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Quiosque da Joana

Quiosque da Joana

só se estraga uma casa...

Vasco

29.09.19, Joana Marques

Domingo. De manhã.

7h00.

Acordou fresquinha que nem uma alface. A Mariana.

Risonha. Esfomeada. Sentei-a na cadeirinha que temos para ela na cozinha.

7h07

Acordou fresquinha que nem uma alface. A Alice.

Gritou para eu a ir buscar ao quarto. Desde Agosto que deixou a cama de grades porque já não cabia nela.

E...

...está instruída para não deixar o quarto sozinha.

Nunca se sabe. Mas até agora tem resultado.

Cheia de coisas para dizer. Desceu as escadas e juntou-se à irmã.

Tomámos o pequeno almoço e antes que o caos se instalasse aqui em casa, peguei nelas e no Vasco e fomos passear.

 

O Pedro dormia que nem uma pedra.

A Gabi contemplava o dono e não disse presente na hora da nossa saída.

 

Estava uma temperatura boa. Fresquinho. Aquele fresquinho que sabe bem.

A Mariana ia acordadíssima no carrinho. E a Alice ia com as suas próprias pernas a cantar rua fora.

Quando entrámos no passeio marítimo estava um cãozinho daqueles tipo caniche.

Pequenino. Eléctrico. E barulhento. Preso a um banco.

Apercebi-me que os donos estavam perto a fazer ginástica.

Mal nos viu. 

O cão mexeu-se.

O cão saltou.

O cão esperneou.

O cão ladrou.

O cão anunciou aos 7 ventos a chegado do anticristo.

 

Adoro animais.

Cães, em particular.

Mas...

....sinto-me pouco confortável com recepções assim.

Passei de fininho pelo cão.

A fingir que era superior ao ruído.

Continuei a empurrar o carrinho da Mariana.

A Alice não fez caso do cão e continuou a cantarolar..

O Vasco ignorou o seu semelhante por completo.

Nada. Nadinha.

Passou no seu porte de rei e continuou a sua caminhada.

 

Parei. Mais à frente.

Dei uma bolacha à Alice.

Dei uma bolacha ao Vasco. (diferente das da Alice)

Dei banana à Mariana.

Esta minha gente está sempre pronta para comer....sempre!

Olhámos para os peixinhos. 

A Alice falou com eles.

- xiiiiiiinhos, xiiiiiiiiinhos....

A Alice disse adeus aos peixinhos.

E voltámos pelo caminho que tínhamos feito anteriormente.

 

Damos de cara com quem???

Com o caniche.

Possuído. 

Mal nos viu largou num pranto.

O cão mexeu-se.

O cão saltou.

O cão esperneou.

O cão ladrou.

O cão anunciou aos 7 ventos a chegado do anticristo.

O cão guinchou. 

O cão chamou o 112. Os Bombeiros. O Exército. A Marinha. O instituto de socorros a náufragos e a polícia montada a cavalo.

 

O Vasco chegou-se. 

Não lhe ladrou sequer.

Foi um rugido. No ouvido. 

Um Liedson...

Leve. Levezinho....

 

O cão calou-se.

O cão mudou de cor.

O cão fez cocó! 

(não foi cocó, cocó......foi um mundo de cocó....tipo BUUUUMMMM!

 

A dona gritou:

- O seu cão é maluco?? Olhe o que ele fez ao mimoso...

E eu respondi..

- É maluco, é! É do Sporting...

Sorri-lhe.

Peguei em mim, maluca e nos meus três malucos. 

Voltamos para casa.

Para nos juntar rapidamente aos outros dois malucos que tinham ficado em casa.

Assim como assim só se estraga uma casa...

 

 

....alguém pediu a tua opinião?

28.09.19, Joana Marques

Perseguidos por um azar.

Pior.

É impossível.

Eu já ando a erva cidreira.

Pensei!

Já não pode piorar...e!

Aparece o Pereira..

 

Ó senhores! Ó senhores!

Vão para debaixo das mesas.

Não deslarguem a Umbreira..

Querem lá ver que o homem

ameaça com a Asae...

....e tudo! 

...oh! Tão fofinho o Pereira.

 

 

Atirei-me para o chão a rir...

...achei que era piada.

com a barriga dorida...

Ainda estou a digerir...

tamanha ameaça.

Digam lá a vossa opinião..

Isto é uma chalaça?

 

Já fechei as portas todas

calafetei as janelas.

Barriquei-me na despensa.

Não vá o Pereira ameaçar...

também...

...esta sportinguista!

Isso seria uma ofensa!

 

Já multaram o Jubas!

A sério!

Já multaram o Jubas!

Expulsaram o Bruno Fernandes 

no Bessa.

Depois de uma dose de porrada.

Ó Pereira...

...deixa-te de coisas!

Mete-te na tua vida...

se tens muito tempo livre..

arranja uma namorada.

 

Ó Pereira,

agora a sério, muito a sério...

...o problema é nosso 

não é teu!

Estarás tu possuído??

Que raio de demónio é esse ou o tico derreteu?

 

Já estou a imaginar.

Ao rubro!

Alvalade a verde e branco.

O leão a rugir e a marcar!

E lá ao fundo de binóculos...

...uns tipos da asae atentos e sem errar...

..só espero que sejam mais eficientes que o zarolho do var.

Não tiram os olhos do Silas 

não vá o senhor espirrar!

O Pereira sempre de olho...

...o Silas não pode respirar!

 

Mas será que não percebes.

Que falar dos outros é feio!

Cuida da tua vida. Pereira.

Estou cheinha de vontade

.. de te mostrar o meu dedo do meio.

 

Querido Pereira.

Elfo do meu coração!

Querem lá ver a audácia..

...andar a meter o nariz no reino do Leão!

Triste e preso.

Dia e noite nessa tua associação.

És tão intrometido! 

Ó homem!

....alguém pediu a tua opinião?

 

 

 

José Pereira. 

É presidente da Associação de treinadores e veio hoje a publico contestar o novo treinador do Sporting.

Ao que parece quando Silas estava no Belenenses não tinha defeito mas mudou-se para Alvalade.

E qual buraco numa meia...neste momento Silas tem mais do que um defeito. 

Segundo Pereira a contratação de Silas é "ridícula" e inaceitável. 

 

 

 

 

alguns sonhos nunca se realizam...

Ainda bem!

21.09.19, Joana Marques

Era uma vez uma miúda.

Mimada.

Parva. E com a mania.

7, 8...9 anos de arrogância.

Eu!

Dizia à boca cheia sempre que era contrariada. Gritava! Muitas vezes gritava!

- EU QUERO SER INDEPENDENTE.

O meu pai. Paciente. Muito paciente. 

Dizia-me:

- Joana, espero que nunca realizes esse sonho! 

Eu olhava para ele e pedia-lhe explicações.

Era assim que ele me quebrava. Com conversas. A maioria das vezes demoravam horas...

Argumentos de um lado. Argumentos do outro.

No fim eu não ficava totalmente convencida.

Sempre fui um osso duro de roer.

Tão duro que o Vasco resolveu amar-me em vez de me deitar o dente....

- Já viste que ser independente não é assim tão bom! Sim, podemos ambicionar ter algum dinheiro que nos dê alguma independência. Podemos não ser filiados num partido político e assim podemos ver as coisas com mais imparcialidade. Mas...

...Joana, ser independente. Independente? Nunca somos independentes das pessoas que amamos. Nem devemos querer ser! Espero que nunca o sejas! Vou contar-te um segredo! Sou mais dependente da tua mãe, de ti e dos teus irmãos do que de mim próprio. E sabes que mais! Para mim é assim que faz sentido.

 

Não percebi muito bem onde é que ele queria chegar.

Durante vários anos pareceu-me muito disparatado.

Começar a trabalhar aos 17 anos, num trabalho que não parecia um trabalho.

Sair de casa aos 17 anos. 

Ter namorado. Sério mas sem importância.

 

Não ter namorado.

Viajar. Muito.

Sem amarras. Sem dependências. 

 

Fui percebendo com o tempo. As palavras do meu pai.

Viajar. Muito. E ter vontade de voltar.

Esta foi a primeira pista. 

 

Morar sozinha. E preferir abdicar do meu espaço pessoal para ficar a tomar conta da sobrinhada toda.

Esta foi a segunda pista. 

 

Ter tempo e dinheiro para fazer uma passagem de ano de arromba, com pessoas divertidas e giras. E preferir juntar-me aos meus e fazer uma contagem decrescente dois minutos antes...porque a minha mãe tem sempre o relógio adiantado para não se atrasar!

Outra pista. 

 

Estar emigrada. Com um emprego bom.

Probabilidade de subir ao céu. Profissionalmente falando! 

Cá dentro o coração dizia-me:

- Manda tudo ao ar, pega no Vasco e volta para te juntares às tuas pessoas. Volta para encontrares as peças que faltam.

 

Voltei.

E. Numa das curvas da vida encontrei a Alice.

Depois o Pedro. A Mariana. E a Luísa.

Peças que encaixam na perfeição.

Num puzzle que eu chamo vida.

Num puzzle que eu chamo gratidão.

 

Nunca fui tão dependente na vida.

Nunca fui tão feliz!

Nunca as palavras do meu pai fizeram tanto sentido.

Alguns sonhos nunca se realizam.

 

Ainda bem!

 

Hoje é dia mundial da gratidão.

E este texto foi escrito em resposta a um desafio lançado pelo Sapo.

Se não têm blog. Participem na mesma.

Nos comentários partilhem algo pelo qual estão gratos.

 

é arte! E na arte não se toca....

Alice

17.09.19, Joana Marques

Ontem o Pedro esteve de folga. 

Aproveitámos a manhã para organizar a despensa. E a tarde para passear.

Belém. Foi o destino escolhido.

Primeira paragem CCB.

Adoro! Tudo!

Adoro a exposição permanente. Ambiente. Espaço. Tudo!

 

Eu. O Pedro. E as miúdas. Um risco. Um risco calculado!

A Mariana ainda é inofensiva para as peças de arte.

Podia eventualmente iniciar um berreiro épico mas não. Dormiu como é costumo dela.

E encerramos aqui o capitulo: Mariana vai ao CCB!

 

A Alice! Falámos com ela e explicamos que não se pode tocar em nada.

Não estava em casa e tinha de se portar bem.

- Não podes mexer em nada!

Disse o Pedro. Repetiu o Pedro. Uma vez. Duas. Três...

- Poquêeee?

- Porque é arte e não se mexe na arte!

A Alice portou-se bem. Mas....

...ameaçou correr e pular em pleno museu. E como lhe dissemos que não!

- Não se corre num museu!

Pediu colo.

O Pedro pegou-lhe ao colo e de repente viu-se ao mesmo nível dos quadros!

Bracinho esticado de dona Alice. Aqui!

Bracinho esticado de dona Alice. Ali!

- Não toques! Não toques! Não se toca! Na arte não se toca!!

 

Encurtámos a visita para a miúda não querer falecer no CCB.

Saímos dali e levámos a miúda a um parque com baloiços para não ficar com impressão negativa do espaço.

Correu bem. Não mostrou nunca sinais de impaciência ou de estar chateada.

Falou que se desunhou mas isso é normal!

 

Não encerramos aqui o capitulo: Alice vai ao CCB!

Não!

 

À noite. Antes de ir dormir. Disse o Pedro para a Alice:

- Vamos dormir! Conto-te uma história. Pega nos sapatos!

 

A Alice respondeu!

- Não! Não! Não se toca! Aiiiice não toca!

E com as mãos no ar disse! E explicou...

- É aaaaarte, papá! É arte!

 

é preciso uma aldeia...

12.09.19, Joana Marques

De Alentejos diferentes. Um mais para norte outro mais para sul.

De Alentejos iguais. Porque o norte e o sul fazem muito pouca diferença quando é o amor que está em jogo.

Os meus sogros. 

 

Começaram por morar em Odivelas mal acabaram de casar.

Uma casa do tamanho de uma noz, segundo a minha sogra.

Uns anos depois mudaram-se para o Montijo e nunca mais saíram de lá.

Primeiro numa casa alugada. 

Depois compraram um apartamento um pouco maior e daí a uns anos mudaram-se para uma casa com quintal.

Entre o jardim e uma mini horta vão passando o tempo.

Sendo o Pedro filho único, viveram sempre um bocado para ele. É normal.

Antes do Pedro casar, passava por casa dos pais sempre que podia, à vezes todos os dias e quando estava de folga era frequente dormir lá.

Um filho nunca cresce e o Pedro é o menino deles.

O Pedro é o verdadeiro menino da mamã e do papá. É bom de ver...tanto mimo bom para aqueles lados....

 

Não é por serem meus sogros mas são pessoas maravilhosas.

Com um coração grande.

Só assim se explica os braços abertos com que me receberam a mim mas sobretudo à Alice.

Adoram passar tempo com as netas. O único senão é que estão no Montijo.

 

Não é longe de Oeiras mas também não é perto.

Com os meus pais a morar no Estoril, é mais prático para nós deixar a Alice e a Mariana com os meus pais do que com os pais do Pedro. Mas...

....tendo os meus pais neste momento 8 netos e sendo muito solicitados para tomar conta de vários, muitas vezes torna-se inviável.

É certo que os filhos da minha irmã já não dão trabalho. Estão criados. 

Os do meu irmão são diferentes. A Margarida por exemplo está com dois anos.

Ficarem com a Alice, a Margarida e a Mariana ao mesmo tempo é a loucura!

Para além de que estando reformados podiam aproveitar para ir dar umas voltas e distrair de outra maneira em vez de ficar presos aos netos todos os dias.

 

Foi por isso que eu e o Pedro ponderámos e não sendo viável ter a Alice em casa dos meus pais como já esteve antes da Mariana nascer decidimos que tinha de ir para um infantário.

Tenho a certeza que se ia adaptar bem.

Tenho a certeza que no geral ia gostar. Mas...

....não era isso que tinha idealizado. Aos 3 anos sim. Aos dois...ainda não estou preparada.

 

Ontem. Os pais do Pedro vieram cá almoçar. 

E...

...ao mesmo tempo que nos deram uma novidade fizeram-nos uma pergunta.

Enquanto estivemos na África do Sul andaram por aqui a ver casas.

Encontraram uma que lhes agradou. No concelho de Oeiras.

Um quintal um pouco mais pequeno que o deles, mas ainda assim...um pouco de ar livre.

Uma casa um pouco mais pequena que a do Montijo mas segundo eles perfeita porque não dá tanto trabalho.

Uma troca de casas e um ajuste financeiro porque embora a casa aqui seja mais pequena é mais cara. 

E...

....num passo de mágica. Toda a nossa aldeia junta.

Perguntaram-nos a nossa opinião.

Nem deixei o Pedro responder...

Só me apeteceu abraça-los!

A Alice não precisa de ir para o infantário já.

A Mariana pode intercalar e não ficar sempre em casa dos meus pais.

O Pedro fica com os pais mesmo aqui ao lado.

Os pais do Pedro podem vir muito mais vezes cá a casa e se precisarem de alguma coisa estamos mesmo ao lado uns dos outros.

A convivência frequente das netas com os avós, todos os avós, não tem preço.

Os avós, todos, vão ensinar-lhes tanto!

 

Passados uns minutos de euforia e egoísmo à parte, lembrei-me que iam deixar para trás uma vida de recordações e perguntei-lhes:

- Querem mesmo, mesmo fazer isso! Já conhecem toda a gente lá....vão ter de mudar a vida toda!

- O presente é que importa e o presente são vocês. 

 

Dizem que...

...é preciso uma aldeia para educar uma criança. 💚

Sobrevivemos sem a aldeia...mas é tão melhor quando existe!

 

Há três anos no Quiosque!

Se nunca leram. Devem ler.

Ponham-se no meu lugar....e façam o favor de rir...

 

Há dois anos no Quiosque!

Post 1: O projeto maravilhoso da Cláudia!

 

Post 2: Sou uma otimista assumida!

 

Post 3: Futebolisticamente falando sou supersticiosa até ao tutano!

Valeu a pena, no ano passado!

 

Há um ano no Quiosque.

Senhor Ludovino!

 

 

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as panquecas...

(este post não é uma receita)

11.09.19, Joana Marques

Somos apologistas de um bom pequeno almoço. 

Tomado com tempo. 

O nosso pequeno almoço preferido tem de ter panquecas feitas na hora.

Com uma calda quentinha. Adoramos uma boa calda de nectarinas que espalhamos por dentro das panquecas. E por cima gostamos de colocar uma fruta fresca.

Morangos. Kiwi. Ou amoras.

 

A Alice adora. 

Quando o pequeno almoço é do agrado dela. Come tanto como nós!

 

Agora que estamos os dois a trabalhar.

Decidimos, quando fizemos a planificação das refeições deixar as panquecas para dias com manhãs mais folgadas.

Folgas do Pedro. Fins de semana.

 

Hoje de manhã. 

Estava a vestir-me. No quarto. No andar de cima.

O Pedro estava cá em baixo com a Mariana e com a Alice.

Ouvi os passos da Alice a subir as escadas.

Conheço-a como a palma da minha mão. Vinha feliz com alguma coisa.

Gritou de alegria, à porta do quarto:

- O papá está a fazer panquecas.

 

Não era isso que tínhamos no planeamento mas não é rígido.

Serve só de orientação.

Nenhum de nós estava atrasado. E por isso..

...queridas panquecas, sejam bem-vindas à casa dos Rebelo!

- Desce! Para seres a primeira a comer....

Disse eu para a Alice.

Não foi preciso insistir. Meio segundo depois já a miúda descia as escadas ao mesmo ritmo com que as tinha subido.

 

Nisto ouço uma grande algazarra na cozinha.

E ouço novamente a Alice a subir as escadas. Não com a alegria anterior...

Mal a vi à porta do quarto percebi que estava certa.

A Alice estava zangada. Exaurida. Escandalizada.

Primeiro pensamento.

O Vasco roubou-lhe as panquecas. Mas não.....

 

O liquidificador onde fazemos as panquecas tem 3 partes.

A parte motora. 

A parte da lâmina.

A parte do copo.

O Pedro não deve ter apertado bem a lâmina ao copo e quando aquilo começou a girar a massa das panquecas começou a sair por baixo.

O liquidificador ficou uma lástima. Por fora...

A bancada da cozinha também.

A massa escorreu para os armários. E para o chão. Azares que acontecem....

 

Diz a Alice...danada da vida!

- O papá fez asneira...

- Fez asneira??

- Sim! Asneira da grossa....

Desci com ela e lá estava o Pedro todo atarantado a debater-se com massa por todos os lados. O Vasco a comer o que apanhava. A Gabi a tentar chegar a alguma massa mas a levar patadas do Vasco. A Mariana a rir-se. Toda aquela movimentação deixam um bebé em modo gargalhada...

 

A Alice continuava zangadérrima. 

E eu falei com ela.

- Alice, já viste que o pai teve um azar! Não é momento para estares zangada. Quando a perna da tua boneca saiu o pai ficou zangado contigo?

- Não!

- E ajudou-te a pôr a perna da boneca no lugar?

- Sim.

- Então, hoje é o pai que precisa de ajuda...

 

A Alice chegou-se ao pai e abraçou-lhe uma perna.

Depois deu os braços ao Pedro.

O Pedro pegou-lhe ao colo.

A Alice deu um beijinho ao Pedro.

E disse-lhe com uma voz muito doce.

- Papá ainda quero panquecas...

 

Há três anos no Quiosque!

Um post curto, curtinho.

Se vocês seguirem o link que lá está e depois clicarem na imagem

conseguem saber a música que fazia mais sucesso no dia em que nasceram.

A minha é: Celebration; Kool & the Gang

E a vossa?? Contem-me tudo!!

 

 

Há dois anos no Quiosque!

Um dia muito, muito importante!

A minha procura por um coração verde...teve um final feliz neste dia!

 

Há um ano no Quiosque!

Nas bocas do mundo...

...se tivesse tempo gostava muito de voltar a esta rubrica..

..quando me reformar!

 

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entre 14h e as 18h....

09.09.19, Joana Marques

No mês passado passámos uns dias no Alentejo.

O tempo foi passado sobretudo em casa com umas descidas aqui e ali.

Uns passeios. Umas saídas. 

Um dia descemos até à civilização e encontrei uma amiga de infância. A Alda.

Apresentei a Alda ao Pedro. E apresentei o Pedro, a Alice e a Mariana à Alda.

A Alda é um pouco mais velha que eu. Alentejana. Nascida e criada.

Já não a via...

...nem sei.

 

Fiquei estupefacta! Esta é a expressão certa! Quando me disse que a filha ia casar...

- Casar?? Como assim! Mas que idade é que ela tem??

- 25 anos.

- 25???

- Sim, 25 anos feitos em Maio. Já trabalha. Namora com um moço que conheceu na faculdade. Já moram juntos e tudo! Moram perto de Almada.

Olhei para as minhas filhas. E suspirei. 

 

Nesse dia à noite. A Alda ligou-me. A convidar para ir ao casamento.

O casamento ia ser perto de Almada. Disse-lhe que depois lhe dizia qualquer coisa, porque o Pedro já estaria a trabalhar e tinha a questão das miúdas.

A verdade é que não conheço propriamente a filha da Alda. Já a vi....

...em miúda. Para aí umas 3 ou 4 vezes...nada mais do que isso.

 

O casamento foi no sábado.

O Pedro não trabalhava no sábado. Mas domingo começava a trabalhar às 8h e ia fazer dois turnos. Não lhe apetecia estar um sábado inteiro no casamento de alguém que não conhecia de lado nenhum. 

Depois de muita insistência da Alda lá convenci o Pedro a ir apenas à parte da igreja. 

Pegámos em mim. No Pedro. Na Alice. Na Mariana. E em toda a traquitana que transportamos cada vez que saímos de casa....

- A que horas é, perguntou o Pedro?

Eu que estou grávida e ainda mais desmiolada que o costume disse-lhe:

- É pelas 12...

Saímos de casa atempadamente.

Direitinhos à ponte 25 de Abril.

Chegámos à igreja. Direitinhos e certinhos.

Estacionou-se o carro. Eram 11h55. A tempo....

Saiu a Alice. Saiu a Mariana. Saiu o carrinho da Mariana. Saiu a traquitana toda. Arrumámos a traquitana na parte de baixo do carro da Mariana.

E...

...direitinhos para a igreja.

Muita gente cá fora na igreja. Entrámos.

E sentámos-nos. E eu disse ao Pedro...

- Olha, vês ali de cor-de-rosa?? É a Alda...credo! O marido dela está tão velhote....

Ainda pensei ir cumprimenta-la. Mas não o fiz...

....tinha a Mariana que não queria estar no carrinho e estava ao colo do Pedro. Tinha a Alice que ameaçava começar a correr igreja fora. Achei melhor ficar a controlar a minha família.

Nisto....

....a noiva estava à porta.

Uma noiva pontual. Eu também fui uma noiva pontual e por isso tudo normal!

Decorreu o casamento. Uma hora e meia de:

Mariana chateada. Alice aborrecida. O que é normal....uma hora e meia é muito tempo.

 

Finalmente acabou!

Eu e o Pedro respirámos de alivio. Mas...

....fomos informados que as tradicionais fotos iriam ser tiradas no jardim da igreja.

O Pedro já não queria tirar foto nenhuma mas...

...lá o convenci.

- Estamos tão giros, tão bem vestidos. Até é pecado não tirarmos uma foto...

O argumento não foi o melhor. Mas o homem cedeu...

 

A Mariana ameaçava explodir.

A Alice ameaçava atirar-se para o chão.

Pedi a um. Pedi a outro.

E conseguimos ser os primeiros a tirar a foto com os noivos.

Tínhamos crianças. Toda a gente percebeu. Toda a gente concordou.

 

Já nem vi a Alda. Até me esqueci dela. Queria era despachar aquilo....

Tirámos as fotos. 3 fotos.

Disse ao fotografo que não íamos ver o resultado.

Pagámos as fotos. Deixamos o contacto.

O fotografo ainda nos disse que punha o cartão da máquina no computador para vermos o resultado. Dissemos que não valia a pena.

O fotógrafo disse-nos que nos enviava uma mensagem quando a transportadora contratada por eles nos entregasse as fotos.

Tudo certo!

 

Hoje. Pelas nove da noite. Com as miúdas a dormir como pedras.

Estava com o Pedro sentada no chão da sala. Com umas almofadas a amparar as costas.

O Vasco no sofá.

Recebi uma mensagem.

saraerui.jpg

- Enganaram-se.

Disse eu ao Pedro. 

- A filha da Alda não se chama Sara, chama-se Paula.

- Não. Chama-se Sara, chama!

Disse o Pedro.

- Não! Achas que não sei o nome da filha da Alda!!! Chama-se Paula tenho a certeza!

Insisti eu.

- Sara e Rui. O padre fartou-se de falar em Sara e Rui. Não estavas lá???

Estar estava. Mas estou grávida e um pouco mais desmiolada que o costume...

Liguei à Alda.

Só para confirmar o que mais temia.

 

Estivemos no casamento errado. Tirámos fotografias com as pessoas erradas.

E amanhã vamos receber fotografias nossas com dois estranhos.

Entre as 14h e as 18h.

 

Estou a imaginar a cara dos noivos quando receberem o álbum de casamento.

E perceberem...

.....que. Enfim....

 

O que há dentro da despensa de uma família vegetariana...

08.09.19, Joana Marques

Foi-me pedido através do instagram do Quiosque uma espécie de lista de ingredientes que façam parte da nossa despensa aqui de casa.

Dizer que somos 95% vegetarianos. Só não somos vegetarianos fora de casa porque não nos parece muito bem rejeitar refeições que foram preparadas para nós e em casas onde somos convidados.

 

Estes são os indispensáveis.

Os que temos sempre. Ou quase...

Os que nunca deixamos acabar.

Aqui vai!

 

Sementes de chia. Sementes e linhaça. Sementes de Sésamo. Sementes de abóbora.

Uso em overnights, granola. 

Uso como farinha em pão, bolos, bolachas e panquecas. 

 

Coco. Cajus. Avelãs. Amêndoas. Nozes de vários tipos. (praticamente todos os tipos!)

Uso para petiscar. Por exemplo, o nosso lanche é muitas vezes uma fruta e uma mão cheia de frutos secos.

Uso para fazer manteigas boas e cremes tipo nutela (é só acrescentar à manteiga um pouco de cacau). Também transformo em farinha e coloco no pão, bolos e bolachas.

Uso para fazer leite vegetal e iogurtes. 

Uso na granola.

Grão. Lentilhas. Feijão de todas as cores e feitios. 

Cozo e congelo. Coloco na sopa e nas saladas.

 

Aveia.

Uso na granola. 

Já tive o costume de fazer papas de aveia mas deixou de nos apetecer.

Uso para fazer leite.

Transformo em farinha e uso em bolachas, bolos e pão. Neste momento é a farinha mais usada cá em casa.

 

Arroz integral. Quinoa. Millet. Trigo sarraceno. Espelta. 

Cozo. Coloco nas sopas e nas saladas.

 

Ervas aromáticas.

Todas! 

 

Cogumelos.

Todos. Frescos, claro!

 

Fruta.

Toda. E abusamos um bocado....

Temos o cuidado de consumir fruta de cor diferente todos os dias.

Vê-se bem que a Mariana não foi trocada na maternidade...adora fruta!

 

Legumes. De todas as cores. 

Todos e mais alguns!

Saladas. E sopas. São obrigatórias todos os dias cá em casa...

Temos o cuidado de consumir 4 a 5 cores diferentes todos os dias.

 

Probióticos.

Iogurtes feitos por mim. 

Chucrute, feita por nós. Normalmente é o Pedro que faz...

Miso.

Ameixas Umeboshi.

Kombucha. 

Capsulas de probióticos quando o Pedro me diz que devo tomar....

....ele sabe!

 

Outros.

Cacau (verdadeiro!). Tâmaras. Açúcar de coco (cada vez menos). Mel. Vinagre (vários). Azeite. shoyu. Ovos. Tofu. Tempeh. Algas. Queijo alentejano (é o nosso pecado....).

 

Não comemos processados.

Nem um!

Quanto aos custos desta alimentação. 
No início investimos um pouco porque tivemos tendência a comprar coisas em excesso, neste momento já dominamos o assunto e compramos o que precisamos.

Aqui em casa, nada se estraga tudo se aproveita.

 

Devemos ter também atenção onde compramos.

Os hipermercados às vezes são mais caros do que as frutarias de bairro (por exemplo). É uma questão de comparar preços e qualidade. Se é biológico ou não.

Neste momento posso dizer garantidamente que é bastante mais económica. 

 

Não esquecer. A saúde não tem preço.

Poupamos muito em saúde.

No último ano a nossa única despesa na farmácia* foi um xarope ben-u-ron para a Alice.

Porque o Pedro achou que devíamos ter para alguma emergência.

Até ao momento, ainda não foi usado. 

 

* estava a referir-me a medicamentos...

....também comprei testes de gravidez...

 

Alguma questão que queiram colocar, sobre qualquer tema.

Força!

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Há três anos no Quiosque.

O Sr. Ludovino!

 

Há dois anos no Quiosque.

Quando eu falava em rins.

Sem saber que andava à solta o mestre dos rins....

 

Há um ano no Quiosque.

 

quando o feitiço se vira contra o feiticeiro...

05.09.19, Joana Marques

Já não trabalho como deve ser desde que a Mariana nasceu.

Eu fiquei de licença. O Pedro também.

O Pedro teve aquela proposta para a África do Sul e fomos todos.

Enquanto lá estivemos a vida foi correndo levemente. Não fosse a ansiedade que é viajar com dois cães e duas crianças pequenas e tínhamos tido uma estadia zero...stress.

Por lá a vida de médico é uma vida santa.

Os horários são escolhidos. O Pedro escolheu não fazer noites, por exemplo.

Voltámos. O Pedro estava de férias e eu continuava de licença.

 

Alentejo.

A vida simples do Alentejo. A vida simples de quem está de férias.

A Alice só se calçava quando íamos dar uma volta à civilização.

Eu só me calçava quando ia dar uma volta à civilização. Sempre foi assim. Adoro andar descalça.

 

Quando voltámos. Voltámos com alguma depressão.

Mas...

...somos adultos. Não somos ricos. Temos de aceitar que temos de trabalhar.

Eu começo para a semana. O Pedro começou a semana passada.

Noites. Turnos e mais turnos.

 

Quem também veio contrariada de férias foi a Alice.

Nos primeiros dois dias acordava a perguntar quando voltava para o Alentejo.

Quando estava em modo: "Estou cheia de sono e vou detonar uma bomba atómica"...

...gritava pelo:

- Aieeeeeeeeeeeeeeeentejoooooooooo!

 

Calça-la, meus amigos!

É mais fácil assaltar um banco do que calçar-lhe os sapatos!!

De tudo o que perdeu com a vinda do Alentejo o que mais lhe custa é a liberdade de andar descalça.

Aqui em casa anda. E no quintal também. Não há qualquer perigo mas...

...se vou com ela à rua tem de ir calçada! 

 

Hoje.

Tinha de ir com a Mariana ao pediatra. 

Vesti a Alice. Calcei-a e fui arranjar a Mariana.

Mal dou conta. Pezinho da Alice no chão. Sem sapatos. 

- Alice, o que é que fizeste aos sapatos...

Fez-se desentendida.

 

Calcei-lhe novamente os sapatos. Deixou....

Peguei na Mariana. Cocó. 

Mudei a fralda à Mariana.

A Alice tinha desaparecido.

- Alice??!

- Bincar, mamã...

- Temos de ir embora. Anda cá.

 

Aparece. Sem sapatos!

Calcei-lhe os sapatos.

 

Estava preparada para sair.

Uma miúda ao colo. A outra calçada!

Tocou o telefone.

Atendi. Os meus pais têm estado de férias e tinham acabado de chegar a casa.

 

Volto a pegar na Mariana.

E...

...os meus olhos não acreditaram no que estavam a ver!

Alice. Descalça.

Devo ter feito uma cara...

...a Alice apressou-se a dizer:

- Calminha, Waaaaaana, calminha! Tá???

 

Consegui chegar ao pediatra. Com quase uma hora de atraso....

Entretanto cheguei do pediatra. Com as duas.

O Pedro já estava em casa.

Sem a Alice perceber contei ao Pedro que a saga dos sapatos continuava mas que tinha tido uma ideia...

 

Depois dos lanches despachados.

Passei pelo quarto da Alice e trouxe um livro: "a Cinderela".

Sentei-me ao lado do Pedro. O Pedro tinha a Mariana ao colo.

E a Alice sentou-se no meu.

 

Comecei a ler a história.

Às duas.

Devagarinho. Ao mesmo tempo iam vendo as figuras no livro.

A Mariana já olha. E de alguma forma já reage.

A Alice presta atenção a tudo e mais alguma coisa. Não tem qualquer dificuldade em compreender a história.

Enquanto ia lendo a história...

...ia dando muito ênfase à princesa e aos sapatos. Deve ter sido em demasia...digo eu!

 

A Alice já está a dormir.

E só a dormir lhe conseguimos tirar os sapatos.

Eu e as minhas ideias...

 

 

 

Há três anos no Quiosque!

Uma história sobre o Vasco.

Se precisarem de ser animados....são capazes de ficar mais. 

Palavra de dona do Vasco!

 

Há dois anos no Quiosque!

Na Noruega. O mundo será assim tão pequeno?

 

Há um ano no Quiosque.

As voltas que a vida dá em menos de nada.

 

 

 

ser do Sporting...

(o regresso às origens)

03.09.19, Joana Marques

Em 1960, na Universidade de Stanford foi feito um estudo por Walter Mischel.

Este investigador testou a capacidade de adiar algo gratificante e relacionou-o com o sucesso na sua vida adulta.

 

A pesquisa era simples.

Deixavam uma criança sozinha com um doce e diziam-lhe para não o comer.

Se não comesse o doce teria de seguida uma recompensa.

Algumas crianças esperaram e resistiram à tentação, outras nem por isso.

Algo semelhante a isto.

 

Desde 1960, este estudo já foi repetido várias vezes, por diferentes investigadores e as conclusões são mais ou menos as mesmas. 

As crianças que não cedem à tentação apresentam notas mais altas na escola, são socialmente e profissionalmente mais hábeis, são também mais auto-confiantes.

Por outro lado, quem cedeu e comeu o doce tem uma maior tendência para a obesidade, alcoolismo, drogas e uma auto-estima mais baixa.

Não será completamente linear! Nada na vida o é. Mas é sem dúvida uma tendência.

 

Como sportinguista sinto-me como estes miúdos que foram testados por Walter Mischel. E sem dúvida que pertenço aos que resistiram ao doce.

Mais.

Resisto ao doce desde 1981 (ano em que nasci) com uma ou outra excepção pelo meio.

Foram poucos doces mas muito, muito bons. 

Se quisesse comer o doce todos os anos não era do Sporting. Não podia ser do Sporting.

Assim, ser do Sporting é entre outras coisas..

....ser resiliente. Persistente.  Ser mais forte que os outros. Ter uma capacidade de sacrifício, sem igual. E nunca seguir o caminho mais fácil só porque sim...

 

Nos tempos em que liderei uma equipa (não foi uma equipa desportiva...). Tendo responsabilidade directa no recrutamento de pessoas não recrutava ninguém que não soubesse o clube.

Se estivesse em dúvida entre duas pessoas escolhia sempre a que era do Sporting.

Não por ser do Sporting como eu.

Mas porque sendo do Sporting tinha a certeza que tinha as qualidades que acima enumerei.

Isto não quer dizer que pessoas de outro clube não tenham estas qualidades mas se forem do Sporting é quase certo que as têm.

É muito fácil ter um sentimento de pertença, abraçar um projecto quando tudo corre bem.

No entanto, não é para todos ficar quando tudo está às avessas. 

Eu precisava deste tipo de entrega.

E alguém que é do Sporting, MESMO do Sporting era sempre a escolha certa.

 

Não é fácil ser do Sporting depois de Alcochete.

Não é fácil ser do Sporting depois de perder 5-0.

Não é fácil ser do Sporting depois de termos sofrido 3 penáltis num só jogo.

Não é. Mas continuo a sê-lo. Com orgulho. 

 

Posso perder tudo na vida. Mas...

...uma coisa é certa.Nunca perderei o Sportinguismo.

Seria perder a minha essência.

 

Hoje saiu Keizer. Agradeço-lhe os doces que me proporcionou.

 

No Sporting.

Começa um novo capitulo.

 

Por aqui regresso às origens.

O Kiosk volta a ser ....

....Quiosque.

Da Joana. Resiliente. Persistente. Teimosa. Ou seja...

....sportinguista.