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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

o lado negro da maquilhagem..

27.05.19, Joana Marques

Cresci com uma mãe que se preocupava de alguma forma com o seu aspeto.

Não demasiado. Gostava de estar compostinha. E mais nada.

Tal e qual como nós, filhas. Era o mínimo que nos pedia.

Tinha na primeira gaveta do toucador um blush, para dar um bom ar, um batom e pouco mais.

Quando a minha irmã tinha 17 anos e eu 7, foi autorizada e usar qualquer coisa.

Eu fiquei cheia de inveja mas esqueci-me passados 3 segundos.

Tantas ruas para correr e árvores para subir.

Nunca mais me lembrei, de tal.

 

Até que..

...quando concorri para um lugar como hospedeira numa empresa de aviação, caiu-me a ficha.

Eu era uma miúda de 17 anos. As outras eram mulheres de 17 anos.

Maquilhagem às toneladas e eu ali de cara lavada.

Consegui o lugar e decidi munir-me com armas iguais às das minhas colegas.

Abasteci-me de tudo aquilo a que tinha direito.

Tive mais olhos que barriga e não usei nem metade.

Sempre que me encharcava de pós e cremosidades olhava-me ao espelho e não era eu.

Para além de maquilhagem punha creme de dia, de noite, olhos. Usava leite de limpeza e tónico. O caneco e o diabo...

...E a minha pele? Honestamente parecia mais murcha do que nunca.

Decidi aprender. Em Portugal não consegui encontrar ninguém que me ensinasse, acabei por fazer um workshop fora.

Aprendi uma coisa importante. Menos é mais. Praticamente em tudo na vida!

Nunca mais me desgracei a comprar produtos e comecei a usar de forma moderada alguma maquilhagem.

Existem duas razões fundamentais, penso eu.

A primeira e mais importante, a auto-estima. Devo ter uma doença mental qualquer que me faz acordar todos os dias com uma auto-estima a rondar os calcanhares da lua. Tirando as últimas semanas que estive grávida, acho sempre que estou para cima de bem.

A segunda razão é que não tenho paciência. Não tenho, mesmo! 

 

Não uso nada? Uso! Não todos os dias...mas ainda assim, uso!

Neste momento os produtos usados aqui em casa, miúdas incluídas, como cremes, óleos, shampoos e sabonetes são feitos por mim. E não só...

Ainda assim tenho um ou outro produto de maquilhagem. Não vou dizer que não tenho, porque tenho.

E foi com grande tristeza que constatei que um dos ingredientes que todos eles têm é mica.

O que é mica?

Mica é um mineral usado na cosmética. Este mineral é extraído sobretudo por crianças.

Em países pobres como a Índia, existem minas ilegais ou não, as crianças são induzidas a extrair este mineral usado por todos nós (não é só a maquilhagem que usa este mineral).

Dentro das minas as crianças respiram partículas muito finas que lhes prejudicam a sua saúde e/ou perdem a vida sufocadas ou devido a derrocadas dentro das minas.

 

O irónico é que andámos uma vida, eu incluída, a lutar contra produtos que não fossem testados em animais.

E fizemos muito bem!

 

Não acredito que não se faça o mesmo pelas crianças!

Porque é que não fazemos o mesmo pelas crianças?

E se fossem nossos filhos?

Para perceberem melhor o que o mundo faz a alguns dos seus assistam a este vídeo.

Uma coisa é certa.

Aqui em casa.

Enquanto não tiver provas de que é extraída de forma sustentável e correta.

Não há mica para ninguém.

Algumas marcas já se preocupam.

Algumas marcas estão a tentar usar mica sintética para substituir a verdadeira, vamos esperar que todas adiram.

 

 

é uma boa decisão. Não acham?

25.05.19, Joana Marques

Com mil Slimani´s. Ó dia longo...

...tão longo!

Antes do jogo demorou uma eternidade e meia. 

Antes do jogo já eu andava tão nervosa, tão nervosa. Que o Pedro foi convocado a alimentar a Mariana.

Amamentar exige tranquilidade e paz de espírito. E isso era tudo o que eu não tinha.

Antes do jogo falei com o meu bisavô, com a minha avó e com o meu avô.

E depois fiz uma ronda pelos vivos.

Pai, irmão, irmã, sobrinho, sobrinha e sobrinha. Primos, vários!

 

Com mil Slimani´s. O jogo. 90 minutos.

À beira de um enfarte. Eu.

O Pedro alimentou a Mariana. E adormeceu-a.

Deu banho à Alice. Deu-lhe o jantar. Brincou com ela. E adormeceu-a.

Por esta altura, eu, já tinha morrido. Com o Vasco ao meu colo e a Gabi a dormir aos meus pés.

O Pedro chegou e obrigou-me a tomar o SOS para a asma. Ao que parece estava com uma respiração que já tinha tido melhores dias. Nada mau para uma morta...

 

Com mil Slimani´s. O prolongamento.

Nesta fase, nem sei bem o que raio aconteceu. 

Sei que Bas Dost marcou um golo. E eu acreditei e relaxei. Está ganho.

 

Com mil Slimani´s. O último minuto do prolongamento.

Valeu-me o Pedro que me abraçou e disse para não me preocupar porque o Sporting ainda ia ganhar e que a taça era nossa.

 

Com mil Slimani´s. Os penáltis.

Ganhámos! Lutámos tanto, tanto. E ganhámos!

 

Com mil Slimani's. O Sporting ganhou.

Uma palavra ao Porto. Podia muito bem ter sido o Porto a ganhar. 

É claro que eu quero sempre que o Sporting ganhe mas tenho a certeza que o Porto ainda ganhará muitos troféus no futuro. Mas...

...Conceição devia ter cumprimentado o nosso Presidente. É jogo. Temos de saber ganhar e temos de saber perder.

 

Com mil Slimani's. A vitória é festejada em casa. Em Alvalade. E isso é sempre uma boa ideia....a melhor ideia!

...

 

Com mil Slimani's. Este é o Sporting. Não o novo. Ou o velho. Somos sempre Sporting!

Nos bons e nos maus momentos. Somos sempre Sporting! Mas...é este o rumo certo. 

 

Com mil Slimani's. Os Quiosquianos são os melhores do mundo! Porquê?

Porque durante todo o dia recebi muitas mensagens, fotografias e boas energias.

Antes, durante e depois do jogo.

Adoro estar aqui. Mas...

...tenho saudades. Da minha familia, claro. E a minha família também é o Sporting.

Obrigada, a todos!

 

Com mil Slimani's. Mudei o nome deste Kiosq aqui.

E....

...vamos kontinuar. Kiosq! 

É uma boa decisão. Não acham?

 

Já seguem o Kiosk?

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handmade life 

Bloglovin

 

 

ponham-me uma mordaça na boca!

24.05.19, Joana Marques

Fui com os cães ao veterinário. Quando chegámos aqui.

Teve de ser. Faz parte.

O administrador do condomínio onde moramos já sabia que trazíamos os cães e tinha providenciado a marcação da consulta.

 

O Pedro ficou com a Mariana em casa e eu peguei nos cães. A Alice também quis ir.

Para a Alice foi como ir a um parque de diversões.

Tanto cãozinho fofinho. Gatinhos dentro de mini jaulas.

Vasco a tremer. Não sei como nem porquê mas este cão pressente a 500 km de distância um veterinário. Gabi na boa porque não percebe nada.

 

Entrámos. Eu, Alice, Vasco e Gabi.

O veterinário viu os cães. E a Alice por ali a cirandar acabou em cima da balança.

A balança. Deve ter pensado que estava a pesar algum bicharoco e vomitou um papelinho com o peso da Alice.

Guardei o papelinho dentro da carteira.

Os cães tiveram alta.

Mal saímos o Vasco recuperou toda a boa disposição. E voltámos para casa...

 

Hoje. Foi dia de consulta no pediatra. A Alice!

Uma consulta de rotina. Básica.

O pediatra perguntou-me:

- Quanto é que ela pesa?

E eu respondi.

- A última vez que fui ao veterinário pesava quase 11 kg.

E saquei do papelinho que tinha vindo das entranhas da balança.

Onde, em letras bem grandes se podia ler:

 

"CitiVet Gardens

Let us Help you keep your pets Healthy and Happy"

 

O pediatra fez o ar mais aparvalhado deste mundo....

....meio engasgado lá prosseguiu a consulta!

 

Porta 10-A

22.05.19, Joana Marques

E tu...em que estás a pensar?

Quando entras para jogar

No relvado sentes emoção?

Porque bate o teu coração?

 

E tu...em que estás a pensar?

Quando ganhas ou és derrotado

Sentes alegria, sentes dor?

É o Sporting o teu grande amor?

Queremos garra e dedicação

Tudo podes quando és um Leão!

 

Para mim é amor!

Para ti oh oh oh jogador

É uma prenda que a vida te dá!

Quando entras na porta 10 A!

 

E tu ...se pensas como nós

Como os nossos pais e avós

Fazes parte deste ideal

És do Sporting de Portugal

E tu que entras em Alvalade

Na mais bela e mística entrada

Onde a mística leonina

Foi fundida, foi forjada

Ai se aquele ferro falasse

E a todos nos contasse...

 

Para mim é amor!

Para ti oh oh oh jogador

É uma prenda que a vida te dá

Quando entras na porta 10 A!

 

Queremos garra e dedicação

Tudo podes quando és um Leão

Para mim é amor!

Para ti oh oh oh jogador

É uma prenda que a vida te dá…

Quando entras na porta 10 A!

 

Aqui por casa já a sabemos de cor e salteada!

É ouvir e cantar até que voz nos doa.

Ouçam lá aqui....e digam lá se não é um assombro!!

 

 

 

7!

20.05.19, Joana Marques

A Mariana nasceu há dois meses e 10 dias. Está a ficar velha!!

Já recuperei a silhueta. E não só...

...sinto-me bem comigo.

Os dias seguintes ao parto não são pêra doce. 

Muito difíceis. Pelo menos para mim foram...

Para conseguir andar para a frente fiz como sempre fiz não dei ênfase ao mau. Concentrei-me no bom! E tinha muitas coisas boas!!

Mas...

...não quer dizer que tenha baixado os braços e chutado para canto! Nada disso...

 

1. Descanso!

Com um bebé pequeno é fácil uma pessoa ficar focada 100% na pequena cria. É claro que estava focada na minha Mariana. Mas decidi que a pequena seria uma bebé minimalista. Ou seja nada de roupa difícil, com laços e cenas que demoram uma eternidade a vestir, a despir, a lavar e a passar a ferro. Nada disso! A Mariana anda de pijama ou com primos do pijama. É tudo muito fácil de manter. Poupo muito tempo!!

Tive sorte porque a ajuda do Pedro não foi uma ajuda. Foi 50% para ele. 50% para mim. Eu amamento. Ele dá o biberão com o meu leite lá dentro. Isto deu-me espaço e tempo para mim. 

Como o Pedro dava o biberão à Mariana podia estar fora de casa algum tempo. Este tempo sabia a cerejas com chantily de coco!! É bom estar em casa, muito bom! Mas...

...ter tempo para mim! Só para mim! É fundamental....

 

2. Luz solar! Preferencialmente de manhã, pelo nascer do sol!

Apanhei sol. Não fiquei esturricada ao sol, nada disso! 

Passeávamos todos em família de manhã e às vezes ao fim da tarde. Algumas vezes, só eu e a Alice. Outras vezes todos, cães incluídos.

 

3. Exercício Físico!

Nos primeiros dias limitei-me a andar e a fazer caminhadas cada vez maiores mas ao fim de duas semanas recomecei a corrida.

Recomecei o yoga também. Este último tem desde há muito tempo uma grande importância na minha vida.

20 minutos por dia e fez a diferença. E continua a fazer.

Danço muito! Com a Alice. Com a Mariana. Com o Vasco. A Gabi não, acho que tem vertigens...

Quando estão todos a dormir. Tenho de me socorrer do homem. Quem é que eu estou a tentar enganar...

...danço sozinha se for preciso!

 

4. Ar!

Respirar bem. Acreditem. Faz milagres na nossa vida.

Eu fui respirar sobretudo para perto do mar porque morava ao lado. Mas não teria dito que não a ares da serra. Ou do campo...

...Respirar. Meditar. E depois voltar...

...com energias recarregadas!

 

5. Alimentação.

Continuei a fazer o que tinha feito até então. Comer bem!

A partir do momento em que se começa e se encontra o caminho certo não há nada nem ninguém que nos faça desviar do bom caminho.

Ainda para mais quando se tem uma filha linda e maravilhosa chamada Alice, uma bebé linda e maravilhosa chamada Mariana, um marido espectacular chamado Pedro, Vasco, o cão mais extraordinário do mundo e Gabi a cadela mais estridente de todo o universo. Se tenho só coisas boas porque raio é que eu quero ficar doente?? Tenho a minha saúde nas mãos, só se for parva é que vou abdicar disso...

 

6. Água.

- Bebe água, Joana. Bebe água, Joana.

Parece-me que são estas as palavras que mais ouço dizer ao meu marido. 

Obedecer, nunca foi muito fácil para mim. Tenho tentado!

Não é fácil fugir. É mais fácil beber água para ver se o homem se cala.

Faz diferença, claro! Na pele, na energia e no todo. Água é vida. Sem dúvida!

 

7. Rir!

Há alguma coisa melhor neste mundo?

Rir. Rir. Rir.

Aqui por casa temos sorte porque temos muitas coisas que nos fazem desmanchar.

Rimos sobretudo de nós próprios. 

Quando os 6 itens anteriores estão cumpridos. Este vem por acréscimo e aparece naturalmente.

 

7! 

7 pequenos passos.

Fazem a diferença na minha vida. 

momento Calimero!

15.05.19, Joana Marques

A Mariana é uma calmaria. 

Durante os primeiros dias ia dizendo ao Pedro.

- Esta miúda ainda não percebeu que nasceu!

Dormia. Dormia. Dormia.

Passou o primeiro mês.

E eu continuava a dizer!

- Não percebeu que nasceu. Não sabe que a vida de olhos abertos tem outro encanto...

Senhora Mariana, qual bela adormecia.....

....só dormia.

Estávamos a chegar ao segundo mês.

- Pedro. Vê lá bem a tua filha...será que está tudo bem com ela?

O Pedro riu que nem um perdido. Gozou comigo. Mas eu sou mãe...

....e tenho o coração nas mãos desde que sou mãe. E decidi consultar um especialista. O pediatra.

Já aqui na África do Sul. Respondeu-me...no meio de uma gargalhada!

-Tem sorte. Tem muita sorte!

E jurou-me pela alma da mãezinha dele que estava tudo bem com a miúda.

 

Pois bem. A miúda continuou na mesma. Mas...

...um destes dias. Tivemos uma manhã horrível.

Antes do Pedro sair de casa já chorava. 

- Parece que foi hoje! Percebeu que nasceu!

 

Só que...

...se a manhã foi horrível. A tarde foi pior ainda.

Dei leite. Não queria.

Embalei. Não queria.

Mostrei a janela. Não queria.

Cantei. Não queria.

Vi a fralda. E 5 minutos depois também. Estava tudo bem.

Seriam cólicas?

Durante o dia valeu-me a Alice. Tem uma maturidade incrível e colaborou o dia todo. Ou tinha deixado isto tudo entregue à bricharada. Vasco e Gabi! Claro!

O Pedro chegou e pegou-lhe ao colo e a miúda calou-se.

 

Nem comento! 

Vou ter de comentar!

Eu andei grávida de pequeno parasita!

Eu pari o equivalente a uma bola de basquetebol! A miúda tem uma cabeça de um tamanho que me preocupa....

EU! É que a alimento!! Tal e qual vaquinha feliz açoriana!!

O pai chega...

- MIMI...

E pronto!

Adiante...

 

O Pedro deu banho na Mariana e a miúda resmungou um bocado.

Bem feito...

Eu avancei com o jantar da Alice.

Coloquei a Alice na cadeirinha e dei-lhe o jantar.

A Alice começou a comer.

 

O Pedro apareceu com a Mariana limpinha e cheirosa.

E para não destoar do que tinha sido o dia...

...desatou num berreiro. Alto e bom som!

 

A Alice baixou a cabeça...na cadeirinha e disse:

- Ai! Coitadinha de mim....

 

em sintonia...

14.05.19, Joana Marques

Detesto GPS. Nunca tive.

Atendendo que o meu sentido de orientação é igual ao de uma batata. Este capricho tem-me deixado muitas vezes mal.

Foi com grande alivio e satisfação que constatei que casei com um homem que adora conduzir.

UM ponto a favor! Eu não gosto nada.

Tem um sentido de orientação que se pode mesmo chamar assim. Nunca se perde!

Dois pontos a favor!

E GPS??

- Tens GPS?? Pedro! Tens GPS??

Perguntei eu a testar o homem.

- Não! Nunca tive. Nunca precisei.

Mil pontos a favor! É o homem da minha vida! É o homem da minha vida!

 

Só que. Nunca se deve dizer desta água não beberei. E....

..como estamos num país desconhecido. E, tendo em conta que o carro que nos chegou às mãos tem GPS. Tivemos de dar o braço a torcer. E quando não sabemos muito bem o caminho, usamos.

 

No domingo de manhã. Todos! Cães e tudo. Nós andamos todos juntos para parecermos muitos!

Vasco de cabeça de fora. Gabi bem comportada ou corria o risco de apanhar uma traulitada do pai Vasco.

Mariana dormia. E a Alice estava sossegada com a sua boneca.

E a gaja do GPS sem se calar!

E a Joana a hiperventilar.

Não quis acabar com o sossego do carro mas...

...a vontade de abrir a porta do carro e sair daquele inferno era muita mas mantive-me calada.

Calada que nem um rato. 

Quando olhei para o Pedro e ele me fez sinal de que estava a pensar o mesmo que eu.

Disfarçámos o riso. Para não perturbar o silêncio que ia no carro. Coisa rara por estes lados!

 

E a senhora do GPS lá tagarelava.

Eu e o Pedro a ficar amarelos.

Bla, bla, bla, bla....

Eu e o Pedro a ficar laranja às bolinhas verdes!

Bla, bla, bla....

Ouvimos uma vozinha vinda do banco de trás. Alice!

- Ó pá! Calaaaaa-te!

 

Os Rebelo! Em sintonia...

 

É o que dá ser adulta....

13.05.19, Joana Marques

Vasco. Esse querido. Esse fofo. Esse torrãozinho de açúcar de coco.

Já se adaptou ao novo país.

Por aqui as pessoas gostam imenso dele. Ele passa por elas e como um rei decente deixa-se acarinhar. 

Como moramos numa zona murada. E o cão não é de se fazer à vida sozinho, anda por aqui à solta.

Gosta de dar o seu pequeno passeio. Passar pela porta do casal alemão que aqui mora perto.

Descansar no sofá que está em frente à casa do casal holandês.

Se a pequenita holandesa aparece, o cão deixa-se pentear. Abraçar. E como quem não quer a coisa faz-se à estrada e vai dormir num sitio onde não haja crianças, esses seres que dão cabo do sossego de um cão honesto.

Os meus vizinhos até podem não conhecer muito de Portugal. Dizem duas palavras na nossa língua. Cristiano. Ronaldo. E agora aprenderam a terceira. Vasco.

Até aqui tudo certo. Uma imagem idílica. Na vida de um cão chamado Vasco.

Vivemos numa zona rural.

E o que é que as zonas rurais têm aos montes?

Bicheza.

Vivemos em África.

E o que é que África tem aos montes?

Bicheza esquisita.

 

1. Vasco saiu de casa. A Gabi ficou. 

Eu fiquei com a Mariana e com a Alice. E com a Gabi.

A primeira é muito calma mas às vezes chora. A segunda é muito alegre, canta, dança, ri-se, faz a festa até com as pedras da calçada. Eu percebo, eu também sou assim. E a Gabi...

....bem a Gabi. Ladra. Guincha. E é meio avariada. Sai à mãe, claro!

Eu Joana, a tentar dar conta do recado. 

E nisto. Um estrondo na porta da frente. 

Um momento de silêncio. E...

...a Mariana acha normal. A Alice acha normal. A Gabi nem liga. 

O meu coração parou. Achei que tinha um extra terrestre a entrar em casa. 

Não! Era só Vasco.

Vinha com um ar tão abatido. Só podia ter dado de caras com um bichinho daqueles lindos de morrer.

 

2. Vasco saiu de casa. A Gabi ficou. 

A Mariana estava na espreguiçadeira.

A Alice apareceu com uma caixa cheia de brinquedos. Fez questão de atirar para o meio da sala,  todo o seu conteúdo. A Gabi roubou-lhe um brinquedo. A Alice abespinhou-se. 

A Gabi disse:

- Não me apanhas...não me apanhas!

A Alice foi aos gritos, a gritar o mais alto que conseguia.

A Mariana olhava para nós com um ar de:

- Com mil Slimanis onde é que eu vim parar???

E nisto.

Ouvi um ruído estranho.

Alguém saltou o muro da nossa casa que dá acesso às traseiras.

A porta das traseiras estava no trinco. E.....

..........B$%UUUUMMMMM#$#$MM

A Mariana continuou na sua vida contemplativa. A Alice atrás da Gabi. E a Gabi no estardalhaço do costume. 

Eu. É melhor nem falar disso.

Entrou. Com tal força que a porta deu de si e abriu sozinha. Lá estava ele.

Abatido e a fugir do anticristo! Não me perguntem a cor. Ainda fui ver. Não vi nada.

 

3. Hoje.Vasco saiu de casa. A Gabi ficou. 

A Mariana estava a bebericar o seu leite.

A Alice estava muito concentrada a pintar a Minnie só com verde...do Spóoooting.

A Gabi estava deitadinha. Sem guinchar, ladrar ou uivar.

 

Ouço. Um alarido. 

Seria um avião? Um passarão? Um camião?

Não.

Era o Vasco. A entrar pela janela.

A Alice olhou e riu-se. A Gabi abriu os olhos e voltou a fechar.

A Mariana. A nossa casa é tão surreal que nem estranhou.

 

E eu?

Enfartei. Tenho a certeza que enfartei.

O meu coração ficou em papa.

O meu estômago parou. Quase fiz xixi.

E o leite que neste momento produzo ficou transformado em pudim. É o que dá ser adulta....

diz-lhes que....

12.05.19, Joana Marques

O primeiro a deixar-nos foi o meu avô Luís.

- Foi para o céu.

Eu era pequena ainda. Lembro-me dele. Acho eu. Ou acho que me lembro e criei na minha cabeça memórias que nunca existiram.

Não sei bem.

O meu avô nasceu no Porto. Viveu uma vida inteira no Porto. Tinha um orgulho cerrado em ser do Porto. Mas era do Sporting.

Uma família de sportinguistas. Casou com a minha avó Adélia. Sporting, também!

Lembro-me dele em nossa casa. Vestido à Sporting. E esta memória é real. Nunca me deixa!

 

A minha avó Adélia juntou-se a ele uns anos depois.  Disseram-me o mesmo.

- Foi para o céu.

E uns tempos depois, quando o meu pintainho morreu. A minha avó Maria consolou-me.

Pegou-me ao colo e disse-me:

- Foi para o céu.

 

Na minha cabeça comecei a imaginar que raio de lugar era aquele. Para onde iam pessoas e bichos.

 

Um dia a minha avó Maria deixou-nos.

Tinha 13 anos. E já não acreditava propriamente no Pai Natal. Mas confortou-me pensar que a minha avó não estaria sozinha naquele momento. Tinha a certeza que o meu avô Luís e a minha avó Adélia lhe abririam os braços e davam acesso a um quartinho confortável.

Ainda não me tinha refeito.

Juntou-se a ela o meu avô Joaquim.

O avô que atirava foguetes sempre que o Sporting ganhava. Levou consigo uma bandeira. Do Sporting.

 

Não sou crente. Não acredito.

As pessoas normais rezam para um Deus. Um santo. Ou uma nossa Senhora.

Eu falo com os meus avós. Sobretudo com a minha avó Maria.

Interrogo-me muitas vezes. Será que estão orgulhosos? Nem que seja um bocadinho?

Será que fiz bem? O que raio é que ela faria se estivesse numa situação assim?

 

Quando a Mariana bolsa pela vigésima vez em 50 minutos e entro em desespero. Peço à minha avó para me dar um bocadinho da tranquilidade que ela tinha.

 

Quando a Alice risca a parede do quarto com um marcador preto acompanhado de rabiscos verdes.

Quando me vê encolhe os ombros. E diz...a rir!

- Spóooooooting, mamã. Spóooooooting!

Penso nos meus avós. Onde estiverem estão esbodegados a rir. Devem pensar que temos futuro. E adepta!

Depois penso. És tão, tão parva que dói.

 

Tenho 38 anos. Não acredito no Pai Natal. Mas continuo a acreditar que os meus avós estão juntos.

Todos juntos.

Acredito que estão bem. Acredito que olham pelas minhas filhas. 

 

Não me queria juntar a eles. Daqui a uns 100 anos, talvez... 

Mas gostava de poder conversar com eles. Nem que fosse através de um intermediário.

 

Senhor intermediário:

-Se falares com eles. Diz-lhes que o Sporting foi campeão de Hóquei em Patins.

- Não! Não! Não! Não lhes digas isso. Vão pensar que eu sou parva...eles já sabem! Tenho a certeza que já sabem...

 

- Se falares com eles. Diz-lhes que o Sporting conquistou o 35º título Europeu. O segundo titulo Europeu este ano!

- Não! Não! Não! Credo! Não lhes digas isso. Vão pensar que eu sou burra...eles já sabem! Estão a festejar...de certeza!

 

- Se falares com eles. Diz-lhes que o Sporting é tão grande como os melhores da Europa.

- Não! Não! Não! Não lhes digas isso. Estás a ouvir!!??? Com mil Slimanis....vão pensar que eu sou uma atrasada. Eles não têm vistas curtas!  É óbvio que é um dos melhores da Europa.

 

 

- Se falares com eles. Diz-lhes que tenho saudades....💚

Joana volta a atacar!

06.05.19, Joana Marques

Sou uma rapariga assim para o organizado.

Nem sempre fui. Mas...

...cheguei a um nível de perfeição que me transcende um bocado.

Como raio é que eu fiquei assim é coisa para me fazer ficar a pensar uns bons 3 segundos.

Avancemos...

 

Caixas. Caixas. E mais caixas!!

Tenho montes de coisas arrumadas em caixas. Quase tudo.

E agora que tenho filhas. Dão um jeitão.

As caixas com camisolinhas. Sapatos a uso. Sapatos que já não servem. Fraldas....

...enfim todo um mundo infantil!

A Mariana cresce todos os dias.

Já nasceu grande.

Mas ao que parece o meu leite tem adubo do bom.

A Mariana tem crescido a olhos vistos.

Quando ela nasceu lembro-me de ter comentado com o Pedro:

- Estava à espera de um bebé mais inacabado, afinal a miúda parece que já tem 3 meses.

Agora que olho para as fotos percebo que a miúda era mesmo uma recém nascida.

E que agora sim...é uma bebé.

 

Avancemos de novo.

Por aqui o artesanato reina.

Aquele artesanato mesmo genuíno e maravilhoso.

Um dia destes eu e o Pedro fomos a uma feira que existe todos os domingos e deparei-me com uma peça espectacular. Uma escultura maravilhosa.

Em madeira.

Uma mãe segurava um filho às costas. Outro pelo braço. E o terceiro ao colo.

Pensei na minha mãe. E em nós os três: Sofia, Tiago e Joana volta a atacar!

Comprei-a e decidi oferece-la à minha mãe.

Quando cheguei a casa coloquei-a numa caixa.

Embrulhei-a. E esperei pela manhã seguinte para a entregar ao senhor dos correios que passa por aqui todos os dias úteis a distribuir e levantar correspondência.

Liguei ao meu pai e informei-o que ia a caminho uma encomenda. Se possível para ele interceptar e não deixar a minha mãe abrir. Só no dia da mãe. 

Ontem liguei para a minha mãe. Porque era dia da mãe.

Perguntei se a prenda tinha chegado.

- Sim.

E gostaste?

- Comprei a um artesão daqui. Achei tão amoroso!

- Ahhh! A sério? 

Confesso que fiquei decepcionada!

A minha mãe é pintora.

Toda a vida trabalhou com arte.

Adora arte.

E respondeu de uma forma tão meeehhh.

 

Desliguei o telemóvel.

Fui à minha vida até que...

Fui dar banho à Mariana.

Peguei num body para lhe vestir. E como muitas vezes acontece...já não lhe servia.

Peguei noutro body. Vesti a miúda. Coloquei-a na espreguiçadeira.

Peguei no body que não lhe servia e fui guarda-lo na caixa da roupa que já não serve.

 

E quando a abri percebi.

A minha mãe.

Recebeu no dia da mãe uma caixa enviada directamente da África do Sul.

Com bodys que já não servem à neta mais nova.

 

A verdadeira caixa já foi hoje.

Entretanto já abri as caixas todas aqui de casa para me certificar bem certificada que Joana não voltou a atacar.

Novamente.

E em força.

Porque não?

04.05.19, Joana Marques

Por aqui há um espírito de equipa que adoro!

Moramos num local onde praticamente não há Sul Africanos, propriamente ditos.

Todos nós estamos deslocados. E por isso vem ao de cima o melhor do ser humano.

Equipa. Solidariedade. Entreajuda.

Sinto-me em casa. Não sei muito bem explicar mas sinto-me em casa.

Não são só as pessoas. Os vizinhos.

É tudo. O espaço. A terra. O cheiro. 

Parece que pertenço aqui. Parece que sempre pertenci aqui.

 

Ao meu lado mora um casal de Argentinos.

Ele é colega do Pedro no hospital. E ela está em casa.

Têm dois filhos. Um rapaz de 12 anos e uma miúda de 3 anos.

Ela, a Melani, tem um jeito incrível para a costura.

Faz a roupa toda dos filhos. A sua própria roupa. 

Para substituir um fato de princesa que a filha usava e que já estava a ficar apertado, fez-lhe outro muito giro. Uma princesa bailarina. Ou uma bailarina princesa. Usou tule para a saia. E fez uma coroa para a cabeça e tudo. Tudo em rosa! Como as meninas gostam.

Como nós somos vizinhos começou a fazer um para a Alice. E outro igual para uma miúda de 4 anos que mora também muito perto. Holandeses!

Rosa. Azul. Amarelo. As cores dos fatos das princesas.

 

Temos combinado todas e para termos mais tempo, à vez, ficamos com as 3 miúdas.

As miúdas brincam umas com as outras e nós vamos tendo uma ou outra tarde para nos organizarmos.

Parece mentira. Ainda estou de licença de maternidade. A Mariana é a bebé mais calma da história dos bebés desde o tempo dos visigodos. E eu não tenho tempo para nada!

Parece que estou a gozar com quem trabalha. Mas não.

Acreditem. Não tenho tempo para nada.

A verdade é que nem sei muito bem o que faço durante o dia todo. 
Mas ando a mil, como nunca andei. E nunca tive tão pouco tempo.

Adiante.

 

Na quarta-feira a Alice foi para casa da Melani brincar com a filha e com a pequenita holandesa.

A Melani tinha-me dito que seria o dia em que ia vestir os vestidos de princesa bailarina às 3 meninas.

E como a filha anda no ballet e a holandesa também disse-me para aparecer por lá com o Pedro porque as ia ensaiar e iríamos ser contemplados com uma maravilhosa coreografia.

 

Assim foi. Esperei pelo Pedro. Pegámos na Mariana e lá fomos.

Já lá estavam os holandeses e o marido da Melani, também. 

 

Fiquei de queixo caído quando olhei e vi as 3 meninas vestidas de princesa bailarina.

A Alice. A minha Alice estava com o fato cor de rosa.

Não sei muito bem o que aconteceu. Nem perguntei. Não havia ninguém a chorar por isso nem quis saber como é que a minha ficou com a cor mais apetecível.

 

Fiquei mais uma vez de queixo caído quando as miúdas começaram a tal coreografia.

À frente. Quem?

A Alice pois claro! 

Também não sei muito bem como nem porquê mas a Alice dançava à frente e no meio.

Entre uns passos. Uma vénia. E um abanar de braços. Fiquei rendida.

 

Resultado. Desde quarta-feira que não quer tirar a roupa de princesa bailarina.

É um castigo para tomar banho.

É um castigo para vestir o pijama.

É um castigo para a vestir de manhã.

 

Ontem, vestida de princesa bailarina diz-lhe o Pedro.

- Alice, não podes andar vestida sempre assim!

A Alice vira-se para nós.

Faz uma vénia. Vai-se embora. 

Pára a meio do caminho.

Vira a cabeça para nós e diz!

- Poooooque não?

E foi à vidinha dela....

 

Nós os dois. Tivemos uns bons minutos a digerir aquele:

- Porque não?

Nunca. Em toda a minha vida. Pensei ficar sem reacção com apenas duas palavrinhas vindas da boca de uma criança de dois anos. 

Ontem foi o dia.

 

Hoje. Não vestiu o fato de princesa bailarina. Porque quem manda somos nós.

E entretanto já recuperámos do choque.

 

 

Podia ir melhor. Podia ir melhor...

02.05.19, Joana Marques

A Alice entrou naquela fase!

Diria que na adolescência mas ao que parece ainda é cedo para isso.

Com 2 anos, pequena criatura acha que manda. Em todos!

Normal...

..normal também é nós os adultos. Eu e o Pedro. Contrariarmos pequeno ser....

Não é fácil. Nada fácil. Às vezes dói. Mas tem de ser....

 

O dia a dia é desarrumar todos os brinquedos que tem. E espalha-los de preferência pelo maior número de assoalhadas possível.

Normal.

Tudo normal.

 

Depois de brincar um minuto com a boneca. Atira-a e atira-se aos lápis e canetas.

Depois de brincar 2 minutos com as canecas e lápis. Amachuca o papel. Atira para o chão.

- Alice apanha o papel.

- Não.

-Alice apanha o papel.

- Não!

- Alice vai pôr o papel no lixo!

- Vai tu!

- Desculpa?? Como??

Apanhou o papel. Passou de mansinho e foi deixa-lo no caixote do lixo.

 

Os dias são muito isto. É desgastante. Mas não é para desistir!!

Isto com muita paciência. 

Muita, muita paciência. Vai lá...

- Alice arruma os brinquedos.

- Não!

- Alice vai lá arrumar a boneca, eu arrumo o cavalo.

- Não!

- Alice, eu ajudo. Mas tens de ir arrumar a boneca!

Diz um não com um ar malandreco e de quem está a testar todos os limites e mais alguns.

Até que entra o Pedro em acção! E um homem faz milagres.

- Alice!

A miúda pegou na boneca e foi a reclamar...

- Já vou, já vou...

Arrumou. Com a nossa ajuda arrumou tudo.

Demorou uma eternidade mas lá foi...

 

Saímos de casa e fomos dar uma volta.

Passámos por um café não muito longe de casa.

O café é de um brasileiro chamado Valdemar. 

O senhor já nos conhece e quando nos viu entrar disse:

- Alice, como vai a sua vidinha??!

E a Alice com um ar extremamente pesaroso respondeu-lhe:

- Podia ir melhor. Podia ir melhor...