura já seguia as cores dentro do prato.

Não da forma como hoje sigo...

 

Há um ano no Quiosque!

Post 1:

Não foi bom. Vacinas!

 

Post 2:

Já tentei mas não me consigo enquadrar.

Sou mãe. Mas....

 

Post 3:

Quando eu comecei aquele mal fadado desafio de fotografia.

 

Já seguem o Quiosque?

Instagram

Facebook

handmade life

Bloglovin

Pág. 1/2