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Kiosk da Joana

Kiosk da Joana

o Vasco sempre a surpreender...

26.06.19, Joana Marques

Vasco!

Um cão requintado. Dono disto tudo!

Aqui em casa o sofá é dele. No chão?

- Estarei a ouvir bem?? Estás mas é maluca. Eu não sou cão de me deitar naquilo que vocês chamam tapete quando mais no chão!

 

Na sala temos um sofá daqueles normais para duas a três pessoas e um sofá individual.

No sofá individual não cabe porque é um cão espaçoso e gosta de estar espalmado qual ovo estrelado. E por isso o poiso dele habitual é o outro sofá, o grande!

Ocupa-o de uma ponta à outra.

Joana? Pedro? O resto da família?

Pois.

Temos o chão. Só para nós.

É normal eu e o Pedro estarmos à noite.

Na sala.

Já depois das miúdas estarem a dormir

A ver qualquer coisa. Filme, série..documentário.

Sentados no chão.

Encostados ao sofá.

Com uma manta por baixo e umas almofadas por trás das costas que a idade já pesa e os bicos de papagaio estão mesmo ao virar da esquina.

Atrás de nós o sofá.

No sofá. O Vasco!

 

O safado do cão tem uma bola de cristal incorporada no coração. E sabe. Não sei bem como.

A hora certa para sair do sofá e aterrar na nossa cama.

Eu deito-me e ele aceita de bom grado a minha companhia. Mas...

...debate-se um bocado com o Pedro.

Acaba ao colo do Pedro transportado para o sofá da sala.

Sem antes, fazer uma chinfrineira. 

 

Adormecemos. Mas de manhã quando acordamos...

...NUNCA estamos sozinhos. O Vasco mudou-se de malas e bagagens para o nosso quarto.

Quando era só eu. Dormia no tapete. Agora. Faz questão de me acordar com as 4 patas em cima da cama. Espera...impacientemente pela minha saída.

Aninha-se o mais que pode no quentinho.

Quando o Pedro sai da cama. 

Ui!

Morreu e foi directamente para o céu sem passar pelo purgatório.

O sono dele pode durar um dia inteiro.

É um castigo para fazer a cama!

 

Mas...

....desde que eu sou mãe. O Vasco também é .....

E, a Alice e a Mariana estão no topo das prioridades do cão.

 

Aqui, onde estamos existe um espírito de entre-ajuda grande.

E combinámos, mães com filhas de idades idênticas disponibilizarem a casa aos pequenos seres à vez.

Um dia a Alice brinca com mais duas amiguinhas aqui em casa, no dia seguinte em casa da nossa vizinha holandesa, no dia seguinte na casa da nossa vizinha da Argentina. É maravilhoso!

Só assim tenho tempo para ter tudo em dia. 

O mais espantoso é que o Vasco acompanha a Alice. Sempre!

Fica à porta da casa onde a Alice está a brincar. Ao frio, à chuva, ao sol, ao pó....ao vento!

..até a miúda sair de lá. O Vasco está à porta. À espera...serenamente.

 

Ontem. Eu estava em casa. E ouvi-o ladrar.

Pode parecer mentira mas conheço as minhas filhas pelo cheiro, pela voz, pelos passos...

...tal e qual como conheço o meu cão.

O ladrar do Vasco é inconfundível. Ladrava muito. Muito. Alto. Aflito.

Tão aflito que saí de casa com a Mariana e fui ver o que se estava a passar.

Ao longe vi o Vasco tresloucado a atirar-se à porta de casa da minha vizinha.

E como não conseguiu entrar saltou o muro.

 

Bati à porta e entrei. (moramos numa espécie de quinta, fechada, é normal as portas estarem no trinco). Percebi que estavam no quintal.

Vi pela janela da cozinha a Alice caída.

O Vasco tinha o focinho no pescoço dela. A conforta-la.

A Alice fez um galo enorme na cabeça e destroçou o nariz. Coisas que acontecem.

É claro que eu fiquei com o coração apertado mas....

....faz parte. Não posso, nem quero que viva numa redoma...

 

Voltei para casa com a Alice. E com o Vasco.

Tratei da Alice sempre com os olhos do Vasco em cima da Alice.

Ontem à noite. Eu e o Pedro tivemos o sofá só para nós.

Porque o Vasco dormiu no tapete ao lado da cama da Alice.

 

A Alice está bem. Foi mais o susto.

 

 

....o planeta não é nosso. É-nos emprestado. 

24.06.19, Joana Marques

Começámos de uma maneira egoísta. Muito egoísta.

Foi porque nos sentíamos bem. Depois...

...depois começou a fazer sentido como um todo.

 

Deixámos de usar garrafas de plástico.

Nunca consumi água engarrafada.

A ideia de andar a transportar garrafões de água para um segundo andar sem elevador (quando ainda morava em Carcavelos) dava vontade de me atirar de uma ponte.

Mas...

....comprava garrafinhas pequeninas que transportava sempre na mala.

Neste momento todos nós aqui em casa temos uma garrafa reutilizável e funciona muito bem.

 

Deixei de usar disco desmaquilhantes.

Fiz em crochet. Num algodão suave, limpa e faz uma leve esfoliação ao mesmo tempo.

Vou acumulando e no final da semana coloco-os num saquinho de rede e lavo-os na máquina com a outra roupa. Funciona muito bem. 

 

Deixámos de usar sacos plásticos.

Os sacos plásticos sempre me enervaram.

Quando morava sozinha acumulava até encher uma cesta e depois dava-os à minha mãe que gosta tanto de sacos plásticos como de pãezinhos quentes.

Neste momento uso sacos de compra reutilizáveis para as transportar. Para a fruta uso saquinhos de algodão. Os primeiros que tive comprei-os. Mas....

....neste momento sou eu que os faço. Escolhi um algodão fininho e bonitinho e tenho sido tão feliz com eles. Uso-os nas compras e no frigorífico.

Tem funcionado maravilhosamente bem!

 

Deixámos de usar pasta de dentes em tubo de plástico.

Neste momento usamos pasta de dentes feita por mim ou orgânica em frasco de vidro.

Como o meu tempo desaparece com muita facilidade nem sempre tenho tempo de a fazer. Compro em frasco de vidro. O frasco de vidro pode ser aproveitado para muitas outras coisas e esta pasta de dentes não tem microplásticos.  Nem embalagem de plástico!

 

Mudámos a escova de dentes!

Nada de plástico. Usamos de bambu.

Esta é uma mudança pouco drástica. É mais ou menos a mesma coisa sem...

...usarmos plástico!

 

Deixámos de usar palhinhas plásticas.

Existem de metal. Existem de massa. 

Por aqui gostamos mais de bambu ou de papel.

Quando saímos levamos de papel em casa optamos pelo bambu.

 

Deixámos o  shampoo tradicional.

Usamos shampoo sólido!

Se for feito em casa é muito, muito barato.

Se for comprado fora parece mais caro que o normal mas não é.

Dura muito tempo!

Se for um bom shampoo! 

Nos primeiros tempos o cabelo fica diferente. Depois percebe-se que está diferente porque tem muito mais textura e está muito mais feliz.

Poupamos na embalagem que não tem. Ganhamos saúde capilar. Só vantagens!

 

 

Ainda temos um longo caminho a percorrer. Mas o caminho faz-se caminhando.

Sabemos que...

....o planeta não é nosso. É-nos emprestado. 

Temos de saber honrar este empréstimo...todos os dias!

para a minha sobrinha Madalena....

23.06.19, Joana Marques

Recomeça....
Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças...

 

Miguel Torga

Vamos tornar isto mais interessante? Parte 2

17.06.19, Joana Marques

Eu digo que é Luísa.

É Luísa e pronto!

O Pedro olha para mim com ar de gozo. Crendices não é com ele.

 

A minha sogra diz que se eu acho que é uma Luísa é porque é uma Luísa. 

A mãe sabe sempre. Sendo que ela achava que sabia e vai-se a ver ....

Diz que não há regra sem excepção e o engano dela foi a excepção que confirma a regra.

 

A minha mãe diz para eu ganhar juízo. Para estar quietinha e não dizer asneiras porque:

"já tens idade para ter juízo e não tens nenhum...."

"onde já se viu andar duas horas atrás de um bode??"

"Nem contes isso a ninguém que é uma vergonha!"

- Está descansada só escrevi uns quantos posts no blog mas quase ninguém leu...

 

Vou sortear 3 garrafas de Paiol

ou

Uma aguarela pintada por mim

Só têm de dizer o que preferem.

(há pessoas que não apreciam álcool e há pessoas que não apreciam aguarelas)

Têm de comentar este post. Ou é uma grande confusão e eu já não tenho 20 anos....

O VASCO NÃO ESTÁ CONCURSO!! Por isso escusam de tentar....

Só têm de dizer o que acham que tenho dentro da barriga...

(não são gémeos...essa parte já está confirmada)

Das duas uma:

- É uma Luísa porque a Joana nunca, nunca se engana e sabe do que fala!

ou

- É um João.

Podem comentar até sexta feira, 5 de julho (23h59m)

E...

...não consigo dizer-vos quando sairá o resultado do passatempo.

Na melhor das hipóteses lá para fim de Julho, principio de Agosto.

Até lá...

....nem quero pensar.

Fazer as malas de toda esta gente. E conseguir arrumar tudo dentro de um avião.

Voltar a casa.

 

Se for um rapaz ficarei tão feliz como se for uma rapariga. 

A verdade é que não tenho preferências.

Tanto faz!

Só tenho um pressentimento muito forte....só isso.

Tão forte, tão forte que apostei com a minha cunhada...benfiquista que:

Se fosse um João, eu, Joana iria assistir ao jogo Benfica- Sporting na luz.

Vestida de vermelho.

Acham que é viável tal acontecimento??

Não é!

 

 

TENHO a certeza que vem aí a Luísa!

16.06.19, Joana Marques

Quem acompanha este blog sabe a grande volta que a minha vida deu a nível alimentar.

Quando iniciei este blog, vai fazer 3 anos para o mês que vem, não comia mal. Mas não comia tão bem como como agora.

Uma achega aqui. Uma achega ali. Experimenta dali. Experimenta daqui. E a coisa foi-se compondo.

 

Quem me fez virar a página definitivamente foi a chegada da Alice.

Ter uma filha não me permite pôr em prática ideias desvairadas.

Se eu quero que coma bem não posso de forma alguma dizer-lhe:

- Olha aqui os brócolos tão bons tão bons...vá come lá, enquanto a mãe enfarda estas batatas fritas.

Apareceu o Pedro. E Já eu tinha virado a página sem retorno possível.

O Pedro era o capitão Iglo. Rei dos congelados. Da comida processada e da roulotte dos cachorros.

Ainda estou para saber como é que o homem mudou o chip tão depressa.

De repente tornou-se no fanático da brigada verde.

Mais ditador que eu.

Veste a camisola com grande convicção.

 

Passámos a ser vegetarianos. Assumidamente vegetarianos.

Começou por escolhermos um dia por semana sem carne nem peixe.

Correu bem.

Passou a ser uma semana inteira por mês de refeições sem carne e sem peixe.

E de repente começámos a sentir os efeitos da nossa escolha. 

Muito mais energia. Dormíamos melhor. Muito menos stress. Um sentimento de plenitude.

 

Não consigo explicar de uma forma perceptível.

Quem ler vai achar que foi desta que perdi o pouco tino que me restava...mas a verdade é que comecei a apreciar a vida de outra maneira.

E teve a ver com esta mudança.

A minha cabeça mudou de alguma forma.

Os pensamentos tornaram-se mais claros, por exemplo.

 

Quando nos mudámos para aqui tivemos a certeza. 

Dê lá por onde der somos vegetarianos e gostamos! E isso ninguém nos tira.

Pois bem.

No fim de Maio comecei a andar bege. Esmorecida. E sem forças. Nauseada.

Comentei com o Pedro.

- Não sei muito bem porquê. Não arranjo explicação. Andava tão bem...e desde ontem que não me sinto nada bem.

O Pedro olhou para mim. Fez-me mil e uma perguntas.

E adormecemos.

No dia seguinte de manhã.

Eu continuava bege. E o Pedro acordou bege. E disse-me...

- Deve ter sido alguma coisa que nos fez mal.

O meu coração colapsou. E a primeira reação foi ir espreitar a Alice que dormia tranquilamente na sua cama.

Se nos tinha feito mal a nós. E a Alice que come o que nós comemos?

A Alice esteve óptima o dia todo.

 

Eu passei o dia todo desgraçadinha.

A Alice esteve o dia todo em excelente forma.

E o Pedro chegou à noite bege às bolinhas roxas.

 

Porquê?

Era a pergunta. Comemos bem. Comemos todos os nutrientes, certo?

Certo! Confirmou o Pedro.

A Alice está óptima. 

O Pedro disse para esperar mais uns dias.

- Deve ser uma virose. A Alice não apanhou mas temos de estar atentos porque é provável que apanhe.

- Achas?? Ou será que estamos a fazer alguma coisa de mal?

- Claro que não estamos!

Respondeu com toda a certeza do mundo.

 

Os dias passaram.

Eu bege. Amarela. A arrastar-me.

Ah! Sem esquecer o incidente do bode! Sim!!!??

O Pedro ia trabalhar. Diz que até passava bem o dia mas que também não andava nada bem.

Até que...

....um dia. Rebentou a bolha.

 

O Pedro já tinha chegado.

Cá em casa estava aquela balburdia que caracteriza os Rebelo.

Havia música. A Alice dançava. A Gabi acompanhava.

O Vasco tentava dormir e lá ia resmungando.

A Mariana estava na espreguiçadeira toda a contente com o rebuliço.

Eu. Bege.

 

Não aguentei.

Larguei a correr e desfiz-me na casa de banho. 

O Pedro instintivamente pegou na Mariana e na espreguiçadeira e largou-a à porta da casa de banho.

Enquanto eu vomitava os pulmões e todas as outras miudezas para dentro da sanita.

O Pedro vomitava para dentro do lavatório.

E no meio deste espectáculo deplorável estava a Mariana à porta da casa de banho.

A Alice com ar de espanto, a olhar para nós. Ao lado dela os nossos dois filhotes patudos. Com olhos de misericórdia. 

 

Eu. Enquanto tentava segurar dentro de mim a vesícula, o baço e o pâncreas. Parecendo que não dão jeito...

Dizia para a nossa assistência.

- Não se preocupem! Está tudo bem! Está tudo bem...

O Pedro a esvair-se. Sentado na banheira. Com a cabeça dentro do lavatório. A morrer!

Família Rebelo no seu melhor.

 

Eu estou grávida. 

E tu, Pedro! Qual é a tua desculpa???

 

Faz hoje um ano!

Eu e o Pedro casámos há um ano.

Um ano que passou tão depressa, tão depressa. Nem dei conta.

Foi o ano mais feliz da minha vida.

 

Se tudo correr bem em meados de Fevereiro nascerá a nossa terceira filha.

Oficialmente não sabemos se será menina ou menino.

Não me perguntem porquê.

Nem como....

.....mas eu TENHO a certeza que vem aí a Luísa. 

 

o final da história...

15.06.19, Joana Marques

Segunda feira.

Acordámos. 

Não, não era um sonho. Tínhamos um bode.

E enquanto tomávamos o pequeno almoço estava o dito cujo a olhar pela janela.

Não tinha ideia. Mas...

...são animais sociáveis. Depois do choque inicial tornou-se nosso amigo e gostava da nossa companhia. Ficava aborrecido quando estava sozinho e procurava a todo o custo companhia. A Gabi tornou-se amiga dele. Gostava de lhe ferrar o dente no pescocinho e nas orelhas mas era na brincadeira.

 

O Pedro foi trabalhar.

O Pedro chegou ao trabalho.

E no meio de toda a problemática renal e outras miudezas urinárias, o Pedro lá puxou o tema: tenho um bode!

Disseram-lhe para contactar uma quinta que pertence a um mini Zoo.

O homem não teve coragem de ligar a dizer:

- Olá, liguei para perguntar se estão interessados num bode?

Foi lá.

Sim senhor. Claro que sim mas...

...tem de nos trazer uma declaração de um veterinário. 

Contactámos o veterinário que logo nos primeiros dias visitámos por causa do Vasco e da Gabi.

Ligámos para o veterinário e marcámos.

No dia seguinte. Eu só tinha de ir ter com o Pedro acompanhada do bode.

Falei com a minha vizinha e deixei lá as miúdas.

Voltei para casa e dediquei-me à causa. Apanhar o bode.

Faltava uma hora para o Pedro sair do trabalho, por isso estava mais do que a tempo.

 

Chamei o bode. Veio ter comigo mas quando o fui para apanhar. 

Está quieto.

O bode largou aos pinotes. 

Corri. Chamei. Gritei. Chorei. E o bode zombou com a minha pessoa como nunca ninguém o tinha feito. 

 

Entretanto.

Eram 16h e o Pedro saiu do hospital.

Ligou-me tal como tínhamos combinado.

Não atendi.

Esperou, no hospital.

Passados uns 10 minutos ligou outra vez.

Não atendi.

Ligou para o veterinário a perguntar se uma mulher tinha aparecido com um bode.

Não!

Ligou-me outra vez.

Não atendi.

 

No quintal da minha casa.

Um bode saltava paredes.

Berrava.

Vinha ter comigo e largava a correr.

O Vasco estava louco dentro de casa.

E a Gabi também. Por razões diferentes.

O Vasco não permite que alguém me passe a perna.

A Gabi queria brincar com o bode.

 

O Pedro já não foi ter ao veterinário tal como tínhamos combinado.

O Pedro achou melhor voltar a casa para ver porque raio é que eu não tinha cumprido aquilo que tínhamos combinado de manhã.

 

Chegou a casa.

Olhei e vi o Pedro.

Eu descabelada.

Suava por todos os poros.

E chorava de frustração.

Quase duas horas atrás de um bode.

 

O Pedro apanhou o bode sem dificuldades.

Colocou-o no carro e foi ao veterinário com ele.

Eu fui buscar as miúdas.

O Pedro chegou passado uma hora com o bode  e no dia seguinte foi ao veterinário buscar uma declaração que dizia que o bode era um bode muito saudável.

O bode está agora na tal quinta.

Está muito bem tratado.

E vai morrer um dia. De velhice.

Já o fomos visitar e veio logo ter connosco à procura de festinhas.

 

Embora não me esqueça daquelas duas horas negras da minha vida.

Não guardo ressentimentos. Do bode.

 

Esta história começou aqui!.

continuou aqui!....

.... passou por aqui!

E por aqui!

solução à vista....

12.06.19, Joana Marques

Bernnie dormiu e despertou tal como eu, cedo. Muito cedo.

Toda a casa dormia. Excepto eu, Bernnie e a Gabi que não parava de olhar pela janela.

Dirigia ao bode olhares, rosnares e outras pérolas.

 

Tomei banho. Comi. E volta e meia abria a porta de casa para ver se a minha vizinha já se tinha levantado.

Mal percebi que havia gente viva lá em casa fui lá tocar.

Expliquei toda a situação...

..o bode, o Pedro, o Pedro com o bode nos braços. E o bode. E já vos aconteceu? 

Já tinha acontecido.

Desde bodes, porcos e galinhas e nem Deus sabe mais o quê!

Solução?

Saí de lá com o contacto de um senhor que põe os bichos todos pelo avesso.

- Ele é maravilhoso!

Disse-me a vizinha.

-Sabe mesmo cortar a carne! Fica muito saborosa!!

Ao meu olhar horrorizado, diz-me ela..

- Vocês vão querer comer a carne, certo?

- Errado!

 

A África do Sul é o paraíso da carne. Por aqui, come-se sobretudo carne. Carne barata e de qualidade.

Logo nós que andamos numa de vegetarianos. 

Já fomos propositadamente a um restaurante duas vezes que nos foi aconselhado.

Pela experiência. Comemos carne. De resto temos sido vegetarianos.

O mais estranho é que sempre comi carne toda a vida e destas duas vezes que voltei a comer não me senti lá grande coisa. O Pedro teve a mesma impressão. E não voltámos a experimentar. É óbvio que não ia ser com o Bernnie....completamente fora de questão!

 

Nesta fase, Bernnie era mais do que uma costeleta no prato. Já era nosso....

Quando cheguei a casa contei ao Pedro.

- Nada feito. Aqui é prática comum oferecem bichinhos! Mas também é prática comerem os bichinhos.

 

Era domingo.

Foi um domingo maravilhoso.

Bernnie e a Alice.

A Alice e o Bernnie. Juntou-se a Gabi. Diversão ao cubo.

O Vasco não se mistura com os pobres e por isso optou por dormir. Tal e qual a Mariana que teve um santo domingo.

No dia seguinte o Pedro encontrou a solução.

 

Esta história começou aqui!.

continuou aqui!....

.... passou por aqui!

 

E ainda não acabou....

...mas está quase!

o dia em que o bode deixou de ser bode. E passou a ser Bernardo!

11.06.19, Joana Marques

Eu e o Pedro.

Na sala.

Um chá de camomila nas mãos.

Um assunto sério. Muito sério. O bode.

 

- Temos duas hipóteses: ficamos com ele e ficamos cá até ele morrer ou damos o bode!

- Pois, não me parece muito viável chegarmos à Portela com dois cães e um bode...

- Quantos anos vivem os bodes?

- Não sei. Achas que parece mal telefonares ao tio Luís novamente.

- Já é tarde. Vou ver no Google.

"Quantos anos vive um bode"

- 17 anos! Quando voltarmos a Portugal a Alice já é adulta....

- Então pronto! Está decidido. Temos de dar o bode.

- Pedro, o bode está à janela!

- O bode o quê???

- O bode está à janela!

O bode tinha saltado um parapeito e olhava para nós do lado de fora. 

- Tem mesmo cara de Bernardo! Podemos lhe chamar Bernardo?? Podemos chama-lo de Bernas..ou Bernnie!

- Estás doida! Não se põe nomes ao bode, se lhe deres um nome não vamos ter coragem de o mandar embora...nada de nomes, Joana! Nada de nomes...

- Vasco sai da janela que assustas o Bernnie...sim, Pedro! Nada de nomes....

O Pedro suspirou. E viu a vida a andar para trás....

Eu continuei...

- Amanhã, pergunto aqui aos vizinhos se alguma vez já receberam um animal de presente...deve ser hábito por cá e não deves ter sido o primeiro. E logo vemos o que fazemos com o Bernnie...com o bode...com o bode Bernnie...

- Vamos mas é dormir e amanhã logo se vê.

Deitámos-nos. O bode berrava.

O Pedro adormeceu. O bode berrava.

Eu virei-me para um lado. O bode berrava.

Eu virei-me para o outro. O bode berrava.

Eu levantei-me e fui espreitar a Alice. E depois a Mariana. E depois a Alice. E depois a Mariana. Sempre acompanhada pelo Vasco. O bode berrava.

Voltei a deitar-me. O bode berrava. 

E o bode deixou de berrar.

Dei um sopapo no Pedro. Que morreu um bocadinho com o susto.

- Pedro, o Bernnie bode calou-se.

- Hhummmm.

- Pedro!

- O que foi.

- Estás a ouvir???

- Não estou a ouvir nada. Dorme.

- Eu sei que não estás a ouvir nada! Não achas suspeito. Vou lá ver...

- Quem?

- O Bernnie..

- Hhummmm??

- O bode!

- Vais lá?? Para quê??

- Calou-se de repente. Se calhar suicidou-se......

Levantei-me. E fui espreitar o bicho. O Pedro foi atrás de mim.

Estava sossegadito na cama que lhe tínhamos feito mas mal nos pressentiu saltou para cima de nós.

- Brilhante, Joana. Acordaste o Bernnie!

- Acordei, quem?? 

- O bode! O Bernnie...ah! Joana...não ouviste nada...

-

 

E assim, com um ar de bode beto, ar astuto e malandro passou a ser Bernardo. 

Bernnie para a família mais chegada!

E vocês como lhe vão chamar: Bernnie, Bernardo ou Bode??

 

Esta história começou aqui!.

E continuou aqui!....

E ainda não acabou....claro que ainda não acabou!

 

temos um bode. E agora?

10.06.19, Joana Marques

Sábado. 1 de Junho. 14 horas, aproximadamente...

Para além de um bode nos braços.

Tinhamos. E estavamos, também. A braços com um grande problema.

Temos um bode. E agora?

 

O pobrezinho berrava por todos os lados.

Provavelmente foi retirado de forma cruel à sua família. E azar dos azares veio parar à nossa.

Primeiro. Prioridades.

 

Temos um bode. E agora?

-Porque berra?

- Saudades da família. Bode querido menos barulho. Nem é pelas miúdas....é pelo Vasco! 

Tudo estragado o Vasco estava mais do que acordado. E estava estarrecido. Não pelo bode....mas pelo barulho.

- Se calhar tem fome? 

- Sede?

- Os bodes bebem água?

- Acho que sim. Presumo que sim.

- Dá-lhe água e logo se vê.

O bode não quer água. O bode só berra. 

- Tem fome. O bode tem fome!

- Dá-lhe comida.

- O que é que eles comem mesmo? Devem ser vegetarianos, certo?

- Conheces alguém que tenha bodes e que saiba o que comem?

- Talvez o meu tio Luís...achas que lhe ligue? Achas que ainda bebe leite?

- Não. Um bode deste tamanho já foi desmamado há algum tempo. Acho eu...quanto tempo é que leva a desmamar um bode? Não! Ele já tem alguma idade...já tem corninhos e tudo!

- Eles nascem sem corninhos? Ou já nascem incorporados?

- Não sei bem mas acho que os corninhos aparecem ao fim de algum tempo. Liga lá ao Tio Luís...

 

Dúvidas. Meus amigos! Dúvidas de pais, de primeira viagem, de um bode.

 

Soltámos o bode no quintal de trás. E proibimos a entrada dos cães. Para não assustar mais o pobre do bichinho.

Má notícia. O bode continuava a berrar. 

Boa notícia. Começou a comer.

Má notícia. Começou a comer a minha horta.

O bode saltava tudo e mais alguma coisa.

Vinha ter connosco mas logo fugia a saltar. Não parecia assustado. Parecia eufórico. 

A Mariana acordou. Dei-lhe a refeição da praxe.

O Pedro ficou a tomar conta do bode. A Alice acordou. E logo se juntou à animação que estava a acontecer na parte de trás da nossa casa.

 

Enquanto amamentava a Mariana só pensava. Temos um bode. E agora?

Juntei-me ao Pedro. E o Pedro disse-me.

- Onde é que o bode vai dormir?

Desatei a rir, sem conseguir parar.

Meus amigos. Imaginei já muitas frases a saírem da boca do meu marido. Mas...

...onde é que o bode vai dormir? Não foi uma delas.

 

- Arranjamos-lhe uma caminha na arrecadação. E deixamos a porta aberta para o caso de ele querer ir dar uma volta noturna. 

- É melhor não deixar a porta aberta. É um bode não é um morcego!

- E fica preso?? Já agora,  como é que é uma cama de bode?

- Liga lá outra vez ao tio Luis...

 

Temos estado bem por cá. Mas com duas crianças pequenas. Dois cães. Não temos mãos a medir.

A sorte é que eu ainda não estou a trabalhar.

Nem quero pensar quando isso acontecer.

O tempo livre é escasso. Muito escasso. Nota-se pelo abandono deste Quiosque. Pelo número de comentários por responder. E pelo número de mensagens e emails que se vão amontoando sem resposta. Não tenho conseguido fazer melhor. 

 

E mais o bode....

....golpe de misericórdia na nossa vida.

 

Deitámos as miúdas. Adormeceram.

O bode estava lá fora.

Sentei-me com o Pedro na sala a beber um chá de camomila para acalmar os nervos.

E falámos.

-Temos um bode. E agora?

- Pois. E agora?

 

Esta história começou aqui!.

E vai continuar....

Não sei se estão com curiosidade para saber tudo, tudo e tudo...

....se sim. É só passarem por cá.

 

 

 

Pedro e Joana. Duas filhas. Dois cães. E um.....

09.06.19, Joana Marques

Por aqui os hospitais funcionam de forma diferente, no que diz respeito à gestão de recursos humanos.

Essa parte foi a que mais nos agradou.

A remuneração que o Pedro aufere é bastante agradável mas não foi isso que nos fez dar o passo.

O facto de poder escolher o turno em que trabalha e ter tempo para viver foi o que mais nos encantou.

No hospital do Pedro não há regime de turnos.

Ou melhor há, mas não como em Portugal.

Por aqui não há regime de turnos rotativo.

O Pedro escolheu o turno das 8h às 16h com fins de semana livres.

Se escolhesse o turno das 16h à meia noite ganharia mais e se escolhesse o turno noturno mais ainda.

Quando decidimos vir para cá pensámos logo na experiência nova e em tudo o que iríamos aprender e viver mas para isso seria preciso tempo para viver e tempo para estarmos juntos.

Optámos sem pestanejar pelo melhor horário.

 

Por aqui a saúde não é para todos. Infelizmente, não existe um sistema que proteja toda a gente.

O hospital só está acessível a bolsas mais recheadas pelo que alguns médicos fazem serviço de voluntariado.

O Pedro também faz. Ninguém o obriga a fazer mas é uma forma de agradecermos a nossa estadia aqui.

De 15 em 15 dias ao sábado de manhã o Pedro dá consultas, algumas ao domicilio outras em Centros de Saúde improvisados. 

Costuma sair cedo, pelas 7h. E normalmente regressa pelas 14h.

 

No sábado passado. 

Dei o almoço à Alice. Ficou-se a dormir a sesta.

A Mariana também dormitava com o Vasco de vigilia. E a Gabi aos pinotes cá em casa.

O costume!

 

Ouvi o carro do Pedro.

Fui à porta. 

O Pedro tinha saído do carro.

E estava com a porta de trás do carro aberta e a tentar tirar alguma coisa.

Ouvi um som...

...do tipo. 

- Béeeeeeeee.

 

E nisto. Vi o impensável.

Nos braços do meu Pedro estava um bode.

Um bode.

Sim, leram bem. Um bode.

Jovem, é certo. Pronto! Um projeto de bode....

 

Depois de recuperar as cores. Perante tal aparição. Fiz ao Pedro...

...aquela pergunta básica. Que todas as mulheres fazem aos seus maridos...

Porque raio é que o homem tinha um bode??

 

Pois, Pedro.

Médico de todas as miudezas urinárias e afins.

Tratou com sucesso, uma infeção urinária, à amante de um senhor africano que lhe ofereceu em troca como reconhecimento e agradecimento.

Um bode.

Uma palavra chegava, senhor! Uma palavra chegava....

 

Sábado. 

Joana e Pedro. Para além de um bode nos braços.

Tinham. E estavam, também. A braços com um grande problema.

O que raio vamos fazer com o bode?

 

Pedro e Joana. 

Duas filhas. Dois cães. E um bode....

 

Esta história continua.

Não sei se estão com curiosidade para saber tudo, tudo e tudo...

....se sim. É só passarem por cá.

 

- Vai lá tu, se faz favor!

02.06.19, Joana Marques

Uma das melhores coisas de ser mãe é ver o crescimento das miúdas.

A adaptação delas a novas situações.

A forma como reagem aos acontecimentos.

 

A Mariana vai fazer 3 meses. Ainda não faz grande coisa.

Palra muito. Mexe-se muito. Presta atenção ao que se passa aqui por casa.

E é óbvio que aqui em casa há sempre muitas coisas a acontecer.

É o Vasco a ressonar mesmo colado à espreguiçadeira da Mariana.

É a Gabi com um frango assado em forma de brinquedo a passar a correr mesmo em frente à Mariana.

É o Vasco a resmungar porque foi acordado quando a Gabi passou com o frango assado na boca em forma de brinquedo mesmo em frente à Mariana.

É a Alice que ouve músicas e atua ao som das músicas mesmo em frente à Mariana.

É a Alice que se deita ao lado da Mariana e dá-lhe beijinhos. Faz festinhas na barriga da Mariana. E logo a seguir no Vasco.

A Mariana segue todas estas movimentações. Palra. Ri-se. E mexe-se. Tanto, tanto que a espreguiçadeira parece querer levantar voo.

 

No final do dia é que a coisa é pior. A pequenota já está mais cansada.

Não é de ferro e perde um bocado a paciência.

O Pedro por norma já está em casa.

Ou estou eu com as miúdas e ele trata do jantar.

Ou está ele e eu trato do jantar. Normalmente intercalamos.

 

Ontem estava eu a tratar do jantar e o Pedro com as miúdas.

A Mariana já tinha tomado banho. Estava muito impaciente.

A Alice fez uma graça. E outra. E depois outra.

E a Mariana continuava naquela moinha chorosa.

O Pedro pegou-lhe ao colo e tentou acalmar a miúda. Nada.

A Alice fez festinhas. Deu-lhe beijinhos.

Mas em vez de ficar mais calma a Mariana ligou o botão: "vou chorar porque eu posso, quero e não me calo até me apetecer".

 

A Alice decidiu recorrer e usar artilharia pesada.

Chegou-se ao pé de mim. Puxou-me com a mãozita.

Apontou-me o caminho com um dedo. E deu-me uma ordem!

- Vai lá tu, se faz favor!