Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

50%

31.03.19, Joana Marques

Já somos 50% vegan!

É engraçada a viagem que temos feito os dois. 

Há um ano o Pedro andava a desgraçar-se com comida maioritariamente feita fora de casa.

Tinha a sorte da mãe ainda lhe dar umas caixinhas de comida quando a ia visitar nos dias de folga. Fora isso era a desgraça. O mais saudável que tinha em casa era os douradinhos que tinha às toneladas dentro do congelador.

Perante o meu ar de...

- Valha-me Deus...

Ele respondeu.

- Não os frito! Faço-os no forno...

Ao que respondi!

- Já leste os ingredientes???

 

Eu já tinha bastante consciência do que devia comer mas...

....há um ano a minha alimentação também era diferente.

 

Os dois.

Eu dei o tiro de partida. Mas foi o Pedro que foi aos poucos lendo e estudando o assunto.

Eu também fui pesquisando e lendo mas o Pedro vai lendo com outros olhos. Em questões de saúde sabe muito mais do que eu....claro!

Durante este ano o que é que aconteceu?

Neste momento em casa não entra carne. E entra pouco peixe. 

O objectivo é que deixe de entrar totalmente mas isto é um processo que se faz aos poucos.

Metade das nossas refeições já são vegan sem qualquer recurso a alimentos de origem animal.

As restantes, cerca de 45% são vegetarianas. Usamos ovos e queijo. O queijo é um problema!

Adoramos queijo. Os dois!

E ovos! E queijo!! 

As restantes refeições são as tais que às vezes comemos peixe e são as refeições feitas em casa dos nossos pais ou em casa de familiares ou até mesmo fora.

Só comemos em restaurantes porque às vezes tem mesmo de ser. Eu sei que há restaurantes vegan, vegetarianos e tudo e tudo e tudo!

A comida feita em casa é comida feita em casa. E lamento, mas não há nenhum restaurante do mundo que supere a nossa comida. Sabor sim...mas a que preço? (não estou a falar de €)

 

Passei uma gravidez toda a comer desta forma e a Mariana nasceu grande e completa.

Informei a minha médica logo no inicio. É óbvio que temos de ter alguns cuidados...mas as pessoas que comem carne também. Apenas temos de ter a certeza que estamos a ter uma dieta de acordo com o nosso estado. Calorias e nutrientes.

A minha gravidez foi santa mas não vou culpar a alimentação...sinceramente parece-me que é mais uma questão de sorte do que de outra coisa.

Agora que estou a amamentar continuo a fazer o mesmo tipo de alimentação.

A Mariana é uma miúda muito calma e muito dorminhoca.

Não deve ser da alimentação. Acho que é porque sai ao pai. 

Tem uma ou outra vez uma ou outra cólica. É normal!

A flora intestinal dela está a moldar-se ao leite que vai ingerindo.

E daqui a uns meses quando introduzirmos a fruta, vegetais, etc a transformação da flora intestinal será ainda maior.

 

A Alice segue a nossa alimentação. 

Come muito bem. Come com prazer. 

Gosta de comer sozinha. Cada vez mais detesta ajuda, ainda que demore 2 horas a almoçar.

Gosta de ir petiscando enquanto brinca. É normal o chão da sala e do resto da casa ter bocadinhos de tangerina, mirtilos, pão, etc. Rapidamente solucionado pelos nossos dois aspiradores de 4 patas.

A Alice vai fazer dois anos e nunca esteve doente.

Não sei se será da alimentação, penso que também tem a ver com a situação de ainda não estar num infantário a sério. Vai lá mas não fica muito tempo. 

Tal como a Mariana também dorme bem.

Foram tão poucas as noites que acordou que consigo lembrar-me perfeitamente dessas ocasiões. Será da comida? Não sei...

...não tenho com quem comparar.

 

O que é que sentimos com esta mudança.

Percebemos que vivemos muito bem sem comer carne e peixe.

As alternativas são muitas. Saborosas.

O Pedro sentiu uma grande mudança na forma como dorme. Diz que o sono tem mais qualidade, adormece com mais facilidade e não precisa dormir tanto. Tem mais energia.

Diz que nota nitidamente que se comer algo com açúcar (branco, coco...etc) tem dificuldades em dormir. E que se comer uma refeição de carne ao jantar, também.

Eu, sempre fui hiperativa, sempre dormi pouco e bem. Continuo na mesma.

 

Para além das vantagens acima enunciadas.

Existe a consciência e o respeito pelos animais e pelo planeta que nos foi emprestado.

Em criança não fui ensinada para tal. O Pedro também não.

Gostaríamos de ser capazes de passar às nossas filhas, não só esta atenção pela saúde mas também preocupação e respeito pelos animais. E pelo que não é nosso.

Um desafio enorme, bem sei. 

vegan.jpg

Quem quer mudar o chip e acha que não consegue.

Lembre-se que o segredo não está só na vontade.

O segredo está no intestino.

É lá que estão milhões de bactérias que nos levam  a fazer loucuras por um bolo de chocolate cheio de margarina e açúcares perigosos.

Matem essas bactérias.

Encham-se de boas companhias.

E de um dia para o outro...o chip mudou. 

 

 

Equipa que ganha não se mexe!

30.03.19, Joana Marques

A minha amiga Maria que acredita em cenas estranhas diz que somos almas velhas e que temos estado juntos desde sempre.

Reencarnações atrás de reencarnações.

Diz que não pode ter um ano esta relação.

Eu não acredito.

Acredito sim, que tive uma sorte incrível de o ter encontrado.

Algumas pessoas ganham o Euromilhões. Eu tive sempre um azar terrível ao jogo.

Ainda bem!

 

Faz hoje um ano.

Faz um ano que começámos a namorar.

O Pedro acha que foi aqui. Eu acho que faz hoje um ano.

Não interessa muito a data. Para mim aconteceu tudo no primeiro olhar.

 

Faz hoje um ano. 

O dia foi tão difícil para mim. O dia anterior também já tinha sido.

Tinha os nervos em franja.

Estava no Alentejo. A viagem tinha sido atribulada. Tinha dormido miseravelmente mal.

Liguei-lhe. Para combinar encontrar-me com ele.

E acabei por não combinar nada. Achei que ele ia pôr um ponto final naquilo que tínhamos que ainda não era nada. A consciência pesava-me um bocado. Não lhe tinha contado sobre este blog. Mas já tinha escrito muito sobre ele, Pedro. E tinha-lhe chamado médico das miudezas urinárias.

Fiz-me à estrada para ouvir da boca dele.

A pior notícia.

Fui, tal e qual, Maria Antonieta à espera da decapitação. 

O que eu não sabia é que ele tinha pensado exactamente o mesmo de mim e tinha-se feito à estrada também.

Depois de idas e voltas.

Lá me encontrei com ele.

Em Estremoz.

Todos os receios passaram. Com o abraço. E com o beijo.

Desde o primeiro momento que é assim. Sinto-o como se fosse a minha casa desde sempre.

Jantámos o pior bacalhau espiritual da historia.

Ainda no restaurante tirámos a nossa primeira fotografia juntos. 

Voltámos ao carro para comer bolo de iogurte.

Chorámos a rir por causa do médico das miudezas urinárias.

Planeámos os dias seguintes.

E mais não foi preciso.

Porque o plano é ficarmos juntos para sempre.

Ali estava ele. O homem da minha vida. 

 

Hoje voltámos ao restaurante.

Com as nossas duas filhas.

Bacalhau espiritual. Só porque sim!

Equipa que ganha não se mexe!

não desiludiu....continua mau, mau.....um bom presságio para o que aí vem....

 

 

...e sim, os cães vão connosco. São nossos!

24.03.19, Joana Marques

É tão bom quando a vida nos chama para novos desafios.

O Pedro tem sido convidado, ao longo da carreira dele, para exercer medicina, formar outros colegas, ou tirar alguma formação em diversas partes do mundo.

Quando estava solteiro acedeu algumas vezes.

Andou pela Europa e também passou pelos EUA. Nunca ficou muito tempo. 

 

Um dia destes estávamos para nos deitar.

Chegou ao quarto com uma cara de surpresa e de gozo e disse:

- Vê lá que recebi uma proposta para ir para a África do Sul.

- Vê se bem que não sabem que acabei de ser pai. Duas filhas e dois cães. 

Adormeceu.

Eu também. Mas com um bichinho a remoer-me por dentro.

Dei-lhe uma cotovelada!

- É por quanto tempo?

Respondeu-me algo inaudível.

- A África do Sul é por quanto tempo?

- 3 meses, acho eu.

- E quais são as condições?

- Dão-nos casa? Ficamos num sítio seguro? Seria benéfico para a tua carreira? Já disseste que não??

Decidi ficar por aqui. E esperar pelo outro dia.

 

O dia amanheceu. O Pedro já acordado mostrou-me o email que tinha recebido. E com o ar mais surpreso do mundo:

- Queres que eu vá?

- Se fizer a diferença na tua carreira, se te enriquecer profissionalmente...é uma decisão tua!

- Já não vivo só para a minha carreira, como sabes.

- Lá por termos casado e termos duas filhas não estamos mortos para a vida. Se for importante para a tua carreira acho que podes pensar nisso.

- Não sei, 3 meses!! A Mariana até se esquece do pai...

- Não! Não esquece. Se formos todos!

 

O Pedro pediu pormenores ao hospital que o quer contratar.

Tanto ele como eu achámos a proposta muito boa. Em termos financeiros também, mas o que conta mais é a oportunidade profissional.

Em meados de Abril a nossa família muda-se para a África do Sul.

Vai ser maravilhoso. Ter a oportunidade de viver num outro país, sabendo que podemos voltar ao nosso quando quisermos. É o melhor de dois mundos.

As miúdas ainda são pequenas mas há vivencias que ficam sempre. E é uma oportunidade também para elas. 

Eu ainda estou de licença do trabalho mas quando começar a trabalhar posso fazê-lo em qualquer parte desde que tenha net por isso está assegurado.

Uma vez que vamos ter casa na África do Sul podemos proporcionar aos nossos pais e familiares a visita a um país belíssimo e riquíssimo culturalmente.

Estou tão entusiasmada! Sinto que este desafio veio na hora certa...

...porque adoro sair da minha zona de conforto! 

 

A vida é isto!

A vida dá-nos isto!

A oportunidade de dar as cartas novamente. Lançar os dados.

E ir a jogo. 

Ir a jogo...

...a isto chama-se viver! Ir a jogo...

 

...e sim, os cães vão connosco. São nossos!

 

 

o gadget que todas as mães precisam....

22.03.19, Joana Marques

A Mariana é uma calmaria.

Durante a primeira semana achei que a miúda ainda não tinha dado conta que tinha nascido.

Agora já conseguimos ver os olhos da miúda mais vezes abertos.

Contempla tudo o que está à volta. Com um ar meio confuso. 

Como eu te entendo miúda! Por aqui é tudo uma grande confusão!

Dorme mais ou menos 5 horas seguidinhas durante a noite. De dia parece-me que também se ficava durante um bom tempo mas nós costumamos servir-lhe a refeição de duas em duas horas.

Na primeira semana eu e o Pedro ficámos com ela, no quarto dela à vez. Ao final da primeira semana desistimos porque a miúda não nos ligava grande coisa. Queria era dormir.

O que descobrimos foi que o Vasco dorme entre o quarto da Mariana e o da Alice. Durante a noite.

Durante o dia está sempre muito próximo da cadeirinha da Mariana e vigia entre sonos e sonhos as brincadeiras da Alice.

A Gabriela nem se atreve a ladrar ou a fazer das suas. Entra logo na linha...o Vasco assim a obriga.

O Vasco faz mais...

...o Vasco tem um dispositivo qualquer no nariz. Sabe sempre quando a Mariana tem a fralda suja. E avisa-nos. 

Primeiro não percebia os sinais. Agora que finalmente percebi. Tem sido uma ajuda preciosa!

O cão põe o focinho em cima da fralda. E voilá! Sabemos que temos ali um presente....

E de noite?

Acorda-nos. Se um cão nos aparece às 4 horas da manhã dentro do quarto e em modo:

- "ACORDA! ACORDA! ACORDA! ACORDA!

É porque temos a nossa filha com a fralda suja....

 

Vasco. Meus amigos.

É o gadget que todas as mães precisam!

 

a lengalenga...

19.03.19, Joana Marques

Entre nós os dois havia uma lengalenga que improvisávamos e inventávamos sempre que nos apetecia. 

Eu pensava, pensava e pensava.

O dia inteiro.

Numa forma de completar a lengalenga.

Às vezes ficava despachada logo de manhã. 

E esperava por ele o dia todo para lhe debitar o que me tinha vindo à cabeça.

Outras vezes era o meu pai que completava da forma que lhe dava jeito.

Ainda hoje. Muitas vezes falamos e algum de nós se sai com a lengalenga inventada no momento.

 

João e Joana.

Joana e João.

Quando formos para o Alentejo

vamos lançar o peão.

Sempre nos levou pela conversa.

Sem levantar a voz. Excepto quando assiste aos jogos do Sporting.

Pela clareza da mensagem. E pela consistência do discurso.

Sempre nos levou pelo exemplo.

Nunca pela força.

Ou pela mentira.

João e Joana.

Joana e João.

Ou comes a fruta

ou comes o pão.

 

Ensinou-me a jogar às damas e a jogar xadrez.

A decorar a tabuada do 7 que a professora não perdoava.

Ensinou-me os rios e as montanhas.

Explicou-me tudo sobre os reis e rainhas de Portugal.

Foi ele que me ajudou a fazer aquele trabalho sobre o Marquês de Pombal.

Foi com ele que aprendi a desenhar o perfil de uma pessoa.

 

João e Joana.

Joana e João.

Podes dar-me um tostão?

 

Ensinou-me tudo o que sei sobre o Sporting e foi pela mão dele que entrei em Alvalade pela primeira vez.

Vi com ele os 7-1 porque fiz uma birra descomunal nesse dia e ele lá me levou.

Foi ele que me pegou ao colo e me deixou aninhar-me nos braços quando tinha medo.

Foi ele que me disse: "vai correr bem só tens de confiar em ti" quando fiz o exame de análise III e achava mesmo, mesmo que ia chumbar. 

 

João e Joana.

Joana e João.

Papá, posso ter um cão??

- Não...

 

Foi ele que me disse: " não te preocupes, se correr mal paciência" quando eu precisava mesmo, mesmo de ouvir isso.

Foi com ele que vi neve pela primeira vez.

Foi pela mão dele que entrei pela primeira vez dentro de um avião e percebi que era ali que ia ser feliz.

 

João e Joana.

Joana e João.

Fui a Alvalade e vi o Jordão.

 

Foi ele que me comprou as miniaturas das personagens da Abelha Maia.

E eu obriguei-o a decorar todos os nomes de todos os bonequinhos.

 

João e Joana.

Joana e João.

Come a sopa toda

ou não és um avião!

 

Foi com ele que entrei pela primeira vez dentro de uma sala de cinema e como não achei piadinha nenhuma ao filme passei a sessão inteira a abrir e a fechar as cadeiras da nossa fila.

Foi ele que me ensinou a dançar valsa e foi numa destas aventuras que partimos a mesinha de chá que era da avó Adélia.

Foi com ele que morri a rir quando tocou um despertador que eu tinha andado a brincar e o meu irmão entornou o sumo com o susto.

Foi ele que me deu a pouco e pouco o dinheiro que sobrava do jornal de domingo para eu comprar os cromos dos "Dias Felizes". 

Pegava-me ao colo, chamava-me Jota e dizia-me ao ouvido:

- Podes falar um bocadinho mais baixo, as pessoas em Macau escusam de te ouvir.

 

João e Joana.

Joana e João.

Come lá o empadão!

 

Só ele me fazia tomar o xarope para a tosse.

Se fosse com outra pessoa ameaçava vomitar um pulmão quem sabe os dois.

 

João e Joana.

Joana e João.

Eu vi o Manuel Fernandes

marcar um golão.

 

Foi ele que me comprou uma máquina de escrever.

Porque eu era uma miúda que achava que ia escrever um romance.

Depois percebi....que tinha mais talento para ...ainda não descobri.

 

João e Joana.

Joana e João.

Se comeres tudo, 

levo-te ao Japão!

 

Vi o meu pai ficar de lágrimas nos olhos quando um dia o pai dele lhe disse que dos três filhos que tinha eu era a mais parecida com ele.

Corei de orgulho. 

João e Joana.

Joana e João.

E o Sporting 

vai ser campeão!

 

Foi abraçada a ele que chorei a morte da minha avó Maria. 

 

João e Joana.

Joana e João.

...........

..............

- Então Joana não completas??

- Não posso, só me lembro de uma palavra que rima e não pode ser...

- Qual é a palavra?? Pode! Pode...

- Está bem....

João e Joana.

Joana e João.

O meu pai NÃO é um aldrabão...

(o meu pai riu até chorar...)

 

Foi o meu pai que, contrariando toda a gente, me apoiou quando eu decidi começar a trabalhar aos 17 anos.

Toda a minha vida ouvi da boca dele palavras de incentivo. E nunca o contrário.

- Tem coragem!

- Esforça-te!

- Eu sei que vais conseguir!

- Não desistas!

Sempre foi tão convincente que eu a determinada altura achei mesmo que podia ser um avião.

 

João e Joana.

Joana e João.

Já fui a Paris, Praga e Milão!

 

E quando lhe disse que ia adoptar a Alice? 

- Vais ser a melhor mãe do mundo porque aprendeste com as melhores. (a minha mãe e as minhas avós)

Foi ele que me levou ao altar com lágrimas nos olhos e disse-me que ia ser muito feliz.

O meu pai tem mel na alma. É doce. Compreende-me. Lê-me o pensamento.

Guia-me. Há 38 anos que me guia. 

João e Joana.

Joana e João.

Olha lá para este Vasco 

todo pingão!

O meu pai nunca me disse como viver.

O meu pai vive e eu assisto. 

É com ele que aprendo todos os dias a ser melhor...

 

João e Joana.

Joana e João.

Gosto de ti até Plutão.

Ir e voltar.

Passando pela lua e pelo Porto Brandão!

 

João e Joana.

Joana e João.

Para o melhor pai do mundo.

Um beijo, um abraço, o mundo...

e o meu coração.

 

Para o meu querido pai.

Um feliz dia do pai. 

 

o parto...

16.03.19, Joana Marques

Tive de esperar uns dias para escrever sobre o parto.

Cada vez mais gosto dos dias pares. Das rotinas. Adoro os dias rotineiros.

Domingo. 10 de Março. Não foi um dia rotineiro. Pelo contrário.

Já sabia que a Mariana teria de nascer. E estava com uma vontade de despachar o assunto desde dia 1 de Março.

As notícias que tínhamos da médica é que estava mais do que pronta.

 

Há oito dias atrás comecei a sentir dor. Costas. Barriga. Bacia.

Nem sei.

Um desconforto.

Barriga muito dura.

Comecei a ter contracções espaçadas.

O Pedro ia-me dizendo para esperar.

Nada de ir para o hospital a correr.

Ou iam nos fazer voltar para casa.

Assim foi. Esperámos.

Os meus pais estavam de prevenção. Os meus sogros. O meu irmão. E a minha irmã.

Alguém tinha de ficar com a Alice.

 

Quando me deitei tive a certeza que o dia seguinte só seria par porque seria dia 10.

Ainda dormi qualquer coisa.

Pelas 6h da manhã acordei o Pedro.

E liguei aos meus pais.

A Alice acordou. Ainda a vimos tomar o pequeno almoço. Fiz-lhe um penteado.

Os meus pais chegaram entretanto.

O Pedro ligou para a médica.

E lá fomos.

 

Quando chegámos ao hospital e depois de ser examinada disseram-nos que estaria para breve.

Valeu-me o Pedro. Sempre ao meu lado. Com as palavras certas no momento certo.

Foi tudo muito rápido.

Um momento estava a entrar no hospital e pouco depois estavam-me a dizer para fazer força.

A certa altura disse ao Pedro.

- Vai lá espreitar se já nasceu.

Pelas minhas contas já tinha feito força capaz de parir a frota da carris mas ainda não ouvia nenhum choro.

 

Lá me sincronizei outra vez. Força e contracção.

Contracção e força.

O termo de comparação que tenho é com o ter partido a perna.

Cada parto é diferente. No meu caso, a fractura da perna custou-me bastante mais.

A recuperação foi muito mais lenta e dolorosa, também.

O meu parto não demorou muito tempo.

 

A Mariana nasceu.

O Pedro cortou o cordão umbilical.

Eu senti um alivio do caneco.

Estava feita num oito. Senti-me mesmo, mesmo um farrapo.

A Mariana chorou. 

Foi colocada no meu peito. 

Achei-a linda. Linda. Linda.

Chorei que nem uma condenada.

O Pedro estava muito emocionado. 

A Mariana parou de chorar.

O Pedro agarrou-lhe numa mãozinha e disse:

- Olha só o que nós fizemos juntos.

Chorámos os dois.

 

Peguei na outra mão da Mariana. E disse:

- Pedro, a Mariana tem unhas.

 

Abracei-a. Tal e qual como o tinha feito.

Num dia frio de Dezembro.

Quando fui buscar a minha primeira filha.

AliceeMariana.jpg

Vamos fazer uma pausa. 

Vamos aproveitar que o Pedro está de licença e vamos mudar-nos durante um tempo para o Alentejo.

Até breve!

 

as rotinas da Mariana..

16.03.19, Joana Marques

A Mariana chegou e todos nós nos tivemos de adaptar.

Tem sido fácil até ao momento. 

Fomos contemplados com uma Mariana (até agora) pachorrenta, dorminhoca, tranquila e comilona. Parece-me que ela ainda não percebeu que já nasceu. E tem feito do mundo um spa.

A miúda dorme no quarto dela.

E eu e o Pedro ficamos à vez mas não nos tem dado muito trabalho de noite.

Come a última refeição do dia pelas 23h30 e acorda pelas 4h. Não chora. Antes disso nós já lhe estamos a dar a refeição. Eu pela via natural. O Pedro pela via artificial (mas com leite meu...)

Depois dorme tranquilamente até às 7h.

 

Quando nós acordamos para a vida. Eu, o Pedro e a Alice. 

A Mariana desce connosco.

Não fica a dormir no quarto.

Vem cá para baixo para estar sujeita à luz natural e aos barulhos.

A irmã a rir e a falar.

A Gabi aparvalhada a ladrar.

O Vasco autoritário e a mandar calar a Gabi.

O Pedro a repreender o Vasco porque rosnou à Gabi e assustou-o.

A Alice a atirar comida ao Vasco.

O Pedro a rosnar à Alice. E por aí fora. A nossa casa vista de fora deve parecer...nem quero pensar o que parece.

 

A Mariana, quando estava na barriga estava habituada a estas rotinas e a estes barulhos.

A minha intuição diz-me que deve continuar.

Quando se começa a mexer. É contemplada com uma refeição.

É despachada que só ela. Mas tem aumentado de peso e por isso está a resultar.

Volta a dormir e costuma ficar ao meu colo ou ao do Pedro um bom bocado.

É tão dorminhoca que nem acorda quando lhe mudamos a fralda.

Faz cocó a dormir. Pelo menos muitas vezes não se digna a abrir os olhos.

Faz cocó muitas vezes. Muitas mesmo...

Não sei se não terá uma colicazita ou outra porque às vezes resmunga qualquer coisa. Sem nunca abrir muito os olhos e para logo de seguida se ficar...a dormir.

 

A desgraceira só aparece quando lhe temos de dar banho.

Despida. A miúda acorda.

Como lhe interrompemos o sono de beleza a miúda chora como gente grande.

É nessas alturas. Em que a miúda está prestes a largar um dos pulmões que a Alice aparece.

Abana a cabeça e diz...

- Ai, Maiiiiiiana! Maiiiiiana...

 

o primeiro ano...

15.03.19, Joana Marques

Nunca esquecerei

o dia em que nos conhecemos.

Desde então,

o caminho percorrido faz-me ter a certeza que faria tudo de novo.

Outra vez. Outra vez.

E outra vez.

 

Desde o primeiro apertar de mãos.

O primeiro sorriso.

O primeiro olhos nos olhos.

O primeiro riso nervoso.

230 minutos. 

Conversa aos molhos. 

Sobre tudo e sobre nada. Sobretudo sobre nós.

 

Quando temos a certeza.

Não queremos deixar de pensar.

E não queremos deixar ir. Nem deixar de estar.

230 minutos. O dizer adeus, sem grande firmeza.

 

Desde o nosso primeiro beijo.

Soube.

Que iriamos acabar assim.

Senti. Que já não era eu.

Éramos nós. Para sempre nós.

 

Não importam as tempestades.

Os furacões. E os tornados.

Nós estamos para ficar.

Nós. Somos a nossa casa.

 

Não importam as tempestades.

Os furacões. E os tornados.

Nós estamos para ficar.

Velhinhos. Muito velhinhos.

 

Porque nada mais importa.

Desde que esteja,

para sempre....

...de mãos dadas contigo.

 

Faz hoje um ano que conheci o meu marido.

Faz hoje 56 anos que o meu pai conheceu a minha mãe.

Tanto uma história como outra envolve hospitais....

 

E o Paiol ....

13.03.19, Joana Marques

paiol1.jpg

vai para....

....a Carla!

paiol.jpg

Como às vezes trocamos email's já não precisa de me contactar.

Eu própria já o fiz.

Parabéns, Carla! 

Para além do Paiol penso que receberás em breve um convite para integrares uma qualquer maternidade do país. E quem sabe algo mais...

...o céu é o limite. Minha amiga! O céu é o limite!!

Os números do Euromilhões da próxima sexta feira...davam-me jeito, por isso se quiseres partilhar, envia por mensagem privada, se faz favor. Já agora diz-me também as estrelas.

 

Agradeço a todos os que participaram.

Agradeço todas as mensagens que temos recebido com a chegada da Maiiiiiana. (É como a Alice diz Mariana).

Com tempo irei responder a todas. Mas...

...por aqui estamos todos em modo adaptação. 

nova Quiosquiana

10.03.19, Joana Marques

A Mariana nasceu hoje pelas 10h02 minutos.

Pesa 3,710 Kg.

O parto foi rápido e correu tudo bem.

A Joana e a Mariana estão bem.

A Alice, o Vasco e a Gabi aguardam ansiosamente a chegada da irmã a casa.

Neste momento sou o homem mais feliz do mundo. 

 

Tal como a Alice, a Mariana também é um bocadinho vossa e por isso gostava muito que a conhecessem.

Aqui está ela:

mariana12.jpg

Agradecemos todas as mensagens que nos têm chegado. 

Um abraço a todos.

Pedro

 

Então, Joana, já nasceu??

08.03.19, Joana Marques

Pois meus amigos. Neste momento parece-me mais provável, o Pedro parir alguma coisa...

...do que eu.

Já não há esperança no meu caso.

Depois de ontem ter percorrido meia Lisboa. Subido até ao Castelo.

Descido no meio de uma ventania.

 

Chuva.

Um chapéu de chuva amarelo às bolinhas pretas que se virava a cada sopro do vento.

Ter acabado num balde do lixo.

Quando a parte de cima resolveu soltar-se do resto do chapéu.

E ter voado para o meio da estrada e feito parar o trânsito.

Até um chapéu de chuva consegue separar-se do seu apêndice com mais facilidade do que eu.

 

Cheguei da médica. Agora.

Nada. Continua tudo na mesma.

Já não fizemos qualquer caminho a pé. 

O Pedro pisou uma pastilha à porta do hospital. E foi o clique que faltava para nos fazer parar.

Antes disso estava a pensar ir subir a Serra de Sintra.

Depois. Fiquei desmoralizada. 

Já não tenho grandes forças. A miúda venceu....

....vamos ficar por casa. A contar Slimanis até à hora da verdade....

 

Ainda não é hoje.

Talvez seja amanhã. 

amanhã #2

06.03.19, Joana Marques

Comecei o dia cheia de boas energias.

Que o diga o cão que me acordou cheio de boa vontade e quase foi atropelado por mim.

Desci. O Pedro desceu com a Alice.

Os cães desceram.

Deixámos a Alice em casa dos meus pais. Já nem vai para o infantário porque como diz o Pedro sempre que acordamos.

- Vais ver que é hoje.

 

Passámos pelas finanças.

Nunca em toda a minha vida fui maltratada nas finanças. Mas...

...é um lugar que não gosto. E achei que a Mariana pudesse sentir esse meu stress. E pôr-se a andar daqui para fora...

Não! A Mariana pelo que percebi dormia regaladamente.

Seguimos das finanças para o hospital porque a partir de agora tenho consulta de dois em dois dias.

A médica lá me viu outra vez. Pela milésima vez. E...

...pela milésima vez ouvi um:

- Está quase. Mesmo quase.

A Mariana continua a ganhar peso. É grande. 

Está dentro da sua ilha coberta de liquido por todos os lados.

O liquido está na quantidade certa. 

Desconfio que este liquido deve ser saboroso de alguma maneira.

Porque raio é que alguém quer ficar apertada e de pernas para o ar durante tanto tempo se não for pela bebida e pela comida???

Eu continuo bem. Tensão arterial normal. Parece-me que é a preocupação central...

Sinto-me bem também. Nada de dores. Nada. Nada.

Nem uma moínha. Uma pontada. Uma contracção. Nada.

Diz a médica que está tudo em andamento mas eu não sinto.

Perguntou-me se queria ficar lá. Induziam o parto.

Disse que não. Quero tentar o mais natural possível.

Diz que podemos esperar até ao início da próxima semana. Depois disso aconselha a induzir. Porque se a Mariana ficar com um tamanho proibitivo, a cesariana começa a ser o caminho mais viável.

Queria a todo o custo evitar a cesariana.

Tenho ideia que a recuperação é mais lenta.

E a medicação...

A cicatriz também não me fascina...mas é o menos, neste caso.

 

A médica olhou para nós e disse:

- Vou almoçar. Porque não dão um passeio pela zona, subam ruas desçam ruas. Almocem também. E voltem cá para eu te ver outra vez.

Fizemos isso.

Andámos. Andámos. Subimos. Descemos.

Andámos de autocarro. Voltámos.

Almoçámos. E eu achei que estava na hora de usar artilharia pesada.

Pedi sobremesa. Daquelas mesmo, mesmo beras. Cheias de açúcar. 

- Uma baba de camelo se faz favor.

Com este choque de açúcar até os olhinhos lhe saltam.

Acordou. Mexeu-se. Passeou-se. Rebentar as águas que é o sonho desta mãe...

...nada!

 

Voltámos ao hospital. Eu com a baba de camelo no estômago e a miúda no útero.

Fui vista novamente. Nem um centímetro a mais.

Voltámos a casa.

O Pedro, mais stressado que eu. Disse-me:

- Começa a subir as escadas e a descer. Pode ser que resulte.

Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. Subi. Desci. 

E a Mariana?

Regaladinha. A dormir. 

Começo a achar que a miúda é filha do Vasco.

 

Amanhã é outro dia. E eu e o Pedro já temos o trajecto planeado.

Vamos até ao Castelo de São Jorge.

Nem que eu trepe as colinas todas! Esta miúda sai daqui até segunda...

...ou não me chamo Joana!

amanhã....

05.03.19, Joana Marques

Acordei. Acordada pelo cão e o Pedro perguntou-me:

- Como é que estás?

Eu respondi. 

- Como ontem. Grávida.

O Pedro desceu as escadas como uma pessoa normal. 

Eu desci as escadas como um elefante a navegar num barquinho de papel.

Um pé. Depois o outro. 

Quando tiver 120 anos, estiver com cataratas nos dois olhos vou conseguir descer estas escadas de forma mais eficiente.

Nem um elevador posso pôr. Não há elevador que aguente um mastodonte deste volume.

 

Enquanto tomava o pequeno almoço com o Pedro. O Pedro perguntou-me:

- O que queres fazer hoje?

- Quero ir andar....num sitio agreste.

 

Liguei aos meus pais às 7 horas da manhã. Acharam que era para anunciar a Mariana. Não.

Foi para anunciar que deixávamos lá a Alice porque íamos andar num sitio agreste.

Fomos de carro até Cascais. E...

..Cabo da Roca é agreste o suficiente para uma grávida de 9 meses?

Sim! Mas só se for de autocarro.

Liguei ao meu irmão. Mora relativamente perto. E achei eu que podia entrar em trabalho de parto no meio do nada e parir na ponta mais ocidental da Europa.

Eu quero que a Mariana nasça. Sim, quero!

Mas...

...não quero ser notícia da Correio da Manhã TV.

 

Apanhámos o autocarro. A estrada está assim, assim.

Nem uma dor.

Nunca me vou esquecer da cara de um grupo de japoneses a olhar para uma mulher mega grávida a sair de um autocarro num dia frio, chuvoso e enevoado.

Demos uma volta por lá. Subimos. Descemos.

O meu irmão foi lá ter. Ensonado. E incrédulo.

Deve ter achado que era uma partida de carnaval.

38 anos de Joana e ainda não me leva a sério....e isto sim, devia ser notícia na CMTV.

 

Voltámos com o meu irmão para Cascais.

O Pedro pegou no carro e fomos almoçar a casa dos meus pais.

Andei de um lado. Para o outro.

Nada. 

Eu que sempre achei horrível aquelas pessoas que não mexem uma palha.

Calhou-me em casa uma.

A minha filha está de pernas para o ar há quase três meses. E??

Nada. Não faz nada para inverter a situação.

Não acho normal. Não acho normal.

Virada de cabeça para baixo. Minha gente. Virada de cabeça para baixo.

Nós temos uma Alice linda. Uma Gabi louca. Um Vasco amoroso. O pai é um espectáculo.

Porque raio é que ela não quer fazer parte e prefere estar de pernas para o ar. Porquê???

 

À tarde fomos a um centro comercial.

Porque numa troca de mensagem me disseram que sitio mais agreste que este não há.

Nada. De nada.

 

Estou com alguma esperança. Amanhã.

Senhoras e senhores, abram alas!

Amanhã vou às finanças.

 

Caretos de Podence. Precisam-se!

04.03.19, Joana Marques

Dizem que cheguei às 38 semanas.

Nunca imaginadas pela médica, pelo meu marido, pelo enfermeiro, pela minha família e por amigos meus que talvez deixe de considerar....

Se não fossem alguns de vocês que apostaram em Março...tinha-me sentido sozinha nesta demanda...mas como quem tem Quiosquianos tem tudo!

Joana & Friends 1 - Pedro e o resto do mundo 0

Fui hoje à médica.

Virou-me de pernas para o ar para me dizer que está quase.

Pois! Já estou com 9 meses em cima....e não estou a gerar um bezerro é normal estar quase!

 

Está tudo fino.

Tensão arterial.

Absolutamente maravilhosa.

E pensar que eu, Joana quase matei a minha mãe quando nasci....por causa da tensão arterial!

 

Liquido....está óptimo!

Cordão umbilical. Espectacular!

Mariana. Está boa mas...

...querida filha! Se te fizesses à vida...a mãe não ficava nada chateada.

Pelo contrário!

 

A médica viu-me tão desejosa de desovar, até me perguntou se queria ficar lá.

Disse que não. Nada de cutucar a miúda sem ela pedir. Só em caso de emergência absoluta.

Então disse-me:

- Anda de autocarro! Com as ruas esburacadas de Lisboa, é capaz de se dar hoje.

Isto, porque já tenho alguma dilatação. Só que já ouço a conversa da dilatação desde as trinta e poucas semanas....e se isto só dilatar quando estiverem 40 graus à sombra???

Estou a pensar ir viver para a Amareleja...

 

Pois, meus queridos amigos. 

Saímos do hospital.

Olhámos um para o outro. E decidimos ao mesmo tempo.

Apanhar um autocarro. Não para a Amareleja. 

Fomos até ao Cais do Sodré.

E depois para grande espanto do motorista apanhámos o autocarro outra vez.

Para voltar.

Porque tínhamos o carro perto do hospital.

E sabem que mais. Nada de nada. 

Quais buracos. Quais quê! Nem com Lisboa podemos contar quando precisamos dela....

....acho que se quiser conhecer a minha filha vou ter de escalar o Evereste. Ou então está na altura de me ir oferecer aos Caretos de Podence.

Nem uma dor.

Nem uma contracção. Só uma barriga imensa...

....lamento, Mimi. Mas ainda não foi hoje....

....lamento, Áurea mas às 19h06 só se for de outro dia...

Pelo andar da carruagem, daqui a um ano ainda estarei à espera!

 

 

É carnaval! Ninguém leva a mal...

01.03.19, Joana Marques

Estou tão grávida. Tão grávida. Tão grávida.

Já não me aventuro a ir para muito longe.

O Pedro não quer que eu fique sozinha.

Quando vai trabalhar entrega-me à minha mãe.

 

Hoje. O Pedro começava a trabalhar às 8h e deixou-me em casa da minha mãe.

Estou tão grávida. Tão grávida. Tão grávida.

Já não dá para conduzir. A barriga chega à buzina e o carro apita de repente. Sem querer...

 

De manhã, antes do almoço.

A minha mãe e eu fomos a uma lojinha perto da casa dos meus pais.

Percorremos a loja. Escolhemos e fomos para a fila.

A senhora da caixa disse que tinhamos prioridade e eu já estou por tudo.

Aceitei.

Um senhor, 50 anos, talvez disse muito alto!

- Ah! Vocês passaram à frente porquê? Pela idade da senhora (a minha mãe) ou pela barriga da menina (penso que se estava a referir a mim).

 

Eu olhei para ele e disse.

- Não é por uma, nem por outra! Resolvemos passar à frente a toda gente porque estamos atrasadíssimas....para o Carnaval de Estarreja...vamos desfilar daqui a umas horas e nem os fatos de banho experimentámos....

 

A minha pobre mãe quase me sovou!

Ver o ar perplexo do senhor fez com que a quase sova valesse a pena...

Assim como assim. É carnaval. Ninguém leva a mal.....quase! Ninguém leva a mal....